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O seu fígado se pronunciaDespertai! — 1970 | 22 de dezembro
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que destrói as células do fígado e as substitui por inútil tecido cicatricial.
E o que provoca a cirrose? Entregar-se demais ao álcool é o fator principal. Converto o álcool em bióxido de carbono e água, impedindo um acúmulo fatal do mesmo no seu sangue. Mas, quando a pessoa consome diariamente grandes quantidades de álcool, seu fígado não pode suportá-lo. Decompõe-se, tornando-se retraído, duro e granuloso. Se isto não cessar, resultará a morte.
Isto não significa que eu seja um órgão delicado. Longe disso! Em realidade, minhas faculdades de regeneração são surpreendentes. Caso fosse removida uma parte de mim — até uns 80 por cento ou mais — poderia mantê-lo vivo até eu produzir novo tecido. Em questão de meses eu retornaria ao meu tamanho normal!
Ainda assim, preciso de sua cooperação para me manter saudável e para mantê-lo saudável. Uma dieta equilibrada de alimentos salutares é minha principal exigência. Isto significa ingerir alimentos que contenham os nutrientes básicos — carboidratos, gorduras e proteínas. Preciso especialmente de proteínas em que todos os aminoácidos essenciais se achem presentes em proporção correta. Os alimentos de origem animal — ovos, carne, galinha, peixe — são importante fonte delas.
Meu maior inimigo talvez seja comer demais os alimentos da espécie errada. Simplesmente não poderá esperar que eu me mantenha saudável se viver numa dieta de massas e alimentos processados desvitalizados. Nem posso funcionar corretamente se o leitor ficar com peso excessivo ou deixar de fazer o adequado exercício físico.
Deseja ser saudável? Então, lembre-se de que constituo uma de suas melhores proteções contra as doenças. Cuide bem de mim, portanto, e eu cuidarei bem de sua pessoa.
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O que provoca seus tique-taques?Despertai! — 1970 | 22 de dezembro
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O que provoca seus tique-taques?
O QUE provoca o tique-taque rítmico dum relógio? Essa é uma pergunta que quase todo garotinho já fez, e, talvez, um bom número de menininhas. Poderia responder à sua pergunta?
O tique-taque é muito mais freqüente do que pensa. Sabia que um relógio tiquetaqueia uma média de 18.000 vezes por hora? Isso significa cinco vezes por segundo, 300 vezes por minuto, 432.000 vezes por dia — e cerca de 13 milhões de vezes por mês!
Primitivos Medidores do Tempo
Comparado com outros métodos de medir o tempo, o relógio é relativamente um novo instrumento. Os humanos provavelmente mediam o tempo primeiro por observarem o sol ou por medirem o ângulo das sombras das árvores. Por fim, relógios de sol foram introduzidos. Tais instrumentos marcavam o tempo por medir as sombras. Mas, num dia nublado, ou à noite, deixavam o homem sem seu relógio.
Obviamente, outro tipo de medidor do tempo era necessário. Muitas civilizações primitivas usaram um relógio de água ou “clepsidra”. Embora variassem, o princípio era o mesmo. Permitia-se que a água ou outra substância escoasse de um vaso para outro. A quantidade que escoava podia ser medida, e, desta forma, marcava-se a passagem do tempo.
A introdução de meios mecânicos para medir o tempo foi importante melhora. Parece que os primeiros de tais medidores do tempo surgiram na Europa no século quatorze. Daí, por volta de 1500, um serralheiro em Nurembergue, Alemanha, inventou um relógio portátil. No entanto, era tão pesado que tinha de ser pendurado num cinto em torno da cintura.
Além de ser volumoso, os primitivos relógios não eram muito exatos. Com efeito, tinham apenas o ponteiro de horas. Mas, foram feitos aprimoramentos, e, por fim, medidores do tempo de precisão foram produzidos. Todos estes relógios primitivos eram fabricados à mão.
Daí, por volta de meados do século passado, os princípios de produção em massa foram aplicados à fabricação de relógios. Com o passar dos anos, aprimoramentos foram feitos nas técnicas de produção, de modo que são agora produzidos relógios que marcam o tempo quase que com perfeição.
Podem-se fabricar relógios agora que se adaptem num elegante anel ornamental para o dedo duma dama. Os parafusos usados em sua manufatura são tão pequeninos que milhares deles poderiam caber num dedal! Também, alguns dos buracos em que operam os pequeninos pivôs das rodas são tão pequenos que um cabelo humano não passaria por eles!
Como Funciona
Mas, como é que funciona um medidor mecânico do tempo? Como é que mede o tempo? O que provoca seu tique-taque?
Para ajudá-lo a visualizar a função dum relógio, poderia montar um carretel de linha num prego na parede. Daí, use um pouco de cola para grudar um palito de dentes na extremidade do carretel. Este palito de dentes servirá como ponteiro de minutos. Agora, devagarinho, puxe a linha do carretel. Isto fará girar o carretel e o palito grudado, o ponteiro de minutos. Se puxar a linha justamente na medida exata, o ponteiro de minutos fará uma volta completa em uma hora. Assim, dispõe dum instrumento para medir o tempo — embora um instrumento muito rudimentar.
Um medidor mecânico do tempo faz essencialmente a mesma coisa. Move os ponteiros em torno dum mostrador dum relógio em taxas precisas de velocidade para marcar o dia em unidades de tempo de segundos, minutos e horas. No entanto, o mecanismo para manter a taxa correta de movimento dos ponteiros, bem como sua sincronização uns com os outros, é deveras complexo.
Primeiro, um relógio tem de dispor duma fonte de energia para mover os ponteiros. Na ilustração acima, a energia era provida por se puxar a linha. Isto fazia girar o carretel, que rodava o palito de dentes, ou ponteiro de minutos. Num relógio comum, a energia é fornecida por uma “mola mestra”. Trata-se duma peça fina, estreita, semelhante a uma fita, de aço de alta têmpera.
A mola mestra se acha dentro de um tambor que tem dentes em torno de sua circunferência exterior. Para acumular energia, há um mecanismo de corda por meio do qual se pode dar corda na mola mestra. Assim, quando dá corda em seu relógio, estoca energia na mola mestra. A mola mestra está ligada à parte interna do tambor de modo que faz girar o tambor à medida que tenta desenrolar-se.
Assim, à medida que o tambor gira, move a roda central. Esta roda, por sua vez, movimenta uma série adequada de outras rodas. A série de rodas é chamada de “jogo de engrenagens”. Seu propósito é levar o movimento bem lento do tambor a todo o relógio. O jogo é assim uma série de engrenagens de redução que gasta a energia da mola mestra um pouco de cada vez, de modo que dure mais.
Ligados a certas rodas se acham os ponteiros de segundo, de minutos e de horas do relógio. Por meio de várias relações entre o número de dentes, o tamanho das rodas e sua velocidade de movimento, os ponteiros são movidos na velocidade devida para medirem o tempo.
Mas, como é regulado o fluxo de energia através das rodas, de modo que girem na velocidade correta para registrar corretamente a passagem do tempo?
Eis a tarefa do “escapamento”, o coração e cérebro do relógio. A exatidão do relógio depende de sua precisão, qualidade e condição. Talvez possa visualizar em certa medida a operação do escapamento por considerar de novo a ilustração do carretel de linha preso à parede.
Suponhamos agora que entalhe com cuidado uns dentes na extremidade lateral do carretel. Daí, em baixo do carretel de linha, monte encostado à parede uma forquilha especialmente feita que tenha um pêndulo. Monte-a encostado à parede, com um prego no pivô da forquilha. Coloque a forquilha de modo que seus dois pontos se enredem nos dentes do carretel.
Agora, se puxar a linha, um dente do carretel afastará um ponto da forquilha do carretel, e isto moverá o pêndulo para um lado. Isto fará com que o outro ponto da forquilha se engate num dente do carretel. Ao continuar a puxar a linha, o pêndulo retornará e o primeiro ponto da forquilha se engatará com o seguinte dente do carretel. Ao continuar esta ação, o engate e desengate destas partes fará um rápido tique-taque. Em seu relógio, este tique-taque normalmente ocorre cinco vezes a cada segundo.
Um relógio de pulso em geral emprega um escapamento altamente refinado, usando uma roda de escapamento com quinze dentes e dois rubis nas pontas da forquilha. Num relógio, isto é chamado de âncora. Há outra roda conhecida como balanço, num relógio. Esta está ligada mais ou menos onde se acha o pêndulo em nosso escapamento ilustrado. A velocidade com que se move a roda de balanço de um lado para o outro é governada pelo cabelo. A roda de balanço e o cabelo se acham coordenados para girar de um lado para o outro cinco vezes por segundo, ou 18.000 vezes por hora.
Relógios Automáticos e Elétricos
Alguns relógios modernos são automáticos. Dispõem de um peso giratório ligado à mola mestra. À medida que o usuário move o braço, o peso gira e a mola mestra recebe corda. O relógio automático usualmente custa de Cr$ 75,00 a Cr$ 100,00 mais que o relógio comum de corda, e talvez custe cerca de 50 por cento mais para ser cuidado.
Os relógios elétricos empregam uma pequeníssima célula elétrica de aproximadamente 1,35 volts. Esta energia é ligada numa bobina (eletroímã) montada numa roda de balanço. A roda de balanço então movimenta os ponteiros na forma exatamente ao contrário de um relógio movido pela mola mestra. Em 1957, o relógio elétrico foi introduzido nos EUA.
Certo relógio elétrico utiliza um diapasão que faz movimentar um lingüete de catraca que, por sua vez, movimenta os ponteiros. Não usa um interruptor, mas um transistor para ligar a energia a suas bobinas. Esta combinação resulta num medidor de tempo muito exato. Não apresenta tique-taques, mas sussurros. O ponteiro de segundos não se move aos pulos como se dá com a maioria dos relógios, mas se move suavemente como o ponteiro dos segundos dum relógio elétrico. Este relógio foi introduzido em 1961.
Se Seu Relógio não Anda Certo
Se seu relógio começar a se atrasar ou a adiantar, ou parar por completo, qual é provavelmente o defeito?
Primeiro é bom compreender que muitos relógios contêm cerca de 200 partes diminutas que são mui cuidadosamente unidas e devidamente ajustadas. Embora algumas partes trabalhem sem óleo, os pequeníssimos pivôs que giram nos rubis empregam quantia extremamente pequena de óleo altamente refinado e custoso, usualmente óleo de peixe.
Agora, é possível imaginar o que acontece a este óleo num ano ou dois. Talvez se seque, e o relógio não ande certo ou pare. Manter seu relógio perto de uma fonte de calor fará com o que o óleo se seque mais cedo do que o normal. A falta de óleo é a causa número um dos defeitos de relógios.
O óleo é aplicado pelo relojoeiro que conserta relógios com um pequeno instrumento similar a uma chave de fenda, ou com um tubo de vidro que dispõe de diminuto cano de metal na extremidade, de cerca do tamanho dum cabelo humano. A cada rubi se aplica pequenina gota de óleo de cerca de um quarto do tamanho do ponto do fim desta sentença. Se seu carro exigisse um galão (3,70 litros) deste tipo de óleo para encher o cárter, a mudança de óleo lhe custaria mais de Cr$ 1.000,00!
Se vir embaçamento ou umidade no vidro de seu relógio, leve-o de imediato a um relojoeiro para limpeza. Deve ser limpo ou, de outra forma, o óleo será estragado. Se tiver sido mergulhado em água e não puder levá-lo logo a um relojoeiro para limpeza, pode ser mergulhado em álcool. Este absorverá a umidade, embora prejudique o mostrador e os ponteiros. O custo de reformar o mostrador e os ponteiros, contudo, é bem pequeno em comparação com a substituição de um mecanismo estragado dum relógio.
As mulheres, às vezes, esquecem-se de tirar o relógio quando lavam louça. E os homens que fazem trabalho árduo suam abundantemente, assim expondo seu relógio aos efeitos corrosivos do ácido da transpiração. A neve, embora seja agradável brincar nela, é uma das causas principais de o relógio andar mal em alguns lugares.
Também, a sujeira ou fiapos de tecido no mecanismo do relógio obstruirão as engrenagens pequeníssimas e por fim pararão o relógio. Às vezes, traz-se para conserto um relógio que parou, e encontra-se uma partícula microscópica de material entre o rubi e o eixo do balanço. A obstrução tem de ser removida antes de o relógio andar bem de novo.
A complexidade de um medidor de tempo se reflete no custo dos consertos. Em geral, porém, uma limpeza e lubrificação cabais levarão de uma hora e meia a duas horas e o custo pode variar grandemente, dependendo da localidade.
Entretanto, se um relojoeiro que conserta relógios lhe disser que deu muita corda em seu relógio, peça o relógio de volta e procure outro relojoeiro. Só se pode dar corda num relógio até certo ponto e, se estiver em boas condições, ele andará. Também, se lhe disser que tem de enviá-lo à fábrica, está querendo tomar tempo, ou é incompetente. Encontre alguém que conheça seu ramo.
A Perícia em Consertar Relógios
Talvez fique intrigado com os relógios. Talvez deseje conhecer mais do que apenas a razão de tiquetaquearem. Talvez aprecie trabalhar neles. Consertar relógios é uma perícia que pode ser desenvolvida. É interessante, desafiador e, às, vezes, frustrador. Mas, também pode ser recompensador.
Se quiser mais informações, pode localizar uma casa que venda materiais de relógios na lista telefônica de qualquer das grandes cidades. Peça que lhe recomendem um bom livro ou curso de conserto de relógios. A pessoa poderá começar com cerca de Cr$ 500,00 ou Cr$ 1.000,00 em instrumentos. Levará algum tempo e bastante paciência antes de poder começar a fazer isto como ocupação. Mas, alguns têm usado este ramo para lhes prover um meio de sustento enquanto gastam a maior parte de seu tempo em busca de uma carreira mais importante. Obtiveram serviço de joalheiros que estão ocupados demais ou que são apenas joalheiros e não consertam relógios. O serviço pode ser feito em casa, segundo a conveniência da pessoa.
Mesmo que não se interesse em aprender a consertar relógios, é bom saber o que os faz tiquetaquear. Saber algo sobre eles o ajudará a cuidar melhor do seu relógio.
[Diagrama/Foto na página 18]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
A roda de escapamento e a âncora dum relógio.
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Já fui outrora um escravo dos demôniosDespertai! — 1970 | 22 de dezembro
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Já fui outrora um escravo dos demônios
Conforme narrado ao correspondente de “Despertai!” em Fidji
PROFUNDA sombra os cercava, o círculo de homens sentados era visível principalmente por causa da luz tênue da lamparina de óleo que refletia em seus corpos untados de óleo de coco. O local era uma palhoça fidjiana, um tanto distante dos demais lares do povoado. Passavam de mão em mão meia casca de coco, da qual cada um bebia.
Que cerimônia estranha era esta, que entrava noite adentro, entremeada de ofertas e invocações? E qual era a poção da qual todos partilhavam? Havia algo de sinistro sobre a mesma. A natureza secreta da reunião sugeria que tais homens não estavam ali para fazer nada de bom.
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