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África do Sul e territórios vizinhos (Parte Um)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1977
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África do Sul e territórios vizinhos (Parte Um)
Venha conosco a uma terra de curiosos contrastes — cidades movimentadas e lugares remotos na selva, moradias modernas e humildes choupanas africanas. Ande no meio de pessoas de muitas raças. Escute, e ouvirá milhões de pessoas que falam inglês ou africâner (derivado do holandês antigo). Outros, dentre os 26.000.000 de habitantes deste país, ficam à vontade com línguas tais como o xosa e o zulu.
Esta é a África do Sul. Abrange 1.221.000 quilômetros quadrados e é o lar de pessoas interessantes, amiúde amáveis. Entre elas há muitas que anseiam coisas boas da espécie espiritual, e seus desejos estão sendo satisfeitos pela verdade bíblica proclamada pelas cristãs Testemunhas de Jeová.
Primeiramente, um pouco de história: Durante os séculos dezoito e dezenove, a África do Sul foi cenário de muitas lutas. À medida que a “onda” negra da população se movia para o sul, partindo da África central, e a “onda” branca se espalhava para o norte, provinda do Cabo, elas se chocaram em cruéis guerras sanguinolentas. A pior delas foi a Guerra Anglo-Bôer de 1899-1902, entre os ingleses e os bôeres, os agricultores holandeses. Em resultado disso, as quatro colônias de Natal, o Estado Livre de Orange, o Transvaal e o Cabo ficaram sob regência britânica. Em 1910, tornaram-se uma só nação. Meio século depois, em 1961, o país se tornou a República da África do Sul. Isto se deu pelo voto majoritário dos brancos. Os negros não podem votar, exceto em suas “homelands” (terras natais), grandes territórios reservados para cada tribo africana.
BREVE VIAGEM
Assim, façamos uma breve viagem pela África do Sul. Começaremos na Cidade do Cabo, próxima à extremidade sul do continente. A Cidade do Cabo é a capital legislativa, a cidade mais antiga do país. A mais de 800 quilômetros para o nordeste acha-se Bloemfontein, a capital do Estado Livre de Orange, cidade considerada a capital judicial do país. Pretória, ainda mais para o nordeste, é capital do Transvaal e é a capital administrativa da república.
A principal caraterística topográfica da África do Sul é o planalto interior. Da planície costeira, no leste, a terra sobe agudamente para formar maciças cadeias montanhosas, variando em altitude de mais de 1.500 a 3.300 metros. O planalto inclina-se gradualmente em direção para oeste. Certa vez, a maior parte dele era constituída de pastos ondulantes que pululavam de grandes rebanhos de impalas, zebras, gazelas sul-africanas e outras lindas criaturas. Hoje em dia, grande parte do interior é terra agrícola, e a maior parte dos animais selvagens só podem ser encontrados nas reservas de animais, tais como o Parque Nacional Kruger, de renome mundial. Mas, para o norte, no interior, a terra é mais seca e se torna o Deserto de Kalahari. Para o nordeste há o bushveld (pronuncia-se “bush-felt”) ou savana, com sua abundância de arbustos.
Kimberley, no Estado Livre de Orange, é famoso em todo o mundo como centro da mineração de diamantes. No Transvaal se acha Joanesburgo, a maior cidade do país e conhecida como a “rainha” do “Filão”, uma corrente de cidades de mineração e industriais. O Filão passou a existir devido à descoberta de ouro nessa área lá em 1886. A um pouco mais de 480 quilômetros em linha reta ao sudeste de Joanesburgo acha-se Durban, nas praias do Oceano Índico, e aqui se vê muitas indianas em seus coloridos saris.
Doze e meio milhões de africanos, que pertencem pelo menos a nove tribos, vivem na África do Sul. As maiores tribos — os povos xosa e zulu — atingem cada uma a mais de três milhões de pessoas. Em seguida vêm os basutos, daí os tsvanas, tsongas, swazis, ndebeles, vendas e outros. Pouco mais da metade da população africana vive nas “terras natais” africanas, os grandes territórios designados a cada tribo africana de per si. Usualmente, o modo de vida nestas “terras natais” e nas reservas é bem primitivo, a maioria das pessoas vivendo em choupanas de paredes principalmente de barro, e tetos de colmo. O restante da população africana vive em povoados africanos, tais como Soweto, com suas pequenas casas de alvenaria construídas pela municipalidade. Estas se localizam a alguns quilômetros fora das cidades e povoados europeus. A diretriz governamental é que cada grupo racial se desenvolva separada e independentemente. A África do Sul tem sido duramente criticada por sua política de apartheid, ou segregação racial.
À parte das principais seitas da cristandade, os africanos têm suas próprias religiões. Não só se acham representadas entre eles as principais fés da cristandade, porém muitos pregadores africanos começaram sua própria seitazinha. Por conseguinte, a África do Sul tem o maior número de seitas no mundo — pelo menos 2.000! Além de professarem aderir a uma das igrejas da cristandade, a maioria dos africanos participam em alguma forma de adoração dos antepassados e vivem com medo dos mortos. Isto não se dá apenas nas “terras natais”. Muitos africanos modernos, embora dirijam um carro de último tipo, ocasionalmente sacrificam um cabrito para apaziguar os espíritos dos antepassados mortos.
VOLTANDO AO DESPONTAR DO SÉCULO
No despontar do século, a população da África do Sul era menor, o ritmo era mais lento, e a vida mais simples. O país apenas se recuperava da Guerra Anglo-Bôer quando o tempo parecia adequado para que as boas novas atingissem este campo fascinante.
No ano de 1902, certo clérigo reformado holandês foi mandado da Holanda para Klerksdorp, cidade do Transvaal. Trouxe consigo uma grande caixa de publicações religiosas de segunda mão, inclusive os Estudos das Escrituras, um exemplar da Torre de Vigia de Sião, em inglês, e o folheto Que Dizem as Escrituras Sobre o Inferno?. Frans Ebersohn e Stoffel Fourie conheceram este clérigo em Klerksdorp. Foi-lhes permitido examinar sua biblioteca, eles acharam essas publicações muito interessantes e lhes foi permitido tirá-las da coleção. Tais homens ficaram tão profundamente impressionados pelas verdades que estas publicações continham que decidiram formar uma nova congregação. Chamaram-na “Volheid van Christus” (Plenitude de Cristo). Esta foi a primeiríssima base da mensagem do Reino na África do Sul.
Estes dois homens começaram a realizar reuniões e a trabalhar de casa em casa para disseminar as boas novas. Em 1903, Frans Ebersohn escreveu ao primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA), C. T. Russell, e pediu que um “peregrino”, ou representante especial da Sociedade, fosse enviado à África do Sul. O irmão Russell respondeu que as circunstâncias do momento não permitiam isto, mas que tão logo possível, isto seria feito.
Em 1906, duas irmãs que emigraram de Glasgow, Escócia, para Durban, eram entusiásticas em espalhar as boas novas. Não demorou muito até que outros se interessaram pela verdade naquela cidade, e, no fim de 1906, havia 40 assinantes da Torre de Vigia de Sião na África do Sul.
Em 1907, certo “Reverendo” Joseph Booth surgiu em cena no drama do Reino na África meridional. Nascido na Inglaterra, mudou-se para a Nova Zelândia com 29 anos, para criar ovelhas e, mais tarde, começou a negociar na Austrália. Juntou-se aos batistas e, depois de algum tempo, sentiu-se chamado para se tornar missionário em África e, destarte, chegou à Niassalândia (agora Malaui), em 1892 como missionário independente. Booth se entusiasmava com a idéia de igualdade para os africanos e da “África para os africanos”. Estabeleceu várias “Missões Industriais”.
No ano de 1900, Booth já havia rompido com a maioria das missões e fizera algumas viagens aos Estados Unidos, onde foi convertido à fé dos Batistas do Sétimo Dia. Logo depois retornou à Niassalândia para estabelecer uma missão para essa organização sabatista. Não demorou muito até que estava em dificuldades com os Batistas do Sétimo Dia. Então se juntou aos Adventistas do Sétimo Dia e estabeleceu uma missão para eles. Também se desentendeu com as autoridades governamentais, visto que elas sentiam forte repulsa pelos planos dele para a mudança social africana. Parece que, em 1906, Booth começou a se interessar nas Igrejas de Cristo e, embora rejeitado pelas Igrejas de Cristo britânicas, encontrou certa acolhida no ramo da Cidade do Cabo, das Igrejas de Cristo da África do Sul. Booth serviu como instrumento para ajudá-las a estabelecer uma missão na Niassalândia. Segundo a publicação Independent Africa, Booth passou de uma denominação para outra como um “caroneiro religioso”.
Perto do fim de 1906, Booth, agora na Escócia, leu alguns dos livros do irmão Russell. Logo partiu para os Estados Unidos. Booth conseguiu uma entrevista com o irmão Russell e esta resultou ser uma palestra muito interessante e crucial. O irmão Russell conhecia muito pouco sobre a formação de Booth e do seu objetivo principal de restaurar a África aos africanos. Não poderia ter sabido que Booth já era tido como indesejável pela autoridades e pelos brancos na Niassalândia, e que já usara várias organizações religiosas para apoiar seus próprios planos. Também, o irmão Russell estava ansioso de encontrar alguém que abrisse um novo campo amplo. Daí, a Sociedade, por algum tempo, assumiu as despesas de Booth como seu missionário para aqueles povos com os quais ele estava familiarizado.
Pouco compreendia o irmão Russell que isto resultaria em muitas dificuldades e em trazer grande vitupério para o nome da Sociedade. De qualquer modo, no início de 1907, Joseph Booth retornou à África e começou suas operações na Cidade do Cabo e em outras partes do país. Sendo persona non grata em Niassalândia, parece que Booth não voltou para lá por um bom tempo, embora, por meio de cartas e mensageiros pessoais, mantivesse íntimo contato com o campo da Niassalândia e exercesse profundo efeito sobre ele.
No número de 1.º de junho de 1908 da Torre de Vigia de Sião, uma carta assinada por L. de Beer, e escrita ao irmão Russell, esclarece um pouco o que acontecia. Diz, em parte: “Estou profundamente interessado em seus seis livros, e tenho dois irmãos similarmente interessados; um deles é um clérigo da Igreja Holandesa; não só um leitor, mas um pensador. Ele é emérito; mora em Pretória, Transvaal, e edita um jornal da Igreja Holandesa, além de pregar, quando solicitado. . . .
“Daí, há um amigo mútuo meu e do irmão Booth, o Rev. J. H. Orr, ministro da Igreja Congregacional Independente, de Wynberg (um de nossos bairros), que já prega algumas das novas verdades contidas em seus livros.
“Como já deve ter ouvido, uma companhiazinha muito boa, da qual eu era um, todos interessados na mensagem do Milênio, reuniu-se na Igreja do irmão Orr para celebrar a Páscoa — cinco europeus, 29 nativos, dirigida em três línguas. Foi uma hora importante e impressiva, uma nova era em nossas vidas.”
Mais notícias da obra na África do Sul aparecem em A Torre de Vigia de 15 de janeiro de 1909. O relatório afirma: “Há três irmãos pretos que pregam a Verdade aos nativos. Um deles viajou para o norte, por cerca de 3.200 quilômetros, para sua região natal, a fim de levar a mensagem. Este irmão, embora jovem, fala várias das línguas nativas e escreve em inglês de forma bem fluente. O mais recente relatório dele é mui encorajador. Os nativos parecem ter ouvidos abertos para as Boas Novas de Grande Alegria, a mensagem da Restituição.”
O jovem africano mencionado como viajando cerca de 3.200 quilômetros para o norte, para sua região natal, era Elliott Kamwana. Kamwana provinha da tribo tanga e fora educado pela missão Livingstonia (Presbiteriana Escocesa) em Bandawe, nas margens ocidentais do Lago Niassa. No entanto, tinha conhecido Booth em Blantyre, Niassalândia, em 1900, e dois anos depois foi batizado em uma das Missões do Sétimo Dia que Booth estabelecera. Viera até à África do Sul mais tarde, trabalhara nas minas por algum tempo e então encontrara-se de novo com Booth no Cabo. Parece que Kamwana ficou com Booth por alguns meses, recebendo algumas instruções, e então retornou a seu país natal, a Niassalândia. Na Torre de Vigia de 1.º de julho de 1909, Booth descreve a distribuição de tratados em Joanesburgo e Pretória, entre os africanos, e então afirma:
“Ficaram muito alegres de que a mesma mensagem que ouviram proclamada em seu país natal, a Niassalândia, pelo irmão Elliott Kamwana, fora trazida para cá.
“Um deles, que só está aqui há três meses, conta que viu Elliott batizar 300 pessoas num só dia; outro sugere que, em certo lugar, há 700 adeptos. E estou ainda informado de que há para perto de 3.000 naquele país, em cerca de 30 locais diferentes; que aceitaram o Plano Divino em preferência ao presbiterianismo e à Igreja Anglicana. O irmão Elliott mesmo relata que há cerca de 9.000 pessoas que estão de alguma forma interessadas, embora nem todas na medida mencionada acima.”
Perto do fim deste relato, o irmão Russell incluiu algumas notícias bem recentes sobre a prisão de Elliott Kamwana, às instâncias dos Missionários Calvinistas Escoceses de Bandawe Lago Niassa. O irmão Russell conclui o relatório com a declaração sucinta: “O irmão Kamwana batizou 9.126 pessoas no ano passado.”
Nenhum comentário é feito sobre esse total fantástico. Naquele tempo, havia muito menos do que esse total de pessoas batizadas em todos os Estados Unidos! Mas, como é que Kamwana o fazia? Que métodos eram usados?
COMEÇAM OS “MOVIMENTOS DA TORRE DE VIGIA”
Em realidade, nem Booth nem Kamwana tinham realmente deixado Babilônia, a Grande, ou a religião falsa; jamais se tornaram Estudantes da Bíblia ou testemunhas cristãs de Jeová. Sua relação com a Sociedade Torre de Vigia (EUA) foi curta e superficial. A Sra. Marjorie Holliday, cujas memórias no que tange à verdade remontam ao início dos anos 1900, descreve como Joseph Booth freqüentemente se empenhava em sabotar as reuniões dos irmãos em seu sobrado de Durban. Afirma nossa irmã cristã, Holliday: “Exemplificando: enquanto cantávamos ‘Libertos da Lei’, ele se colocava do lado de fora e respondia com ‘não libertos da lei’.”
Assim, não é surpreendente que Elliott Kamwana, o aprendiz espiritual de Booth, tivesse uma idéia adulterada das verdades apresentadas nas publicações da Sociedade. Mas, exatamente o que pregava ao retornar à Niassalândia é agora impossível dizer. Certamente parece verdadeiro que marcante caraterística, de sua campanha era seus dramáticos batismos ao ar livre. Mas, estes batismos realizados por Kamwana não tinham relação alguma com o verdadeiro batismo cristão dos servos de Jeová. Seja lá o que tenha dito ou que métodos empregasse, a campanha de Kamwana só durou pouco tempo, aproximadamente de setembro de 1908 a junho de 1909, quando o governo interferiu e o prendeu, mais tarde o deportando para as Ilhas Seychelles. Não lhe foi permitido retornar à Niassalândia senão em 1937, quando prosseguiu sendo líder de um dos falsos “movimentos da Torre de Vigia”.
Infelizmente, como resultado do trabalho de Kamwana, surgiu uma situação na África central que, por longo tempo, era terrivelmente confusa. Desenvolveram-se movimentos que usavam os livros do irmão Russell até certo ponto. Estes misturavam algumas verdades com muitas de suas próprias idéias e métodos. Assim, muitos foram desviados. Nem todos esses movimentos usavam os nomes “Torre de Vigia” ou “Sociedade Torre de Vigia”, com efeito, o movimento que Kamwana liderava com o tempo criou o nome “Missão do Vigia”.
Muitos anos depois, em 1947, devido a que estas falsas seitas da Torre de Vigia ainda causavam algumas confusões, os irmãos encarregados da obra de pregação do Reino na Niassalândia escreveram a Kamwana. Numa resposta escrita e assinada por Kamwana, ele diz: “A Missão do Vigia (Missão Mlonda) não tem tempo a perder com rumores, porque os negros e os europeus na Niassalândia sabem que a Missão do Vigia é separada e distinta da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA) dos europeus.”
Assim, os fatos deixam claro que Kamwana jamais fora um servo verdadeiro e dedicado de Jeová, e parece que ele iniciou ou provocou a formação dos vários falsos “movimentos da Torre de Vigia”. Parece que tudo isso começou com sua “ardente” campanha em 1909. O irmão Nguluh, irmão africano em Joanesburgo que estava na Niassalândia, naquele tempo, assemelhou a campanha de Kamwana a “um fogo desenfreado que queima o mato”. Naqueles dias, havia considerável emigração dos nativos da Niassalândia que procuravam trabalho e melhores salários. Evidentemente, então, foi desse modo que se espalharam falsos movimentos da “Torre de Vigia” por toda a Rodésia, Congo e até na África do Sul.
DURBAN OUVE A MENSAGEM
Agora, voltemos a Durban, no ano de 1906. Marjorie Holliday e sua mãe moravam vizinhas de certa Sra. Morton. A irmã Arnott, de Glasgow, Escócia, constantemente enviava tratados e panfletos à sua irmã carnal, a Sra. Morton. Por sua vez, a Sra. Morton passava esses tratados para a mãe de Marjorie Holliday, a Sra. Agnes Barrett, e com o tempo ambas aceitaram a verdade. Nessa época, havia também uma certa irmã Taylor aqui, vinda da Escócia. Um pouco mais tarde, a irmã Arnott e sua família decidiram vir de Glasgow e fixar-se em Durban. Assim, segundo a irmã Holliday, foram as irmãs Arnott, Taylor, Morton e Barrett que realmente iniciaram a obra em Durban. Um dos seus principais métodos de disseminar a verdade era passar tratados e folhetos às pessoas nas praias.
A própria Marjorie Holliday tomou sua posição à idade de 10 anos, por escrever uma carta de demissão à Igreja Presbiteriana, assim se dissociando de Babilônia, a Grande. Ela também afirma que, em 1910, um irmão de cor, estadunidense, irmão Whiteus, juntou-se ao pequeno grupo de Durban. A irmã Holliday nos conta que ele teve excelente êxito em Durban. Daí, ela menciona um incidente bem surpreendente. Pelo que parece, o irmão Whiteus foi chamado de volta aos EUA, possivelmente pelo irmão Russell. Mas, não muito antes de o navio partir de Durban, ele foi seqüestrado por Booth e trancado num quarto! (Porque Booth fez isso não está claro.) De qualquer modo, as irmãs locais conseguiram descobrir onde o irmão Whiteus estava trancado, e a irmã Barrett teve êxito em soltá-lo, e então escoltá-lo seguramente até o cais, de modo que pudesse pegar seu navio.
Por volta do ano de 1910, tinha-se semeado alguma semente boa, mas coisas estranhas aconteciam na África meridional. A situação não era boa em Niassalândia e Booth estava causando dificuldades em Durban. Era muito necessário que alguém maduro e fidedigno assumisse a supervisão da obra do Reino neste vasto campo.
MOMENTO DECISIVO
O ano de 1910 presenciou novo capítulo na obra do Reino na África do Sul. Nessa época, Booth estava liquidado no que tange à Sociedade. Em meados daquele ano, o irmão Russell enviara William W. Johnston, que provavelmente tinha seus trinta e poucos anos. Era um escocês de Glasgow, sóbrio, cuidadoso e fidedigno, verdadeiro contraste com o volátil e imprevisível Booth. O irmão Johnston tinha sido ancião em Glasgow por vários anos, era profundo estudante da Palavra de Deus e excelente orador. Era uma das “dádivas em homens”, muito necessárias no campo africano, que havia sido seriamente abalado pelos feitos de Booth. (Efé. 4:8) A principal missão do irmão Johnston era ir à Niassalândia, investigar a situação ali e fornecer ajuda aos irmãos.
O primeiro homem branco a descobrir o Lago Niassa tinha sido o famoso explorador e missionário David Livingstone, em 1859. Depois disso, o país foi explorado para a colonização branca pelos missionários das Igrejas Presbiteriana Escocesa e Católica Romana. Tornou-se protetorado britânico em 1891, e parte da África Central inglesa. No tempo da viagem do irmão Johnston, a população da Niassalândia era de cerca de um milhão, com pouquíssimos residentes locais brancos.
O irmão Johnston passou cerca de quatro meses na Niassalândia e relatou que havia perto de cem igrejas, em igual número de aldeias, e milhares de nativos que prestavam lealdade à “presente verdade”. (2 Ped. 1:12, Almeida) Verificou que alguns tinham “bem razoável entendimento da Verdade”. Mas, estava mui desapontado com a atitude geral.
“Alguns deles pareciam imaginar também que eu tinha vindo com os bolsos cheios de dinheiro para dar a todos os pastores e professores e lhes dar empregos lucrativos na Sociedade”, disse o irmão Johnston. “Tive que remover de suas mentes essa idéia. . . . Lamento dizer que, em quase todo caso em que lidei com os irmãos, individualmente suas entrevistas terminavam com um apelo de ajuda financeira de algum modo ou forma.” Também verificou que a influência de Booth era “marcantemente manifesta na obra na Niassalândia”. Alguns guardavam o sábado do sétimo dia. “Fiz o que pude para apresentar a verdade neste assunto”, observou o irmão Johnston, “e consegui, pela graça de Deus, livrar pelo menos alguns da escravidão”.
O irmão Johnston fez esforços de estabelecer alguma forma de organização e escolheu diversos nativos para atuarem como instrutores depois de ter esclarecido a questão do sábado para eles. Também ficou contente de verificar que muitos pareciam “ter forte desejo de familiarizar-se mais intimamente com a Palavra de Deus”. Por algum tempo depois de voltar à África do Sul, recebeu relatórios de algumas dessas pessoas na Niassalândia, mas, depois de alguns anos, houve muito pouco contato. Durante quinze anos, o movimento iniciado por Booth e Kamwana ficou quase que totalmente entregue a si mesmo. Não é surpreendente que tal situação desse origem a falsos e nativos “movimentos da Torre de Vigia”.
PEQUENA FILIAL COM VASTO TERRITÓRIO
Pouco depois de sua volta a Durban, em 1910, o irmão Johnston recebeu instruções do irmão Russell para abrir uma filial da Sociedade Torre de Vigia (EUA) ali. Esta nova filial, de um só homem, era simples sala na School Lane, Durban. Servia como escritório e, às vezes, de local de reuniões. Mas, o território sobre o qual tinha jurisdição era tremendo. A grosso modo, a inteira África, ao sul do Equador, era seu campo. Com efeito, alguns dos territórios que vieram a ficar sob essa filial, tais como o Congo, Uganda e Quênia, estendiam-se bem ao norte do Equador. Também se achava incluída a ilha de Maurício, bem longe, no Oceano Índico, a enorme ilha de Madagascar (República Malgaxe) junto à costa de Moçambique, Sta. Helena, a centenas de milhas no meio do Atlântico, e a ilha de S. Tomé, no Golfo da Guiné. Outrossim, como escreveu o profeta Zacarias: “Quem desprezou o dia das coisas pequenas?” — Zac. 4:10.
ESFORÇOS RESULTAM FRUTÍFEROS
Não é bom desprezar o trabalho dos humildes, tais como o irmão Whiteus. Ele, certa vez, visitou uma casa em Durban e colocou o conjunto completo dos Estudos das Escrituras. A senhora que os obteve não os leu, mas, pouco depois, a filha dela, a Sra. Thompson, levou os livros numa viagem de navio para Glasgow e os leu na viagem. Durante sua estada em Glasgow, alguém visitou sua casa e deixou um convite que anunciava um discurso de Charles T. Russell. A Sra. Thompson compareceu, mas encontrou tão apinhado o local que não conseguiu entrar. No entanto, nesse momento os irmãos decidiram abrir o balcão da orquestra, e assim, a Sra. Thompson conseguiu um lugar de primeira fila para o discurso público. Ela o apreciou muitíssimo. Uma das irmãs locais anotou seu endereço na África do Sul e, no decorrer do tempo, o irmão W. Johnston fez uma revisita. A Sra. Thompson aceitou a verdade e foi batizada logo depois disso. Ela mesma era publicadora fiel e ativa por muitos anos, até 1965, quando faleceu aos 98 anos. Sua filha e duas netas também tornaram-se zelosas Testemunhas. Assim, tal visita feita pelo irmão Whiteus resultou mui frutífera.
No ínterim, em Durban, o irmão Johnston proferia regularmente discursos públicos na Loja Maçônica, na Rua Smith, todo domingo à noite. As assistências ainda eram bem pequenas, mas, entre eles havia um norueguês chamado Myrdal. Sua esposa era convicta Adventista do Sétimo Dia. Os dois discutiam sobre doutrinas noite após noite. Contudo, o Sr. Myrdal levou a melhor nas discussões, e, não demorou muito até que ele, sua esposa e seu filho Henry se tornaram freqüentadores regulares dos discursos do irmão Johnston. Começaram também a assistir às reuniões da manhã de domingo chamadas “estudos bíblicos abertos”.
Também, desde 1911, há registro definido de verdadeiro interesse entre os africanos na África do Sul. Jeremiah Khuluse, de Ndwedwe, pequeno povoado nativo a cerca de 48 quilômetros de Durban, lembra-se de que certo homem chamado Johannes Tshange veio até lá, da Cidade do Cabo. Tshange obtivera conhecimento da verdade na Cidade da Cabo e estava ansioso de disseminá-lo em sua cidade natal de Ndwedwe. O pai de Jeremiah Khuluse ficou interessadíssimo, em especial no novo ensino sobre o inferno. Assim, iniciaram-se estudos bíblicos que eram realizados toda noite. Havia muitos associados com o pequeno grupo. Usavam os Estudos das Escrituras para seus estudos bíblicos, e, em questão de alguns meses, visto que já pregavam a outros religiosos, o clérigo local começou a ficar preocupado. Em resultado disso, os membros da Igreja Metodista Wesleyana se reuniram para considerar o problema. Depois de muitos argumentos, esses recém-interessados na verdade foram excomungados da igreja. Esta foi, provavelmente, a primeira congregação africana de adoradores verdadeiros a ser formada na África do Sul.
O irmão Johnston estava bem ativo em 1911. Ele fez uma viagem especial a Joanesburgo, no Transvaal, e a Parys, no Estado Livre de Orange. Em Joanesburgo, fez muitas visitas e, como resultado, foram feitos arranjos para reuniões de “classes bíblicas”. Excelente reunião foi realizada na Prefeitura de Parys, onde o prefeito apresentou o orador, o vice-prefeito traduziu suas observações para o holandês e cerca de 250 pessoas o escutaram. É claro que o irmão Johnston estava ativo na obra de extensão da classe que era feita pelo povo de Deus em todo o mundo naquele tempo. Logo também se realizavam reuniões em Pretória, Balfour, Port Elizabeth e Ndwedwe.
Embora fossem poucos, os servos de Jeová faziam grande esforço de disseminar a mensagem vital da Bíblia. Num relatório sobre a obra na África do Sul para 1912, o número de 1.º de fevereiro de 1913 da Torre de Vigia, em inglês, mostra que distribuíram 28.808 tratados intitulados “Púlpito do Povo” em inglês, 30.000 tratados intitulados “Jornal de Todo o Mundo” em inglês, e 3.000 “Púlpito do Povo” em holandês. De interesse, também, é breve nota na Torre de Vigia de 15 de novembro de 1913, em inglês, que mostrava haver publicações disponíveis em zulu. As boas novas alcançavam muitas pessoas nesse país.
Também, naquele tempo, os sermões do irmão Russell eram publicados regularmente nos jornais. A Torre de Vigia, de 15 de dezembro de 1913, mostrava que cerca de 600 jornais na Grã-Bretanha, África do Sul e Austrália imprimiam semanalmente seus artigos. Em todo o mundo, o total era de aproximadamente 2.000 jornais. O irmão Johnston tinha organizado uma agência de publicidade para os sermões na África do Sul, e, no fim de 1913, onze jornais no país os publicavam em quatro idiomas.
CHEGA 1914!
Os meses passaram e chegamos a 1914. Em todo o mundo, naquele tempo, os irmãos deviam estar imaginando o que tal ano traria. Os irmãos na África do Sul estavam muito cônscios dessa data. Entre eles se achava o casal Myrdal, em Durban. Henry Myrdal afirma: “Lembro-me bem da data de 4 de agosto de 1914, quando minha mãe, ao ler o jornal disse à família: ‘Aqui está! A Guerra chegou, assim como o Pastor Russell disse em seus livros.’”
Na Grã-Bretanha, muitos observavam com interesse os eventos mundiais, e reconheceram o “sinal”. Estes incluíam um jovem irmão chamado George Phillips, então um rapazinho de 16 anos que fazia o serviço de colportor em Barrow, Furness, Inglaterra. Pouco imaginaria George então que desempenharia importante papel no desenvolvimento da obra do Reino na África meridional!
Lá na Niassalândia, muitos africanos sinceramente interessados na verdade também observavam essa data. Os alemães estavam bem do outro lado da fronteira, em Tanganica (então a África Oriental Alemã) e as tropas inglesas preparavam-se para defender a fronteira. Alguns estavam cônscios de que a profecia bíblica estava sendo cumprida.
Afirma o livro Independent African (Africano Independente) página 230: “Os próprios africanos deixaram seu próprio registro de inquietação que a Guerra lhes trouxe. Parecia, deveras, para muitos, que a profecia da Torre de Vigia, de que o mundo iria findar em outubro de 1914, estava prestes a cumprir-se.” Confirmando isto, há uma carta do irmão Achirwa, de Niassalândia, para o irmão Russell, (publicada na Torre de Vigia de 1.º de setembro de 1914). Entre outras coisas, diz: “Por certo, vivemos no Tempo do Fim, segundo as Escrituras. . . . Mas, lemos na Bíblia que o Libertador virá, e que o Reino de Deus virá, e que todas as nações conhecerão o Caminho de nosso Deus; mas Ele destruirá os iníquos.” Passa então a descrever suas reuniões, que, em ocasiões especiais, eram assistidas por centenas de pessoas de uma só vez.
“PRIMEIRO CONGRESSO SUL-AFRICANO”
Sob este tópico, A Torre de Vigia, de 15 de agosto de 1914, publicou uma carta do irmão Johnston. Escreveu ele:
“O primeiro Congresso Sul-Africano da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia passou agora para a história, deixando naqueles que tiveram o privilégio de assistir ao mesmo gloriosa memória que servirá de estímulo e inspiração, até que cheguemos ao maior de todos os Congressos, além do véu [no céu].”
Johnston passou então a descrever o que ocorreu em 10 de abril em Durban. Vieram pessoas de todas as partes do subcontinente. Mencionou, em especial, “uma querida irmã que viajou cerca de mil e seiscentos quilômetros”. Johnston também disse: “Éramos ‘pequeno rebanho’ deveras. Nossa maior assistência foi de 34 pessoas.” O irmão Johnston queria dizer 34 Estudantes da Bíblia, pois a assistência no discurso público foi de cerca de cinqüenta pessoas. Considerando a assistência, o número de batizados foi muito grande, um total de dezesseis. Também celebraram a Comemoração da Morte de Cristo no mesmo fim de semana, havendo 32 participantes. Pouco compreendiam tais irmãos que, cerca de 57 anos depois (1971) haveria uma assembléia em Joanesburgo com uma assistência total de cerca de 50.000! Isto certamente nos traz à mente a profecia: “O próprio pequeno tornar-se-á mil.” — Isa. 60:22.
ACUSAÇÕES INFUNDADAS
As primeiras semanas de 1915 foram muito sombrias para a Niassalândia. Nesse tempo, os ingleses e alemães já tinham travado duras lutas na fronteira, resultando na vitória dos ingleses. Muitos africanos foram mortos ou feridos em batalha, mas o pior se seguiria. Em 23 de janeiro houve grave insurreição entre os africanos, liderados por John Chilembwe, líder instruído de uma seita africana. Ele matou alguns europeus locais e tentou causar uma insurreição geral. No entanto, esta foi rapidamente esmagada pelas tropas africanas, e por oficiais e voluntários europeus.
Subseqüentemente, contudo, fizeram-se acusações de que a Sociedade Torre de Vigia (EUA) tinha tido algo que ver com a revolta. Com efeito, a oficial History of the Great War (História da Grande Guerra) se refere a Chilembwe como “fanático religioso . . . da chamada seita ‘Torre de Vigia’”. Cuidadosa investigação desde então provou que aqueles, na Niassalândia, que estavam interessados na verdade e até mesmo os do movimento de Kamwana, um falso “movimento da Torre de Vigia”, não tiveram relação com o tal, ou nenhuma responsabilidade, pelos motins. O livro Independent African examina a evidência sobre isso de forma bem cabal e, na página 324, chega à seguinte conclusão: “O próprio Chilembwe não tinha nenhuma aparente ligação com o estadunidense movimento da Torre de Vigia, e as tentativas de ligar seus projetos insurrecionais com esta organização dos Estados Unidos parecem mal orientadas.” Naturalmente, visto que Chilembwe tinha sido um dos convertidos por Booth, e Booth certa vez tinha tido alguma relação com a Sociedade, os inimigos da verdade usaram tais fatos para tecer acusações e usar a Sociedade como bode expiatório. Na realidade, Chilembwe e seus tenentes eram membros das missões ortodoxa altamente respeitadas. Estas, também, foram muito criticada pelo governo.
O livro Independent African, na página 232, também tece o seguinte comentário interessante sobre as acusações falsas de que as publicações da Sociedade Torre de Vigia (EUA) influenciaram alguns africanos a tomar parte nas insurreições: “Mas, é preciso notar que em parte alguma dos volumes de Russell [o grifo é nosso] foi sugerido que os crentes em seus ensinos deveriam tomar passos ativos para apressar a derrubada destas instituições, em preparação para a Era Milenar; antes, recomendava-se-lhes que esperassem pacientemente a intervenção divina.”
CONTINUA O CRESCIMENTO
Alguns meses depois, lá em Durban, os irmãos realizaram outra excelente assembléia. Esta estava de novo ligada com a Comemoração da morte de Cristo, e 47 pessoas participaram dos emblemas. Para a classe zulu, em Ndwedwe, havia 38 presentes, também 15 em Joanesburgo, 8 na Cidade do Cabo, 6 em Douglas e 2 em Balfour.
O ano de 1914 tinha vindo e passado. Embora os eventos mundiais cumprissem a profecia de forma notável, a obra ainda não tinha terminado e parecia que ainda havia muita coisa a fazer. O irmão Johnston disse numa carta ao irmão Russell: “O ano passado foi um ano de contínuos testes e provações, tanto individualmente como para as Classes [ou congregações]”. No entanto, o relatório da atividade da África do Sul para o ano de 1915 mostra que se distribuíram mais de 4.700 volumes impressos, 75.131 exemplares de publicação grátis circularam e 312 reuniões foram realizadas. De forma alguma a obra tinha ficado parada.
O FOTODRAMA DA CRIAÇÃO
Em 1916, o Fotodrama da Criação chegou à África do Sul. Esta combinação de filmes sonoros e diapositivos delineava o propósito de Deus para a terra e o homem. Pelo que parece, entrou em dificuldades na Província do Cabo e foi proscrito pelas autoridades ali como passível de “ofender as suscetibilidades religiosas” do público.
No entanto, indicando o âmbito do trabalho com o Fotodrama, no início de 1918 o irmão Johnston calculou que, em dezoito meses, ele havia viajado 16.000 quilômetros para exibi-lo em muitas partes do país. O Drama atraiu grandes assistências em toda a parte. Embora lhe fosse negada permissão na Província do Cabo, foi exibido em Durban, Joanesburgo, Pretória e várias outras partes do Transvaal, do Estado Livre de Orange e de Natal. A exibição do Drama não resultou num grande ajuntamento, mas deu mui amplo e poderoso testemunho.
PRIMEIRAS NOTÍCIAS DA RODÉSIA E DO TRANSVAAL
Em 1916, ouvimos, pela primeira vez, certa menção de atividades do Reino na Rodésia. William W. Johnston disse numa carta ao irmão Russell: “Suas comunicações referentes à obra na Rodésia, para o Sr. Nodehouse, foram devidamente recebidas. Escrevi àquele cavalheiro solicitando pormenores e aguardo a resposta.”
A obra de testemunho na África do Sul, naquele tempo, não se limitava de forma alguma às cidades. Na pequena cidade de Koster, no Transvaal ocidental, havia um senhor chamado Japie Theron que estava ativo em estudar a verdade. Theron, advogado capaz, tinha concluído que as religiões do mundo eram falsas. Certo dia, leu no jornal a respeito da notável profecia sobre 1914 que fora publicada pela Sociedade Torre de Vigia (EUA) décadas antes. Assim, Theron solicitou publicações e recebeu os livros Estudos das Escrituras. Logo depois, entendeu a verdade e sentiu ardente desejo de ajudar outros. Amiúde debatia com os clérigos, desafiando-os a provar os falsos ensinos deles, tais como o do inferno de fogo literal.
O irmão Theron por certo tinha muita iniciativa. Em certo estágio testemunhava regularmente no trenzinho que passava todo dia pela sua cidade soltando fumaça. Subindo ao trem na estação, começava na locomotiva e ia trabalhando até a traseira, oferecendo as publicações a todos os passageiros, ao passo que o trem subia lentamente a íngreme inclinação. Ele cronometrava as coisas de modo que, quando o trem chegasse no alto da subida, ele teria terminado seu “território” sobre rodas e pulava fora! O irmão Theron tornou-se amplamente conhecido no Transvaal ocidental e no Estado Livre de Orange e ajudou muitos a aceitar a verdade.
No Transvaal setentrional, a luz já brilhava por algum tempo por ampla área, e muitas publicações eram enviadas pelo correio de uma pessoa para outra. Chegava às mãos de dois jovens que cursavam a escola no povoado de Nylstroom, no Transvaal setentrional. Segundo um destes jovens, Paul Smit, a publicação que havia tocado seu coração e o movera à ação era o folheto Que Dizem as Escrituras Sobre o Inferno?. Usando as palavras do próprio irmão Smit: “Creia-me, Nylstroom tornou-se um centro de comoção, como se fosse atingido por um ciclone, à medida que nós, dois escolares, tornamos conhecido, de forma nada incerta, que as doutrinas da Igreja eram falsas. Nós agíamos com destemor. Naquele tempo, só havia as três Igrejas Reformadas Holandesas e a Igreja Anglicana que gozavam da ‘liberdade da cidade’ de cuidar dos seus assuntos sem serem perturbadas. Assim, poderá bem imaginar, quando ‘viramos a mangueira sobre o inferno’, a fumaça de tormento que subiu! Em curto tempo, o assunto popular era essa nova religião no povoado e no distrito. Os clérigos, naturalmente, quais instrumentos das trevas, desempenharam seu papel bem conhecido de fazer acusações falsas e de perseguir-nos. Seus sermões semanais durante meses, sim até mesmo anos, centralizavam-se nesta ‘religião falsa’.”
PROSPERIDADE ESPIRITUAL APESAR DE DIFICULDADES
As reuniões, lá naquele tempo, eram então conduzidas pelos “anciãos”, eleitos pela congregação com o erguer das mãos. Votos eram também lançados para os diáconos, cuja tarefa era abrir janelas, endireitar as cadeiras, passar os cancioneiros e dar ajuda em geral. Este era o arranjo congregacional daquele tempo.
Em 31 de outubro de 1916, C. T. Russell, o primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), faleceu, ficando ativo e fiel até o fim. As notícias disso causaram tristeza e desânimo entre o povo de Jeová. Entre os irmãos, em Durban surgiu o clamor: “Que iremos fazer agora?” Depois da primeira reação pesarosa, iniciou-se um período de provas. A personalidade e a atividade do irmão Russell tinham dominado de tal modo a obra do Reino até aquele tempo, e tantos estavam tão ligados a ele, pessoalmente, que ressentiram as mudanças que tinham de vir após sua morte. Em Durban, o irmão Myrdal lembra-se das discussões surgidas nas reuniões, vez após vez, e de um grupo começar a manifestar-se como estando contra a Sociedade, e causando muitas dificuldades. Divisões e problemas não foram resolvidos com facilidade. Todavia, a obra prosseguiu, com evidência clara da bênção divina.
Em algum tempo, em 1917, a filial da Sociedade na África do Sul foi transferida de Durban para a Cidade do Cabo, quase à sombra da grande rocha da Montanha da Mesa. Fez-se isso devido às facilidades de despachos marítimos, e as pequenas instalações da Rua Plein, 123, Cidade do Cabo, tornaram-se a filial durante os próximos seis anos.
O número de irmãos na África do Sul aumentava continuamente. O irmão Johnston relatou que o número de “irmãos” brancos era calculado entre 200 e 300. A maioria deles se achavam nos quatro grupos ou congregações principais — Durban, Joanesburgo, Pretória e Cidade do Cabo — e muitos outros eram isolados. Em Ndwedwe havia florescente congregação de cerca de oitenta zulus. Havia também pequeno grupo de basutos que se reuniam num lugar chamado Bank, e alguns irmãos xosas se reuniam em East London.
Num relatório, o irmão Johnston teceu estas observações interessantes sobre os irmãos africanos:
“Apesar de que não dispomos de publicações nas línguas nativas, o entendimento da Verdade Presente destes irmãos nativos é fenomenal. Podemos apenas dizer, ‘É obra do Senhor, e isso é maravilhoso aos nossos olhos.’ Nutrindo todos profundo respeito pela Bíblia como sendo a Palavra de Deus, escutam ansiosamente a Verdade que lhes é transmitida pelos instrutores nativos, capazes de ler os volumes em inglês, e de traduzir o que leram para o vernáculo. Não tendo praticamente nada a desaprender, facilmente abraçaram a Mensagem do Senhor quando lhes foi apresentada. A inteligência e sinceridade de sua consagração [dedicação] têm sido comprovadas por seus sofrimentos por motivos de consciência. Quase todos esses nossos queridos irmãos nativos foram solene e publicamente excomungados de Babilônia — expulsos das Reservas das Missões em que nasceram e classificados como pessoas perigosas em suas Localidades [povoados africanos] que constituem seu mundo. Todavia, nenhuma dessas coisas os demoveu; consideram motivo de alegria que lhes tenha sido permitido sofrer por amor a Cristo.”
A obra na Niassalândia já suscitara a oposição do governo, atiçado por missionários invejosos, por causa de suas escolas ficarem vazias e suas igrejas despojadas. “Em resultado disso”, disse Johnston, “vários dos irmãos destacados foram deportados e acham-se agora detidos na Ilha Flat, Maurício”.
ABRE-SE NOVO CAMPO
Desde o século dezessete, Stellenbosch tem sido um centro educativo, em especial para a instrução de clérigos reformados holandeses. Em 1917, Piet de Jager estudava ali na universidade, antes de ir para a missão da Igreja Reformada Holandesa na Nigéria. Parece que um dos seus colegas já aceitara a verdade e estudava as publicações da Sociedade. Isto, naturalmente, preocupava as autoridades eclesiásticas, e assim, Piet de Jager foi designado para falar com seu colega e convidá-lo a assistir o estudo bíblico semanal organizado pela Associação dos Estudantes Cristãos. Qual foi o resultado? O próprio Piet de Jager aceitou a verdade. Pode-se imaginar a consternação que isto causou naqueles círculos eclesiásticos! Logo depois disso, Piet de Jager teve muitos debates ardentes com os professores sobre a alma, o inferno e outros pontos, e não demorou muito até que abandonou o seminário.
Mais tarde, um debate público foi arranjado, entre o irmão Piet de Jager e um doutor de teologia reformado holandês Dwight Snyman, com 1.500 estudantes na assistência. O irmão A. Smit descreve o incidente: “Piet encurralou este erudito doutor em cada ponto e provou pela Bíblia que a igreja possuía doutrinas antibíblicas. Um dos estudantes resumiu o resultado em poucas palavras: ‘Se não soubesse que Piet de Jager estava errado, eu juraria que ele estava certo porque provou tudo pela Bíblia, mediante textos!’”
Enquanto estava na Cidade do Cabo, o irmão Johnston, além do trabalho no escritório, gastava muito tempo no campo, e, certo dia, fez uma visita à cidadezinha de Franschhoek, perto de Stellenbosch. Trata-se de outra das cidades mais antigas da África do Sul e, originalmente, foi povoada pelos refugiados huguenotes em 1688. Também tinha população mestiça (descendentes de pretos e brancos misturados) e o tempo era então propício para que a semente do Reino caísse em bom solo ali. Vários anos antes, algumas pessoas, sob a liderança de Adam van Diemen, um professor mestiço local, e homem dotado de mente brilhante e de elevados princípios, romperam com a Igreja Reformada Holandesa e formaram seu próprio grupo religioso. Deve ter sido em fins de 1917 ou em princípios de 1918 que o irmão Johnston visitou Van Diemen e colocou publicações com ele. O Sr. Van Diemen não só obteve publicações para si mesmo, mas adquiriu um bom suprimento para dar aos amigos. Estes incluíam certo homem chamado Daniels, e, assim um exemplar do Plano Divino chegou às mãos de seu filho, G. Daniels, de 17 anos. Para o jovem Daniels, esse foi o começo duma vida de serviço a Jeová. Van Diemen também aceitou a verdade e tornou-se muito ativo em disseminar a mensagem. Visitou outros lugares tais como Wellington, Paarl, Bellvile, Parow, Elsie’s River, Wynberg e Retreat, na vizinhança da Cidade do Cabo. Esta zelosa atividade obrigou-o a demitir-se de sua posição como professor e a se tornar pregador de tempo integral das boas novas. A mensagem do Reino agora tinha tido bom início neste campo.
Em 1918, William W. Johnston, o superintendente da filial, recebeu nova designação. A Sociedade decidira que o campo na Austrália e na Nova Zelândia precisava de um irmão bom, espiritualmente forte para assumir a supervisão, e assim pediu ao irmão Johnston que fosse para lá. Seu sucessor, como superintendente da filial, foi Henry Ancketill que recebera a verdade em Pietermaritzburgo e tinha sido antes um membro da assembléia legislativa em Natal. Era de descendência irlandesa e, ao mesmo tempo, era um cavalheiro aposentado, já avançado nos anos, de estatura baixa, com cabelo e barba brancos, e uma expressão bondosa. Devido à sua idade, achou pesada demais a carga de trabalho. Todavia, o irmão Ancketill cuidou fiel e eficientemente de sua nova responsabilidade nos seguintes seis anos.
FÉ DEMONSTRADA EM TEMPOS PROVADORES
O novo superintendente da filial, Henry Ancketill, assumiu seus deveres numa época difícil. Os diretores da Sociedade estavam presos nos Estados Unidos, a obra de testemunho estava em declínio, e manifestavam-se os infiéis. Isto era mui evidente em Durban. As discussões e dificuldades que haviam começado logo depois da morte do Pastor Russell tinham crescido todo o tempo, e agora atingiam um clímax sob a liderança dum homem chamado Jackson, que tinha alto conceito de si mesmo e de suas habilidades. Ele e dois outros, Pitt e Stubbs, eram aparentemente os líderes da oposição.
Ocorreu em 1919 uma divisão, e um grupo grande, com efeito, a maioria dos que já freqüentavam as reuniões, tornaram-se opositores e decidiram realizar suas próprias reuniões em separado. Chamavam-se de “Estudantes Associados da Bíblia” e estabeleceram sua própria organização. Isto deixou apenas um grupo de doze pessoas, a maioria das quais eram irmãs. Henry Myrdal se encontrava em difícil posição naquele tempo, porque seu pai se juntou à oposição, ao passo que sua mãe permaneceu leal à Sociedade Torre de Vigia (EUA). No entanto, considerou com cuidado o assunto e orou; e chegou à conclusão, sabiamente, de que a Sociedade tinha de ser a agência abençoada pelo Senhor, e, assim, acompanhou sua mãe.
Cada vez mais pessoas de língua africâner vieram a conhecer a verdade. Willem Fourie é um exemplo. Era sobrinho de Stoffel Fourie, que inicialmente aprendeu a verdade em Klerksdorp com Frans Ebersohn. Seu pai, efetivamente, adquirira um exemplar do Plano Divino das Eras em holandês, por volta de 1906, e viera a compreender que as religiões do mundo eram falsas. Willem Fourie ouvira dizer que Japie Theron, o advogado de Koster, tinha debatido com os clérigos e lhes tinha feito um desafio especial: Ele lhes daria 1.000 libras (uns Cr$ 28.000,00) se conseguissem provar pela Bíblia que a alma era imortal. Naquele tempo, Fourie ainda era membro da Igreja Reformada Holandesa e, visto que precisavam de fundos para construir nova igreja, solicitou-se a seu predikant (“pregador”) que aceitasse este desafio. Mas, ele se recusou, e isto desapontou a Fourie, que mais tarde abandonou a igreja. Por volta de 1919, ele recebeu as publicações da Torre de Vigia, estudou-as cuidadosamente e viu que esta era a verdade. Não demorou muito até que participava no serviço de campo.
Lembram-se daqueles dois jovens em Nylstroom que provocaram sensação por dizerem a todos que os ensinos da igreja sobre o inferno estavam errados? Tanto Paul Smit como o outro jovem receberam o ‘gelo’ de seus melhores amigos. Algum tempo depois, o colega de Paul obteve um emprego da junta escolar e foi submetido a forte pressão de largar sua religião. Ele sucumbiu. Paul verteu muitas lágrimas pela perda de seu colega, mas orou sem cessar a Jeová, e, pela Sua bondade imerecida, jamais vacilou quanto à verdade. Persistiu em pregar mediante testemunho incidental e por emprestar publicações a outros. Tão isolado estava que não compreendia que havia uma organização, e ele teve de confiar inteiramente em Jeová para obter ajuda e orientação. Um pouco mais tarde, recebeu visitas pessoais do irmão Piet de Jager e de outros colportores. Que maravilhosa ajuda tais visitas pessoais devem ter sido naqueles dias!
Embora muito novo e ainda jovem, Paul Smit começou a obter a bênção de Jeová em forma de “cartas de recomendação”. (2 Cor. 3:1-3) Sua primeira ‘carta’ foi o filho dum agricultor vizinho que aceitou a verdade. Em 1922, Paul iniciou um estudo com uma família chamada Vorster, usando o livro A Harpa de Deus, que acabara de ser publicado. Havia sete pessoas na família Vorster e moravam a uns 6,5 quilômetros de distância dos Smits. Paul andava toda semana aquela distância, através dos campos, até à fazenda deles. No decorrer do tempo, os pais e um dos filhos se tornaram Testemunhas. Assim, em 1924, Paul tivera êxito em organizar excelente grupo de treze pessoas, em Nylstroom, esta sendo a primeira classe ou grupo no norte do Transvaal.
Mas, como iam as coisas na África central, na Niassalândia? M. Nguluh estava em Niassalândia naquele tempo, e era pregador da Igreja Presbiteriana. Mas, ele relata que, depois da Primeira Guerra Mundial, os interessados na Niassalândia estavam ativos em disseminar a verdade, e, por volta daquele tempo, 1920, recebeu o livro Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão. Afirma que “abalou meu entendimento da Bíblia como pregador”.
Outro homem que obteve a verdade na Niassalândia por volta da mesma época era um jovem africano chamado Junior Phiri. Seu batismo, contudo, teve de ser feito em segredo, visto que o temor e a suspeita das seitas não ortodoxas resultantes da insurreição de John Chilembwe, em 1915, ainda tornava difícil que fossem executadas certas atividades religiosas. Depois de seu batismo, um dos irmãos apertou a mão de Junior e o avisou de que, dali em diante, correria perigo, mas que tinha de andar fielmente em nome de Jesus.
O irmão Phiri realmente encontrou séria oposição do clero batista local, que insistiu com o chefe que o mandasse prender e levar perante o juiz, onde foi acusado de pertencer à seita proscrita de John Chilembwe. Quando o juiz lhe perguntou por que havia abandonado sua anterior religião batista, Junior explicou que discordava com o ensino dela sobre os mortos e perguntou ao juiz qual era o conceito dele. O juiz disse: “Tanto quanto eu possa ver, os mortos estão em seus túmulos.” Junior concordou com ele e citou João 3:13, e isto, depois de o juiz o ter verificado em sua própria Bíblia, causou boa impressão. Junior assegurou ao juiz que não pertencia à seita de John Chilembwe, mas que pertencia à religião chamada “Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia”. Foi liberto para grande surpresa e desapontamento dos líderes batistas locais.
Agora, vamos saltar uma distância de quase 3.200 quilômetros da Niassalândia até a Província do Cabo, na África do Sul, para ver como o grupo mestiço em Franschhoek está passando. Nessa época, a Igreja Reformada Holandesa local tornara-se cônscia deste novo e vigoroso grupo e começou a fazer algo a respeito. Um colega do jovem irmão Daniels, chamado Van Niekerk, promissor estudante da Bíblia, tornou-se professor habilitado e lhe foi oferecido um bom emprego, com a condição de que ele e sua família voltassem para a Igreja Reformada Holandesa. Eles cederam a tal pressão e retornaram ao “cativeiro espiritual”. Mais tarde, quando Van Niekerk deixou essa área, fez-se a Daniels a mesma oferta, mas ele a recusou. Desse ponto em diante, começou a perseguição, e ela se tornou tão amarga que, por fim, a família teve de mudar-se. Os opositores não os deixavam em paz; certa noite, vieram à sua casa e disseram à família de Daniels que, se não entrassem na linha, usariam a feitiçaria para exterminar toda a família. Em resposta, Daniels citou um hino baseado no Salmo 23, mostrando que confiavam na proteção de Jeová.
Depois disso, o ódio e a oposição aumentaram e se tornou inseguro que os irmãos saíssem sozinhos à noite. Chamavam-nos de todos os tipos de nomes, tais como “russelitas”, “grupo sem alma de Van Diemen”, “falsos profetas” e outros semelhantes. Mas, os irmãos ficaram firmes. Sentiam o cumprimento do que Jesus dissera sobre seus verdadeiros discípulos a saber: “Sereis pessoas adiadas por todos, por causa do meu nome.” — Luc. 21:17.
NOVO LOCAL DA FILIAL
Por volta desse tempo (1923) a filial se mudara para novas instalações à Rua Lelie, 6, onde havia apenas uma grande sala no térreo. A congregação da Cidade do Cabo ocupava cerca de 95 por cento do espaço para suas reuniões, e o irmão Ancketill usava pequeno cubículo nos fundos da sala como seu escritório. No ano seguinte, 1924, a congregação se mudou para outro lugar. Uma divisão separava o escritório perto da porta de entrada, da expedição, armazenagem e gráfica, que ficavam todas no fundo da sala. Construíram-se prateleiras, e arranjou-se espaço para a prensa, quando esta chegou.
ACONTECIMENTOS EM JOANESBURGO
Agora, vamos dar uma espiada em como vão as coisas em Joanesburgo, onde o irmão Johnston formara a primeira classe, vários anos antes. A irmã Iris Tutty, daquela cidade tinha cerca de cinco anos quando começou a participar em distribuir tratados, colocando-os debaixo das portas das pessoas. Ela também se lembra de ficar em pé durante horas junto à escrivaninha de sua mãe, observando-a escrever cartas e cartões que eram enviados a vários “irmãos” em ocasiões de mortes, aniversários, casamentos, e qualquer outra ocasião especial. A mãe da irmã Tutty fazia isso porque era secretária da “Liga de Filadélfia”, instituída pelo irmão Russell, para manter-se em contato com os irmãos e as irmãs em suas alegrias e tristezas, mediante o vínculo do amor fraternal.
Falando-se em sentido social, havia pouquíssimo contato entre brancos e pretos, muito embora, naqueles dias, as leis mais estritas do apartheid ainda não tivessem sido promulgadas. Mas, isto não impedia o testemunho do Reino. Um irmão africano, Enoch Mwale, foi ajudado pela mãe da irmã Tutty a aprender a verdade em 1921, e, um ano depois, começou a participar no serviço de campo. O irmão Mwale estudou por um tempo com os irmãos europeus e mais tarde, depois de receber A Harpa de Deus, os irmãos africanos começaram seu próprio grupo.
A CAMPANHA DOS “MILHÕES”
Em 1921, a Sociedade iniciou extensiva campanha de reuniões públicas que durou vários anos. O famoso discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”, primeiramente proferido pelo irmão Rutherford, em fevereiro de 1918, começou a ser usado amplamente na África do Sul. O irmão Ancketill, o superintendente da filial, auxiliado pelo irmão Piet de Jager, então no serviço de tempo integral, e um irmão de língua inglesa chamado Parry Williams, visitaram todas as grandes cidades da África do Sul e proferiram este discurso em inglês e africâner. Os resultados foram excelentes. Para o primeiro discurso, no Teatro de Opera, da Cidade do Cabo, 2.000 pessoas estavam presentes. Considerável quantidade de publicações foram colocadas e muito interesse se manifestou. Tais discursos eram realizados tanto em holandês como em inglês, e o livro Milhões era colocado em inglês, holandês e africâner. Nesta viagem extensiva de 1921, tais irmãos visitaram Bulawayo e Salisbury, na Rodésia do Sul (agora Rodésia).
Tanto grandes como pequenas assistências ouviram o discurso. “Viajamos centenas de quilômetros para falar em povoados em que só se apresentam cerca de 80 ouvintes em inglês, e a mesma quantidade de ouvintes em holandês”, escreveu o irmão Parry Williams. Os irmãos P. J. de Jager e William Dawson, anunciados como o orador e o colportor, respectivamente, cuidaram de 70 discursos durante o ano, segundo um relatório com data de 31 de agosto de 1923. Isto dava uma média de quase seis por mês, e a assistência total tinha sido de 9.376. Vários assuntos eram usados em aditamento ao famoso “Milhões Que agora Vivem Jamais Morrerão”, inclusive títulos tão notáveis como “A Ressurreição em Breve”, “Começa o Novo Mundo” e “Todas as Nações Marcham Para o Armagedom”. Usando os endereços entregues em cada discurso, fizeram 2.483 visitas às casas e colocaram milhares de publicações.
As igrejas da cristandade começaram a sentir o calor direto da mensagem. “Na verdade”, afirma o relatório anual de 1923, “em um povoado, uma inteira Igreja Apostólica foi fechada graças ao efeito penetrante de nossa mensagem e isto alegra o coração de todos os ligados à obra. Um escritor do ‘Kerkbode’, jornal da Igreja Holandesa, cumprimentou a A. I. E. B. [Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia] no outro dia por declarar que, embora não concordasse com nossas doutrinas, todavia, ele elogiava o zelo dos seguidores da A. I. E. B. perante os adeptos da Igreja Reformada Holandesa.”
ATIVIDADES DOS COLPORTORES
O serviço de pioneiro ou de colportor, como era então conhecido, também tomava forma. Em 1923, havia seis no serviço de tempo integral, e estes faziam a maior parte da obra de testemunho no país, outros irmãos e interessados empenhando-se mormente em testemunho incidental. Um desses trabalhadores de tempo integral era o irmão Edwin Scott, designado a distribuir exemplares impressos da Resolução adotada no Congresso Internacional de Cedar Point, Ohio, em setembro de 1922. Trinta e cinco milhões de exemplares deste tratado foram distribuídos por toda a cristandade. Este fiel irmão levava grande sacola nas costas com os tratados, tanto em inglês como em africâner, e uma vara na mão para se defender de cachorros bravos! Visitou 64 cidades em quatro províncias da África do Sul, e distribuiu 50.000 exemplares em seis meses. Em adição a isso, este tratado foi mandado pelo correio para os clérigos de toda denominação da África do Sul, e da Rodésia. “Anunciem, anunciem, anunciem o Rei e o Reino” tinha sido o brado de guerra expresso pelo irmão Rutherford naquela famosa assembléia de 1922, e o punhado de irmãos da África do Sul estava determinado a fazer exatamente isso.
No início de 1923, duas irmãs jovens, que por algum tempo tinham sido membros da eclésia (congregação) de Joanesburgo, entraram no serviço de tempo integral. Eram Lenie Theron (irmã carnal do irmão Theron, o advogado de Koster) e Elizabeth Adshade. Elas deixaram seus empregos de professoras e se iniciaram juntas no campo da colportagem. Na excursão de três meses pelo norte de Natal e do Transvaal, estas duas irmãs colocaram 3.188 livros, cerca de 500 livros por mês, cada uma! Uma carta de uma destas irmãs, citada na Torre de Vigia de 1.º de janeiro de 1924, afirma em parte:
“Parece que ando correndo o tempo todo na velocidade máxima, pegando todo tipo de trem. . . . Amiúde, tenho chegado tarde da noite a uma estação isolada, em virtude do atraso indevido do trem; mas, veraz à sua palavra, o Senhor nunca deixa ninguém em apuros. Em cada ocasião, ele colocou no coração de alguém que me ajudasse. Ver Seu devotado e providencial cuidado fortalece a fé da pessoa e aumenta seu amor.
“Um dia, depois de ler de novo aquele lindo artigo sobre ‘Serviço É Essencial’, fiquei tão estimulada que não consegui dormir. Por fim, levantei, segurei um mapa e descobri que estávamos deixando fora de nossa rota Barbeton e outros lugares dum ramal e de imediato resolvi que não deveríamos pulá-los. Mencionei isso à minha companheira; e decidimos que ela iria até lá enquanto eu prosseguia e terminava minha área. O lugar que visitei em seguida era bem pequenininho; só fiz dezoito visitas mas [coloquei] 49 volumes [dos Estudos das Escrituras], 16 ‘Milhões’, e 13 HARPAS grandes. Na noite anterior eu dormira muito pouco, apenas três horas; pois estivera falando até 23,30 horas com algumas pessoas muito interessadas e então arrumei as malas até 2 da madrugada e levantei-me de novo para pegar o trem às 5,30 da manhã. Apreciaria muito contar-lhe todas as pequenas experiências que temos, e quão obviamente nosso Salvador nos guia; mas, não disponho do tempo.” Não é esse um maravilhoso exemplo para nós hoje?
MUDANÇAS IMPORTANTES NA CIDADE DO CABO
Por ampla área e de muitos modos, a obra progredia. Mas, o irmão Ancketill, na Cidade do Cabo, estava adentrado nos anos e achando muito pesado o trabalho. Assim, o presidente da Sociedade, irmão Rutherford, decidiu mandar novo superintendente da filial. O irmão Ancketill tinha trabalhado bem, “defendendo sua posição” durante difícil período do desenvolvimento da obra do Reino. Agora, nuvens de outras dificuldades se formavam sobre os territórios da África do Sul, porém, o sucessor do irmão Ancketill deveria enfrentar essa situação.
No ano de 1924, importantes mudanças ocorriam na Cidade do Cabo. A Sociedade enviara para lá uma prensa, com tipos e equipamentos. Também, novos irmãos chegaram da Inglaterra. Um deles era Thomas Walder, que fora superintendente-auxiliar da filial inglesa por algum tempo. Era um rapaz de uns trinta anos, simpático e robusto, e foi enviado para tomar o lugar do irmão Henry Ancketill como superintendente da filial da África do Sul. Seu colega, George Phillips, alguns anos mais jovem, era um escocês alto e de cabelos claros, de Glasgow.
Em maio de 1924, quando o irmão Rutherford fez uma visita a Glasgow, para uma assembléia, George Phillips foi seu presidente, na manhã de domingo. Ao se sentarem juntos, esperando a vez de subir à tribuna, o irmão Rutherford disse a George: “Você me ouviu fazer o anúncio, ontem à noite, de que eu estava enviando o irmão Walder para a África do Sul? Gostaria de ir junto com ele?” A resposta foi: “Eis-me aqui; envia-me.” Assim, George recebeu duas semanas para preparar as malas, dizer adeus a seus parentes e aos irmãos em Glasgow, e ficar pronto para partir. O irmão Rutherford também lhe disse: “Talvez seja por um ano, ou talvez por um pouco mais tempo, e lembre-se, George, não existe licença em tempo de guerra. Você receberá só o bilhete de ida.”
Quando estes dois irmãos recém-designados chegaram na África do Sul, só havia seis pessoas no serviço de tempo integral ali, e cerca de quarenta que faziam um pouco de serviço de campo. Quanto ao território, era muitíssimo extenso. Incluía a África do Sul, Basutolândia, Bechuanalândia, Suazilândia, a África do Sudoeste, a Rodésia do Norte e do Sul, Niassalândia, Moçambique, Tanganica, Quênia, Uganda, Angola e várias ilhas dos Oceanos Índico e Atlântico, tais coma Sta. Helena, Madagáscar e Maurício.
Logo depois chegou de Brooklyn uma prensa plana de alimentação manual. Sob a orientação dum irmão da Cidade do Cabo que era impressor, os irmãos Walder e Phillips fizeram em cerca de cinco meses um aprendizado de cinco anos. Descobriram o que significa o impressor “diferençar um p dum q”. Não demorou muito até que a pequena prensa imprimia milhares de volantes, tratados e formulários de serviço. Além disso, outras publicações eram preparadas em africâner e em diversas línguas africanas. Um irmão no Estado Livre de Orange, um agricultor chamado Izak Botha, ao ouvir dizer que A Harpa de Deus estava sendo traduzida em africâner, imediatamente fez uma doação de 500 libras (uns Cr$ 14.000,00) para ajudar a pagar a impressão.
SURGEM DIFICULDADES
Uma das primeiras coisas feitas pelo irmão Walder, o novo superintendente da filial, foi dar atenção às Rodésias (do Norte e do Sul) e também à Niassalândia. As publicações da Sociedade já tinham alcançado tais territórios, embora a situação naquela parte da África fosse incerta.
É difícil, agora, formar um quadro preciso do que se passava realmente nas Rodésias no princípio dos anos 20. Em todo caso, o clero da cristandade estava ficando bem alarmado. Em The Rhodesia Herald, de 6 de junho de 1924, havia extenso relatório de uma conferência de missionários, realizada na Rodésia do Sul, em que se discutiu o “movimento da Torre de Vigia” e a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA). Como Elimas, o feiticeiro, que ‘torceu os caminhos de Jeová’, no esforço de impedir o trabalho cristão do apóstolo Paulo, o clero da cristandade lançou acusações falsas contra as hodiernas testemunhas cristãs de Jeová. (Atos 13:6-12) Um clérigo, C. E. Greenfield, acusou a Sociedade Torre de Vigia de propagar o “bolchevismo eclesiástico”. Disse que esta propaganda vinha da Rússia e perguntou se deveria ser tolerada na África. Assim, propôs a adoção da seguinte resolução: “Que, na opinião desta conferência de missionários da Rodésia, o ensino da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA) é subversivo para com a verdadeira religião da Igreja e a lei do Estado, e como tal, sua propaganda entre os nativos deste país é especialmente perigosa; solicita-se que o Governo, destarte, vigie e controle suas operações.”
Outros falaram em apoio desta resolução. O encarregado da Mina de Carvão Wankie (na Rodésia do Sul), Sr. Thomson, descreveu como ‘montões’ de vinte ou trinta pessoas estavam sendo batizadas numa piscina. Tentativas de controlar o movimento, relatou-se, resultaram em grande aumento de conversos, que se dizia então somarem cerca de 1.500. Segundo Greenfield, a propaganda prometia a derrubada do homem branco do poder. A conferência aprovou a resolução, havendo pouca discordância.
Naquela época, era golpe favorito dos missionários e clérigos suscitar o velho fantasma do comunismo. No entanto, muito embora descontemos as referências à Rússia e ao bolchevismo, é incerto se aqueles 1.500 adeptos, que afirmavam ser da Torre de Vigia em Wankie eram nossos irmãos ou membros de um dos falsos “movimentos da Torre de Vigia”. O relato, contudo, deveras serve para indicar que o nome “Torre de Vigia” já era bem conhecido nas Rodésias em 1924, e que havia mister de se esclarecer o assunto.
Assim, perto do fim de 1924, o irmão Walder fez uma visita às Rodésias, visitando as autoridades governamentais tanto na Rodésia do Norte como na do Sul, para verificar o que estava acontecendo em nome da “Torre de Vigia”. As autoridades lhe disseram o bastante para habilitá-lo a compreender que ação tinha de ser tomada, de imediato, para separar aqueles sinceramente interessados em nossa obra dos que pertenciam a movimentos indígenas. No ano seguinte, 1925, um irmão europeu, William Dawson, foi enviado da África do Sul. Ele visitou todos os centros que afirmavam ter qualquer relação com a Sociedade Torre de Vigia (EUA) tanto na Rodésia do Norte como do Sul.
O relatório deste irmão indicava que a ampla maioria de tais pessoas não tinha entendimento real da verdade, conforme exposta nas publicações da Sociedade. Por outro lado, alguns estavam sinceramente interessados, e esses precisavam de ajuda e orientação maduras. O irmão Walder, na Cidade do Cabo, prontamente repudiou os movimentos indígenas que estavam empregando indevidamente o nome da Sociedade, e notificou desse fato os governos interessados. Enviou carta às autoridades responsáveis das Rodésias e da Niassalândia declarando meridianamente que a Sociedade não aceitava nenhuma responsabilidade pelos falsos movimentos que elementos religiosos estavam relacionando à Sociedade.
Por volta do tempo em que o irmão Dawson visitou as Rodésias, certa pessoa chamada Mwana Lesa provocou o terror entre os africanos da Rodésia do Norte. Mwana Lesa (que significa “Filho de Deus”) era um africano da Niassalândia; seu verdadeiro nome era Tom Nyirenda e veio para a Rodésia do Norte através do Congo. Relatórios falam dele como adepto de um dos indígenas “movimentos da Torre de Vigia”, que se transformou em profeta. Segundo o relato do Sunday Times, de 1.º de julho de 1934, feito por Scott Lindberg, ele obteve um exemplar do Book of Martyrs (Livro dos Mártires) de Fox. Nele, viu como os homens brancos nos tempos antigos tinham amarrado “feiticeiras” a uma cadeira e as afogado. Pelo que parece, isto causara profunda impressão nele. Viajando de povoado em povoado, pregava e dizia aos nativos “que a África pertence aos africanos e que era preciso expulsar o homem branco”.
Nyirenda então se associou a Chiwila, chefe de Lala (a parte sul do atual Cinturão de Cobre). Estes dois tramaram para que Nyirenda eliminasse os inimigos políticos de Chiwila por rotulá-los de “feiticeiros” e os afogasse pelo batismo, de modo que ele pudesse ganhar a eleição para a realeza. Afirma o Sr. Lindberg: “Tom ficou então sabendo os nomes de todos os inimigos de Chiwila. Ele chamou os chefes e lhes disse que fora enviado por Deus para limpar a tribo da feitiçaria, e que todo homem, mulher e criança tinham de ser batizados no rio.
“Os nativos supersticiosos foram engodados para um lugar em que um rio ligeiro abria caminho por uma ravina serpenteante no meio das colinas, e ali, em cima de uma grande pedra, no meio do rio, estava Tom, vestido com longas roupa brancas.
“Ele disse às pessoas que Deus o enviara para separar as ovelhas dos cabritos. Então batizou cada pessoa por imersão no rio, com a ajuda dos firmes apoiadores de Chiwila, que seguravam seus inimigos debaixo d’água, com as cabeças contra a corrente, até se afogarem.
“O povo entoava hinos ao contemplarem cada vítima inanimada, e por toda a noite a floresta ecoava as frenéticas exortações de Mwana Lesa.
“Tendo afogado 22 nativos naquela noite, Tom decidiu atravessar a fronteira e estabelecer-se na Província de Catanga, do Congo Belga, onde as autoridades rodesianas não poderiam pegá-lo.”
ESCLARECIMENTO E AJUDA NECESSÁRIOS
No Congo, Tom Nyirenda cometeu outras atrocidades antes de ser preso pela polícia da Rodésia do Norte, julgado, condenado e enforcado na Praça da Prisão de Broken Hill, em frente dos chefes nativos. Estes feitos diabólicos foram relacionados ao nome da “Torre de Vigia”. Mas, Mwana Lesa não tinha qualquer ligação com a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA), ou com os Estudantes da Bíblia, como as Testemunhas de Jeová eram então conhecidas. Pelo contrário, o Sr. Lindberg relatou que Tom Nyirenda “fora recebido na Igreja Católica Romana e conseguiu absolvição enquanto estava na prisão”, antes de ser executado. Apesar disto, os inimigos do reino de Deus, o clero das denominações da cristandade, empenharam-se ao máximo para lançar a culpa disto sobre a genuína Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA) e encher as autoridades e o público de preconceito contra nós, para tentar manter as Testemunhas fora do país. Assim, podemos avaliar o montanhesco obstáculo que teve de ser transposto para se estabelecer a obra do Reino na Rodésia do Norte.
Na Niassalândia, também, nossa posição precisava ser esclarecida e os interessados precisavam de ajuda. Na Torre de Vigia de 15 de dezembro de 1923, acha-se o seguinte relatório do representante da Sociedade: “Recebi, recentemente, a visita do Prefeito —, o Principal Comissário de Polícia. Trata-se de excelente pessoa, um moderno Gamaliel. Ele tem investigado nossa obra na Niassalândia. Ficou aborrecido diante das mentiras tremendamente iníquas que são circuladas sobre nós e que lhe foram contadas pelos clérigos. Declarou que ele se havia disfarçado e ido às nossas reuniões entre os nativos. Ele conhece individualmente todos os líderes. Ele me conta que a verdade se espalha como fogo desenfreado entre os nativos.”
Em qualquer caso, foi bom que a Sociedade enviou John Hudson e sua esposa para a Niassalândia, em 1925, a fim de investigar e organizar as coisas. Sua visita foi de ajuda. John Hudson relata que, durante os quinze meses que passou na Niassalândia, percorreu muitas partes do país e proferiu discursos em muitos lugares. Verificou que a maioria dos irmãos tinha pouquíssimo conhecimento ou entendimento da verdade. Em seus discursos, o irmão se esforçou de ajudá-los a avaliar a importância de se manterem em contato com a Sociedade e aceitarem sua orientação e direção.
O irmão Junior Phiri também afirma que o irmão Hudson os aconselhou a respeito de os maridos se sentarem junto com suas esposas nas reuniões. Na vida tribal africana, o marido não come junto com a esposa, e, quando a família vai à igreja ou a reuniões religiosas, os homens se sentam de um lado do corredor e as mulheres do outro; assim, parece que o irmão Hudson ofereceu bons conselhos sobre esse ponto.
Mas, como relata o irmão M. Nguluh, certos grupos disseram para si mesmos: “Não vamos receber nossos ensinamentos dos homens da Cidade do Cabo, mas faremos o que acharmos que é certo.” Assim, a visita do irmão Hudson deve ter provocado uma separação entre os que estavam dispostos a seguir a orientação da Sociedade e os que não estavam. A parte infeliz é que os não dispostos a seguir a orientação da Sociedade ainda insistiam em usar o nome “Torre de Vigia” e, pelo que parece, um dos seus líderes principais era o Sr. Willie Kavala. Uma das caraterísticas especiais desse movimento era que não cria na ressurreição dos mortos. O irmão Nguluh afirma que estes falsos elementos se recusavam a pagar seus impostos, e diziam que eram os regentes do reino de Deus!
Depois que o irmão Hudson enviou o relatório de sua visita, o escritório da Sociedade Torre de Vigia (EUA) na Cidade do Cabo enviou uma carta às autoridades governamentais na Niassalândia. Ela dizia, em parte:
“A favor da Sociedade acima, gostaria de informá-los que nossos representantes na Niassalândia foram chamados de volta . . . Nossa razão de enviar o Sr. e Sra. Hudson à Niassalândia foi devido às atividades de certas Igrejas nativas, auto-intituladas de ‘Torre de Vigia’. Não podemos endossar este movimento. Perverte completamente os ensinos da Sociedade e, em geral, seus seguidores não mostram inclinação alguma de se submeterem a qualquer orientação ou autoridade da nossa parte. Por conseguinte, dissociamo-nos por inteiro dele.”
Por algum tempo, os que estavam genuinamente interessados na verdade tinham agora de batalhar sozinhos, sem a orientação dum representante da Sociedade na Niassalândia! No ínterim, como progredia a verdade na África do Sul, onde os irmãos usufruíam a plena direção da organização?
AJUDANDO OS AFRICANOS NA ÁFRICA DO SUL
Em Joanesburgo, outros africanos obtinham conhecimento da verdade, e as boas novas eram espalhadas aos que viviam em localidades e compounds de mineração (espécie de casernas ou hospedarias para os africanos). Um deles era Yotham Mulenga. Ele se lembra de como um irmão branco, com o Fotodrama da Criação, veio ao compound onde ele estava. Isto exerceu profundo efeito sobre o irmão Mulenga, que obteve o primeiro volume dos Estudos das Escrituras e, logo depois, começou a assistir às reuniões em Joanesburgo, onde conheceu outros irmãos africanos.
Alguns dos irmãos europeus locais estavam ajudando os africanos naquele tempo. Um deles era o irmão V. Futcher, então gerente auxiliar do compound. Ajudou muitos africanos a aceitar a verdade. Entre estes se achava Albino Mhelembe, da parte sul de Moçambique. Ele entrou em contato com a verdade em 1925, mediante a pregação do irmão Futcher. Antes do fim de 1925, Mhelembe retornou a Lourenço Marques (agora Maputo), capital de Moçambique, e então se dirigiu à sua aldeia natal em Vila Luiza. Ali começou a pregar a verdade aos membros da Igreja da Missão Suíça em Marracuene. Mhelembe teve bom êxito, e, antes de muito tempo se passar, a verdade tinha criado fortes raízes em Moçambique. Até quarenta pessoas assistiam às reuniões, algumas delas amiúde viajando 32 quilômetros para fazê-lo. Sim, a obra do Reino tinha começado a fincar raízes em ainda outro campo.
A PERSEGUIÇÃO NÃO OS DETÉM
Na África do Sul, os principais representantes de Babilônia, a Grande, são os líderes da Igreja Reformada Holandesa. Em muitas ocasiões, perseguiram amargamente os que tomavam sua posição a favor da verdade, fustigando-os de uma cidade para outra, como os judeus descrentes, no primeiro século, fizeram com os apóstolos Paulo e Barnabé. (Atos 14:2, 5-7, 19) Interessante exemplo disso ocorreu no Estado Livre de Orange. Em meados dos anos 20, bem conhecido advogado e sua esposa compareceram a um discurso proferido pelo irmão de Jager no povoado de Boshof. Presentes à reunião pública havia também muitos dignitários locais, alguns do quais, depois disso, foram com o orador a uma sala de chá para lhe propor perguntas bíblicas. O advogado, Sr. Theo Denyssen, e sua esposa, ficaram muito impressionados, obtiveram publicações, e, no decorrer do tempo, ficaram convictos de que esta era a verdade. Logo passaram a testemunhar, a amigos e parentes, e isto de imediato suscitou o ressentimento do ministro reformado holandês local. Logo depois disso, o irmão Denyssen e esposa se demitiram da igreja; e, até o fim de 1925, três de seus parentes e onze de seus amigos também se demitiram, e suas cartas de demissão foram lidas do púlpito.
O irmão Denyssen era um homem bem conhecido naquela parte do Estado Livre de Orange e, assim, sua posição em favor da verdade provocou verdadeira sensação e deu amplo testemunho. Em 1927, ele e pequeno grupo em Boshof participaram no serviço postal, enviando pelo correio cerca de 10.000 folhetos e panfletos, inclusive a resolução “Testemunho Perante o Regentes do Mundo”, a uma vastíssima área da província. Em abril de 1927, a inteira congregação de Boshof compareceu a uma assembléia nacional em Joanesburgo, e nada menos de treze deles, inclusive o irmão e a irmã T. C. Denyssen, foram imersos. No mesmo ano, para manter o passo dos irmãos em todo o mundo que apenas iniciavam a obra de testemunho de casa em casa aos domingos pela manhã, o pequeno grupo também iniciou esta fase do serviço. Os ministros locais da religião falsa, obviamente preocupadíssimos, proferiram uma série de sermões na igreja contra o “russelismo”. Mais tarde, realizou-se um debate público entre um par de irmãos e três clérigos locais; e, como resultado, um sargento da polícia ali presente entendeu a verdade, tomou sua posição e permaneceu firme até a morte.
Enraivecido pelo êxito das Testemunhas, o ministro local de Boshof instruiu seus diáconos e anciãos que visitassem todos os membros da igreja e lhes ordenassem que retirassem seu apoio ao irmão Denyssen e assim prejudicassem sua banca de advocacia. No fim de 1927, a família Denyssen teve de mudar-se, e foi para a cidade de Wellington, não muito longe da Cidade do Cabo. Ali, porém, o ministro local também suscitou uma campanha de perseguição, de modo que, no ano seguinte, a família Denyssen se viu obrigada a mudar-se para a Cidade do Cabo.
Agora, como iam as coisas naqueles territórios bem para o norte, onde a situação entre os africanos causava grave preocupação? Em 1926, George Phillips, da filial da Cidade do Cabo, foi enviado junto com Henry Myrdal para excursionar pela Rodésia do Sul. Foram detidos na fronteira e se lhes disse que só seriam admitidos no país se não trabalhassem entre os africanos. Parecia que as autoridades tinham aceito e estavam fazendo vigorar a adrede mencionada Resolução da Conferência de Missionários!
O método usado pelos irmãos Phillips e Myrdal naquela viagem era ir a uma aldeia ou cidade, contratar um salão, carimbar folhetos de publicidade com seu pequeno conjunto de carimbos de tipos móveis de borracha, daí convidar as pessoas a comparecer. Na reunião, eles anotavam os nomes e endereços dos interessados e então faziam sua obra de revisita com conjuntos de Estudos das Escrituras e da Harpa de Deus. As bicicletas eram o único meio de transporte que tinham para fazer todas essas visitas. Mas, para ir duma cidade para outra eles viajavam de trem. Ao chegarem num novo lugar, invariavelmente encontravam um “comitê de recepção” da polícia. O Departamento de Investigações Criminais estava vigiando cuidadosamente esses dois europeus da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Assim, foi desse modo que visitaram Bulawayo, Que Que, Gatooma, Gwelo, Salisbury e Umtali. Em Umtali, o Sr. e a Sra. Gunn aceitaram a verdade. Os dois irmãos também visitaram Wankie, o centro de mineração de carvão. Enquanto estavam ali, apreciaram a viagem até a linda Catarata de Vitória, na vizinhança, uma das vistas mais magníficas de qualquer parte do mundo, e também foram levados numa excursão a uma mina de carvão. Mas, ativeram-se às restrições impostas pela polícia e não fizeram tentativas de entrar em contato com africanos da “Torre de Vigia” que trabalhavam na mina. Depois duma visita de vários meses, em que colocaram mais de 4.200 publicações e suscitaram o interesse em vários lugares, retornaram à África do Sul em tempo de assistir à assembléia anual da Cidade do Cabo, em fins de dezembro de 1926.
OUTRA MUDANÇA NA CIDADE DO CABO
Lá na Cidade do Cabo, na pequena filial, as coisas não iam lá tão bem. O irmão Walder, superintendente da filial, tinha antes estado na sucursal inglesa e estava acostumado a cuidar do comparativamente grande campo inglês, e a realizar grandes reuniões no velho “Tabernáculo” de Londres. Desde o instante em que chegou à Cidade do Cabo, tudo lhe parecia completamente diferente e muito menor. No pouco tempo em que foi superintendente da filial na África do Sul, houve algum progresso, mas, para ele, parecia vagaroso, e a própria pequenez das coisas lhe era uma prova. Ele partiu, perto do fim de 1927, depois de ficar no país três anos e meio.
O irmão Rutherford não perdeu tempo em designar seu ajudante, George Phillips, como seu sucessor na filial, e a obra prosseguiu. O irmão Phillips estava bem preparado para suas novas responsabilidades. Em 1927, já tinha gasto treze anos no serviço de tempo integral e era um homem experiente no campo e no escritório. Tinha profundo apreço pela organização de Jeová, com forte senso de lealdade à Sociedade, mente clara e autênticas qualidades de lutador, que iriam mantê-lo num bom rumo nos tempos difíceis que estavam à frente.
A obra na África do Sul logo começou a ganhar ímpeto. O irmão Phillips havia começado no serviço de tempo integral em tenra idade, e durante toda sua vida ele incentivou outros a provar as alegrias de servir a Jeová como pioneiros. Assim, não é surpreendente que as fileiras dos colportores logo começassem a crescer.
Ao ler sobre a obra que faziam, sua perseverança em face da oposição e seus incansáveis esforços de penetrarem em novos territórios, não se pode deixar de lembrar das experiências similares dos apóstolos de Jesus Cristo, conforme registradas no livro bíblico de Atos.
IRROMPE A VIOLÊNCIA
Incluídos entre os servos de tempo integral daqueles dias achavam-se Piet de Jager e Henry Myrdal, que já então eram companheiros e percorriam o país com discursos e a obra de revisitas. Embora, em muitos lugares, os clérigos locais atiçassem a oposição e fizessem ataques do púlpito ou pela imprensa, mui raramente chegavam ao ponto de violência. No entanto, quando os irmãos de Jager e Myrdal chegaram à cidadezinha de Dewetsdorp, no Estado Livre de Orange, a oposição deveras se tornou violenta. Como era usual, alugaram um salão, prepararam os convites com sua pequena caixa de carimbo de tipos móveis de borracha, e anunciaram o discurso. O cinema local fora alugado para essa ocasião, mas, na manhã do dia em que seria proferido o discurso, o proprietário disse aos irmãos que estava cancelando o contrato. O ministro reformado holandês o informara de que, caso permitisse o discurso, a congregação boicotaria o cinema.
Isto deixou os irmãos em maus lençóis. No entanto, dirigiram-se às autoridades municipais e conseguiram permissão de proferir o discurso público na praça do mercado. Imediatamente prepararam novos convites, distribuíram-nos tão rápido quanto puderam, e o discurso foi realizado naquela noite. Cerca de 75 pessoas compareceram.
Antes de o discurso ir muito adiante, a multidão começou a se fechar sobre o orador e a perturbá-lo. A perturbação aumentou bastante. Subitamente, o irmão Myrdal, em pé ao lado do orador, sentiu forte pancada na cabeça, quase o deixando desmaiado. Felizmente, um policial em trajes civis estava presente e viu o que se passava. Atrás da multidão estava o ministro reformado holandês atiçando sua gente e provocando deliberadamente este ato violento. Certas pessoas foram presas, acusadas no tribunal no dia seguinte, e multadas. Sem desanimar, os dois irmãos continuaram sua excursão de discursos.
Em 1928, a retumbante resolução “Declaração Contra Satanás e a Favor de Jeová” fora entusiasticamente adotada pela assembléia em Detroit, Michigan, levando à conclusão uma série de sete mensagens anuais. Nessa mesma assembléia em Detroit, o discurso estimulante do irmão Rutherford, “O Dominador do Povo”, foi transmitido por uma cadeia telefônica da Torre de Vigia de 107 estações de rádio. Na distante Cidade do Cabo, pequeno grupo lembra-se de ouvir esse discurso pelo rádio de ondas curtas. Mas, em adição à transmissão dos Estados Unidos, foi feito um arranjo para se proferirem discursos radiofônicos pela “African Broadcasting Company”, a única companhia de radiodifusão da África do Sul. Permitiu-se a transmissão de sete discursos, em 1928, dos três estúdios da companhia, na Cidade do Cabo, Joanesburgo e Durban. Desta forma, as boas novas atingiram locais remotos e isolados, e muitos ouviram a mensagem do Reino pela primeira vez.
Também, em fins de 1920, os irmãos fizeram uma campanha postal, nacional, a fim de dar testemunho às pessoas que não podiam ser alcançadas pelo trabalho de porta em porta. Frank Smith, um dos irmãos da Cidade do Cabo, custeou a remessa de 50.000 folhetos a todos os agricultores, faroleiros, guardas florestais e outros que viviam fora dos caminhos usuais. Os membros da eclésia da Cidade do Cabo embrulharam e endereçaram todos esses pacotes postais. Como resultado, foram recebidos muitos pedidos de publicações, junto com cartas animadoras, mostrando que as boas novas, enviadas de forma incomum, traziam conforto e alegria às pessoas isoladas. Os religiosos fanáticos ortodoxos, naturalmente, reagiram de forma usual e houve numerosos ataques ardentes nas revistas religiosas por todo o país.
A ÁFRICA DO SUDOESTE OUVE AS BOAS NOVAS
Foi esse serviço postal que levou a mensagem do Reino a alcançar também o território da África do Sudoeste, isto é, a maior parte de seus mais de 824.000 quilômetros quadrados de terras desérticas ou semi-áridas. Por toda a costa ocidental e cerca de uns 145 quilômetros para o interior acha-se o Deserto da Namíbia. A população esparsa e espalhada de 610.000 pessoas, das quais 60.000 são brancos, compõe-se de sul-africanos, alemães e ingleses, do lado europeu, e dos hereros, ovambos, namas ou hotentotes, damaras e bosquímanos, do lado africano. Adicionado a estes há o grupo que orgulhosamente se intitula de “Basters” (literalmente “híbridos”), por sua origem da mistura dos primitivos colonizadores brancos e os hotentotes.
Em 1928, este país ainda estava absolutamente intocado no que tange à obra de testemunho. Mas, durante aquele ano, quando foi organizada a campanha postal, obteve-se um guia de residentes atualizado do país e um exemplar do folheto O Amigo do Povo foi enviado a cada pessoa cujo nome aparecia na lista. Uma destas sementes do Reino caiu em solo bom, de modo incomum.
Um senhor chamado Bernhard Baade trabalhava numa mina naquela época e costumava comprar ovos de um agricultor vizinho. Certo dia, os ovos vieram embrulhados em algumas das primeiras páginas do folheto O Amigo do Povo. Começou a lê-las, e, ao ler, seu interesse cresceu. Mas, teve de esperar outros suprimentos de ovos, embrulhados no resto das páginas do folheto, para continuar sua leitura. Escreveu solicitando publicações e dentro em pouco tomou sua posição em favor da verdade.
No ano seguinte, 1929, a irmã Lenie Theron foi enviada da África do Sul para Windhoek, África do Sudoeste. Dali, ela cobriu todas as principais cidades de todo o país, de trem e carro postal, viajando um total de 8.000 quilômetros. Muitas das pessoas receberam o folheto enviado pelo correio no ano anterior e falaram dele com apreço. As próprias colocações dela foram fenomenais. Em quatro meses, colocou 6.388 livros e folhetos em inglês, africâner e alemão.
Enquanto a irmã Theron estava ativa na África do Sudoeste, sua colega, Elizabeth Adshade, foi enviada à Rodésia do Sul. Embora enfrentasse bastante oposição da polícia e dos magistrados em vários lugares, ela prosseguiu com bravura e cobriu todos os centros populacionais europeus no país.
Em 1929, a mensagem do Reino atingia uma área mui ampla do vasto campo sob a direção da filial da África do Sul. Falando disto, o Anuário de 1930 (em inglês), afirma: “Pedidos de publicações foram recebidos pelo correio até da Colônia de Quênia, bem ao norte, da África Oriental Inglesa; de Tanganica e da Niassalândia, da África Central Inglesa, e do Congo Belga.”
PROBLEMAS NÃO IMPEDEM O PROGRESSO
O irmão Paul Smit, nosso antigo estudante de Nylstroom, achava-se em Pretória em fins da década de 1920. Relembra ele que o grupo de Pretória enfrentava uma crise, e, entre outras coisas, diz: “Não havia progresso no grupo e organizar a companhia para o serviço abalou o grupo, duas pessoas o deixando. Naquele tempo, um dos anciãos (irmão Möller) estava ocupado em escrever um livro, e embora a Sociedade expressasse sua desaprovação, e eu apelasse para que ele abandonasse tal empreendimento, ele persistiu em seu proceder errado. Numa manhã de domingo, depois da publicação do livro, ele trouxe alguns livros até o salão e solicitou que a classe ajudasse na sua distribuição. Eu fiquei abalado com isto e me levantei e disse destemidamente que a Sociedade desaprovara a publicação dele e que me oporia a quem quer que se opusesse à diretriz da Sociedade.” Isso abalou os anciãos e eles se foram, junto com seus seguidores. Os únicos que permaneceram foram uma idosa irmã inválida e o irmão e a irmã Smit.
Logo depois disso, o irmão e a irmã Steynberg se mudaram para a área de Pretória. Isto foi um grande encorajamento para o reduzido grupo de Pretória e também causou muito bem ao casal Steynberg. O grupo de Pretória tinha atravessado difícil período purificador, mas dali em diante o progresso foi contínuo e sólido.
Isto chega quanto ao grupo europeu de Pretória. E o que dizer dos africanos ali? O irmão Hamilton Kaphwitt se mudou de Bulawayo para Pretória em 1927; mas, visto não haver nenhuma reunião africana ali naquele tempo, ele costumava freqüentar as reuniões dos africanos em Joanesburgo. Daí, em 1931, um irmão chamado Mulauzi veio da Niassalândia e juntou-se a Kaphwitt. Estes dois começaram a estudar juntos A Harpa de Deus. Por um bom tempo, as reuniões para os irmãos africanos em Pretória eram realizadas na casa de Hamilton Kaphwitt. Até mesmo hoje, muitas das congregações africanas nos povoados ou “localidades” próximas das cidades européias se reúnem em casas particulares. A construção de Salões do Reino para os africanos tem sido oposta pelas autoridades governamentais e municipais até agora.
Em janeiro de 1930, o irmão Phillips se casou, e sua esposa juntou-se à equipe da filial. Mais reforço para o escritório também chegou em 1930 — Llewelyn Phillips e George Spence. Llewelyn Phillips veio do País de Gales; não era parente de George Phillips, mas também tinha boa experiência no serviço de pioneiro e servira por vários anos no Betel de Londres.
Foi também no início da década de 1930 que a filial da Cidade do Cabo começou a produzir folhetos nas línguas vernaculares, tais como o xosa, zulu e sesoto. A Harpa de Deus foi publicada em xosa e O Reino, a Esperança do Mundo, saiu em zulu.
PENETRANDO NA ÁFRICA ORIENTAL
Em 1931, outro amplo campo em África começou a ser aberto, o da África Oriental Inglesa. Esta se compunha do que são agora três países separados, Quênia, Uganda e Tanzânia (que consiste em Tanganica e a ilha de Zanzibar). No início dos anos 30, estavam todos sob a jurisdição inglesa. Com o aumento do nacionalismo em África, estes estados, um por um, obtiveram sua independência da Grã-Bretanha. Em 1962, a Tanganica tornou-se a república independente da Tanzânia, dentro da Comunidade Britânica. Uganda tornou-se independente nesse mesmo ano e Quênia em 1963. Devido às muitas nacionalidades e tribos que constituem a população dessas partes, há uma confusão poliglota, mas, felizmente, a língua suaili serve de denominador comum da expressão por toda a África Oriental.
Religiosamente a designação de “África Negra” tem sido apropriada. A maioria dos nativos têm sido adeptos de religiões pagãs. As missões da cristandade, tanto católicas como protestantes, têm estado ativas aqui já por muitos anos, mas como em toda outra parte da África, não produziram cristãos que ‘adoram com espírito e verdade’. (João 4:24) Mas, quando foi que os primeiros raios da verdadeira luz começaram a brilhar nesta região espiritualmente obscura?
Na Cidade do Cabo por volta dessa época, um novo irmão chamado Gray Smith participava no serviço de colportor auxiliar. Seu irmão mais velho, Frank, foi o primeiro a obter a verdade, mas, em 1928, Gray também começou a estudar seriamente. Foi batizado em 1929, e quase que de imediato assumiu o serviço de colportor auxiliar. Mais tarde, juntou-se a Frank numa viagem mui interessante pela África Oriental.
Em 1931, os dois foram enviados ao Quênia para explorar as possibilidades de se disseminar as boas novas na África Oriental. Quênia, naquele tempo, era protetorado inglês, com uma população de cerca de 4.000.000, dos quais cerca de 25.000 eram europeus. Eles pegaram um carro, que haviam transformado em camioneta, e partiram no navio “Saxon Castle” para Mombasa, o porto marítimo do Quênia. Dali, viajaram em sua camioneta os 650 quilômetros até Nairóbi, a capital, para a qual haviam enviado quarenta caixas de livros. Devido às estradas ruins, levaram oito dias para fazer essa viagem. Cobriram Nairóbi e colocaram todos os livros em cerca de um mês. Muitos livros foram colocados com indianos de Goa, porém a maioria das publicações foram ajuntadas e queimadas pelos sacerdotes católicos.
Na viagem de volta à África do Sul, ambos os irmãos contraíram malária. Este era verdadeiro risco para a saúde naqueles dias. Obtiveram passagens num navio que partia de Dar es Salaam, mas ficaram tão doentes e delirantes de febre que foram desembarcados em Durban e levados para um hospital. Frank Smith jamais recuperou a consciência e morreu. Gray Smith mal conseguiu sobreviver e teve de passar quatro meses num hospital. Contudo, perto do fim de 1931, retornou à Cidade do Cabo.
Por volta desse tempo, lá na Inglaterra, um jovem chamado Robert Nisbet tinha deixado um bom emprego num laboratório farmacêutico de Londres e estava prestes a empreender o serviço de pioneiro. O irmão Rutherford, que se achava em Londres na ocasião, mandou chamá-lo e lhe disse: “Estamos procurando alguém que possa ir para a Cidade do Cabo; você gostaria de ir?” Robert concordou e imediatamente começou a fazer seus preparativos.
Ao chegar no escritório da Cidade do Cabo, mostrou-se ao irmão Nisbet outra partida de publicações pronta para ser enviada de navio para a África Oriental, desta feita, 200 caixas! Ele ouviu falar da viagem dos irmãos Smith e da tragédia que ocorrera a Frank. Apesar disso, aceitou ansiosamente a designação de ir para a África Oriental. David Norman juntou-se a ele, e viajaram para sua designação. Deveriam cobrir os inteiros territórios de Quênia, Uganda, Tanganica e Zanzibar — realmente um vasto campo!
Protegendo-se da malária por dormir debaixo de redes contra mosquitos, e tomando grandes doses diárias de quinino, disponível em todos os postos do correio na África Oriental ao preço de custo, bem como usando chapéus ou capacetes contra o sol durante o dia, lançaram sua campanha de testemunho em Dar es Salaam, capital de Tanganica, em 31 de agosto de 1931. Esta não era uma designação fácil, conforme indicado pelo comentário do irmão Nisbet: “O reflexo do sol nas ruas de pavimentação clara, o intenso calor úmido e a necessidade de levar cargas muito pesadas de publicações de uma visita para outra eram apenas algumas das dificuldades que tínhamos de enfrentar. Mas, éramos jovens e fortes, e apreciávamos isso.”
Em uma quinzena, estes entusiásticos pioneiros tinham colocado quase mil livros e folhetos, entre os quais havia muitos “Conjuntos do Arco-íris”, assim chamados por causa das cores variadas dos livros. Isto suscitou a ira dos clérigos, e um aviso foi colocado no quadro de anúncios da Igreja Católica, trazendo à atenção de todos os paroquianos a Lei Canônica N.º 1399 que proíbe os católicos até mesmo de possuir tais publicações em suas casas. A maioria desses livros foram colocados com os indianos. Por não terem publicações em suaili e por falta de instrução da parte destes africanos, os irmãos não podiam trabalhar entre eles.
De Dar es Salaam eles foram para Zanzibar, ilha de cerca de 30 quilômetros ao largo da costa, outrora um centro do comércio escravista. Esta cidade, com suas ruas estreitas e serpenteantes, onde um estranho pode facilmente perder-se, estava envolvida num constante aroma de cravos-da-índia, pois Zanzibar praticamente provê cravos-da-índia ao mundo inteiro. Tinha uma população de um quarto de milhão de habitantes, dos quais cerca de 300 eram europeus — naquele tempo eram os governantes. A grande maioria eram de suailis, e cerca de 45.000 eram indianos e árabes. Muitos livros foram colocados com estes indianos e alguns com os árabes, mas, de novo, a maioria da população, sendo de suailis, não foi alcançada com a mensagem do Reino.
Depois de ficarem dez dias em Zanzibar, tomaram um navio para Mombasa, o porto marítimo do Quênia, a caminho dos altiplanos do Quênia, com sua abundância de legumes e frutas frescos, e clima moderado. Viajaram de trem e trabalharam nas cidades ao longo da linha por todo o caminho até o Lago Vitória. Aqui, atravessaram este mar interior, de uns 400 quilômetros de comprimento por 240 de largura, até Kampala, capital de Uganda. Distribuíram aqui grande quantidade de livros e obtiveram assinaturas de A Idade de Ouro. A uns oitenta quilômetros selva adentro, um cavalheiro viu um amigo lendo entusiasticamente o livro Governo. Veio a Kampala encontrar-se com os rapazes que distribuíam essa publicação. Obteve um exemplar de todos os livros e assinou A Idade de Ouro.
Antes de iniciar sua viagem de volta de carro, eles visitaram outra cidade situada a uns 40 quilômetros mais para o interior e ficaram emocionados de servirem de instrumento para levar a mensagem impressa do Reino, pela primeira vez, tão dentro do interior da África. Voltaram dessa cidade por outra rota e sentiram a gostosa experiência de visitar as Quedas Ripon, a fonte do Rio Nilo. Em sua volta a Mombasa, trabalharam mais alguns povoados ao longo da via férrea. Depois de testemunharem em Mombasa, sob indescritível calor, colocando muitas publicações e proferindo dois discursos com boa assistência, foram a mais um lugar ao longo da costa e então, a bordo do “Llandovery Castle” voltaram para a Cidade do Cabo, África do Sul, numa viagem de 4.800 quilômetros.
Nestas duas viagens pela África Oriental, foram colocados mais de 7.000 livros e folhetos, e obtiveram-se muitas assinaturas de A Idade de Ouro. Algumas dessas sementes sem dúvida caíram em solo bom, pois um cavalheiro que obtivera alguns folhetos escreveu à Sociedade na Cidade do Cabo e pediu um conjunto completo dos livros e folhetos do Juiz Rutherford. Era gerente duma mina de ouro na bundu (área isolada) em Tanganica. E, assim, a grande custo em dinheiro, esforços, e até mesmo da própria vida, por parte de devotados e zelosos pioneiros, a mensagem estava alcançando a África Oriental Inglesa e a obra do Reino progredia.
Sim, em 1931, tremendo campo era alcançado pelos poucos fiéis na África do Sul naquele tempo. Nesse ano, um total de 68.280 livros foram colocados no campo sul-africano e foram realizados oito congressos de serviço para fortalecer a fé dos irmãos. Quantos havia para realizar todo esse trabalho em tão amplo campo? Apenas cerca de cem publicadores na inteira África meridional!
AVANTE, COMO TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!
Para coroar o ano de 1931, chegaram do congresso de Columbus, Ohio, nos Estados Unidos, notícias emocionantes a respeito da adoção do nome “Testemunhas de Jeová”. Isto trouxe grande alegria ao povo de Jeová ao redor do mundo, inclusive ao pequeno, mas ativo, grupo na África do Sul. Muitos irmãos encheram-se de reverência diante da idéia de usar o ilustre nome de Deus, mas ajudou-os a avaliar ainda mais o privilégio de declarar o nome de Jeová por toda a África meridional. A obra do Reino e seu desenvolvimento na África meridional tinham atingido outro momento decisivo.
Estimulados pelo seu nome bíblico de “Testemunhas de Jeová”, os irmãos na África meridional foram avante com grande zelo e determinação no início dos anos 30. Cada vez mais armas espirituais e instrumentos teocráticos estavam sendo providos, e, em 1932, o mais poderoso era, sem dúvida, o folheto especial O Reino, a Esperança do Mundo. Em todos os países, as Testemunhas de Jeová se mantinham ocupadas em colocar este opúsculo e em participar de campanha de visitar cada clérigo, político e grande comerciante no território. Muitos deles jamais tinham sido antes pessoalmente contatados, mas, agora, foi-lhes dada essa oportunidade.
Naturalmente, as altas autoridades governamentais e membros do parlamento são difíceis de encontrar. Por isso, os irmãos aproveitaram que, em certas épocas do ano, os parlamentares vão da Cidade do Cabo, a capital legislativa, para Pretória, a capital administrativa. Exatamente no tempo certo quando estes senhores esperavam, na estação da Cidade do Cabo, para partir em sua viagem, os irmãos vieram e lhes presentearam um exemplar deste folheto especial. Com a longa viagem de cerca de 1.600 quilômetros à sua frente, tiveram boa oportunidade de ler o conteúdo da publicação e pensar sobre ela.
Outro instrumento que entrou em uso em 1933 consistia em discursos gravados do irmão Rutherford. A “African Broadcasting Corporation” concordou que a poderosa mensagem destas transcrições elétricas fosse ao ar uma vez por mês a partir de suas três estações principais, na Cidade do Cabo, Joanesburgo e Durban. Desta forma, a mensagem alcançou muitas casas — e, sem dúvida, muitos corações também — na África do Sul, Rodésia do Sul indo tão ao norte quanto a Rodésia do Norte, subindo 3.200 quilômetros pelo continente africano. Ao ouvir os discursos, muitos aceitaram mais prontamente as publicações. Depois de um ano, contudo, um Comitê Consultivo sobre transmissões religiosas foi formado. Compunha-se de clérigos de religiões ortodoxas, que se certificaram de que a mensagem do Reino fosse removida do ar.
No entanto, era impossível parar os zelosos publicadores daqueles dias. Nos pequenos povoados, onde a grande Igreja Reformada Holandesa era o prédio principal por quilômetros ao redor, os agricultores costumavam reunir-se na praça da igreja aos domingos, quando se celebrava a Comunhão (em africâner, isto é chamado nagmaal, que literalmente significa “refeição noturna”). Acampavam ali, com suas tendas e carros de bois. Amiúde, os irmãos passavam entre eles, e isto resultava em muitas palestras. Os irmãos que falavam africâner, em especial, apreciavam muito uma luta espiritual, com as armas da verdade. Mais tarde, estes encontros eram relatados com grande prazer nas suas reuniões de testemunho.
Bem cedo em suas experiências de pioneiro no norte do Transvaal, Fred Ludick teve grave crise de malária. Alguns africanos vieram socorrê-lo e fizeram um preparado duma fruta selvagem, e isto o curou. Mas, em outra ocasião, as coisas não resultaram tão boas para o colega do irmão Ludick, Sidney McLuckie. Este irmão contraiu a febre tifóide. Afirma Fred: “Este meu camarada grandalhão de mais de 75 quilos emagreceu para 40 quilos em poucas semanas, e morreu. Enterramo-lo junto às montanhas em Cala, no Transkei (Província do Cabo).” Assim, outro servo fiel de Jeová dera sua vida no desenvolvimento da obra do Reino na África meridional.
Por algum tempo, o irmão Ludick serviu no bushveld do norte do Transvaal e ali trabalhou com um grupo isolado que incluía o irmão Muller e sua família. No início da década de 1930, o irmão Muller fez tremendo trabalho por todo o norte do Transvaal e até mesmo no norte do Cabo, e ajudou muitos a obterem conhecimento da verdade.
Naturalmente, também tinham suas dificuldades, inclusive no tempo em que Fred Ludick visitou uma estação de missão católica. Ali encontrou o sacerdote e começou a explicar a finalidade de sua visita, mas notou que a face do sacerdote estava ficando cada vez mais corada. De súbito, o sacerdote correu para dentro do prédio, voltou com um revólver e apontou-o para o irmão Ludick. No entanto, Fred se manteve calmo e apenas deu meia-volta e foi andando para o carro, embora sentindo a sua espinha gelada.
Por volta desse tempo, o irmão Ludick já havia “progredido” de sua bicicleta para um modelo Fiat 1928, com raios de madeira. Com este, ele e o irmão Muller cobriram ampla área da selvagem bushveld. Amiúde tinham de dormir sob uma árvore à noite, ouvindo o rugido dos leões. Mas, depois de um dia árduo no campo, percorrendo estradas bem ruins, consertando pneus, furo após furo, dormiam como pedras — com leões ou sem leões! Os freios do carro também lhes causavam dificuldades. Certa ocasião, ao atravessarem o perigoso Desfiladeiro Soutpans Berg, tiveram de amarrar um pedaço de corda de couro cru nos raios das rodas da frente, e puxar forte quando desciam nas partes íngremes — uma provação, acompanhada do cheiro de borracha queimada! Depois duma experiência assim, os dois irmãos ficavam felizes de retornar à fazenda de Muller, onde calorosa acolhida os aguardava por parte da irmã Muller e os filhos. Estas crianças já obtinham bom treinamento em casa, e algumas delas mais tarde iniciaram o serviço de tempo integral. Dois deles ainda servem na filial sul-africana; um deles, Frans Muller, é o atual coordenador da filial.
STA. HELENA RECEBE TESTEMUNHO
Ao passo que esta atividade estimulante ocorria no Transvaal, os pioneiros se preparavam para uma viagem à ilha de Sta. Helena, pequeno pontinho no Oceano Atlântico, a cerca de 1.900 quilômetros ao largo da costa ocidental da África. A ilha só tem uns 121 quilômetros quadrados de área e tem menos de 5.000 habitantes, a maioria sendo de mestiços e muito pobres. Esta ilha remota foi considerada um lugar seguro para o exílio de Napoleão, de 1815 a 1821, quando pertencia aos ingleses.
Gray Smith, tendo agora se recuperado de sua terrível doença, depois da viagem à África Oriental, estava pronto para outro real esforço de pioneiro e se preparava para visitar Sta. Helena. Seu colega desta vez era Hal Ancketill, filho do anterior superintendente da filial, Henry Ancketill. Levaram bom suprimento de publicações e trabalharam cabalmente a ilha toda, colocando cerca de 1.000 publicações.
Em resultado desta visita, um policial, Thomas Scipio, aceitou a verdade e começou a anunciar a mensagem do Reino. Quando se aposentou da força policial, Scipio, com 60 anos, tornou-se pioneiro e se sustentou pelo cultivo de legumes. Seu filho, George Scipio, tornou-se o primeiro superintendente presidente da congregação que mais tarde se formou na ilha.
O irmão Scipio, pai, avaliava desde o início sua responsabilidade de partilhar as boas novas do Reino com outros. Deu testemunho intrépido e amplo a seus parentes e a outros ilhéus. Um ano depois, alguns deles se juntaram a ele na obra de testemunho, e, logo que se tornaram disponíveis fonógrafos e discursos bíblicos em discos, obteve este equipamento. Por muitos anos depois disso, este se provou o seu método mais eficaz de dar testemunho aos que se dispunham a ouvir.
Em 1935, pequeno grupo de seis publicadores foi formado em Jamestown, o único povoado da ilha. As atividades fiéis do grupinho de publicadores ali trouxe resultados, e o grupo cresceu. Um dos novos irmãos, que era dono dum restaurante, também obteve um fonógrafo e jamais perdia a oportunidade de tocar os discos para seus fregueses. Em 1939 já havia dois grupos organizados, um em Jamestown e outro a alguns quilômetros de distância, em Longwood, onde Napoleão fora mantido em custódia.
VOLTA À ÁFRICA DO SUDOESTE
Depois desta visita bem sucedida a Sta. Helena, o irmão Smith decidiu ir à África do Sudoeste em 1935. Para esta viagem, o irmão Smith levou sua esposa e um dos seus filhos. Equiparam uma camioneta com um dos novos fonógrafos e alguns discos.
Certamente passaram momentos agradáveis, colocando nada menos de 13.000 livros e folhetos em apenas cinco meses e obtendo 70 assinaturas de A Idade de Ouro. O clero, na maior parte luterano, católico e reformado holandês, não aceitou isto brandamente. Em um lugar, o ministro reformado holandês acusou o irmão Smith de vender livros sem licença, mas o juiz simplesmente riu e obteve ele próprio algumas publicações.
De novo, algumas sementes da verdade caíram no solo certo. Certo senhor do sul, Abraham de Klerk, que obteve algumas publicações, leu-as e quase que de imediato ficou convicto da verdade. Apegou-se à sua fé recém-achada e ensinou sua família da melhor forma que pôde. Jeová abençoou seus esforços, pois sua esposa e alguns de seus filhos aceitaram a verdade. Quanto ao “Oom” (Pai) Abraham, uma das primeiras Testemunhas na África do Sudoeste, continuou a servir fielmente a Jeová até morrer, em fins da década de 1960.
A SUAZILÂNDIA NOS ANOS TRINTA
Agora, atravessemos para o lado oriental da África do Sul e visitemos outro país interessante, a Suazilândia. Acha-se cercada em três lados pelo Transvaal e, a leste, tem fronteira comum com Moçambique. A área tem cerca de 17.000 quilômetros quadrados, com uma população de umas 420.000 pessoas, da qual apenas alguns milhares são de europeus.
Os pioneiros visitaram a Suazilândia no início da década de 1930 e maravilhoso testemunho foi dado no país. Em adição a visitarem os europeus que moravam nas cidades, também visitaram o chefe principal da nação suazi, o Rei Sobhuza II. Este senhor mostrou grande amabilidade para com as Testemunhas e lhes concedeu uma acolhida real à sua aldeia. Reuniu sua guarda pessoal de cem guerreiros para ouvir uma seleção musical e um discurso gravado do presidente da Sociedade Torre de Vigia, J. F. Rutherford. Também, o irmão F. Ludick, que estava ali, afirma que foi uma experiência e tanto testemunhar ao rei, que estava cercado de cerca de cinqüenta de suas esposas!
Em outra ocasião, Robert e George Nisbet também testemunharam a este rei. Depois de ouvir vários discos do irmão Rutherford, o rei ficou tão deleitado que queria comprar o fonógrafo, os discos e o alto-falante. Uma situação embaraçosa para os pioneiros! Por fim, tiveram êxito em satisfazer o rei por deixar com ele grande estoque de publicações.
ALCANÇANDO MAURÍCIO E MADAGÁSCAR
Em 1933, a filial na África do Sul decidiu enviar dois pioneiros experientes para Maurício e Madagáscar (República Malgaxe). Robert Nisbet e Bert McLuckie receberam a fascinante designação de visitar estas duas ilhas ao largo da costa oriental da África. Primeiramente foram para Maurício.
Antes de partirem de Durban para Maurício, passaram algum tempo tentando aprender francês, que entendiam ser a língua principal de lá. Quando chegaram a seu destino, contudo, verificaram que a maioria dos habitantes falava crioulo, uma espécie de dialeto ou patoá francês. Assim, os pioneiros não conseguiam entender o povo, e o povo não conseguia entender os pioneiros. De fato, o problema do irmão Nisbet era ainda mais complicado, no sentido de que ele possuía forte sotaque escocês. Aconteceu, em certa ocasião que um morador lhe disse: “Por favor, fale comigo em inglês visto que não compreendo sua língua!”
Visto que a influência e o poder principais na ilha eram católicos, não é surpreendente que estes dois pioneiros logo ficassem em dificuldades. Queixas, inspiradas pelos sacerdotes chegaram à polícia, que enviou um cabo à África do Sul confirmando a identidade dos irmãos. A polícia defendeu o direito dos irmãos de pregar, mas avisou-os de que realizar reuniões sem permissão era proibido e que, no caso deles, tal permissão não seria dada. Também, o jornal local La Vie Catholique (Vida Católica), lançou um aviso sobre estes dois “falsos profetas”. Embora isto trouxesse uma queda em suas colocações, não diminuiu sua alegria e determinação em procurar as “ovelhas” prospectivas.
Visitando Maurício ao mesmo tempo que estes dois pioneiros havia o Cardeal Hinsley, católico romano, da Grã-Bretanha com o intuito de oficiar a cerimônia de elevação dum sacerdote ao cargo de novo bispo da ilha. O lugar estava cheio de dignitários e sacerdotes católicos visitantes, que tinham vindo para esta ocasião especial. Isto forneceu aos pioneiros uma oportunidade excelente de oferecer o folheto O Reino, a Esperança do Mundo. Foi Robert Nisbet quem ofereceu o folheto ao próprio Cardeal Hinsley, e este o aceitou sem problemas. Bert McLuckie tentou oferecê-lo ao bispo recém-instalado, James Leen, que quietamente pegou o folheto, rasgou-o em tiras, e jogou-o na cesta de papéis!
Naqueles dias, na ilha de Maurício, os custos de viagem eram mui reduzidos, provavelmente mais baixos do que em qualquer outra parte do mundo. Por exemplo, podia-se percorrer a ilha de trem, em toda a sua volta, daí, de novo de ônibus e de trem por tão pouco quanto meia coroa (uns Cr$ 3,50). Dessa forma, os pioneiros cobriram toda parte da ilha. Além das publicações em francês, colocaram folhetos em chinês e em várias línguas indianas, tais como tâmil, urdu e hindi. Certa ocasião, o editor dum jornal indiano apreciou um longo artigo de A Idade de Ouro que destemidamente expunha o erro da Hierarquia Católica Romana. O editor começou a imprimir este artigo em série. Mas, antes de terminar, a polícia veio e deu ao editor sério aviso de possíveis conseqüências, que o fizeram parar de publicar a matéria. Apesar de grande oposição dos sacerdotes, contudo, os dois pioneiros terminaram sua designação.
Sua visita a Maurício deu amplo testemunho nesta ilha e deixaram pequeno grupo que continuou a dar testemunho informal. Quão felizes devem ter-se sentido os irmãos Nisbet e McLuckie com estes frutos de seus labores! Mas, que dizer de sua visita a Madagáscar?
Esta enorme ilha (a quarta maior do mundo) que se situa ao largo da costa sudeste da África, tem cerca de 1.600 quilômetros de comprimento. A costa leste recebe o pleno impacto das monções e tem grande precipitação pluviométrica! Mas, outras partes da ilha são muito mais secas e, assim, a flora do país varia do tipo desértico para a rica vegetação tropical.
Madagáscar tem uma população de cerca de seis milhões de pessoas de origem bem mista. Parece que os árabes e os hindus estabeleceram postos de intercâmbio comercial em Madagáscar em tempos bem primitivos. Desde então, os portugueses, os franceses e os ingleses tiveram todos algo que ver com tentar colonizar a ilha. Por fim, foram os franceses que tomaram posse dela, e em 1896 ela se tornou colônia francesa. Desde então, a cultura francesa e a língua francesa tiveram grande influência sobre a ilha e seus habitantes. Isto significa que, na década de 1930, quando as Testemunhas de Jeová primeiramente a visitaram com a mensagem do Reino, a religião católica era a predominante.
Robert Nisbet e Bert McLuckie chegaram de navio a Madagáscar em 1933. Começaram seu trabalho de forma cautelosa, iniciando-o em Tamatave, a principal cidade portuária, onde desembarcaram. Rapidamente cobriram o território, colocando muitas publicações, e então foram para a capital, Tananarive, situada no interior.
Ao chegarem a Tananarive, entraram em contato com um lojista grego que possuía algumas publicações da Sociedade em seu próprio idioma. Ele as recebera de seus parentes em Brooklyn, Nova Iorque. Os irmãos ficaram muito animados com isso, e ficaram deleitados quando este hospitaleiro grego lhes forneceu acomodações gratuitas num quarto em cima de sua loja.
Os irmãos Nisbet e McLuckie não conseguiram estabelecer qualquer grupo ou congregação nesta visita. Naturalmente, enfrentaram grandíssimo problema com a língua, visto que pouquíssimas pessoas entendiam inglês. Mas, permaneceram em Tananarive até que haviam colocado todas as suas publicações, antes de voltarem à África do Sul. Assim, muitas sementes da verdade foram semeadas nesta ilha.
ESFORÇOS INICIAIS EM MOÇAMBIQUE
Outro amplo campo em que se fizera muito pouco era a possessão portuguesa chamada Moçambique. A área tem cerca de 786.000 quilômetros quadrados e é mormente plana e de baixa altitude. Sua população agora é de 6.650.000 habitantes dos quais apenas pequena porcentagem é de brancos. A capital é Maputo (ex-Lourenço Marques), importante porto situado no extremo sul perto da fronteira com a África do Sul. O outro porto e cidade importante é Beira, a algumas centenas de quilômetros mais para o norte.
A Igreja Católica dominou o campo religioso durante séculos embora supostamente houvesse liberdade religiosa, e havia bom número de pequenas seitas protestantes que operavam nas cidades. Trabalhos forçados eram empregados nas fazendas, e, para estes, os trabalhadores africanos recebiam muito pouca paga. Também, os castigos dados aos africanos eram severos. Do lado mais brilhante, havia o fato de que na África Oriental Portuguesa não havia barreiras oficiais de cor. Não havia letreiros “Somente Brancos” e nenhuma segregação nos transportes, bancos, lojas, ou em parte alguma. O que possuíam era uma distinção entre os próprios africanos, entre os africanos “incivilizados” e os que chamavam de africanos assimilados ou “civilizados”. Qualquer africano podia subir de categoria, passando de “incivilizado” para “civilizado” por um processo legal. Fazia certos exames e se tornava homem “branco”, ao invés de “preto”, não importava qual fosse sua cor. Um africano que desejasse fazer isso dirigia uma petição ao tribunal local e tinha de provar que era alfabetizado em português, pertencia à fé cristã (católica), tinha certa situação financeira, e estava disposto a viver do modo europeu. A coisa principal era ser capaz de adotar o modo de vida do homem branco. Tinha então direito de ter passaporte, seus filhos gozavam de instrução gratuita e ele tinha direito de votar, mas se tornava sujeito ao serviço militar, e tinha de pagar alto imposto de renda. Apenas pequeníssima proporção dos africanos conseguiam habilitar-se.
Em 1925, a semente do Reino tinha encontrado bom solo entre os africanos nesta parte da terra, e, durante vários anos, cresceu continuamente sem empecilhos. Mas, em fins de 1930, as autoridades começaram a verificar os que assinavam A Sentinela e um bom número deles foram presos. Os presos no sul de Moçambique encontraram outros irmãos na prisão, que tinham vindo da Niassalândia, de modo que havia um grupo bem grande que ficou junto. Foi somente depois de dois a três anos que por fim foram julgados, o que resultou em alguns serem deportados para a colônia penal de São Tomé por doze anos, ao passo que outros foram enviados a campos de trabalhos forçados na parte norte de Moçambique durante dez anos. Na sentença, declarou-se que não deviam ficar juntos em um só lugar, pois então a área ficaria ‘envenenada pelo seu ensino, porque se trata de algo muito forte’.
No grupo sentenciado se achava um irmão chamado Mahlanguana. Ele se lembra de que um dos lugares em que trabalhou, no norte, era grande plantação de coco, perto do pequeno porto de António Enes. Certo dia, o chefe de polícia veio examiná-lo e o achou preparando um sermão bíblico. O chefe relatou isto ao diretor da colônia penal, mas disse que isto não faria mal algum. O chefe de polícia, contudo, deu uma surra no irmão Mahlanguana, e o lançou por quatro meses na prisão. Anos mais tarde, tendo cumprido sua sentença, o irmão Mahlanguana voltou para Vila Luíza. A obra de pregação do Reino tinha ficado parada ali. Mas, sua volta ajudou os interessados locais a começar tudo de novo e a obra cresceu bem.
Desse modo se dera excelente início no campo africano do sul de Moçambique. Mas, que dizer dos europeus?
Foi em 1929 que o primeiro europeu chegou a Lourenço Marques e começou a dar testemunho aos brancos portugueses. Este era Henry Myrdal, que deixara o serviço de pioneiro a fim de se casar com Edith Thompson. Os dois trabalhavam por si mesmos, achando às vezes difícil prosseguirem o trabalho. Mas, em 1933, Piet de Jager, que já por essa época se casara com a zelosa colportora Lenie Theron, foi enviado pela Sociedade para ajudar no campo europeu em Moçambique. O irmão e a irmã de Jager cobriram todo o território europeu ali e colocaram grandes quantidades de publicações, tanto em inglês como em português.
Dois outros pioneiros visitaram Lourenço Marques em 1935, mas sua permanência foi deveras muito curta. Os pioneiros eram os irmãos Fred Ludick e David Norman. Ficaram hospedados com a família Myrdal. Eis aqui sua história: “No quinto dia de nosso trabalho, quando estávamos sentados exatamente como dois visitantes bem comportados tomando chá numa praça pública, o irmão David me disse: Fred, não olhe agora nessa direção, mas à sua esquerda, lá longe, há dois homens que nos vigiam já por meia hora’ . . . Quando chegamos em casa, nesse mesmo dia, a irmã Edith Myrdal disse: ‘A polícia secreta esteve aqui, procurando várias vezes por vocês dois.’ Suas palavras mal tinham terminado quando soou alto a sirena duma camioneta que contornava na esquina, e fomos imediatamente colocados na Maria Negra (a camioneta usada para pegar ou transportar criminosos).”
Os dois irmãos foram conduzidos a alta autoridade, o Sr. Teixeira, a quem David Norman disse intrepidamente que sabia que o bispo estava por trás de toda a conspiração. Isto tocou num lugar mui sensível e Teixeira pulou e disse gritando: “Se fossem cidadãos daqui, eu faria com que fossem banidos agora mesmo para a Ilha da Madeira, mas por serem cidadãos sul-africanos, farei com que sejam deportados imediatamente.” Nesse mesmo dia, os irmãos deixaram Lourenço Marques para a fronteira da África do Sul, com um carro cheio de policiais na frente e outro atrás, todos armados até os dentes de revólveres e espadas. Ao chegarem à fronteira, os irmãos que ainda tinham algumas publicações, testemunharam aos policiais, colocaram publicações com eles e então trocaram apertos de mão com todos ao redor e lhes disseram adeus!
Outras ações do bispo de Moçambique se deram em 1937, quando o irmão Myrdal foi chamado para uma entrevista com o chefe de polícia, que disse que havia recebido uma queixa do bispo. Sua queixa tinha sido de que as publicações da Sociedade, distribuídas pelo país, resultariam em o povo tomar armas e provocar uma revolução. O irmão Myrdal tentou explicar, mas a autoridade não quis escutar e o informou de que, se continuasse a distribuir publicações, seria deportado imediatamente.
No entanto, o irmão Myrdal batalhou. Conseguiu uma entrevista com o governador-geral, a fim de recorrer da decisão da polícia. O governador, embora bondoso, pôs o assunto nas mãos de seu auxiliar, o Sr. Mano. Acontece que Mano era uma pessoa muito razoável, nominalmente católico, mas em desacordo com muitas das doutrinas da Igreja. Ele leu as publicações da Sociedade com cuidado e chegou à conclusão de que era falsa a acusação de que elas fomentariam a revolução. O Sr. Mano ficou muito impressionado com os livros, e disse que não tomaria nenhuma ação. Assim, o plano do bispo de livrar-se das Testemunhas de Jeová estava sendo frustrado.
No ínterim, os patrões do irmão Myrdal ficaram muito aborrecidos diante da possibilidade de ele ser deportado. Devido à atitude deles, o irmão Myrdal pediu demissão, mas, ao invés de a aceitarem, a firma por fim decidiu transferi-lo para sua loja de Joanesburgo, o que entraria em vigor mais tarde, em 1939.
Todavia, outra tentativa de enviar pioneiros europeus para Lourenço Marques foi feita em 1938. David Norman veio de novo, desta feita com novo colega, o irmão Frank Taylor, que chegara recentemente da Inglaterra. Mas, em questão de alguns dias depois de sua chegada, a polícia entrou de novo em ação. Suas instruções eram de que os dois pioneiros tinham de parar de trabalhar ou seriam deportados de imediato. A filial da Cidade do Cabo aconselhou os pioneiros a voltar à África do Sul, mas deixar seu grande estoque de publicações em português com o casal Myrdal.
No ínterim, o governador-geral, que fora amigável e simpático, e que era benquisto pelo povo, foi removido pelo governo português e transferido para a pequena colônia portuguesa de Goa, na Índia. Fanática autoridade católico-romana tomou seu lugar.
Compreendendo que a permanência do casal Myrdal em Moçambique duraria pouco, a Sociedade sugeriu que os exemplares das publicações fossem enviados pelo correio a cada autoridade do governo através do país. O casal Myrdal preparou envelopes com publicações em português e, no próprio dia anterior à sua partida do país, colocou estas centenas de pacotes em várias caixas do correio.
Embora nenhum interesse definitivo tivesse sido estabelecido no campo europeu de Moçambique, havia rápido progresso no campo africano, apesar da perseguição. Em 1940, o número de publicadores africanos em Moçambique já atingira um auge de trinta e oito. Realizavam reuniões em quatro centros diferentes.
ORGANIZANDO-SE NA NIASSALÂNDIA
Depois da visita do irmão Hudson à Niassalândia, em 1925, os poucos que continuaram a buscar orientação da Sociedade se mantiveram em contato com o escritório da Cidade do Cabo. Daí, em 1933, tornou-se evidente que havia um núcleo de pessoas sinceramente interessadas que precisavam de ajuda. Assim, fez-se uma petição para se ter um representante europeu na Niassalândia. O pedido foi recebido favoravelmente pelo governador. Assim, em maio de 1934, abriu-se um depósito naquele país, em Zomba, sob a supervisão da filial da África do Sul. Tanto quanto o escritório da Cidade do Cabo podia julgar, havia então cerca de cem pessoas sinceramente interessadas na Niassalândia. Bert McLuckie foi enviado da África do Sul para organizar a obra naquele campo.
Seu destino era a casa de Richard Kalinde, onde permaneceu por um mês, mais ou menos. Este irmão africano se tornaria companheiro íntimo dele, durante sua estada na Niassalândia. O irmão McLuckie mal tinha começado, quando sofreu grave ataque de malária, que o lançou num hospital por duas semanas. Depois de sua recuperação, conseguiu obter duas salas para serem usadas como o depósito da Sociedade na Niassalândia. Usou uma como escritório e a outra como dormitório.
Sua tarefa principal, de início, era pôr ordem nas condições caóticas causadas pelos chamados “movimentos da Torre de Vigia”. Isto não resultou ser tão difícil como tinha esperado. Por um lado, o chefe de polícia na Niassalândia reconhecia que os falsos movimentos africanos nada tinham que ver com a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA). Também, a filial da Cidade do Cabo dera clara orientação ou direção para que cuidasse da situação. Ele visitou grupo após grupo, em todas as partes da Niassalândia. Após proferir um discurso em cada lugar, o irmão Kalinde atuando como intérprete, simplesmente lia a resolução publicada no folheto O Reino, a Esperança do Mundo. Esta resolução se relacionava ao nome bíblico “Testemunhas de Jeová”. Solicitava-se a todos os que estavam a favor desta resolução que mostrassem isso por erguer as mãos. A maioria deveras erguia as mãos, porém muitos eram insinceros, como provaram eventos posteriores.
O irmão McLuckie fez outras visitas às congregações, de tempos a tempos, e ajudou muitos deste modo a retirar seu apoio dos falsos “movimentos da Torre de Vigia” e seus líderes. Ao fazer este trabalho, o irmão McLuckie teve muitas experiências interessantes, visto que algumas congregações estavam muito longe das estradas comuns. Às vezes, os irmãos locais realmente construíam estradas que se estendiam por quilômetros mata adentro, para que seu carro pudesse atingir seus locais de reunião. Um grupo bem isolado só pôde ser alcançado de canoa. Tratava-se duma viagem bem perigosa, de dezenas de quilômetros no meio de águas infestadas de crocodilos. O irmão McLuckie sentou-se numa cadeira, no meio da canoa, tendo cuidado para não balançá-la, e os irmãos africanos se revezavam em remar. Ele certamente apreciou o modo como os irmãos forneceram acomodações e alimentos, e mostravam seu apreço pelas coisas espirituais.
O irmão McLuckie também trabalhou entre os europeus na Niassalândia, e, em certo ponto, visitou um lugar chamado Karonga. A fim de chegar lá, teve de descer de carro pelo Monte Livingstonia, por uma estrada de curvas tão fechadas que teve de parar o carro e fazê-las por lentamente dar marcha à ré e então ir avante. Um de seus contatos foi com dois comerciantes gregos que obtiveram publicações em sua própria língua. Mais tarde, um deles foi batizado.
Em novembro de 1934, dois pioneiros da África do Sul fizeram uma viagem pela África Oriental Portuguesa e entraram na Niassalândia. Puderam testemunhar às pequenas populações européias de Zomba, Blantyre, Limbe e outros lugares. Os registros mostram que colocaram setecentos livros e folhetos nessa viagem. Pelo que parece, esta era a primeira vez que qualquer trabalho sistemático de casa em casa tinha sido feito entre os europeus ali.
Assim, por fim, sólida organização teocrática estava sendo estabelecida na Niassalândia. Os relatórios do serviço de campo também estavam sendo ajuntados e, para 1934, a média de publicadores era de vinte e oito. Logo depois disso, o irmão McLuckie foi chamado de volta para trabalhar na filial da Cidade do Cabo. Seu irmão, Bill McLuckie, assumiu a direção do depósito na Niassalândia em 17 de março de 1935, e serviu ali fielmente por muitos anos.
À medida que a organização teocrática se estabeleceu entre os muitos interessados na Niassalândia, o número dos participantes no serviço de campo e que relatavam aumentou muito rápido. O ano de 1935 presenciou o número de publicadores aumentar de 28, em 1934, para 340! No ínterim, a oposição local também crescia e alguns dos missionários da cristandade incitavam as autoridades do governo para interferirem nas atividades dos irmãos. Tiveram deveras êxito em proscrever um dos folhetos e a revista A Idade de Ouro naquele país, a partir de novembro de 1934. Mas, o crescimento continuou e, em 1937, o número de congregações tinha subido para 48, e o auge de publicadores ascendera para 1.319.
Logo depois disso, alguns discursos foram gravados em cinianja e estes foram muitíssimo apreciados pelos irmãos africanos. Muitas das congregações se juntavam para comprar equipamento sonoro, algumas faziam arranjos para pescarias em grupo no Lago Niassa, então levando seus peixes para o mercado e incluindo a renda no seu “fundo para fonógrafos”. Em alguns locais do norte, compravam enorme árvore, e então a derrubavam e a levavam flutuando para seu povoado. Ali, escavavam o tronco e o transformavam numa canoa. Esta era então vendida, e com o dinheiro eles conseguiam comprar um fonógrafo. Isto significava meses de trabalho árduo para os publicadores, mas os habilitava a conseguir um fonógrafo e tornar mais eficaz sua atividade do Reino. O livro Riquezas foi publicado em cinianja naquele ano, fornecendo à congregação maravilhoso alimento espiritual. Por conseguinte, o servo do depósito pôde relatar que havia uma união entre os irmãos tal como nunca antes houvera.
ESFORÇOS RENOVADOS NA ÁFRICA ORIENTAL INGLESA
Conforme mencionado antes, a África Oriental Inglesa foi visitada em 1931 pelos irmãos Gray e Frank Smith, e, mais tarde, por Robert Nisbet e David Norman. Muitas publicações tinham sido colocadas durante essas visitas e amplo testemunho fora dado. Mas, era tempo para outra visita.
A terceira campanha na África Oriental aconteceu em 1935 por parte de quatro pioneiros da África do Sul. Eram Gray Smith, sua esposa, e os dois irmãos Nisbet, Robert e George. Desta feita, estavam bem equipados com duas camionetas de 750 quilos, adaptadas como dormitórios, e contendo camas, cozinha, suprimento de água e um tanque extra de gasolina, também telas removíveis de filó para proteção contra os mosquitos. Esta mobilidade os habilitou a alcançar lugares não testemunhados antes, embora as estradas às vezes fossem tomadas pelo mato até de três metros de altura. Amiúde dormiam nas florestas e podiam ver, ouvir e sentir o pulsar do coração da África, com sua abundância de vida selvagem — leões rugindo à noite, zebras e girafas pastando pacificamente, e a ominosa presença de rinocerontes e elefantes.
Ao chegarem a Tanganica, separaram-se. O irmão Smith e esposa permaneceram em Tanganica por algum tempo, ao passo que os irmãos Nisbet foram para Nairóbi, onde o casal Smith deveria reencontrá-los mais tarde. Quando em Tanganica, o casal Smith foi preso e se lhe mandou que retornasse à África do Sul. Mas, o irmão Smith decidiu prosseguir para Nairóbi, visto possuir um passaporte sul-africano endossado como “súdito britânico por nascimento”. Ao chegar a Nairóbi Quênia, ele e sua esposa de imediato se dirigiram às autoridades policiais e obtiveram permissão de ficar ali, ao depositarem 100 libras (uns Cr$ 2.800,00) que receberam de volta ao retornarem para o sul.
Daí foram para Uganda. Ao chegarem a Kampala, notaram ser um lugar hostil, onde a polícia os mantinha sob contínua vigilância. Outrossim, tiveram êxito em colocar muitas publicações antes de serem obrigados a deixar Uganda, devido à ordem de deportação do governador. Assim, retornaram a Nairóbi, onde mais uma vez se juntaram aos irmãos Nisbet.
Aqui, também, provaram a oposição das autoridades, mas foi dado excelente testemunho, sendo distribuídos mais de 3.000 volumes, e, aproximadamente, 7.000 folhetos, obtendo várias assinaturas de A Idade de Ouro. Vigoroso protesto foi feito contra as ordens de deportação, mas sem nenhuma explicação satisfatória das autoridades.
Durante esta campanha, Robert Nisbet contraiu febre tifóide e foi deixado no hospital de Nairóbi, enquanto o restante do grupo retornou. O irmão Smith e George Nisbet tentaram entrar em Zanzibar, mas lhes foi negada a permissão; assim, voltaram para a África do Sul. Robert Nisbet se recuperou bem, e, mais tarde, em 1955, tornou-se o primeiro superintendente da filial em Maurício. Seu irmão George, depois dum período de serviço missionário em Maurício, foi enviado de volta à África do Sul e começou a servir na filial sul-africana em 1958.
Estes pioneiros que abriram caminho para a “África Negra” deveras possuíam grande fé, de modo a enfrentar todas as dificuldades e perigos que esta empresa envolvia. Dentre os seis pioneiros, quatro passaram bastante tempo nos hospitais — como resultado da hematúria malárica, da malária e da febre tifóide. Através de seus esforços, tremenda quantidade de publicações foram distribuídas, lançando uma base para a obra de edificação espiritual que os graduados da Escola de Gileade iriam começar nos anos 50.
MAIS PROGRESSO NA RODÉSIA DO SUL
A última visita à Rodésia do Sul (agora Rodésia) fora feita em 1929 por uma pioneira isolada, a irmã Adshade, que encontrara muitos obstáculos por parte das autoridades. A visita seguinte de pioneiros da África do Sul foi feita em maio de 1932. Tratava-se dum grupo de quatro pioneiros em dois carros, o irmão e a irmã Piet de Jager, e os irmãos Robert Nisbet e Ronald Snashall. O grupo chegou à fronteira numa tarde de sábado, quando as autoridades estavam participando num jogo de tênis. Os irmãos declararam que representavam a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, e as autoridades, talvez ansiosas de voltar a seu jogo, não fizeram outras perguntas; daí, não compreendiam que estavam permitindo a entrada no país de representantes da real Sociedade Torre de Vigia (EUA). Mas, logo depois as coisas pegaram fogo. Depois de apenas alguns dias de trabalho em Bulawayo, os pioneiros foram convocados à sede do D. I. C. (Departamento de Investigações Criminais) e à delegacia de polícia, e tiveram de fazer declarações extensivas por escrito.
Vários dias depois, por ordem do governador, os irmãos receberam instruções de deixar o país em 48 horas, e não se permitiu nenhum recurso. Consultaram um senhor amigável que tinha experiência legal e, seguindo seus conselhos, insistiram em apresentar um recurso, recusando-se a ir até que se fizesse uma decisão. Apresentaram seu recurso ao chefe do D. I. C., para transmiti-lo ao governador. No dia seguinte mesmo, os jornais na Inglaterra e África do Sul publicavam relatórios do incidente. O Cape Times, de 30 de maio de 1932, dizia: “BULAWAYO, sábado. Quatro visitantes europeus da União, que chegaram aqui há três semanas, com intenções de fazerem serviço missionário, receberam ordens de deixar a Colônia até a próxima segunda-feira, sendo considerados pelas autoridades como ‘habitantes ou visitantes indesejáveis’.
“As autoridades, diz-se, desaprovam as doutrinas que crêem os missionários tencionam propagar.”
No ínterim, os irmãos tinham entrado em contato com a filial de Londres, e dali a Sociedade enviou um cabograma ao Alto Comissário da Rodésia do Sul. Como resultado, a decisão foi mudada e o grupo teve permissão de ficar por seis meses, uma vez que não trabalhasse entre os africanos. Esta era agora a terceira vez que excelente testemunho era dado à população européia na Rodésia do Sul. Embora não haja registro de qualquer interesse notável suscitado nessa ocasião um testemunho pessoal e cópias do livro Vindicação e do folheto O Reino, a Esperança do Mundo, foram dadas a quase todos os regentes deste país.
Durante sua estada, o irmão P. de Jager fez uma visita especial ao Sr. Moffat, primeiro-ministro da Rodésia, em sua fazenda. Pelo que parece, tiveram uma palestra mui amigável. Em resultado, o irmão de Jager escreveu cartas às autoridades solicitando permissão para que se enviassem representantes, europeus, de modo que a obra da Sociedade Torre de Vigia (EUA) entre os africanos ficasse sob adequada supervisão. Fez isso em outubro de 1932. A filial na Cidade do Cabo já enviara uma carta, para esse fim, ao secretário colonial do governo na Rodésia do Sul, datada de 14 de setembro de 1932. No entanto, este esforço conjugado da filial da Cidade do Cabo e do irmão de Jager fracassou. Parece que as autoridade rodesianas, instigadas pelo clero local, tinham fechado a porta para as Testemunhas de Jeová na Rodésia.
A filial da Cidade do Cabo não aceitou esta negativa, e escreveu outra carta comprida ao secretário colonial da Rodésia em outubro de 1932, expressando seu ponto com muita firmeza. A resposta veio breve e sucinta: “O Governo não pode reconsiderar sua decisão previamente comunicada a V. S., na qual certos representantes de sua sociedade foram declarados imigrantes proibidos para esta Colônia.” Ainda outra tentativa uma carta dirigida ao Ministro dos Assuntos Internos da Rodésia, um ano depois, em novembro de 1933, trouxe a mesma resposta.
A filial da Cidade do Cabo continuou tentando, e cada ano, por diversos anos em seguida, escreveu longa carta às autoridades de Salisbury, solicitando permissão para enviar representantes especiais da Sociedade a fim de organizar e dirigir a obra do Reino. O governo, por sua vez, escreveu regularmente, em resposta, recusando permissão. O fato de que, em 1934, as autoridades da Niassalândia deram permissão que se abrisse um depósito e que um irmão europeu organizasse a obra ali, e que similar arranjo fora feito na Rodésia do Norte, em 1936, forneceu à filial da Cidade do Cabo nova munição para usar nesta luta. Em 1938, pelo que parece, dois pedidos foram feitos, e em resposta ao segundo, uma carta do Secretário de Assuntos Nativos, datada de 16 de novembro de 1938, dizia: “Estou autorizado a informar a V. S. que o Governo não está preparado para reconhecer a Sociedade até que disponha de mais tempo para observar o efeito do reconhecimento na Rodésia do Norte e na Niassalândia. E, ainda mais, que é improvável que o Governo concorde em conceder o reconhecimento à Sociedade até que suas publicações sejam menos inadequadas para os nativos desta Colônia.”
No entanto, os esforços de promover a obra do Reino na Rodésia do Sul assumiram outras formas além da troca regular de cartas entre a filial da Cidade do Cabo e o governo da Rodésia do Sul. Em 25 de outubro de 1935, o Southern Rhodesia Government Gazette (espécie de Diário Oficial da Rodésia do Sul) publicou o texto de dois projetos de lei formulados para controlar a obra de pregação. Um foi mencionado como “Lei dos Pregadores Nativos, 1936”, visando controlar os movimentos religiosos entre os nativos pela expedição de certificados aos pregadores e instrutores nativos. Depois de muitas discussões e debates, este projeto de lei não foi transformado em lei. Outro projeto de lei, mencionado como “Lei Contra a Sedição, 1936”, tinha por fim suprimir declarações, jornais, gravuras e discos de gramofone sediciosos. Discussões e debates subseqüentes tornaram bem claro que este projeto de lei era especialmente dirigido contra a obra da Sociedade. Esta Lei Contra a Sedição, antes de promulgada, sendo tão obviamente uma nova arma forjada contra a obra do Reino, atraiu sobre si o fogo do escritório da Sociedade em Brooklyn. O próprio presidente Rutherford escreveu uma carta ao primeiro-ministro da Rodésia do Sul, e a todos os membros da assembléia legislativa, avisando-os do perigoso curso que seguiam. A filial da Cidade do Cabo imprimiu 25.000 cópias desta carta e estas foram enviadas a todo europeu cujo nome aparecia no guia da Rodésia do Sul.
Mas, apesar disso, a Lei Contra a Sedição foi promulgada e, pouco depois, quatorze publicações da Sociedade foram declaradas sediciosas (sete volumes encadernados e sete folhetos). Como caso-teste, exemplares deles foram de imediato enviados pelo correio para um irmão africano, o irmão Kabungo, que visitava as congregações da Rodésia do Sul naquele tempo. As autoridades alfandegárias se apoderaram delas ao chegarem a Bulawayo, e a Sociedade reagiu por solicitar sua devolução. O processo chegou ao Tribunal Superior da Rodésia do Sul em maio de 1937. O advogado da Sociedade, Sr. Beadle (mais tarde, ministro-presidente do Supremo Tribunal da Rodésia), fizera cuidadoso estudo das publicações. Ao palestrar com o irmão George Phillips, superintendente da filial da África do Sul, durante dois dias, antes de o processo se iniciar, ele mostrou que estava a par de seu conteúdo. Os méritos dos livros foram plenamente considerados no tribunal, por vários dias. O irmão Phillips, vindo da Cidade do Cabo, teve a experiência incomum e interessante de sentar-se ao lado do advogado de defesa no tribunal e ajudá-lo a encontrar textos relevantes e a dar a explicação apropriada de trechos das publicações sob exame. Depois da audiência, o Meritíssimo Sr. Juiz, J. Hudson, deu a entender que leria os livros antes de fazer sua decisão. Sua decisão foi anunciada em 23 de setembro de 1937. O juiz considerou os prós e os contras dos argumentos da defesa, daí, resumiu sua decisão, dizendo: “Todas elas podem ser caraterizadas como publicações escritas em boa fé, com a intenção de chamar a atenção para se remediar os defeitos fundamentais na organização e administração de todos os governos terrestres. . . . Minha decisão é de que nenhuma dessas publicações é sediciosa.”
Esta foi importante vitória para a Sociedade. No entanto, a resposta do governo foi interpor recurso. Este foi argüido perante a Divisão de Recursos do Supremo Tribunal da União Sul-Africana em 15 de março de 1938. A decisão foi anunciada em 22 de março de 1938, pelo Ministro N. J. de Wet, e esta mantinha a decisão da Corte da Rodésia do Sul. O caso obteve muita publicidade nos jornais da Rodésia e da África do Sul. Com efeito, o Chronicle de Bulawayo citou por extenso a decisão do tribunal. Desta forma, deu-se excelente testemunho e as publicações da Sociedade foram liberadas.
A obra entre os irmãos crescia bem. Em 1938, o número de proclamadores do Reino subira para 321, e 20 fonógrafos eram usados no campo. O número de companhias, ou congregações, era então de 34.
No princípio de 1938, a Sociedade solicitou mais uma vez permissão de enviar dois representantes europeus para trabalhar e incentivar o campo europeu e esta foi concedida, “uma vez que cada um deles, quer antes quer ao chegar, forneça uma declaração escrita de não distribuir quaisquer publicações nem dirigir reuniões públicas ou fazer qualquer propaganda entre a população nativa da Rodésia do Sul”. Assim, embora a maré da batalha se estivesse voltando em favor da Sociedade, de forma alguma tinha passado.
Os dois pioneiros enviados para lá pela Sociedade em 1938 eram Robert Nisbet e Jim Kennedy, sul-africano que era um tanto novo no serviço de pioneiro. No posto da fronteira, em Beitbridge, as autoridades os fizeram parar, interrogando-os e por fim permitindo sua entrada no país por seis meses. Passaram agradáveis momentos ao trabalhar entre os europeus e deixaram muitas publicações onde quer que foram. Em certo lugar, zona de mineração de ouro, colocaram cerca de 200 livros encadernados em um só dia. A polícia, naturalmente continuava vigiando-os e tinham de apresentar-se constantemente à delegacia local. Quase em toda a parte as pessoas pareciam ter ouvido falar neles, e esperavam sua visita. Os agricultores eram, na maior parte, amigáveis e hospitaleiros, mas, em algumas ocasiões, quando ouviam o nome “Torre de Vigia”, era como atrair um touro.
Em Bulawayo, encontraram o irmão McGregor, que estivera na verdade na Escócia, mas ficara espiritualmente frio. Foi muito incentivado pelos pioneiros e, depois de algum tempo, fez novo início na obra. Os pioneiros também encontraram a família Gunn, que tinha entrado em contato com George Phillips e Henry Myrdal, cerca de doze anos antes. Também estavam inativos, mas foram reavivados espiritualmente, pelos dois pioneiros. Assim, em 1938, conseguiram organizar um grupo em Bulawayo. Era o primeiro grupo de estudo europeu na Rodésia do Sul, com cerca de dezessete pessoas mostrando interesse. Com o tempo, o irmão McGregor atuou como representante da Sociedade na Rodésia e fez um trabalho muito útil em ajuntar relatórios e cuidar dos interesses do Reino naquele país.
ENFRENTANDO DIFICULDADES NA RODÉSIA DO NORTE
As Testemunhas ganhavam a batalha na Rodésia do Sul. Mas, como iam no país vizinho da Rodésia do Norte (Zâmbia), onde, lá em 1925, Mwana Lesa causara tantas dificuldades?
Os anos que se seguiram ao episódio de Mwana Lesa foram difíceis. Na maioria dos centros principais, ao longo da linha férrea, encontravam-se grupos de interessados. A linha tinha sido estendida de Livingstone, na fronteira sul, até à área do Cinturão do Cobre e a fronteira do Congo, adjacente ao Cinturão do Cobre. Tais grupos se formavam de pessoas que tinham tido contato pelo correio com o escritório da Sociedade em Brooklyn, Nova Iorque, ou com o escritório da Cidade do Cabo. O âmbito das comunicações se limitava a pedidos de publicação e donativos. Quem mantinha a correspondência tornou-se reconhecido como líder do grupo e os que se associavam com o grupo o reconheciam como tal.
Devido ao contínuo fustigamento das autoridades seculares e a falta de direção organizacional, a maioria das reuniões limitava-se a pequenos grupos nas casas. Todavia, cristãos sinceramente devotados faziam sério estudo da Palavra de Deus com a matéria limitada disponível.
Um rapaz que procurava orientação era Thomson Kangale. Em 1931, Thomson, com seus vinte e poucos anos, encontrava-se a procura de emprego, depois de ser fechada a Mina Bwana em Mkumwa, devido à depressão mundial. Procurava assim um novo emprego, e o encontrou, na Mina Nkana em Kitwe. Logo foi designado a supervisionar dois times de futebol de empregados da mina. Partilhando o alojamento com ele havia um rapaz, um goleiro. Certo domingo, este rapaz deu de encontro com a reunião local das Testemunhas de Jeová, e voltou com uma edição de bolso dum volume de Estudos das Escrituras. Thomson, estimulado pela determinação desse rapaz de entender o conteúdo do livro, decidiu ir a tais reuniões e ver as coisas por si mesmo. Na reunião a que compareceu, deu-se ênfase especial ao uso de A Harpa de Deus, e Thomson obteve um exemplar. Lembra-se de ter devorado o conteúdo de seu novo livro, e logo “devotei todas as minhas emoções, de todo o coração, a fazer a obra de Deus”, habilitando-se como candidato ao batismo em água naquele mesmo ano. O irmão Thomson Kangale entrou no serviço de pioneiro em 13 de outubro de 1937, e tem servido como servo aos irmãos, e servo de distrito (superintendente de circuito e de distrito), levando as boas novas a áreas de Tanganica e Uganda, em designações da filial da Rodésia do Norte.
No entanto, rememorando alguns anos antes do contato com a verdade do irmão Kangale, vemos que a obra de pregação sofreu grande oposição na Rodésia do Norte. Todos os esforços da Sociedade, de 1927 a 1934, de enviar representantes europeus em base permanente para supervisionar a obra na Rodésia do Norte foram quer recusados, quer ignorados. As duas últimas solicitações feitas naquele período eram, uma de 12 de outubro de 1932, e a outra de 20 de setembro de 1934, o recebimento dessa última sendo acusado, mas não sendo enviada nenhuma resposta considerada. Os eventos subseqüentes provaram que estava em vigor um plano para suprimir a obra por completo.
Por volta desse tempo, algumas das publicações da Sociedade, tais como A Harpa de Deus, e vários folhetos, tinham sido traduzidas e publicadas em cinianja. A Harpa de Deus era o compêndio usado pelos africanos interessados em seus estudos. Um relatório incompleto do Anuário das Testemunhas de Jeová, de 1935, em inglês, mostrava que 11.759 publicações foram distribuídas em 1934 por um punhado de pioneiros nas duas Rodésias. Esta atividade suscitou a ira dos falsos religiosos e dos elementos políticos, que atribuíram as crenças e ações erradas de membros de desencaminhados movimentos indígenas aos representantes da Sociedade, e forjaram o mal tendo por pretexto uma lei. — Sal. 94:20.
‘DESGRAÇA FORJADA POR DECRETO’
Este mal foi forjado por certa emenda ao Código Penal da Rodésia do Norte, encaminhada através do Conselho Legislativo pelo Procurador-Geral Fitzgerald, ardente católico romano, em 3 de maio de 1935. Este projeto de lei tornou-se conhecido como Decreto-Lei N.º 10, de 1935. Era óbvio que visava as publicações da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Disse o Sr. Fitzgerald: “Torna a venda ou distribuição de periódicos sediciosos uma ofensa legal; também concede poder a certas autoridades para dar buscas em pacotes postais, visando verificar se contêm matéria sediciosa; e, por fim, uma seção mui importante dela concede ao governador o poder de declarar a proibição da importação, para o território, de qualquer jornal, livro ou documento.” Admitiu, também, que agiram segundo o conselho de outros, sem dúvida o da conferência missionária realizada em Victoria Falls! Alguns dos membros do Conselho que amavam a liberdade se opuseram a este projeto de lei. O projeto de lei, contudo, foi aprovado e resultou ser um instrumento hábil nas mãos dos inimigos, de modo que o súbito irrompimento dos motins de 1935, no Cinturão de Cobre, lhes forneceu exatamente o que esperavam para atingir as Testemunhas de Jeová.
Desde o início, era evidente que os inimigos das Testemunhas de Jeová estavam determinados a torná-las os “bodes expiatórios”. Na ocasião dos motins, só havia 350 Testemunhas de Jeová em ambas as Rodésias. No esforço de ajustar a obra na Rodésia do Norte ao modo em que era feita nos outros países, as Testemunhas africanas realizaram uma assembléia não oficial em Lusaca, de 10 a 12 de maio, a fim de considerar a obra de pregação e a necessidade de um modo limpo de vida cristã. Sem dúvida imaginando que a reunião de Lusaca tinha algo que ver com os distúrbios do Cinturão de Cobre perto do fim de maio, o D. I. C. (Departamento de Investigações Criminais) deu batidas contra as Testemunhas de Jeová por toda a Rodésia do Norte e do Sul. Em Luanshya, seis Testemunhas de Jeová foram presas, em 5 de junho, e mantidas presas por três dias, depois do que foram soltas, sem se fazer nenhuma acusação formal contra elas. Em Ndola, um servente do hospital governamental perdeu seu emprego por ser Testemunha de Jeová. Por todo o país, as Testemunhas de Jeová recebiam o mesmo tratamento, instigado pelas autoridades governamentais. Numa carta datada de 1.º de julho de 1935, ao Primeiro Secretário do Governo da Rodésia do Norte, o superintendente da filial na Cidade do Cabo defendia as Testemunhas de Jeová contra todas essas acusações falsas e lhe pedia que desse os passos necessários para parar a perseguição contra as Testemunhas de Jeová.
A evidência obtida pela Comissão de Inquérito sobre os distúrbios, e que foi publicada em dois volumes, provou que nem uma única Testemunha de Jeová estava envolvida na insurreição. Pelo contrário o Sr. J. L. Keith, comissário distrital de Ndola, deixou registrada a seguinte afirmação: “As Testemunhas de Jeová e a própria Torre de Vigia, como organização, não tomaram parte na greve.”
A evidência fornecida provava meridianamente que os awemba, que eram predominantemente católicos e muito opostos às Testemunhas de Jeová, estavam por trás dos distúrbios e que as causas principais deles foram o aumento no imposto per capita e a forma em que fora introduzido. Disse o diretor da Mina de Cobre Antílope Roano (Luanshya): “Parecia que, toda vez que perguntávamos a alguém qual era a causa dos distúrbios, a resposta constantemente retornava ao aumento do imposto.”
Pouco antes das audiências da Comissão, iniciadas em 8 de julho de 1935, a filial da Cidade do Cabo da Sociedade Torre de Vigia (EUA) obteve resposta às suas solicitações persistentes de permissão para enviar um representante europeu à Rodésia do Norte. Uma carta do governo da Rodésia do Norte, datada de 24 de junho de 1935, declarava: “O Governo . . . não suscitará nenhuma objeção agora a qualquer passo assim, que possa levar à melhor supervisão e controle de seus seguidores neste país.” Decidiu-se enviar Piet de Jager, mas o governo da Rodésia do Norte objetou a isto, declarando que desejava “algum membro mais veterano da equipe da Sociedade”. Quando lhes foi assegurado que ele só estava sendo enviado para investigar a situação e submeter um relatório e que um homem de origem britânica, com o tempo, tornar-se-ia o encarregado, eles concordaram. Mas, visto que a Sociedade Torre de Vigia (EUA) e as Testemunhas de Jeová tinham sido levadas perante a Comissão de Inquérito por meio de acusações falsas e o Governo enviara certo número de “trechos” especialmente escolhidos de certas publicações nossas a fim de determinar seu “caráter subversivo”, decidiu-se enviar o irmão de Jager em tempo para fornecer evidência em favor da Sociedade. Ele deu excelente testemunho, explicando todos os chamados trechos “subversivos”, que até mesmo o Sr. J. L. Keith, autoridade governamental, admitiu não serem mais subversivos do que quaisquer trechos tirados da Bíblia.
As conclusões da Comissão foram publicadas em 2 de outubro de 1935. Em suma, dizia: “A Comissão verificou que a causa motivadora imediata do distúrbio de Mufulira foi a súbita proclamação feita pela polícia da mina, à noite, de que o imposto tinha aumentado para o total de 15 xelins; e que foi o falso anúncio do êxito da greve em Mufulira, junto com o desafio aos nativos para que mostrassem que não eram mulheres velhas, que constituiu a causa motivadora imediata dos distúrbios em Nkana e Luanshaya.” Os inimigos das Testemunhas de Jeová, porém, exultaram com a seguinte declaração sobre a Sociedade Torre de Vigia (EUA): “A comissão verificou que os ensinos e as publicações da Torre de Vigia provocam o desprezo pela autoridade civil e espiritual, em especial pela autoridade nativa; que se trata dum movimento perigosamente subversivo; e que é importante causa de predisposição dos recentes distúrbios.”
Era exatamente o que queriam, de modo que, em 4 de outubro de 1935, o governador, Hubert Young, utilizou os poderes que lhe foram concedidos pelo Decreto-Lei N.º 10, de 1935, e proscreveu a lista inteira de nossos livros, inclusive A Harpa de Deus, o único livro em cinianja amplamente usado pelos nativos, e outro que já estava esgotado por dez anos! Por fim todos, exceto dois folhetos, escritos por J. F. Rutherford, foram proscritos.
Fez-se muita publicidade na imprensa pública do relatório da Comissão e a subseqüente proscrição de nossas publicações. A maior parte dela era eivada de preconceitos e adversa, mas a filial da Cidade do Cabo defendeu a verdade em cada caso. Excelente testemunho foi dado mediante um número especial do Northern Rhodesia Advertiser de 16 de outubro de 1935, de Ndola, que publicou a evidência da Sociedade perante a Comissão, a representação escrita e a correspondência completa. Nesta edição, o editor estendia o convite ao povo para que viesse e visse os livros proscritos em seu escritório. “Temos a coleção completa para referência em nosso escritório. Qualquer pessoa que desejar consultá-los poderá vê-los aqui. . . . Não tenha receio; venha e veja de que se trata todo esse falatório e forme sua própria opinião.” Logo que o relatório da Comissão foi publicado, exemplares dos folhetos Governo e Intolerância, junto com uma carta explicativa, chegaram às mãos de todo europeu na Rodésia do Norte.
OBTIDO ALGUM ÊXITO
O Northern Rhodesia Advertiser, ao chamar a atenção para certa incoerência na administração da Rodésia do Norte, disse: “Quer concordemos quer não com as Testemunhas de Jeová, é claro que há algo de radicalmente errado na administração deste país se o Governador da Niassalândia acolheu tais pessoas em 1933, ao passo que, como Governador da Rodésia do Norte, ele (o mesmo homem) só as permite depois de muita relutância. Daí, depois de dois meses, solicita que deixem o país sem qualquer motivo válido, e isso enquanto práticas erradas por parte dos nativos da chamada ‘Torre de Vigia indígena’ eram atribuídas ao fato de que o Governo não os tinha permitido antes no território.”
O editor do jornal se referia a que a Sociedade recebera a solicitação do governo da Rodésia do Norte, de chamar de volta o irmão de Jager, depois de dois meses, “visto que os residentes europeus de Ndola tinham feito um protesto formal contra sua presença ali, e suas atividades pareciam ter efeito perturbador”. Ao responder a isto, a filial da Cidade do Cabo indicou que o governo da Rodésia do Norte concedera permissão para se enviar um representante europeu “depois da consideração madura de toda a situação”, e que a missão do irmão de Jager na Rodésia do Norte era apenas um passo preliminar para se estabelecer o controle permanente sobre a obra ali. Foi então proposto que a Sociedade enviasse o representante europeu, Llewelyn Phillips, quem desejavam que assumisse controle permanente da obra e abrisse de imediato um depósito em Lusaca, já então a nova capital da Rodésia do Norte. Receberam uma carta que declarava “que o assunto está sendo considerado e que, no devido tempo, a decisão lhe será comunicada”. Este assunto foi mencionado de novo pelo superintendente da filial numa carta, datada de 25 de novembro de 1935, ao Secretário de Estado da Rodésia do Norte “para indagar se posso concluir meus arranjos para enviar o Sr. L. V. Phillips para agir como nosso representante nesse país”. A resposta: “É improvável que receba uma resposta definitiva ainda por algum tempo.”
No ínterim, o irmão de Jager, destemido lutador pela verdade, permanecia em Ndola e, desejando testar a validez da lei que proscrevia nossas publicações, ofereceu exemplares de dois destes folhetos ao editor do jornal local, em 21 de outubro de 1935, o que levou a ser acusado de violar a lei, sendo condenado e multado em 2 libras pelo juiz de Ndola. Interpôs-se recurso ao Tribunal Superior da Rodésia do Norte.
Enquanto este processo ainda estava pendente, a questão das Testemunhas de Jeová e a Sociedade Torre de Vigia (EUA) foi suscitada na Câmara dos Comuns, na Inglaterra, quando o Sr. Thurtle solicitou “uma garantia de que as Testemunhas de Jeová e os adeptos do movimento da Torre de Vigia obteriam tratamento justo na Rodésia do Norte”. O Sr. J. H. Thomas, Secretário de Estado das Colônias, “declarou que ele consultava o Governador da Rodésia do Norte quanto à diretriz a ser seguida”.
A filial na Cidade do Cabo agiu logo por enviar o seguinte cabograma ao Secretário de Estado das Colônias: “Respeitosamente solicitamos oportunidade apresentar exposições nossa obra Rodésia Norte antes que V. Ex.a decida diretriz futura. Segue carta via aérea.” Nesse mesmo dia, seguiu longa carta para ele, com explicações pormenorizadas da trama para esmagar nossa obra na Rodésia do Norte, começando com as conferências missionárias, abrangendo o episódio de Mwana Lesa, os distúrbios do Cinturão do Cobre, e falando da luta para se conseguir estabelecer um representante europeu a fim de orientar a obra e ajudar os africanos sinceros. Também contava a perseguição que as Testemunhas africanas tinham de suportar. Daí, vinha o apelo: “Excelência, solicitamo-lhe que tome medidas para pôr fim à injusta discriminação que é feita contra as Testemunhas de Jeová na Rodésia do Norte, que se remova a proibição contra as suas publicações, e que se certifique que se permita a nossos genuínos adeptos exerçam seus direitos, dados por Deus, de adorar a Jeová Deus segundo os ditames de sua própria consciência, sem interferências.”
Isto produziu os resultados desejados, porque o superintendente da filial da Cidade do Cabo recebeu uma carta do Secretariado da Rodésia do Norte, em março de 1936. O Primeiro Secretário escreveu: “Estou autorizado a . . . convidá-lo a enviar o Sr. L. V. Phillips como seu representante, em lugar do Sr. P. J. de Jager, para estabelecer um depósito em Lusaca. . . . Também, com referência à sua carta, datada de 11 de dezembro, dirigida ao Secretário de Estado das Colônias, e dizer que o Secretário de Estado certamente considerou os assuntos nela suscitados. Sua Excelência, o Governador, já recomendou que seja admitido na Rodésia do Norte um representante europeu e o Secretário de Estado aprovou agora tal proposta.” Que vitória, depois de longa batalha!
CONTINUA OUTRA BATALHA
Mas, a luta pela liberdade de adoração estava longe de terminar, pois nossas publicações ainda estavam proibidas e pendia o recurso. O processo foi julgado pelo Tribunal Superior em 20 de maio de 1936, e a decisão foi anunciada em 18 de junho. Negava o recurso. O irmão de Jager imediatamente solicitou licença de recorrer ao Conselho Privado. Em 15 de setembro de 1936, o Tribunal Superior da Rodésia recusou licença para o recurso. No entanto, a Sociedade não deixou de lado nenhum recurso nesta luta pela liberdade de adoração. Obteve-se a ajuda dum consultor jurídico de Londres, a fim de trabalhar junto com o consultor jurídico da Sociedade na Rodésia do Norte, para se tentar levar o caso perante o Conselho Privado. O resultado final, contudo, foi que a comissão judicativa do Conselho Privado em Londres se recusou a ouvir o caso.
Em janeiro de 1936, exemplares duma carta especial do presidente da Sociedade, J. F. Rutherford dirigida aos membros da Assembléia Legislativa da Rodésia do Norte, foram também enviadas aos membros do Conselho Legislativo da Rodésia do Norte, ao Governador e à Imprensa.
Durante 1936, as Testemunhas de Jeová na União Sul-Africana também estavam mui ativas em distribuir 50.000 exemplares de A Idade de Ouro N.º 425, e 20.000 exemplares duma publicação especial que continha a mesma informação foram distribuídos nas Rodésias. Nelas, declaravam-se os fatos que estabeleciam a inocência das Testemunhas de Jeová na Rodésia do Norte, inclusive uma carta bem forte do presidente da Sociedade, irmão Rutherford, enviada a Alison Russell, o Presidente da Comissão de Inquérito, depois de seu relatório ter sido publicado. Assim, o público foi plenamente informado quanto aos ardis dos inimigos da verdade para tentar suprimi-la.
EMPREENDE-SE OUTRA TAREFA
Por fim, os esforços da Sociedade de ter um depósito na Rodésia do Norte foram coroados de êxito! O depósito foi aberto em 16 de julho de 1936, em Lusaca, bem em frente à delegacia de polícia, o irmão Llewelyn Phillips sendo designado servo do depósito. Mas, restava ainda tremenda tarefa. Era limpar a organização de todos os elementos indesejáveis devido à influência dos “movimentos da Torre de Vigia” indígenas, e a falta de supervisão, a fim de instruir os sinceros quanto à sólida doutrina bíblica e organizar a obra numa base correta.
A primeira coisa que o irmão Llewelyn Phillips fez foi visitar muitos dos centros principais. Ali, mediante arranjos com as autoridades governamentais, encontrou muitos que afirmavam associar-se com a Sociedade Torre de Vigia (EUA). O que descobriu? Ele nos conta: “Tornou-se abundantemente claro que a ampla maioria era como o povo de Nínive nos dias de Jonas que ‘não sabia diferençar a mão direita da esquerda’. Muitos eram sinceros; alguns dos orgulhosos achavam que a Sociedade concedia certa medida de autonomia inigualada por qualquer outra organização religiosa. Alguns, como se expressa Judas, eram ‘homens ímpios, que transformam a benignidade imerecida de nosso Senhor em desculpa para conduta desenfreada’ (como tendo esposas comunitárias que eles chamavam de ‘o batismo de fogo’!).”
Além da confusão causada pelos “movimentos da Torre de Vigia” indígenas, havia o problema da falta de publicações, devido à proscrição e o analfabetismo da maioria dos irmãos. Havia muitos costumes tribais antibíblicos. As mulheres, por exemplo sentavam-se separadas dos homens nas reuniões. Também, um africano considera sua esposa como a mãe de seus filhos, a cozinheira, a jardineira, a carregadora de cargas e a construtora parcial de sua casa. Ela raras vezes, se é que alguma vez, é considerada como real companheira ou “complemento dele”. — Gên. 2:18.
Em adição, a maioria dos irmãos tinham dificuldades em relacionar à vida cotidiana as verdades que aprendiam. Os irmãos tinham lido nossas publicações e sabiam que o Reino fora estabelecido nos céus em 1914, mas, se lhes perguntasse há quantos anos isso se dera, não tinham idéia alguma. Muitos sabiam que os governos mundanos estavam sob o controle de Satanás, mas não entendiam sua relação correta para com tais governos. Devido ao seu isolamento nas pequenas aldeias na selva e ao pouco ou nenhum contato com o mundo exterior, muitas das coisas contidas nas publicações da Sociedade estavam além de sua compreensão. Por exemplo, o único contato que muitos aldeões tinham com o governo era mediante o comissário distrital da localidade e seu próprio tribunal nativo. O único contato do africano com a religião poderia ser através da escola da missão local, e tudo que ele sabia do comércio além de suas próprias trocas, era o posto comercial local. Assim, quando a religião, a política e o comércio eram considerados nas publicações da Sociedade como sendo forças do mundo, o que vinha à mente destes irmãos eram a escola da missão local, o comissário distrital e o posto comercial.
Era preciso fazer-se uma reavaliação do número de verdadeiros publicadores do Reino, porque muitos, embora mui dispostos, não se habilitavam biblicamente a participar na obra, devido à sua falta de entendimento e seu modo de vida. O primeiro relatório completo dum ano de serviço sob o arranjo do depósito mostrava haver a média mensal de 756 publicadores, com um auge de 1.081, durante 1937. Estes irmãos foram visitados por pioneiros que agiam como superintendentes regionais, e que primeiramente receberam treino no depósito, com instruções pormenorizadas sobre assuntos doutrinais, morais e organizacionais.
Estes irmãos visitantes tinham de ter verdadeiro amor a Jeová para permanecerem em sua designação, pois tinham de enfrentar muitas dificuldades. Alguns dos povoados estavam situados até a 1.600 quilômetros de distância da ferrovia, visto haver apenas uma ferrovia que atravessava o país, sem quaisquer ramais, além daquele do Cinturão do Cobre. Tais irmãos tinham de viajar, na maior parte do tempo, de bicicleta, ou andar centenas de quilômetros pelo interior seco, quente e perigoso até os grupos espalhados de interessados. Ademais, precisavam de muita paciência e amor para ajudar as congregações novas a perseverar. Às vezes tinham de ficar junto duma congregação nova pelo menos dois meses, antes de conseguirem algo parecido com organização. Tinham de combater a tendência entre alguns de serem “chefes” na organização do Senhor, o que fazia com que hesitassem em aceitar o arranjo da Sociedade. Mas, seus esforços árduos foram abençoados, pois em 1939, o número médio de publicadores aumentara para 1.191, com 7 pioneiros, e um novo auge de 2.378, em 1940, com 88 congregações em operação.
ORGANIZAÇÃO MAIS FORTE NA ÁFRICA DO SUL
Ao passo que esta batalha estava sendo travada nos territórios setentrionais, os irmãos africanos, lá em Joanesburgo estavam vencendo, em escala muito menor, a batalha contra elementos ruins dos “movimentos da Torre de Vigia” ali.
Também, ocorriam mudanças na filial da Cidade do Cabo. Em março de 1933, a Sociedade fez arranjos para que a filial da África do Sul se mudasse para local maior na Cidade do Cabo. Consistia em duas salas de escritório no sexto pavimento dum grande prédio de escritórios, Boston House, N.º 623, e um depósito num porão dum prédio vizinho, Câmara do Progresso, na Rua do Progresso, que era usado para a pequena prensa, depósito de publicações e expedição. A pequena quantidade de impressão feita naquele tempo era realizada pelo irmão Phillips, e também por um irmão local na Cidade do Cabo. Estas novas instalações eram mais centrais e mais cômodas e iriam servir como centro da organização teocrática na África meridional por cerca de vinte anos.
Dois anos depois, em 1935, um irmão que tinha conhecimentos de impressão foi enviado pelo irmão Rutherford para ajudar na impressão na filial da Cidade do Cabo. Tratava-se de Andrew Jack, que, além de ser impressor habilitado, já estava no serviço de tempo integral nos Estados Bálticos da Lituânia, Letônia e Estônia. A proscrição da obra ali foi seguida de sua deportação e volta a seu país natal da Escócia. Ao chegar à África do Sul, Andrew Jack logo fez arranjos para conseguir mais tipos e outros equipamentos de impressão, e não demorou muito até que sua gráfica de um só homem, uma só prensa, estava indo a pleno vapor. No ano de 1937, foi instalada a primeira prensa automática. Imprimiu milhões de convites e formulários nos últimos 38 anos, e ainda funciona bem hoje em dia na filial de Elandsfontein, África do Sul.
SERVIÇO SONORO PRODUTIVO
Lá no campo, as vitrolas com os poderosos discursos do irmão Rutherford, quer nas mãos das congregações, quer em carros sonantes fornecidos pela Sociedade, realizavam tremendo trabalho. Por exemplo, em Pretória, a congregação obtivera permissão para transmitir os discursos a cada domingo à noite na Praça da Igreja, o ponto mais central da cidade. Depois de algum tempo, foram apresentadas queixas ao conselho municipal, e os irmãos tiveram de remover a vitrola da Praça. Mas, tal problema logo foi contornado. O irmão Smit tinha um amigo que morava num apartamento que dava para a Praça e, por meio duma janela aberta do apartamento, o programa de domingo à noite continuou sem empecilhos.
Em meados da década de 1930, um dos carros-sonantes da Sociedade era dirigido por Robert Nisbet e ele o usava amplamente entre os africanos no território vizinho da Zululândia. Trata-se de ampla área do norte de Natal e, por muitos anos, tem sido o lar da nação zulu. Especialmente nas usinas de açúcar e nas minas de carvão do norte de Natal, grandes números de africanos se reuniam para ouvir a música e os discursos apresentados pelo carro-sonante. Isto levou à colocação de grandes quantidades de publicações. Com efeito, mais tarde, quando se apresentava o livro Riquezas, a casa-móvel do irmão Nisbet veio a ser conhecida como “Imoto Yobucebi” (“O Carro das Riquezas”).
Em 1935, os irmãos em todos os países ficaram emocionados com a nova luz sobre o assunto da “grande multidão” de Revelação 7, e aqueles que não eram dos ungidos ficaram tomados de alegria diante da perspectiva de viverem para sempre em felicidade na terra. Com o maior entendimento da classe das “outras ovelhas” e a maior atenção que era dirigida à “grande multidão”, desde então, estes números logo estavam aumentando. — João 10:16; Rev. 7:9.
Enquanto trabalhava na área de mineração conhecida como Filão, a pioneira Iris Tutty teve o privilégio de servir junto com um dos carros-sonantes, e ela o descreve da seguinte forma: “Era algo muito asseado, preto e altamente polido e na capota tinha um alto-falante. Em cada um dos lados havia as palavras ‘Mensagem do Reino, Sirva a Deus e a Cristo, o Rei’, e, na porta traseira, uma faixa de tecido anunciava o discurso mais recente de J. F. Rutherford. Esta camioneta veio a ser conhecida em toda Joanesburgo e no Filão como a ‘Camioneta da Bíblia’. Várias congregações no Filão tinham organizado uma tabela para usar esta camioneta. Nos fins-de-semana, a tabela era bem apertada, visto que a camioneta era usada para cobrir ampla área, proferindo-se discursos gravados em muitos locais diferentes, inclusive orfanatos, hospitais, praças de mercados, e nas escadarias da Prefeitura de Joanesburgo.
Em certa ocasião, no lugar mencionado por último durante período pouco antes da Segunda Guerra Mundial, e quando a tensão política estava crescendo, o discurso que era tocado era “Fascismo ou Liberdade”. Nessa noite havia uma assistência especialmente grande. À medida que o discurso se desenvolvia irromperam gritos e berros. Começaram a jogar garrafas e tomates em cima dos publicadores. A turba estava quase prestes a atacar o equipamento quando a polícia subitamente surgiu. Com cassetetes, evacuaram a inteira área, passaram um cordão ao redor dos irmãos e então os ajudaram a arrumar as coisas e sair da zona de perigo. Os irmãos ficaram muito gratos a Jeová por sua proteção.
Sem dúvida, os carros-sonantes fizeram maravilhoso trabalho naqueles dias, cobrindo todas as partes do país e alcançando muitas pessoas com seus poderosos alto-falantes. Em 1937, havia cinco carros-sonantes em uso constante, dois pioneiros viajando em cada camioneta. Ademais, havia doze fonógrafos grandes que atuavam em várias partes do país. Foi nesse mesmo ano que a obra com fonógrafos portáteis começou a ser feita com real ardor, depois dum apelo especial do irmão Rutherford. A filial na Cidade do Cabo estava atarefada em fazer gravações em africâner, cinianja, sesoto, xosa e zulu.
Em 1938, a Sociedade estava cuidando de publicações em trinta idiomas diferentes, tendo estabelecido congregações em oitenta centros. As principais publicações, naquele tempo, tais como o livro Riquezas, o folheto Descobertas e outros, eram abertamente contrários à Hierarquia Católica, e estes líderes religiosos estavam ficando preocupados. Seus periódicos avisavam as pessoas contra os opúsculos e folhetos do Juiz Rutherford, que inundavam o país. A imprensa católica fazia a sugestão de se negarem salões às Testemunhas de Jeová, para impedir que realizassem reuniões públicas.
PIONEIROS PERSEVERAM
Os pioneiros na África do Sul tinham, já em 1938, alcançado um total de 30, entre os quais, como já foi mencionado, achava-se Iris Tutty em Joanesburgo. Em certa ocasião, a irmã Tutty teve de subir longos lanços de escada para alcançar uma porta. Ao chegar lá em cima, a porta foi escancarada por uma senhora. Com seu rosto vermelho de raiva e berrando impropérios, ela empurrou a irmã Tutty escada abaixo e então bateu a porta. À medida que a irmã Tutty se levantava e juntava suas coisas, ela sentiu vontade de chorar, mas decidiu que a oração era a melhor solução. Aconteceu que, logo na próxima casa, um senhor e sua esposa eram a bondade em pessoa. Ofereceram à irmã Tutty uma chávena de chá, e disseram que estavam profundamente abalados com o que acontecera na casa de sua vizinha, em especial visto que a senhora era a esposa de seu ministro. Esta se transformou numa visita muito frutífera e, no decorrer do tempo, levou este casal a se tornarem testemunhas batizadas de Jeová.
Junto com outros publicadores, os pioneiros verificaram que as minas ao longo do Filão eram um campo mui frutífero para a colocação de publicações. Costumavam ficar em pé na abertura do poço e oferecer publicações quando os mineiros, brancos e pretos, saíam, depois de cumprirem seu turno. Os homens ainda tinham suas lamparinas acesas na frente de seus capacetes, e estavam molhados da lama das passagens subterrâneas. Os mineiros africanos eram muito ávidos de obter publicações em seus próprios idiomas e, às vezes, os pioneiros tinham diante de si uma fila de homens que esperavam sua vez. Estavam ansiosos de obter Bíblias ou livros para enviar às suas famílias e filhos em casa. Anos mais tarde, a irmã Tutty teve o prazer de encontrar um grupinho de africanos em Joanesburgo que a reconheceram. Um deles, com amplo sorriso, disse: “Lembra-se de mim? Comprar para mim Bíblia, e agora ir reunião da Bíblia.”
CONFRONTANDO O CLERO
Em fins de 1930, a mensagem do Reino começou a criar raízes numa comunidade muito conservadora na parte oriental da Província do Cabo. Isto se deu na vizinhança da Cidade de King William, a cerca de 63 quilômetros ao norte de East London. Muitos dos agricultores e habitantes locais descendem dos alemães que colonizaram a região em meados do século dezenove. Em resultado disso, a religião dominante dessa área é luterana, e foi ao realizar certo trabalho de construção na casa que pertencia a um clérigo luterano que certo Sr. Kieck obteve publicações de um publicador do Reino. O Sr. Kieck gostou do que leu e pediu mais, e logo começou a disseminar a mensagem entre seus parentes e amigos, a maioria dos quais pensavam que ele tinha ficado louco. Com o tempo, contudo, vários parentes dele começaram a interessar-se. Em 1938, fizeram arranjos para um debate público entre três de seus clérigos luteranos e o Sr. Kieck, estando presentes cerca de cem membros das igrejas. Durante o debate, o Sr. Kieck apresentou uma Bíblia alemã usada sob o regime de Hitler, em que alguns dos Salmos, bem como outros versículos da Bíblia, estavam faltando. Isto deixou o clérigo um tanto embaraçado; mas isso não era nada em comparação com seus sentimentos quando foram lidos, da Bíblia, poderosos textos. Em certo ponto, um dos ministros chegou até a jogar as publicações da Sociedade sobre a mesa, dizendo: “Estes livros malditos!” Em resultado deste episódio, seis dos membros da igreja que já estavam interessados ficaram convictos da verdade e tomaram sua posição ao lado de Jeová.
Há uma seqüência muito interessante disto. Em 1938, o Ministro do Interior da África do Sul proscreveu a importação do livro Riquezas e de vários folhetos à base de serem “objetáveis”. Isto foi feito apesar de que, em março de 1938, o supremo tribunal da África do Sul, em Bloemfontein, tinha decidido que as publicações da Sociedade não eram sediciosas e não tinham intenções subversivas. É bom ter presente que o livro Riquezas, e outras publicações, mostram claramente a conivência entre o fascismo, o nazismo e a Igreja Católica. Veio à luz que certos clérigos luteranos eram responsáveis por manobrarem as ações do governo em proscrever esta publicações. Mas, logo depois disso, esses mesmos clérigos foram encarcerados, visto que parece que promoviam o nazismo no país durante a Segunda Guerra Mundial.
A Sociedade interpôs recurso ao Ministro do Interior, protestando contra a decisão de proscrever as publicações; mas ele não quis mudar de idéia, nem fornecer qualquer explicação, nem permitir qualquer recurso ao tribunal. Por conseguinte, a filial da Cidade do Cabo publicou um panfleto grande, de quatro páginas, intitulado “Um Protesto”. Ele incluía subtítulos em grifo: “Intolerância Religiosa na África do Sul, Proscrição do Livro de Estudo Bíblico ‘Riquezas’.” O panfleto continha prova convincente de que os clérigos luteranos alemães da província oriental do Cabo tinham provocado esta proscrição e que o livro Riquezas tinha sido incluído na lista proibida, de junho de 1938, de revistas de sexo e crime. O panfleto, publicado em inglês e africâner, foi amplamente distribuído pelo país, e muitos pedidos do livro Riquezas foram recebidos.
COMEÇA O SERVIÇO ZONAL
Nesse mesmo ano, 1938, o serviço de zona foi organizado. Por meio dele, representantes viajantes da Sociedade visitavam as congregações e publicadores isolados, dando-lhes instruções e encorajamento.
Um dos primeiros servos de zona na África do Sul era Frank Taylor, cuja esposa Christine chegara recentemente da Inglaterra. Christine achava o trabalho entre os africanos uma experiência estranha, porém interessante, e o marido dela afirma que jamais se esquecerá do seu semblante quando ela colocou o primeiro folheto com uma mulher zulu que só estava vestida de contas e saia. A mulher tirou a contribuição para o folheto, uma moeda chamada “tickey” (3d), de seu cabelo carapinha!
Logo depois de iniciar o serviço de zona, Frank e Christine foram para East London, onde tiveram o trabalho alegre de ajuntar aquele grupinho de famílias interessadas, a família Kieck, a Horrmann e a Schanknecht. Tinham-se afastado da Igreja Luterana Alemã na cidade de King William. No decorrer do tempo, a congregação européia de East London foi formada com estes novatos, a maioria dos quais ainda estão vivos e ativos hoje.
GANHA ÍMPETO A OBRA DO REINO
O mês de janeiro de 1939 viu outro passo à frente dado pela filial da África do Sul, no sentido de que a revista Consolação foi publicada pela primeira vez em africâner. Piet de Jager, que até então traduzia os livros da Sociedade para o africâner, enquanto era pioneiro, foi então chamado para Betel, a fim de servir como tradutor para o africâner, por tempo integral.
Isto significava mais trabalho para Andrew Jack na pequena gráfica da filial, visto que o texto tinha de ser composto por tipo manual. Esta era a primeira revista da Sociedade a ser impressa na África do Sul. Até então, nenhuma revista estava sendo produzida nas línguas africanas locais.
Sim, a obra do Reino na África meridional deveras se desenvolvia rapidamente agora. Em 1939, houve um novo auge de 555 publicadores na África do Sul. Vale a pena notar que, destes, apenas 180 eram mestiços e africanos. A média mensal de publicadores na África do Sul era de 439; de 473 na Rodésia do Sul; de 1.198 na Rodésia do Norte; de 1.041 na Niassalândia; de 17 na África Oriental Portuguesa; de 11 em S. Helena. Isto perfazia um total geral de 3.179 publicadores no campo para todos os territórios sob a filial da Cidade do Cabo, e naquele ano, devotaram 1.042.078 horas à obra de pregação. Isto mostra claramente que desde que recebemos o esclarecimento sobre a “grande multidão”, em 1935, o aumento era muito mais rápido e muitos novatos tomavam sua posição.
GUERRA ESTIMULA OS PUBLICADORES DO REINO
Quando Hitler iniciou seu ataque relâmpago contra a Polônia, em setembro de 1939, o mundo mergulhou num período da violência e de sofrimento tal como jamais antes conhecera. A medida que a máquina de guerra nazi-fascista tomava um país após outro, a obra do Reino na Europa sofria terrivelmente. A África do Sul, sob seu novo primeiro-ministro Jan Smuts, entrou no conflito contra a Alemanha, e muitos sul-africanos estiveram em ação no norte da África e na Itália.
A África do Sul, longe do teatro principal do conflito não sofreu muito com as condições de guerra que predominavam em muitos outros países. No decorrer do tempo, havia escassez de certos comestíveis e outras restrições. A obra do Reino na África meridional, porém, em 1940 entrou num período de crescimento e expansão tal como jamais presenciara antes. Os eventos estupendos da guerra abalaram a complacência de muita gente e orientaram sua mente para o cumprimento da profecia bíblica.
Por volta deste tempo, a revista Consolação em africâner gozava de grande êxito. Assim, a filial da Torre de Vigia na Cidade do Cabo decidiu que já era tempo de publicar a revista A Sentinela em africâner. Em janeiro de 1940, o Informante (mais tarde Nosso Serviço do Reino) delineava o novo trabalho de revistas — o serviço de rua, a obra de casa em casa e os itinerários de revistas. Era patente que seriam necessárias maiores quantidades de revistas. Instalou-se uma linotipo, bem como uma dobradeira. Também, um irmão de Durban, experiente gráfico, foi chamado para ajudar o irmão Jack na pequena gráfica. Assim, a partir de 1.º de junho de 1940, Die Wagtoring (A Sentinela em africâner) foi produzida pela primeira vez pela filial da Cidade do Cabo.
A ocasião do lançamento deste primeiro número foi excelente, e, obviamente, foi feita segundo a orientação de Jeová. Embora os primeiros meses de 1940 fossem muito tranqüilos no que dizia respeito à guerra na Europa, de súbito as divisões “panzer” de Hitler começaram seu ataque sobre a Europa ocidental. Até esse tempo, irmãos de língua africâner na África do Sul tinham dependido da edição holandesa de A Sentinela, que vinha da Holanda. Em maio, porém, a filial da Sociedade na Holanda teve subitamente de fechar, e os suprimentos foram cortados. Os irmãos na Cidade do Cabo não sabiam que isto iria acontecer. Mas, exatamente nesse ponto em que os exemplares em holandês de A Sentinela pararam de vir, a nova tradução de A Sentinela em africâner preencheu a lacuna!
Os irmãos faziam o serviço de revistas com alegria e entusiasmo, de modo que, como resultado, a distribuição mensal das revistas subiu para 17.000. Como em outros países em que a obra não era feita às ocultas, sacolas de revistas começaram a surgir nas ruas, os publicadores bradando lemas.
No fim do ano de serviço de 1940, o irmão Phillips, em seu escritório na Cidade do Cabo, pôde relatar ao irmão Rutherford notável aumento de publicadores. O novo auge para a África do Sul foi de 881 publicadores, com o número médio de 656, que era um aumento de 50 por cento, à base dos relatórios da média do ano anterior. A guerra deveras estimulara os publicadores do Reino na África do Sul.
MALÍCIA CATÓLICA LEVA À PROSCRIÇÃO
A principal publicação da Igreja Católica na África do Sul, Southern Cross, em sua edição de 2 de outubro de 1940, publicou um artigo principal trazendo à atenção o que acontecia no Canadá (onde total proscrição da obra do Reino ocorreu em julho de 1940) e daí se seguia a seguinte declaração maldosa: “As atividades dessa gente [Testemunhas de Jeová] que condenam a lealdade à autoridade quer do Estado quer da Igreja, são ainda mais perigosas num país como a África do Sul, com sua enorme população nativa. O Governo deve certamente frear a disseminação de sua propaganda aqui.” De imediato após isso, as autoridades da censura começaram a apoderar-se de exemplares de assinantes de A Sentinela e Consolação e, quando a filial escreveu-lhes para descobrir o motivo, as autoridades se negaram a dar qualquer explicação.
Visto que era sabido que a Igreja Católica estava por trás de tudo isso, um exemplar especial de Notícias do Reino foi preparado, a fim de responder ao ataque católico em Southern Cross, e 200.000 exemplares foram rapidamente distribuídos por toda a África do Sul. Isto foi acompanhado por uma declaração de fatos a respeito das Testemunhas de Jeová e sua obra. Mandaram-se exemplares a todo membro do Parlamento, do poder judiciário e da imprensa. Para os membros do Parlamento e do Poder Judiciário, exemplares do artigo que tratava do assunto da neutralidade cristã, em A Sentinela de 1.º de novembro de 1939, também foram incluídos. Tempos depois, a polícia foi instruída a apoderar-se de todos os exemplares deste artigo de A Sentinela. Apresentou-se recurso ao primeiro-ministro, e obteve-se uma resposta do Chefe de Censura da União. Entre outras coisas dizia: “Embora suas intenções tenham sido, e ainda sejam as melhores, não se pode aceitar que tenham permissão de frustrar os passos dados pelo Governo para os esforços bem-sucedidos de guerra. Se sua Sociedade tiver êxito em seus esforços de converter todo o mundo neste país para este ponto de vista, o inimigo não enfrentaria nenhuma oposição ativa, e, por conseguinte, é difícil ver como possam esperar que o Governo fique sentado e deixe de tomar qualquer ação contra os senhores.”
O passo seguinte da filial foi preparar uma petição dirigida ao governo. Ela se queixava do confisco das publicações da Sociedade e respeitosamente solicitava ao Governo que liberasse tais publicações cristãs e assim restaurasse a liberdade de adoração no país. No curto espaço de dez dias, obtiveram-se 50.000 assinaturas de europeus que viviam em todas as parte da União. Por volta desse mesmo tempo, fez-se o anúncio oficial de que A Sentinela e Consolação tinham sido proscritas pelo Governo.
Ulterior ação do Governo consistiu em confiscar completas remessas de revistas, ao chegarem. Logo se tornou claro que se impusera uma proscrição total sobre a importação de publicações da Sociedade Torre de Vigia. O primeiro dos folhetos a ser confiscado foi Teocracia. Na rápida sucessão, seis ou sete remessas de publicações tiveram todas o mesmo destino. A razão fornecida para o confisco foi de que tais publicações eram consideradas “objetáveis”.
Tudo isso se devia à influência da Igreja Católica e também à situação de emergência da guerra, visto que muitas da publicações proscritas tinham sido permitidas no país por muitos anos sem qualquer dificuldade. A filial tomou medidas para reaver as publicações confiscadas, e isto levou a um processo legal. O processo chegou ao Supremo Tribunal da Cidade do Cabo. Embora as circunstâncias parecessem pesar muito contra a Sociedade Torre de Vigia (EUA), os irmãos que compareceram ao julgamento ficaram emocionados de verificar que o juiz demonstrava atitude imparcial e julgou que o ministro responsável pela proscrição deveria fornecer motivos para suas ações e também deveria conceder uma audiência para que se fizessem outras exposições sobre o caso.
A batalha legal continuou por algum tempo e não foi senão em abril de 1942, depois da luta ser travada por um ano inteiro, que se apresentaram as bases sobre as quais as publicações eram, supostamente, objetáveis. A filial tinha quatorze dias para responder a tais pontos, o que foi feito, e, ao mesmo tempo, o irmão Phillips expressou seu desejo de fazer exposições pessoais, em harmonia com a decisão do tribunal. No entanto, o tribunal não havia fixado o limite de tempo para tais exposições serem feitas ou recebidas, e os meses foram passando. Demorou dois anos até que o assunto foi resolvido.
Em agosto de 1941, toda a correspondência enviada da filial da Cidade do Cabo foi confiscada pelas autoridades da censura. Não foi senão várias semanas depois que a filial ficou sabendo disso, quando foram enviadas cartas dos irmãos no campo, e apresentou-se um protesto. Acusou-se seu recebimento, mas não se deu nenhuma explicação. As suspeitas das autoridades, de que a Sociedade estava escrevendo cartas a respeito do esforço de guerra, segundo se verificou, eram totalmente injustificadas.
Em setembro de 1941, o Ministro do Interior lançou um decreto sob as leis de emergência, para se apoderar de todas as publicações da Sociedade na África do Sul. Os resultados disso na filial foram bem excitantes. Às dez horas da manhã, o D. I. C. (Departamento de Investigações Criminais) chegou para executar a ordem. Vieram com caminhões, visando remover todo o estoque de publicações da Sociedade. Mas, o superintendente da filial estava alerta. Rapidamente verificou o mandado judicial e verificou que não se harmonizava com as leis. Tomou pronta ação, fazendo os oficiais do D. I. C. esperar no escritório da Sociedade, enquanto que ele, pessoalmente, impetrava um mandado de segurança ao Supremo Tribunal, pedindo que se impedisse o Ministro do Interior de confiscar as publicações. Seu mandado foi bem sucedido. Às 12 horas, obteve-se tal mandado e a polícia teve de trepar em seus caminhões vazios e ir embora! Cinco dias depois, o ministro cancelou sua ordem, depois de pagar às custas da Sociedade. Pode-se imaginar quão contente ficou a família de Betel da filial da Cidade do Cabo com esta vitória!
PROSSEGUE A BATALHA
Nossa luta continuou. A edição em africâner de Consolação foi proscrita de acordo com a Lei da Alfândega, que governa a importação. Visto que a revista era impressa e publicada na África do Sul, era óbvio que se tratava dum engano. Todavia, um pioneiro foi condenado em Kroonstad por distribuir a revista. Interpôs-se recurso e o Supremo Tribunal inverteu a decisão. Mais tarde, em 12 de setembro de 1941, o Government Gazette (Diário Oficial) sugeriu que a proscrição tinha acabado. Outra etapa a favor da Teocracia!
Os jornais noticiavam plenamente grande parte destas ações estimulantes, e isto resultava em tremenda publicidade para a mensagem do Reino e para a obra das Testemunhas de Jeová. Compreendendo que o público em geral precisava de esclarecimento sobre o assunto, a filial publicou dois opúsculos especiais, Why Suppress the Kingdom Message? (Por Que Suprimir a Mensagem do Reino?) e Jehovah’s Witnesses: Who Are They? What Is Their Work? (Testemunhas de Jeová: Quem São? Qual É Sua Obra?) Eles receberam ampla distribuição em inglês e africâner durante outubro de 1941.
Tal esclarecimento em ampla escala da obra que era feita pelas Testemunhas de Jeová era mui necessário, porque muito jornais traziam notícias torcidas sobre elas, e rumores e acusações de serem “quinta-colunistas” e “nazistas” estavam sendo difundidos. Um dos principais diários, o Daily Dispatch de East London, publicou um artigo que fazia uma calúnia contra o presidente da Sociedade, J. F. Rutherford. Visto que o diretor se recusou a publicar uma carta de retratação, moveu-se um processo contra a calúnia e o jornal foi processado em 5.000 libras em perdas e danos. Quando o editor viu que os irmãos estavam determinados nisso, rapidamente recuou, publicou uma retratação e pagou todas as custas do processo.
REAÇÃO DIANTE DA PROSCRIÇÃO
A reação dos irmãos diante da proscrição de algumas publicações foi esconder as publicações proscritas em suas casas. Eram “cautelosos como as serpentes”. (Mat. 10:16) Em Joanesburgo, a polícia deu várias batidas nas casas dos publicadores mas eles recebiam avisos antecipados de tais batidas através dum interessado que fazia parte da equipe de investigadores. Em Pretória, Frans Muller, ainda escolar, sob a orientação dos seus pais, arrastou uma caixa após outra de publicações para passagens estreitas abaixo do assoalho de madeira de sua casa, onde sabiam que os preciosos livros estariam bem seguros. Tudo isso significava que os publicadores tinham muito menos publicações para trabalhar no campo, mas, usavam-se em grande medida as publicações impressas localmente tais como o livro Filhos. Como afirma um irmão mestiço da Cidade do Cabo: “Os estoques eram limitados, mas isto não diminuiu o passo da obra. Disseram-nos que emprestássemos os livros às pessoas e começássemos estudos com elas. Fizemos isso, e foi surpreendente ver como nossos estudos bíblicos aumentaram vertiginosamente. Muitos começaram a entrar na verdade nesse período.”
O auge de publicadores ascendeu para 1.253, e trabalhavam muito. A assistência na assembléia de Joanesburgo, naquele ano subiu para cerca de 800 pessoas, sendo 186 batizadas. Muitas congregações novas foram organizadas, o total subindo de 127, em 1940, para 172, em 1941.
Embora a revista A Sentinela, que vinha dos EUA, estivesse na lista de proscrição, Jeová amorosamente fornecia o alimento espiritual. Os irmãos na Cidade do Cabo jamais careceram de matéria para impressão em suas prensas, e de enviá-la sob o nome “Alimento Apropriado”. Um daqueles que, durante a guerra, jamais perderam um único exemplar de sua assinatura de A Sentinela e que sempre o enviava para o escritório da Cidade do Cabo depois de o ler era o irmão J. J. van Zyl, visto que seus exemplares vinham endereçados ao “Sargento J. J. van Zyl, Polícia Sul-Africana, Kranskop, Natal”.
FINALMENTE A VITÓRIA!
Por certo, a luta contra Deus e sua obra do Reino na África do Sul não teve êxito. De 1941 em diante, a luta para acabar com a proscrição e liberar nossas publicações continuou sem cessar. Perto do fim de 1943, os estoques de publicações na filial estavam ficando bastante reduzidos e os irmãos oravam fervorosamente para que fossem liberadas as publicações que tinham sido confiscadas. Daí, começaram a acontecer coisas. Foi nomeado novo Ministro do Interior. Outra carta foi enviada pelo superintendente da filial ao Diretor da Censura, solicitando o fim da proscrição. Uma cópia da carta foi enviada ao novo ministro, junto com uma solicitação de uma audiência pessoal, que o ministro anterior concordara em dar, mas jamais se realizara.
Em janeiro de 1944, realizou-se a audiência, e o ministro acordou em liberar as remessas confiscadas, acabar com a proscrição das revistas, e liberar as demais publicações que tinham sido confiscadas. Também prometeu revogar o decreto, à base das Leis de Emergência, que declarava que todas as publicações eram subversivas. Uma semana mais tarde, a filial recebeu a confirmação de tudo isso por escrito, e, alguns dias depois, enorme estoque de publicações (cerca de 1.800 caixas) foi entregue na filial. Não ficara danificado por ter sido retido por três anos. Quão felizes se sentiram os irmãos na filial e no campo em virtude disso! Que vitória maravilhosa, em resposta às suas orações!
PROSCRIÇÃO DE LIVROS EM OUTRAS PARTES
No início da Segunda Guerra Mundial, houve frenética proscrição de livros em muitas partes do Império Britânico e em outros países. Era exatamente como Jeová há muito movera o profeta Daniel a predizer — o ‘chifre pequeno’ (do qual a Comunidade Britânica de Nações era uma parte) estava ‘assumindo ares de grandeza’, ‘lançando a verdade por terra’ e cometendo ‘transgressão’ contra as coisas santas de Deus. (Dan. 8:9-12) Isto se estendia aos três protetorados britânicos na África meridional — Basutolândia, Bechuanalândia e Suazilândia. A proscrição oficial das publicações da Sociedade entrou em vigor em fevereiro de 1941. Permaneceu em vigor até 1960 apesar de todos os esforços de eliminá-la. Até mesmo a Bíblia Rei Jaime foi proscrita, caso fosse a impressa pela Sociedade Torre de Vigia (EUA). Isto ocorreu apesar de que, naqueles três países, em 1941, não havia uma Testemunha de Jeová sequer.
ANOS FRUTÍFEROS NA ÁFRICA DO SUDOESTE
O momentoso ano de 1939 iniciou outro capítulo na história da obra na África do Sudoeste. Ainda não haviam sido formados quaisquer grupos naquelas plagas e este amplo campo ainda estava vazio. Um casal de pioneiros, Barry Prinsloo e sua esposa, Joan, sentiram o impulso de ir e testemunhar ao povo daquele território.
Barry comprou um caminhão e o transformou numa casa-móvel. Nela montou uma instalação a gás, prevendo corretamente a escassez de gasolina em virtude da guerra. Para chegar de Joanesburgo à África do Sudoeste, tiveram de viajar pelo deserto de Kalahari. Havia muito poucas estradas e tinham de seguir as marcas deixadas por algum carro que passara antes ou uma carroça de mula, e até mesmo essas marcas eram completamente apagadas às vezes.
Por fim chegaram a Windhoek, e dali se foram mais para o norte pregando e colocando publicações. Por certo tempo, a polícia os seguia e juntava as publicações que haviam colocado. Com o tempo, foram detidos e acusados de vender sem licença. Aconselhados pela Sociedade, pediram o adiamento do processo, dependendo dos resultados de alguns processos de natureza similar na África do Sul. Algumas semanas depois, o irmão Prinsloo compareceu ao tribunal e conseguiu um veredicto favorável.
As notícias de uma assembléia em Joanesburgo chegaram até eles, e embora significasse árdua viagem de cerca de 1.600 quilômetros, decidiram ir. Mas, ocorreu uma tragédia. A maioria dos rios da África do Sudoeste não são mais do que ravinas secas e arenosas que só correm quando há uma chuvarada excecional. Tentando atravessar um desses rios seu carro ficou atolado. Naquela noite, o rio sofreu enchente arrastando a casa-móvel algumas centenas de metros corrente abaixo. Ali o encontraram na manhã seguinte, quebrado em duas partes e o chassi enterrado na areia. Salvaram o que puderam, e avisaram a Sociedade do desastre, e de seu desapontamento por não poderem comparecer à assembléia. Mas, mui prontamente, receberam um presente enviado pelo superintendente da filial, e um telegrama explicando que era para um “pequeno feriado”.
Depois da assembléia, voltaram e acamparam perto da casa-móvel destroçada, pensando em consertá-la. Ao mesmo tempo, testemunharam aos lavradores ovambos, usando Johannes como intérprete. Johannes era um bosquímano que haviam contratado para acompanhá-los em suas viagens através do território, e ele bem pode ter sido o primeiro bosquímano a aceitar a verdade. Os bosquímanos são uma tribo nômade de habitantes do deserto, que vivem mormente da caça com arco e flecha envenenada. Sendo, sem comparação, os menores de todos os africanos da parte sul da África, e comparáveis em tamanho aos pigmeus da África Central, estes caçadores são extremamente primitivos em seus hábitos de vida. As comunicações entre eles e outros se torna muito difícil, não só devido aos locais inacessíveis que habitam, mas também por sua língua, com seu vocabulário limitado e incessante fluxo de cliques. Alguns deles, contudo, deveras se tornam lavradores. Devido à proscrição das publicações e a situação em geral, a Sociedade com o tempo convidou o casal Prinsloo a voltar à África do Sul.
Assim, embora pioneiros tivessem ido à África do Sudoeste em 1929, 1935 e 1942, e colocassem muitas publicações, não houve real cultivo do campo, resultando em poucos frutos. O ano de 1950, contudo, assinalou momento decisivo na história da obra na África do Sudoeste. A Sociedade então enviou quatro missionários, graduados da Escola de Gileade, George Koett, Fred Hayhurst, Gus Eriksson e Roy Stephens. No início de 1950, estabeleceu-se um lar missionário em Windhoek.
Embora tais irmãos não devessem concentrar-se meramente em colocar publicações, mas em achar e apascentar as “outras ovelhas” do Senhor, ainda apresentavam excelentes colocações. (João 10:16) Ao mesmo tempo, conseguiram contatar cinco irmãos africanos que se mudaram para vizinha localidade africana, vindo da União Sul-Africana, e eles foram organizados numa companhia (congregação). Um dos missionários também iniciou nada menos de 25 estudos nesta localidade africana. Tudo parecia indicar que a obra neste território, em especial entre os africanos, gozava de excelente início, com boas perspectivas de aumento.
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África do Sul e territórios vizinhos (Parte Dois)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1977
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África do Sul e territórios vizinhos (Parte Dois)
SUAVE TRANSIÇÃO
No fim de 1941, o irmão Rutherford, que servira fiel e zelosamente como presidente da Sociedade por 25 anos, sentia-se já muito enfermo. Tinha então 72 anos, e, já por muitos anos, não se poupara no serviço de Jeová. Em 8 de janeiro de 1942, selou na morte seu serviço terrestre do Reino. Em questão de dias, a diretoria da Sociedade se reuniu no Betel de Brooklyn e elegeu Nathan H. Knorr como novo presidente. No campo, a reação foi muito diferente, após a morte de Rutherford, do modo como os irmãos se sentiram após a morte do irmão Russell. Em 1942, não houve brados de “o que faremos agora?” Naturalmente, quando o irmão Rutherford morreu, os inimigos da verdade ficaram jubilantes, e afirmavam: “Agora que seu líder e orador desapareceu, sua obra se desintegrará muito em breve.” Mas, ficaram rapidamente desapontados nesse sentido.
Em agosto de 1941, não muito antes de sua morte, o irmão Rutherford estivera presente à assembléia de S. Luís, Missúri, EUA, onde um dos destaques tinha sido o “Dia das Crianças”, sendo lançado o novo livro Filhos. As modalidades desta notável assembléia foram reproduzidas em mini-escala num congresso em Joanesburgo, em abril de 1942. A assistência nessa ocasião ascendeu a 1.700 pessoas, inclusive 340 crianças que alegremente receberam exemplares do novo livro. Naquela assembléia, 400 pessoas simbolizaram sua dedicação para fazer a vontade de Deus, mais que o dobro do auge anterior. A organização da assembléia, pela primeira vez, operou um restaurante para servir 6.000 refeições, que teve notável êxito, e lhes deu mais tempo para a boa associação. Todos os irmãos ficaram muitíssimo revigorados e reforçados, e foram para casa muitíssimo felizes.
Especialmente encorajados por esta assembléia foram vários jovens pioneiros que havia pouco iniciaram esse serviço. Em 1942, o número de pioneiros aumentara para 65 na África do Sul. Um deles era o irmão Piet Wentzel, que tomara sua posição a favor da verdade no povoado de Bonnievale, na Província do Cabo. Em dezembro de 1941, ele iniciara o serviço de pioneiro em Kimberley. Em 1945, juntou-se a ele Frans Muller, que, com 16 anos, acabara de cursar a escola e já tinha relativamente bom treino e experiência na obra junto com a congregação de Pretória. Os dois jovens pioneiros foram designados à cidade de Vereeniging, a cerca de 48 quilômetros ao sul de Joanesburgo. Trabalharam arduamente, um deles tendo a média de 210 horas por mês naquele ano.
Apesar das predições pessimistas dos oponentes, a obra do Reino não diminuiu de passo em 1942, após a morte do irmão Rutherford. Antes, foi avante num ritmo mais célere, de modo que, no fim do ano de serviço, George Phillips pôde relatar um novo auge de 1.582 publicadores, um aumento de 26 por cento em comparação com o auge do ano prévio. Que maravilhosa diferença do pequeno grupo de cerca de 100 pessoas, em 1931!
SERVOS AOS IRMÃOS
Com o irmão Knorr, o novo presidente da Sociedade, orientando o progresso da obra, um dos primeiros acontecimentos foi a obra do servo aos irmãos. Começou na África do Sul, em fevereiro de 1943. (O serviço de zona terminara em 1942.) Os servos aos irmãos tinham de ser homens solteiros, e precisavam ter boa saúde e muito vigor para cumprir seu horário atarefado. De início, os lugares pequenos só eram visitados por um dia, e as congregações maiores por dois ou três dias. Isto envolvia muitas viagens, sob condições difíceis, e pegar trens e ônibus em horários muito incômodos do dia ou da noite. Sua tarefa não era apenas examinar os registros das congregações com cuidado, mas, principalmente, era gastar muito tempo no campo, junto com os irmãos, e treiná-los no serviço de campo.
Um dos novos servos aos irmãos, designado em 1943, era o irmão Gert Nel, que viera a conhecer a verdade como professor, no norte do Transvaal, em 1934, e, como publicador do Reino, tinha sido muito zeloso e ativo. Como servo de zona e servo aos irmãos, o irmão Nel tivera o privilégio de ajudar numerosos publicadores, tanto africanos como europeus, e muitos irmãos ainda se lembram de seu serviço fiel e leal. Ele foi chamado para Betel em 1946, como tradutor para as publicações em africâner.
Um irmão africano que se tornou servo aos irmãos foi Thomas M’kele. Foi o idoso irmão Mulenga, um dos primeiros pioneiros africanos na África do Sul, que o ajudou a obter conhecimento da verdade. O irmão Mulenga estava no serviço de campo certa manhã de domingo quando encontrou um grupo de homens que dormiam no chão. Ao perguntar-lhes que acontecia, disseram que não tinham conseguido dormir na noite anterior, visto estarem rezando a noite toda na igreja. Nesse ponto, o seu ministro, então o “Reverendo” Thomas M’kele, perguntou ao irmão Mulenga o que ele tinha em sua pasta. Aceitou o folheto Onde Estão os Mortos?. Na semana seguinte, obteve vários volumes, e na semana depois disso assistiu a uma assembléia. Não demorou muito até que se demitiu da igreja, foi batizado e, em questão de um ano servia como pioneiro junto com o irmão Mulenga. Mais tarde conforme mencionado, tornou-se um dos servos aos irmãos. Morreu fiel em fins de 1945.
NOVA ESCOLA PRODUZ NOTÁVEL EFEITO
Um dos novos arranjos instituídos pelo presidente da Sociedade, N. H. Knorr, que teve grande efeito no campo, é a semanal Escola Teocrática. Este excelente arranjo teve êxito em pouco tempo, em ajudar muitos irmãos, que imaginavam que jamais seriam oradores públicos, a se tornarem mui desenvoltos na tribuna e mais eficazes no campo. Em todas as partes da África do Sul, os irmãos acolheram esta nova provisão de Jeová e a puseram em operação com entusiasmo. Isto foi feito, não só pelos publicadores europeus, mas também pelos irmãos africanos, apesar dos grandes obstáculos da língua e da falta de instrução.
Um dos que se tornaram superintendentes da escola em 1943 foi o irmão Samuel Mase. Lá em 1938, tinha sido membro do partido comunista. Por volta dessa época, comprou o livro Riquezas, esperando que lhe desse bom conhecimento dos negócios! Samuel também se sentia afligido por espíritos iníquos e costumava passar noites horríveis. Várias visitas aos feiticeiros não o ajudavam. Mas, logo que começou a assistir ao estudo da revista A Sentinela, sua vida inteira mudou e melhorou. O que o impressionou mais do que qualquer outra coisa foi o amor dos irmãos que pertenciam a diferentes tribos. Encontrou maravilhosa união entre eles, que jamais encontrara entre seus colegas políticos. Tornou-se superintendente da escola numa congregação africana no Filão e, mais tarde, serviu como pioneiro e foi usado como superintendente de circuito.
A Escola Teocrática ajudou o campo africano a desenvolver-se mais rápido. Em Pretória, o grupinho formado por Hamilton Kaphwitt, já em 1945 se tinha desenvolvido numa congregação grande, com 181 associados. Por volta dessa época, o Governo começara a levar os africanos para reservas nativas, longe da cidade de Pretória. Já então a congregação africana tinha quase o dobro do tamanho da congregação européia. Isto mostra o maravilhoso desenvolvimento ocorrido no campo africano, durante a Segunda Guerra Mundial. No começo da guerra, o número de publicadores europeus ultrapassava o de publicadores africanos na proporção de dois a um, mas no fim da guerra, a posição estava mudando e, em muitos lugares, os africanos ultrapassavam os irmãos europeus.
Em 1945, Joanesburgo possuía uma congregação européia de 113 associados e quatro congregações africanas, com um total de mais de 500 irmãos africanos associados.
Na Cidade do Cabo também havia expansão. Ao passo que o total de irmãos europeus associados era de 135, a congregação mestiça de Salt River, na Cidade do Cabo, tinha crescido para 138 pessoas. Pouco depois disso, a congregação mestiça foi dividida e foram estabelecidas quatro congregações novas.
Um senhor que aprendeu a verdade por volta desse tempo era Nicholson Makhetha, um albino africano. Foi batizado na assembléia de 1944. O irmão Makhetha tornou-se pioneiro em 1946, e, mais tarde, foi usado por vários anos como superintendente de circuito. Visto que possuía bom conhecimento do inglês, nas grandes assembléias era freqüentemente usado como intérprete do inglês para o sesoto. Também teve o privilégio de traduzir as publicações da Sociedade para o sesoto, em seu próprio país natal de Lesoto.
PROGRESSO NA NIASSALÂNDIA
Em 1940, o número de congregações cristãs na Niassalândia tinha aumentado para sessenta. A oposição religiosa à pregação do Reino também aumentava. Sacerdotes católicos romanos diziam ao povo que, se o país estivesse sob a regência romana, nossa obra teria sido parada há muito tempo. De qualquer modo, diziam, o papa em breve destruiria a obra da Sociedade e “lançaria Rutherford e todas as Testemunhas de Jeová no meio do mar”.
O sucedido em certa ocasião ilustra os métodos escusos dos falsos mestres religiosos: Certo disco tocado em cinianja transtornou cinco professores católicos africanos. Tais homens enviaram então um relatório ao Comissário Distrital, queixando-se de que alguém que possuía um gramofone andava pelas aldeias dizendo ao povo que o Armagedom havia chegado e que todos os europeus iriam ser destruídos. Isto, naturalmente, foi feito de modo deliberado, para suscitar ansiedade e a animosidade das autoridades brancas, mas, as investigações feitas pelas autoridades provaram que a denúncia era falsa e, assim, o assunto foi encerrado.
A superstição amiúde desempenha grande papel na vida do africano. Mas, a verdade o liberta desses grilhões mentais. Em troca, os escravos da superstição não raro usam suas armas especiais contra os servos de Jeová. Por exemplo, quando uma congregação das Testemunhas de Jeová pregava de aldeia em aldeia, um leão os seguiu, colhendo seu quinhão de vidas da aldeia. Isto moveu os supersticiosos a culpar as Testemunhas de Jeová por trazerem a atenção do leão sobre eles! Naturalmente, os instrutores católicos romanos tiravam proveito desta tendência para a superstição.
Com o irrompimento da Segunda Guerra Mundial houve mais pressão contra a obra do Reino na Niassalândia, mas a atitude do Governo continuava justa. Isto é refletido pela declaração do governador, Sir H. C. D. Mackenzie-Kennedy que disse: “Conheço o povo da Torre de Vigia já por 25 anos. Em alguns países, sei que são perseguidos e não são reconhecidos. Neste país, eu não vou impedir sua obra enquanto obedecerem a lei.” Algumas das autoridades africanas também desempenharam seu papel em manter aberto o caminho para que a mensagem do Reino penetrasse ali.
Em 1943, a obra tinha aumentado tanto que a média mensal de publicadores subira então para 2.464, havendo 144 congregações em operação. No entanto, naquele ano, foi nomeado novo governador, e também novo comissário de polícia. Grande partida do livro Riquezas em cinianja foi confiscado pelo governo. Em junho de 1943, o Aviso do Governo N.º 77, anunciava a proscrição total da importação de todas as publicações da Sociedade. No entanto, isto não influiu muito no trabalho no país, visto que já existiam consideráveis estoques na Niassalândia.
O que deveras exerceu poderoso efeito foi a existência dos “movimentos da Torre de Vigia” que ainda operavam e traziam vitupério ao nome da Sociedade. Em 1937, Elliott Kamwana foi liberto do banimento nas Ilhas Seychelles e retornou como líder de um de tais movimentos falsos. Willie Kavala também dava seu espetaculozinho, fazendo falsas afirmações de estar sob a liderança do Juiz Rutherford. Existindo tal situação, foi bom que a Sociedade expediu identificações especiais para aqueles que eram reconhecidos como publicadores e forneceu ao governo os nomes das pessoas a quem foram expedidas tais identificações. Desta forma, clara distinção foi feita entre as Testemunhas de Jeová, sob a direção da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, e os movimentos pagãos que tinham um nome similar.
Em 1944, a expressão “o Novo Mundo de Jeová” teve grande êxito junto ao povo da Niassalândia. Certo irmão, ao proferir um discurso sobre o Novo Mundo, explicou: “Quando Adão pecou, não lhe nasceu nenhum filho no jardim; todos nasceram no ‘mato’, e, meus amigos, ainda estamos no ‘mato’. Ainda não retornamos ao jardim. Mas, aproxima-se o tempo em que deixaremos este mundo da ‘matekenya’ (carrapatos) para entrar no novo mundo plenamente estabelecido de Jeová.” Em uma parte do país, as pessoas interessadas seguiam as Testemunhas de Jeová de lugar em lugar, para beber as promessas da Palavra de Deus.
No ano seguinte, o glorioso calor da verdade bíblica estava secando os campos encharcados da religião falsa. Vários clérigos africanos, depois de ouvirem um discurso sobre o Novo Mundo, foram em massa a um missionário europeu e disseram: “Por que manteve essas coisas escondidas de nós? Hoje vemos rapazes e moças visitarem as pessoas e lhes falarem as coisas mais maravilhosas que elas já ouviram! E vocês nos têm dado doutrinas para pregar que agora se revelam falsas! E quando nos colocamos diante do povo para pregar, parecemos tolos, e não temos qualquer base que seja!”
TRIUNFO SOBRE DIFICULDADES NA RODÉSIA DO SUL
Em 1939, o número de publicadores europeus na Rodésia do Sul era de cerca de 15, ao passo que o total entre os africanos era de cerca de 460. Uma grandíssima ajuda para os irmãos africanos lhes foi provida em forma do primeiro folheto em chichona, a principal língua africana do país.
Nosso publicador isolado em sua própria mina de ouro, Jack McLuckie, estava, no ínterim, criando sua família na verdade. Sua casa era mui simples, feita de caniços e barro, com o chão feito de senga — estrume de vaca liqüefeito e deixado secar, de modo que endureça. Quando fica duro, não há cheiro, e pode ser varrido diariamente. Jack treinava fielmente seus filhos na verdade, um dos seus métodos sendo ler alguns versículos da Bíblia e então fazer perguntas para ver o que entendiam. Ian, o caçula, era muito jovem então, mas lembra-se destas sessões de estudo. Este treinamento inicial o fez manter-se firme quando, mais tarde, tornou-se pioneiro, graduado e missionário da Escola de Gileade!
Foi em 1939 também que outra família McLuckie surgiu em cena na Rodésia do Sul. Tratava-se de Bert McLuckie, com sua esposa, Carmem, seu garotinho, Peter, e dois filhos dum prévio casamento. Bert McLuckie entrou em contato com a verdade inicialmente em 1927, e ajudara muitos de seus parentes a aceitá-la. Com efeito o “clã” McLuckie é bem conhecido na África central e meridional.
Pouco depois do romper da Segunda Guerra Mundial, em 1939, as duas famílias McLuckie e outros publicadores na Rodésia do Sul ficaram em dificuldades. O governo impôs uma proibição da importação e distribuição das publicações da Sociedade, em 15 de novembro de 1940. Até mesmo a tradução inglesa das Escrituras Gregas Cristãs, chamada “Emphatic Diaglott”, foi proscrita. A base falsa da proibição ou proscrição foi que fomentaria a oposição ao esforço de guerra. O escritório da Cidade do Cabo não perdeu tempo para se enviar um apelo ao rei da Inglaterra, ao primeiro-ministro britânico, ao secretário de estado das colônias, ao governador da Rodésia do Sul e a todos os membros do parlamento. Nenhum reconhecimento oficial foi dado de que esta carta fora recebida. Alguns dias depois, um membro da D. I. C. visitou George Phillips, na Cidade do Cabo, representando o Governo da Rodésia do Sul. Estavam ansiosos de conseguir informações sobre os antecedentes do escritor!
Bert McLuckie afirma que alguns dos irmãos sumiram por temor na época da proscrição das publicações, porém, a maioria deles continuou firme, com maior animação, determinados a testar a legalidade da lei por distribuírem as publicações, custasse o que custasse. Isto resultou em prisões, processos, e nas inevitáveis condenações. Livros, Bíblias, fonógrafos e discursos foram confiscados, sendo mais tarde queimados às ordens do tribunal. Alguns desses casos foram levados ao Superior Tribunal da Rodésia do Sul, mas, naqueles anos, sob a pressão e febre da guerra, a decisão foi contrária à Sociedade.
Segundo Jack McLuckie, o número de Testemunhas européias naquele tempo era de cerca de dezesseis, e a maioria delas foi encarcerada em uma ocasião ou outra por distribuírem as publicações proscritas. Alguns foram presos duas ou três vezes. Por volta desse tempo, também, muitos irmãos foram encarcerados devido à sua posição neutra em conexão com a guerra. Usavam o tempo de prisão para dar bom testemunho e alguns dos carcereiros compareciam aos estudos bíblicos com as Testemunhas depois da libertação dos irmãos.
Em certa ocasião, a esposa de Bert McLuckie, Carmem, também foi presa e sentenciada às usuais 25 libras ou três meses. Ela estava grávida naquele tempo. Um recurso sem êxito adiou os assuntos e, no ínterim, Carmem deu à luz uma menininha. No decorrer do tempo, uma policial veio prender Carmem, e o irmão McLuckie teve a experiência infeliz de ver sua esposa e bebê serem levados para a prisão de Gwelo. Poderiam ter deixado a criança, mas decidiram que seria melhor tanto para a mãe como para a filha que elas ficassem juntas. Enquanto estava na prisão, junto com a mãe, a menininha Estrella tinha como ama-seca uma assassina que chorou amargamente quando a mãe e a criança foram libertas depois da sentença de três meses.
O próprio irmão Bert McLuckie esteve preso duas vezes. Na cadeia, o irmão McLuckie estava no meio de pessoas condenadas por atos sujos e perversos, e disse que jamais antes, ou desde então, ouviu uma linguagem tão vil. Todavia, dois deles deram ouvidos à mensagem do Reino. Assim, bem lá dentro da prisão, ocorreu pequena cerimônia de imersão, o irmão McLuckie batizando dois detentos enquanto todos saíram para exercitar-se no pátio.
Em 1942, os irmãos europeus na Rodésia do Sul publicaram o folheto Jehovah’s Witnesses: Who Are They? What Is Their Work? (Testemunhas de Jeová: Quem São? Qual É Sua Obra?) Enviaram exemplares ao governador e a outras autoridades e, então iniciaram uma distribuição geral. O irmão Bert McLuckie se lembra disto muito bem. Com efeito, sua esposa foi de novo presa, enquanto se empenhava neste trabalho, certo dia. Mas, seu caso não foi avante e ela não foi acusada.
Em 1943, o número médio de publicadores já subira para 1.090, e a multidão de publicadores do Reino crescia rapidamente na Rodésia do Sul. No ano seguinte, programaram-se assembléias para os irmãos africanos. Na assembléia africana de Bulawayo, havia uma assistência de 1.028, e, em Mrewa, tinham 347 no discurso público. Cinqüenta novatos foram batizados nestes dois locais. A assembléia européia também foi realizada em Bulawayo, e teve um auge de assistência de 73. Os irmãos, destarte, ficaram encorajados a continuar seu trabalho enquanto ansiosamente esperavam o tempo em que a Sociedade obtivesse permissão para abrir um depósito, e tivessem um representante oficial ali.
ZELO EM FACE DE PERSEGUIÇÃO
Durante 1940, houve outro motim no Cinturão do Cobre na Rodésia do Norte, e, em certo centro, foram mortos vários africanos. Desta feita, o inimigo fracassou em fazer das Testemunhas de Jeová seu “bode expiatório”. Os chefes eram todos católicos romanos, mas o governo não mencionou isto. As Testemunhas de Jeová no Cinturão do Cobre já eram, nessa época, bem mais fortes e mais zelosas do que antes.
Em dezembro de 1940, uma proclamação do governo proibia a importação e distribuição de todas as publicações da Sociedade. Deram-se batidas nas casas dos irmãos, e vários deles foram presos por possuírem tais publicações. Em certo caso dois irmãos, Gibson Chembe e Lamond Kandama, foram gravemente espancados várias vezes por se recusarem a queimar seus livros na presença de muitas pessoas, inclusive chefes tribais. Tais atos foram cometidos com o conhecimento do chefe de polícia e do juiz locais. O relatório enviado à filial da Cidade do Cabo foi retido pelos censores e Llewelyn Phillips recebeu uma intimação do chefe da segurança. Quando foram apresentados os fatos, o chefe prometeu investigá-los. Apresentou-se um protesto tanto à sede do governo em Lusaca como junto ao Escritório Colonial em Londres. Uma comissão de inquérito foi designada pelo governo. Repreenderam o juiz e o chefe de polícia, e não houve mais esforços de queima compulsória dos livros.
A seguir veio o aviso do governo, publicado em março de 1941, exigindo que todos os europeus e africanos entregassem todas as publicações da Torre de Vigia ao mais próximo Boma (Tribunal) dentro de dois meses, pois, se isso não acontecesse seriam processados. Desnecessário é dizer que todas as genuínas Testemunhas de Jeová se recusaram a fazer isto, o que levou a outras prisões. Houve uma batida no depósito da Sociedade. O servo do depósito, Llewelyn Phillips, adotou uma posição destemida e firme, e se recusou a entregar as publicações. Foi sentenciado a seis meses de prisão. Anteriormente, no mesmo ano, Llewelyn Phillips estivera preso por um mês, por se recusar a prestar serviço militar.
As coisas não se acalmaram no ano seguinte. Llewelyn Phillips foi preso de novo devido à questão militar, mas interpôs recurso. Passou outros três meses na prisão antes de seu recurso ser julgado. Ele conta sua própria história sobre isso: “O recurso, julgado três meses depois, foi um julgamento a rigor, o Lord Ministro Presidente atuando com Juiz, e o Procurador-Geral (então K. C. [conselheiro do rei]) como promotor público. O ministro apresentou uma Bíblia com várias tiras de papel indicando diferentes capítulos. Começou perguntando que direito tinham as Testemunhas de Jeová de se recusarem a guerrear, quando Moisés era um homem de guerra. Ao lhe ser lembrado que este homem fiel não poderia ter sido cristão, visto que viveu 1.500 anos antes de Cristo, o entusiasmo pelas perguntas bíblicas se desvaneceu e não demorou muito até que a Bíblia foi posta de lado. Ao ser sugerido que, caso os apóstolos estivessem vivos, provavelmente também estariam no banco dos réus, o ministro ficou visivelmente comovido.” A sentença do irmão Phillip foi então reduzida para o tempo que já havia servido, de modo que pôde deixar o tribunal como homem livre. Durante oito dos doze meses do ano de serviço de 1942, ele esteve preso.
Apesar das dificuldades devidas à perseguição, à escassez de víveres e à falta de publicações, em virtude da proscrição, a obra avançou. Para contrabalançar a escassez de publicações, os irmãos prepararam perguntas e respostas, junto com textos relacionados, para uso nos estudos bíblicos. Devido à guerra, havia também falta de peças e de pneus de bicicletas. Isto significava que a maioria dos africanos se viram privados de seu meio principal de transporte pelas trilhas primitivas do matagal. Todavia, a obra na Rodésia do Norte fazia maravilhoso progresso; o número médio de publicadores em 1944 tinha subido para 3.062, um aumento de 116% desde 1941! E, apesar de todas as suas dificuldades, gastavam em média 30 horas mensais no serviço de campo. Por volta desse tempo, as boas novas também haviam penetrado no vizinho Congo.
Até esse estágio, nenhum europeu na Rodésia do Norte se havia associado abertamente com as Testemunhas de Jeová. Por quê? Uma razão sugerida foi dada no Anuário de 1943: “Há arraigado temor na mente de muitos europeus que apreciam nossa mensagem, visto acharem que, se tornarem isto conhecido aberta ou ativamente, suas posições correrão perigo.” Vários europeus, inclusive autoridades governamentais, contudo, manifestavam considerável bondade para com as Testemunhas. Certo comissário distrital, com efeito, pagara 5 xelins a cada uma de duas Testemunhas como compensação por terem sido erroneamente detidas pelo seu antecessor. Outra autoridade foi buscar de carro seu empregado doméstico (que tinha sido preso por possuir nossas publicações), quando a sentença dele expirou, e o levou de volta ao trabalho! Esta mudança de atitude da parte de muitos europeus se devia, sem dúvida, ao excelente testemunho que os irmãos davam por meio de sua conduta, conforme noticiado no Anuário de 1944: “Os adeptos da Sociedade gozam da melhor reputação neste Grupo [de trabalho], e é bem conhecido que os fazendeiros e outros patrões especificam que os desejam em especial.”
Em 1945, o irmão e a irmã Bridger, casal que aprendeu a verdade por volta de 1916, no Estado Livre de Orange, mediante Japie Theron, mudou-se de Joanesburgo para Luanshya, onde o irmão Bridger começara a trabalhar como pioneiro entre os europeus. Relata como cobriu toda a cidade, colocando 1.000 folhetos. Ali entrou em contato com uma família, a Sra. Scheepers e sua filha, a Sra. Joubert, com quem estudara antes em Joanesburgo. Toda a família, até os atuais bisnetos, aceitou a verdade. O irmão Bridger também ouviu falar de várias pessoas que “não tinham fé na celebração do Natal”. Teve êxito em entrar em contato com elas e assim contatou outras quatro pessoas que tinham estado associadas com nossa obra na África do Sul. Iniciou um estudo com elas, e isto formou o núcleo para a primeira congregação européia na Rodésia do Norte. O irmão e a irmã Bridger também trabalharam entre os africanos nos seus povoados.
AVANTE A BAROTSELÂNDIA
Alguma ajuda extra veio da União em 1945, na pessoa do irmão C. Holliday (marido da irmã M. Holliday, mencionada anteriormente nesta história). Foi convidado por George Phillips, o superintendente da filial na Cidade do Cabo, para servir como “servo viajante e ajudar o irmão Llewelyn Phillips”. Enquanto na Rodésia do Norte, visitou a Barotselândia, área de 735.000 quilômetros quadrados situada nas regiões superiores do grande Rio Zambeze, a oeste das Cataratas de Vitória. Foi acompanhado por um europeu interessado e um “servo” africano aos irmãos, que atuaram como guia e intérprete.
Foi uma jornada bem difícil. Primeiramente viajaram num trem particular de transporte de madeira até Massesse, onde pararam, realizaram uma reunião com algumas Testemunhas e fizeram arranjos para o núcleo duma congregação. A próxima etapa de sua viagem foi num trole emprestado dum capataz, empurrado sobre os trilhos por dois africanos até o local em que os viajantes puderam conseguir uma carona num caminhão do governo. Este os levou até Katima Molilo, de onde outra carona os levou a Ngwesi. Ali se encontraram com os irmãos que tinham andado desde Senanga, a fim de conhecê-los e servir-lhes de carregadores. Quanto ao restante da viagem até Senanga, eles percorreram a maior parte do trajeto em três canoas. Em certo ponto, tiveram uma experiência eletrizante com um hipopótamo. Para terror do irmão Holliday, o enorme animal ergueu uma das canoas no ar. Mas, o remador conseguiu manter seu equilíbrio, com perícia e bateu no animal com seu remo. Isto produziu o efeito desejado, e o hipopótamo saiu nadando, para alívio de todos.
Ao chegarem a Senanga, foram recebidos por enorme multidão que se havia reunido. A fim de estarem presentes, alguns tinham viajado oito ou nove dias. Todos estavam intensamente alertas e curiosos sobre o que lhes reservava. Esta era a primeira visita de um irmão europeu, e muitos deles jamais tinham visto um homem branco antes. A assembléia não oficial que realizaram foi deveras espiritualmente revigorante.
Enquanto visitava a congregação em Mufulira, o irmão Holliday conheceu o Sr. Ford, o encarregado do povoado, que ficou muito impressionado pelo bom trabalho e a fidedignidade dos “rapazes da Torre de Vigia”. Ele era uma das autoridades mencionadas no relatório do Anuário das Testemunhas de Jeová de 1946 (em inglês): “A idéia oficial ainda é a de não reconhecimento, mas, individualmente, há casos encorajadores de respeito definido pela limpeza, decência e laboriosidade das Testemunhas de Jeová. Os enormes números dos que agora se associam conosco nos centros de mineração (e não é algo incomum comparecer-se a uma reunião de 800 pessoas) começam a impressionar profundamente os que controlam de forma direta os africanos, e, num exemplo disto, depois de quatro meses de correspondência com a Diretoria do Povoado de Mufulira, concederam-nos um terreno grátis para que construíssemos um Salão do Reino. Deve-se dar o crédito disso a algumas autoridades que falaram com galhardia em nosso favor.” Este prédio era o primeiro de sua espécie na Rodésia do Norte.
Assim, apesar da perseguição, a obra estava realmente avançando na Rodésia do Norte durante a primeira metade da década de 1940. Isso também se dava nos outros países sob a filial da África do Sul.
PREGANDO APESAR DE PROSCRIÇÃO NA BASUTOLÂNDIA
No início dos anos 40, o irmão e a irmã Frank Taylor fizeram uma visita à Basutolândia (agora Lesoto). Verificaram que o interesse ali era tão grande que, em muitos lugares, os africanos deveras corriam atrás deles para obter publicações. Mas, as autoridades os observaram e ameaçaram confiscar todas as suas publicações e assim os obrigaram a seguir adiante.
Em fevereiro de 1941, impôs-se uma proscrição total à importação de nossas publicações na Basutolândia. Estranho como pareça, a proscrição foi imposta antes que houvesse sequer uma Testemunha que morasse no país. Mas, durante o período da proscrição, a obra do Reino teve início e progrediu muito bem. Os irmãos haviam percorrido o país com os carros-sonantes da Sociedade, transmitindo os discursos gravados da Sociedade e distribuindo publicações, mas, não foi senão em 1942 que a filial obteve um relatório de dois publicadores na Basutolândia. Um destes primeiros publicadores era o irmão L. Ramosena, que em realidade ouvira inicialmente a verdade enquanto trabalhava no povoado de Vereeniging, no Transvaal. O irmão Ramosena ficou tão entusiasmado com a mensagem e sentiu tão vívido desejo de disseminá-la em seu próprio país que voltou para casa e começou a dar testemunho com diligência, começando num lugar chamado Teyateyaneng.
Em breve, juntou-se ao irmão Ramosena outro irmão que aceitara a verdade em Joanesburgo e os dois foram de bicicleta até os povoados vizinhos, disseminando as boas novas. Organizaram pequenas reuniões e o grupo cresceu. Um ano depois, 1943, havia quatro publicadores — um aumento de 100 por cento!
Participar na obra de pregação de casa em casa em Lesoto é bem diferente da maioria dos outros países. Quer o morador esteja dentro ou fora de casa, o publicador o saúda com claro e amigável “Khotso!”, que significa “Paz!” O morador responderá com um “Khotso!” O publicador então será convidado a entrar e a sentar-se, e ambos perguntarão como vai a saúde do outro. Uma vez completada a saudação inicial, o publicador poderá então começar a explicar sua missão.
Embora a Igreja Católica e a Missão Francesa estejam bem estabelecidas no país, e muitos pertençam quer a uma quer à outra destas religiões, muitos basutos ainda retêm suas tradições pagãs da adoração dos ancestrais e, até recentemente, sucediam-se assassínios rituais, a matança de humanos para obtenção de certas partes do corpo para os chamados fins medicinais. Apesar destes obstáculos, porém, o pequeno grupo de publicadores do Reino cresceu e, em 1948, já havia nove publicadores das boas novas.
Visto que muitos dos chefes são católicos, não raro se opõem à obra do Reino, mas havia alguns de coração honesto entre eles. Em 1951, um pioneiro visitou um kraal (aldeia nativa) dum chefe em Leribe. Foi convidado a ficar para uma refeição. Dois clérigos também estavam presentes. O pioneiro deu testemunho ao chefe e, à medida que citava cada ponto, provava-o pela Bíblia. Os dois sacerdotes ficaram aborrecidos e saíram apressados, mas o chefe ficou deleitado e iniciou-se um estudo com ele. Mais tarde, incentivou o povo em sua área também receberem estudos, resultando em tantos desejarem estudos bíblicos que o pioneiro local não mais podia cuida de todos. A obra se desenvolvia bem e, em 1951, já havia cinco congregações pequenas na Basutolândia. No ano seguinte, havia 53 publicadores, em média, bem como 10 pioneiros.
A LUZ BRILHA EM TANGANICA
Mais para o norte, em Tanganica, a obra entre os irmãos africanos também fez progresso. Durante os anos desde 1936, cartas isoladas que chegavam à filial da Sociedade na cidade do Cabo, vindas do Tanganica, mostravam que, embora vagamente, já os raios da verdade brilhavam nesta parte da África. Em 1942, 158 irmãos tinham algum quinhão na obra. Segundo o Anuário de 1945, os relatórios de Tanganica indicavam crescente oposição e confisco de publicações, mas havia a média mensal de 75 publicadores que relatavam pouco mais de 8 horas por publicador no campo. O único meio de encorajar estes irmãos era por carta e a Sociedade fazia isso. Em 1945, os cerca de 6.000.000 habitantes deste país recebiam testemunho de apenas três congregações organizadas, consistindo em 144 publicadores. Seu trabalho consistia mormente em testemunhos orais, revisitas e estudos. De vez em quando, chegava até eles alguma matéria para leitura, e havia grande regozijo. Faziam bom uso destes itens, para benefício de todos. Em 1946, já haviam aumentado para 227 publicadores e 7 congregações. Estes irmãos experimentavam considerável oposição das organizações da religião falsa e sentiam grande necessidade de supervisão mais de perto e de publicações em suaili.
Em janeiro de 1948, um servo aos irmãos de língua cibemba foi enviado da Rodésia do Norte para visitar as congregações em Tanganica. Trabalhou junto das oito congregações no distrito de Mbeya, encorajando e edificando os irmãos. A única outra congregação, na fronteira da Rodésia do Norte, era servida por outro servo aos irmãos. Os resultados começaram a surgir e até mesmo chefes manifestavam interesse na verdade. Também, o Tanganica veio a ficar então sob a recém-formada filial da Rodésia do Norte. Hoje, Quênia, Uganda e Tanzânia são dirigidas pela filial da Sociedade em Quênia. A obra do Reino se desenvolve rapidamente nessa área e traz muita honra ao nome de Jeová.
INICIA-SE NOVA CAMPANHA
A campanha de reuniões públicas começou na África do Sul em junho de 1945 e obteve entusiástico apoio dos irmãos no campo. Como resultado da Escola Teocrática, muitos oradores estavam então disponíveis. Os esboços providos foram traduzidos para as principais línguas africanas e os irmãos naquele campo também começaram a organizar esta nova campanha.
Naturalmente, muitos dos irmãos sentiam-se acanhados e temerosos quanto a falar duma tribuna pública. Entre estes estava Piet Wentzel e seu colega, Frans Muller, que serviam como pioneiros em Vereeniging. Quando o Informante (mais tarde Nosso Serviço do Reino) considerou a campanha, ambos concordaram que isso não era para eles. Jamais haviam estado na tribuna pública. No entanto, lembretes do Informante os encorajaram, de modo que escolheram alguns discursos e começaram a prepará-los. Para praticarem o proferimento, escolheram um lugar sossegado na margem do rio e, colocados a uma distância suficiente, começaram a “discursar” para sua “assistência” que corria suavemente — o rio! Por cerca de um mês, desceram até o rio cada hora do almoço e praticaram até que sentiram suficiente confiança para falar a uma assistência real. Pediram convites e fizeram muita publicidade. Quando chegou o dia, tinham 37 pessoas em seu discurso público e ficaram muito gratos por este excelente início.
EM EVIDÊNCIA UMA ORGANIZAÇÃO MAIS FORTE
Em comparação com os anos anteriores, 1945 foi um ano comparativamente tranqüilo no que tange à oposição. Houve vários incidentes pequenos, contudo, um dos quais ocorrido na cidade de Kimberley. Este tinha sido importante centro da extração de diamantes desde a década de 1870, quando a exploração de diamantes teve início naquela localidade. Sem motivo aparente, a câmara dos vereadores de Kimberley sancionou uma resolução no sentido de que não se devia permitir que as Testemunhas de Jeová disseminassem suas crenças nas reservas municipais (para os africanos). O superintendente das reservas africanas foi instruído a fazer parar quaisquer atividades das Testemunhas e fechar seus locais de reunião. Um jornal local publicou um item sob o tópico “Proscritos os Russelitas nas Reservas Locais”.
O superintendente das reservas, certo homem chamado O’Brien, não perdeu tempo em agir. Na ausência dos irmãos, arrombou o Salão do Reino, apoderou-se das publicações e da vitrola, e reduziu a pedaços o carrinho usado para levar a vitrola de um lado para outro. Daí, triunfantemente, entregou os pedaços aos espectadores, para servirem de lenha. A filial tampouco perdeu tempo em reagir. Deu-se à câmara municipal 48 horas para devolver os bens confiscados e pagar os danos pelo carrinho; de outra forma, mover-se-ia uma ação legal. Como resultado, a câmara municipal ficou com 10 libras a menos em seus cofres devido aos danos causados, e O’Brien teve de repô-las e devolver pessoalmente os bens confiscados ao Salão do Reino. Para coroar tudo isso, a imprensa local publicou um artigo mostrando que as Testemunhas de Jeová tinham obtido outra vitória e estavam prosseguindo em sua obra educativa, como de costume, nas reservas locais!
Finalmente, em maio de 1945, na Europa, a guerra que durara quase seis longos e cansativos anos chegara ao fim. As hostilidades ainda continuaram por algum tempo no Extremo Oriente, até que as bombas atômicas abalaram a resistência do Japão. Os sul-africanos, em geral, soltaram grande suspiro de alívio. Mas, embora as Testemunhas tivessem travado e vencido a “batalha das proscrições”, sua longa luta contra o “descendente” da Serpente não tinha ainda terminado.
No entanto, em dezenove lugares, o povo de Deus realizou a Assembléia Anunciadores Unidos, durante a Guerra Mundial. Pela primeira vez na história da obra do Reino na África do Sul, os irmãos puderam usufruir as mesmas boas coisas simultaneamente com os irmãos nos Estados Unidos e outras partes. O programa e os novos lançamentos chegaram todos ali em tempo.
Lá em Durban, o número de publicadores subira para aproximadamente 100. Este pequeno grupo realizou poderosa campanha para anunciar o discurso público. Folhetos, no total de 50.000, 2.000 cartas especiais de convite, 1.000 cartazes, além de muitas faixas, grandes e pequenas, foram usados. A cidade ficou eletrizada. Jamais tinham visto antes algo semelhante. A assistência no discurso público foi de 900 pessoas, das quais aproximadamente 750 eram do público. A assistência nacional para aquela série de assembléias alcançou novo auge de 5.001
Na filial da Cidade do Cabo, a família era agora de 14 pessoas, ainda assim todas moravam em casas particulares pensões, e tomavam suas refeições em restaurantes locais. A pequena gráfica se havia mantido bem atarefada e, em 1945, produzira um auge de todos os tempos de 2.562.817 impressões. O novo livro “A Verdade Vos Tornará Livres”, publicado em 1943, tinha sido traduzido em africâner, zulu e sesoto.
Assim, a organização na África meridional saiu da Segunda Guerra Mundial muito mais forte e mais ampla. A obra progredira e crescera apesar de todos os esforços dos opositores, da proscrição das publicações, das campanhas “enlameadoras” dos carolas religiosos, da publicidade adversa na imprensa, dos casos legais, batidas da polícia e prisões. O número de congregações na África do Sul tinha mais do que duplicado, tendo aumentado de 115 para 244. Em toda a África meridional, o número médio de publicadores aumentara de 3.179 (em 1939) para 12.289 (em 1945), um aumento de 286 por cento. Ainda mais maravilhoso era o aumento na União Sul-Africana, de 439 publicadores em 1939 para 2.991 em 1945 — um aumento de 580 por cento!
EDIFICAR PARA O FUTURO
Em vista dos tremendos aumentos nos anos de guerra, a obra do Reino na África do Sul, Central e Oriental tinha de ser bem organizada, se haveria de manter-se produtiva nos anos à frente. Um aumento de 3.179 Testemunhas, em 1939, para a média de 14.089, em 1946, é o que mostram os registros. Cerca de 25.000.000 de pessoas viviam então nos territórios sob a supervisão da filial da África do Sul, na Cidade do Cabo. Noventa por cento pertenciam às várias tribos africanas na metade meridional do continente. A maioria dos europeus (gente branca), contudo, vivia na própria União Sul-Africana.
Os poucos anos seguintes veriam continuado aumento surpreendente. Novas filiais da Sociedade Torre de Vigia (EUA) seriam abertas nestes territórios, de modo a cuidar melhor dos interesses das pessoas semelhantes a ovelhas.
Ainda havia muita incompreensão sobre a obra em muitas localidades. Quando alguns dos irmãos africanos da Rodésia do Norte desejaram vir a Joanesburgo para o congresso em outubro de 1946, as autoridades da imigração não queriam permitir que fizessem isso. Um deles perguntou: “Não foi a ‘Torre de Vigia’ culpada de atividades subversivas?” Expuseram-se os fatos diante dessas autoridades, mas, ainda assim, os irmãos não puderam entrar no país. A razão fornecida era que não haveria acomodações suficientes para eles em Joanesburgo, onde milhares já moravam em barracos improvisados nos povoados africanos. As autoridades não queriam aceitar que as próprias Testemunhas de Jeová cuidassem das acomodações de seus irmãos visitantes.
Publicações tais como “Seja Deus Verdadeiro” e “Equipado Para Toda Boa Obra”, lançadas na assembléia de Cleveland, Ohio, de 1946, foram entusiasticamente recebidas pelos irmãos sul-africanos em suas assembléias em Joanesburgo, cerca de dois ou três meses mais tarde. Estas publicações muito contribuíram para tornar os servos de Jeová mais aptos quais reais instrutores da Palavra. A obra com os fonógrafos portáteis e os discursos bíblicos gravados ainda prosseguia, mas, agora, era tempo de os trabalhadores do Reino de todas as raças aprenderem, eles mesmos, a pregar e ensinar mais, com seus próprios lábios.
Um dos superintendentes de circuito africanos daquele tempo, M. Nguluh, relata que um bom número de clérigos africanos de várias religiões aceitaram a verdade durante este período. Um destes, Bethuel Rikhotso, da Igreja da Missão Suíça, foi contatado pelo irmão Nguluh quando este estava numa visita do circuito em Graskop, na parte nordeste da Província do Transvaal, em 1946. Tal senhor aceitou a verdade na primeira noite em que ela lhe foi apresentada, e, na próxima visita do superintendente de circuito, ele fez arranjos para que um discurso especial fosse preferido no kraal (grupo de choupanas) do chefe supremo da tribo shangaan. Isto resultou em poderoso testemunho e, anos mais tarde, desenvolveu-se grande congregação nessa área. O próprio Rikhotsc tornou-se pioneiro em janeiro de 1947.
OBRA DE CIRCUITO E ASSEMBLÉIAS
A obra dum superintendente de circuito africano naqueles dias era, às vezes, perigosa. O irmão Nguluh menciona que, por duas vezes, quase afogou-se quando cruzava rios em enchente. Até mesmo hoje, para ir de uma congregação para outra, os superintendentes de circuito africanos têm de andar muitos quilômetros no meio do mato, carregando sua bagagem, e amiúde acompanhados da esposa e dum filhinho.
Em fevereiro de 1947, novo arranjo de circuito entrou em vigor e a África do Sul foi dividida em quatorze circuitos.
Em algumas partes, o interesse do povo africano era notável. Certo superintendente de circuito africano fala sobre proferir o mesmo discurso público três vezes no mesmo dia! Ele fora enviado a certa área para organizar uma nova congregação e fez arranjos para um discurso público num domingo de agosto de 1947. A assistência foi de 173, quase todos recém-interessados. Escreve ele: “Depois do discurso, os presentes foram convidar outros para virem e ouvirem a verdade. Às 15 horas, tive de proferir segundo discurso público. Às 17 horas, outro grande grupo veio ao salão e me solicitou ardorosamente que repetisse o discurso, visto que tinham ouvido do grupo das 15 horas que a verdade estava sendo proferida naquele salão. Assim, das 18 às 19 horas, proferi o discurso pela terceira vez naquela tarde.” Este tipo de interesse iria estabelecer o ritmo para maravilhosos aumentos.
Em abril de 1947, realizou se em Durban a primeira assembléia de circuito na África do Sul. Milton Bartlett, graduado da quinta turma da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia para missionários e o primeiro missionário de Gileade a vir para a África do Sul, era o superintendente de distrito nesta assembléia. Os irmãos africanos conseguiram um salão caiado num povoado nativo municipal perto do centro da cidade. Esta foi uma ocasião feliz. Os irmãos viajaram consideráveis distâncias, visto que a inteira província de Natal estava incluída em um único circuito naquele tempo.
O irmão Bartlett fornece esta vivíssima descrição do colorido local desta assembléia africana: “Foi uma experiência emocionante ver a atitude das Testemunhas africanas. Eram tão limpos, quietos, de aparência asseada, tão sinceros e ansiosos de aprender mais sobre a verdade, muito ansiosos de fazer o serviço de campo. Embora estivessem bem dentro do povoado (terrenos para pousada) tinham suas panelas de três pernas e tinham matado um animal, e fizeram a preparação de sua comida nesse povoado cercado. Cada Testemunha tinha trazido seu próprio prato e copo de ágata e uma colher de sopa, que usava para comer de tudo. Mas, quando chegou a hora de comer a papa de milho (xerém de milho) em sua forma consistente, enrolavam-na na mão e a imergiam em parte da papa que ficara no fundo dos seus pratos e então a colocavam na boca.”
Os irmãos apreciavam muitíssimo suas assembléias de circuito. O relatório da filial para aquele ano fala de os irmãos africanos na Zululândia andarem uns cento e vinte e cinco quilômetros para chegar à assembléia de circuito e então para voltar de novo para casa, ao todo cinco dias de caminhada. Como disse o superintendente da filial: “O zelo de muitos destes nossos amigos é realmente notável e faz bem ao coração ver sua ânsia de aprender e de levar a peito a instrução recebida.”
Problemas de acomodações tampouco preocupam estes irmãos. Chegam com uma trouxa contendo um cobertor e alguns pertences, um bebê nas costas de algumas das mulheres, e pequena caixa de madeira para seus livros e Bíblias. A caixa é amiúde usada como assento nas sessões das assembléias. Caso tenham de passar uma ou duas noites em viagem para um local de assembléia, facilmente encontram alguns africanos amigáveis que se dispõem a lhes dar um caminho para dormir. Caso tenham de dormir ao relento, dispõem de cobertores para se manterem aquecidos.
Vez após vez não existe nenhum salão disponível e, assim, a assembléia é realizada ao ar livre, tendo por teto a abóbada celeste. Por outro lado, faz-se uma estrutura temporária de varas cobertas por um encerado. As necessidades temporais são satisfeitas com apetitosas refeições de papa de milho (xerém de milho) e carne. Se têm seu próprio prato, muito bem. De outra forma, comem de um prato comum. Se alguém não dispõe duma colher — bem, os dedos foram feitos antes das facas e colheres!
VISITA ALEGRE EDIFICA ESPIRITUALMENTE
O destaque da obra do Reino na África do Sul, Central e Oriental durante 1948, foi a mui aguardada visita do presidente da Sociedade, N. H. Knorr. Que alegria isto foi para todos os irmãos na África meridional! Comprou-se então um terreno para construir novo prédio do escritório, da gráfica e lar próximo de Joanesburgo.
Os dias de 3 a 5 de janeiro de 1948 foram reservados para a assembléia nacional na África do Sul. Foi realizada em Joanesburgo; mas, devido às exigências oficiais, os irmãos europeus e mestiços tiveram de reunir-se em um local, e os africanos em outro. Embora os irmãos só recebessem breve aviso, cerca de 3.600 compareceram às sessões de abertura, e 9.246 vieram às duas reuniões públicas. Um total de 416 pessoas foram imersas, das quais 378 eram irmãos africanos. Após à assembléia, o irmão Knorr e seu secretário, Milton Henschel, passaram três dias na Cidade do Cabo, na filial, aconselhando e encorajando a equipe de Betel.
Em todos os países e territórios sob a direção da filial na Cidade do Cabo, houve um auge de pouco mais de 27.000 publicadores em 1948. Como resultado da visita do irmão Knorr naquele ano, algumas novas filiais foram organizadas para funcionar por si só nas partes centrais da África, ao invés de serem meros depósitos que enviavam relatórios ao escritório da Sociedade na Cidade do Cabo. Parece apropriado, neste ponto, considerar o progresso de alguns países da África Central até então sob a supervisão da filial na Cidade do Cabo.
PROSPERA A PREGAÇÃO DO REINO COM A REMOÇÃO DAS RESTRIÇÕES
Na Rodésia do Sul (agora chamada simplesmente Rodésia) continuava a batalha para remover as restrições sobre a atividade do Reino. A filial da Cidade do Cabo enviava fielmente petições para a remoção das restrições e, em 1945, obteve-se a garantia de que a petição receberia a devida consideração numa das ulteriores reuniões do gabinete. No ano seguinte, vimos por fim as restrições serem removidas, e mais uma vez as publicações da Sociedade podiam circular livremente na Rodésia.
Em 1947, as circunstâncias familiares de Bert McLuckie eram tais que ele se sentiu livre para reiniciar o serviço de pioneiro. Para sua grande surpresa e felicidade, foi designado para abrir um depósito para a Sociedade em Bulawayo, então Rodésia do Sul, em 1.º de julho de 1947. Graças primariamente a Jeová, a longa e árdua batalha em favor da obra do Reino naquele país fora vencida! Naquele ano, o auge de publicadores tinha passado o marco dos 3.000, havendo 82 congregações organizadas.
O primeiro depósito era mais um assunto de família, Bert McLuckie trabalhando na casa de seu irmão carnal, Jack McLuckie. No início, Bert McLuckie fazia sozinho todo o trabalho. Daí, chamou dois irmãos africanos para traduzirem os artigos da revista A Sentinela, um para o chichona e o outro para o cinianja. Por bom tempo, fizeram cópias destas traduções num mimeógrafo, e as páginas da revista tinham de ser ajuntadas, dobradas e grampeadas à mão. Como admite o próprio irmão McLuckie, o produto final deixava muito a desejar. Daí, em 1975, estas revistas eram produzidas com altíssimo padrão de qualidade, numa moderna rotativa na filial de Elandsfontein, a tradução em cinianja tendo uma impressão de 25.000 e a tradução em chichona uma impressão de 13.900 exemplares de cada edição.
Todos esses acontecimentos e melhoramentos, como é natural, trouxeram grande alegria e encorajamento aos corações dos publicadores do Reino na Rodésia do Sul. Mas, podemos imaginar quão emocionados todos ficaram quando vieram notícias, em outubro de 1947, de que os irmãos Knorr e Henschel iriam visitá-los em janeiro de 1948. Milhares de volantes, centenas de cartazes e muitas faixas foram preparadas para anunciar os discursos a serem proferidos pelo irmão Knorr aos africanos e europeus em Bulawayo e Salisbury. Por volta dessa época, Eric Cooke, o primeiro missionário da Escola de Gileade que veio para a Rodésia do Sul, também entrou em cena.
Surgiram dificuldades em Salisbury quando o Departamento da Administração Nativa cancelou os arranjos adrede feitos para uso do salão no Povoado de Harari durante o período do congresso, de 16 a 18 de janeiro de 1948. Também cancelaram as acomodações que haviam sido obtidas previamente para os irmãos africanos. Assim, em 13 de janeiro, o irmão Cooke conseguiu uma audiência com o diretor do Departamento Nativo para descobrir qual era a base de suas objeções. Descobriu-se que ele tinha uma idéia errada sobre a Sociedade, crendo que estava ‘contra o governo’. O irmão Cooke dirimiu esta idéia errada por ler uma seção do Anuário das Testemunhas de Jeová. Isto impressionou tanto essa autoridade que ele concedeu de novo o uso do salão em Harari e tornou disponíveis os alojamentos para os milhares que eram esperados para a assembléia. Assim, abriu-se o caminho para uma assembléia bem sucedida das Testemunhas de Jeová, com um auge de assistência além de 6.000 pessoas.
Durante sua breve visita, o irmão Knorr reservou tempo para visitar as autoridades governamentais a fim de considerar certas restrições importantes às publicações da Sociedade devido à escassez de dólares nos países da área da libra esterlina. O irmão Knorr transpôs esse problema junto às autoridades por lhes dizer que todos os suprimentos de publicações para a Rodésia do Sul seriam enviados gratuitamente, assim evitando os problemas monetários.
Foi nessa visita que o irmão Knorr fez arranjos para que o depósito se tornasse uma filial, em 1.º de setembro de 1948, tendo a Eric Cooke como superintendente da filial. Era o início de novo capítulo da obra do Reino na Rodésia do Sul. Naquele tempo, o auge de publicadores ali era de 4.232.
DESPERTANDO A NIASSALÂNDIA
Mais ou menos o mesmo padrão é observado na história da obra na Niassalândia (agora Malaui), naqueles dias. Em 1946, as Testemunhas de Jeová já faziam sentir sua presença na Niassalândia. O número de publicadores ultrapassava o marco de 3.000, pela primeira vez, e os irmãos estavam realmente despertando aquele país.
A campanha de reuniões públicas estava agora em pleno andamento e obtinha muito êxito em despertar as pessoas em toda a parte. Naturalmente, os carolas religiosos faziam todo esforço para impedir as Testemunhas de Jeová de realizarem estas reuniões em seus povoados. Tinha-se de obter permissão dos dirigentes da aldeia para proferir um discurso público. Assim, se o chefe estava sob a influência dos líderes religiosos locais, não se podia realizar nenhuma reunião pública. Na área de Zomba, os diáconos e anciãos de certa igreja ameaçaram privar um chefe de sua chefia, mas ele simplesmente disse que fossem avante e o fizessem. Em contraste, o chefe duma aldeia vizinha surrou realmente duas Testemunhas de Jeová que vieram a ele para fazer arranjos para uma reunião pública em sua aldeia. O homem foi processado, mas, sendo pessoa influente e membro da igreja, o tribunal africano loca pontificou: “Nada podemos fazer a respeito.” No entanto quando o comissário distrital ouviu falar do caso, passou severa reprimenda tanto no tribunal como no chefe opositor.
Muitos chefes começaram então a enviar convites para que as Testemunhas de Jeová proferissem discursos em suas aldeias. Um dos chefes, que, num discurso público num lugar chamado Lizulu, ouvira a verdade sobre a condição dos mortos, pouco depois compareceu a um ofício fúnebre dirigido por alguns líderes religiosos. Foi dito à assistência que a criança que tinha morrido “é agora um anjo no céu”. O velho chefe resmungou, ficou de pé com firmeza, voltou-se para seu induna (subchefe) ao seu lado e pediu um pouco de rapé. Daí, aspirando vigorosamente, saiu de cena, afirmando: “Huh, ouvimos em Lizulu onde estão os mortos; isso é tudo mentira!”
Tão poderosa era a mensagem das Testemunhas de Jeová que os carolas religiosos tentavam imitar nossas expressões e nossos métodos. Tentavam dizer: “Nós também pregamos o novo mundo.” Alguns deles tinham tentado fazer revisitas a seus membros; mas, dentro de algumas semanas, tiveram de desistir disso.
Em certa reunião pública ao ar livre, amplamente anunciada pela palavra oral e por avisos pregados nas árvores, cerca de 300 pessoas se reuniram sob a sombra de mangueiras para ouvir o discurso. Aconteceu que um clérigo passou por ali de bicicleta no exato momento em que o orador citava Miquéias 3:11: “os sacerdotes ensinam por dinheiro”. (Versão Rei Jaime) O clérigo ficou ofendido e se queixou ao chefe local, que decretou que as Testemunhas de Jeová deviam parar de realizar reuniões públicas. Naturalmente, os irmãos não podiam aceitar isso e recorreram ao tribunal nativo de instância logo superior, onde a decisão foi revogada, junto com o aviso de que dali em diante quem criasse dificuldades para as Testemunhas de Jeová seria multado em 5 libras. Quando tudo se acalmou, cerca de cinqüenta interessados tinham tomado sua posição como publicadores ativos do Reino!
Muitos chefes das aldeias que se tinham oposto antes, tornaram-se então amigáveis e admitiram que tinham sido influenciados pelos líderes religiosos. Quando um superintendente de circuito se aproximou dum chefe de aldeia, também católico romano, solicitando permissão para realizar uma reunião pública na aldeia, foi-lhe dito: “Você realizar uma reunião aqui? Ora, na aldeia —— você realizou uma reunião e agora a igreja ali veio abaixo; foi recebido na aldeia —— e na de —— e em ambos os casos isso também aconteceu. Agora quer entrar na minha aldeia e pôr abaixo a igreja que construímos aqui! Não, jamais!” No entanto, na manhã seguinte, duzentos irmãos passaram pela aldeia, cantando ao irem andando. Os católicos romanos tentaram criar um distúrbio por gritar e tocar seus tambores, mas grande multidão juntou-se aos irmãos em sua caminhada e todos foram para um lugar logo fora da aldeia, onde se realizou uma reunião pública muito bem sucedida.
LUTANDO CONTRA A PROSCRIÇÃO
Parte do processo de despertamento na Niassalândia foi conseguido por meio duma petição, durante o ano de serviço de 1946, solicitando a liberação de nossas publicações, que o governo estava restringindo. Esta colônia inglesa um tanto isolada ficou impressionada pela ação enérgica da parte dos irmãos. As folhas da petição foram assinadas por 47.000 pessoas, e isto realmente deixou preocupadas as autoridades.
A filial da Cidade do Cabo enviou longa e forte carta, datada de 5 de setembro de 1946, ao Secretário de Estado Para as Colônias, em Londres. Esta carta indicava que a conduta das Testemunhas de Jeová na Niassalândia tinha sido irrepreensível, que aqueles que tinham sido responsáveis pela imposição da proscrição sobre as publicações tinham sido fortemente influenciados pelos jesuítas que operavam na Niassalândia, e que as proscrições sobre as publicações da Sociedade tinham sido removidas em outras partes da Comunidade Britânica. A resposta foi encorajadora, no sentido de que os governadores de quatro diferentes territórios ingleses que constituíam o bloco africano-oriental (Rodésia do Norte, Niassalândia, Quênia e Tanganica) foram convocados pelo escritório colonial para fazerem uma recomendação conjunta a respeito da Sociedade Torre de Vigia (EUA) e as Testemunhas de Jeová. Solicitou-se aos governadores que tivessem presente dois pontos principais: (1) o princípio da liberdade de adoração para todos e (2) que proibições similares às que então existiam naquele países tinham sido eliminadas em toda outra parte do Império. No entanto, o assunto foi arquivado pelas autoridades, que disseram que examinariam as publicações da Sociedade.
UMA VISITA DÁ ÍMPETO À OBRA
Em 13 de janeiro de 1948 aconteceu um evento muito especial na Niassalândia. Um avião pousou ali, depois de curto vôo de Salisbury, Rodésia do Sul, com quatro irmãos a bordo. Eram os irmãos Knorr, Henschel, Phillips, superintendente da filial na Cidade do Cabo, e I. Fergusson, novo graduado de Gileade, designado a ajudar na Niassalândia. Fora arranjada uma reunião na Prefeitura de Blantyre, para os europeus e indianos. Considerando-se que só havia 250 europeus em Blantyre, a assistência de 40 pessoas para ouvir o discurso público foi boa. No dia seguinte, o grupo compareceu à assembléia africana próximo de Limbe, onde Bill McLuckie interpretou os discursos dos oradores para o cinianja. No discurso público à tarde havia uma assistência de 6.000 pessoas. Visto não haver equipamento sonoro, os irmãos no programa tinham de falar bem alto de modo que todos os pudessem ouvir. Em certo ponto, pesada chuva interrompeu o discurso, e o público começou a abrigar-se sob as árvores ou casas ali por perto. Os irmãos, porém, continuaram firmes e o irmão Knorr continuou falando até concluir seu discurso, enquanto segurava um guarda-chuva sobre a cabeça. O próprio fato de que o presidente da Sociedade, considerado europeu, ficou sob a chuva até terminar seu discurso mostrou aos africanos que as pessoas associadas à Sociedade estavam deveras interessadas em seu bem-estar, pois os europeus locais jamais teriam feito isso.
Na visita, o irmão Knorr conversou com o Principal Secretário do governo e com o Comissário de Polícia, e conseguiu esclarecer dúvidas e mal-entendidos sobre as publicações da Sociedade. Os representantes do governo prometeram reconsiderar todo o assunto, para ver se podiam acabar com a proscrição sobre as publicações.
A visita do irmão Knorr deu tremendo ímpeto à obra no país, e 1948, por certo, foi um ano memorável na história da obra do Reino na Niassalândia. O auge de publicadores era agora superior a 5.000, e novos se juntavam às suas fileiras bem rapidamente. Em 1948, o número de publicadores na Niassalândia aumentava tão rápido em alguns lugares que era difícil encontrar suficiente território em que testemunhar.
Em 1.º de setembro de 1948, estabeleceu-se uma filial na Niassalândia, e Bill McLuckie foi designado superintendente da filial. Isto assinalou outro passo à frente na história da obra do Reino na Niassalândia, resultando em maior fortalecimento dos irmãos. No ano seguinte, 1949, viu-se a chegada de dois graduados ingleses da escola missionária de Gileade, Peter Bridle e Fred Smedley.
ADORAÇÃO VERDADEIRA AVANÇA NA RODÉSIA DO NORTE
A Rodésia do Norte (agora chamada Zâmbia) não ficou de jeito nenhum para trás durante esse período. Grande parte do aumento se centralizava na zona progressiva da produção de cobre. Aqui, no Cinturão do Cobre, a organização progredia a passos largos. Para enfrentar esse grande influxo, um curso de dez dias foi organizado no depósito, para todos os trabalhadores de tempo integral e para quaisquer pessoas que desejassem entrar em suas fileiras, a fim de produzir-se servos aos irmãos mais competentes.
Este progresso da adoração verdadeira realmente preocupava os falsos pastores da cristandade. Certo pároco, no esforço de frear a onda, fez arranjos para que os membros de sua congregação visitassem as choupanas das pessoas como as Testemunhas de Jeová faziam, e as convidassem para virem à “igreja”. Mas, alguns se viram diante de moradores atônitos que, depois de ouvirem sua conversa hesitante, disseram-lhes que não possuíam uma mensagem como a do “povo da Torre de Vigia”. Depois deste esforço infrutífero, os freqüentadores desanimados das igrejas voltaram, e sua congregação não aumentou nada!
Inteiras aldeias aceitaram a verdade na Rodésia do Norte. Alguns missionários da cristandade mostraram disposição mansa, como o missionário europeu em Mumbwa que, impressionado pelo zelo das Testemunhas de Jeová, começou a ler os livros da Sociedade e a visitar o superintendente presidente da congregação local.
Aqui as Testemunhas foram fustigadas durante anos por uma autoridade do governo que havia detido os publicadores, derrubado os abrigos para estudo bíblico, e interrompido suas reuniões. Este magistrado foi multado por conduta ilegal e substituído por um senhor que era justo e imparcial. O superintendente do depósito visitou este distrito e conseguiu um audiência com todos os chefes e conselheiros em sua reunião trimestral. Com que resultado? Foi concedida a permissão para se construírem centros de estudo em todo o distrito. Dentro de pouco tempo, pequenos abrigos de capim ou estruturas mais sólidas surgiram em todo esse distrito e até mesmo se viam dirigentes freqüentando regularmente tais estudos. Quatorze deles disseram a seus chefes que haviam aceitado a verdade, e seus números continuavam crescendo.
Também, na Barotselândia, os chefes e a família real receberam excelente testemunho, quando foi concedida permissão para que um representante europeu da Sociedade, que comparecia a uma assembléia de circuito de 2.800 publicadores, falasse perante o khotla, o supremo conselho governante barotse. Assim, do trono, tendo o chefe supremo ao seu lado, conseguiu explicar por que nossa obra é diferente e de que se tratava nossa mensagem. Tudo isso foi feito na presença dos chefes, dos ajudantes e da família real. Depois disso, tocaram-se os tambores reais com o tradicional vigor.
Um dos membros mais idosos da casa real que aceitou a verdade, embora fosse idoso demais para andar, costumava ir diariamente montado em sua mula até à bifurcação de uma trilha nativa, e ali chamava as pessoas que passavam para testemunhar a elas. Um inimigo matou sua mula com uma lança e ele ficou deveras triste, mas um publicador lhe deu outra, de modo que pudesse continuar seu trabalho.
Grande carga levada pelos interessados nessa época era o analfabetismo. Muitos publicadores decoravam textos e sermões. Mas, desde então aprenderam a ler e escrever em seu próprio idioma, por meio das aulas de alfabetização organizadas pela Sociedade.
No início de 1947, o superintendente da filial da África do Sul, ao retornar à Cidade do Cabo, vindo da Escola de Gileade, fez uma exposição pessoal ao escritório das Colônias inglesas em Londres. Esta foi apoiada por uma petição apresentada ao governo, a qual foi assinada por 40.909 pessoas, que deploravam a ação de proscrever a obra de distribuição de publicações bíblicas, que sabiam ser benéfica obra educativa cristã. Em resposta a tal petição, o governo da Rodésia do Norte prometeu reexaminar sua posição no tocante às publicações, e, em 19 de junho, alguns itens, notadamente “O Reino de Deus Está Perto” e A Vindoura Regeneração do Mundo foram retirados da lista proscrita. No entanto, a revista oficial da Sociedade, A Sentinela, ainda não gozava de livre circulação. Assim, não se podia deixar de fazer esforços para tornar disponível aos irmãos este alimento espiritual necessário. Com efeito, a necessidade era maior do que nunca, visto que 1947 findou com 6.114 pregadores das boas novas em 252 congregações.
Em 1948, a região certa vez sem estradas e malárica do Cinturão do Cobre tornara-se o lar de uns 25.000 europeus, principalmente para aumentar a fraternidade mineira. Viviam sob condições vantajosas, se comparadas com os padrões dos países de onde vieram. Até esse ano, pouca pregação pública tinha sido possível entre esta população de língua inglesa.
ORGANIZAÇÃO RECEBE AJUDA
Felizmente, a organização na Rodésia do Norte obteve ajuda neste estágio, sob a forma de dois missionários de Gileade, Harry Arnott e Ian Fergusson. O irmão Arnott chegou pouco antes dos irmãos Knorr e Henschel, que fizeram sua primeira viagem a este país em janeiro de 1948.
Durante a visita dos irmãos Knorr e Henschel, acompanhados por George Phillips, passaram algumas horas numa assembléia de quatro dias em Lusaca. Esta reunião foi realizada num terreno que pertencia a uma senhora européia que não só aderiu à sua promessa de que podiam usar seu terreno, apesar das pressões dos inimigos das Testemunhas, mas também compareceu à assembléia. Deveras, o ambiente era pitoresco. Os irmãos tinham ajuntado barro e construído uma tribuna de terra. Enfiaram-se varas no barro e foi construído um teto de capim para cobrir a tribuna. Desta feita, a assistência ainda era separada, as irmãs à esquerda do orador e os irmãos à direita. O irmão Knorr ficou tão impressionado com os cânticos que pediu que fosse feita uma gravação. O folheto “O Reino de Deus Está Perto”, na língua silozi foi lançado para uma assistência reunida de 3.103 pessoas no decorrer do congresso de quatro dias.
O irmão Knorr avistou-se com o Secretário dos Assuntos Nativos e o Procurador-Geral, em 16 de janeiro de 1948, a respeito da proscrição de algumas das publicações que a Sociedade desejava enviar para a Rodésia do Norte. Foi informado de que, dentro de trinta a sessenta dias, as autoridades estavam seguras, a proscrição terminaria, não se fazendo outras restrições à obra da Sociedade. Isto forneceu um clímax adequado à visita do presidente da Sociedade e de seu secretário.
Com a ajuda extra dos missionários treinados em Gileade, o campo europeu também obteve melhor atenção. Os meados de 1948 viram Harry Arnott ser designado como missionário para a cidade de Luanshya e Ian Fergusson, que tinha estado na Niassalândia por algum tempo, para Chingola. Intensa pregação de casa em casa logo estava sendo feita, e a resposta foi excitante. O território virgem absorvia quantidades substanciais de Bíblias e publicações bíblicas, e estudos bíblicos domiciliares se desenvolviam rapidamente. Em questão de um ano, duas pequenas congregações européias foram estabelecidas nesses povoados e fizeram-se arranjos para estender a obra de pregação a Mufulira e Kitwe.
A chegada dos graduados da Escola de Gileade foi vista qual excelente oportunidade para se transmitir alguns dos benefícios teocráticos organizacionais avançados às congregações do povo de Jeová por todo este território central africano. Todos os representantes viajantes designados, junto com os das fileiras de pioneiros que se poderiam habilitar a tal serviço, foram convidados para vir à filial em Lusaca para usufruir essa “míni” Escola de Gileade. Esta escola para superindentes de circuito abrangeu fundamentos na organização e de ensino bíblico apresentados nos primeiros anos da Escola de Gileade. Os assuntos ensinados eram temas bíblicos, registros teocráticos, ministério (serviço) teocrático e assuntos relacionados. Provas escritas eram feitas e trabalho de casa era dado para a noite, e até mesmo tinham uma “formatura” com distinto sabor africano.
Depois da primeira visita do presidente da Sociedade a esta parte da África, os irmãos foram incentivados a dar mais do que a atenção comum à aprendizagem da leitura e escrita de seu próprio idioma, e assim ficar mais bem equipados para estudar a Palavra de Deus e pregar as boas novas a outros. Logo foram feitos arranjos por parte da filial para classes de alfabetização, em cada congregação. Inicialmente, obtiveram-se compêndios dos departamentos educativos do governo que foram usados como base para estas classes de instrução em grupo. Não raro, os períodos de instrução formavam uma adição a uma das reuniões congregacionais, e, na maior parte, os estudantes eram as irmãs da congregação. “Cada Um Ensine Um”, tornou-se um lema familiar na promoção da campanha de mais alfabetizados. Instava-se com os maridos a que gastassem tempo ensinando suas esposas, e outras pessoas já alfabetizadas eram incentivadas a gastar seu tempo em ensinar a outrem na congregação.
NOVA FILIAL
Em 1.º de setembro de 1948, foi estabelecida uma filial, tendo a Llewelyn Phillips como superintendente da filial. Naquele tempo, havia mais de 11.600 publicadores nas 232 congregações da Rodésia do Norte. A proscrição da revista A Sentinela terminou, mas alguns dos livros ainda estavam banidos.
Esta nova filial na Rodésia do Norte tornou-se responsável por vários territórios ao norte e ao leste, inclusive o território então conhecido como Congo Belga, que até 31 de agosto tinha ficado sob a jurisdição da filial sul-africana. Como havia progredido a obra do Reino no Congo Belga até esse estágio?
PROGRESSO CRISTÃO APESAR DA CONFUSÃO
O Congo Belga (República do Congo, Kinshasa, agora chamado Zaire) é um amplo país de mais de 2.300.000 quilômetros quadrados, maior do que São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso combinados, com uma população superior a 23 milhões. Situa-se ao norte de Zâmbia e Angola, e sua principal caraterística física é a grande depressão da bacia fluvial do Congo. Ao sudeste, na fronteira com Zâmbia, acham-se ricas minas de cobre que fornecem a principal riqueza econômica do país. O clima em geral é quente e úmido, e grande parte da área é densa selva. Em 1885, veio a ficar sob a regência belga, com o resultado de a língua oficial tornar-se o francês, e a religião predominante a católica romana.
Não havia nenhuma obra organizada de pregação do Reino no Congo até à década de 1940. No entanto, crescia o falso “movimento da Torre de Vigia” ou Kitawala local. O livro Kitawala (em alemão) de Greschat, página 71, declara: “Encontra inteiros povoados chamando-se de Torre de Vigia, o que simplesmente significa que foram submersos, batizados, e vagamente aceitam várias noções sobre o fim do mundo e, uma vez vivam de certo modo, imaginam que Deus lhes dará recompensas nesta terra.”
No Congo, como em outras partes, o termo nativo “Kitawala” foi amiúde usado ao se referir ao indígena “movimento da Torre de Vigia”. Kitawala é corrutela, pelo que parece, da palavra “torre” precedida do prefixo “ki”. Alguns usaram a expressão mais longa, “Waticitawala”, óbvia corrutela nativa de “Watchtower” (Torre de Vigia). Não é difícil entender com os desinformados poderiam associar as duas coisas; os nomes “Sociedade Torre de Vigia” e (movimento) “Watchtower” (Torre de Vigia) ou Kitawala são muito similares. E com que satisfação os inimigos da verdade usaram esta semelhança vez após vez para criar preconceitos nas mentes das autoridades governamentais e causar dificuldades para os verdadeiros servos de Jeová!
Insurreições, rebeliões, choques tribais e, com efeito, quaisquer ocorrências espetaculares entre os nativos, foram amiúde convenientemente ligados ao movimento da “Torre de Vigia.” O nome se tornou repulsivo no que dizia respeito aos funcionários e às autoridades públicas. Pode-se imaginar quanto vitupério isso trouxe sobre o nome de Jeová e sua verdadeira organização naquelas localidades!
Conforme explicado antes, esta confusão teve início com obra de Joseph Booth e seus seguidores na Niassalândia, na parte inicial do século vinte. O Sr. Booth, junto com seu discípulo Elliott Kamwana e outros, utilizou mal as primeiras publicações da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA), e isto foi responsável pelo aparecimento do falso “movimento da Torre de Vigia” na África Central. Da Niassalândia, o ensino pelo que parece se espalhou para o sul e o oeste até às Rodésia e penetrou no Congo.
Nos anos que se seguiram, a Sociedade enviou cartas às autoridades do Congo, delineando os fatos, mas as autoridades, num grau ou em outro, durante muitos anos preferiram continuar ligando as atividades destes movimentos religiosos indígenas que usavam o nome de “Torre de Vigia”, com a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA) e obra das Testemunhas de Jeová. A influência e as pressões eclesiásticas tinham muito que ver com essa situação.
Esforços regulares eram feitos pela Sociedade a fim de enviar representantes maduros para o país, mas esses não foram bem sucedidos. Eram necessárias orientação e ajuda, mas a organização de Jeová não obteve permissão para enviar essa ajuda mui necessária, e, durante muitos anos, as autoridades não podiam, ou não desejavam, diferençar os verdadeiros servos de Jeová dos indígenas “movimentos da Torre de Vigia”.
Foi no início de 1948 que Llewelyn Phillips, superintendente do depósito da Rodésia do Norte, foi enviado ao Congo Belga para intervir a favor das Testemunhas perseguidas ali e para tentar acabar com a proscrição. Conseguiu audiências particulares com o Governador-Geral e outras autoridades do governo, e conseguiu explicar nossa obra e mostrar quão distantes estavam nossas crenças e princípios dos do falso “movimento da Torre de Vigia” chamado Kitawala. Cartas oficiais, datadas de 15 de março e 17 de abril de 1948, foram apresentadas a estas autoridades, de modo que o assunto pudesse ficar registrado. Durante a audiência com ele, o Governador-Geral pensativamente perguntou: “E, se eu os ajudar, o que me acontecerá?” Esta era uma pergunta muito boa, visto que o Congo estava quase que inteiramente sob o controle da Igreja Católica Romana!
Que bênção foi conseguir, finalmente, o reconhecimento da obra do povo de Jeová! A filial começou a funcionar sob o nome oficial de “Testemunhas de Jeová”, ao invés de “Sociedade Torre de Vigia”, de modo a evitar mais confusão. Agora a separação das verdadeiras Testemunhas dos que se associavam com os falsos “movimentos da Torre de Vigia” podia prosseguir rapidamente. Desse tempo em diante, houve tremendo aumento no número dos que assumiam a adoração verdadeira de Jeová Deus.
MARCANTE DESENVOLVIMENTO EM MAURÍCIO
Depois da visita bem sucedida dos publicadores de tempo integral do Reino (pioneiros) em 1933, houve uma lacuna de dezoito anos antes de representantes especiais poderem visitar de novo a ilha de Maurício. Não foi senão em 1952 que o Anuário das Testemunhas de Jeová nos conta que dois mauricianos, enquanto serviam quais soldados na Segunda Guerra Mundial, entraram em contato com a obra do Reino no Egito. O serviço fiel de publicadores no Egito produziu frutos. Estes dois homens, embora servissem nas forças militares, ficaram interessantíssimos e começaram a escrever à filial da Sociedade na Cidade do Cabo e obter suprimentos de publicações. Logo tinham vários colegas interessados. Ao retornarem a Maurício, procuraram ‘deixar brilhar sua luz’ e realmente enviaram relatórios à filial da Cidade do Cabo durante 1951.
No mesmo ano, 1951, dois graduados da Escola de Gileade Robert e George Nisbet, chegaram a Maurício para estabelecer a obra em base permanente. Nos dezoito anos desde a anterior visita de Robert Nisbet, ocorreram grandes mudanças. Não eram mais proibidas as reuniões, e a instrução tinha melhorado grandemente. O perigo da malária tinha sido grandemente eliminado e as condições de vida tinham progredido. A Igreja tinha perdido seu domínio político, mas, pelo que parece, ainda exercia forte influência.
Estes graduados da Escola de Gileade encontraram um bom número de pessoas que se recordavam da visita feita em 1933 e ficaram contentíssimas de restabelecer seu contato com a organização de Jeová. Certo senhor, quando um missionário se aproximou dele, indagou: “Como vai indo o Juiz Rutherford?” Isto bem ilustra como o povo da ilha tinha ficado sem contato com os acontecimentos da Sociedade, visto que o irmão Rutherford tinha morrido uns nove anos antes. O mesmo senhor mostrou um número de 4 de julho de 1934 de A Idade de Ouro e também um exemplar bem gasto e bem lido, de dezoito anos, de La Harpe de Dieu (A Harpa de Deus). Este senhor assinou de novo a revista e foi iniciado com ele um estudo bíblico.
O irmão Robert Nisbet relata que, entre os primeiros interessados estavam duas irmãs, a Sra. Sooben e a Sra. Vacher, junto com suas famílias, e estas formavam a base da primeira congregação. Assim, em 1951, o relatório mundial combinado alista Maurício debaixo da África do Sul, com um auge de oito publicadores e a média de dois pioneiros. No ano seguinte o auge de publicadores subira para treze. Os sacerdotes ainda estavam bem ativos, constantemente recolhendo as publicações, colocadas com o povo, e ameaçando-os de excomunhão.
RELANCE EM MOÇAMBIQUE
Voltando ao continente, pausemos um instante para ver como as coisas andavam em Moçambique, também conhecida então como África Ocidental Portuguesa. Parece que pouquíssimo tinha sido feito entre os europeus, exceto o trabalho mencionado antes, mas havia progresso entre o povo africano. A obra tinha continuado a crescer continuamente, em especial no norte, e, em 1948, o número de publicadores ascendera para 398, com quatro trabalhadores de tempo integral no campo. No ínterim, a perseguição aumentava continuamente de intensidade e alguns estavam sendo presos e encarcerados, e deportados para as colônias penais e campos de trabalho. Despachos de publicações feitos pela filial da África do Sul estavam sendo confiscados ao chegarem em Moçambique.
ABRAÇANDO “O CAMINHO” NA SUAZILÂNDIA
Fazendo fronteira com Moçambique há o pequeno país da Suazilândia, espremido dos outros três lados pelo Transvaal. O lado ocidental do país é mormente alto e montanhoso, embora lindamente verdejante. Em direção ao leste, o interior é principalmente plano, coberto de espinheiros e não raro é vítima de prolongadas secas.
Nas décadas anteriores, os pioneiros que visitavam a Suazilândia tinham sido bem acolhidos pelo Rei Sobhuza II, mas, não conseguiram estabelecer a organização ali. Com o tempo, quem abraçou “O Caminho” foi Joshua P. Mhlongo. (Atos 9:2). Seu desejo original de aprender algo sobre o ensino das Testemunhas de Jeová fora suscitado pelo diretor duma escola em que ele estudava. O diretor continuamente repetia diante de suas turmas que J. F. Rutherford ensinava ao povo a não crerem no inferno de fogo nem adorarem seus ancestrais. Isto criou em Joshua o desejo de aprender mais sobre a organização de Jeová. Mas, ficou desalentado ao ouvir dizer que o governo banira a obra das Testemunhas e proscrevera suas publicações. Joshua, com o tempo, veio a possuir vários livros, mediante uma tia que era publicadora em Joanesburgo. Logo, ele e sua mãe partilharam as boas notícias com outros. Durante 1943, enquanto ainda era estudante, simbolizou sua dedicação pela imersão em água. O irmão McCoffie Nguluh lembra-se bem de visitar estes publicadores isolados. Joshua Mhlongo expressou o desejo de ser pioneiro ao terminar de cursar a escola, e o irmão Nguluh o encorajou a fazer isso. E com toda certeza, ele mais tarde entrou no serviço de pioneiro e, com o tempo, serviu como o primeiro superintendente de circuito no recém-formado circuito suazi.
Os quatro anos de 1947 a 1950 viram fenomenal aumento. O total de publicadores no país aumentou de 5 para 60.
Estranha situação prevalecia na Suazilândia durante este período. A proscrição, que tinha sido imposta às publicações da Sociedade Torre de Vigia durante a segunda guerra mundial, continuou em vigor. Em termos desta proclamação, era violação da lei distribuir quaisquer publicações da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Paradoxalmente, o próprio Rei Sobhuza era o orgulhoso dono de uma biblioteca quase completa das publicações da Sociedade! A proscrição contra as publicações da Sociedade impedia a disseminação das boas novas a áreas isoladas. Quando os irmãos e pessoas interessadas eram apanhadas de posse de publicações da Sociedade, não raro eram cruelmente espancadas e maltratadas pela polícia. O irmão M. E. Bartlett, que naquela época servia como único superintendente de distrito na África do Sul e nos Protetorados, teve seu primeiro choque com esta lei durante sua segunda visita à Suazilândia, em julho de 1951. Foi acusado de importar publicações proibidas. O Comissário e Juiz Distrital era mui amigável para com o irmão Bartlett e considerava a proscrição das publicações da Sociedade como anacronismo. Jovialmente solicitou que o irmão Bartlett lhe fornecesse algumas das revistas “mais objetáveis” que ele possuísse. Quando o processo foi finalmente julgado em setembro, outro juiz, que não nutria tantas simpatias para com a obra, declarou culpado o irmão Bartlett, e o multou em 1 libra.
Foi também durante essa visita do superintendente de distrito que se delineou claramente aos irmãos e interessados a exigência bíblica da monogamia. Ao passo que a maioria ficou feliz de transformar sua vida segundo a completa vontade de Deus, certo superintendente presidente recusou-se a aceitar as normas de Deus e levou um pequeno grupo a afastar-se das declarações de vida eterna. Aqueles que amavam a Deus e buscavam Sua aprovação, contudo, continuaram firmes a favor dos princípios corretos.
SERVINDO SOB PROSCRIÇÃO NA BECHUANALÂNDIA
Indo para o oeste, passando pela África do Sul, chegamos à Bechuanalândia, agora chamada Botsuana. Abrange cerca de seiscentos e cinqüenta mil quilômetros quadrados, na maior parte semidesérticos, e situa-se entre a África do Sul a África do Sudoeste e a Rodésia. O povo nativo é, na maior parte, extremamente pobre. A criação de gado é sua ocupação principal, junto com a produção de feijão, sorgo, etc. Há certa caça que também é feita para suplementar sua alimentação. Em 1970, a população era calculada como sendo superior a 630.000.
A área veio a ficar sob regência britânica em 1884, mas, em 1967, conseguiu a independência e se tornou conhecida como Botsuana. A maior parte do território é dividida em reservas em que os chefes de várias tribos administram sua lei tribal, exercendo tremendo poder sobre seus súditos. Estes chefes eram em geral antagônicos à obra das Testemunhas de Jeová.
Parece que, em 1929, as sementes da verdade primeiramente começaram a ser semeadas neste país quente e poeirento. Certo publicador estava ativo ali, naquele ano, mas, por apenas dois meses. Daí, perto do fim de 1932, dois pioneiros da África do Sul visitaram o país e tiveram permissão de falar sobre assuntos de religião, uma vez que não o fizessem ao povo africano. Todavia 1.676 publicações foram colocadas com a população européia.
Em 1941, impôs-se uma proscrição à importação das publicações da Sociedade na Bechuanalândia, apesar de não haver Testemunhas que morassem ali naquele tempo. Segundo uma lei promulgada pelo velho Chefe Khama, apenas três grupos religiosos tinham direito de estabelecer igrejas nesse país: A Sociedade Missionária de Londres, os Adventistas do Sétimo Dia e os católicos romanos.
Havia grande movimentação das pessoas que iam e vinham da África do Sul sob contratos de trabalho. Os homens que trabalhavam nos centros maiores na África do Sul ouviam a verdade nesses lugares, retornavam à Bechuanalândia e falavam sobre as boas coisas que tinham ouvido. Também irmãos rodesianos e niassalandeses ocasionalmente obtinham empregos em lugares como Francistown, e ali falavam sobre a verdade. Assim, em 1946, havia uma média de 16 publicadores do Reino na Bechuanalândia.
No início da década de 1950, a Sociedade enviou representantes à Bechuanalândia a fim de apresentar nosso caso às autoridades, mas sem muito êxito.
Para o país inteiro, havia a média de 114 pessoas que faziam a obra de pregação em 1952. Os aumentos continuaram durante os anos seguintes, porém, os problemas também aumentavam. Alguns dos irmãos e irmãs não haviam registrado devidamente seus casamentos junto ao governo, e ainda havia muita devassidão moral entre muitos dos novatos. Por meio de cartas da filial e a ajuda de superintendentes visitantes, estes assuntos foram corrigidos. Atualmente, a organização ali é espiritual e moralmente sadia.
NOTÁVEL AUMENTO EM STA. HELENA
Lá fora, no Oceano Atlântico, bem longe da costa da África do Sudoeste, chegamos de novo à ilhota isolada de Sta. Helena. Recebiam-se relatórios intermitentes dos poucos publicadores na ilha e a Sociedade lhes enviava ocasional pedido de publicações. Mas, as Testemunhas ali precisavam de muita ajuda e treinamento. Assim aconteceu que, em maio de 1951, a filial da África do Sul enviou um pioneiro, J. F. van Staden, para passar algum tempo ali.
O serviço postal desta ilhota era deveras muito ruim e não havia ninguém para receber o irmão van Staden. No entanto, finalmente encontrou George Scipio, o filho de Thomas Scipio, o policial aposentado. O irmão van Staden fornece suas impressões deste encontro: “Que maravilhoso alívio isso foi para mim! Ele rapidamente me levou a seu pai, a pessoa a quem eu procurava realmente. Foi simplesmente maravilhoso ver a óbvia alegria em receberem a ajuda que aguardavam há tanto tempo.” O irmão van Staden não perdeu tempo em fazer arranjos para uma reunião pública com o pequeno grupo de cerca de dez a doze pessoas. De início, teve grande dificuldade de expressar-se em inglês, mas, depois de algumas semanas, tornou-se muito mais fluente. Descobriu que as únicas reuniões que eles realizavam eram “serviços ao ar livre”, que dirigiam em vários lugares da ilha. Os irmãos dispunham de sua própria bandinha, consistindo em dois violinos e um acordeão, que dava início a seu serviço ao ar livre por tocar cânticos do Reino. Quando tinham atraído uma multidão, proferiam discursos improvisados (em geral testemunhos pessoais), e diferentes irmãos participavam nisso.
Era evidente que se precisava fazer muita coisa para ajudar os irmãos a se organizarem devidamente. Assim, de imediato, o irmão van Staden começou a dirigir todas as reuniões. Os irmãos locais mostraram maravilhoso apreço e deram seu apoio de coração. Uma senhora idosa em Jamestown ofereceu grande sala na casa dela como Salão do Reino, e outra família em Levelwood também ofereceu sua casa como segundo local de reuniões. As reuniões causaram maravilhosa impressão em todos os que compareceram a elas, e o resultado foi que alguns dos que vieram pela primeira vez parecem jamais ter faltado novamente. Desta forma, aprenderam a verdade e foram batizados mais tarde, sem jamais terem tido um estudo bíblico pessoal.
Chegar às reuniões, contudo, não era algo fácil. George Scipio tinha pequeno automóvel e costumava apanhar três pessoas e então deixá-las a alguma distância bem adiante na estrada. Estas três pessoas continuavam sua caminhada. No ínterim, George dava meia-volta, e apanhava outras três levava-as, por certa distância, deixava-as e dava meia-volta de novo. Usualmente consumia a maior parte da manhã para levar todas as pessoas à reunião. Depois da reunião, seguia o mesmo proceder para levá-las para casa. Às vezes, esta caminhada se dava debaixo de chuva torrencial e chegavam em casa bem tarde e molhados. Todavia, tinham a sensação de profunda satisfação e sincera alegria.
O irmão van Staden logo fez arranjos para que os irmãos locais participassem com ele no serviço de casa em casa. Deu-lhes bom treinamento e ficou surpreso de ver quão rápido se tornaram eficientes na pregação das boas novas às portas.
Três meses após sua chegada, o irmão van Staden fez arranjos para um serviço batismal, em agosto de 1951. Visto que tinham dificuldades em achar um local adequado, decidiram cavar um buraco e então cimentá-lo e enchê-lo de água. No entanto, foi-lhes poupado o esforço de encher o buraco, visto que, na noite antes de realizarem o batismo, choveu torrencialmente e, na manhã seguinte, o tanque estava cheio até à beirada! Quando o irmão van Staden proferiu o discurso sobre batismo e pediu que os candidatos se levantassem, ficou surpreso de ver 26 pessoas ficarem em pé para responder às perguntas. Afirma ele: “Minha taça de alegria estava deveras transbordando, e, lá no fundo do coração, eu me sentia grato a Jeová por ele me ter enviado a tão maravilhoso privilégio. Depois do discurso, batizei todas as 26 pessoas na água fria.” Logo depois do batismo, formou-se pequena congregação em Jamestown. Alguns meses mais tarde, outra congregação foi iniciada em Levelwood.
Toda essa atividade e êxito para os publicadores do Reino naturalmente estimulou a ação do inimigo. Oposição amarga surgiu do bispo anglicano local, que teve êxito em voltar alguns dos interessados contra a verdade. O pastor Adventista do Sétimo Dia, local, desafiou o irmão van Staden para um debate, mas é provável que se tenha arrependido muito de tê-lo feito, visto que até mesmo alguns dos novos publicadores puderam facilmente refutar a muitos de seus argumentos. A pior dificuldade, porém, veio do comissário de polícia local. Este senhor continuamente ameaçava o irmão van Staden, dizendo que conseguiria sua deportação da ilha. O irmão van Staden diz: “Regularmente me levava ao tribunal, uma vez por mês, apenas eu e ele, e então me interrogava e me avisava que eu tinha de parar esse trabalho.”
Contudo, a oposição de forma alguma desanimava o irmão van Staden ou os publicadores locais. As excelentes experiências que os irmãos tinham mais do que compensavam toda a oposição e quaisquer dificuldades que tinham com o tempo e os terrenos escarpados. Por exemplo, certa manhã, à medida que o irmão van Staden e o irmão George Scipio se aproximavam de uma porta, ouviram um senhor lendo a Bíblia. Podiam ouvi-lo claramente ler Isaías, capítulo 2; assim, quando ele chegou ao Isa 2 versículo 4, eles bateram. O amigável senhor idoso os convidou a entrar e eles seguiram o “fio da meada” de Isaías 2:4, e começaram a pregar-lhe as boas novas do Reino. Fizeram arranjos de imediato para um estudo. Foi dirigido regularmente e, com o tempo, este senhor idoso dedicou sua vida a Jeová.
Os treze meses que o irmão van Staden passou na ilha foram muito atarefados, em especial quando ele chegou ao ponto de dirigir dezoito estudos bíblicos por semana. Deixou Sta. Helena em junho de 1952, e voltou à África do Sul, para fazer o trabalho de circuito na oriental Província do Cabo. Ele tinha feito um bom trabalho. Nos treze meses em que esteve em Sta. Helena, as duas pequenas congregações que tinham sido formadas alcançaram um auge de 41 publicadores.
AUMENTO TEOCRÁTICO NA ÁFRICA DO SUL
Retornemos agora à União Sul-Africana, para lhe dar alguma idéia das condições e dos problemas sentidos pelos irmãos na África do Sul há um quarto de século. A Funk & Wagnalls Standard Reference Encyclopedia, Volume 24, sob “União Sul-Africana”, menciona a Lei das Áreas Grupais de junho de 1950 como “estipulando a separação dos quatro principais grupos raciais, i. e., os europeus (brancos), os africanos (negros), os mestiços (parcialmente brancos) e os asiáticos (inclusive os indianos), em áreas específicas das quais os outros grupos ficariam excluídos.” Alguns esperavam que isto criasse problemas para os irmãos no que tangia à obra de pregação. Conforme as coisas aconteceram, contudo, era mais simples para os irmãos e as irmãs trabalharem junto ao seu povo, em seu próprio idioma. Na verdade, a lei não tenta impedir que uma pessoa de um grupo racial fale com outra pessoa de outro grupo sobre questões de religião. Mas, quando se trata de amorosa associação cristã, conforme incentivado pela Bíblia, os irmãos gozam da associação principalmente dentro de cada grupo racial, e, ao mesmo tempo, obedecer aos princípios de Romanos, capítulo 13. As boas novas estão sendo pregadas, pessoas de todos os grupos raciais estão aprendendo a verdade e gozando a necessária associação cristã.
As Testemunhas de Jeová, por alguns anos, chamavam a seus locais alugados de reunião de “Salões do Reino”. Mas, em 1948, um pioneiro foi designado a trabalhar em Strand, perto da Cidade do Cabo, e teve o privilégio de organizar a construção do primeiro Salão do Reino na África do Sul. Isto se deu em 1949 e 1950. Uma publicadora local, a irmã van der Bijl, da Baía de Gordon, ajudou grandemente a financiar este projeto. Os irmãos de Betel vieram da filial na Cidade do Cabo, não muito distante, e ajudaram no programa de dedicação. O superintendente da filial, o irmão G. R. Phillips, disse que desejava poder ‘colocar o novo salão sobre rodas e exibi-lo por todo o país, não para exibir o prédio, mas para incentivar os irmãos a construir mais Salões do Reino’. Desde então, já foram construídos muitos Salões do Reino pelas congregações européias e mestiças em todo o país.
Durante estes anos, cada vez mais ajuda foi dada aos irmãos e irmãs africanas. O dia 1.º de janeiro de 1949 foi um grande dia para os irmãos zulus. Era a data do primeiro número de A Sentinela em zulu. Naquele tempo, a revista era impressa em pequeno mimeógrafo manual do escritório da Sociedade na Cidade do Cabo. Não era a brilhante e atraente revista que INqabayokulinda (A Sentinela em zulu) é hoje; mas, da mesma forma, fornecia o alimento no tempo devido para os irmãos e as irmãs zulus.
Foi também durante esse período que foram organizados os primeiros trens especiais para levar os irmãos às assembléias. Em 1949, por exemplo, o “Especial TJ” tinha lugar para 750 pessoas viajarem de Joanesburgo para a assembléia em Pretória, mas 1.000 se apinharam no trem. Estes eram africanos de cerca de doze tribos diferentes, e mesmo assim, não ocorreu nenhum incidente indisciplinado. A viagem deve ter sido um testemunho e tanto para os dirigentes da ferrovia. Como podiam africanos destas tribos diferentes dar-se tão bem juntos? Sem o poder da verdade, que transformava o modo de pensar destas pessoas, certamente teria havido incidentes de luta tribal, tão comuns entre os povos africanos. Cada tribo se considera superior e ‘lutas de facção’ ocorrem com freqüência.
A organização foi ainda mais fortalecida em 1949 pelo lançamento do folheto Conselho Sobre a Organização Teocrática. A fim de impulsionar ainda mais a obra, havia então onze graduados de Gileade no país, e quase 10 por cento dos publicadores participavam na obra de pregação de tempo integral.
Havia 6.766 pessoas na Comemoração da morte de Cristo naquele ano e 265 participaram dos emblemas. Mas, estava montado o cenário, e a obra estava preparada para coisas maiores. A pequena gráfica na Cidade do Cabo produziu mais de 6.400.000 obras impressas naquele ano. Este foi um novo auge de impressões e incluía quase 135.000 revistas e 625.000 exemplares de vários folhetos em 8 idiomas.
Em 1949 e 1950, iniciaram-se classes de alfabetização. Estas eram realizadas três ou quatro dias por semana. Eram dirigidas classes em zulu, sesoto, xosa, tsvana, sepedi e inglês. Eram necessárias cerca de trinta aulas para os alunos aprenderem a ler.
A poligamia, costume difundido entre as tribos nativas, tem sido real problema para muitos irmãos em África. Quando o irmão Knorr visitou-os, em 1948, a poligamia foi um dos pontos principais considerados com os irmãos africanos. De início, a inclinação dos novatos era no sentido de o homem ficar com a esposa que ele mais amava, usualmente a mais jovem, porém, mais tarde, a Sociedade indicou que era biblicamente correto ficar com a mulher que aceitara primeiro como esposa, e pôr de lado todas as outras.
Quarenta e um sul-africanos conseguiram comparecer à assembléia internacional em Nova Iorque, em 1950, e nove foram convidados a ficar para a décima sexta turma da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. Aqueles que não puderam assistir a esta assembléia internacional, contudo tiveram a mesma festa espiritual durante sua Assembléia Nacional “Aumento da Teocracia”, de cinco dias, no Filão, em outubro do mesmo ano. A ela compareceram mais de 6.000 publicadores de todas as partes da União, do Protetorado e da África do Sudoeste. Havia evidência tangível do aumento da Teocracia nos 855 candidatos ao batismo em água. Ao discurso público compareceram 10.185. Um dos novos lançamentos que realmente deixou emocionados os irmãos foi o da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em inglês.
Prova adicional do aumento da Teocracia era o fato de que mais de 2.000 pessoas simbolizaram sua dedicação pela imersão em água durante o ano de serviço de 1951. Foram formadas novas congregações e um segundo distrito foi organizado para cuidar dos 43 circuitos então em operação, com um auge de 9.586 publicadores.
MUDANÇA DA FILIAL
Um dos grandes marcos na história da obra na África meridional foi a mudança da sede da Sociedade da Cidade do Cabo para Elandsfontein, no Transvaal, no início de 1952. Desde 1917, a obra tinha sido dirigida da Cidade do Cabo, ponto mais meridional do território. Agora, sentia-se a necessidade de mudar a filial para o Filão, por vários motivos. A maior concentração populacional da África do Sul estava no Filão, e, como resultado, a maioria dos irmãos podiam ser localizados num raio de 160 quilômetros de Joanesburgo. Visto que a filial da África do Sul imprimia para outras filiais na África meridional, o Filão seria um lugar mais central de onde executar tais atividades, e grandes economias seriam obtidas no despacho ferroviário para tais países.
Quando os irmãos Knorr e Henschel visitaram o país, em 1948, decidiu-se comprar dois terrenos numa nova zona industrial de Germiston, Activia Park, perto da Estação e do Correio de Elandsfontein. Embora esta zona não fosse desenvolvida, naquele tempo, esta decisão resultou mais tarde ser mui sábia. O novo local distava apenas uns oito quilômetros do centro de Germiston, o maior entroncamento ferroviário do país, a apenas 16 quilômetros de Joanesburgo, a maior cidade de União Sul-Africana, e a apenas 8 quilômetros do Aeroporto Internacional Jan Smuts. No entanto, certas dificuldades técnicas sentidas pela companhia municipal que vendeu o terreno atrasaram o programa de construção, e só foi perto do fim de março de 1952 que se fez por fim a mudança.
Para avaliar a grande diferença que isso significou para a família de Betel, é necessário considerar quais eram as condições antes da mudança. Os irmãos que trabalhavam no escritório e na gráfica da Cidade do Cabo não moravam junto como família de Betel. Com efeito, a expressão “Betel” raramente era usada em relação à filial da Cidade do Cabo; as pessoas se referiam a ela como “escritório”. O irmão e a irmã Phillips moravam num pequeno apartamento, enquanto os outros membros da família ficavam hospedados em casa de vários publicadores através da Península do Cabo. Alguns irmãos tinham de viajar dezesseis quilômetros de trem de ida e volta para o trabalho, diariamente, enquanto outros viajavam de ônibus ou a pé. Cada um tomava o café da manhã no local de hospedagem. Se suas acomodações eram suficientemente perto, a pessoa ia correndo almoçar em casa. Aqueles que não podiam voltar para casa recebiam um xelim e seis pence extras, cada dia, para comer algo num bar. Para o jantar, todos voltavam para casa. Jamais tinham tido um estudo da revista A Sentinela como família de Betel.
Toda manhã, a família se reunia às 7,45 no vestiário da pequena gráfica. Depois de considerarem o texto diário e de uma oração, começavam a trabalhar às 8 horas. A fim de chegar a tempo para tal palestra, alguns membros tinham de acordar antes das seis horas e começar a viajar logo depois disso.
O novo prédio da filial em Elandsfontein foi um dos primeiros prédios daquele bairro, Activia Park. Era um prédio de dois pavimentos, com 1.960 metros quadrados de espaço útil. No térreo estavam o escritório, a gráfica, a expedição, a lavanderia e a casa da caldeira. A família morava em vinte e dois quartos confortáveis. Adicionalmente, havia uma cozinha, a sala de jantar e a biblioteca, no andar superior, para a conveniência da família.
Na nova gráfica, instalaram-se muitos equipamentos novos de impressão. Uma grande prensa plana nova, G. M. A., veio da Suécia, e esta podia receber uma folha de papel quatro vezes maior do que a usada antes na Cidade do Cabo. Instalaram-se uma linotipo adicional, uma grande guilhotina e uma grampeadeira. Tornou-se então possível imprimir A Sentinela nas línguas africanas. A Sentinela em zulu, conforme se lembrará, era antes preparada num mimeógrafo. Quando entraram em operação a nova prensa e o novo equipamento, A Sentinela era impressa em oito idiomas e Despertai! em três, além de doze edições do atual Nosso Serviço do Reino, em oito línguas.
TRABALHO EM TERRITÓRIO ISOLADO
O ano de 1952 resultou ser um tempo de consolidação para a organização e de fortalecimento dos irmãos. A filial também trabalhou o território não-designado. Os irmãos e as irmãs passaram milhares de horas visitando pessoas em cerca de 400 povoados e aldeias onde não se fazia nenhum trabalho regular, por parte de qualquer congregação das Testemunhas. Em resultado disso, mais de 10.000 nomes de pessoas interessadas foram enviados à filial, e cada pessoa recebia depois uma carta especial e uma amostra de revista da Sociedade.
Uma congregação de cerca de vinte africanos teve dificuldades em obter alojamentos quando chegaram a território antes não designado. Um fazendeiro não estava disposto a acomodá-los sem que mostrassem uma permissão da polícia. A delegacia ficava muito longe e já era tarde. Alguns dos empregados do fazendeiro então levaram as Testemunhas a um ministro da Primeira Igreja de Cristo que morava perto da fazenda. Ele se recusou a ajudar e se mostrou extremamente rude. Alguém dentre seu rebanho se condoeu das Testemunhas, condenando a atitude do ministro, e as acomodou numa casa vizinha, vazia. Mal acabaram de se alojar quando chegou a polícia. O policial europeu mostrou muita consideração e até mesmo ofereceu algum encorajamento, depois de se lhe mostrar o cartão de designação de território. Fora o clérigo quem chamara a polícia. Na manhã seguinte, contudo, o clérigo mostrou completa mudança de atitude, pediu desculpas pelo seu comportamento na noite anterior e ofereceu sua igreja para a reunião pública. Convidou seu “rebanho” para a reunião. O resultado foi uma assistência de 80 pessoas (60 eram estranhos). Todos ficaram para o estudo da revista A Sentinela depois disso. E o clérigo se achava entre os que obtiveram publicações naquele dia. Em cada uma de duas visitas posteriores, o ministro ofereceu a igreja para o discurso público. Ele compareceu, não só ao discurso, mas também ao estudo da revista Sentinela realizado depois. Em resultado do trabalho feito ali, ao invés de só se ter um publicador ativo na área por fim havia sete.
VISITA PROVEITOSA
Pela primeira vez na história da obra na África do Sul, em 1952, o total de publicadores ultrapassou o marco dos 10.000. Aquele ano sem dúvida foi momentoso para o desenvolvimento da obra do Reino na África do Sul. Para coroar tal ano, os irmãos Knorr e Henschel fizeram uma visita ao país em novembro. O irmão Knorr sentiu-se muito feliz em ver o prédio de dois pavimentos de tijolos e estuque num ótimo terreno, numa parte bem localizada. Que diferença achou desta vez, em comparação com o pequeno escritório da Cidade do Cabo, sem quartos de dormir! Gostou muito de percorrer o prédio e de se reunir com todos os membros da família.
Alguns dias depois, o irmão Knorr, junto com o irmão Phillips, visitaram Durban, aquela bela cidade moderna nas praias do Oceano Índico. Teve de proferir seus discursos em três lugares diferentes, de acordo com as leis segregacionalistas locais. Na reunião dos mestiços, ficou feliz de ver quinze indianos e aproveitou a oportunidade para falar com alguns deles após a reunião. Há grande população indiana em Durban e a mensagem do Reino apenas começava a penetrar até eles.
A reunião africana em Durban foi realizada em Lamontville, novo bairro na parte sul da cidade. Os cânticos dos irmãos zulus naquela reunião impressionaram profundamente o irmão Knorr. Tal reunião foi realizada no domingo à tarde, e à noite foi feita uma reunião com os irmãos europeus, havendo 435 presentes num salão no centro da cidade.
Logo depois de voltar a Joanesburgo, o irmão Knorr fez uma visita ao gabinete do Alto Comissário Britânico para a Basutolândia, Bechuanalândia e Suazilândia. Relacionava-se à proscrição da importação das publicações da Sociedade naqueles três protetorados desde o ano de 1941. Visto que, por ocasião da visita do irmão Knorr, havia mais de 400 Testemunhas empenhadas em disseminar as boas novas em tais territórios, a Sociedade fazia repetidas tentativas para revogar a proscrição. O irmão Knorr conseguiu falar com o principal secretário do comissário, responder a todas as perguntas dele, e apresentar um quadro claro da excelente obra educativa feita pelas Testemunhas de Jeová. No entanto, a proscrição continuou por vários anos após isso.
Nesse meio-tempo, o irmão Henschel chegara, e realizou-se encorajadora reunião na Prefeitura de Germiston, organizada pela congregação européia de Germiston. Vieram muitos dos irmãos do Filão, de modo que a assistência total foi de 725.
Em 8 de dezembro, o irmão Knorr e o irmão Phillips voaram para Windhoek, a capital da África do Sudoeste. Os três missionários ali ficaram muito contentes de vê-los e de realizar sua primeiríssima assembléia naquele país. Havia cerca de dez pessoas nas reuniões regulares, e um auge de 25 na reunião pública.
Retornando à filial em Elandsfontein, os irmãos Knorr e Henschel deram atenção a muitos assuntos pertinentes à organização da obra e aos problemas que tinham de ser enfrentados. O presidente da Sociedade conseguiu ajudar a filial sobre pontos que afetariam a obra em muitos anos a frente. Também reuniu-se com os superintendentes viajantes do campo e lhes deu muitos conselhos e encorajamento.
Realizou-se uma assembléia de 11 a 14 de dezembro, e ela foi o clímax da visita dos irmãos Knorr e Henschel. Em Joanesburgo, tivemos êxito em conseguir permissão para reunir todos os três grupos étnicos em um só estádio, embora se sentassem em diferentes partes. Para que todos os irmãos africanos pudessem comparecer, de todas as partes da África do Sul e dos protetorados, foi necessário tremendo trabalho para se conseguirem passes e permissões individuais para todos os maiores de dezesseis anos. Devido às dificuldade lingüisticas, foram proferidos três discursos de boas-vindas, o primeiro em inglês, daí em africâner e por fim em zulu. Os irmãos europeus apreciaram ouvir tal discurso em zulu, com seus fascinantes cliques, e, no final, aplaudiram-no tão calorosamente quanto os irmãos zulus!
Um dos pontos sublinhados pelo irmão Knorr quando falou aos irmãos africanos era a necessidade de eles aprenderem a ler e escrever, de forma a terem melhor conhecimento da verdade e ser mais eficientes pregadores no campo. Infelizmente, choveu muito nos quatro dias da assembléia. Com efeito, em certo ponto, o tempo ficou tão ruim que foi preciso abandonar a própria tribuna. Apesar disto, a assembléia teve grande êxito e 339 pessoas de todas as raças foram batizadas. No sábado à noite a assistência subiu para 5.441, e, para o discurso público, foi de 7.267. Os irmãos sul-africanos voltaram todos para casa, felizes e gratos pelos excelentes conselhos recebidos, e determinados a impulsionar a obra do Reino na África do Sul.
Em fins de 1952, a média de publicadores de todos os países que tinham estado ou ainda estavam sob a filial da África do Sul totalizava 50.087. Que estupendo aumento nos 21 anos desde 1931, daquele “pequenino grupo” de 100 publicadores de então!
ASSEMBLÉIAS DA SOCIEDADE DO NOVO MUNDO
Depois da Assembléia da Sociedade do Novo Mundo, realizada no Estádio Ianque, em 1953, foram programadas nove assembléias para a África do Sul — uma assembléia nacional européia e oito assembléias de distrito africanas e mestiças. Nestas, os irmãos apreciaram o mesmo programa, visto que os discursos básicos proferidos em Nova Iorque foram também apresentados na África do Sul. Pela primeira vez, foram introduzidos aqui os cartões de lapela, e esta tem sido desde então uma modalidade regular de todas as assembléias de distrito e nacionais das Testemunhas de Jeová na África do Sul. Tais cartões facilitam travar conhecimento com outros e promovem uma atmosfera feliz e amigável entre os irmãos. Todas essas nove assembléias obtiveram um bom comparecimento, com um total geral de 11.000 no discurso público “Após o Armagedom — o Novo Mundo de Deus”, e 634 pessoas foram imersas.
NOVO FILME SERVIU PARA ABRIR OS OLHOS
Quando o filme da Sociedade, de 16 milímetros, “A Sociedade do Novo Mundo em Ação” começou a ser exibido em 1955, o irmãos começaram a compreender o tremendo trabalho necessário para se produzir as publicações que usavam. O filme levava o espectador através duma excursão pelo lar de Betel de Brooklyn, a gráfica da Sociedade e a Escola de Gileade. Este filme exerceu tremendo impacto sobre os irmãos e grandemente aumentou seu apreço pela organização. Fez com que compreendessem que os irmãos no Betel de Elandsfontein também trabalhavam arduamente para fornecer as publicações em idiomas diferentes, em especial à medida que novos idiomas eram adicionados, tais como a revista Sentinela, em xosa, em agosto de 1955.
O filme muito contribuiu também para romper o preconceito contra as Testemunhas de Jeová. Em algumas das áreas africanas, onde usualmente era difícil a entrada dos superintendentes de distrito, foi concedida pronta permissão para se exibir o filme. Os superintendentes de distrito levavam com eles geradores elétricos e isto os habilitava a exibir o filme em muitas áreas isoladas em que não havia eletricidade. Para muitos africanos, esta era a primeira produção cinematográfica que já tinham visto, e alguns aspectos dela os deixavam surpresos. Um rapazinho africano, por exemplo, ficou muito impressionado com uma cena dum trem que corria numa certa direção. Ficou pensando sobre isso e, no dia seguinte, perguntou ao fazendeiro em cuja terra morava quando é que esse trem voltaria!
Numa pequena assembléia de circuito dos irmãos mestiços, 200 pessoas lotaram o salão. Era uma noite tépida de verão e o filme era exibido no grande quintal aberto atrás do salão. Visto que ainda era muito claro para se começar a exibição do filme, os irmãos começaram a entoar cânticos do Reino. Logo o público foi atraído pelos lindos cânticos e não demorou muito até que 650 pessoas se tinham reunido no quintal. Mostraram grande apreço pelo filme.
UM VISITANTE RETORNA DE BROOKLYN
Em outubro de 1955, Milton G. Henschel revisitou a África do Sul. De início, parecia que não conseguiria assistir à nossa assembléia, uma vez que o Departamento do Interior, depois de lhe ter concedido um visto, cancelou-o mais tarde. Exatamente no dia anterior ao da sua chegada, foi fornecido novamente o visto necessário, mas, com a ressalva de que não se permitiria nenhum discurso público. Com grande pressa, vários irmãos em Betel foram designados a preparar discursos e substituir o irmão Henschel, se necessário. No entanto, quando o irmão Henschel chegou, teve uma audiência com o Secretário do Interior, recebendo o “sinal verde” e tudo correu bem, conforme originalmente planejado. Esta decisão trouxe grande alegria a todos os irmãos e um suspiro de alívio dos poucos irmãos muito ocupados de Betel que estavam preparando às pressas alguns discursos para substituir o irmão Henschel.
Todos os três grupos raciais tiveram novamente o privilégio de reunir-se no Estádio Wembley, como em 1952, mas ainda observando a lei por se sentarem em grupos segregados. Como os irmãos ficaram emocionados de ouvir o discurso básico, de irmão Henschel, reassegurando-lhes de que estavam sendo levados em procissão triunfal por seu Rei, Jesus Cristo — um cheiro suave para Jeová, embora um mau cheiro para o inimigo! Um total de 10.754 pessoas compareceram ao discurso público “Em Breve a Conquista do Mundo — Pelo Reino de Deus”, e 407 simbolizaram sua dedicação pela imersão. A assembléia atingiu o clímax no domingo, quando todos o novos lançamentos se tornaram disponíveis naquele dia, visto que tinham chegado em Joanesburgo somente em fins da noite de sábado.
ASSEMBLÉIAS VONTADE DIVINA
Os olhos de todas as Testemunhas na África do Sul se focalizavam na Assembléia Internacional “Vontade Divina” das Testemunhas de Jeová em Nova Iorque, de 27 de julho a 3 de agosto de 1958. Que experiência emocionante tiveram 123 irmãos e irmãs da África do Sul em voar juntos como grupo até Londres, e então prosseguir até Nova Iorque!
Na África do Sul, uma série de treze Assembléias de Distrito “Vontade Divina” foram realizadas como seguimento da assembléia internacional de Nova Iorque, e, nestas, foram lançadas novas publicações para o campo sul-africano. Entre elas achava-se o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado. Provou ser notável ajuda para os irmãos ao dirigirem seus estudos bíblicos familiares e ajudarem seus filhos a obter conhecimento bíblico.
Em outubro de 1958, os irmãos na África do Sul ouviram dizer que seus irmãos africanos em Malaui tinham sofrido um desastre. Terrível incêndio arrasara por completo a enorme estrutura que tinham construído para alojamento numa assembléia, e eles tinham perdido todas as suas roupas e bens. Em questão de alguns dias, os irmãos sul-africanos amorosamente juntaram e enviaram 1.360 quilos de roupas para seus irmão em Malaui.
OUTRA VISITA SIGNIFICATIVA
No ano seguinte, 1959, o irmão Knorr fez outra visita à África do Sul, e foi organizada uma assembléia para coincidir com sua visita. Foram feitos esforços para se realizar uma assembléia nacional, com todas as raças juntas, similar às realizadas em 1952 e 1955. No entanto, as autoridades governamentais recusaram permissão e a filial teve de organizar duas assembléias, realizadas em diferentes partes de Joanesburgo. Trens especiais trouxeram 1.600 irmãos de Natal e Zululândia. De toda a União e dos países vizinhos, os irmãos convergiram para Joanesburgo. A publicidade antecipada suscitou muito interesse, e centenas de estranhos compareceram ao discurso público: “Uma Terra Paradísica por Meio do Reino de Deus”, e outras sessões. A reunião européia compareceram 4.541 pessoas no Estádio Wembley, enquanto 12.648 africanos se reuniram no Salão Comunitário Orlando, onde, visto que o próprio salão era pequeno demais, várias grandes tendas forneceram abrigo extra. O número total dos batizados foi de 546.
Quando Betel se mudou da Cidade do Cabo para Elandsfontein, em 1952, havia 8.580 publicadores, em média, no campo sul-africano; em 1959, o número tinha aumentado para 14.451. Betel se tornara apertado e a família tinha-se tornado maior do que as acomodações existentes. Antes da chegada do irmão Knorr, o superintendente da filial havia enviado a Brooklyn planos para a ampliação de Betel e da gráfica, e estes foram aprovados pelo presidente da Sociedade. A obra de construção tinha começado durante sua visita. Esta ampliação era um prédio bonito e apresentável, maior do que o prédio original. Foram acrescentados 22 dormitórios, bem como um Salão do Reino para a família de Betel. A ampliação da gráfica incluía nova oficina mecânica, e outros equipamentos novos, mas também havia abundante espaço de estocagem. Tudo isso era verdadeiramente necessário, como mostravam os totais de produção. Durante o primeiro ano depois de a nova gráfica em Elandsfontein entrar em operação, mais de 740.000 folhetos e revistas foram produzidos. Em 1959, só o total de produção de revistas foi quase de dois milhões.
Mas, como progredia a obra, neste período, nos outros países sob a supervisão da filial da África do Sul? Consideremos a obra nos três protetorados britânicos, a Basutolândia, a Suazilândia e a Bechuanalândia.
VENCENDO OBSTÁCULOS NA BASUTOLÂNDIA
Um obstáculo para o africano mediano aceitar a verdade é a dificuldade que tem em romper com a adoração dos ancestrais e com a feitiçaria. Embora muitos na Basutolândia afirmem ser cristãos, seus clérigos se juntam a outros em fazer sacrifícios para apaziguar os “espíritos” dos chefes e antepassados mortos. Tanto os clérigos como os leigos utilizam os serviços dos curandeiros.
Em 1953, um antigo diretor duma escola da missão da Igreja Reformada Holandesa, Joshua Thongoana, foi enviado para a Basutolândia (agora Lesoto) como superintendente de circuito. Ele e sua esposa chegaram ali num tempo em que a Basutolândia ainda era notória pelos assassínios ritualísticos como parte de sua feitiçaria, e dizia-se que os estrangeiros eram os alvos de tais assassínios. O irmão Thongoana e sua esposa confiavam imensamente em Jeová, que mostrou ser verdadeira proteção para eles. Também, receberam muita bondade e hospitalidade dos irmãos.
Nas montanhas de Maluti, o irmão Thongoana teve de usar um cavalo para viajar de um grupo isolado para outro. Sua primeira viagem a cavalo, de Mokhotlong para Bobete, levou um dia todo. Quando chegaram a seu destino, os irmãos que estavam acostumados a andar a cavalo se sentiam muito bem, mas ele estava exausto e todo o seu corpo doía tanto que não podia sentar-se nem deitar-se. Na volta, tiveram de atravessar o Rio Orange, que estava inundado. Seus companheiros de viagem lhe disseram o que devia esperar; se o rio estivesse forte demais para o cavalo, este tentaria livrar-se do cavaleiro, para poder nadar. Ele estava aterrorizado, visto não ser bom cavaleiro. Seu cavalo entrou na água, e sua apreensão aumentou, mas, felizmente, todos os cavalos conseguiram cruza o rio em segurança.
Nas montanhas de Maluti com freqüência cai neve, e esta é seguida por ventos cortantes. Quando acordaram certa manhã, viram que toda a área estava recoberta de neve e transformada num maravilhoso recanto hibernal. Ao andarem até seu território, seus pés afundavam na neve; uma experiência e tanto para eles. Precisavam desesperadamente duma fogueira para aquecer-se, mas não havia lenha nem carvão. Todavia, receberam cuidados. Quando achavam que não durariam muito mais tempo, um interessado bondosamente lhes deu suficiente estrume seco de gado para fazerem uma fogueira.
A Basutolândia continuou a fazer contínuo progresso na década de 1950. Em 1953, este país dispunha de 67 publicadores, em média, e, em 1959, este total era de 111 — um aumento de 81 por cento.
REVOGADA A PROSCRIÇÃO NA SUAZILÂNDIA
Uma situação similar à da Basutolândia existia na Suazilândia, onde os chefes eram em geral favoráveis às Testemunhas. Embora os irmãos na Suazilândia continuassem a trabalhar sob proscrição, a atitude de simpatia do chefe supremo tornava possível que distribuíssem publicações, uma vez que tivessem cautela. Os publicadores costumavam escrever seu próprio nome em cada livro colocado com um interessado, como evidência de que não vendiam as publicações, mas que simplesmente emprestavam-nas aos interessados.
Em 1958, Dennis McDonald, superintendente de distrito, visitou a única irmã dedicada em Goedgegun (agora Nhlangano). Esta foi a primeira visita que ela já recebera de um representante da Sociedade. Ela contratou o tribunal local para o discurso público. O irmão McDonald sentia-se um tanto apreensivo quanto a proferir um discurso público num tribunal, num país em que as publicações da Sociedade estavam proscritas.
O marido da irmã, que tinha algo a ver com o governo local, assegurou-lhe de que teria “uma assistência e tanto”. Naquela tarde de domingo, houve deveras “uma assistência e tanto”, inclusive dois ministros reformados holandeses, um ministro anglicano, o juiz local, o policial local, o superintendente do D. I. C. e alguns interessados. O irmão McDonald compreendeu que estes homens estavam presentes para determinado fim. O discurso público era uma exposição do fracasso do comunismo em contraste com a esperança do reino de Deus. Todo o discurso foi gravado e enviado a Mbabane, a capital, para ser considerado ali. Foi algum tempo depois que foi revogada a proscrição sobre as publicações da Sociedade, e parece bem provável que este discurso público teve algo que ver com o assunto.
A exibição do filme da Sociedade, “A Sociedade do Novo Mundo em Ação”, também ajudou a vencer o preconceito. Em certa reserva grande, o encarregado europeu desejava ver o filme antes de conceder a permissão para sua exibição pública. Uma exibição particular foi programada, com sete pessoas presentes. O encarregado ficou muito impressionado. Comentou ele: “Isto é diferente e mui interessante. Trata-se duma organização muito grande e é bem organizada, também.” Ficou satisfeito de as Testemunhas de Jeová serem a favor da adoração pura e que não se misturavam na política ou nos assuntos mundanos. Expressou agradecimentos por ter tido a oportunidade de ver o filme e disse ao superintendente de distrito: “Poderá exibi-lo no salão da reserva hoje à noite e mandarei que os rapazes da polícia o ajudem.” Houve uma assistência de 902 pessoas naquela noite, no salão da reserva.
Durante este período, a Suazilândia experimentou rápido crescimento no número de proclamadores das boas novas. A média cresceu de 126, em 1953, para 289, em 1959 — um aumento de 129 por cento.
RECOMPENSADA A PERSEVERANÇA NA BECHUANALÂNDIA
Em 1956, Joshua Thongoana foi designado superintendente de circuito na Bechuanalândia. Alguns dos irmãos locais já tinham sido açoitados pelos chefes por causa da pregação. O chefe acusava os irmãos de trazerem outra religião para o país, ao passo que o Chefe Khama só tinha trazido uma religião, a Sociedade Missionária de Londres. Um pioneiro foi açoitado por duas vezes, e seu gado foi confiscado, por causa de suas atividades de pregação. Mas, seu gado foi devolvido quando o chefe notou sua posição firme.
Duas semanas após sua chegada, o irmão Thongoana foi preso, junto com outros dois irmãos. No kgotla (tribunal), foram acusados de trazer outra religião. Negou-se aos irmãos a oportunidade de defesa, e os presentes no kgotla exigiram que se declarassem culpados. Depois de muitas acusações serem assacadas contra eles pelo chefe e seu kgotla, mandou-se que o irmão Thongoana deixasse a Bechuanalândia, no dia seguinte mesmo, enquanto cada irmão ali residente foi sentenciado a dois meses de prisão. O irmão Thongoana realmente deixou essa área, mas, ao invés de deixar o país, foi para interior dele. Mais tarde, ficou feliz de ouvir dizer que o chefe tinha mudado de idéia e suspendido as sentenças dos irmãos.
Na seguinte visita do irmão Thongoana, ele foi preso de novo. Manifestou-se grande interesse neste kgotla. O ministro local da Sociedade Missionária de Londres estava presente e o chefe solicitou a ele que iniciasse o kgotla com uma oração. De novo o irmão Thongoana foi acusado de trazer outra igreja, ao passo que já tinham uma. Este kgotla permitiu que o irmão Thongoana se defendesse, e ele citou muitos textos para mostrar o que ele pregava e por quê. O ministro da Sociedade Missionária de Londres não usou nenhum texto; nem sequer tinha uma Bíblia. Alguns conselheiros persuadiram o chefe a absolver o irmão e, desta feita, o kgotla terminou numa vitória teocrática.
Até ser revogada a proscrição das publicações da Sociedade, em 1959, muitos foram presos. No entanto, os irmãos permaneceram firmes em favor da verdade. Os 100 publicadores em 1953 aumentaram para 166 em 1959; deveras um aumento esplêndido.
BENEFÍCIOS ESPIRITUAIS USUFRUÍDOS EM STA. HELENA
Depois da visita do irmão van Staden, o único contato regular dos irmãos em Sta. Helena com a organização visível de Jeová era por carta e pelas publicações da Sociedade. Por conseguinte, foi algo notável para esses irmãos receberem o superintendente de circuito e sua esposa por um mês inteiro no ano de serviço de 1955. Gastaram doze dias com cada uma das duas congregações na ilha e a atividade do mês foi coroada com uma assembléia de circuito. A assistência na reunião pública foi de 105 pessoas e três foram imersas.
Os benefícios espirituais continuaram a fluir para os irmãos em Sta. Helena. Em 1956, o filme “A Sociedade do Novo Mundo em Ação” foi exibido oito vezes a assistências que totalizaram mais de 1.000 pessoas. Isto forneceu a estes irmãos isolados a maravilhosa visão da organização mundial de Jeová. Observou certo senhor: “Não me envergonho de dizer-lhe que lágrimas me rolaram pela face, e outros rapazes sentiram a mesma coisa.” Por quê? “Por ver como os irmãos trabalham juntos com amor; quem dera que pudéssemos trabalhar assim também.”
Em 1958, o filme “A Felicidade da Sociedade do Novo Mundo” foi exibido oito vezes, e a ele compareceram um total de 1.095 pessoas. Todos que o viram ficaram atônitos de observar as multidões de pessoas nas assembléias em todas as partes do mundo.
No entanto, desde que as primeiras sementes do Reino foram semeadas em 1933, nenhum publicador em Sta. Helena jamais conseguira pessoalmente assistir a uma assembléia no ultramar. Agora, pela primeira vez, dois irmãos viajaram todo o caminho até Nova Iorque, para a Assembléia Internacional “Vontade Divina”, em 1958. Devido às dificuldades de transporte, foram obrigados a partir em maio e não puderam voltar senão em novembro. Mas, que momentos maravilhosos passaram em Nova Iorque e quanta alegria trouxeram para seus irmãos em casa, junto com todas as boas coisas aprendidas e sentidas naquela assembléia!
PROGREDINDO EM MAURÍCIO
Em 1953, a congregação em Vacoas fazia bom progresso e outra congregação já se formara em Port Louis. De acordo com a lei, os missionários notificaram a polícia sobre suas reuniões e o comissário de polícia respondera que não havia objeção, uma vez que nenhuma controvérsia religiosa resultasse no rompimento da paz. No entanto, a polícia não queria arriscar-se, assim, os primeiros a chegar à reunião foram quatro investigadores. Aconteceu que, entre os irmãos que freqüentavam a reunião se achava um investigador aposentado e vários parentes de ainda outro investigador. Assim, a primeira reunião foi quase um ajuntamento de policiais! Os policiais pareceram bem satisfeitos de ver que as Testemunhas de Jeová são um povo pacífico, acatador da lei.
O progresso em Maurício continuou em 1955, os publicadores alcançando um auge de 30. Mais tarde, naquele ano, o irmão Milton Henschel visitou Maurício e foi estabelecida ali uma sucursal da Sociedade, para cuidar dos interesses do Reino nas três ilhas do sul do Oceano Índico, as de Madagáscar, La Réunion e Maurício.
ESFORÇOS FRUTÍFEROS EM MADAGÁSCAR
Depois que dois pioneiros da África do Sul, Robert Nisbet e Bert McLuckie, visitaram Madagáscar, em 1933, parece ter havido um lapso de 22 anos, durante os quais não se fez nada a respeito do campo ali. Em 1955, Milton Henschel e Robert Nisbet visitaram a ilha para estabelecer a obra sob a orientação da filial da Sociedade em Maurício. Logo depois foram enviados pioneiros especiais da França. Trabalharam arduamente e tiveram muito êxito, dirigindo muitos estudos bíblicos. Não demorou muito para que os publicadores locais começassem a disseminar as boas novas do Reino. Em 1958, foi traduzido o primeiro folheto para a língua malgaxe. No ano seguinte, foram feitos arranjos para se transferir a supervisão da obra para a filial da França.
COMEÇA ATIVIDADE DO REINO EM ANGOLA
Foi no ano de 1938 que a primeira semente do Reino foi semeada em Angola. Esta área de cerca de 1.246.000 quilômetros quadrados está situada na costa ocidental da África entre a África do Sudoeste ao sul, o Zaire ao norte e a Zâmbia a leste.
Dois pioneiros da Cidade do Cabo visitaram esse país em 1938 e trabalharam entre a população branca. Dentro de três meses, colocaram 8.158 Bíblias, livros e folhetos e suscitaram certo interesse. No entanto, a Segunda Guerra Mundial irrompeu no ano seguinte, e foi muito difícil manter contato com os interessados.
Doze anos depois, em 1950, um pioneiro africano foi deportado de Moçambique. Não fora julgado, mas foi enviado para a ilhota portuguesa de São Tomé, na linha do Equador, na costa ocidental da África. Esta estava incluída no campo angolano. Em questão de seis meses, havia treze outras pessoas que participavam com ele na obra de testemunho nesta ilha.
Dois anos depois, este grupinho em São Tomé tinha crescido para 21 publicadores. São Tomé e a ilha vizinha de Príncipe têm apenas 976 quilômetros quadrados de área e uma população total de 64.000 habitantes. É realmente uma colônia penal para os africanos portugueses que têm de trabalhar como escravos nas plantações de borracha, banana e café. Assim, o grupinho de publicadores do Reino ali tinha de trabalhar sob grandes dificuldades, ninguém os visitando para incentivá-los. Ainda não existiam publicadores nem organização da obra do Reino em Angola.
No entanto, em 1954, receberam-se na filial da África do Sul algumas cartas dum grupinho de africanos na Baía dos Tigres, uma colônia penal ligada a um posto pesqueiro no extremo sul de Angola. O escritor, João Mancoca, disse em uma de suas cartas: “O grupo de Testemunhas de Jeová em Angola se compõe de 1.000 membros. Estes têm como líder Simão Gonçalves Toco.” Por trás desta declaração sensacional há interessante história.
Em 1943, este Simão Toco era um líder dum coral ligado a uma missão batista em Léopoldville, Congo Belga (Kinshasa, agora chamado Zaire). Era um dirigente capaz e bem sucedido do coral, e seu grupo cresceu a muitas centenas de pessoas. Dois folhetos da Sociedade Torre de Vigia (EUA) chegaram às mãos dele, e ele os leu com interesse. Toco escreveu a Brooklyn pedindo mais publicações da Sociedade. Gradualmente, introduziu alguns dos ensinos do Reino em seus cânticos ou hinos (que ele mesmo compunha), e nas palestras com seus associados mais íntimos do seu coral. No entanto, os seguidores de Simon Kimbangu, que praticava o espiritismo, infiltraram-se nos grupos de estudo de Toco. Em 1949, sentiram o impulso de sair e falar a outros, e muitos deles foram pregar na cidade de Léopoldville. Não demorou muito, contudo, e Toco e um grupo grande de seus seguidores foram detidos e encarcerados. Na prisão, Toco parou de usar as publicações da Sociedade e até mesmo a Bíblia, visto que dependiam cada vez mais das mensagens dos médiuns espíritas, a verdade sendo eclipsada pelo espiritismo de Kimbangu. A maioria do grupo se originava de Angola. Assim, depois de alguns meses na cadeia, aqueles que se recusaram persistentemente a deixar de seguir a Toco foram enviados de volta a Luanda. Havia cerca de 1.000 deles.
Entre os deportados para Angola achava-se João Mancoca, um africano inteligente e espiritualizado. No dia de seu julgamento, foi acusado de pertencer ao “movimento da Torre de Vigia”, ligado com o kimbanguísmo, uma seita africana proibida. O juiz tentou libertá-lo, uma vez que renunciasse à sua fé. Embora Mancoca não aceitasse algumas das interpretações de Toco, em especial sua prática do espiritismo, compreendia que havia alguma verdade no que obtivera mediante Toco, e sabia que perderia isso se abandonasse o que aceitara. Preferiu assim ser preso a ceder o pouco de verdade que obtivera. As autoridades portuguesas ficaram indecisas quanto à real origem do grupo e do que fazer com eles. Suspeitavam que incluíam elementos subversivos latentes; todavia, os membros pareciam mui inofensivos e sinceros. Por fim, foram dispersos em vários grupos para muitas partes de Angola. Toco e muitos de seu grupo foram enviados para o norte de Angola, a fim de trabalharem em cafezais. Mancoca, junto com outro grupo, ficou em Luanda.
Em Luanda, Mancoca tentou persuadi-los a usar a Bíblia e deixar de praticar o espiritismo. Junto com Sala Ramos Filémon e Carlos Agostinho Cadi, Mancoca trabalhava para fazer prevalecer a verdade bíblica. Um africano, que obtivera nossos livros “Está Próximo o Reino” e “A Verdade Vos Tornará Livres” em francês, como compêndios para seu filho, verificou que não eram adequados para tal fim, e os deu a Mancoca. Isto deixou emocionados a ele e a seus poucos companheiros que realmente apreciavam a verdade. Daí, Toco foi mandado para o sul, e, em caminho, passou por Luanda. Já então era espírita confirmado e proibia seus seguidores de usar a Bíblia. Obviamente, seus seguidores de “kimbangu” tinham exercido forte influência sobre ele e o desviaram da Palavra de Deus. Mancoca e seu grupo, contudo, ficaram atônitos diante disso e, durante três meses, oraram intensamente a Jeová para que abrisse o caminho para que eles entrassem em contato com a Sociedade Torre de Vigia (EUA).
Alguns dos seguidores de Toco não gostavam das verdades que Mancoca ensinava. Assim, denunciaram este grupinho às autoridades portuguesas e os acusaram falsamente de serem autores de uma das falsas doutrinas de Toco. Em resultado disso, Mancoca e seus amigos foram detidos numa cela escura por 21 dias. Um dos guardas “contrabandeou” uma máquina de escrever e algumas velas. Assim, à luz das velas, fizeram secretamente cópias dos folhetos da Sociedade em forma de manuscritos. Foram deportados para a colônia penal de Baía dos Tigres, com uma sentença de quatro anos que se estendeu a seis anos — tudo sob falsa acusação!
Em Baía dos Tigres, Mancoca e seus associados encontraram alguns tocoístas, a quem incentivaram a estudar a Bíblia, mas sem êxito. Assim, dissociaram-se deste grupo. Mancoca então decidiu traduzir alguns capítulos de “A Verdade Vos Tornará Livres” (que ele possuía em francês), para o kikongo, seu próprio idioma. Neste ponto, um dos tocoístas escreveu uma carta à filial da Sociedade em Salisbury, e obteve resposta em espanhol, que não sabia ler. Trouxe então a carta a Mancoca. Isto forneceu a Mancoca o endereço da Sociedade, assim Mancoca e seus companheiros escreveram em francês para a filial da Rodésia, carta esta que foi transmitida para a filial da África do Sul. Desta forma, este grupo na Baía dos Tigres se correspondia com a filial por três meses e também recebia algumas publicações.
Quando as notícias deste estranho grupo chegaram a Brooklyn, os irmãos ali logo fizeram arranjos para que um missionário inglês, John R. Cooke, que já tinha passado vários anos em Portugal e falava bem fluentemente o português, fosse a Angola. O irmão Cooke chegou a Angola em 21 de janeiro de 1955. Sua primeira palestra foi com um advogado em Luanda, que aconselhou John a ser muito cuidadoso com o grupo de Toco que era considerado como composto de elementos “mau-mau” (terroristas) ou apoiados pelos comunistas.
O irmão Cooke sentia uma estranha sensação ao andar pelas ruas de cidades tais como Luanda e Benguela, ver os membros deste grupo com seus caraterísticos distintivos em forma de estrela e ficar imaginando se eram prospectivos irmãos ou apenas comunistas camuflados! Falou em particular com alguns deles em Lobito e Benguela, mas além de notar que possuíam a Bíblia, conheciam o nome de Jeová e realizavam reuniões com freqüência, não conseguiu fazer nenhum progresso. Havia um grande grupo em Luanda. Ele falou com eles e teve palestras com sua comissão. Mas, estes homens eram seguidores de Toco e não estavam realmente interessados na Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Uma exceção era um rapaz chamado António Bizi, que apreciava grandemente as visitas do irmão Cooke e ajudava outros a fazer assinaturas das revistas da Sociedade.
Depois de o irmão Cooke relatar suas primeiras impressões à filial de Elandsfontein na África do Sul, recebeu instruções de tentar entrar em contato com Mancoca e seus amigos na Baía dos Tigres. Mas, Baía dos Tigres é pequeno posto pesqueiro numa costa arenosa desértica no extremo sul de Angola. Tem pouquíssimo contato com o mundo exterior e acha-se sob estrita supervisão governamental, sendo, de fato, uma colônia penal. John Cooke se lembra de ficar matutando sobre esse problema por muito tempo. Levou o assunto em oração a Jeová. Por fim, escreveu uma carta ao Governador-Geral em Luanda, explicando sua missão e solicitando uma audiência. Depois de três ansiosas semanas, foi convocado para ver o Sr. Santana Godinho, principal auxiliar do governador administrativo. Na longa palestra que tiveram, este cavalheiro fez muitas perguntas ao irmão Cooke sobre a obra e as crenças das Testemunhas de Jeová. Por fim, concordou que o irmão Cooke poderia fazer a viagem até a Baía dos Tigres. Então o deixou surpreso por dizer: “De facto, eu darei ao Sr. uma passagem de ida e volta grátis de avião!” Era uma viagem de mais de 1.900 quilômetros!
Alguns dias depois, pequeno avião de seis lugares circulou sobre o pequeno povoado banhado pelo sol da Baía dos Tigres, e então pousou na pista de concreto construída sobre a areia. John Cooke saltou junto com outros poucos passageiros. Depois de algumas dificuldades, o irmão Cooke teve sua primeira reunião com o grupinho. Este foi um grande dia para Mancoca. Tinha orado e esperado muitos anos por isso — finalmente o contato pessoal com a Sociedade que ensinava a verdade! Vestiu sua melhor roupa e leu longa folha de boas-vindas ao representante da Sociedade. Quão contente ficou o irmão Cooke de encontrar pessoas semelhantes a ovelhas, tão ansiosas de aprender sobre o Reino! Passou cada noite com estes africanos humildes e sinceros, palestrando sobre a Palavra de Deus e falando-lhes sobre a obra. Mostraram-lhe grosso caderno de exercícios. Consistia nos folhetos, O Reino, a Esperança do Mundo, e Os Últimos Dias, traduzidos para sua língua, o kikongo. Já tendo muitos anos, e estando escrito à mão, este volume tinha sido usado por longo tempo como um dos seus principais compêndios. O irmão Cooke ficou surpreso de descobrir que já tinham bom entendimento da verdade, por terem lido as publicações recebidas de Elandsfontein.
No ínterim, o irmão Cooke se hospedava no farol local junto com o faroleiro. Ele mostrava interesse e assinara ambas as revistas, e pedira uma Bíblia. Daí, disse: “Sr. Cooke, o Sr. passa o tempo todo com os africanos. Que dizer de nós, os brancos? Por que não organiza uma reunião para nós?” Isto foi feito, e no domingo, quando se realizou um discurso público em uma das fábricas malcheirosas de farelo de peixe havia uma assistência de 80 pessoas — 10 brancos e 70 africanos. Esta foi a primeira reunião pública em Angola! No dia seguinte, o irmão Cooke partiu no vôo semanal, com mui alentadoras impressões do pequeno grupo, e com uma carta dirigida aos grupos de Toco, explicando quem ele era e incentivando-os a aceitá-lo como representante da Sociedade. Com esta, esperava conseguir ser melhor ouvido pelos vários grupos.
O irmão Mancoca recorda esta visita do irmão Cooke, dizendo: “Não tinha mais dúvidas de que esta era a verdadeira organização que tinha o apoio de Deus. Jamais poderia pensar ou crer que qualquer outra organização religiosa fizesse tal coisa; sem receber paga, enviar um missionário de longe para visitar uma pessoa insignificante, só porque escrevera uma carta.”
Contudo, lá em Luanda, a comissão local de Toco não ficou impressionada com a carta de Mancoca. “Quem é ele para nos dizer o que devemos fazer? Bem, se Toco lhe desse uma carta assim, isso seria diferente.” Assim, fez-se a decisão de tentar visitar o próprio Toco.
Foi enviado um relatório ao Sr. Santana Godinho, explicando brevemente o que acontecera na viagem e as impressões de John Cooke sobre as pessoas que encontrara. Logo foi convocado para outra audiência. Santana Godinho expressou apreço pelo relatório. Explicou que, embora o conceito oficial sobre a seita de Toco fosse de que ela era realmente subversiva, ele e outros tinham dúvidas sobre tal conceito. Assim, ficaram contentes de que alguém pudesse penetrar no meio deles e descobrir isso. Ele então fez outra oferta de surpresa. “Bem, onde mais gostaria de ir, Sr. Cooke? Diga apenas o que deseja e lhe daremos uma passagem gratuita de ida e volta!” John solicitou uma visita a Toco, localizado no “mato”, perto de Sá da Bandeira, um povoado de tamanho médio na parte centro-sul de Angola. Esta foi concedida.
Pouco depois, o irmão Cooke teve duas longas palestras com Toco, na presença de uma autoridade governamental. Toco, um homem alto e inteligente, ainda bem jovem, disse que estava contente de conhecer alguém da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Ele e o irmão Cooke consideraram assuntos bíblicos e a formação do grupo, e então ele escreveu uma carta dirigida a todos seus seguidores em Angola, dizendo-lhes que o Sr. Cooke representava a Sociedade Torre de Vigia, da qual recebera publicações. Depois de algumas excursões locais, como convidado do Governador, o irmão Cooke retornou a Luanda, imaginando que talvez agora este grupo de 1.000 pessoas aceitasse mais prontamente a verdade.
Mas, de volta a Luanda, a comissão local de Toco não queria saber de nada. O “espetáculo” era deles e ninguém iria assumir sua direção. Pelo menos essa era a atitude do chefe local, David Dongala, embora muitos demonstrassem grande interesse. No entanto, o tempo gasto em Luanda não foi desperdiçado. O irmão Cooke deu muito testemunho e passou momentos agradáveis, obtendo até vinte e duas assinaturas num só dia. Também, começava a dirigir estudos com uma ou duas famílias brancas e membros do grupo de Toco.
Depois de uma viagem sem dificuldades de avião até Cela, nova colônia agrícola, a situação mudou drasticamente. Santana Godinho perdeu seu cargo como administrador do governo. Mostrara ser de verdadeira ajuda para o irmão Cooke em sua designação difícil, e era muito amigável. Agora não havia mais viagens grátis, e se recusou a solicitação para que seu visto de cinco meses fosse prorrogado. O irmão Cooke partiu em junho de 1955, sentindo-se muito grato a Jeová pela ajuda que lhe deu e pelo privilégio de estabelecer importantes contatos e semear muita boa semente num território “virgem”.
A atividade do Reino fora iniciada, e embora a oposição e a perseguição quase sufocassem o campo recém-surgido, pela benignidade imerecida de Jeová e a constante lealdade dos novos irmãos, continuou crescendo.
CONTINUAM OS ESFORÇOS CORAJOSOS
Em junho de 1956, Mancoca e sete outros novos irmãos de Baía dos Tigres tiveram a coragem e a iniciativa de escreverem uma carta ao governador do Distrito de Moçâmedes, onde estava a Baía dos Tigres. Eis, em parte o que disseram: ‘Solicitamos respeitosamente a Vossa Excelência o favor de nos reconhecer como membros efetivos da Sociedade das Testemunhas de Jeová.’ Os irmãos apelavam para terem maior liberdade de adoração, mas, a única resposta que receberam foi mais opressão. Apesar disto, dez deles foram batizados em 1956.
No ínterim, na ilha de São Tomé, vários irmãos tinham cumprido suas sentenças de sete anos. Entre os libertos e enviados para Moçambique achava-se o anterior superintendente presidente.
A LUZ NÃO É OFUSCADA
A luz da verdade brilhava em Angola e, apesar das dificuldades, não ficaria ofuscada. Ademais, o campo europeu iria beneficiar-se de tal luz.
Em 26 de outubro de 1956, Mervyn Passlow, e sua esposa, Aurora, chegaram a Luanda para continuar o trabalho iniciado por John Cooke. O irmão Cooke enviara aos Passlow sua lista de assinantes e interessados em Luanda. Mas, todos os endereços de assinantes eram números de caixas postais, pois nenhuma correspondência é entregue nas casas; assim, por algum tempo deixaram de encontrar tais pessoas. Daí, veio uma carta do irmão Britten, superintendente da Filial em Lisboa, dizendo-lhes que uma senhora mui interessada, chamada Berta Teixeira, estava voltando a Luanda. Ela ficou muito surpresa quando os Passlow a visitaram assim que ela chegou. Não se perdeu tempo em iniciar um estudo bíblico com ela e sua família. Ela também conseguiu ajudar a obter os endereços dos assinantes, visto que possuía um parente que trabalhava nos Correios. Bom número de assinantes tornaram-se estudantes bem dispostos. Em questão de semanas, todos eles falavam com seus amigos e vizinhos. Os Passlow foram convidados cada noite e por muitas tardes a visitar tais pessoas; em questão de seis meses estavam sendo dirigidos estudos com mais de cinqüenta pessoas.
Não muito depois de sua chegada, os Passlow também começaram a receber cartas dos irmãos e interessados africanos em diferentes partes de Angola. O irmão Mancoca embora ainda detido na Baía dos Tigres, escreveu cartas de encorajamento aos Passlow. Irmãos africanos locais que precisavam de ajuda espiritual também os visitaram. Devido à situação e por ser estrangeiro, o irmão Passlow jamais foi às reuniões deles. Mas, António Bizi, que mostrou muito interesse quando o irmão Cooke estava ali, costumava visitá-los regularmente para estudar a Bíblia e obter treinamento bíblico, de modo que, por sua vez, ele pudesse ajudar outros irmãos africanos. Os africanos também obtiveram muitas publicações e grande parte delas foram levadas para o interior.
Alguns meses depois da chegada dos Passlow, começaram a realizar estudos regulares da revista Sentinela em seu quarto. Mas, já no fim do primeiro mês, o quarto ficou pequeno demais. Daí, a irmã Teixeira, que dirigia uma escola de línguas, ofereceu uma das salas de aulas internas em seu colégio. Visto que suas aulas iam até às 21 horas, todas as reuniões semanais tinham de começar após às 21 horas. Desta forma, atraíam menos atenção.
Continuavam a chegar cartas de toda Angola. Os missivistas eram africanos, todos afirmando ser irmãos. Mas, já naquele tempo a guerra grassava em Angola e não era possível entrar em contato com tais pessoas.
Logo depois disso, iniciou-se um estudo com o Sr. Vieira Gonçalves e esposa. Ele tinha estudado seis anos para o sacerdócio, mas ficara tão chocado com os jovens seminaristas e sua conduta que desistiu antes de realmente se tornar sacerdote. Fez rápido progresso e não perdeu tempo em vir às reuniões e começar a falar com seus amigos. No fim de dois meses, já dirigia um estudo com outra família.
Depois de oito meses em Luanda, o irmão Passlow decidiu que era tempo de realizar um batismo, visto que várias pessoas expressavam desejo de simbolizar sua dedicação. Quão surpresos e deleitados ficaram quando chegou naquele dia um irmão de Portugal — o irmão Henrique Vieira, a caminho da África do Sul! Assim, antes do batismo, o irmão Vieira proferiu um discurso, contou algumas experiências e então realizou o batismo na baía de Luanda.
Pouco depois disso, o irmão Passlow não conseguiu prorrogar seu visto. Prontamente convidou o irmão Gonçalves a assumir gradualmente a direção deste pequeno grupo. Este irmão fiel, embora fosse apenas novato na verdade quando assumiu o cargo, continuou nele por cerca de nove anos, até que também foi detido, lançado na prisão e finalmente deportado para Portugal.
O irmão Passlow agira no momento exato. Alguns dias mais tarde, uma camioneta da polícia secreta encostou subitamente junto aos Passlow, quando faziam negócios na cidade, e seis policiais saltaram dela e cercaram-nos como se fossem terríveis criminosos. Foram levados para seu quarto e muitos de seus bens foram confiscados — inclusive as receitas culinárias da Aurora, aparentemente à base de que continham mensagens secretas! À medida que a polícia levava seu estoque de Bíblias, o irmão Passlow comentou: “Espero que as leiam!” O rapaz replicou: “Dizem alguma coisa sobre futebol?” — no que todos caíram na risada. Os policiais sabiam muito bem que agiam como simples peões do bispo de Luanda. Os Passlow verificaram mais tarde que uma interessada tinha contado ao bispo todas as boas coisas que ela estava aprendendo.
Um apelo ao Cônsul inglês, católico devoto, foi rejeitado. Daí, o comissário de polícia convocou os Passlow a seu gabinete. Ele lhes disse que tinham de partir dentro de uma semana. Pelas observações dele, tornou-se óbvio que ele relacionava o casal Passlow com o abjeto “movimento da Torre de Vigia” da África central. Era impossível tentar raciocinar com ele.
Em 27 de junho de 1957, o casal Passlow embarcou para a África do Sul. Devido à atitude da polícia, avisaram os irmãos, em especial os irmãos africanos, que não viessem despedir-se deles. Mas, o vínculo de amor era grande demais. Com polícia ou sem ela, os irmãos, inclusive muitos africanos, estavam ali para dizerem ‘adeus’. Pouco antes de subirem pela prancha, um destes irmãos africanos, que acabara de ser liberto da Baía dos Tigres, aproximou-se, colocou um envelope na mão do irmão Passlow e então desapareceu na multidão. O envelope continha um presente de despedida em dinheiro, junto com a mensagem: “Compre um pouco de pão.” À medida que o navio largava lentamente, o casal Passlow sentiu profunda gratidão pela alegria indescritível de ajudar alguns a virem a conhecer o nosso Deus, Jeová.
Tempos depois, o casal Passlow ouviu dizer que, no dia seguinte, o rádio anunciara que o país tinha acabado de ficar livre de grande perigo, em forma dum casal estrangeiro que tentava estabelecer atividades comunistas e dos “mau-maus”, “mas, graças a nosso Deus, esse perigo já foi eliminado!” Meses depois, quando a luta terrorista realmente se tornou ardente, a imprensa angolana publicou falsamente que os missionários da Torre de Vigia tinham influenciado os africanos a empenhar-se em atividades terroristas. Havia até mesmo fotos supostamente mostrando missionários dando dólares estadunidenses aos africanos para fazê-los voltar-se contra as autoridades brancas!
É verdade que missionários da cristandade e líderes religiosos tinham muito que ver com a atividade terrorista em Angola. Mas, não as Testemunhas de Jeová! Graças à benignidade imerecida de Jeová, os missionários da Torre de Vigia tinham conseguido entrar no país. Apesar de muitos problemas e oposição, tinha sido possível estabelecer pequena organização de 54 irmãos que estavam determinados a ficar firmes e deixar brilhar a luz da verdade em Angola.
Depois de todo o excitamento causado pela partida do irmão e da irmã Passlow, os irmãos continuaram trabalhando quieta e fielmente. Careciam de alguém maduro para instruí-los, porém as reuniões eram realizadas e a pregação era feita da melhor forma que os irmãos podiam, debaixo das circunstâncias difíceis.
Em 1958, Harry Arnott, o superintendente de zona, fez breve visita, que foi uma fonte de grande encorajamento, tanto para os africanos como para os europeus. Em 1959, voltou novamente a Luanda como superintendente de zona. Ao chegar ao aeroporto, quando estava saudando um pequeno grupo de irmãos, a polícia chegou subitamente e prendeu a todos. Separaram o irmão Arnott dos outros para interrogá-lo. Sua pasta foi detidamente examinada. Ele orou a Jeová para que não caísse nas mãos da polícia a lista dos assinantes da revista A Sentinela, na cidade de Luanda. Essa preciosa lista estava no porta-bilhetes do irmão Arnott. Embora o chefe da Interpol olhasse a passagem, não viu a lista. Depois de uma porção de perguntas, o chefe disse: “Senhor Arnott, lembre-se bem: No que diz respeito a Angola, o senhor está liquidado, liquidado, liquidado, e a organização da Torre de Vigia está liquidada, liquidada, liquidada!”
Um pouco depois, ele foi levado a outro prédio, onde estavam os irmãos, entre eles o irmão Mancoca. O oficial da Interpol virou-se para o irmão Mancoca, maltratou-o e disse: “Sabe o que te irá acontecer?” O irmão Mancoca apenas olhou bem nos olhos de seu interlocutor e disse: “Eu já agüentei muita coisa, de modo que tudo que me possas fazer é matar-me, mas não me desviarei da minha fé.” Então olhou para o irmão Arnott e sorriu encorajadoramente. O irmão Arnott diz: “Ele parecia bem indiferente à sua sorte e só estava preocupado em ter certeza de que eu mesmo não ficara desanimado com essa situação. Foi um momento mui edificante ver esse irmão africano, depois de anos de prisão, tomar uma posição tão firme e corajosa.”
O irmão Arnott foi colocado de novo no avião e teve de deixar imediatamente o país. No ínterim a polícia descobrira que a congregação se reunia na casa da irmã Teixeira. Assim, alguns deles foram lá de imediato fazer uma inspeção. Procuraram tudo, mas não abriram uma porta no térreo, atrás da qual cerca de cinqüenta irmãos e interessados aguardavam pacientemente o irmão Arnott para lhes proferir um discurso.
Naquela ocasião, não se causou nenhum dano real a esses irmãos que se encontraram com o irmão Arnott, nem sequer a Mancoca. Ele foi detido para interrogatório por sete horas, durante as quais o inspetor realmente chegou a preparar uma ordem oficial de prisão contra ele. Mas, por fim, o inspetor a rasgou e disse ao irmão Mancoca: “Vai embora, Mancoca, e toma cuidado. Traze-me amanhã todas as publicações da Torre de Vigia que tenhas em tua casa. . . . Larga esse negócio da Torre de Vigia e cuida de ti mesmo e dos teus filhos.”
Este episódio significava mudar o local de reunião para a pequena congregação e, depois disso, os africanos começaram a organizar as suas próprias reuniões. No entanto, a organização local ainda era muito pequena. Para 1960, o auge de publicadores que relataram foi de apenas 17. Foi nessa época que Angola veio a ficar sob a jurisdição do escritório da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Lisboa, Portugal.
No ano seguinte, 1961, a atividade terrorista irrompeu em Angola e também intensa perseguição foi lançada contra os irmãos. Nos nove anos seguintes, o irmão Mancoca esteve em várias prisões e campos de trabalhos forçados. Suas experiências foram muitas e variadas, mas em toda a parte ele enfrentou a perseguição com calma determinação e absoluta confiança em Jeová. Também testemunhou onde quer que esteve e foi bem sucedido em ajudar muitos africanos a aprenderem a verdade, enquanto estava preso.
Novamente, em 1971, grande número de irmãos foram presos e encarcerados em Luanda, inclusive, mais uma vez, nosso desprendido e devotado irmão Mancoca. Mas, os esforços do inimigo são insignificantes em comparação com os invencíveis propósitos e o poder ilimitado de Jeová. Nada, absolutamente nada, pode impedir que Sua mensagem do Reino seja pregada em toda a terra habitada, inclusive em Angola.
PRONTOS PARA EXPANSÃO
O início de 1960 encontrou o Betel de Elandsfontein todo preparado para real expansão. Jeová previu e proveu as necessidades do campo na década que se seguiria. A gráfica ampliada dispunha então de cinco linotipos em uso, ao invés de três, e, um ano depois, outra foi instalada. Nova prensa plana Heidelberg e nova rotativa Timson, a última custando mais de R 37.000, foram instaladas, além da prensa plana G. M. A. já em uso.
Em 1960, a gráfica de Elandsfontein começou a imprimir várias revistas quinzenais no vernáculo e coloridas, ao invés de apenas revistas mensais e em preto e branco. Adicionou-se nova revista mensal, a saber, A Sentinela em tsvana. A impressão duma edição especial em cibemba para o Congo (Kinshasa) foi iniciada em maio de 1965. O título completo da edição regular em cibemba é Ulupungu Lwa kwa Kalinda. Mas, por causa do preconceito no Congo contra o nome “Torre de Vigia”, o título desta edição especial era apenas Kalinda (significando “observando” ou “vigiar”). Em 1966, adicionou-se outra edição num idioma local sul-africano de A Sentinela, o sepedi, à lista impressora. Assim, em 1970, a gráfica já imprimia 24 edições de A Sentinela e Despertai! em 10 idiomas, e 15 números diferentes de Nosso Serviço do Reino. Além disso, a gráfica também estava ocupada com a impressão de vários folhetos nas línguas locais e de um “montão” de formulários, programas, volantes e cartazes.
Em 1960, terminou a proscrição das publicações da Sociedade nos três protetorados, a Basutolândia, a Bechuanalândia e a Suazilândia. Assim, este alimento espiritual podia fluir livremente até eles. Mas, como estavam indo os irmãos nesses países?
BÊNÇÃOS NO MEIO DE DIFICULDADES NA BASUTOLÂNDIA
Os irmãos na Basutolândia (agora Lesoto) realmente apreciavam a quinzenal Molula-Qhooa (a revista A Sentinela em sesoto). Isto se refletia em sua assistência nos estudos da revista Sentinela. Em 1960 havia um grupo de 135 publicadores e 15 pioneiros que cuidavam das necessidades espirituais duma população de 634.000 neste país, e iam adiante apesar de muitas dificuldades.
Por volta desse tempo, os “ventos de mudança” já alcançavam este pequeno protetorado inglês, insuflando o espírito do nacionalismo e o desejo de independência, que era ainda mais agitado pela medida de governo próprio que obtiveram em 1960. O funcionalismo público estava sendo “africanizado”, os africanos tomando o lugar dos europeus. Muitos achavam que o “autogoverno” e a “independência” eram palavras mágicas que levavam à liberdade e à prosperidade. Mas, as Testemunhas de Jeová continuavam a apontar para o reino de Deus como a única real esperança do homem.
A maioria das pessoas na Basutolândia vivem em aldeias espalhadas, chamadas “kraals”, nas montanhas, algumas tão alto que só podem ser alcançadas a pé ou de pônei. Em alguns casos, era preciso que o superintendente de circuito gastasse cinco ou seis dias para alcançar os grupos isolados.
Os pioneiros fizeram maravilhoso trabalho em disseminar as boas novas do Reino em todo caminho isolado da Basutolândia. Um casal de pioneiros especiais foi designado à área de Mokhotlong, bem no “teto da África austral”, a uma altitude de 3.200 metros na cordilheira de Drakensberg. O marido, Philemon Mafereka, tinha de cruzar várias montanhas apenas para ir dirigir um estudo. Começando às 4 da manhã e andando rápido, ele chegava ali às 8,30. Usualmente voltava para casa na mesma noite e ia em outra direção no dia seguinte. Seus esforços foram ricamente abençoados, pois, em questão de dois anos, ele e sua esposa já tinham dez outros que participavam com eles na obra do Reino.
Sim, em Basutolândia os publicadores das boas novas não raro andam duas ou três horas até seu território e então gastam até seis horas de cada vez dando testemunho. Não é prático voltar para tomarem uma refeição no meio do dia e, assim, aprenderam a trabalhar um dia inteiro e voltar no início da noitinha para cozinhar e comer. Devido às distâncias entre as aldeias, a pessoa talvez só alcance seis casas durante seis horas de trabalho. Mas, estas pessoas, também, precisar ouvir a Palavra de Deus.
Os irmãos que vivem tão isolados certamente apreciam a importância das assembléias. Mas, comparecer às assembléias exige grande esforço e estes irmãos constituem verdadeiros exemplos para nós. Um pioneiro especial andou durante quatro dias, atravessando montanhas e nadando por rios transbordantes, para chegar a uma assembléia do povo de Jeová. Uma irmã cavalgou sozinha durante três dias, daí, viajou um dia inteiro de ônibus para chegar a uma assembléia. E outra irmã, grávida de seis meses, andou uns quarenta quilômetros através das montanhas e da neve para chegar a uma assembléia de circuito. Até um irmão recém-dedicado andou uns cento e trinta quilômetros através das montanhas, junto com o pioneiro especial que o ajudou, para chegar a uma assembléia em que ele podia simbolizar sua dedicação.
Alguns novatos tiveram de colocar em ordem seus assuntos maritais a fim de poderem participar na obra de pregação e habilitar-se para o batismo. Em certo caso, o superintendente de distrito europeu guiou seu carro pelas montanhas na semana antes de uma assembléia, e trouxe um senhor e sua “esposa”, que já tinham três filhos, até ao mais próximo comissário distrital, de modo que seu casamento pudesse ser registrado, habilitando-se para o batismo na assembléia de circuito.
MANTER NEUTRALIDADE
Em 1966, a Basutolândia tornou-se o estado independente agora conhecido como Lesoto. Naquele tempo havia 266 publicadores do Reino, e estes, por causa de sua posição absolutamente neutra, granjearam o respeito de muitas autoridades. Mas, numa assembléia de distrito em Maseru, a capital, um oficial de polícia e três utilitários carregados de policiais deram uma batida no salão, ordenando que se parasse a reunião. Os irmãos encarregados não conseguiram avistar-se com o chefe de polícia senão na manhã seguinte. No entanto, ele estava bem a par das Testemunhas e logo desfez a acusação falsa de que alguém supostamente havia dito da tribuna que o governo de Lesoto devia ser destruído. A mesma autoridade que suspendera a reunião recebeu então instruções de fornecer guardas para a assembléia, a fim de proteger as Testemunhas! Naturalmente, não tinham nada a fazer, e os irmãos aproveitaram a oportunidade para dar a cada um deles um testemunho cabal.
A estrita neutralidade cristã dos irmãos em Lesoto resultou ser verdadeira proteção para eles durante um período de inquietação política e o estado de emergência. Nessa época, foi feito grande expurgo dos que não eram apoiadores do governo do Chefe Jonathan. Noticiou-se que, à noite, as choupanas de teto de colmo dos membros da oposição eram cercadas e incendiadas, torrando famílias inteiras. Nem sequer uma das Testemunhas de Jeová sofreu tal destino.
Em resultado da posição neutra mantida pelos cristãos verdadeiros, contudo, eles passaram por algumas dificuldades. Em 1970, Lesoto sofreu grave escassez de víveres, devido a anos de seca. No entanto, em 1970, tiveram boas chuvas, mas decidiu-se que apenas os apoiadores do governo receberiam sementes de milho. Visto que as Testemunhas de Jeová são neutras, não obtiveram nenhuma semente. Os irmãos na República da África do Sul ouviram falar nisso e organizaram um fundo de socorro para ajudar seus irmãos em Lesoto. Isto foi anunciado em reuniões de “ânimo” para as assembléias nacionais em Joanesburgo, e sugeriu-se que todos os donativos nas caixas de contribuição nestas reuniões fossem para o fundo de socorro. A resposta dos irmãos foi estupenda — R 1.714 foram contribuídos e as contribuições continuaram a ser enviadas. Com efeito, o escritório teve de enviar uma circular dizendo aos irmãos que já tinham contribuído o “bastante”. Dentro de uma semana, um irmão europeu no Estado Livre de Orange conseguiu as necessárias sementes de milho e as levou até nossos irmãos em Lesoto. Todos os necessitados foram também providos de dinheiro para poderem comprar alimentos até que pudessem suprir suas próprias necessidades. Isto fez com que os irmãos em Lesoto compreendessem, mais do que nunca, quanto seus irmãos europeus e outros irmãos na África do Sul se importavam com eles, e fez com que se sentissem cada vez mais apegados a eles.
Uma das irmãs de Lesoto que se beneficiou deste arranjo amoroso disse mais tarde: “Chegamos ao ponto em que não tínhamos nada em casa, nem mesmo dez centavos para comprar xerém de milho. Daí, o dinheiro para comida chegou de nossos irmãos brancos na África do Sul. Só consegui chorar, sem poder dizer nada. Eu e as outras Testemunhas conseguimos vencer nossos problemas imediatos, e, assim, graças à provisão de Jeová, conseguimos estar nesta assembléia para gozar também dum banquete espiritual.”
NOTÁVEIS MARCOS
Na época em que a organização de Jeová fornecia alívio da fome material em Lesoto, Jeová também provia maravilhoso prato espiritual para os que tinham fome da verdade. Isto se deu em forma do livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna em sesoto, que chegou em meados de 1970. Com esta maravilhosa ajuda, e programa de estudo de seis meses, viu-se crescimento. Tinha-se alcançado um marco na atividade cristã.
O ano de 1972 presenciou outro destacado marco no desenvolvimento da obra em Lesoto — a construção do primeiro verdadeiro Salão do Reino neste país. A necessidade de um Salão do Reino em Maseru, a capital, tornara-se evidente, quando a média da assistência no estudo da Sentinela subiu para 170, havendo assistências de mais de 200 pessoas. O arenito, livremente disponível nas montanhas próximas, e ao custo apenas do transporte, foi usado para as paredes, a pedra sendo lavrada nas formas desejadas por irmãos experientes.
Todos ajudaram na construção. Além de fornecerem refeições para os construtores, as irmãs, em estilo tradicional, carregavam bilhas de água nas cabeças por mais de três quilômetros até o local de construção. As crianças ajudavam por levarem rolando os tambores de água até o local e alguns irmãos idosos andaram até trinta e dois quilômetros para participar na construção. Para socar bem o terreno, em preparação para se fundir a laje do piso, as irmãs entoavam cânticos do Reino e dançavam nesse ritmo sobre a área do piso. Atualmente, os irmãos estão contentes de usar um Salão do Reino que pode acomodar cerca de 250 pessoas — sólida estrutura que só custou cerca de US$ 845 para ser construída!
Em outros países africanos em desenvolvimento, o nacionalismo às vezes apresenta dificuldades na escola para as crianças, e, em outras partes, para os irmãos em geral. Recentemente, para exemplificar, irrompeu a violência no dia em que findou nossa assembléia de distrito. Ao voltar para casa, um irmão novo, que antes pertencera ao partido político que iniciara a insurreição, encontrou soldados e o tribunal local à sua espera. A pergunta era: Que andara fazendo durante a rebelião? Ele lhes disse que comparecera à assembléia das Testemunhas de Jeová. Mas, isso não bastava. Queriam prova disso. Em companhia dos soldados, o irmão teve permissão de pegar seu programa da assembléia. Depois de ler todo o programa, o chefe declarou inocente o irmão e até mesmo o incentivou a continuar sua atividade de pregação. Os aldeões se admiraram disso, dizendo: “O Deus a quem você ora é o Deus vivo!” Quão grato ficou esse irmão por ter comparecido à assembléia!
O auge mais recente de publicadores em Lesoto é de 688 e a obra continua progredindo com a bênção de Jeová. Todavia, com um publicador para cada 1.477 habitantes, é evidente que muita coisa precisa ainda ser feita, e nossa oração constante é para que Jeová acelere a obra, a seu próprio tempo e modo.
REVOGADA A PROSCRIÇÃO NA BECHUANALÂNDIA
Na Bechuanalândia (agora Botsuana), as notícias da revogação da proscrição, em 1960, demoraram a chegar a algumas partes deste vasto país. Alguns dos chefes ainda tornavam difíceis as coisas para os irmãos em suas localidades.
Um dos superintendentes de distrito europeus da África do Sul, Dennis McDonald, obteve uma audiência com o irmão do chefe supremo Seretsi Khama, para explicar nossa obra. Ele forneceu ao irmão McDonald quatro cópias assinadas de uma carta que declarava que não se devia obstruir nossa obra. Isto ajudou consideravelmente a mudar a atitude dos chefes, e tornou as coisas mais fáceis para os irmãos.
No início dos anos 60, a maioria das congregações e grupos isolados se situavam ao longo da ferrovia. Pouca coisa tinha sido feita no interior, exceto em Shakawe e Maun, no noroeste. O irmão B. Mchiswe, pioneiro especial, trabalhou por algum tempo em Maun. Ele se apegou à sua designação, embora os alimentos fossem escassos e, por um ano inteiro, não comesse outra coisa senão mingau de maizena, sem açúcar ou leite. Tal irmão fez bom uso da revista A Sentinela em tsvana, iniciou um itinerário e entregou cada revista que chegou. Um pregador da Missão de Londres, que apreciava a revista, até mesmo chegou a mostrá-la na igreja e exortar à sua assistência: “Se virem o homem da Torre de Vigia com esta revista, têm de obtê-la e lê-la.” Assim, alguns vieram à casa do pioneiro para obter seus exemplares, e ele iniciou estudos com eles.
No pequeno grupo isolado de Shakawe, ao noroeste de Maun, e bem dentro do Deserto de Kalahari, ninguém tinha sido batizado, porque não podiam comparecer a uma assembléia e a rainha ou chefe local tinha impedido que o superintendente de circuito visitasse o grupo. Assim, todos cooperaram e pagaram para que um dentre eles comparecesse à assembléia em Mahalapye, a mais de 1.100 quilômetros de distância, onde foi batizado.
OBRA DE CIRCUITO
Pode imaginar o que está envolvido em um superintendente de circuito visitar estes irmãos isolados? Significa viajar nada menos de 960 quilômetros na traseira dum caminhão com tração nas quatro rodas que possa abrir caminho pela areia, rodando dia e noite, sob o calor do dia e a friagem noturna. Às vezes, Adam Mahlangu, superintendente de circuito em 1964, passava até dez dias de seu mês de trabalho na traseira dum caminhão, de modo a poder visitar esses isolados.
O irmão Mahlangu, que relata quão selvagem e primitiva é a região norte, escreve: “Quando profiro um discurso lá em Shakawe, sempre imaginam que sou alguma espécie de chefe, só porque uso roupas.” O povo ali dificilmente usa qualquer roupa. Ele teve muita dificuldade em tentar dar prosseguimento a uma reunião pública bem organizada; primeiro tinha de fazer com que as pessoas se ajuntassem e então mantê-las quietas durante o discurso. Não estavam acostumadas a sentar-se e escutar a outra pessoa. Assim, quando o discurso começava, achava, que era boa oportunidade para comentarem com as pessoas próximas os pontos que estavam sendo esclarecidos. Mas, as visitas a esses isolados resultaram em duas pessoas dedicarem sua vida a Deus e um total de seis participarem na obra.
Em uma ocasião, durante severa seca de 1965 para 1966, a água era tão escassa que era impossível encontrar água para batizar os candidatos numa assembléia. Em outra ocasião, em Francistown, os irmãos também tiveram grande dificuldade. O irmão Piet Wentzel, superintendente de distrito nesse tempo, relata que o primeiro poço a que se dirigiram estava seco. Assim, ele levou os dois candidatos em seu carro por mais de trinta quilômetros até uma poça d’água no leito seco do rio, mas ela também estava seca. Outros oito quilômetros os levaram a uma poça lamacenta, de aparência bem escura devido ao gado que estava dentro dela. Mas, isso não impediu esses jovens. Era água, e foram batizados em símbolo de sua dedicação para fazer a vontade de Jeová.
A OBRA DE TESTEMUNHO PROGRIDE EM BOTSUANA
Quando a Bechuanalândia obteve sua independência, mudou seu nome para Botsuana. Esta mudança política não alterou muito as condições de vida das pessoas, embora tivesse efeito sobre a obra de pregação. O novo governo independente tornou-se mui estrito com os africanos que não eram cidadãos botsuanos, e vários pioneiros da África do Sul foram deportados.
Como é que se dá testemunho em Botsuana? O costume usual exige saudações iniciais em que uma pessoa indaga sobre a saúde da outra. Uma vez terminado isso, trazem-se bancos para que todos se sentem. O restante da família, além de quaisquer amigos visitantes, são chamados, bem amiúde seu número atingindo até vinte pessoas. A maioria das famílias têm seus próprios exemplares da Bíblia e estão dispostas a pegar suas próprias Bíblias e acompanhar a leitura dos textos.
Em Botsuana, é costume que os pais dum rapaz paguem um depósito de 4 libras, além dum cobertor e dum vestido para a moça com quem desejam que seu filho se case. Isto é feito quando ela só tem dez anos. Depois disso, os pais do rapaz continuam a sustentar a moça até que ela esteja pronta para o casamento. Isto é feito sem que a moça seja consultada. Quando uma jovem de 15 anos conheceu a verdade, ela informou a seus pais que não queria unir-se em jugo desigual com um descrente. Os pais tentaram obrigá-la, em vista do dinheiro já pago por ela, mas, quando ela teve êxito em convencê-los, pelas Escrituras, de que tal arranjo estava errado, permitiram que ela fizesse o que queria.
Devido às dificuldades de encontrar um local adequado para assembléias, e tendo sempre de gastar muito tempo em erguer estruturas temporárias, os irmãos foram incentivados a construir seu próprio Salão do Reino em Mahalapye. Eles fizeram isso. Os irmãos fabricaram e cozeram seus próprios tijolos. Levou vários anos para ficar pronto, e, daí, em 1967, seu Salão do Reino foi usado para uma assembléia.
Já ficou imaginando sobre os bosquímanos de Botsuana, e se qualquer desses caçadores de arco e flecha, cuja linguagem de cliques apenas agora está sendo escrita, tornar-se-ia parte da Sociedade da Nova Ordem? Bem, a verdade foi aceita por um homem local que vivia consensualmente com uma mulher bosquímana. Iniciou-se um estudo bíblico e logo ficaram sabendo que precisavam casar-se legalmente. Casar-se-ia tal homem com uma bosquímana? Sim, casou-se e ambos foram imersos numa assembléia de circuito. Dentro de um ano, aprenderam a ler e escrever e começaram a dar excelente testemunho a todos em sua comunidade, fazendo discípulos de ainda outros.
Em 1972, alguns irmãos europeus capazes e suas famílias na África do Sul, responderam a uma chamada de mudar-se para Botsuana para auxiliar os irmãos ali. Naturalmente, isso significava um pouco de sacrifício, alguns até mesmo deixando o serviço de pioneiro porque só poderiam entrar no país para uma longa permanência se tivessem um serviço secular ali. Mas, que excelente trabalho estes e alguns irmãos da Inglaterra fizeram para edificar os irmãos ali! Alguns deles se mudaram até mesmo para partes remotas do país. Sua presença foi e ainda é muito apreciada pelos irmãos, e a obra progrediu.
LEVANTADAS QUESTÕES DA LEGALIDADE, DEPOIS RESOLVIDAS
Daí, ocorreu um choque. A recusa por parte do governo em registrar as Testemunhas de Jeová como organização aceitável em termos duma lei recentemente publicada levou a que a organização fosse declarada ilegal em 20 de julho de 1973. Ser um simples membro de tal organização “ilegal” resultava numa pena de até sete anos de prisão.
Os irmãos, porém, estavam determinados a prosseguir sob tais condições alteradas. Quando se tornou evidente a possibilidade da proscrição, os irmãos na filial realizaram um reunião com os que eram encarregados da obra, para oferecer-lhes conselhos e encorajamento. Pouco antes de a proscrição entrar em vigor, pela benignidade imerecida de Jeová, realizaram-se duas assembléias de circuito em Botsuana, dando excelente encorajamento e orientação a todos os irmãos.
Iniciaram-se de imediato processos legais para recorrer da decisão do governo, à base da Constituição de Botsuana. Que alegria foi quando, em 20 de fevereiro de 1974, o governo revogou sua decisão e registrou as Testemunhas de Jeová como organização legal! Isto não fez apenas com que os irmãos voltassem à sua situação antes da proscrição. Agora estavam em condições de utilizar os privilégios concedidos às organizações registradas, inclusive trazer pregadores de tempo integral dos países vizinhos.
Em março de 1975, regozijarem-se com novo auge de 284 publicadores. Isto significava que havia uma proporção de 2.220 pessoas para cada publicador. Na verdade, vasta obra precisa ainda ser feita em Botsuana, mas pela benignidade imerecida de Jeová, confiamos que será feita.
A ATIVIDADE CRISTÃ PROGRIDE NA SUAZILÂNDIA
Em 1960, a obra do Reino na Suazilândia prosperava, com a média de 380 publicadores. A proporção entre publicadores e habitantes já era a melhor de todos os países sob a filial de Elandsfontein. A proscrição das publicações da Sociedade tinha sido revogada e estava montado o palco para maior crescimento.
Um campo em que ocorrera pequeno crescimento até a década de 1960 era a população européia. Por volta desse tempo, alguns publicadores europeus mudaram-se para Bremersdorp (agora chamada Manzini). Entre eles achava-se Ian Cameron, escocês, que tinha servido no Betel de Elandsfontein até seu casamento com uma jovem sul-africana. Visto que não podia conseguir sua permanência na União Sul-Africana, decidiu fixar-se na Suazilândia, de modo a levar a mensagem do reino estabelecido de Deus à população européia ali. O pequeno grupo de publicadores em Manzini determinou trabalhar o inteiro território da Suazilândia, uma área de 17.300 quilômetros quadrados. Isto envolvia muitas viagens de bem mais de 160 quilômetros para fazer uma revisita ou dirigir um estudo bíblico.
A mensagem logo começou a obter acolhida. Vic Dunkin e sua esposa, Aileen, foram designados pela Sociedade como pioneiros especiais na Suazilândia. As estradas ásperas de cascalhos através da pradaria, as estradas lamacentas e escorregadias através da floresta de Usuthu, a estrada tortuosa de Goedgegum e a íngreme estrada montanhosa para Havelock todas danificavam seu carro e colhiam seu tributo dele. O irmão e a irmã Dunkin, contudo, persistiram e logo foram recompensados com os frutos de seus labores. Formou-se uma congregação de língua inglesa. A maioria de seus membros eram pessoas que haviam aprendido a verdade, ou pelo menos fizeram a dedicação a Jeová, enquanto estavam na Suazilândia. Embora de língua inglesa, a congregação era realmente cosmopolita e seus publicadores representavam várias partes do Império Britânico.
Esta mesma atmosfera cosmopolita é evidente nas ruas de Mbabane, onde os suazis em suas vestes nacionais passam por locais em que há hippies e membros do Corpo da Paz estadunidense, com roupas estranhas, à medida que estes últimos olham as vitrinas das lojas. Dentro da loja, um comerciante português talvez sirva a um funcionário público africano muito bem vestido. A situação não raro exige que os publicadores levem publicações em várias línguas.
Em certa ocasião, um superintendente de circuito e sua esposa vieram a uma comunidade ferroviária portuguesa, e embora não se pudessem fazer entender, esforçaram-se em partilhar a mensagem do Reino. Puderam oferecer revistas na língua dessas pessoas. Na segunda porta, uma jovem atuou como intérprete, de modo que sua mãe pudesse entender o que os visitantes faziam. Depois de ouvir cuidadosamente, a mãe ficou com um livro. Antes de partirem, a jovem disse: “Eu vou com os senhores, e vou falar pelos senhores.” Ela fez exatamente isso. Nas cinco casas seguintes, explicou a mensagem, interpretando para o superintendente de circuito e sua esposa. No fim de cada apresentação, ela se voltava para os publicadores, dizendo: “Ela quer um”, significando que a moradora queria ficar com um livro. Naquela manhã foram colocados seis livros encadernados, graças à ajuda desta mocinha!
DEMONSTRADA A NEUTRALIDADE CRISTÃ
Em harmonia com o movimento mundial de descolonização a Suazilândia também se preparava para a independência, e o povo se tornava mais nacionalista. Quando chegou a época das eleições, em um posto eleitoral, o chefe anunciou: “Antes que todos nós votemos, há certas pessoas, Sadraques, Mesaques, Abednegos, que se recusam a votar na comunidade. Que apareçam um por um se ainda se recusam a votar.” Os publicadores isolados da comunidade se apresentaram corajosamente. Isto moveu uma pessoa interessada a tomar também sua posição junto com as Testemunhas. Visto que votar não era obrigatório, não se podia tomar nenhuma medida contra esses cristãos neutros.
Pouco antes das celebrações da independência, em setembro de 1967, o povo de Jeová deu excelente demonstração de união entre os diferentes grupos étnicos. A congregação de língua inglesa (européia) da Suazilândia pertence ao circuito oriental do Transvaal e, assim, foi feito o arranjo para que todo o circuito tivesse uma assembléia na Suazilândia, convidando-se os irmãos africanos a estar presentes. O salão era pequeno demais, mas isto forneceu a oportunidade de se mostrar real amor fraternal. Quando se notou que muitos europeus, mas não muitos irmãos africanos, estavam no salão, transmitiu-se a informação de abrir lugar para os irmãos africanos. O que aconteceu? Mais tarde, o superintendente de circuito africano mostrou-se preocupado de que muitos irmãos africanos estavam lá dentro, enquanto os europeus estavam em pé do lado de fora. O discurso público em inglês e zulu atraiu uma assistência de 652 pessoas.
Depois que o país conseguiu a independência, muitos do povo de Jeová se viram obrigados a mostrar sua posição na questão da neutralidade. Um dos chefes distritais convocou um pioneiro para um comício político. Quando o irmão não compareceu, foi intimado a apresentar-se ao chefe para justificar sua ausência. Ele explicou sua posição como cristão neutro. O chefe ameaçou deportá-lo, mas disse que primeiro encaminharia o assunto ao Rei Sobhuza II, a quem planejava visitar. O Rei Sobhuza II aconselhou o chefe a deixar as Testemunhas de Jeová em paz, porque não pertenciam a nenhum partido político e eram pessoas pacíficas e neutras.
O espírito nacionalista suscitou o reavivamento de muitos costumes tribais, tais como a lei de umcwasho. Esta lei tribal exigia que as moças usassem o umcwasho durante um período de dois anos, que findou em agosto de 1971. O umcwasho é uma forma de adorno usado no pescoço e tem sentido simbólico. A moça noiva usava uma combinação de vermelho e negro, e todas as outras jovens não casadas usavam azul e amarelo. Nesse período, todas as moças deveriam refrear-se de relações sexuais, exceto as já noivas, a quem se permitia que tivessem relações com seus amantes, sob o pagamento de R 1,00 ao chefe local. A instituição deste arranjo visava honrar a Princesa Sidanda local. Visto ser uma forma de adoração de criaturas e que consentia na fornicação por certo preço, as Testemunhas de Jeová se recusaram a observar o período de umcwasho e usar o umcwasho no pescoço. Embora fosse apenas uma lei tribal e não pudesse ser imposta pela lei do país, a posição firme de nossas irmãs jovens trouxe dificuldades para algumas delas. Em certo caso, uma jovem, cujos pais não estavam na verdade, passou dez dias presa por não usar o umcwasho. Mas, o diretor da escola que ela freqüentava teve êxito em exigir sua soltura.
Os filhos das Testemunhas de Jeová têm sido ajudados, pelo treinamento parental correto, a compreender a importância da adoração pura e imaculada diante de Jeová. (Tia. 1:27) Muitos tinham participado em entoar hinos e fazer orações na escola até que discerniram que isto era uma forma de adoração falsa. Crescente número então se refreou de participar em quaisquer cerimônias religiosas. Isto resultou em muitos serem severamente surrados, e grande número foi expulso das escolas. Quando isso aconteceu, os irmãos começaram a ensinar seus filhos em particular ou mandá-los a outras escolas.
BÊNÇÃOS ABUNDANTES NO MEIO DE DIFICULDADES
O livro Verdade em zulu é outro instrumento que se tem provado uma bênção para os irmãos na Suazilândia. Muitos afirmam que os ajudou a compreender a verdade mais claramente do que nunca antes. Por certo, este livro ajuda as pessoas sinceras a aprender a verdade da Bíblia e a trilhar a vereda da vida eterna.
Em 1972, os irmãos aqui realizaram sua última assembléia de distrito até à data. Depois disso, a Constituição foi abolida e tornou-se necessária a permissão policial para quaisquer grandes reuniões. Até agora, a polícia se recusa inexoravelmente a dar tal permissão aos irmãos, muito embora fossem registrados como organização religiosa na Suazilândia em outubro de 1974. Também tem havido dificuldades para a realização de assembléias de circuito. A única forma de estas serem realizadas é por dividi-las em reuniões menores, nos locais regulares de reunião usados pelas diversas congregações.
A obra com tratados teve entusiástica acolhida e novo auge de 750 publicadores foi alcançado em fevereiro de 1974, quando se distribuiu o primeiro tratado. Nossos irmãos e irmãs são muito zelosos, alcançando a média de perto de 14 horas por publicador cada mês no ano de serviço de 1974. Com efeito, há agora bem poucos lugares na Suazilândia em que não foi dado um testemunho cabal.
Como em outros países, a proclamação do Reino irritou o clero da cristandade ao ponto em que fez tentativas de proscrever nossa obra. Em 2 de abril de 1975, o clero apresentou acusações contra as Testemunhas de Jeová perante o Rei Sobhuza II, afirmando que não pranteiam quando alguém morre, mas tratam os mortos de forma desrespeitosa. Nessa ocasião, apenas alguns dos nossos irmãos estavam presentes. Por isso, o rei fez arranjos para que outra reunião fosse realizada em 3 de maio de 1975, de modo que mais pessoas pudessem estar presentes e o assunto pudesse ser considerado com mais pormenores. A reunião foi realizada em Lozitha, em lugar aberto, e todos os que compareceram sentaram-se no chão, sob algumas árvores. O próprio rei não estava presente à reunião, mas o Ministro da Agricultura servia de presidente. Qualquer pessoa desejosa de falar podia levantar a mão e, se chamada pelo presidente, podia dirigir-se ao microfone e falar.
De início, quando um de nossos irmãos tentou apresentar a verdade sobre como as Testemunhas de Jeová se sentem quando alguém morre, foi continuamente interrompido. Todavia, no decorrer do dia, alguns de nossos outros irmãos puderam falar. Os irmãos e as irmãs compareceram em grandes números. Com efeito, as Testemunhas ultrapassavam grandemente em número o restante da multidão. Fizeram-se falsas acusações, afirmando que chutamos o cadáver quando uma pessoa morre e jogamos o caixão no túmulo, dizendo que a pessoa foi derrotada pelo Diabo. Foi difícil conseguir a oportunidade de refutar essas acusações falsas, visto que o presidente só chamava quem ele desejava que falasse. Esta reunião durou de cerca das dez da manhã até às dezoito horas. Perto do fim do dia, visto que os oponentes compreenderam que não conseguiriam condenar as Testemunhas na questão do pranto pelos mortos, apresentaram outros assuntos, tais como sua recusa em saudar a bandeira, ou cantar o hino nacional, e prestar serviço militar. Nessa hora, o sol já se punha, de modo que o presidente disse que esses outros assuntos seriam considerados em outra ocasião.
Alguns parlamentares, e especialmente os clérigos, estavam determinados a impedir a obra das Testemunhas de Jeová por toda a Suazilândia. Deixamos o assunto entregue às mãos de Jeová, sabendo que Jeová se certificará de que sua vontade seja plenamente realizada.
MELHORAMENTOS ORGANIZACIONAIS NA ÁFRICA DO SUL
A Escola do Ministério do Reino para superintendentes congregacionais teve início, na África do Sul, durante a segunda metade de 1961, e exerceu pronunciado efeito sobre os irmãos e a obra do Reino. Os quatro instrutores viajaram pelo país, e os Salões do Reino foram transformados em salas de aula. Isto era necessário, não só devido às grandes distâncias envolvidas, mas também devido à diretriz do governo de controle da movimentação das pessoas, que restringe os africanos de certa área de irem para outra área por qualquer período de tempo. Todos que cursaram essas classes expressaram grande apreço por essa provisão amorosa de Jeová mediante Sua organização.
Em maio de 1961, a União Sul-Africana tornou-se república. Dali em diante, o espírito nacionalista se manifestou aqui, também, mais do que nunca. De início, não interferiu com os que praticam a adoração verdadeira, porém, mais tarde, trouxe verdadeira prova para aqueles que são leais ao reino de Jeová, como veremos mais tarde nesse relato.
As Testemunhas de Jeová tiveram maravilhosa oportunidade de mostrar sua união e neutralidade cristã durante sua Assembléia Nacional “Adoradores Unidos”, realizada para os três principais grupos raciais em outubro/novembro de 1961. O dia inicial da assembléia européia aqui coincidiu com o dia das eleições gerais. Um panfleto sobre a assembléia (Que Governo Trará União?) foi impresso na gráfica de Elandsfontein, e este foi distribuído aos milhares. Com que resultado? Nossa maior assistência no discurso público até à data! Nas três assembléias, o total de assistência foi de 22.551 pessoas! Quão diferente era a associação pacífica, em união, entre os vários grupos raciais no local da assembléia, da ruidosa divisão política que existia lá fora!
Com o tempo, vários ajustes foram feitos em Elandsfontein. Por exemplo, irmãos africanos foram chamados para Betel para servirem como tradutores e estenógrafos. Os estenógrafos africanos traduziam cartas ao datilografá-las, quer para o zulu, o xosa ou o sesoto. Assim, os irmãos recebiam conselhos específicos a respeito de suas necessidades e problemas. A maioria dos outros tradutores do vernáculo foram trazidos também para Betel! Quando os visitantes percorriam então o Betel, viam irmãs européias servindo como arrumadeiras e irmãos europeus como trabalhadores na limpeza e na lavanderia — atividades consideradas na África do Sul como trabalho dos “nativos” — e irmãos africanos sentados atrás de máquinas de escrever!
ESFORÇOS MISSIONÁRIOS NA ÁFRICA DO SUDOESTE
No ínterim, o que acontecia na África do Sudoeste? Três missionários começaram a trabalhar ali em 1950. Partindo de Windhoek, gradualmente foram para outras partes do território. Em 1951, dois deles se mudaram para o norte e ficaram muito contentes de encontrar duas “ovelhas perdidas” em Tsumeb, povoado de mineração de cobre. Estas haviam estado em contato com a organização e logo foram ajudadas a ter parte ativa no serviço de campo. A uns 65 quilômetros ao sul, em Grootfontein, encontraram o irmão e a irmã Bogusch, que tinham estado em contato com a verdade na Alemanha. Tendo estabelecido de novo o contato com a organização, começaram a participar de novo no serviço. Encontraram-se dois outros publicadores em Otjiwarongo. Estes se haviam mudado da União Sul-Africana. Daí, encontraram certo pai e filha que tinham sido assinantes de A Sentinela durante muitos anos. Ambos progrediram mui rápido ao ponto de dedicação.
Que alegria os três missionários devem ter sentido quando, no fim de 1952, o número de publicadores no país pulara para 29! É verdade que muitos deles se mudaram, mas a obra nesses anos não foi em vão. Como um dos missionários posteriores expressou-se: “Muitas sementes da verdade foram semeadas aqui. Ao comparecermos a assembléias nacionais na República [da África do Sul], recebemos as saudações de Testemunhas que começaram a estudar em Windhoek.”
Em 1953, cinco outros missionários foram alegremente recebidos pelos três que já estavam ali. Tais missionários se fixaram em Windhoek, dando aos outros três irmãos a oportunidade de aceitar designações mais para o norte e para o sul. Em questão de semanas, cada um dos novos missionários já tinha de oito a dez estudos bíblicos, e dali em diante a obra simplesmente floresceu.
Mas, um problema continuou a aflorar — como alcançar eficazmente com as boas novas a população africana. George Koett, um dos primeiros missionários, fizera algum trabalho entre os africanos no bairro africano de Windhoek, mas as autoridades cederam à pressão clerical e cancelaram sua permissão de entrar nesse bairro. Esforços de obter pioneiros africanos da África do Sul enfrentaram a recusa das autoridades. Em 1959, o superintendente de distrito fez uma petição ao Administrador Nativo para obter permissão de entrar nesse bairro, mas ele a rejeitou friamente. Mais tarde, na semana, contudo, ele entrou em férias, e o irmão se dirigiu ao secretário municipal pedindo permissão para entrar no bairro. Esta foi concedida e o filme “A Felicidade da Sociedade do Novo Mundo” foi exibido para 216 africanos apreciativos.
Desde 1953, Dick Waldron repetidas vezes tentou conseguir uma permissão para entrar no bairro africano, mas em vão. Daí, Dick e Coralie Waldron compreenderam que iriam tornar-se pais. Teriam eles de deixar sua designação? Não, decidiram ficar. Mais tarde, chegaram notícias de que a mãe de Coralie, na Austrália, ficara muito doente. Então os Waldron resolveram deixar Windhoek, na África do Sudoeste, e voltar à Austrália. Mas, na semana de sua partida, chegaram notícias de que se tinha concedido permissão para que trabalhassem entre os africanos e os mestiços! Que iriam fazer agora? Devolver a permissão, depois de terem esperado sete anos para consegui-la? O irmão Waldron cancelou sua passagem de navio, e sua esposa e filha foram sozinhas para a Austrália. Passaram quatro meses ali e então voltaram. No ínterim, Dick Waldron conseguiu gastar muito tempo testemunhando aos africanos e mestiços, com resultados gratificantes. Em sua primeira assembléia de circuito para os africanos e mestiços tiveram uma assistência de 100 pessoas no discurso público.
ALCANÇANDO A POPULAÇÃO AFRICANA
A fim de alcançar todos os africanos, era essencial fazer-se com que algumas publicações fossem traduzidas e impressas em seus idiomas. Mas, até então não havia irmãos africanos instruídos para empreender essa tarefa. Algum tempo antes, sob a direção dos primeiros missionários, alguns folhetos foram traduzidos para o nama, o kwanyama e o hereró por tradutores mundanos. Embora fossem impressos e distribuídos, não tiveram êxito, visto que as traduções eram vagas e imprecisas demais. Embora as pessoas mundanas tivessem de ser usadas de novo, teria de haver uma supervisão muito mais de perto.
Dick Waldron afirma sobre os esforços de conseguir traduções exatas: “Usando principalmente professores que estudavam conosco e que tinham um pouco de conhecimento da verdade, eu tive de sentar-me junto com eles e trabalhar com eles para certificar-me de que cada sentença fosse verdadeira. A língua nama possui vocabulário limitado. Por exemplo, eu tentava conseguir frisar o ponto: ‘No início, Adão era homem perfeito.’ O tradutor coçava a cabeça e dizia que não havia nenhuma palavra na língua nama correspondente a ‘perfeito’. ‘Consegui’, disse ele: ‘No início Adão era como um pêssego maduro.’” Apesar dos problemas, contudo, o tratado Vida no Novo Mundo foi finalmente traduzido para o hereró, o nama, o ndonga e o kwanyama.
O irmão Erwin Schneid, sua esposa Gertrud, e sua filha Karin tinham-se mudado da Alemanha para o povoado costeiro de Swakopmund, em 1956. Seus parentes ficaram apreensivos quanto a essa mudança, e eles não estavam muito certos do que esperar. Que pessoas estranhas iriam encontrar? Que linguagem de sons estranhos teriam de aprender? Que perigos jaziam à frente naquele continente “negro”? Desembarcaram na Baía de Walvis e encontraram gente branca que falava dentre todas as línguas, o alemão! Com efeito, sua nova cidade, Swakopmund, provou ser como uma cidadezinha da Alemanha, no estilo das suas construções, seus hábitos e na língua predominante. Mais tarde, outros membros de sua família também chegaram, outros interessados foram ajudados a aceitar a verdade e foi possível então formar uma congregação.
Irmãos mestiços da Província do Cabo começaram a mudar-se para o território, em relação à indústria pesqueira, e muito contribuíram para disseminar as boas novas entre os africanos, em especial na Baía de Walvis. Grande número destes africanos vieram de suas terras natais, tais como a Ovambolândia ao norte, para ficarem apenas um ou dois anos, com um contrato de trabalho. Daí, tinham de voltar. Assim, muitos deles obtiveram algumas publicações da Sociedade e então as levaram para a Ovambolândia. Um dos ovambos, Philemon Kalongela, aceitou plenamente a verdade na Baía de Walvis e pôde voltar à Ovambolândia para pregar. Realmente trabalhou ali como pioneiro especial por algum tempo.
O PRIMEIRO HOTENTOTE A ACEITAR A VERDADE
Ella Crighton foi a primeira pessoa mestiça na África do Sudoeste a aceitar a verdade. Ela também sabia falar fluentemente a língua nama (hotentote). Era certamente apropriado então, que ela tivesse sido quem ajudou o primeiro hotentote a aceitar a verdade.
Poucas pessoas podem jactar-se de uma vida tão variada como a do querido e idoso irmão hotentote, “Oupa” (Vovô) Jod. Capturado pelos alemães durante as guerras dos hotentotes, quando era um rapaz jovem, trabalhou e viveu a maior parte de sua vida em Windhoek. Incidentalmente, essas guerras terminaram por volta de 1890. Embora tivesse muito pouca instrução, “Oupa” sabe ler, escrever e fala, não só a sua língua, nama mas também o alemão e o africâner. Quando a irmã Ella Crighton iniciou um estudo bíblico com ele, “Oupa” Jod deve ter tido uns setenta e poucos anos. Era uma coluna da igreja, e sua saída de Babilônia, a Grande, causou um transtorno nada pequeno. Ministros de diferentes partes do país se reuniram na casa dele para persuadi-lo a voltar à sua antiga religião, mas nada conseguia demovê-lo. Ajudado por Ella Crighton, conseguiu resistir a todas as tentativas deles. Os parentes choraram e suplicaram, mas isso de nada adiantou. “Oupa” Jod encontrara a verdade.
ACONTECIMENTOS RECENTES
Jeová está acelerando sua obra neste país de tão ampla variedade de grupos raciais e nacionais. No fim de 1973, abriu o caminho para que fosse dado testemunho aos basters, na área de Rehoboth. Até esse ano, nenhuma Testemunha de Jeová obtivera permissão para entrar na área com o fito de pregar a mensagem do Reino. Na parte norte do território onde há uma “reserva” de aproximadamente meio milhão de africanos, a obra começa a conseguir uma pequena base. Quatro grupos de publicadores trabalham agora na Ovambolândia e um pioneiro especial que mora bem no outro lado da fronteira serve a eles regularmente como superintendente de circuito temporário. Embora as Testemunhas de Jeová aproveitem toda oportunidade para levar as boas novas às pessoas nesta “reserva”, esperam e oram para que a porta seja completamente aberta para que se enviem trabalhadores de tempo integral para aquela área relativamente grande.
De apenas uma voz solitária que declarava a verdade na África do Sudoeste, em 1947, ocorreu linda expansão. Aquela voz solitária se expandiu agora para um auge de 322 proclamadores do Reino em março de 1975. Se for da vontade de Jeová também abrir mais plenamente os territórios ao norte, então podemos esperar plena colheita também nessa parte do campo.
OS FIÉIS USUFRUEM PRIVILÉGIOS
Na África do Sul, também, há exemplos maravilhosos de publicadores idosos como “Oupa” Jod, da África do Sudoeste e alguns deles estão bem nas fileiras dos pioneiros. Têm usufruído muitos privilégios no serviço de Jeová. Uma destas fiéis pessoas idosas, Annie Moseleba, irmã africana, era a mais antiga pioneira especial. Em 1966, ela faleceu, com 91 anos, depois de dezoito anos de serviço de pioneiro. Devido à sua idade avançada, era altamente respeitada pelas pessoas em sua comunidade e tinha excelente êxito onde outros publicadores falhavam. Ela ajudou a dezenas de pessoas a entrar na verdade, durante sua carreira de pioneira. Em apenas um ano ela ajudou oito pessoas a tomar posição firme pela verdade e dirigiu treze estudos bíblicos domiciliares.
Outro exemplo fiel na África do Sul tem sido o do irmão George Phillips. De 1927 em diante, ele serviu como superintendente da filial, e os irmãos vieram a amá-lo e respeitá-lo profundamente por sua devoção a Jeová e pelo exemplo que ele dava. Ele provou ser real lutador pela verdade, irmão com apego ao trabalho e que sempre apoiava realmente a organização de Jeová. Ele dirigiu a obra durante aquele período inicial e a difícil década de 1940. Viu a organização crescer dum punhado de publicadores para mais de 20.000 em 1966. Muito embora achasse necessário deixar Betel em fins de julho de 1966, o coração do irmão Phillips ainda estava no serviço de tempo integral, e, depois de curto período, serviu como pioneiro em Strand, próximo da Cidade do Cabo.
Havia um irmão muito capaz disponível para assumir a filial das mãos do irmão Phillips, a saber, Harry Arnott, antigo superintendente da filial em Zâmbia, que, junto com sua esposa, fora deportado daquele país no ano anterior. Era bem conhecido dos irmãos na África do Sul, tendo servido a esse país por muitos anos como superintendente de zona. O irmão Arnott contava com a plena confiança dos irmãos e durante dois anos, serviu como superintendente da filial, até que ele também teve de deixar este privilégio de serviço devido à chegada de seu primogênito.
De junho de 1968 em diante, o irmão Frans Muller tem servido como superintendente (agora coordenador) da filial. Desde 1960, ele era o ajudante do superintendente da filial e trabalhava na mesa de serviço. O irmão Muller servira ao país todo, quer como superintendente de circuito quer de distrito, antes de ele e sua esposa serem chamados para Betel em 1959.
Estas rápidas mudanças de um superintendente da filial para outro não tiveram efeitos adversos sobre a obra. Tudo continuou a correr suavemente. Simplesmente provou a todos os irmãos, mais uma vez, que a obra de Jeová não depende de ninguém, e que Jeová pode usar qualquer pessoa que esteja disposta a ser usada por ele.
LIVRO “VERDADE” AJUDA OS SEMELHANTES A OVELHAS
Nas assembléias de distrito de 1968, foi lançado o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, e introduziu-se o método de estudos bíblicos por seis meses. Começaram então a acontecer coisas!
As colocações na República da África do Sul aumentaram vertiginosamente. Cresceram as revisitas e os estudos bíblicos. Quando o livro Verdade tornou-se disponível, o departamento de expedição da filial experimentou algo nunca sentido antes. No período de 1960-1967, cada ano eram despachados em média aproximadamente 90.000 livros. Mas, em 1968, despacharam-se mais de 125.000. Daí, surgiu o livro Verdade em Africâner, em 1969, e, no fim daquele ano, foi lançado em zulu, xosa e sepedi. Durante o ano de serviço de 1970, a filial despachou mais de 447.000 livros!
Quando o livro Verdade tornou-se disponível em muitos idiomas do vernáculo, fez-se esforço especial de alcançar tantos fazendeiros quantos possível em grandes faixas de terra do país. A maioria destas fazendas distam muitos quilômetros umas das outras e só podem ser alcançadas de carro. No escritório da filial da Sociedade, estes territórios rurais foram mapeados e incentivou-se as congregações a solicitar território rural. A acolhida foi boa. Algumas congregações aceitaram território a mais de 320 quilômetros de distância de suas casas. Cobriram-se milhares de quilômetros a fim de alcançar estes fazendeiros com as boas novas do Reino. Um grupo dum carro cobriu cerca de 500 quilômetros quadrados, visitando 100 fazendas e colocando 90 livros Verdade. Muitas pessoas famintas pela verdade foram encontradas e ajudadas por meio de cartas ou por revisitas feitas por esses irmãos.
O CAMPO PORTUGUÊS DA ÁFRICA DO SUL
Na história de Angola, mencionamos que Henrique Vieira visitou Luanda em caminho para a África do Sul. Fixou-se em Joanesburgo, e serviu em uma das congregações ali. O irmão Vieira, porém, não era o único imigrante de Portugal. Devido à prosperidade e às excelentes oportunidades de emprego apresentadas pela África do Sul, milhares de portugueses, gregos e pessoas de outras nacionalidades se mudaram da Europa para lá. Calcula-se que há cerca de 80.000 portugueses que vivem no Filão.
Em 1965, o irmão Vieira e esposa já haviam começado a encontrar bom interesse entre tais imigrantes portugueses. Bem poucos deles aprenderam inglês, de modo que se achava que havia necessidade de algumas Testemunhas que falassem português para ajudar tais pessoas a receber a mensagem do Reino. Em janeiro de 1966, um grupo de onze publicadores portugueses foi formado em Joanesburgo. Os portugueses, em Joanesburgo, não se localizam todos juntos em um só lugar, de modo que os publicadores não raro gastavam uma manhã inteira tentando localizar e dar testemunho a uma ou duas famílias, e, em alguns domingos, não encontravam nenhuma. Apesar disto, o grupinho cresceu mui rapidamente e já no fim de 1967 foi formada uma congregação de cerca de 50 publicadores.
Houve contínuo crescimento no campo português, depois disso, não só em Joanesburgo e redondezas, mas em outras partes. Em outras cidades da África do Sul também há imigrantes portugueses. Assim, não demorou muito até que havia grupos de irmãos portugueses em Durban, Port Elizabeth, Cidade do Cabo e Bloemfontein.
De tempos a tempos, estes irmãos portugueses voltam para casa para visitar seu país e sempre o fazem com o objetivo principal de dar testemunho aos familiares e aos amigos nas cidades e aldeias católicas de Portugal. Por exemplo, quando um novo irmão e sua esposa voltaram a Portugal de férias ficaram imaginando como poderiam começar a testemunhar à sua família. Para sua grande surpresa e deleite, um dos membros da família começou a testemunhar a eles! Pode-se imaginar que reunião feliz da família foi essa!
CAMPO GREGO DA ÁFRICA DO SUL
No início de 1969, foi formada pequena congregação grega em Joanesburgo, para cuidar dos interessados entre a comunidade grega de cerca de 30.000 pessoas no Filão. Naquele tempo, só havia 24 irmãos gregos que relatavam serviço de campo. Mas, depois de apenas dezesseis meses, esta congregação já aumentara para 62 publicadores, inclusive cinco pioneiros regulares, e, cada mês, de três a quatro pioneiros temporários. Eis aqui outro início esplêndido, num importante campo de serviço.
A população grega se acha espalhada por todo o Witwatersrand, por uma faixa de mais de 96 quilômetros. Assim, por meio do catálogo telefônico e com a ajuda das congregações de língua inglesa e africâner, a congregação grega começou a compilar um “território de endereços” de todos os gregos. Não muito depois da formação da congregação grega em Joanesburgo, pequenos grupos de gregos foram iniciados em outros lugares, até mesmo tão longe quanto Durban. Tais pessoas, que têm estado sob pesado jugo da escravidão religiosa à Igreja Ortodoxa Grega, reconhecem rapidamente a verdade e não se demoram em fazer uma decisão. Quase desde que se inicia um estudo bíblico com elas, começam a freqüentar as reuniões e testemunhar a seus amigos e parentes.
ASSEMBLÉIAS DE ASPECTOS INTERNACIONAIS
Com a presença de todos esses estrangeiros, as assembléias na África do Sul assumem verdadeiro sabor internacional. Nas assembléias de distrito e nacionais, há tribunas especiais para estes irmãos, onde se apresenta o programa para eles em seu próprio idioma.
Por falar em “assembléia internacional” — as Assembléias Internacionais “Paz na Terra”, em 1969, ultrapassaram a todas as anteriores na história teocrática da África do Sul. Primeiro havia a expectativa. Daí, houve sua materialização, quando mais de 500 irmãos da África do Sul assistiram à assembléia de Londres e um bom número foram às assembléias em outras partes da Europa, inclusive ao gigantesco congresso de Nurembergue.
Para alguns, esta não era sua primeira assembléia internacional. Mas, para a maioria dos congressistas, a Assembléia “Paz na Terra” de 1969 em Londres significou a maior emoção de sua vida. Entre estes achavam-se os primeiros irmãos africanos daqui que já assistiram a uma assembléia internacional. Dez deles eram trabalhadores de tempo integral que foram enviados pela Sociedade, por meio do fundo de viagem dos congressos. Ficaram completamente comovidos com essa experiência. Para muitos, era a primeira vez que tinham visto de perto um avião, para não se falar em viajar num. Todavia, a novidade da viagem aérea não foi a coisa que mais os impressionou. Naturalmente, o alimento espiritual obtido na assembléia foi muitíssimo impressionante e proveitoso. Estes irmãos africanos, porém, ficaram profundamente emocionados com o amor e a hospitalidade que receberam de seus irmãos brancos no avião, e a experiência de se hospedarem com irmãos brancos em suas casas na Inglaterra, algo de que se vêm privados pela lei no país da África do Sul. Nicolson Makhetha, de Lesoto, disse, quando lhe perguntaram o que mais o tinha impressionado, além do programa da assembléia: “Estar com os irmãos europeus em sua casa e ver como aplicam os conselhos sobre a vida familiar recebidos da organização.”
Esta experiência provou aos irmãos africanos que as Testemunhas de Jeová são deveras as mesmas em todo o mundo e eles voltaram com muita coisa a contar aos outros irmãos africanos. Quão gratos ficaram pela generosidade de seus concristãos, que tornaram possível que eles tivessem tal experiência!
Os congressistas das Assembléias Internacionais “Paz na Terra” apreciaram tanto o alimento espiritual que aguardaram usufruir de novo o mesmo programa nas Assembléias Nacionais “Paz na Terra” da África do Sul, de 31 de dezembro de 1969 a 4 de janeiro de 1970. E que assistências enormes! A assistência total das três reuniões públicas foi de 45.821 pessoas, sendo 1.294 batizadas.
EXCELENTE PROGRESSO EM STA. HELENA
Na assembléia internacional de Londres, em julho de 1969, alguns dos irmãos da África do Sul se encontraram com George Scipio e sua filha, de Sta. Helena. O irmão Scipio lhe pôde contar que testemunhar às mesmas pessoas, ano após ano, numa pequena ilha como Sta. Helena é verdadeira prova de fé e perseverança. Todavia, com o passar dos anos houve maravilhoso progresso.
O território tem sido tão bem trabalhado, e nossas publicações tão bem distribuídas, que, quando se pede a um morador que apanhe sua Bíblia, não é incomum que traga um exemplar da Tradução do Novo Mundo. Com a chegada do livro Verdade, a média de estudos bíblicos subiu para 1,2 por publicador, em 1969. Um bom número de pessoas que já conheciam a verdade por algum tempo foram ajudadas a tomar uma posição definida. Este livro também ajudou a reavivar publicadores inativos.
À medida que suas fileiras aumentavam, o coro de proclamadores do Reino se fez ouvir cada vez mais alto em Sta. Helena. Um auge de 99 publicadores foi alcançado no ano de serviço de 1975. O território ficou agora reduzido ao ponto em que todo publicador tem, em média, um território composto de 51 pessoas. E ainda se encontra bom interesse.
ILHÉUS DE ASCENSÃO OUVEM AS BOAS NOVAS
A primeira vez em que se recebeu um relatório desta ilha situada a cerca de 1.120 quilômetros a noroeste de Sta. Helena foi em 1965. Era da irmã B. Taylor, cujo marido trabalhava para a Companhia Telegráfica e Radiotelegráfica e que fora enviado para lá por essa firma. Naquela época, a população desta ilha de aproximadamente 88 quilômetros quadrados era de pouco mais de 300 pessoas. Era verdadeiro desafio para esta irmã trabalhar ali sozinha. Mas, ela o aceitou e fazia em média 23 horas e dirigia três estudos bíblicos cada mês.
Em 1968, a população da ilha já tinha aumentado para 2.000. Naquele ano, a irmã Taylor voltou em visita à Inglaterra. Assim, George Scipio, de Sta. Helena, foi para lá, cuidar dos interessados. Seu comentário é: “As pessoas desta ilha são como ovelhas sem pastor.” O interesse que encontrou motivou o irmão Scipio a mudar-se, com toda a família, para a Ilha de Ascensão. Isto deu grande impulso à obra.
Em certo caso, um estudo bíblico domiciliar tinha de ser dirigido às 22 horas porque o senhor trabalhava em turno até depois das 21 horas, em algumas semanas. Visto ser muito quente, costumavam fazer seu estudo na varanda, céu aberto, onde os vizinhos podiam vê-los. Isto resultou em zombaria por parte dos vizinhos. À medida que o senhor progredia e compreendia que estava aprendendo a verdade comentou: “Agora vejo por que mais pessoas não são Testemunhas de Jeová, porque têm medo do que os vizinhos possam dizer e pensar.” A família começou a assistir às reuniões e a apreciá-las. Depois de ouvirem dizer, no estudo de livro de terça-feira, quão urgente é o tempo e sobre a obra ainda a ser feita, o senhor começou a testemunhar a todos os colegas de trabalho no dia seguinte e ficou contentíssimo de encontrar um senhor que lhe pediu uma Bíblia e um livro, de modo que também pudesse estudar.
O irmão Scipio e sua família tiveram de retornar a Sta. Helena, depois de nove meses. No entanto, mantiveram-se em contato com alguns dos estudantes da Bíblia por lhes escreverem cartas. Um destes interessados era um rapaz que tinha vindo à casa do pioneiro durante um intervalo do trabalho, pela manhã, e pedira um copo d’água. No dia seguinte, veio pedir um copo d’água de novo, ficou parado ali por algum tempo e então nervosamente perguntou à esposa do pioneiro se ela tinha alguma Bíblia para vender. Imediatamente recebeu uma e foi convidado para o estudo de livro. Obteve um livro e veio. O filho de treze anos do pioneiro iniciou um estudo com ele, e ele fez contínuo progresso.
Depois que o irmão Scipio partiu, este rapaz tomou posição firme a favor da verdade. Quando seu patrão lhe pedia que pintasse prédios militares ou igrejas, ele se recusava. Até o principal capataz, com todos seus argumentos, não conseguiu convencê-lo a mudar de idéia.
Durante os últimos três anos não temos recebido quaisquer relatórios de serviço de campo da Ilha de Ascensão. A única publicadora da ilha fez visitas regulares ao Reino Unido e os relatórios foram um tanto irregulares. Embora não estejamos certos do que aconteceu a ela, talvez Jeová ainda conheça os semelhantes a ovelhas ali a serem trazidos ao ‘redil’. — Miq. 2:12.
APOIO À LEI DE DEUS SOBRE O SANGUE
De tempos a tempos, vem a lume a questão do sangue, na África do Sul. Ilustrando: Uma irmã africana, com seis meses de gravidez, subitamente começou a ter hemorragia. No hospital, os médicos ordenaram uma transfusão de sangue. O irmão e a irmã Marsh explicaram sua posição bíblica, apenas para sofrer a zombaria dos médicos e das enfermeiras. Ela era examinada de meia em meia hora. Mais tarde, uma das enfermeiras a informou que não podia captar as batidas cardíacas do feto e cria que o bebê morrera dentro dela. O médico queria então remover o feto “morto”, mas não sem uma transfusão de sangue. Embora a irmã dissesse que ainda podia sentir os movimentos do feto, a equipe médica insistia que o bebê estava morto.
O irmão e a irmã Marsh deixaram tal hospital e foram para outro. A caminho, o irmão encorajou sua esposa a permanecer fiel, acontecesse o que acontecesse. Ao chegarem ao outro hospital, sua posição quanto ao sangue foi explicada e a enfermeira do plantão noturno pediu-lhes que assinassem uma declaração nesse sentido. Um exame revelou que o bebê ainda estava vivo. A irmã recebeu tratamento e se recuperou rapidamente, mas, tinha de voltar a cada duas semanas para um exame completo. O médico concordou em fazer uma cesariana sem sangue. Quando chegou a hora do parto, a irmã internou-se na maternidade. Mas, enquanto a equipe se preparava para a operação, ela deu à luz, normalmente, a gêmeos. Quão felizes ficaram esse irmão e essa irmã de terem permanecido fiéis à lei de Jeová!
CAMPO INDIANO RESULTA PRODUTIVO
Há uma população indiana bem grande na África do Sul, e, nos anos recentes, muitas destas pessoas entraram na verdade. Há agora várias congregações indianas no Transvaal e Natal. Anteriormente, algumas destas pessoas eram hinduístas, algumas cristãos nominais e outras eram muçulmanas. Agora, contudo, unem-se aos demais servos de Jeová na África do Sul em adorar a Jeová com espírito e verdade. — João 4:23.
EXPANSÃO DE NOVO
Por muitos anos, os irmãos na África do Sul e nos territórios vizinhos tinham ansiado outra visita do presidente da Sociedade Torre de Vigia, N. H. Knorr, que tinha estado pela última vez na África do Sul em 1959, quando fez arranjos para a ampliação das instalações da filial. Era de novo ocasião de expandir as instalações de Betel, que, em 1970, estavam sendo utilizadas em sua capacidade máxima, havendo 68 membros da família. Quando o Ministério do Reino (agora Nosso Serviço do Reino) de junho de 1970 anunciou que tinham sido canceladas as assembléias de distrito em favor de uma assembléia nacional, havia grandes esperanças de que viesse um visitante de Brooklyn. Mas, não foi senão em novembro que o Ministério do Reino anunciou: “O Irmão Knorr Virá!” os irmãos ficaram muito contentes e nada os podia impedir de vir às Assembléias “Homens de Boa Vontade” programada para 7 a 10 de janeiro de 1971.
Devido à segregação racial na África do Sul e o fato de que os vários grupos raciais vivem em bairros separados, três assembléias diferentes tiveram de ser programadas. Os europeus se reuniram no “Milner Park Show Grounds”, os mestiços no Estádio da União na zona dos mestiços, e os irmãos africanos se reuniram no Parque Mofolo, no enorme complexo de Soweto, onde vivem centenas de milhares de africanos.
O Parque Mofolo é apenas um parque aberto, ladeado de árvores, sem quaisquer instalações. Assim, os irmãos africanos, com a ajuda de muitos irmãos europeus, empreenderam a gigantesca tarefa de construir bancos para 30.000 pessoas e montar vários departamentos. Até mesmo instalaram vasos sanitários, com descarga, para a assistência esperada. As autoridades municipais que visitaram o local comentaram: “Ficamos surpresos com o que estão fazendo. Ora, os senhores construíram duas cidades!” Referiam-se às seções zulu e sesoto do parque.
Nestas assembléias, experimentou-se algo pela primeira vez, com grande êxito. Isso foi usar um só grupo de participantes para fazer a pantomima dum drama, ao passo que o diálogo era ouvido simultaneamente em dois idiomas em diferentes seções do estádio. Foi uma tarefa tremenda, envolvendo muitas horas de trabalho. Mas, foi grandemente apreciado pelos irmãos que podiam beneficiar-se das excelentes lições dos dramas em seus próprios idiomas.
O irmão Knorr se manteve bem ocupado, correndo de uma assembléia para outra, a fim de chegar na hora para suas partes nos diferentes programas. Seu discurso extemporâneo: “Este É o Caminho” foi especialmente apreciado pelos irmãos que continuaram a comentar muito tempo depois sobre os maravilhosos conselhos que receberam por meio dele. O discurso público foi o grande clímax. Na assembléia dos mestiços, 2.770 pessoas compareceram, 12.252 na dos europeus, e 33.757 na dos africanos, perfazendo um total geral de 48.779! Esta foi uma assistência maravilhosa, quando se considera que só havia cerca de 22.000 Testemunhas na África do Sul naquele tempo.
Nas suas observações finais mui encorajadoras, o irmão Knorr falou aos irmãos reunidos sobre os planos de expansão da gráfica, escritório e lar da Sociedade em Elandsfontein. Também explicou como os publicadores poderiam ajudar.
A própria família de Betel apreciou grandemente a visita do irmão Knorr à filial. Ele observou que a família consistia mormente de jovens. Quase todos eles tinham sido criados por pais dedicados e sentiam-se felizes de estar em Betel.
A família de Betel em Elandsfontein tem também alguns membros idosos. Exemplificando: Há Andrew Jack, agora com 80 anos, que ainda trabalha o dia inteiro. Gert Nel, nosso antigo “servo aos irmãos”, ainda traduz A Sentinela para o africâner, embora tenha agora 71 anos. A família em Elandsfontein é uma família feliz, que mora e trabalha junta em união. A família inclui quatorze irmãos e irmãs africanas. Há caloroso espírito de amor e união na família, apesar de seus membros provirem de tantas formações diferentes. Ao passo que o inglês é a língua oficial do lar de Betel, esta família serve a pessoas de muitas línguas — zulu, sesoto, xosa, tsvana, sepedi, alemão, grego, africâner e português. Sentem-se felizes de servir a seus irmãos, não só na África do Sul, mas também no Congo (Kinshasa agora chamado Zaire), Moçambique, Rodésia e Zâmbia, para as quais imprimem coisas.
Quando o irmão Knorr informou aos irmãos o tamanho do anexo dos prédios em Elandsfontein, e que os irmãos mesmos iriam realizar tal construção, a resposta foi fabulosa! As contribuições começaram a chegar ao escritório. Foram recebidas tantas ofertas de empréstimos que a filial da Sociedade teve de dizer aos irmãos que já tinha o suficiente. Mas, naquela época, havia escassez de cimento no país e os irmãos imaginavam se iriam conseguir todo o cimento necessário. Exatamente então, um irmão indiano telefonou e pediu que viessem apanhar um donativo de 500 sacos (de 50 kg cada um) de cimento. Outros ofereceram seus caminhões para fazer o transporte para a Sociedade, um irmão transportando, de uns 65 quilômetros de distância, todos os tijolos para a fachada de que necessitavam. Uma irmã pioneira africana pagou a uma firma para entregar mais de 15 metros cúbicos de areia de construção. Os irmãos deveras ofereciam voluntariamente suas coisas materiais para a expansão da obra do Reino. — Pro. 3:9, 10.
Vários irmãos bem habilitados, construtores, carpinteiros, eletricistas e outros artífices, tornaram-se disponíveis durante o período inteiro de construção. Outros vieram trabalhar por vários meses. Centenas de congregações vizinhas ajudavam nos fins-de-semana. A resposta foi maravilhosa. Perto da parte final da construção, quando se precisa de muita ajuda para a limpeza, havia, às vezes, até 200 ajudantes trabalhando. Os irmãos apreciaram cabalmente trabalhar juntos, e grandioso espírito de paz e união prevalecia entre todos eles.
Pouquíssimas coisas foram feitas por firmas de fora, visto haver irmãos capazes de fazer quase tudo — sim, o arquiteto, o engenheiro, eletricistas, encanadores, carpinteiros, etc., eram todos irmãos dedicados, felizes de ter um quinhão na obra de construção. Também, este projeto de construção forneceu oportunidade para irmãos de várias raças trabalharem juntos no serviço do Reino. Devido às leis de segregação, geralmente se reúnem em separado, cada um em sua própria comunidade e grupo lingüístico, mas, aqui, irmãos africanos, mestiços, indianos e brancos trabalhavam juntos em uma união tal que o mundo jamais poderá alcançar.
Para ilustrar a generosidade dos irmãos, observe o que aconteceu no dia em que fundiram a laje para o primeiro andar. Havia muitos irmãos dispostos a ajudar, de fato, eram tantos que alguns receberam outro serviço para fazer. O trabalho começou às 6 horas da manhã, quando ainda estava escuro, e às 16,30 horas dessa tarde, 184 metros cúbicos de concreto já tinham sido derramados e a laje estava pronta. Os irmãos se sentiam tão felizes e havia um espírito tão maravilhoso entre eles que muitos desejaram suplementar suas contribuições em trabalho com donativos financeiros. Quando chegaram ao fim desse dia, verificaram que, com o desconto, a laje custara cerca de R 3.300, e quando se somaram as contribuições desses trabalhadores elas excediam tal importância! Que espírito maravilhoso!
De toda parte surgia o apoio. Uma carta mui acalentadora foi recebida de duas irmãs jovens da ilha de Sta. Helena, que escreveram: “Prezados Irmãos: Queiram aceitar isto como donativo para o fundo de construção. Eu e Sandra fizemos uma bolsa de fios de náilon e a vendemos por 1 libra. Tenho nove anos e Sandra tem seis. Aceitem nosso amor cristão.”
A construção começou em 6 de maio de 1971, quando foram recebidas as plantas aprovadas de construção. Já em outubro, o superintendente da filial apressava os irmãos para que terminassem o prédio em fins de dezembro. “Por que tanta pressa?” perguntavam alguns irmãos. Mas ficaram firmes no trabalho, e a construção já estava quase que terminada em fins de dezembro. Apenas os toques finais, a pintura, e coisas semelhantes, tinham de ser feitos. No domingo, 30 de janeiro de 1972, a tarefa foi terminada e muitos dos irmãos mais velhos da família de Betel já se tinham mudado para alguns dos dezessete lindos quartos novos na ala nova do lar de Betel. A gráfica fora então ampliada em mais de 830 metros quadrados.
Na manhã de segunda-feira, 31 de janeiro de 1972, o superintendente da filial anunciou que, algumas horas mais tarde, o presidente da Sociedade, N. H. Knorr, e o superintendente da gráfica de Brooklyn, M. H. Larson, chegariam ao Aeroporto Jan Smuts para uma visita à África do Sul. Que surpresa! E que visita maravilhosa foi essa! Os irmãos Knorr e Larson ficaram deleitados com o prédio e também o ficaram os 577 irmãos presentes à dedicação da nova estrutura, na terça-feira de manhã, 2 de fevereiro.
Tudo isso foi realizado porque o povo de Jeová se ofereceu voluntariamente. (Sal. 110:3) Agora dispõem de lindo prédio, construído por mãos dedicadas, e isso por metade do que teria custado se uma firma comercial tivesse feito o serviço. Todo louvor seja dado a Jeová pela disposição manifestada por seus servos dedicados!
A NEUTRALIDADE TORNA-SE DE NOVO UMA CONTROVÉRSIA
Durante 1972, a posição neutra dos irmãos jovens tornou-se uma controvérsia ardente na África do Sul. Anteriormente, as Testemunhas de Jeová conseguiam a isenção do serviço militar; mas, agora, devido à grande atividade política na África, todo varão branco e jovem deveria receber instrução militar. Visto que esses irmãos jovens se recusavam a fazer isso, eram invariavelmente sentenciados a 90 dias de prisão nos quartéis, onde ficavam detidos, usando apenas sua roupa de baixo, visto recusarem-se a usar um uniforme. No entanto, antes de terminar sua sentença de 90 dias, mandava-se que colocassem de novo o uniforme e, se se recusavam, era-lhes imposta outra sentença de 90 dias. Parecia que tais irmãos jovens ficariam presos indefinidamente.
Ao passar o tempo, tal controvérsia obteve cada vez maior publicidade, e pessoas de mente liberal manifestavam-se a favor das Testemunhas, até mesmo no Parlamento. Por fim a lei foi alterada. Agora, qualquer irmão que se recuse a receber treinamento militar é sentenciado a um ano de prisão nos quartéis de detenção, após o que é eximido do serviço militar. Ao passo que os cristãos neutros eram antes mantidos na solitária, são agora designados a cuidar de si mesmos numa parte dos quartéis de detenção, onde cultivam hortas para si mesmos, além de fazerem serviços não militares no campo de rúgbi e em outras praças de esporte em geral.
AJUDANDO IRMÃOS NECESSITADOS
Em 13 de outubro de 1972, os jornais da África do Sul publicaram notícias sobre a perseguição contra as Testemunhas de Jeová em Malaui e que elas fugiam para Zâmbia. A filial da África do Sul entrou em contato com a filial da Sociedade em Zâmbia para indagar o modo como os irmãos da África do Sul poderiam ser de ajuda.
Depois da verificação in loco, a filial de Zâmbia enviou um cabograma à África do Sul: “Os refugiados de Malaui precisam urgentemente de abrigos à prova d’água. Podem obter tendas excedentes do exército, P. V. C. ou folhas de plástico resistentes, coberturas de lona para o chão ou coisas semelhantes? Telefonem pedindo pormenores para licença de importação. Aproximadamente 7.000 pessoas envolvidas.” No dia 18 de outubro, dirigiu-se um apelo às congregações das Testemunhas de Jeová na África do Sul. A resposta foi rápida e generosa. De todo o país, dinheiro e roupas chegavam aos montes ao escritório da Sociedade em Elandsfontein.
Mais de mil encerados ex-militares foram comprados numa liquidação. Muitos deles tinham pequenos buraquinhos ou rasgos que tinham de ser consertados. O fim-de-semana de 21-22 de outubro resultou numa cena que jamais será esquecida. Uma corrente continua de carros, camionetas e caminhões carregados de roupas chegaram ao lar de Betel. Duas áreas foram fixadas, no departamento de expedição, para a separação de roupas de homens, de mulheres e de crianças. Apenas os artigos bons foram empacotados. Do lado de fora havia cerca de 150 irmãos e irmãs emendando e consertando rasgos nos encerados. Mais de dez máquinas industriais de costura funcionavam a todo tempo. Foram tantos os voluntários que vários tiveram de ser dispensados. Todo o mundo simplesmente queria ter parte em fazer algo pelos seus irmãos que estavam no acampamento de Sinda Misale, em Zâmbia.
No domingo de manhã, chegaram os dois caminhões que foram oferecidos voluntariamente. No domingo à tarde, 23 de outubro, estes dois enormes caminhões partiram para o acampamento de Sinda Misale com 948 grandes encerados, 157 grandes caixas e engradados de roupas e 1.111 cobertores, rolos de corda, martelos, serrotes, pés, etc. Estes dois caminhões levavam uma carga de aproximadamente 34 toneladas. Os irmãos na África do Sul sentiram-se muitíssimo felizes de poderem ter compartilhado em ajudar desse modo, além de oferecerem fervorosas orações em favor de seus irmãos malauis.
No fim daquela semana, os caminhões já estavam em Zâmbia. Um deles foi descarregado em Lusaca, e então voltou à África do Sul. O outro, com mais cinco caminhões menores dos irmãos de Zâmbia, levou os itens doados, além de alimentos e contribuições doados pelos irmãos de Zâmbia, dirigindo-se para o acampamento. Foram necessárias três viagens ao acampamento a fim de transportar tudo que os irmãos haviam doado.
Quando os caminhões chegaram ao acampamento e espalharam-se as notícias entre os irmãos malauis de que seus concrentes na África do Sul e em Zâmbia lhes haviam enviado cobertas, roupas e alimentos, lágrimas de alegria rolaram livremente. Aqui estava evidência tangível da veracidade das palavras de Jesus em João 13:35: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.”
Logo depois os irmãos foram mandados de volta para Malaui. Daí, devido a mais perseguição, fugiram para Moçambique. Fracassou todo esforço de conseguir que caminhões carregados de roupas e alimentos chegassem a esses irmãos nos campos de Moçambique. Assim, os irmãos começaram a enviar roupas pelo correio, fazendo pacotes de dez quilos cada um, pagando R 4,44 de selos para cada pacote. Cerca de dezesseis toneladas de roupas foram enviadas desse modo. Adicionalmente, os irmãos mostraram seu amor genuíno por seus irmãos malauis nos campos de refugiados por fazerem contribuições financeiras para a compra de alimentos. Além das contribuições individuais enviadas aos acampamentos por muitos irmãos na África do Sul, gastou-se adicionalmente R 100.000 (Cr$ 1.562.000,00) em ajuda aos malauis. Os irmãos na África do Sul ficaram felizes com o que puderam fazer para seus irmãos malauis, quando estes se achavam em Moçambique, e continua seu interesse amoroso neles.
JUBILOSO EVENTO INTERNACIONAL
Para as Testemunhas de Jeová na África do Sul, 1973 foi um ano de assembléia internacional. Primeiro de tudo, cerca de 1.000 pessoas da África do Sul viajaram ao exterior, para comparecer a assembléias internacionais na Europa, Inglaterra e Estados Unidos da América. Seu entusiasmo ajudou a criar zelo pela sua própria assembléia internacional em Joanesburgo. Pela primeira vez, a África do Sul estava na lista das assembléias internacionais e esperava muitos visitantes da Europa e de outras partes do mundo.
Os irmãos planejavam realizar três assembléias diferentes, uma para os irmãos brancos, outra para os irmãos mestiços e indianos, e uma para os irmãos africanos. Planejavam combinar todas as três assembléias, no domingo à tarde, em uma só sessão, visto que sabiam que não iriam obter permissão para uma assembléia combinada para todo o período. Mas, houve problemas.
Primeiro, recusou-se a permissão de realizar uma assembléia africana em Joanesburgo. Assim, as assembléias africanas foram programadas para cinco centros diferentes. Ao invés duma derrota, isto resultou ser uma bênção para o povo de Jeová, visto que muitos irmãos africanos, que antes não compareceriam, puderam agora arcar com as despesas de ir à assembléia mais próxima.
Mas, houve outros problemas. Devido à questão militar neste país, o Departamento do Interior não via com favor as Testemunhas de Jeová. Por conseguinte, muitos visitantes prospectivos que declararam que vinham assistir à assembléia das Testemunhas de Jeová não conseguiram obter vistos. Incluídos entre estes achava-se o superintendente da filial estadunidense, Milton Henschel, e o secretário-tesoureiro da Sociedade, Grant Suiter. Os irmãos sul-africanos ficaram grandemente desapontados.
No entanto, as assembléias ainda constituíram uma vitória divina! Muitos irmãos da Europa vieram como turistas e gozaram o companheirismo dos irmãos sul-africanos. A assembléia africana para a área de Joanesburgo foi transferida para Benoni, cidade a cerca de 32 quilômetros a leste de Joanesburgo. No domingo, 6 de janeiro de 1974, o programa começou às 9 horas e encerrou-se às doze. Todos os arranjos tinham sido feitos antecipadamente, e entre as doze e as quinze horas, todos os irmãos nas duas assembléias de Joanesburgo e de Benoni foram para o Estádio Rand, em Joanesburgo, para as sessões finais combinadas. Todo mundo se admirou com esta troca suave de três locais para um único, o Estádio Rand. De carro, de ônibus e de trem, chegaram ao Estádio Rand numa corrente continua e entraram no estádio até que o lotaram — um total de 33.408 pessoas na assistência. Muitos ficaram de pé.
Foi deveras uma linda vista para as Testemunhas de Jeová ali presentes ver seus irmãos africanos, mestiços e brancos todos associados na adoração de Jeová. Não havia nenhuma segregação. Os que sabiam inglês podiam sentar-se em qualquer lugar e os irmãos aproveitaram a oportunidade para sentar-se com seus irmãos de outras raças. Os que preferiam o zulu puderam sentar-se na seção de zulu; os que falavam sesoto, na seção de sesoto. Havia também seções de africâner e português. Foi deveras uma multidão “mista” e todo o mundo se sentia feliz. Com efeito, sentiam-se tão jubilantes que foi difícil impedi-los de aplaudir demais. Nunca os irmãos se sentiram tão felizes, e muitos descreveram essa ocasião como uma tarde “inesquecível”.
Como se conseguiu isto? Sob orientação divina e sem o compreenderem, tinham contratado o estádio em Joanesburgo reservado para reuniões internacionais e inter-raciais! Não se precisava de licença para esta sessão. A assistência total no discurso público, para todas as Assembléias “Vitória Divina”, atingiu 56.286 pessoas, e 1.867 foram batizadas.
CAMPANHA SEM PARALELO DE TERRITÓRIO ISOLADO
O ano de 1974 resultou ser o melhor até então na pregação das boas novas do Reino. As Testemunhas tentaram alcançar as pessoas que moram nas vastas fazendas da África do Sul e nas “terras natais” africanas. Alguns destes lugares nunca haviam recebido testemunho. Assim, durante a campanha de território isolado, fez-se esforço especial de alcançar a toda essas pessoas. As congregações das cidades aceitaram voluntariamente designações de território a centenas de quilômetro de distância. Obtiveram-se mapas especiais, mostrando cada casarão de fazenda europeu, bem como todos os povoados africanos localizados nas fazendas. As congregações européias começaram a cobrir todas as fazendas, testemunhando inclusive aos residentes africanos. No caso de os africanos não poderem entender as línguas européias, os publicadores europeus usavam pequenos gravadores de fita cassete para tocar sermões pré-gravados nas próprias línguas das pessoas. Havia tão grande demanda de publicações que eles esgotaram quase todos os livros encadernados nesta campanha. As congregações africanas concentraram-se nas “terras natais” onde não se permitia que os europeus entrassem. Durante os três meses da campanha, 140.000 livros encadernados e mais de 92.000 folhetos, além de milhares de revistas, foram distribuidos. Alguns grupos de pioneiros especiais viajaram mais de 14.400 quilômetros durante esta campanha de território isolado, a fim de alcançar todas as fazendas constantes de sua designação
No fim do ano de serviço de 1974, ficaram contentes de relatar grandioso novo auge de 4.055 pessoas batizadas e um aumento de 14 por cento na média de publicadores, com um auge de 28.397. A distribuição dos tratados Notícias do Reino deu ímpeto adicional à obra.
EVIDÊNCIA CONTÍNUA DA BÊNÇÃO DIVINA
A obra de pregação do Reino verdadeiramente avança de forma contínua. Ora, já no início de junho de 1975, 2.462 pessoas tinham sido batizadas nesse ano de serviço. Outra campanha de território isolado ainda maior do que a de 1974 foi planejada, a fim de alcançar a todas as pessoas incluídas na designação desta filial.
No ínterim, a produção de revistas aumentou ao ponto em que a gráfica, o lar e os escritórios de Elandsfontein são pequenos demais e tiveram de ser ampliados de novo. Na ocasião em que este relatório é escrito, seus planos de expansão já foram traçados. Planejavam erguer um anexo que incluiria a duplicação do refeitório, cozinha e lavanderia, adicionando 1.850 metros quadrados à gráfica, construindo-se novo bloco para o escritório, de 370 metros quadrados, e acrescentando-se um novo e grande Salão do Reino.
Os irmãos se regozijam com toda a evidência da bênção de Jeová. Mas, compreendem também que têm de esperar oposição do inimigo. Na atualidade, ocupam-se com um processo legal perante o Supremo Tribunal de Joanesburgo, que defende os direitos de seus filhos africanos em idade escolar de cursar a escola sem entoar cânticos religiosos nem partilhar de orações das organizações da religião falsa. Muitos dos filhos das Testemunhas européias também estão sendo expulsos da escola, mas por motivo diferente. É devido à sua recusa em participar nas paradas de estilo militar, em saudar à bandeira e entoar o hino nacional. Não sabemos qual será o resultado destas questões, mas eles estão determinados a irem avante na pregação das boas novas do Reino, confiando na orientação de Jeová.
Quando se lembram daquela filial de um só homem que teve início em 1910, no pequenino escritório usado pelo irmão Johnston e o comparam com seu excelente lar de Betel hodierno, bem como com as novas sucursais formadas na Rodésia, Zâmbia, Zaire, Quênia, República Malgaxe e Maurício — que diferença! Quando pensam naquela pequenina prensa plana, alimentada manualmente, enviada de Brooklyn em 1924, e instalada pelo irmão Phillips, e então andam pela sua gráfica aqui, cheia de máquinas, produzindo amplas quantidades de revistas e outros itens do Reino — que expansão maravilhosa! Quando se lembram da pequena família de Betel, de 21 membros em 1951, que morava em casas separadas, e consideram a atual família unida e feliz de 110 irmãos e irmãs — que esplêndido crescimento! E, quando observam que, em 1931, em todos os territórios sob esta filial havia apenas 100 publicadores, ao passo que hoje, nessa mesma área, há mais de 140.000 pregadores das boas novas, como ficam cheios de gratidão a Deus! Seus atos hoje em dia são momentosos, como foram outros tratos divinos no passado. Eles podem, apropriademente, adotar as palavras do salmista: “Isto veio a ser da parte do próprio Jeová; é maravilhoso aos nossos olhos. — Sal. 118:23.
[Foto na página 187]
Lar de Betel em Elandsfontein, em 1952.
[Fotos nas páginas 240, 241]
Escritório e gráfica da Sociedade Torre de Vigia em Elandsfontein, África do Sul.
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Sri LankaAnuário das Testemunhas de Jeová de 1977
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Sri Lanka
Jóia do Oceano Índico. É assim que muitos chamam esta ilha que está prestes a visitar. Talvez a conheça como Ceilão, mas, desde 1972, este lar ilhéu tem sido chamado de Sri Lanka.
Com uma área de cerca de 64.750 quilômetros quadrados, Sri Lanka é uma “jóia” de muitas facetas. Sendo tropical e com pouca elevação por toda a costa, é coroada de colinas e montanhas centrais. Atravessa plantações de coqueiros para atingir as colinas, muitas delas estando agora cobertas de lindos arbustos de chá.
Há também muitas facetas quando consideramos as raças, castas, línguas e religiões. Nos dois terços que abrangem o centro e o sul da ilha, a maioria das pessoas afirmam ser arianas, falando cingalês e praticando o budismo teravada. São amigáveis, hospitaleiras. Nas regiões norte e oriental de Sri Lanka há gente dravídica, que fala tâmil, a maioria aderindo ao hinduísmo. São conhecidos por sua laboriosidade.
As perspectivas de comércio certa vez atraíram os muçulmanos até do Marrocos. No início do século dezesseis, os portugueses, interessados nas especiarias, tomaram as regiões costeiras. Com eles vieram os sacerdotes católicos romanos. Fizeram-se grandes esforços de converter os budistas ao catolicismo. Como? Por lhes oferecer vantagens materiais e também por usarem muita força. Atualmente, muitas cidades costeiras são predominantemente católicas.
Cerca de um século depois, os holandeses tomaram esta “jóia” e dominaram apenas suas regiões costeiras. Para ajudar a manter seu controle, trouxeram soldados da Malaia e de Java, adicionando outro tipo racial.
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