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O único templo verdadeiro em que adorarA Sentinela — 1973 | 1.° de julho
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O único templo verdadeiro em que adorar
“E abriu-se o santuário do templo de Deus, que está no céu, e viu-se a arca do seu pacto no santuário do seu templo.” — Rev. 11:19.
1. Que espécie de cobertura recebem hoje os assuntos terrestres do mundo?
AS NOTÍCIAS atuais vêm de todos os quadrantes do globo em tal quantidade, que nós, pessoas comuns, nem nos podemos manter em dia com elas. A variedade é tanta, que ficamos perplexos. Os assuntos terrestres do mundo recebem uma cobertura bastante ampla por parte de todos os canais de notícias, tais como revistas, jornais, telégrafo, telefone, rádio e televisão.
2. Que notícia de séria consideração tem sido constantemente desconsiderada pelos meios modernos de comunicação?
2 Entretanto, há uma notícia de máxima importância que está sendo regularmente desconsiderada por todos estes canais de comunicação. Esta notícia merece a nossa mais detida atenção. Ocupa seu lugar na seqüência dos acontecimentos que passa diante da humanidade nesta era de guerras internacionais e de mudanças nos governos políticos, desde o ano noticioso de 1914 desta nossa Era Comum. Esta notícia excecional foi programada de antemão para o período de nosso século vinte da história humana. Ela foi predita e descrita para nós há quase dezenove séculos atrás, numa história inspirada, escrita de antemão, quer dizer, em profecia divina. Ao lermos agora esta reportagem profética, podemos ver a relação entre esta notícia e o que está acontecendo nos assuntos do mundo.
3. Donde tiramos esta notícia, e o que diz ela?
3 Tiramos esta notícia do último livro da Bíblia Sagrada, chamado Revelação ou Apocalipse, capítulo onze, versículos quinze a dezenove. Ela reza: “E o sétimo anjo tocou a sua trombeta. E houve vozes altas no céu, dizendo: ‘O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.’ E as vinte e quatro pessoas mais maduras [anciãos], sentadas nos seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre os seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: ‘Agradecemos-te, Jeová Deus, o Todo-poderoso, aquele que é e que era, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar. Mas as nações ficaram furiosas, e veio teu próprio furor e o tempo designado para os mortos serem julgados, e para dar a recompensa aos teus escravos, os profetas, e aos santos e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e para arruinar os que arruínam a terra.’ E abriu-se o santuário do templo de Deus, que está no céu, e viu-se a arca do seu pacto no santuário do seu templo. E houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e um terremoto, e grande saraivada.”
4. (a) Ao se comentar esta notícia, que se precisa dizer a respeito da regência do mundo pelo Reino? (b) O que representa a presença da “arca do seu pacto” no santuário do templo?
4 Pois bem, que comentário merece esta notícia profética hoje cm dia, O seguinte: Não obstante a luta, desde o ano de 1914, entre o bloco democrático de nações e o bloco ditatorial de nações, pela dominação do mundo da humanidade, foi o Deus sempre-vivo Jeová, o Todo-poderoso, que assumiu o seu grande poder e começou a reinar desde aquele ano de 1914. Naquele ano, “o reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor [Deus] e do seu Cristo”, quer dizer, de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Jeová Deus, o Todo-poderoso, como atual Dono do “reino do mundo”, veio ao santuário de seu templo. A sua presença neste lugar santo é simbolizada pelo receptáculo sagrado chamado “arca do seu pacto”. O observador, o apóstolo cristão João, não nos descreve o tamanho e o formato desta “arca”; mas ela representa a presença do Senhor Deus, a quem não podemos ver nem descrever plenamente em linguagem humana. Esta “arca” simbólica é a arca do “novo pacto” de Deus com os homens, que já vigora desde o ano 33 E. C.
5. Em sentido histórico, o que é um templo, e em que templo precisarão todas as nações adorar, a fim de obter a vida eterna?
5 Os registros da história mostram que um templo é um edifício ou lugar dedicado ao serviço e à adoração duma deidade ou de deidades. No caso da simbólica “arca do seu pacto”, o santuário do templo é o de Jeová Deus, o Todo-poderoso. É a este templo divino que todas as nações ainda terão de ir para adorar em união, mesmo que seja necessário trazer os povos das nações de volta dos mortos, pela prometida ressurreição dos justos e dos injustos. (Rev. 11:18; Atos 24:15) Esta é a única maneira pela qual os povos de todas as nações podem obter vida infindável na nossa terra, a qual será devidamente transformada num paraíso global. Todos terão de reconhecer, adorar e servir o Detentor divino do “reino do mundo”, que reinará no seu santuário do templo, para todo o sempre. — Rev. 11:15.
6, 7. Que pergunta surge quanto a adoração neste templo por parte dos habitantes do Paraíso, e o que disse Salomão sobre Deus morar no edifício dum templo?
6 Significa esta adoração, realizada numa terra paradísica, que os povos das nações não irão para o céu? Se não forem para lá, como poderão ir ao templo de Deus, visto que Revelação 11:19 fala dele como sendo “o santuário do templo de Deus, que está no céu”? Esta pergunta é apropriada agora, mas ocorre porque pensamos no santuário do templo de Deus como sendo um edifício ou prédio lá nos céus invisíveis, com paredes e porta? Ora, vamos então recordar o que foi dito por um notável construtor dum templo, do século onze antes de nossa Era Comum, quando inaugurou aquele templo. Trata-se do sábio Rei Salomão, que construiu o primeiro templo de sua espécie no monte Moriá, de Jerusalém. Dirigindo-se a Deus, Salomão disse:
7 “Porém, morará Deus verdadeiramente na terra? Eis que os próprios céus, sim, o céu dos céus, não te podem conter; quanto menos, então, esta casa que construí!” — 1 Reis 8:27.
8. Onde se encontrava a “arca do pacto”, o que representava ela, e, por isso, o que representava o Santíssimo do templo?
8 A sala mais recôndita do santuário do templo construído pelo Rei Salomão chamava-se Santíssimo, e era um cubo perfeito de vinte côvados de cada lado. Certamente, era bastante grande para conter a “arca do pacto de Jeová”, terrena e material, arca que continha as duas tábuas de pedra nas quais o dedo de Deus escrevera os Dez Mandamentos. (1 Reis 6:19, 20; 8:6-9; Êxo. 34:1, 27, 28; 40:20) Mas aquela sala mais recôndita, ou o Santíssimo do templo, dificilmente era bastante grande para conter a presença pessoal de Jeová Deus, o Criador do céu e da terra. A arca do pacto era o objeto sagrado em direção do qual o sumo sacerdote de Deus aspergia o sangue dos sacrifícios expiatórios de pecados, no Dia anual da Expiação. A arca representava assim o trono de Jeová nos céus. Em harmonia com isso, o Santíssimo do templo, onde estava a arca, representava aquela parte dos céus ilimitados em que Deus tem a sua residência sagrada. Este lugar é bastante grande para contê-lo.
A “TENDA” OU O “TABERNÁCULO”
9. O modelo de que construção seguia o templo de Salomão, e quem entrava nos compartimentos desta construção?
9 O santuário do templo construído pelo Rei Salomão seguia o modelo da tenda sagrada ou do tabernáculo que o profeta Moisés construíra no ermo do monte Sinai, na Arábia. Aquela tenda tinha dois compartimentos, separados entre si por uma cortina interna. O primeiro compartimento, no qual os sacerdotes entravam por passar pela cortina externa, para o lado do pátio, chamava-se Santo. O compartimento mais recôndito, no qual o sumo sacerdote entrava passando pela cortina interna, chamava-se Santíssimo. Quando o sumo sacerdote entrava no Santíssimo, levava consigo um incensário ou turíbulo, para encher o Santíssimo de fumaça de incenso. Fazia-se isso em preparação do ambiente para o sumo sacerdote aspergir o sangue dos sacrifícios do Dia da Expiação em direção à arca dourada do pacto. Isto foi descrito pelo apóstolo cristão Paulo, em Hebreus 9:2-10:
10. Segundo Hebreus 9:2-10, o que continham estes compartimentos, quem entrava nos compartimentos e quando?
10 “Porque se construiu um primeiro compartimento de tenda, em que havia o candelabro, e também a mesa e a exposição de pães; e este é chamado de ‘Lugar Santo’. Mas, atrás da segunda cortina havia o compartimento de tenda chamado de ‘Santíssimo’. Este continha um incensário de ouro e a arca do pacto, toda recoberta de ouro, na qual havia o jarro de ouro com o maná e a vara de Arão [o Sumo Sacerdote], que brotara, e as tábuas do pacto; mas, por cima dela havia os querubins gloriosos encobrindo a tampa propiciatória. Agora, porém, não é ocasião para se falar destas coisas em pormenores. Depois de se terem construído essas coisas deste modo, os sacerdotes entram sempre no primeiro compartimento de tenda para realizar os serviços sagrados; mas, no segundo compartimento, só o sumo sacerdote entra, uma vez por ano, não sem sangue, que ele oferece por si mesmo e pelos pecados de ignorância do povo. O espírito santo esclarece assim que o caminho para o lugar santo ainda não fora manifestado enquanto a primeira tenda estava de pé. Esta mesma tenda é uma ilustração para o tempo designado que agora chegou, . . . o tempo designado para se endireitar as coisas.”
11. Foi aquela “tenda” uma ilustração de algo no passado ou de algo no futuro?
11 Notemos que o escritor diz que a tenda sagrada construída pelo profeta Moisés foi “uma ilustração para o tempo designado que agora chegou”. O ‘tempo que agora chegou’, no caso do escritor, foi por volta do ano 61 E. C. ou nove anos antes de o templo em Jerusalém ser destruído pelos exércitos romanos no ano 70 E. C. Foi também vinte e oito anos depois da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, e da sua ascensão ao céu. De modo que aquela tenda construída por Moisés foi uma “ilustração” de algo futuro, não de algo antes dos dias do profeta Moisés. Nos dias do Sumo Sacerdote Eli, esta “tenda” ilustrativa veio a ser chamada de “templo”. (1 Sam. 1:9; 3:3; veja também 2 Samuel 22:7; Salmos 18:6; 27:4.) De modo que a tenda ou o templo construído por Moisés não era ilustração dum templo existente antes do tempo de Moisés.
12. Haviam testemunhas fiéis de Jeová, antes de Moisés, construído templos na terra, e possuía o próprio Jeová um templo no céu, naquele tempo?
12 Quando olhamos para trás, para o tempo anterior a Moisés, não encontramos nenhum registro dum templo construído na terra por algum adorador fiel de Jeová Deus, nem mesmo pelo homem Melquisedeque, que era “rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo”. (Heb. 7:1; Gên. 14:18-20) Embora testemunhas fiéis de Jeová Deus, tais como Abel, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e Jó oferecessem sacrifícios a Deus, não Lhe construíram nenhum templo. Ora, possuía então Jeová Deus um templo no céu, embora não tivesse nenhum templo material na terra? Não! Quer dizer, não um templo como o ilustrado pela tenda construída por Moisés e pelo templo construído pelo Rei Salomão.
13. Por que não havia necessidade dum templo no fim do sexto dia da atividade criativa de Deus, e como se deve entender as referências ao templo de Jeová nos escritos proféticos?
13 Por certo, quando Jeová Deus criou Adão e Eva em perfeição humana, no jardim do Éden, não havia necessidade de tal templo no céu. Por que não? Porque naquele tempo, depois da criação do homem e da mulher perfeitos, no fim do sexto dia criativo, quando “Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom”, não havia pecado em toda a criação, nem no céu, nem na terra. Não havia necessidade de Deus ter um sumo sacerdote para ofertar sacrifícios expiatórios de pecados, nem havia necessidade dum altar, no pátio dum templo, para se oferecer um sacrifício pelo pecado. (Gên. 1:26-31; 2:7-24) As referências a um templo como as encontradas, por exemplo, em Salmo 11:4, Miquéias 1:2 e Habacuque 2:20 foram proféticas e foram escritas depois de Moisés ter construído a tenda-templo ou de Salomão ter construído o templo em Jerusalém. Estes ilustravam ou tipificavam um templo espiritual que ainda viria a existir.
14. Por que perguntamos se o templo real de Jeová veio à existência no dia de Pentecostes do ano 33 E. C.?
14 Portanto, quando veio a existir o templo real ilustrado pela tenda construída por Moisés e pelo templo construído por Salomão? Foi no dia festivo de Pentecostes, no ano 33 E. C., quando se fundou a congregação ou igreja cristã? Fazemos esta pergunta porque o apóstolo Paulo escreveu à congregação cristã dos seus dias e disse: “Não sabeis que vós sois templo de Deus e que o espírito de Deus mora em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; pois o templo de Deus é santo, templo esse que sois vós.” (1 Cor. 3:16, 17) Em vista destas palavras, poderia raciocinar-se que a tenda construída por Moisés e os templos construídos em Jerusalém pelo Rei Salomão, pelo Governador Zorobabel e pelo Rei Herodes, o Grande, representavam ou tipificavam a congregação cristã como templo figurativo. Mas é isto verdade? Como responde o próprio Paulo a esta pergunta?
15. O que diz Hebreus 9:11, 12 sobre Jesus Cristo como sumo sacerdote?
15 Voltemos, pois, a Hebreus, capítulo nove, onde paramos, e prossigamos com a leitura das seguintes palavras explanatórias de Paulo: “No entanto, quando Cristo veio como sumo sacerdote das boas coisas que se realizaram por intermédio da tenda maior e mais perfeita, não feita por mãos, isto é, não desta criação, ele entrou no lugar santo, não com o sangue de bodes e de novilhos, mas com o seu próprio sangue, de uma vez para sempre, e obteve para nós um livramento eterno.” — Heb. 9:11, 12.
16. No Dia da Expiação judaico, entrou Jesus no Santíssimo do templo de Jerusalém com seu próprio sangue ou entrou na congregação cristã como que num templo?
16 Jesus Cristo não morreu em sacrifício no Dia da Expiação dos judeus (10 de tisri), entrando com o seu próprio sangue no Santíssimo do templo de Herodes, em Jerusalém. Não podia fazer isso de modo algum. Não era sumo sacerdote levita. O sumo sacerdote judaico daquele tempo era Caifás, e ele entrou com o sangue dum novilho e dum bode no Santíssimo do templo em Jerusalém, no Dia da Expiação. Mas não Jesus Cristo. Então, qual era o “lugar santo” em que ele entrou com o seu próprio sangue? Não entrou na congregação cristã, na terra, pois esta ainda não havia sido fundada no dia da ressurreição de Jesus, nem no dia de sua ascensão ao céu, dez dias antes do dia festivo de Pentecostes de 33 E. C. Então, qual era o “lugar santo” em que Jesus Cristo entrou antes daquele dia de Pentecostes? Voltamos novamente a Hebreus, capítulo nove, e deixamos que Paulo forneça a resposta:
17. Segundo Hebreus 9:23, 24, onde entrou Jesus Cristo como Sumo Sacerdote?
17 Ele diz: “Por isso era necessário que as representações típicas das coisas nos céus fossem purificadas por estes meios, mas, as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que tais sacrifícios. Porque Cristo entrou, não num lugar santo feito por mãos, que é uma cópia da realidade, mas no próprio céu, para aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus.” — Heb. 9:23, 24.
VEM À EXISTÊNCIA O VERDADEIRO TEMPLO
18, 19. (a) De que modo mora Deus neste Santíssimo real em que Jesus Cristo entrou? (b) Que barreira teve de atravessar Jesus Cristo a fim de entrar nele, e como foi isto representado, segundo Hebreus 6:18-20?
18 Agradecemos a Paulo, porque temos a satisfação de inteirar-nos de que o lugar santo em que o ressuscitado Jesus Cristo entrou com o valor do seu próprio sangue sacrificial não era um lugar santo na terra, onde se encontravam então seus poucos discípulos, mas era o “próprio céu”, onde está “a pessoa de Deus”, onde o próprio Deus mora pessoalmente, em vez de morar ali por espírito. No entanto, este “lugar santo” real, a saber, o “próprio céu”, não era tudo o que havia no templo real. Por que não? Porque o Santíssimo da tenda e dos templos terrenos feitos por mãos, e onde Deus morava por seu espírito, não era a única coisa que havia naquelas construções sagradas. O Santíssimo era apenas a sala mais recôndita daquelas construções terrenas, e achava-se separado do primeiro compartimento por meio duma cortina. (Mat. 27:50, 51) Esta cortina interna ilustrava a barreira carnal que Jesus tinha de atravessar para entrar no Santíssimo celestial, a saber, seu corpo carnal, sua qualidade humana. Falando de sua esperança, Paulo diz:
19 “Nós, os que fugimos para o refúgio, [temos] forte encorajamento para nos apegar à esperança que se apresenta. Temos esta esperança como âncora para a alma, tanto segura como firme, e ela penetra até o interior da cortina, onde um precursor entrou a nosso favor, Jesus, que se tornou sumo sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque.” — Heb. 6:18-20.
20. Que separarão existia entre o Santo da tenda e o pátio, e que objeto de cobre existia naquele pátio?
20 Lembramo-nos de que o primeiro compartimento da tenda ou do tabernáculo chamava-se Santo, e que estava separado do pátio externo do santuário do templo por meio duma cortina ou dum reposteiro. Naquele pátio e diante (ou ao leste) do santuário do templo havia um grande altar de cobre.
21. De que altar não têm direito de comer os sacerdotes judaicos, e com que sacrifício se relaciona este altar?
21 Assim como o próprio santuário do templo, este altar era típico. O apóstolo Paulo mostra isso ao falar da diferença entre os sacerdotes judaicos e os discípulos batizados de Cristo, dizendo: “Nós temos um altar do qual os que fazem serviço sagrado na tenda não têm autoridade para comer. Porque os corpos daqueles animais, cujo sangue é levado para dentro do lugar santo pelo sumo sacerdote, pelo pecado, são queimados fora do acampamento. Por isso, Jesus também, para santificar o povo com o seu próprio sangue, sofreu fora do portão [quer dizer, fora do portão de Jerusalém].” (Heb. 13:10-12) Portanto, o altar cristão tem que ver com o sacrifício humano de Jesus. Mas, o que é este altar antitípico? Também qual é o antítipo do primeiro compartimento ou Santo, da tenda ou do templo terreno? Vejamos isto com a ajuda da Bíblia.
22. (a) O que ilustrou a cortina interna do templo e como passou Jesus por ela? (b) Portanto, a que espécie de coisas se referia tudo o que havia fora ou ao leste daquela cortina?
22 A cortina interna, entre o Santíssimo e o Santo do templo, representa uma linha divisória. Ilustra a barreira carnal que Jesus Cristo teve de atravessar por renunciar à sua carne humana, perfeita, em sacrifício, desistindo dela para sempre. Ora, visto que o compartimento Santíssimo, do outro lado da cortina interna, representa o “próprio céu”, onde mora Deus, não por espírito, mas em pessoa, tudo do lado de fora desta cortina (ou ao leste dela) representaria algo que não está nos céus invisíveis, mas sim aqui na terra. Deve ter que ver com a carne dos que adoram e servem a Jeová Deus aqui na terra. Esta regra aplica-se, portanto, ao altar de cobre. No caso dos templos de Salomão e de Herodes, o altar achava-se no pátio interno ou no pátio dos sacerdotes, onde o sumo sacerdote e seus subsacerdotes cumpriam seus deveres sacrificiais. O que tipificava este altar!
O ALTAR ANTITÍPICO
23, 24. (a) Quando Jesus ‘entrou no mundo’, o que disse ele a respeito da atitude de Deus para com os sacrifícios e por quê? (b) Portanto, o que foi tirado, e por meio de que são os cristãos santificados através do sacrifício de Cristo?
23 Isto é esclarecido para nós pelo apóstolo Paulo em Hebreus, capítulo dez. Depois de descrever como Jesus Cristo, qual Sumo Sacerdote de Deus, entrou no próprio céu, a fim de comparecer por nós perante a pessoa de Deus com o seu próprio sangue, Paulo prossegue:
24 “Pois, visto que a Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras, mas não a própria substância das coisas, os homens nunca podem, com os mesmos sacrifícios que oferecem continuamente, de ano em ano, aperfeiçoar os que se aproximem. . . . porque não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados. Por isso, ao entrar no mundo, ele diz: ‘“Sacrifício e oferta não quiseste, porém, preparaste-me um corpo. Não aprovaste os holocaustos e as ofertas pelos pecados.” Então disse eu: “Eis aqui vim (no rolo do livro está escrito a meu respeito) para fazer a tua vontade, ó Deus.”’ Dizendo primeiro: ‘Não quiseste nem aprovaste sacrifício, e ofertas, e holocaustos, e ofertas pelo pecado’ — sacrifício que se oferecem segundo a Lei — ele diz então realmente: ‘Eis aqui vim para fazer a tua vontade.’ Ele elimina o primeiro para estabelecer o segundo. Pela dita ‘vontade’ é que temos sido santificados por intermédio da oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez para sempre.” — Heb. 10:1-10.
25. Então, o que era o altar ao qual Jesus veio e se apresentou para ser oferecido como sacrifício?
25 Isto torna evidente que o equivalente antitípico do altar de cobre, no pátio do templo, é a “vontade” de Deus, sua disposição de aceitar um sacrifício humano perfeito, para o qual fizera preparativos, “vontade” esta de Deus que foi predita no que se acha escrito no rolo do livro. (Sal. 40:6-8) Deus não havia estado disposto a aceitar o sacrifício humano imperfeito do filho de Abraão, Isaque, mas estava disposto a aceitar o sacrifício humano perfeito de seu Filho unigênito, Jesus Cristo. Não quis e não aprovou infindavelmente os sacrifícios de animais no Dia anual da Expiação, mas, segundo a Sua vontade e Seu propósito, quis que um sacrifício humano perfeito, que expiasse os pecados humanos, realmente ‘tirasse pecados’. Jesus Cristo veio para fazer a vontade de Deus, e foi à base da vontade de Deus, como num altar, que se aceitou a apresentação do perfeito Jesus como sacrifício humano e se ofereceu seu corpo humano preparado e perfeito. Este sacrifício humano perfeito, no altar dá “vontade” de Deus, deu realmente santificação aos discípulos de Cristo. Foi por isso que Paulo acrescentou: “Pela dita ‘vontade’ é que temos sido santificados por intermédio da oferta do corpo de Jesus Cristo.” — Heb. 10:10.
26. Por que não tem os sacerdotes judaicos nenhuma autoridade para comer do “altar” do qual comem os subsacerdotes cristãos?
26 Foi também por isso que Paulo disse mais tarde: “Nós temos um altar do qual os que fazem serviço sagrado na tenda não têm autoridade para comer. . . . Por isso, Jesus também, para santificar o povo com o seu próprio sangue, sofreu fora do portão.” (Heb. 13:10-12) Quer dizer que nós cristãos, que somos subsacerdotes espirituais, temos um sacrifício expiatório de pecados no altar da “vontade” de Deus, sacrifício do qual os sacerdotes que serviam no templo de Herodes, em Jerusalém, não tinham autoridade de comer, por causa de sua falta de fé no verdadeiro Sumo Sacerdote de Jeová, Jesus Cristo, o Mediador do novo pacto de Jeová.
27. Quando se apresentou Jesus para sacrifício, que base para o sacrifício veio então à existência e que “dia” antitípico começou então?
27 Quando veio Jesus, como ser humano perfeito, para se apresentar em sacrifício no altar da “vontade” de Deus, conforme prescrito no rolo do livro? Foi na ocasião em que se apresentou a João Batista, no ano 29 E.C., a fim de ser imerso no rio Jordão. É evidente que Jeová Deus aceitou o sacrifício que Jesus fez de si mesmo, porque, após o batismo de Jesus em água, Jeová derramou seu espírito santo sobre Jesus e o fez Cristo ou Ungido, dizendo audivelmente do céu: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mat. 3:13-17; João 1:29-34) Por conseguinte, foi naquele tempo que o “altar” antitípico de Deus veio à existência e que houve uma oferta aceitável pelo pecado sobre ele. Daí em diante, Jesus Cristo estava andando no antitípico pátio dos sacerdotes, superintendendo seu sacrifício humano até a morte. O grande e antitípico Dia da Expiação havia começado, e Jesus Cristo, como Sumo Sacerdote de Deus, servia junto ao verdadeiro “altar” espiritual de Deus de maneira similar à do sumo sacerdote arônico no templo de Jerusalém, no Dia da Expiação anual, em 10 de tisri. — Heb. 8:1-6.
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O ajuntamento de todas as nações a um só templo para a adoraçãoA Sentinela — 1973 | 1.° de julho
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O ajuntamento de todas as nações a um só templo para a adoração
1. Como fez Jeová de Jesus um sacerdote espiritual e que santuário espiritual tomou então forma?
O GRANDE santuário espiritual do tabernáculo de Jeová Deus tomou então forma. Como? Por vir então à existência o “Santo” antitípico do templo espiritual de Deus. Isto aconteceu porque Deus derramou seu espírito santo sobre Jesus e tornou Jesus sacerdote espiritual. Deus gerou a Jesus com seu espírito, para torná-lo Filho espiritual de Deus revestido da honra dum sacerdócio mais elevado do que o do sumo sacerdote judaico, terrestre, da família de Arão.
2. Assim, em que condição veio a estar Jesus e em que parte do templo espiritual de Jeová podia entrar, para fazer ali o quê?
2 Por isso, Paulo escreveu: “O homem não se arroga esta honra por si mesmo, mas apenas quando é chamado por Deus, assim como também Arão foi. Assim, também, o Cristo não se glorificou a si mesmo por se tornar sumo sacerdote, mas foi glorificado por aquele que falou com referência a ele: ‘Tu és meu filho; hoje eu me tornei teu pai.’ Assim como ele diz também em outro lugar: ‘Tu és sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque.’” (Heb. 5:4-6) Jesus veio assim a estar na condição de gerado pelo espírito, embora ainda estivesse na carne. Nesta condição podia entrar no “Santo” antitípico do templo espiritual de Jeová. Neste “Santo” podia oferecer a Deus oração, louvor e serviço como se fosse incenso.
3. (a) Que outro compartimento do templo espiritual de Jeová também tomou forma e com que particularidades nele? (b) A partir de quando começou assim a funcionar o templo espiritual de Jeová?
3 Também tomou forma, então, o Santíssimo do templo espiritual de Deus, quer dizer, aquela parte específica do céu onde Jeová Deus está entronizado em pessoa, acima dos querubins celestiais, como que acima dum propiciatório ou duma “tampa propiciatória”. (Sal. 80:1; Núm. 7:89; Heb. 9:4, 5) Nesta região celestial, que assim assume as características dum compartimento Santíssimo ou sala mais recôndita, Jeová está entronizado como que acima da tampa propiciatória da área do novo pacto, pronto e disposto a ser propiciado, apaziguado e abrandado por uma oferta satisfatória pelo pecado, o sacrifício humano perfeito de seu Sumo Sacerdote Jesus Cristo, no auge do grande e antitípico Dia da Expiação. (Lev. 16:1-34) Assim passou a existir o grande e antitípico templo espiritual de Jeová Deus, com seu antitípico Santíssimo, Santo e pátio com o altar de sacrifício. O verdadeiro templo de Jeová passou a funcionar a partir do batismo de Jesus no rio Jordão, em 29 E. C., com bênçãos à espera de toda a humanidade.
4. Quando levou Jeová a Jesus Cristo além da “cortina” para dentro do verdadeiro Santíssimo, e como? (b) Quando terminou o antitípico Dia da Expiação?
4 Então, a única coisa que separava a Jesus Cristo, como Sumo Sacerdote, do verdadeiro Santo de Jeová, era aquela “cortina” simbólica, aquela barreira do organismo carnal. “Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus.” (1 Cor. 15:50) Por este motivo, Jesus Cristo completou seu perfeito sacrifício humano no “altar” de Deus por morrer como vítima inocente no Dia da Páscoa, 14 de nisã do ano 33 E. C. Mas, no terceiro dia da morte de Jesus, a saber, em 16 de nisã, o Deus Todo-poderoso levou seu Sumo Sacerdote Jesus Cristo para além daquela “cortina” intermediária, por ressuscitá-lo dentre os mortos, não como Sumo Sacerdote de carne e sangue, mas como Sumo Sacerdote em espírito, compartilhando a “natureza divina” e estando revestido de imortalidade. (1 Ped. 3:18; 1 Cor. 15:42-54; 2 Ped. 1:4) A “cortina” do templo, ilustrando a barreira carnal, havia então realmente ficado para trás, para o ressuscitado Jesus Cristo, e por isso, no quadragésimo dia depois de sua ressurreição, ele pôde ascender ao próprio céu e comparecer perante a pessoa de Deus com o valor precioso de seu sangue expiatório de pecados, apresentando-o perante o trono propiciatório de Deus a favor de toda a humanidade. Com esta apresentação, encerrou-se o grande e antitípico Dia da Expiação.
A CONGREGAÇÃO DOS SUBSACERDOTES ESPIRITUAIS
5, 6. (a) Quando começou Jesus Cristo a construir sua congregação sobre si mesmo qual Rocha? (b) Como vieram os membros da congregação a tornar-se subsacerdotes espirituais, e como é isto mencionado em 1 Pedro 2:5, 9?
5 À luz de todo o precedente, nada poderia ser mais claro do que a tenda construída por Moisés e os templos construídos por Salomão, Zorobabel e Herodes, em Jerusalém, não terem representado a congregação dos discípulos de Cristo. Esta congregação cristã só veio à existência no qüinquagésimo dia depois da ressurreição de Jesus, e, portanto, depois de ele ter subido ao céu e comparecido no “próprio céu” a seu favor, perante a pessoa de Deus. Falando de si mesmo como sendo a Rocha simbólica, Jesus disse aos seus doze apóstolos: “Sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões do Hades não a vencerão.” (Mat. 16:18) Ele começou a construir esta congregação espiritual no dia festivo de Pentecostes, dez dias após a sua ascensão ao céu, em 33 E. C. Recebeu de Deus espírito santo e o canalizou para baixo, sobre os discípulos na terra, que esperavam em Jerusalém. Estes tornaram-se assim gerados pelo espírito e isto resultou em se tornarem filhos espirituais de Deus. Por meio deste mesmo espírito, foram ungidos para se tornar subsacerdotes espirituais, sob o seu Sumo Sacerdote Jesus Cristo. (Atos 2:1-36) O apóstolo Pedro falou sobre isso, dizendo:
6 “Vós mesmos também, como pedras viventes, estais sendo edificados como casa espiritual, tendo por objetivo um sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Mas vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” — 1 Ped. 2:5, 9.
7. Como subsacerdotes espirituais, a que parte antitípica do templo espiritual são levados, e também a que compartimento dele, para fazer o que nestes locais?
7 Esta “casa espiritual” compõe-se de “pedras viventes”, que são subsacerdotes de Jesus Cristo. Diz-se-lhes: “Por conseguinte, santos irmãos, participantes da chamada celestial, considerai o apóstolo e sumo sacerdote que confessamos — Jesus.” (Heb. 3:1) Como casa de tais subsacerdotes, ‘oferecem sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus, por intermédio de Jesus Cristo’. (1 Ped. 2:5) Isto significa que foram levados ao pátio antitípico, onde se encontra o “altar” antitípico de Deus, para oferecer ali seus “sacrifícios” espirituais, à base da “vontade” de Deus. Isto significa também que, na sua condição de filhos espirituais de Deus, gerados pelo espírito, foram levados ao primeiro compartimento antitípico ou “Santo” do templo espiritual de Deus. Ali usufruem a iluminação espiritual como que provinda dum candelabro de ouro de sete ramos, e participam de alimento espiritual como que da mesa de ouro dos pães de proposição e oferecem oração, louvor e serviço a Jeová Deus, como estando de pé junto ao altar fixo de ouro para incenso, que havia diante da cortina interna.
8. (a) Portanto, o que representava o Santo da tende ou do templo? (b) O que representava o pátio dos sacerdotes?
8 Deste ponto de vista, o Santo do templo prefigurava ou tipificava a condição de gerados pelo espírito do sacerdócio espiritual de Deus, enquanto membros do mesmo ainda estão em corpos terrenos, na carne. Trata-se duma relação espiritual especial com Deus, oculta dos de fora como que por meio duma cortina, de modo que estes não a podem discernir ou avaliar. O pátio sacerdotal, onde se encontrava o altar de cobre, representa sua condição humana especial perante Deus. Ele os considera, não como pecadores imperfeitos e condenados, impróprios para servir junto ao seu “altar” espiritual, mas como discípulos arrependidos, convertidos, e batizados de Jesus Cristo, aos quais ele considera justos e sem pecados, por causa de sua fé em Deus e por meio do sangue expiatório do Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. (Rom. 5:1, 9; 8:1; 3:24-26) De modo que o pátio do templo, com seu altar de cobre, representava ou tipificava a condição justa dos subsacerdotes espirituais de Deus quanto aos seus corpos carnais.
9. (a) Como entram os subsacerdotes espirituais no Santíssimo antitípico, e fazem isso com um sacrifício expiatório de pecados? (b) Como servirão neste Santíssimo?
9 Visto que “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem pode a corrução herdar a incorrução”, estes subsacerdotes gerados pelo espírito, sob Cristo, precisam também passar pela barreira carnal, conforme representada pela “cortina” interna do templo. Fazem isso por realizarem seu sacerdócio espiritual na terra até a morte humana, após a qual, no tempo devido de Deus, ele os ressuscita dos mortos com a ressurreição de Cristo, a saber, como criaturas espirituais de natureza divina e enriquecidas com a imortalidade e a incorrução. Conforme está escrito: “Semeia-se [na morte] corpo físico, é levantado corpo espiritual.” (1 Cor. 15:42-44; Rom. 6:4, 5) Assim serão levados à presença pessoal do Deus Altíssimo, mas, naturalmente, não para oferecer-lhe algum sacrifício expiatório de pecados. Isto já foi tudo completado pelo Sumo Sacerdote de Jeová, Jesus Cristo, no antitípico Dia da Expiação. (Heb. 10:19-22) Mas, unidos então com seu Sumo Sacerdote no céu, poderão servir como “sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele por mil anos”. — Rev. 20:4, 6.
10. Em 1 Coríntios 3:9, 16, 17, com que “edifício” compara Paulo a congregação cristã, mas como não se deve entender Isso, e por que não?
10 Enquanto estão na terra, são comparados a diversas coisas. Por exemplo, em 1 Coríntios 3:9, o apóstolo Paulo lhes diz: “Vós sois campo de Deus em lavoura, edifício de Deus.” Perguntamos: Que “edifício”? A resposta é dada nos versículos dezesseis e dezessete: “Não sabeis que vós sois templo de Deus e que o espírito de Deus mora em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; pois o templo de Deus é santo, templo esse que sois vós.” Isto não quer dizer nem significa que sejam o templo representado ou tipificado pela tenda construída por Moisés e pelos templos em Jerusalém. Neste templo, de que Paulo fala no livro dos Hebreus, Deus mora em pessoa, estando pessoalmente presente ali. Mas o templo de que Paulo diz que é a congregação não goza da presença pessoal de Deus. Neste templo simbólico mora apenas o espírito de Deus. Deus mora ali apenas por meio de teu espírito, porque os membros do mesmo estão na carne, na terra.
11. Como mostra a questão dum alicerce a diferença entre a congregação como templo e o templo de Jeová nos céus?
11 O templo de Deus nos céus não é edificado sobre o alicerce dos apóstolos e profetas cristãos. Mas a congregação cristã, como templo, é edificada sobre os apóstolos e profetas cristãos. Em Efésios 2:20-22, o apóstolo Paulo escreve: “Fostes edificados sobre o alicerce dos apóstolos e profetas, ao passo que o próprio Cristo Jesus é a pedra angular de alicerce. Em união com ele, o edifício inteiro, sendo harmoniosamente conjuntado, desenvolve-se num templo santo para Jeová. Em união com ele também vós estais sendo edificados juntamente como lugar para Deus habitar por espírito.”
12. (a) Por causa da habitação de que, dentro da congregação na terra, é ela comparada a um templo, e no entanto, onde se encontra isso no grande templo espiritual de Deus? (b) Por ser um “templo” do verdadeiro Deus na terra, o que não pode a congregação admitir no seu meio?
12 É porque o espírito de Deus habita neste corpo harmoniosamente organizado de subsacerdotes espirituais de Cristo que esta congregação é chamada de “templo” de Jeová Deus. Sua presença pessoal está lá em cima no Santíssimo celestial do seu grande templo espiritual. É no compartimento “Santo” do grande templo espiritual que se encontram os desta classe do templo, ainda na terra. Visto que são comparados a um templo na terra, no qual Jeová mora por meio de seu espírito, esta concreção gerada pelo espírito não deve admitir no seu meio nenhuma espécie de idolatria ou adoração de deuses falsos. “Que acordo tem o templo de Deus com os ídolos?” pergunta o apóstolo Paulo, e depois acrescenta a explicação: “Pois nós somos templo dum Deus vivente; assim como Deus disse: ‘Residirei entre eles e andarei entre eles, e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.’” — 2 Cor. 6:16.
PÁTIOS DO TEMPLO CHEIOS DE ADORADORES
13. Com o desaparecimento da congregação gerada pelo espírito do cenário terrestre, conforme representada por um compartimento do templo, o que desaparecerá?
13 Esta congregação gerada pelo espírito, que é comparada a um templo, precisa ser tratada como santa. Esta congregação, no tempo devido, desaparecerá do cenário terrestre. Com seu desaparecimento, deixará de existir a condição gerada pelo espírito dos subsacerdotes espirituais (conforme representada pelo compartimento Santo do templo de Jerusalém). Estes subsacerdotes espirituais terão passado pela barreira carnal (representada pela cortina interna do templo) para o Santíssimo celestial, por meio de sua morte na carne e sua ressurreição no espírito.
14. Como e a congregação dos 144.000 subsacerdotes no Santíssimo celestial representada em Revelação 21:1, 2?
14 Quão santo será o privilégio dos 144.000 subsacerdotes do templo espiritual de Jeová encontrar-se no seu Santíssimo, perante a própria pessoa de Jeová Deus! Esta particularidade não foi representada no caso dos subsacerdotes que serviam no templo em Jerusalém, mas é belamente retratada no último livro da Bíblia Sagrada. Ali, a congregação dos 144.000 subsacerdotes, que servem debaixo do Sumo Sacerdote de Jeová, Jesus Cristo, são comparados à noiva dele no seu dia de casamento. O apóstolo cristão João descreve esta noiva composta com bela fraseologia, dizendo: “E eu vi um novo céu e uma nova terra, pois o céu anterior e a terra anterior tinham passado, e o mar já não é. Vi também a cidade santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, e preparada como noiva adornada para seu marido.” — Rev. 21:1, 2.
15. Que comparação há entre a antiga Jerusalém terrestre e a Nova Jerusalém celestial quanto a ter o edifício dum templo?
15 Lembramo-nos de que a antiga Jerusalém terrestre, até a sua destruição pelos exércitos romanos, no ano 70 E. C., tinha um suntuoso templo. Mas que dizer da Nova Jerusalém celestial, que o apóstolo João viu em visão cerca de vinte e seis anos depois da destruição do antigo templo de Jerusalém em 70 E.C.? Ao passo que João continua a sua descrição deleitosa da Nova Jerusalém celestial, ele nos conta: “E não vi templo nela, pois Jeová Deus, o Todo-poderoso, é o seu templo, também o Cordeiro o é. E a cidade não tinha necessidade do sol, nem da lua, para brilhar sobre ela, pois a glória de Deus a iluminava, e a sua lâmpada era o Cordeiro. E as nações andarão por meio da sua luz.” — Rev. 21:22-24.
16. Com respeito à situação dos 144.000 subsacerdotes o que torna desnecessário o edifício dum templo na Nova Jerusalém, e de que modo é o próprio Jeová um templo?
16 Por que devia a Nova Jerusalém celeste ter um templo, um edifício separado em que os 144.000 subsacerdotes servissem e assim prestassem serviço sagrado a Deus de modo indireto, mediante um edifício intermediário? Por que, já que estão diante da própria pessoa de Deus e ‘vêem o seu rosto’? (Rev. 22:4) O próprio Jeová Deus é o templo da Nova Jerusalém. A Nova Jerusalém celestial não é o templo. Não, Jeová Deus, Todo-poderoso, é o templo. Ele ocupa o lugar e toma o lugar do templo para a cidade celestial. Visto que não está ali por espírito, mas em pessoa, elimina a necessidade de um edifício separado, por meio do qual os habitantes da Nova Jerusalém, os 144.000 subsacerdotes, o adorariam e serviriam indiretamente. Por isso prestam-lhe serviço sagrado diretamente, sob o sumo sacerdócio do Cordeiro, Jesus Cristo.
17. De que modo é também o Cordeiro, junto com Jeová Deus, o templo da Nova Jerusalém?
17 Este é o motivo pelo qual o Cordeiro compartilha com Jeová em ser o templo da Nova Jerusalém. Assim como diz Revelação 21:22: “Também o Cordeiro o é.” Ele está ali em pessoa, no Santíssimo do templo espiritual de Jeová. Ele já ofereceu diretamente a Deus o sacrifício expiatório de pecados do antitípico Dia da Expiação. Como Sumo Sacerdote de Jeová, semelhante a Melquisedeque, está sentado à direita de Deus.
18. Em que parte do templo espiritual de Jeová tirará o povo proveito do Dia da Expiação, e a favor de quem se ofereciam os sacrifícios do Dia da Expiação para indicar isso?
18 Apesar de não haver então mais nenhuma condição gerada pelo espírito dos 144.000 subsacerdotes, conforme tipificada pelo compartimento Santo do templo, os pátios terrestres do grande templo espiritual de Jeová continuarão. Na terra, os que se beneficiarem do Dia da Expiação, de Jeová, farão isso nestes pátios. Isto se harmoniza de modo satisfatório com não ter sido o oferta pelo pecado, do Dia da Expiação, oferecida apenas a favor da família sacerdotal, mas também a favor de todos os demais do povo, que adoravam a Jeová no seu templo.
19. (a) Quem se ajuntaria a Jeová “naquele dia” e suplicaria Seu favor, segundo o profeta Zacarias? (b) Como que sendo uma provisão para isso, que pátio adicional tinha o templo de Herodes em Jerusalém e a favor de que não-israelitas orou Salomão ao inaugurar o templo?
19 Quando Zacarias, o profeta de Jeová, profetizava com relação à reconstrução do templo em Jerusalém, no sexto século antes de nossa Era Comum, ele foi inspirado a dizer: “Naquele dia muitas nações se ajuntarão a Jeová, e serão o meu povo; habitarei no meio de ti.” “Muitos povos e poderosas nações virão a buscar em Jerusalém a Jeová dos exércitos e a suplicar o favor de Jeová.” (Zac. 2:11; 8:22, Brasileira) Em harmonia com esta profecia, da chegada de não-israelitas para adorar a Jeová no seu templo, o templo construído pelo Rei Herodes, que substituiu o templo construído nos dias do profeta Zacarias, não só continha o pátio dos sacerdotes com o seu altar, e também o pátio de Israel e o pátio das mulheres, mas continha adicionalmente o pátio dos gentios ou não-israelitas. Mesmo já séculos antes disso, quando o Rei Salomão inaugurou o primeiro templo em Jerusalém, ele orou a favor dos estrangeiros que viessem de países longínquos para adorar no templo de Jeová. — 1 Reis 8:41-43; 2 Crô. 6:32, 33.
20. Especialmente desde quando tem tido cumprimento esta profecia de Zacarias, e por que vemos isso desde então?
20 A profecia proferida há muito tempo por Zacarias já se está cumprindo em nossos dias, especialmente desde o ano de 1935 E. C. Isto significa que há um cumprimento dela enquanto ainda há na terra um restante dos subsacerdotes espirituais, que servem no compartimento Santo do templo espiritual de Jeová. Por este motivo, os da “grande multidão” de estrangeiros, que afluem de todas as partes da terra aos pátios do único templo espiritual de Jeová têm contato e associação com estes subsacerdotes espirituais ainda na terra. A data de 1935 E. C. assinala o ano em que esta “grande multidão” de adoradores não-sacerdotais de Jeová começou a ser observada como entrando no templo, porque naquele ano memorável explicou-se a profecia de Revelação 7:9-17, sobre a “grande multidão”, segundo os fatos do dia. (Veja The Watchtower de 1.º e 15 de agosto de 1935.) Ao examinarmos a visão de Revelação vista pelo apóstolo João, é como se víssemos a “grande multidão” internacional de adoradores celebrando a antitípica Festividade das Barracas no templo de Jeová.
21. Como é esta “grande multidão” descrita por João em Revelação 7:9-15?
21 Contando-nos o que ele viu, João disse: “Eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados de compridas vestes brancas; e havia palmas nas suas mãos. E gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’ . . . ‘Estes são os que saem da grande tribulação, e lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro. É por isso que estão diante do trono de Deus; e prestam-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo; e o que está sentado no trono estenderá sobre eles a sua tenda.’” — Rev. 7:9-15.
22. (a) Com relação ao templo espiritual de Deus onde O serve esta “grande multidão” dia e noite? (b) Como mostra a visão de João que o templo espiritual sobreviveu à “grande tribulação”, e que benefícios aceita ali a “grande multidão”?
22 Esta bela visão apresenta a “grande multidão” internacional como servindo a Jeová no seu templo, quer dizer, nos pátios terrestres reservados aos que não são israelitas espirituais, como se estivessem no “pátio dos gentios”. Sim, na visão do apóstolo João, o grande templo espiritual de Jeová Deus sobreviveu à “grande tribulação” destes últimos dias, pois os desta “grande multidão” sobreviveram à “grande tribulação” e encontram-se no templo de Jeová, acenando com folhas de palmeiras, semelhante à tradicional palma festiva (o lulab)a acenada pelo povo durante a Festividade das Barracas. Atribuem sua salvação a Jeová Deus e ao seu Cordeiro sacrificial, Jesus Cristo, e estão agora em caminho para uma vida infindável de felicidade e serviço divino na nova ordem de coisas, de Deus, numa terra paradísica. (Rev. 7:16, 17) Aceitam com gratidão os benefícios da oferta pelo pecado provida no grande Dia da Expiação de Jeová. — Lev. 16:1-34.
23. (a) Por que não serão os da “grande multidão” os únicos a afluir aos pátios terrestres do templo espiritual durante o Sumo Sacerdócio milenar de Cristo? (b) Em que terão de participar para obter a vida eterna na terra?
23 Entretanto, estes sobreviventes da “grande tribulação”, na qual acabará este atual sistema de coisas, não são os únicos a afluir a estes pátios de salvação. Durante o Sumo Sacerdócio milenar do Cordeiro Jesus Cristo com seus 144.000 subsacerdotes espirituais, no domínio celestial do templo espiritual de Jeová, haverá uma “ressurreição tanto de justos como de injustos”. (Atos 24:15; Rev. 20:4, 6, 11-14) Todos estes terão de ir aos pátios do templo espiritual de Jeová e participar em servi-lo, celebrando também alegremente a grande antitípica Festividade das Barracas. Não há outra maneira de salvação para a vida eterna no paraíso terrestre. Isto parece ser indicado pelos últimos seis versículos da profecia de Zacarias. Todos os ressuscitados que desejarem ter vida eterna na terra terão de ir ao templo espiritual “para se curvar diante do Rei, Jeová dos exércitos”, e para “celebrar a festividade das barracas”. Quão indizivelmente alegre será este tempo para os que fizerem isso! — Zac. 14:17, 18.
24. (a) Qual é o templo que Jeová Deus reconhece e a que templo terão de dirigir-se todos para obter a vida na nova ordem de Deus? (b) Que notícia têm agora o privilégio de transmitir a outros aqueles que estão nos pátios?
24 Bendita é também a perspectiva de todos nós hoje, que estamos agora nos pátios do templo espiritual de Jeová, quer alguns de nós estejamos no pátio interno dos sacerdotes, quer a grande maioria de nós esteja nos pátios dos adoradores não-sacerdotais do Deus Altíssimo, Jeová dos exércitos. Há apenas um templo reconhecido pelo Deus da salvação. É o único templo ao qual as pessoas de todas as nações têm de ir para se empenhar na adoração pura e assim ganhar a salvação eterna na nova ordem justa de Deus. Este templo está agora aberto para o ajuntamento de todos os que buscam o único Deus vivente e verdadeiro. Estas são realmente grandiosas notícias, associadas com os acontecimentos de nossos tempos maravilhosos. Todos nós, os que servimos nos pátios do templo espiritual de Jeová, temos o grandioso privilégio de transmitir estas boas novas vitalizadoras a todos os outros, antes de vir a “grande tribulação”.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja The Mishnah, de Herbert Danby (de 1933), página 178, parágrafos 5, 6 e 7.
Veja The Temple, do Dr. A. Edersheim (de 1874), páginas 238, 242.
Veja o Volume 10 da Cyclopedia de M’Clintock e Strong, página 148, o último parágrafo debaixo de “21 de tisri”.
[Diagrama/Quadro na página 401]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
TEMPLO RECONSTRUÍDO POR HERODES (Planta)
Vale de Tiropeon
Portão
Muro da Cidade
Portão
Portão
Colunatas
Pátio dos Gentios
Colunata Real
Portão
Portão
Muro da Cidade
Vale do Cédron
Mte. das Oliveiras ao leste
Portão Belo
Colunata de Salomão
Pátio Externo
Barreira de Pedras
Pátio das Mulheres 5
Pátio de Israel 3, 4
Templo 1, 2
Colunata Setentrional
Portão
1. Santíssimo
2. Santo
3. Altar da Oferta Queimada
4. Mar de Fundição
5. Portão Interno do Templo
SIGNIFICADO PROFÉTICO
SANTÍSSIMO: A região específica do céu onde o próprio Jeová está entronizado.
SANTO: A condição de gerados pelo espírito de Jesus Cristo e dos 144.000 cristãos ungidos enquanto ainda na carne.
CORTINA: A cortina, como separação entre o Santo e o Santíssimo, representa o barreira carnal que separa o sacerdócio na terra do acesso à presença de Deus no céu.
ALTAR: A vontade de Deus, conforme demonstrada na sua disposição de aceitar o sacrifício humano perfeito de Jesus.
PÁTIO DOS SACERDOTES: Condição justa de Jesus Cristo e dos subsacerdotes espirituais de Deus no que se refere aos seus corpos carnais.
PÁTIO DOS GENTIOS: Condição justa que toda a humanidade precisa obter para adorar a Deus de modo aceitável.
[Foto na página 396]
Quando Jesus foi ungido com espírito santo, em 29 E. C., veio à existência o grande templo espiritual de Deus.
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Perecerão os cobiçosos?A Sentinela — 1973 | 1.° de julho
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Perecerão os cobiçosos?
TODOS nós temos de algum modo sofrido os efeitos prejudiciais da cobiça do homem. A cobiça tem sido responsável pelo impiedoso desmatamento de muitos morros e de muitas montanhas, pela devastação de enormes áreas de terra pela mineração por escavação superficial, pela poluição dos rios com despejos e refugos e pela transformação das metrópoles e cidades em lugares cheios de fumaça, fuligem e barulho. Os homens também têm explorado outros homens e se enriquecido às custas deles. Acabará alguma vez tal cobiça? Perecerão os cobiçosos?
Sim, porque os atos de cobiça não escaparam da atenção Daquele que odeia a cobiça e que é suficientemente poderoso para acabar com ela. Este é o Soberano supremo do universo, Jeová Deus. O exemplo histórico de seus tratos com o antigo Israel mostra que os cobiçosos não serão tolerados indefinidamente e que os de disposição justa prosperarão.
EXEMPLO DA HISTÓRIA ANTIGA
No sétimo século A. E. C., muitos habitantes de Jerusalém e da terra de Judá eram cobiçosos. Não se preocupavam com os israelitas que ficaram privados de sua propriedade hereditária por causa da deportação pelos assírios, em 740 A. E. C. e por causa da deportação pelos babilônios em 617 A. E. C. A atitude dos cobiçosos para com aqueles exilados era: “Afastai-vos para longe de Jeová. . . . a terra . . . nos foi dada como possessão.” (Eze. 11:15) Visto que eram irmãos dos israelitas que viviam como exilados no Império Babilônico, os habitantes de Jerusalém e da terra de Judá deviam ter tido o espírito de resgatador, daquele que compraria de volta a propriedade hereditária, para que seu irmão sem bens de raiz recuperasse a propriedade dada por Deus. (Lev. 25:13-38) Mas estes cobiçosos agradavam-se de que seus irmãos se vissem obrigados a estar “longe de Jeová” o mais possível, quer dizer, da terra de Israel, onde se subentendia a presença de Jeová. Queriam a terra para si mesmos.
Jeová Deus, porém, tinha outras idéias sobre o assunto. Estava disposto a favorecer os arrependidos entre os exilados, tornando-se para eles “um santuário, por um pouco de tempo” ou “de modo pequeno”. (Eze. 11:16) Pelo “pouco de tempo” de seu exílio, Jeová seria um santuário. Seria um lugar santo em que eles poderiam achar segurança e ser preservados para os Seus bons propósitos futuros. Por outro lado, também, Jeová seria um santuário “de modo pequeno”, isto é, de modo ou alcance limitado. Isto se daria porque não poderia proteger os exilados contra todas as conseqüências merecidas devido à
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