-
Inspira medo ou afeição?A Sentinela — 1962 | 15 de maio
-
-
Inspira medo ou afeição?
QUAL deles inspira: Medo ou afeição? Que contraste entre a alegre e calorosa afeição humana e o desassossegador e mórbido temor do homem! No fundo do coração desejamos inspirar afeição nas pessoas, especialmente nas que, até certo ponto, dependem de nós ou que somos responsáveis por elas. Porém, apesar de nossas melhores intenções, podemos fazer justamente ao contrário. Como assim? Por causa de irreflexão, falta de discernimento ou mesmo um pouco de ambição egoísta.
Os ditadores dominam pelo medo: “Quando sobem os perversos os homens se escondem.” O medo não edifica, e, portanto, por via de regra, o domínio dos ditadores dura pouco. — Pro. 28:28, ALA.
Empregadores e feitores devem ter cuidado neste sentido. Um empregador pode facilmente inspirar medo ao invés de afeição aos seus empregados por ameaçá-los de dispensa ou por ser arbitrário e desarrazoado. O resultado pode ser o de que os empregados trabalhem só quando estão sendo observados. Também, os pais, os superintendentes de congregação e os ministros cristãos que ensinam devem ter cuidado nos tratos com os que lhes são confiados.
Alguns pais, especialmente os da Europa central, são propensos a inspirar temor na família deles. Exigem implícita obediência e grande respeito, ao passo que não têm consideração amorosa como chefe da casa. Em outras terras, a esposa e mãe é que inspira temor, o marido abandona a chefia em favor da paz. Por sua vez, as mães transferem a sua autoridade aos filhos, temendo-os. Não se admira de haver tanta anarquia social no mundo!
O apóstolo Pedro aconselhou aos superintendentes cristãos neste mesmo sentido. Disse-lhes que não dominassem sobre o rebanho de Deus, mas que fossem exemplos para ele. Quem age como senhor inspira temor; quem serve de exemplo inspira afeição. — 1 Ped. 5:3.
É muito fácil inspirar temor se não formos ponderados. Pode ser pela nossa expressão facial. Quando vemos alguém sorrir ou querendo sorrir e conservamos a cara fechada, sem expressão ou não retribuímos com um sorriso, fazemos-lhe duvidar ou temer de que tenhamos algo contra ele. Quão pouco custa sorrir, no entanto significa muito!
Podemos também inspirar temor pelo próprio tom de voz. Uma voz desagradável e ríspida, um tom duro e inflexível pode amedrontar os outros, fazendo-os ficar com medo de nós. Podemos ter uma voz desagradável e irritante por natureza; talvez a forcemos demais. Se assim for, faremos bem em pensar melhorá-la. Podemos fazer isto por dar-lhe atenção e por exercer autodomínio, fazendo-a tornar-se mais calorosa, amistosa, agradável de ouvir e ter um som que inspire afeição e não medo.
Ainda podemos inspirar temor por dar impressão de estarmos tão ocupados que não temos tempo para nada mais. Os que têm problemas podem ficar com medo de vir a nós, porque damos-lhes a impressão de estarmos ocupados demais para ouvi-los. Temem atrapalhar-nos, ainda que a coisa mais importante que podíamos fazer naquele momento fosse ouvi-los, dando-lhes conselhos e animando-os.
Somos impacientes? Isto também pode inspirar temor nos outros. Se aborrecemos com interrupções, se ficamos irritados, se jogamos o que temos na mão ou se replicamos rispidamente por falta de autodomínio, é muito provável que inspiremos temor em vez de afeição. Outros, não desejando ofender-nos, que não desejam aborrecer-nos, ficarão com medo de nós, medo de nos ofender.
Um jeito tão comum em que podemos inspirar temor sem querer é a falta de empatia, não nos colocar no lugar dos outros, não entendê-los. Quantas vezes se faz a observação: “Oh, você não entende!” Esta falta de entendimento inspira temor nos outros. Faz-nos julgar mal, o que constitui uma barreira entre nós e os outros.
Quão fácil é de se inspirar temor em vez de afeição, apesar das nossas intenções, se agirmos sem pensar ou sem entender! Não que devamos sempre ser governados pelos sentimentos dos outros, desconsiderando os nossos deveres. Antes, queremos ser tão eficientes quanto possível em desempenhá-los. Sabemos quais são as nossas responsabilidades, sabemos que somos responsáveis a alguém, assim como outros podem ser a nós. Mas, embora reconheçamos os nossos deveres, podemos pensar em como desincumbirmo-nos deles. Podemos ser inflexíveis, às vezes, e ainda sermos bondosos. Há tempo para tudo debaixo do sol. Não precisamos ir ao extremo de dureza ou de impiedade, por sermos insípidos. Quando houver necessidade de disciplinar, lembremo-nos de ser vagarosos em irar e de apelarmos à razão.
A Palavra de Deus está cheia de bons exemplos de pessoas que inspiraram afeição em vez de medo. Uma delas, a maior entre todas, não é outro senão Jesus Cristo. Ele foi bondoso, ponderado e compreensivo. Disse ele: “Vinde a mim, todos vós que estais labutando e estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre vós o meu jugo e tornai-vos meus discípulos, porque sou de temperamento manso e humilde de coração, e achareis reanimação para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” — Mat. 11:28-30.
Quem deu bom exemplo em seguir a Jesus neste respeito foi o apóstolo Paulo. Note como ele inspirou em outros afeição: “Tornamo-nos gentis no meio de vós, como a mãe lactante acalenta seus próprios filhos. Assim, tendo terna afeição por vós, tivemos muito prazer em dar-vos não somente as boas novas de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque chegastes a ser amados por nós.” — 1 Tes. 2:7, 8.
Seguindo estes bons exemplos, traremos felicidade tanto a nós mesmos como aos que nos cercam.
-
-
Os cristãos devem testemunharA Sentinela — 1962 | 15 de maio
-
-
Os cristãos devem testemunhar
“Sob Deus, todo cristão deve estar no grupo dos que dão testemunho. Já no quarto século, o famoso padre da igreja, Jerônimo, declarou: ‘O batismo é a ordenação dos leigos.’ Em tempos mais recentes, o Dr. John R. Mott escreveu: ‘Os grandes períodos da igreja foram os em que as pessoas leigas desempenharam a sua parte no ministério da igreja. . . . Foram todos chamados para dar testemunho acerca de Cristo. Mais de 235 passagens na Bíblia apresentam esta responsabilidade como estando diretamente sobre os ombros dos fiéis.” — The Lutheran Witness, 20 de outubro de 1959.
-