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Quando o desastre assola — o que fará?Despertai! — 1970 | 8 de maio
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Quando o desastre assola — o que fará?
EM AGOSTO de 1969, o furacão Camile, com ventos de 365 quilômetros por hora em seu auge, sobre uma área de 280 quilômetros de diâmetro, foi “a maior tempestade registrada que já atingiu uma área densamente povoada do Hemisfério Ocidental”, segundo o Dr. Robert H. Simpson, diretor do Centro Nacional de Furacões.
Camile procedeu do Golfo do México, na noite de 17 de agosto, e lançou toda sua força contra as costas do Mississipi e Louisiana, daí, irrompeu pelo Alabama, Virgínia e West Virgínia, assolando e matando com terrível fúria. Carros e casas eram destruídos como brinquedos; caminhões empilhavam-se uns sobre os outros. Gigantescos cargueiros eram lançados de um lado para o outro, e jogados na praia. Árvores eram desarraigadas ou contorcidas e reduzidas a pedaços. Estradas e pontes eram demolidas. Ondas de nove metros de altura varriam os quarteirões da cidade. Enormes ondas batiam repetidas vezes contra a costa e os prédios ali. Em questão de minutos, povoados e cidades se achavam em ruínas; 41.000 famílias acharam seus lares destruídos ou seriamente danificados; 25.000 pessoas ficaram desabrigadas. Mais de 300 pessoas morreram, e os danos à propriedade foram calculados em NCr$ 4.000.000.000,00.
Como se teria comportado caso estivesse no meio desta tempestade? Quando o desastre assola, o que fará? O que poderá fazer?
O furacão Camile não foi uma tempestade de surpresa. Quarenta e oito horas antes de atingir a Costa do Golfo, foram dados avisos sobre o furacão. Houve bastante tempo para se colocar tábuas nas janelas, e abandonar as áreas baixas em busca de locais mais elevados. Horas antes de a tempestade assolar, em adição aos avisos da polícia, Camile deixou o céu da Costa do Golfo escuro como o breu em pleno dia, como aviso adicional de suas intenções.
Ao passo que cerca de 200.000 pessoas fugiram de seus lares para locais mais elevados, a fim de enfrentar a tempestade, houve outras que ficaram para trás. “A maioria dessas pessoas já tinham enfrentado furacões antes, e não tinham razões de esperar que fosse tão ruim”, disse o Prefeito J. J. Wittmann, de Pass Christian, Mississipi. As pessoas simplesmente não criam que o furacão pudesse ser tão destrutivo. Assim, muitos seguiram o costume tradicional de acompanhar a trilha dos furacões ao longo da Costa do Golfo. Pegaram uma garrafa de uísque, sentaram-se e descontraíram-se. Outras se reuniram em apartamentos fronteiros à praia, para celebrar a passagem da tempestade. Duas dúzias se reuniram em certo apartamento. A polícia instou com elas para se transferirem para um local mais para o interior em busca de segurança, mas se recusaram. Apenas três sobreviveram.
Em Pass Christian, povoado de 4.000 pessoas, mais de cem corpos foram encontrados mergulhados na lama. Morreu uma família inteira de treze pessoas. Corpos de vítimas eram encontrados em arbustos, árvores e nos telhados. A apatia de certo sobrevivente duma casa de praia ficou abalada: “De agora em diante, quando disserem ‘furacão’, eu parto para o norte.” Mas, para centenas, não haverá outra oportunidade, porque ignoraram os avisos que deveriam ter acatado.
Para os sobreviventes que deixaram de preparar-se para enfrentar a tempestade, não havia gasolina, eletricidade ou água potável. As estradas, na maior parte, tornaram-se intransitáveis; as ferrovias foram varridas; as linhas telefônicas ficaram interrompidas. O odor de morte se achava por toda a parte. Tornaram-se escassos os serviços médicos. Pascagoula, Mississipi, foi invadida por centenas de cobras venenosas que fugiam dos pantanais. Os saqueadores e os tubarões do mercado negro aumentaram a miséria. Gasolina e água potável eram vendidas de NCr$ 4,00 a NCr$ 6,00, um pãozinho por NCr$ 4,00, até que as autoridades começaram a prender os aproveitadores.
Em algumas áreas, casas chiques foram evacuadas. Seus donos não podiam levar muita coisa com eles. A tempestade quase que destruiu muitas destas casas. Paredes e janelas de frente foram derrubadas, a mobília ficando reduzida a frangalhos; o vento arrancou os telhados e nivelou as árvores. Aquilo que a tempestade não destruiu, os saqueadores amiúde roubaram. Em certo lugar, mais de NCr$ 48.000,00 em prata preciosa foi saqueada. Os soldados da Guarda Nacional foram enviados para impedir maiores roubos.
Os sobreviventes que voltaram aos poucos, dormiam em automóveis ou em casas devastadas, guardando o pouco que restava de sua propriedade. Centros de refugiados surgiram e ficaram superlotados de vítimas, que comiam em cozinhas de emergência. Algumas pessoas chegaram a mendigar de casa em casa. O cenário era de patético desespero.
Amorosa Preocupação
Não obstante, houve outro tipo de cenário na zona da tempestade. Viam-se atos de amor, de profunda preocupação e de sacrifício pessoal. Por exemplo, certo ministro congregacional das testemunhas de Jeová escreve de Gulfport, Mississipi: ‘Logo que estávamos relativamente seguros de que a tempestade vinha em nossa direção, entramos em contato com nossos irmãos e irmãs cristãos para ajudar-nos a chegar a todos da congregação. Diversas perguntas foram feitas, de modo que soubessem o que perguntar à pessoas, como: “Para onde irá caso o furacão venha para cá? Precisará de transporte? Que ajuda precisará? Assegure-se de comprar comestíveis. Adquira coisas que não precisem ser cozidas. Compre alimentos secos ou enlatados. Também, obtenha vasilhames para água e os leve. Certifique-se de que seu servo de estudo de livro saiba para onde vai ou de que ajuda precisará. Se mudar de planos, queira comunicar-nos isso imediatamente, de modo que possamos ajudá-lo ou de modo que possa ajudar outros, caso isto seja necessário. Telefonou-se a outras congregações para verificar se já haviam sido avisadas e o que faziam. Já de noite sabíamos por onde andavam todos os nossos irmãos cristãos. Nada foi deixado ao acaso. Oramos a Jeová Deus para que nos permitisse sobreviver.’
Esta mesma amorosa preocupação era vista entre as testemunhas de Jeová em toda a parte e foi profundamente apreciada. Em Mobile, Alabama, uma testemunha de Jeová foi despertada pelo telefone. “Era uma das Testemunhas que telefonava para dizer que Camile se dirigia para Mobile”, diz ele. “Não demorou muito até que o servo de estudo de livro nos telefonou para nos avisar também. O superintendente já havia telefonado para ele. Deu-me uma sensação de conforto saber quão preocupados os nossos irmãos cristãos estavam conosco.” Muitos outros tiveram experiências similares.
A Palavra de Deus, Uma Força Para o Bem
Este terno amor fraternal podia ser visto, com suas raízes fundadas profundamente no amor a Deus e no verdadeiro treino cristão. Certa carta de Theodore, Alabama, disse: “Fizemos preparativos para evacuar o local e assim obedecer à lei de César, como a Palavra de Deus, a Bíblia, nos ordena fazer. Alguns de nossos vizinhos não o fizeram. Ficaram presos na parte de cima de casa, com um metro e meio de água no apartamento térreo.”
Nos Salões do Reino, bem como nos lares, as Bíblias e as publicações bíblicas foram cuidadosamente colocadas em recipientes à prova d’água. De Gulfport, uma Testemunha, referindo-se às publicações bíblicas, disse: “Eram as minhas possessões mais valiosas.” Outra fez similar declaração sobre os bens: “Como em todo furacão que eu já enfrentei, os volumes encadernados das revistas A Sentinela e Despertai! constituíram minha primeira preocupação. Fiz tudo que podia para protegê-los. Todas as publicações mais recentes, obtidas na assembléia, e minha Bíblia, eu empacotei e levei no carro.” Ainda outra Testemunha declara: “O conhecimento da Bíblia e das promessas de Jeová realmente significa algo para a pessoa em tempos como estes. Estávamos tão controlados que nossos vizinhos pensavam que já tínhamos atravessado furacões antes.”
O Conforto da Oração
Em Gulfport, cerca de trinta Testemunhas, inclusive o superintendente, dirigiram-se para o Salão do Reino. Uma Testemunha que estava ali durante a tempestade, escreveu: “Várias árvores caíram ao solo, mas o vento era tanto que dificilmente as ouvíamos cair. Às vezes, rajadas de vento que soavam como enorme trem de carga passavam por cima do Salão. [Uma base aérea em Biloxi, Mississipi, contou quarenta e sete tornados em sua vizinhança.] Orávamos. A tempestade inculcou em mim a necessidade da oração em todas as horas, de orar incessantemente. Pela manhã, podíamos ver a devastação por toda a parte, mas o Salão do Reino não sofreu danos. Quão gratos nos sentíamos de ter seguido o proceder sábio de nosso superintendente e permanecido na casa de Jeová.”
Outra disse: “Fomos convidados a ir à casa duma Testemunha, a onze quilômetros ao norte. Havia ali dezessete de nós presentes. Cada um encorajava os outros. A tempestade era terrível. Parte do telhado da casa de madeira foi destruído. Meu filho que estava dormindo acordou. ‘Mamãe’, disse, ‘Jeová não vai deixar que o furacão nos machuque, não é?’ Eu e meu filho orávamos juntos. Quando chegou finalmente a manhã e vimos a devastação do lado de fora, sabíamos que Jeová nos tinha protegido.”
Um ministro viajante escreveu: “Estávamos em trevas totais, exceto por uma vela acesa, num prédio de dois pavimentos. A água começou a subir. O refrigerador começou a flutuar, junto com outra mobília que não foi levada para cima. Era uma visão atemorizante. Nove de nós orávamos silenciosamente a Jeová. Às três da manhã, as águas começaram a baixar. O perigo havia passado. Agradecemos todos a Jeová em oração.”
Outra Testemunha, a pedido do marido, foi com os filhos para o prédio de uma escola pública próxima. Disse ela: “A contínua oração a Jeová era nosso único conforto. Durante a calma do furacão, saímos da sala de aula para o centro do edifício. Logo depois, o teto cedeu no local onde havíamos estado. A sala foi destruída. Foi pela maravilhosa bênção de Jeová que nós sobrevivemos. Enquanto respirar, agradecerei a Jeová, porque sei que é somente por sua misericórdia que nós estamos vivos.”
Amor Demonstrado por Obras
O teste do verdadeiro amor cristão começou a manifestar-se na forma em que as Testemunhas cristãs vieram socorrer ou ajudar seus irmãos. Disse um relatório de Moss Point, Mississipi: “Nossa cidade ficou destroçada . . . um pesadelo. Os rostos das pessoas refletiam expressões atônitas, chocadas. Era uma sensação deprimente e desesperadora. Mas, para nós, Testemunhas, jamais deixava de haver esperança. Sentíamo-nos gratos a Jeová de estarmos vivos e que todos os da nossa congregação estavam bem.”
“Logo que conseguimos sair, corremos para verificar como todos os nossos irmãos cristãos se achavam”, disse certo relatório de Gulfport. “Alguns foram alcançados com dificuldade, mas logo soubemos que todos estavam bem.”
‘Um superintendente de Gulfport relata: “Logo que nossos irmãos cristãos começaram a chegar para ver como estávamos, também começaram a chegar em abundância alimento e roupas. Testemunhas de toda a parte do mundo agiram da melhor forma que puderam. Com efeito, a resposta foi tão imediata e grande que começamos a receber algumas coisas naquele mesmo dia depois da tempestade. Nova Orleans enviou quatro caminhões cheios. Jacksonville, Flórida, também enviou um inteiro semi-carro-reboque cheio de alimentos, roupa, água e gasolina. Sobrevivemos à tempestade, mas nossos irmãos cristãos quase que nos sufocaram de tanto amor. Continuaram a enviar caminhões de suprimentos até que tivemos de suplicar-lhes que parassem. Enviaram chapas de compensado, rolos de papel alcatroado, vasilhas de alcatrão, blocos de concreto para recolocar os prédios em seus alicerces, pregos, gasolina para os carros, querosene para as lamparinas, geradores de eletricidade. Enviaram quase tudo que era necessário.”
Outro relatório fala de Testemunhas virem de quase cerca de 500 quilômetros em redor para ajudarem na limpeza. Equipes de trabalho foram formadas. Algumas equipes iam do lar de uma Testemunha ao lar de outra Testemunha consertando telhados e, em alguns casos, colocando novos telhados. Uma testemunha ocular declara: “Contei quinze pessoas em uma casa colocando as telhas de ardósia nela. Fizeram esta tarefa em umas duas horas e meia. Limparam os lares molhados, desinfetaram-nos e desentulharam os quintais. Era algo digno de ser visto.”
Também começou a chegar dinheiro para ajudar aqueles que precisavam de ajuda. Uma conta bancária especial, intitulada “Obra de Socorro das Testemunhas de Jeová”, foi aberta. Foi supervisionada por três Testemunhas.
Tanto alimento em forma de enlatados foi enviado à área de Gulfport, além de roupas, pelas Testemunhas, que o superintendente convidou pessoas que moravam na comunidade, e que foram duramente atingidas pelo furacão, a virem ao Salão do Reino apanhar alguns destes suprimentos. Muitas vieram. Era a primeira vez que muitas delas chegavam ao salão.
Alguns homens que se haviam oposto a que suas esposas estudassem a Bíblia com as testemunhas de Jeová ficaram contentes de ver o amor e a cooperação calorosos entre as testemunhas de Jeová. Certo marido descrente disse a seu vizinho: “Poderá dizer o que quiser, mas as testemunhas de Jeová foram os primeiros aqui a verificar se nós estávamos passando bem.” Vários observadores, ainda manchados com preconceito racial, ficaram bem surpresos de ver equipes de Testemunhas brancas retiraram lama e escombros dos lares de seus irmãos cristãos de cor.
As testemunhas de Jeová, junto com outros, contudo, realmente sofreram e suportaram muita coisa durante a tempestade. Diversos Salões do Reino foram seriamente danificados. Muitos lares e carros-reboques foram terrivelmente danificados ou destruídos. Mas, as testemunhas de Jeová se sentiam muito gratas a Jeová de que nem sequer uma única Testemunha pereceu na tempestade.
Alguns viram nesta experiência o valor do treinamento teocrático. Outros sentiram “a mão protetora de Jeová”. “Podíamos ver em certa medida a forma de Jeová nos proteger durante o Armagedom”, disse uma delas. Ainda outras se sentiam movidas pela amorosa preocupação de seus pastores cristãos e a demonstração imediata e sobrepujante de amor por ações e presentes de seus irmãos cristãos. “Em nenhuma parte, exceto na organização de Jeová, poder-se-ia achar tal amor”; “sinto-me tão grato de ser parte da maravilhosa organização de Jeová”, disseram. Sem dúvida, a tempestade tornou as testemunhas de Jeová mais cônscias da presença da organização visível de Deus, do poder amplo da oração, e da força unificadora do amor cristão. Tornou-as orgulhosas e profundamente felizes de ser testemunhas de Jeová. — João 13:34, 35.
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O que é o espírito de vida do homem?Despertai! — 1970 | 8 de maio
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“A Tua Palavra É a Verdade”
O que é o espírito de vida do homem?
É NOITE. O povoado fidjiano está mergulhado nas trevas. Subitamente um grito revela que um espírito entrou de novo em Mereani. Em todas as choupanas, o povo temeroso e fascinado se junta à choupana de Mereani. Ali está ela, sentada, ereta, à luz dum lampião, jovem senhora casada que tem cerca de trinta anos. Seus olhos, incrivelmente injetados pela força que atua dentro dela, olham fixamente com uma intensidade ardente e avermelhada. Meia dúzia de homens fortes não conseguem segurá-la. Abre a boca e, com voz masculina profunda, de imponente autoridade, fala de forma vigorosa e avisa contra as ofensas aos costumes tribais. Para apaziguar o “tevoro” (diabo ou espírito) dentro dela, as pessoas temerosas lhe dão meio litro de bebida de uma raiz sagrada, que ela engole de uma só vez. Então, desmaia. Na manhã seguinte, Mereani não se lembra de nada da noite anterior.
2 Este incidente verdadeiro é típico do que acontece às vezes nas Ilhas Fidji. Embora os fidjianos professem ser cristãos, ainda crêem no “tevoro”, palavra relacionada com a palavra inglesa “devil” (“diabo”). Para a maioria deles, significa o “espírito” de um humano morto. Crêem que tal espírito pode causar dano ou fazer o bem aos vivos. Muitos fidjianos aprenderam isto desde a infância.
3 Por exemplo, muitos fidjianos crêem que o espírito dum homem morto possa levantar-se do túmulo na quarta noite (“Bogi Va”), quando se realiza uma festa de apaziguamento. Depois disso, o espírito está livre para ir de um lado para o outro, e fixar residência em algum lugar escuro, preferivelmente numa grande árvore “baka”. Esta espécie copada e enorme de figueira, na escuridão da noite, se presta idealmente a tais crenças.
4 Há crenças correspondentes em outras ilhas do sul do Pacífico. Em Samoa, fazem-se esforços especiais de “depositar o espírito” num descanso permanente, de modo que não cause mais dano. Eles exumarão os ossos dum morto e os ensoparão de água fervente. Num caso recente no Taiti, fez-se um buraco no túmulo, penetrando no caixão, e colocou-se longo cano no buraco, para levar água fervente para dentro do caixão. Esperava-se que o espírito de certa avó recentemente falecida deixasse de causar a doença mortífera em um dos seus netinhos.
5 Que faz com que as pessoas sustentem tais crenças? Uma das razões principais é que em todas as partes da terra há inegáveis fenômenos psíquicos. Estas
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