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AnjoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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desprezeis a um destes pequenos, pois eu vos digo que os seus anjos no céu sempre observam o rosto de meu Pai.” (Mat. 18:10) “Não são todos eles espíritos para serviço público, enviados para ministrar aos que hão de herdar a salvação?” — Heb. 1:14.
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AnoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ANO
A principal palavra hebraica para “ano”, shanáh, tem o significado de “sucessão” ou “repetição”, e, semelhante à sua correspondente grega, eniautós, inclui a idéia de um ciclo de tempo. Na terra, é a recorrência de estações que assinala visivelmente o término dos períodos anuais; as estações, por sua vez, são governadas pela translação da terra ao redor do sol. O Criador, portanto, proveu os meios para se medir o tempo em termos de anos, por colocar a terra em sua órbita designada, com seu eixo posicionado em ângulo inclinado em relação ao plano de trajetória da terra ao redor do sol. Um meio conveniente de se subdividir o ano em períodos mais curtos também é fornecido pelas fases regulares da lua. Tais fatos são indicados bem cedo no registro bíblico. — Gên. 1:14-16; 8:22.
Desde o começo, o homem utilizou estes indicadores de tempo, divinamente fornecidos, medindo o tempo em termos de anos, subdivididos em meses. (Gên. 5:1-32) A maioria dos povos antigos usavam um ano de doze meses lunares. O ano lunar comum tem 354 dias, os meses tendo vinte e nove ou trinta dias, dependendo do aparecimento de cada lua nova. Ele é, portanto, cerca de 11% dias mais curto que o verdadeiro ano solar de 365% dias (365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos).
NO TEMPO DE NOÉ
No tempo de Noé, dispomos do primeiro registro da maneira antiga de se contar a duração do ano. Ele evidentemente dividia o ano em doze meses de trinta dias cada um. Em Gênesis 7:11, 24 e 8:3-5, o “diário de bordo” que Noé mantinha mostra que cento e cinqüenta dias equivalem a cinco meses. Neste relato, o segundo, o sétimo e o décimo meses do ano do Dilúvio são diretamente mencionados. Daí, depois do décimo mês e seu primeiro dia, ocorre um período de quarenta dias, bem como dois períodos de sete dias cada um, ou um total de cinqüenta e quatro dias. (Gên. 8:5-12) Há também um tempo indeterminado entre o envio do corvo e o primeiro envio da pomba. (Gên. 8:6-8) Semelhantemente, outro período indeterminado é indicado após o terceiro e último envio da pomba, em Gênesis 8:12. No versículo seguinte, vemos que é mencionado o primeiro dia, do primeiro mês, do ano seguinte. (Gên. 8:13) Não se revela que método Noé, ou os anteriores a ele, usavam para reconciliar um ano composto de meses de trinta dias com o ano solar.
EGITO E BABILÔNIA
No antigo Egito, o ano era contado como tendo doze meses de trinta dias cada um, e cinco dias adicionais eram acrescentados anualmente para fazer com que o ano se harmonizasse com o ano solar. Os babilônios, por outro lado, apegavam-se a um ano lunar, mas adicionavam um décimo terceiro mês, chamado “veadar”, durante certos anos, a fim de manter as estações em harmonia com os meses a que normalmente correspondiam. Tal ano é chamado lunissolar, e, obviamente, é às vezes mais curto e, às vezes, mais longo, do que o verdadeiro ano solar, dependendo de se o ano lunar tem doze ou treze meses.
O CICLO METONIANO
Em algum tempo, desenvolveu-se o sistema de adicionar um mês intercalar, ou décimo terceiro, sete vezes a cada dezenove anos, dando quase que exatamente o mesmo resultado que dezenove anos solares verdadeiros. Este ciclo veio a ser chamado de ciclo metoniano em honra ao matemático grego Méton, do quinto século A.E.C.
OS HEBREUS
A Bíblia não diz se este era o sistema originalmente empregado pelos hebreus para reconciliar seu ano lunar com o ano solar. O fato de que os nomes registrados de seus meses lunares são nomes estacionais mostra que realmente faziam tal adequação. Duas vezes a cada ano, o centro do sol cruza o equador e, nessas ocasiões, o dia e a noite têm igual duração (aproximadamente doze horas de luz do dia e doze horas de escuridão) em toda parte. Essas duas épocas são chamadas de equinócio da primavera (ou ponto vernal) e equinócio do outono (ou ponto de Libra). Ocorrem por volta de 21 de março e de 23 de setembro (inversamente no hemisfério sul), de cada um dos nossos atuais anos do calendário. Estes equinócios poderiam logicamente fornecer os meios para se notar quando os meses lunares estavam muito adiantados das estações relacionadas, e, assim, servir como guia para os ajustes necessários, pela adição dum mês intercalar.
Os anos eram antigamente contados como indo de outono a outono (hemisfério norte), o primeiro mês começando em meados de nosso presente mês de setembro. Isto coincide com a tradição judaica de que a criação do homem ocorreu no outono setentrional. Visto que a Bíblia fornece um registro da idade de Adão, em termos de anos (Gên. 5:3-5), é razoável que a contagem começasse no tempo de sua criação, e, se esta deveras ocorreu no outono setentrional, isso explicaria, até certo ponto, a prática antiga de se iniciar um ano novo nessa época. Adicionalmente, contudo, tal ano seria particularmente apropriado para a vida agrícola das pessoas, mormente naquela parte da terra em que ambos os povos pré-diluvianos e primitivos pós-diluvianos se concentravam. O ano findava com o último período de colheita e começava com a aragem e a semeadura, perto da primeira parte de nosso mês de outubro.
Um ano sagrado e um secular
Deus mudou o início do ano para a nação de Israel por ocasião de seu êxodo do Egito, decretando que deveria começar com o mês de abibe (ou nisã) na primavera setentrional. (Êxo. 12:1-14; 23:15) O outono setentrional do ano, contudo, continuou a marcar o início de seu ano secular, ou agrícola. Assim, em Êxodo 23:16, a festividade da colheita, que acontecia no outono setentrional, no mês de etanim, o sétimo mês do calendário sagrado, é mencionada como se situando “à saída do ano”, e, em Êxodo 34:22, como “na volta do ano”. Semelhantemente, os regulamentos sobre os anos de Jubileu mostram que começavam no mês outonal (hem. norte) de etanim. — Lev. 25:8-18.
O historiador judeu, Josefo (do primeiro século E.C.), afirma que o ano sagrado (que começava na primavera setentrional) era usado com relação às observâncias religiosas, mas que o ano secular original (que começava no outono setentrional) continuou a ser usado com relação às vendas e às compras, e a outros assuntos comuns. Este sistema duplo de um ano sagrado e um ano secular é especialmente destacado no período pós-exílico, depois da libertação dos judeus de Babilônia. O primeiro dia de nisã (ou abibe) assinalava o começo do ano sagrado e o primeiro dia de tisri (ou etanim) assinalava o início do ano secular. Em cada caso, o que era o primeiro mês de um calendário tornava-se o sétimo mês do outro. — Veja a tabela em CALENDÁRIO.
Calendário correlato com festividades
Os pontos principais de cada ano eram as três grandes épocas de festividade decretadas por Jeová Deus: A Páscoa e a festividade dos pães não fermentados, que começavam em 14 de nisã, a festividade das semanas ou Pentecostes, em 6 de sivã, e a festividade do recolhimento (precedida pelo dia da expiação) de 15 a 21 de etanim. A festividade dos pães não fermentados coincidia com a colheita da cevada, Pentecostes com a colheita de trigo, e a festividade do recolhimento com a colheita geral, no fim do ano agrícola.
Método de contar a regência dos reis
Nos registros históricos era costume, em Babilônia, contar os anos de regência dum rei como anos completos, a partir de 1.° de nisã. Os meses durante os quais o rei talvez tivesse realmente começado a reger, antes de 1.° de nisã, eram considerados como formando seu ano de ascensão, mas eram historicamente creditados ou contados como pertencendo ao pleno período de anos de regência do rei que o precedera. Se, como indica a tradição judaica, este sistema era seguido em Judá, então, quando a Bíblia fala de tanto o Rei Davi como o Rei Salomão reinarem “quarenta anos”, os reinados abrangem plenos períodos de quarenta anos. — 1 Reis 1:39; 2:1, 10, 11; 11:42.
NA PROFECIA
Na profecia, a palavra “ano” é com frequência usada num sentido especial como equivalendo a 360 dias (doze meses de trinta dias cada um). (Rev. 11:2, 3) Também é chamado de um “tempo” e, ocasionalmente, é representado por um “dia”. — Rev. 12:6, 14; Eze. 4:5, 6.
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Ano SabáticoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ANO SABÁTICO
Contando-se a partir de 1473 A.E.C., o ano em que Israel entrou na Terra Prometida, devia-se celebrar um ano sabático “ao fim de cada sete anos”, realmente, em cada sétimo ano. (Deut. 15:1, 2, 12; compare com Deuteronômio 14:28.) O ano sabático começava, evidentemente, com o toque de trombetas em 10 de etanim (tisri), o Dia da Expiação. No entanto, alguns sustentam que, ao passo que o ano do Jubileu começava com o Dia da Expiação, o ano sabático começava em 1.° de tisri.
Não devia haver nenhum cultivo do solo, nem semeadura ou poda, nem qualquer colheita do que fora cultivado, mas o que crescia por si era deixado no campo, para ser comido pelo dono do campo, bem como por seus escravos, pelos trabalhadores contratados e pelos residentes forasteiros. Tratava-se duma provisão misericordiosa para os pobres e, adicionalmente, para os animais domésticos e os animais selvagens, visto que estes também teriam acesso aos produtos da terra durante o ano sabático. — Lev. 25:1-7.
O ano sabático era chamado de “ano da remissão [shemittáh]”. (Deut. 15:9; 31:10) Nesse ano, a terra gozava de completo repouso ou livramento, permanecendo sem cultivo. (Êxo. 23:11) Devia haver também um repouso ou livramento das dívidas contraídas. (Deut. 15:3) Era uma “remissão para Jeová”, em honra dele. Embora outros considerem isso de forma diferente, há alguns comentaristas que sustentam que as dívidas não eram realmente canceladas, mas, antes, que o credor não devia pressionar um companheiro hebreu a pagar uma dívida, pois naquele ano o lavrador não teria renda; embora o credor pudesse pressionar um estrangeiro a pagar-lhe. (Deut. 15:1-3) Alguns rabinos sustentam o conceito de que as dívidas para empréstimos de caridade, a fim de ajudar um irmão pobre, eram canceladas, mas que as dívidas contraídas em tratos comerciais se colocavam numa categoria diferente. Dizem que, no primeiro século da Era Comum, Hilel instituiu uma norma pela qual o credor podia dirigir-se ao tribunal e garantir que não se anularia a dívida para com ele, por fazer certa declaração.
Incidentalmente, este ano de livramento ou de repouso quanto às pressões para o pagamento de dívidas não se aplicava ao livramento de escravos, muitos dos quais eram escravos por terem contraído dívidas. Antes, o escravo hebreu era liberto no sétimo ano de sua servidão, ou no Jubileu, dependendo do que ocorresse primeiro. — Deut. 15:12; Lev. 25:10, 54.
Era preciso fé para guardar os anos sabáticos como parte do pacto de Jeová com Israel, mas a observância plena desse pacto resultaria em grandes bênçãos. (Lev. 26:3-13) Deus prometera fazer bastantes provisões na colheita do sexto ano, a fim de suprir alimentos para dois anos, desde o sexto até a colheita do oitavo, porque não se podiam realizar culturas no sétimo; portanto, não haveria colheita senão no oitavo ano. (Lev. 25:20-22) Quando Israel entrou na Terra Prometida, sob Josué, seis anos foram empregados em subjugar as nações de Canaã e na distribuição das heranças de terra. Naturalmente, durante esse tempo, Israel só pôde empreender algumas culturas, se é que o pôde, mas havia alguns alimentos provenientes das safras cananéias. (Deut. 6:10, 11) O sétimo ano foi um sábado, de modo que tiveram de demonstrar fé e obediência por esperar até a colheita do oitavo ano, e, com a bênção de Deus, sobreviveram.
A cada ano de livramento, durante a Festividade das Barracas, todo o povo deveria reunir-se, homens e mulheres, pequeninos e residentes forasteiros, para ouvir a leitura da Lei. — Deut. 31:10-13.
A terra teria gozado 121 anos sabáticos, além de 17 Jubileus, antes do cativeiro, caso Israel tivesse guardado devidamente a Lei. Mas os anos sabáticos só foram parcialmente observados. Quando o povo foi para o exílio em Babilônia, a terra permaneceu desolada por setenta anos, “até que a terra tivesse saldado os seus sábados”. — 2 Crô. 36:20, 21; Lev. 26:34, 35, 43.
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