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Se você fosse o senhorio e estes fossem seus inquilinos . . .Despertai! — 1982 | 22 de maio
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Se você fosse o senhorio e estes fossem seus inquilinos . . .
SOBRE um rochedo que dá vista para o oceano você construiu uma linda casa em terreno de uns 8 hectares, suavemente ondulado e coberto de bosques. O interior da casa foi impecavelmente decorado por um talentoso artista. Do lado de fora, próximo à casa, há planejados canteiros de flores de deslumbrantes cores, bem como nas jardineiras do peitoril das janelas da própria casa. Pomares e hortas fornecem abundância de alimento.
Ao longe, além dessas áreas cultivadas, árvores altaneiras cercam uma campina através da qual gorgoleja um riacho serpenteando. A brisa do mar faz balançar as flores silvestres que salpicam de cores as clareiras ensolaradas. Onde quer que se olhe é uma festa para os olhos e para o nariz ao se respirar profundamente o ar marítimo perfumado pelas flores, também para os ouvidos, os pássaros enchendo o ar com seu canto e a brisa crepitando nas folhas. E no fundo ouve-se o som abrandado da rebentação das ondas ao rolarem na praia bem abaixo.
Ao examinar o resultado de seu trabalho, sente prazer, tem um sentimento de realização. Deseja que outros gozem disso. Você traz ali uma família numerosa, entregando-lhe tudo, junto com instruções sobre como cuidar das coisas. Daí, você parte.
Mais tarde, retorna ali e fica chocado! O oceano tem um tom marrom-amarelado, manchas de óleo e lixo poluem a praia, as árvores estão cortadas, a campina ficou marrom, o riacho é apenas um filete de água e está poluído. Há lixo em toda a parte. Os pássaros partiram, as flores desapareceram, as árvores frutíferas estão mortas e onde antes era um jardim está coberto de concreto.
A pintura da casa está descascada. Dentro da casa, o assoalho está imundo, as paredes estão marcadas, a mobília está toda arranhada. A cozinha está toda suja com restos de alimentos e a pia cheia de louça suja. Ouve-se de alguns aposentos música estridente, de outros ouvem-se blasfêmias, e em alguns estão sendo praticadas crassas imoralidades e perversões sexuais. A família, aos cuidados de quem se deixou a casa, aumentou grandemente e seus membros brigam e lutam uns com os outros, chegando até mesmo a matar-se entre si.
Ao verificar o estrago causado a sua casa e aos arredores, e notar a decadência moral de seus moradores, que pensamentos lhe vêm à mente? Essa era obra de suas mãos. Você é o dono. Essas pessoas são seus inquilinos. Está claro que não são gratos pelo que fez por eles. Desconsideraram suas instruções quanto a cuidar de sua propriedade. Irá permitir que continuem ali? O que fará?
De modo semelhante, “a Jeová pertence a terra e o que a enche”. (Salmo 24:1) Após tê-la criado, ele “viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom”. (Gênesis 1:31) Ele colocou pessoas na terra e lhes disse que cuidassem dela — as plantas, os animais, o meio ambiente. Agora, passados 6.000 anos, o que é que ele vê? Como se sente ele sobre o que vê? O que fará?
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O que os moradores da terra têm feitoDespertai! — 1982 | 22 de maio
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O que os moradores da terra têm feito
“Nós exploramos a terra, nós a escavamos, queimamo-la, arrancamos as coisas nela, enterramos coisas dentro dela, derrubamos suas florestas, nivelamos suas colinas, enchemos de barro suas águas e poluímos o ar. Isto não descreve minha definição de um bom inquilino. Se estivéssemos aqui em base mensal, teríamos sido despejados há muito tempo.” — Rose Bird, presidente do Supremo Tribunal da Califórnia, E.U.A.
Recentes Manchetes Acumulam a Evidência
UM DILÚVIO DE LIXO PERIGOSO
“Uma pergunta de mau agouro: como dar destino ao crescente dilúvio de lixo radioativo? . . . o lixo enterrado permanecerá radioativo por milhares de anos”, parte dele “por um quarto de milhão de anos”.
RESÍDUOS TÓXICOS ESTÃO PREJUDICANDO A SAÚDE DOS NORTE-AMERICANOS
“Surgirão no futuro mais ‘Canais Love’ na América, cada vez mais carregados de substâncias químicas perigosas para a saúde pública.”
CONSERVAÇÃO SOVIÉTICA: UM URSO SEM GARRAS
“Quase 10 por cento do território habitável da União Soviética já se tornou desabitável por causa da poluição do meio ambiente.”
A POLUIÇÃO ENVOLVE MADRI
“Em uma única semana, acredita-se que 700 pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares morreram em resultado dos efeitos do opressivo nevoeiro enfumaçado.”
A POLUIÇÃO APROXIMA-SE FURTIVAMENTE DO MEDITERRÂNEO
“O Mediterrâneo, com efeito, está bem a caminho de se tornar um vasto esgoto aberto.”
DESFLORESTAMENTO E DESASTRE [NO BRASIL]
“Muitas plantas e pássaros, outrora abundantes, desapareceram, e os seres humanos que vivem ali estão desfigurados por causa de câncer da pele.”
OS DESERTOS QUE AUMENTAM SÃO UMA AMEAÇA PARA MILHARES DE PESSOAS
“Os desertos se expandem na África, na Ásia, na Austrália e nas Américas por causa do uso imprudente da terra.”
A CHUVA [ÁCIDA] ASSASSINA DA NORUEGA
“O ácido surge de toda a Europa, desde o extremo oeste como Belfast até o extremo leste como Moscou.”
FUMAÇA TÓXICA SUFOCA A CIDADE DO MÉXICO
“Um recente relatório sobre a poluição do ar no México dizia que era ‘uma causa indireta da morte de 150.000 crianças anualmente’ e ‘afeta seriamente a 175.000 adultos cada ano’.”
A DIOXINA APARECE NOS GRANDES LAGOS
“Uma série de notícias no Canadá e nos Estados Unidos está classificando a bacia dos Grandes Lagos como sendo a área mais poluída do mundo ocidental.”
O USO IRRESTRITO DE PESTICIDAS NA GUATEMALA COBRA UM TRIBUTO MORTAL
Durante o período de 90 dias de cultivo do algodão, “tratamos de 30 ou 40 pessoas por dia envenenadas por pesticidas”.
KARACHI CONFRONTA-SE COM CRISE DE POLUIÇÃO DE ÁGUA
“A água para beber, em Karachi, a maior cidade e principal porto do Paquistão, está muitíssimo poluída pelas águas de esgoto não tratadas e por resíduos industriais.”
MAIS EVIDÊNCIA DE PERIGOS DE POLUIÇÃO POR CHUMBO
“O chumbo é responsável pelo dano sutil causado ao cérebro das crianças.”
SUPERINSETOS
“Insetos que outrora eram dizimados pelos pesticidas desenvolveram imunidades, habilitando-os a se multiplicar com rapidez fantástica.”
ESPERMA É ESPECIALMENTE VULNERÁVEL AO MEIO AMBIENTE
“Abortos, deformações, esterilidade relacionados com o dano causado pelas toxinas.”
CONSIDERADO AMEAÇA AO CLIMA MUNDIAL O USO DE COMBUSTÍVEL FÓSSIL
“Um acúmulo de bióxido de carbono nos próximos 200 anos poderá levar a mudanças dramáticas no clima da terra, . . . a calota glacial flutuante do Ártico poderá derreter.”
NENHUM DERRAMAMENTO DE ÓLEO EM ALTO MAR JAMAIS FOI LIMPADO A UM GRAU DIGNO DE NOTA
“Os organismos marinhos . . . acumulam hidrocarbonetos de óleo nos seus tecidos. Esses peixes e mariscos representam um perigo para a saúde pública, porque alguns desses hidrocarbonetos são carcinogênicos.”
DESCOBRIU-SE QUE A EXPOSIÇÃO AO BARULHO REPRESENTA NOVOS PERIGOS PARA A SAÚDE
“Relacionada não só com a perda da audição, mas também com hipertensão, distúrbios nervosos, dificuldade de aprendizagem, insônia, bebês nascidos com peso abaixo do normal e talvez até mesmo algumas formas de doenças cardíacas.”
A POLUIÇÃO DOS OCEANOS É UMA AMEAÇA ENORME
“Mas poucos se importam; ‘seguem-se normalmente os empreendimentos’, o aniquilamento é impendente.”
AS NOTÍCIAS INCENTIVAM AÇÃO GLOBAL SOBRE OS RECURSOS
“O tempo se esgota para uma ação internacional para impedir um mundo de fome, superpovoado, poluído e carente de recursos.”
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Os moradores da terra fazem as coisas ir de mal a piorDespertai! — 1982 | 22 de maio
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Os moradores da terra fazem as coisas ir de mal a pior
Suas soluções não só agem como um bumerangue; põem também em ação uma cadeia de reações calamitosas que reclamam milhões de vítimas.
O LIVRO Primavera Silenciosa (em inglês), profundamente comovedor, de Rachel Carson, marcou um ponto crítico na preocupação mundial quanto ao meio ambiente. Foi o seu livro que alertou o mundo pela primeira vez sobre o perigo dos pesticidas. Mas, o mundo em geral não deu consideração, e essa situação má continua a piorar.
Pragas de insetos destroem safras. Para acabarem com as pragas, os agricultores borrifam com pesticidas. Os insetos morrem aos milhões, mas alguns possuem imunidade natural e sobrevivem. Transmitem essa imunidade à sua prole, e logo uma raça de superinsetos consome as safras. O remédio agiu como um bumerangue. Uma situação má foi tornada pior.
Mas fez mais do que um bumerangue. Desencadeou uma série de reações em cadeia em criar novas calamidades e em fazer novas vítimas. Os pesticidas matam insetos valiosos que acabavam com as pragas, as chuvas lavam os venenos, levando-os para dentro do solo onde prejudicam as bactérias do solo, a água os leva para os lagos e os oceanos, onde são destruídos os microrganismos e os plânctons, e os peixes são contaminados. As aves de rapina comem os peixes e não podem chocar ovos. As pessoas comem os peixes e os pesticidas. Ou os venenos entram nas pessoas através de outra cadeia de alimentos — os pesticidas caem sobre o pasto, o gado come o pasto, os venenos entram no leite e na carne, que as pessoas bebem ou comem.
Os pesticidas são apenas uma pequena parte do problema da poluição. Só as manchetes de jornais já revelam a extensão da poluição mundial. Não temos por objetivo recapitular aqui o que já se publicou amplamente. Alguns estão cada vez mais cientes, porém, de crises grandes que se avultam, a saber: A perda do solo arável. O desaparecimento de espécies de plantas e de animais. A perda do interesse pelos outros. Queira considerar estes brevemente.
O solo arável vem sendo perdido em toda a terra, mas concentremo-nos nos Estados Unidos, que têm sido chamados “o celeiro das multidões famintas do mundo”. Mais de um milhão de hectares de terras agrícolas anualmente são pavimentados, subdivididos ou industrializados. Mais de um milhão e meio de hectares se perdem anualmente devido à erosão. Em Illinois, 181 milhões de toneladas são perdidos anualmente — duas vezes mais terra do que a quantidade de milho produzido. Há um século, Iowa tinha em média 40 centímetros de camada superficial de solo; agora tem cerca de 20. A cada segundo, 15 toneladas de camada superficial de solo fluem para fora da foz do rio Mississipi. “O melhor solo arável de Iowa”, dizem os agricultores, “acha-se no Golfo do México”.
E o solo arável retido está sendo arruinado. Um solo sadio prolifera com vida — algas, vermes, insetos, bactérias, fungos, bolores, fermentos, protozoários e outros organismos minúsculos. É esta vasta comunidade de organismos vivos — cinco bilhões numa colher das de chá de solo da zona temperada, segundo a estimativa de alguns — que faz a matéria orgânica entrar em decomposição, transformando-se em humo. O humo é essencial. É nutrição para as plantas e impede a erosão.
Certa autoridade no assunto disse: “A perda de solo aumentou 22% em princípios da década de 1970 com [o início] da agricultura intensiva.” Os fertilizantes industrializados não substituem o humo. Quando se usa o sulfato de amônio, o sulfato se torna um ácido sulfúrico, que mata os organismos do solo que produzem o humo. Os pesticidas também ceifam a vida no solo. A abertura de sulcos profundos faz enterrar os organismos do solo vários centímetros abaixo do seu habitat natural — os oito centímetros superficiais do solo. Também expõe a terra solta aos ventos e às águas de erosão. Os fertilizantes de nitrato não são todos absorvidos pelas plantas — até metade é dissolvida nos abastecimentos de água que acabam indo para os lagos. Ali produz excessivo crescimento de algas, e, quando as algas morrem e se decompõem, o oxigênio na água se esgota e os peixes morrem. Deste modo, criam-se lagos mortos.
As conseqüências do abuso do solo são de grande alcance. De muito maior alcance, porém, é a perda de material genético das plantas e dos animais.
As altamente produtivas variedades de safras de produtos alimentícios, desenvolvidas nos últimos 20 anos, são de espécies que cresciam sem cultivo por milhares de anos. As plantas silvestres tinham uma resistência natural às doenças e às pragas, mas, as novas plantas híbridas do homem, intensamente cultivadas em solo estragado, precisam ser protegidas com herbicidas e com inseticidas. Em muitos casos, as espécies silvestres que eram usadas em primeiro lugar para a geração de novas plantas híbridas tornaram-se elas próprias extintas, levando consigo talvez as substâncias mais preciosas da terra, seu plasma germinativo. Sem uma grande reserva desse material genético das plantas silvestres, o homem não terá as matérias-primas para desenvolver novos híbridos, a fim de fazer face aos novos desafios que representam os superinsetos, as doenças das plantas, o clima e o aumento das populações.
Mais de 95 por cento da alimentação humana provém de 30 espécies vegetais cultivadas e de sete espécies de animais. Há perigo em depender de tão poucas fontes de alimentos, especialmente em vista do intensivo plantio e da endogamia que enfraquecem a resistência às pragas, à doença e às mudanças climáticas.
Um exemplo do valor das espécies silvestres é a couve primitiva. Dela se desenvolveram os brócolos, a couve-de-bruxelas, a couve-rábano, a couve, o repolho e a couve-flor. Também, de uma planta silvestre perene, aparentada com o milho, espera-se desenvolver uma espécie de milho altamente produtiva e perene, não precisando ser recultivada cada ano por meio de sementes.
Uma vez extinta certa espécie de planta ou de animal, sua combinação genética fica perdida para sempre. E é isso que está acontecendo em toda a terra. Mais de 200 espécies de animais se tornaram extintas nos últimos três ou quatro séculos. Mais de 800 estão atualmente em perigo de extinção. A maior ameaça tanto para os animais como para as plantas é a perda de seu habitat.
Cada ano, mais de 10 milhões de hectares de floresta tropical se perdem. Nas zonas temperadas do mundo, há 1,5 milhão de espécies de organismos; as florestas tropicais contêm 3 milhões. Podem fazer grandes contribuições para o desenvolvimento de novos remédios e de novas fontes de alimentos. Mas as florestas estão desaparecendo, e junto com elas suas combinações genéticas. Talvez nunca venhamos a saber se havia uma planta não muito conhecida nas Filipinas que pudesse curar câncer ou um fungo desconhecido no Amazonas que pudesse prevenir ataques cardíacos. Além da guerra nuclear, talvez seja a pior crise criada pelo homem.
Mais do que isso: Quando as florestas tropicais são destruídas, as chuvas causam erosão do solo, que já é pobre em si e não produzirá safras nem sustentará o gado por mais do que alguns anos. Daí, os agricultores e os criadores de gado se mudam de lá e repetem o ciclo de destruição. O prognóstico é que aquilo que era a selva amazônica se tornará o deserto amazônico. E mais ainda: Quando as florestas são queimadas, grandes quantidades de bióxido de carbono são liberadas na atmosfera. Isto aumenta as vastas quantidades já lançadas nela pela indústria. Desde o início da Revolução Industrial em fins de 1700, o bióxido de carbono no ar aumentou de 15 para 25 por cento. Essa crescente camada de bióxido de carbono poderá mudar o clima e pôr em perigo a produção de alimentos e a nossa sobrevivência.
No ano passado, o ecólogo Norman Meyers disse numa conferência global: “Dos cinco milhões de espécies da terra, bem poderemos acabar perdendo pelo menos um milhão por volta do fim do século. Já estamos perdendo uma espécie por dia, e, até o fim da década de 1980, poderemos perder uma espécie por hora. . . . As espécies e florestas tropicais são as grandes questões latentes do atual século vinte. É difícil imaginar duas questões de maior importância em potencial para a humanidade, contudo menos reconhecidas pelo público em geral e seus líderes políticos.”
Quer os políticos do mundo reconheçam isto, quer não, têm outras prioridades. O presidente Reagan chamou os regulamentos do meio ambiente, segundo se informa, um albatroz em volta do pescoço da indústria norte-americana. De modo geral, seu alvo é menos regulamentação, menos exigência, normas mais baixas e redução de penalidades. O secretário do interior, James Watt, já se pôs a destruir as proteções do meio ambiente para plantas, animais, ar, água e solo — e para as pessoas. Outros países estão também embaralhando novamente suas prioridades para colocar a economia à frente do meio ambiente.
Contudo, no “Relatório Sobre o Estado do meio Ambiente do Mundo”, feito anualmente, o Programa das Nações Unidas Sobre o meio Ambiente afirmava que os danos da poluição nos países desenvolvidos custam mais do que a proteção do meio ambiente. O relatório indicava também a tendência — a relocalização de indústrias poluentes dos países desenvolvidos para os em desenvolvimento. Diz que os japoneses fazem isso. Também as indústrias norte-americanas, que representam perigo para o meio ambiente, estão sendo relocalizadas no México, no Brasil e em outros países em desenvolvimento.
Não reflete isso a indiferença calejada para com o bem-estar das pessoas? Uma falta de preocupação pelos outros? Falta de amor ao próximo, mas apenas amor ao dinheiro? Um caso de lucros em precedência às pessoas? Uma ilustração de tal desconsideração pelos outros é a cidade de Cubatão, no Brasil. A indústria estrangeira tem poluído tanto a cidade que seus quatro rios estão mortos. Os peixes apanhados de um escoadouro oceânico nas proximidades são cegos ou malformados por terem ingerido mercúrio. Não há pássaros, não há borboletas, nem insetos de espécie alguma, e quando chove é uma chuva ácida. Muitos bebês nascem malformados ou mortos, muitos outros morrem no prazo de uma semana. Visto que tal poluição flagrante não é permitida em nações desenvolvidas, o diretor-chefe de uma das companhias de aço de Cubatão disse bem calejadamente que “a fundição de ferro é uma atividade mais conveniente para países do terceiro mundo”.
Precisamos de um retorno aos antigos valores. O amor ao próximo é o único proceder prático. Cuidar do meio ambiente é para a nossa sobrevivência. Acontece com muita freqüência que, antes de se ver o perigo, o dano já foi causado. E, mesmo depois de ser visto o perigo, o dano continua a ser causado. A trama da vida está bem urdida. Ponha uns poucos em perigo e estará pondo em perigo a muitos. No começo, são apenas algumas borboletas, daí, somos nós. Todos ficam envolvidos eventualmente.
“Será realmente necessário”, pergunta Romain Gary, “continuar a dizer que nenhum homem fica excluído? Quantos avisos precisamos? Quantas provas e estatísticas, quantas mortes, quanta beleza desaparecida, quantos ‘últimos espécimes’ nesses tristes zoológicos? . . . O coração ou fala ou não. . . . É um absurdo abarrotar nossos museus de arte, gastar bilhões em beleza e daí deixar que a beleza seja destruída injustificadamente em todo o seu vivo esplendor.” — Extraído da introdução do livro Vanishing Species.
A pergunta de suma importância, porém, é: O que fará o Dono da terra quanto à poluição da terra que lhe pertence?
[Destaque na página 6]
“O melhor solo arável de Iowa acha-se no Golfo do México.”
[Destaque na página 8]
“Quantas mortes, quanta beleza desaparecida, quantos ‘últimos espécimes’ nesses tristes zoológicos?”
[Destaque na página 9]
Cada ano, mais de 10 milhões de hectares de floresta tropical se perdem.
[Foto na página 7]
Da couve primitiva provêm
Brócolos
Couve-de-bruxelas
Couve-rábano
Couve
Repolho
Couve-flor
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O que o dono da terra faráDespertai! — 1982 | 22 de maio
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O que o dono da terra fará
Coloque-se no lugar dele e pergunte-se: O que faria eu?
O PRIMEIRO artigo desta edição fala de um lindo lar que você proveu para inquilinos que passaram a arruiná-lo. Sem dúvida, você os despejaria. Os artigos que se seguiram mostram alguns dos estragos que as pessoas fizeram na terra. Qual é pior, uma família estragar sua casa ou a humanidade arruinar a terra? Se você não toleraria que inquilinos estragassem a sua casa, não pode ver por que Deus não permitirá que os que arruínam a sua terra permaneçam nela?
Isto é exatamente o que Jeová disse, que não permitirá que continue indefinidamente tal arruinar de sua terra. Outrossim, ele fixou um tempo para pôr fim a isso, um tempo conhecido como “os últimos dias”. Guerras, fomes, terremotos, doenças, colapso moral, delinqüência juvenil, crime em ascensão, uma sociedade que busca prazeres e diz primeiro eu, que não tem tempo para Deus nem para coisas piedosas — estas eram as características que foram preditas que marcariam os “últimos dias” deste atual sistema. O efeito geral de tudo isso é exatamente o que foi predito para este sistema e que nós vemos agora — “angústia de nações, não sabendo o que fazer”, e povos em toda a parte “ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada”. — 2 Timóteo 3:1-5; Mateus 24:3-14; Lucas 21:25-27.
Há os que escarnecem disso? Sua presença também foi predita para o tempo atual: “Sabeis primeiramente isto, que nos últimos dias virão ridicularizadores com os seus escárnios, procedendo segundo os seus próprios desejos e dizendo: ‘Onde está essa prometida presença dele? Ora, desde o dia em que os nossos antepassados adormeceram na morte, todas as coisas estão continuando exatamente como desde o princípio da criação.’” (2 Pedro 3:3, 4) Os escarnecedores estão presentes, conforme se predisse isso, e sentem prazer em dizer que todas estas coisas já aconteceram antes.
Mas não é assim, não no grau em que existem agora em toda a terra, e outra coisa se acrescentou, que nunca antes houve. John Oakes, ex-redator principal do Times de Nova Iorque, identificou esta coisa nova: “A crise do meio ambiente . . . é diferente em espécie e em grau de tudo o que sucedeu antes na história da raça humana.” Jeová Deus declarou esta coisa adicional como mais uma evidência dos “últimos dias”. Após mencionar a entronização de Cristo e o desassossego internacional, o livro bíblico de Revelação (Apocalipse) declara que chegou também o tempo “para arruinar os que arruínam a terra”. (Revelação 11:18) Os homens talvez tenham estado dispostos a arruiná-la antes, na sua cobiça e no seu amor ao dinheiro, mas não tinham o poder de fazer isso. Agora, porém, sua tecnologia científica lhes deu o poder de arruinar a terra, e fazem isso ao passo que a exploram cobiçosamente. E, conforme mostra também a profecia, é Jeová quem porá fim ao seu proceder destrutivo.
Jeová Deus não criou a terra num impulso do momento. Ele não a fez para permitir que se tornasse um ermo. Agiu com um propósito em vista. “Deus, o Formador da terra e Aquele que a fez, . . . não a criou simplesmente para nada, [mas] a formou mesmo para ser habitada.” E há de continuar para sempre numa condição de lindo paraíso habitado. — Isaías 45:18; Salmo 104:5; Eclesiastes 1:4.
O primeiro homem na terra foi colocado no jardim do Éden e foi-lhe dito que “o cultivasse e tomasse conta dele”. As plantas haviam de servir de alimento para todas as criaturas viventes, não apenas para o homem. Algumas plantas eram para embelezamento — quão gloriosamente vestiu ele os lírios do campo! A terra tinha de ser cuidada. Mais tarde, Deus decretou que cada sétimo ano havia de ser “um sábado de completo repouso para a terra”. — Gênesis 1:30; 2:15-17; Mateus 6:28-30; Levítico 25:3-7.
Será que as pessoas cuidaram da terra segundo essas ordens?
Era necessário mostrar consideração pelos animais. Deus chama de justo o homem que cuida dos animais, mas taxa de iníquos os que são cruéis. Sua lei dada através de Moisés provia a preservação das espécies — as aves mães deviam ser poupadas. Não se devia arar com junta de touro e de jumento — seria injusto para o animal menor e mais fraco. Não se devia açaimar o boi ao debulhar o cereal — ele tem direito de comer ao passo que trabalha. Sob a Lei, os animais domésticos tinham de descansar junto com seus donos no sábado, e os homens tinham de trabalhar para ajudar um animal em dificuldade, mesmo que fosse num dia de sábado. — Mateus 10:29; Provérbios 12:10; Deuteronômio 22:6, 7, 10; 25:4; Êxodo 23:12, 5; Lucas 14:5.
São esses princípios seguidos hoje?
Deus deu instruções sobre como devem as pessoas tratar-se reciprocamente. Jesus expressou isso do seguinte modo: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” E, assim como nós gostaríamos de ver apreço da parte dos moradores em nossa linda casa, da mesma forma devemos mostrar-nos gratos ao Dono da Terra, Jeová Deus. “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração”, disse Jesus. (Mateus 7:12; 22:37-39) É interessante que para fazer isso é preciso também que ame o seu próximo, “pois, quem não ama o seu irmão, a quem tem visto, não pode estar amando a Deus, a quem não tem visto”. — 1 João 4:20.
Vemos tal espécie de amor orientar a atual poluição que o homem causa no ar, na água e no solo? E será que vemos isso na destruição calejada, indiferente e mesmo cruel que ele está causando hoje às plantas, aos animais e às pessoas? E, especialmente, será que o vemos da parte dos industriais que transferem suas operações às vulneráveis nações em desenvolvimento do terceiro mundo, onde podem poluir, mutilar e matar flagrantemente sem os regulamentos importunos sobre o meio ambiente para restringir seu saque dessas terras e de seu povo indefeso?
Finalmente, há outra espécie de poluição que arruína a terra — a poluição moral. Também se requer que sejam retirados os moradores da terra. Quando Deus disse aos israelitas que tomassem a Terra Prometida de Canaã, ele não estava retirando insensivelmente um povo para dar lugar a outro. Os cananeus foram lançados fora porque haviam poluído a terra com sua crassa imoralidade e seu derramamento de sangue por causa de religião. Após alistar alguns desses crimes hediondos, Deus advertiu a Israel: “Não vos façais impuros por qualquer destas coisas, porque por todas estas coisas se fizeram impuras as nações que ponho para fora diante de vós. Por conseguinte, a terra é impura e eu trarei sobre ela punição pelo seu erro, e a terra vomitará os seus habitantes.” — Levítico 18:24, 25.
Mas Israel agiu como aquelas nações: serviu ídolos, derramou sangue inocente, praticou crassas imoralidades, até que novamente “a terra ficou poluída”. E, visto que Deus é imparcial, Israel foi vomitado da terra, assim como foram antes dele os cananeus. “Eis que”, disse o profeta, “Jeová está esvaziando a terra e devastando-a, e ele entortou a face dela e espalhou os seus habitantes. E a própria terra foi poluída sob os seus habitantes, pois deixaram de lado as leis, mudaram o regulamento, violaram o pacto de duração indefinida. Por isso é que a própria maldição consumiu a terra e os que habitam nela são considerados culpados.” — Salmo 106:35-39; Isaías 24:1, 5, 6.
Assim como você não deixaria inquilinos permanecer na sua linda residência se estes arruinassem a sua beleza e transformassem seus aposentos em bordéis, da mesma forma Jeová expulsará os moradores da terra que a poluem. Depois disso, ela se tornará um lindo lar paradísico para toda a humanidade que mostrará apreço e cuidará dela. “Apenas mais um pouco”, entoa o salmista, “e o iníquo não mais existirá; e estarás certamente atento ao seu lugar, e ele não existirá. Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz. Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre”. — Salmo 37:10, 11, 29.
A terra é para todas as criaturas viventes; toda a criação deve louvar seu Deus Criador, Jeová. ‘Louvem-no, céus, terra, animais marítimos, aves, animais e todas as gentes’, diz o Salmo 148. E o último versículo do último Salmo da Bíblia ressoa o glorioso final: “Toda coisa que respira — louve ela a Já. Louvai a Já!” — Salmo 150:6.
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