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Tempo IndefinidoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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A palavra ‘ohlám às vezes é associada com aquilo que é eterno. Escreveu o profeta Isaías: “Jeová, o Criador das extremidades da terra, é Deus por tempo indefinido.” (Isa. 40:28) Jeová é “de tempo indefinido a tempo indefinido”. (Sal. 90:2) Uma vez que Jeová é imortal e não morre, ele continuará a ser Deus por toda a eternidade. (Hab. 1:12; 1 Tim. 1:17) No entanto, a expressão hebraica ‘ohlám não significa, em si mesma, “para sempre”. Amiúde se refere a coisas que têm fim, mas o período de existência de tais coisas pode ser mencionado como sendo de ‘tempo indefinido’ porque o tempo de seu fim não se acha então especificado. A título de exemplo, o pacto da Lei, de ‘duração indefinida’, chegou ao fim com a morte de Jesus e ter ele firmado um novo pacto. (Êxo. 31:16, 17; Rom. 10:4; Gál. 5:18; Col. 2:16, 17; Heb. 9:15) O sacerdócio arônico, de ‘duração indefinida’ chegou, similarmente, ao fim. — Êxo. 40:15; Heb. 7:11-24; 10:1.
Outro termo hebraico, ‘adh, indica um ilimitado tempo futuro, e sempiternidade ou eternidade. (1 Crô. 28:9; Sal. 19:9; Isa. 9:6; 45:17; Hab. 3:6) Às vezes, como no Salmo 45:6, as palavras ‘ohlám e ‘adh aparecem juntas e podem ser traduzidas “que dura pela era, e para sempre” (Young, em inglês), “que perdura pela era e mais além” (Rotherham, em inglês) e “por tempo indefinido, para todo o sempre”. (NM) A respeito da terra, declarou o salmista: “Não será abalada, por tempo indefinido ou para todo, o sempre.” — Sal. 104:5.
O termo hebraico nétsahh pode também indicar a sempiternidade. Entre as formas que pode ser traduzido acham-se “para sempre” (Jó 4:20; 14:20), “perpetuamente” (Isa. 57:16), e “sempre”. (Sal. 9:18) Às vezes, nétsahh e ‘ohlám ocorrem de forma paralela (Sal. 49:8, 9) ou os termos nétsahh e ‘adh aparecem juntos. (Amós 1:11) Todas as três palavras são encontradas no Salmo 9:5, 6: “Censuraste nações, . . . Extinguistes o nome deles por tempo indefinido [‘ohlám], para todo o sempre [‘edh (‘adh)]. Ó tu, inimigo, tuas desolações chegaram ao seu fim perpétuo [nétsahh].”
Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra aión pode indicar um período de tempo de duração indefinida ou indeterminada, um período de tempo remoto, porém não infindável. Para exemplificar: Em Lucas 1:70 e em Atos 3:21, aión pode ser traduzida ‘da antiguidade’ (ALA; NM), “dos tempos antigos” (NM), “desde séculos”, “outrora” (BV). Amiúde, contudo, o contexto sugere que o termo aión deva ser entendido como referindo-se a um período de tempo de duração indefinida, por tal período ter duração infindável (Luc. 1:55; João 6:50, 51; 12:34; 1 João 2:17) Similarmente, o adjetivo aiónios (tirado de aión) pode, como se evidencia do contexto, significar tanto “de longa duração” (Rom. 16:25; 2 Tim. 1:9; Tito 1:2), como “eterno(a)”. (Mat. 18:8; 19:16, 29) Outro adjetivo grego, aídios, significa especificamente “eterno” ou “sempiterno”. — Rom. 1:20; Judas 6; Al; BV; NM; para uma consideração adicional de aión veja SISTEMAS DE COISAS.
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Tempos Designados Das NaçõesAjuda ao Entendimento da Bíblia
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TEMPOS DESIGNADOS DAS NAÇÕES
Depois de considerar a destruição que sobreviria à cidade de Jerusalém, Jesus fez então a seguinte declaração: “E Jerusalém será pisada pelas nações, até se cumprirem os tempos designados das nações [“os tempos dos gentios”, Al].” (Luc. 21:24) O período indicado pela expressão ‘tempos das nações [Gr., kairoí e-thnón]’ suscita consideráveis discussões quanto ao seu significado e as suas implicações.
O SIGNIFICADO DE “TEMPOS”
A palavra “tempos”, neste caso, provém da palavra grega kairós (plural, kairoí), que, de acordo com An Expository Dictionary of New Testament Words (Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento, de W. E. Vine, 1962, VoL IV, p. 138), “significava um período fixo ou definido, uma época, às vezes um tempo oportuno ou adequado”. Em vista do significado da palavra “tempos” (kairoí), conforme empregada no texto bíblico, pode-se apropriadamente esperar que a expressão “os tempos designados das nações” se refira, não a algo vago ou indefinido, mas, em vez disso, a um “período fixo ou definido”, um “tempo exato ou crítico” [Greek-English Lexicon (Léxico Greco-Inglês), de Liddell e Scott, 9.a ed., p. 859], um tempo que possui um começo definido e um fim definido.
AS “NAÇÕES” E “JERUSALÉM”
O significado da declaração de Jesus acha-se, necessariamente, interligado com sua referência a ‘Jerusalém ser pisada’, o que ele declarou que perduraria até cumprirem-se os “tempos designados das nações”. O termo “nações” ou “gentios” traduz o vocábulo grego éthne, que significa “povos” ou “nações”, e era usado pelos escritores bíblicos para referir-se especificamente às nações não-judias.
Jerusalém era a capital da nação de Israel cujos reis da linhagem de Davi, segundo se dizia, ‘sentavam-se no trono de Jeová’ (1 Crô. 29:23), e, como tais, representavam a sede do governo divinamente constituído, ou reino típico de Deus, que operava mediante a casa de Davi. Tendo o seu monte Sião, era ‘a cidade do grandioso Rei’. (Sal. 48:1, 2) Por isso, Jerusalém veio a simbolizar o reino da dinastia do Rei Davi, assim como Washington, Londres, Paris e Moscou representam os poderes governamentais das hodiernas nações e são assim mencionados nos comunicados noticiosos.
Começo do ‘pisar’
O ‘pisar’ sobre aquele reino da dinastia dos regentes davídicos não começou com a devastação da cidade de Jerusalém pelos romanos, em 70 ÉC. Começou séculos antes, com a derrubada daquela dinastia pelos babilônios, em 607 AEC, quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém e levou cativo o destronado Rei Zedequias, e a terra foi deixada desolada. (2 Reis 25:1-26; veja CRONOLOGIA. ) Isto concordava com as palavras proféticas dirigidas a Zedequias, em Ezequiel 21:25-27, a saber: “Remove o turbante e retira a coroa. Esta não será a mesma. . . . Uma ruína, uma ruína, uma ruína a farei. Também, quanto a esta, certamente não virá a ser de ninguém, até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.” Aquele que tem o “direito legal” à coroa davídica, perdida por Zedequias, é explicado nas Escrituras Gregas Cristãs como sendo Cristo Jesus, a respeito de quem o anjo, ao anunciar seu futuro nascimento, disse: “Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacô para sempre, e não haverá fim do seu reino.” — Luc. 1:32, 33.
Com a queda de Jerusalém em 607 AEC, as potências gentias exerceram o domínio sobre toda a terra. A dinastia e a regência davídicas sofreram interrupção e, assim, Jerusalém, ou aquilo que ela representava, continuaria a ser ‘pisada’, enquanto o reino de Deus, funcionando através da casa de Davi, fosse mantido em rebaixada condição inoperante sob as potências gentias. — Compare com Ezequiel 17:12-21; também a descrição da queda da Medo Pérsia, em Daniel 8:7, 20.
SUA RELAÇAO COM AS PROFECIAS DE DANIEL
Pelo menos duas vezes, nesta profecia a respeito do tempo do fim, Jesus se referiu ao conteúdo do livro do profeta Daniel. (Compare Mateus 24:15, 21 com Daniel 11:31; 12:1.) No livro de Daniel, encontramos um quadro pintado sobre o domínio da terra pelas potências gentias durante seus “tempos designados”. O segundo capítulo de Daniel contém a visão profética (recebida pelo Rei Nabucodonosor) da grande imagem que Daniel, por inspiração, mostrou representar a marcha das potências mundiais gentias, terminando com a destruição delas por parte do reino estabelecido pelo “Deus do céu”, reino este que então governa toda a terra. (Dan. 2:31-45) É digno de nota que a imagem começa com o Império Babilônico, a primeira potência mundial a ‘pisar Jerusalém’ por derrubar a dinastia davídica e deixar vago o “trono de Jeová” em Jerusalém. Isto também confirma o início dos “tempos designados das nações”, no ano da destruição de Jerusalém, 607 AEC.
Visão-sonho da árvore, em Daniel, capítulo 4
Novamente, no livro de Daniel, encontramos íntimo paralelo com a utilização, por parte de Jesus, da palavra “tempos”, com referência às “nações” ou potências gentias. E, novamente, é a Nabucodonosor, o destronador de Zedequias, descendente de Davi, que foi dada outra visão, interpretada por Daniel, relacionada com a realeza divinamente nomeada. A visão simbólica era duma imensa árvore que um anjo do céu mandou derrubar. Seu toco foi então cingido com uma banda de ferro e uma de cobre, e tinha de continuar assim entre a relva do campo até se passarem “sete tempos”. “Mude-se-lhe o coração daquele do gênero humano e dê-se-lhe um coração de animal, e passem sobre ele sete tempos. . . . para que os viventes saibam que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e que ele o dá a quem quiser, e estabelece nele até mesmo o mais humilde dos homens.” — Queira ler a visão completa em Daniel 4:10-17.
Cumprimento relacionado com os “tempos designados das nações”
A visão teve definitivamente um cumprimento no próprio Nabucodonosor. (Veja Daniel 4:31-35.) Por conseguinte, alguns a encaram como tendo aplicação profética imediata apenas a ele, e vêem nesta visão simplesmente a apresentação da verdade eterna da ‘supremacia de Deus sobre todos os demais poderes, seja humanos, seja supostamente divinos’. Reconhecem a aplicação dessa verdade ou princípio além do próprio caso de Nabucodonosor, mas não a reputam como se relacionando com qualquer período de tempo ou cronograma divino específico. Todavia, um exame detido de todo o livro de Daniel revela que o elemento tempo é destacado em toda parte, nas visões e nas profecias que apresenta, e se demonstra que as potências e os eventos mundiais descritos em cada uma de tais visões não são algo isolado, nem ocorrem ao acaso, ficando ambíguo o elemento tempo, mas que, em vez disso, são algo que se ajusta ao ambiente histórico ou à seqüência cronológica. (Compare com Daniel 2:36-45; 7:3-12, 17-26; 8:3-14, 20-25; 9:2, 24-27; 11:2-45; 12:7-13.) Adicionalmente, o livro repetidas vezes aponta para a conclusão que constitui o tema de suas profecias: o estabelecimento dum Reino universal e eterno de Deus, exercido mediante a regência do ‘filho do homem’. (2:35, 44, 45; 4:17, 25, 32; 7:9-14, 18, 22, 27; 12:1) O livro também se distingue nas Escrituras Hebraicas pelas referências ao “tempo do fim”. — 8:19; 11:35, 40; 12:4, 9.
Em vista do acima, não parece lógico avaliar a visão da “árvore” simbólica e sua referência a “sete tempos” como não tendo nenhuma outra aplicação, a não ser aos sete anos de loucura — e de subsequente recuperação e retorno ao poder — experimentados por um governante babilônico, especialmente à luz da referência profética feita pelo próprio Jesus aos “tempos designados das nações”. O tempo em que tal visão foi dada: no ponto crítico da História, quando Deus, o Soberano Universal, tinha permitido que se derrubasse o próprio reino que Ele estabelecera entre seu povo pactuado; a pessoa a quem foi revelada a visão: o próprio governante que serviu como o instrumento divino para tal derrubada, e que, desta forma, tornou-se o recebedor do domínio mundial por permissão divina, isto
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