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Frutos produzidos na “ilha das especiarias”A Sentinela — 1986 | 15 de março
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Frutos produzidos na “ilha das especiarias”
NAS tépidas e cintilantes águas do Mar do Caribe situa-se a pequenina “Ilha das Especiarias”. Também chamada de Granada, sua área é de apenas uns 310 quilômetros quadrados. Ora, mesmo incluindo as ilhas Cariacu e Pequena Martinica, da mesma jurisdição, a área total é de apenas 344 quilômetros quadrados. Granada ganhou o cognome de “Ilha das Especiarias” devido à grande produção de condimentos aromáticos, como canela, cravo-da-índia, fava-de-cheiro e noz-moscada.
De norte a sul a ilha é cortada por uma cordilheira que se precipita de modo íngreme no mar, especialmente no lado ocidental. Rios e riachos límpidos correm para o mar, e há uma abundância de luxuriantes florestas tropicais. Durante a estação seca, as encostas e os vales estreitos ficam cobertos de flores vermelhas e amarelas, de tonalidades vivas, dos arbustos silvestres perpétua e poui. Este espetáculo colorido é realçado por uma variedade de outros arbustos floridos como a sempre-lustrosa, o hibisco, a neve-da-montanha e as altamente perfumadas ‘belas’ da noite.
Uma característica notável de Granada é a sua orla marítima pontilhada de palmeiras e marginada de belas praias de areia branca. A economia depende tradicionalmente da exportação de bananas, cacau e noz-moscada, suplementada pelo turismo e por significativas somas de dinheiro por parentes que emigraram para lugares como Aruba, Curaçau, Inglaterra, Trinidad, Estados Unidos e Venezuela. Os 112.000 amistosos habitantes de Granada sorriem facilmente e têm um jeito especial de transformar breves observações numa espirituosa conversa.
Plantadas as Sementes da Verdade
As sementes da verdade foram plantadas nesta colorida ilha em 1914, ano do irrompimento da Primeira Guerra Mundial. Um granadino, Elias James, retornou naquele ano do Panamá. Ali, como trabalhador imigrante, ele aceitara a mensagem do Reino de Deus e se tornara ministro dedicado e batizado. Ansiava lançar as sementes da verdade entre as amistosas pessoas desta ilha das especiarias. Logo contatou um certo Sr. Briggs, um barbadiano residente em Granada. Briggs aceitou prontamente a mensagem do Reino, tornando-se assim o primeiro fruto na “Ilha das Especiarias”. Vendo a necessidade de um local de reuniões, Briggs colocou à disposição o primeiro andar de sua casa, que se tornou o primeiro local de reuniões do povo de Jeová na capital, St. Georges.
Sendo ministro zeloso e orador eloqüente, Elias James ajudou a muitas pessoas sinceras. Uma destas foi a sua cunhada, Chriselda James. Hoje, aos 88 anos, ela é a única pessoa na ilha que professa ser cristão ungido. Criou nove filhos e, apesar da persistente oposição à verdade, por parte de seu marido, todos os nove se tornaram Testemunhas batizadas. Três já faleceram, mas os outros ainda são ministros ativos, dois deles no serviço de pioneiro e um como pioneiro especial e ancião.
Quando terminou a sua carreira terrestre, Elias James havia contribuído solidamente como pioneiro no lançamento de sementes da verdade em Granada. Hoje há seis congregações ali, e uma em Cariacu, com o auge de 353 proclamadores do Reino.
No decorrer dos anos de aumento lento mas constante, as Testemunhas leais viveram em meio a várias mudanças políticas — de colônia da coroa à condição de estado e à independência da Grã-Bretanha, em 1974. Nesse período, as boas novas não sofreram oposição acentuada, e geralmente as pessoas estavam dispostas a ouvir, ainda que, às vezes, por mera cortesia. Em 1979, uma mudança nas atitudes políticas de alguns resultou numa revolução que levou ao poder o Governo Revolucionário do Povo. Embora muitos achassem que as atividades religiosas seriam controladas pelo novo governo de orientação socialista, isto não aconteceu, e a obra de produzir frutos do Reino prosseguiu.
Ocorreu uma dramática mudança em 19 de outubro de 1983, data que os granadinos se lembrarão por muito tempo. O CRM (Conselho Revolucionário Militar) assumiu o controle do governo. Diversas autoridades governamentais foram mortas a tiros junto com um número não revelado de civis.
Isto foi imediatamente seguido pela imposição de um toque de recolher de quatro dias, 24 horas por dia, com ordens de atirar sumariamente nos violadores. Estes eventos turbulentos, uma experiência nova para os pacíficos ilhéus, geraram amplo medo e incerteza. Visto que todos estavam confinados em casa houve muitas situações aflitivas, especialmente para os doentes e idosos.
Cedo na manhã de terça-feira, 25 de outubro de 1983, muitos granadinos foram acordados pelo ruído incomum de aviões, entrecortado por ruidosas explosões e pelo matraquear de artilharia pesada. Mais tarde, pela estação de rádio local, souberam que forças estrangeiras haviam desembarcado no país. As forças conjuntas da OECO (Organização dos Estados Caraíbas Orientais) e os fuzileiros navais dos Estados Unidos intervieram militarmente depois que, segundo se informou, o governador-geral pedira ajuda. Em poucas horas os dois aeroportos (Pearls e Ponta Salinas) vieram a estar sob o controle das forças caraíbas e estadunidenses. Já no meio daquela manhã Granada tornara-se centro do noticiário internacional.
Irrompeu uma luta feroz entre as forças estrangeiras e os leais ao CRM. Mas, isto ocorreu principalmente na área de St. Georges. Muitos ali passaram aqueles dias turbulentos debaixo da cama. Alguns até tinham medo de ir à cozinha preparar a comida para a família. Felizmente, nenhuma Testemunha de Jeová na ilha foi ferida durante o combate. Alguns, porém, viram a morte de perto.
Coragem Cristã em Meio ao Tumulto
Certa Testemunha “escapou da morte por um triz”, como disse um ancião local. Ele conta: ‘Esta irmã procurou refúgio na casa de sua vizinha, onde pensou que estaria mais segura. Ela e os outros ocupantes ouviram tiros vindos dum morro acima da casa. Os fuzileiros navais americanos começaram a atirar contra essa casa, achando que os tiros haviam partido dali. Todos na casa rapidamente se lançaram ao chão. Quando houve um intervalo na barragem de tiros, o dono da casa nervosamente saiu às pressas da casa com um lençol branco na mão. Todos os que estavam na casa o seguiram, incluindo a nossa assustada irmã. Quando estavam de pé no quintal veio outra saraivada de tiros em sua direção, mas desta vez do morro de onde o tiroteio originalmente começara. Em meio à saraivada de balas, os fuzileiros navais rapidamente arrastaram todos a um lugar seguro. Notavelmente, nenhum deles ficou ferido. Mais tarde os fuzileiros navais lhes disseram que tiveram muita sorte pois eles estavam prestes a explodir a casa, pensando que os soldados do CRM estivessem lá dentro atirando contra eles. Passada toda aquela excitação, a nossa querida irmã descobriu um espinho de uns 5 centímetros no pé. Ela nem sentira a dor quando ele penetrou na sua carne!’
Com a luta em andamento, a filha de cinco anos dum outro ancião caiu no interior de sua casa e fraturou o braço esquerdo. Era impossível obter assistência médica naquela ocasião. Tudo o que os pais podiam fazer era dar à criança alguns comprimidos para aliviar a dor. Quando as coisas se acalmaram, vários dias depois, eles levaram a criança a um ortopedista. O exame revelou que a fratura era múltipla. Contudo, os ossos já estavam novamente no lugar e o processo de recuperação em bom andamento, sem nenhuma complicação. É desnecessário dizer que os pais, que estavam preocupados, ficaram radiantes.
Para a sua própria surpresa, uma irmã frágil descobriu quão forte ela era fisicamente. O seu esposo, um diabético duas vezes mais pesado do que ela, certo dia perdeu os sentidos e caiu no chão, durante o período do toque de recolher. Ela era a única adulta na casa, e não podia buscar ajuda de fora. Assim, o que poderia ser feito? Ela conta: “Eu clamei a Jeová e implorei ajuda. Posso honestamente dizer que Jeová ouviu meu apelo sincero. Com algum esforço estrênuo consegui levantar meu esposo do chão e colocá-lo numa posição sentada, até que ele recuperasse os sentidos. Só posso dizer que a força que adquiri naquela ocasião veio de Jeová.”
Durante a luta breve, porém intensa, os anciãos designados tiveram muitas oportunidades de mostrar ser ‘esconderijos contra o temporal’. (Isaías 32:1, 2) Para prover ajuda material e consolo espiritual, eles arriscaram a sua segurança e até mesmo a sua vida ao visitarem muitos irmãos, especialmente em áreas de violento combate.
Certo ancião e sua família estavam entre as centenas de pessoas que foram evacuadas de suas casas e colocadas num acampamento de refugiados. Tiveram que suportar os ensurdecedores estampidos das grandes peças de artilharia. Um destes estampidos literalmente atirou ao chão o ancião, a sua esposa e a filha deles. Ao se lhe perguntar como pôde manter-se calmo sob tal provação, ele disse: “A minha coragem e calma resultaram de muitos anos de estudo profundo da Palavra de Deus, que me edificou e me preparou para tal situação incomum.” Assim, este ancião tinha condições de acalmar e consolar as Testemunhas no acampamento.
Algumas semanas depois, com toda a ilha sob o controle das forças americanas e caraíbas, foi estabelecida uma administração provisória. Isto propiciou um período razoavelmente estável para se realizar uma eleição geral. Esta se deu em 3 de dezembro de 1984. Sob o Novo Partido Nacional liderado pelo Primeiro-Ministro, Herbert Blaize, parece que o passado turbulento ficou para trás, e muitos aguardam um futuro brilhante.
Fortalecidos Para a Obra à Frente
Os acontecimentos recentes serviram para fortalecer todas as Testemunhas de Jeová em Granada. Elas sentiram o poder salvador de Jeová e estão decididas a intensificar seus empenhos na pregação do Reino. Muitas pessoas retas e sinceras, que demonstram profundo interesse na mensagem do Reino, estavam entre os 914 presentes na Comemoração da morte de Cristo em 4 de abril de 1985. Para cada uma das 350 Testemunhas na ilha, cerca de duas pessoas interessadas compareceram naquela ocasião. Que excelente potencial para futuros aumentos!
A beleza natural de Granada dá uma pequena idéia de como será a prometida terra paradísica. Tal Paraíso global é uma assegurada promessa do Criador da terra, Jeová. Em breve os justos “possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre”. (Salmo 37:10, 11, 29) Todas as Testemunhas de Jeová em Granada se sentem felizes e ansiosas de partilhar essa emocionante mensagem de esperança com os seus conterrâneos em toda esta “Ilha das Especiarias”.
[Mapa na página 26]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Pequena Martinica
Cariacu
GRANADA
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Responde irado?A Sentinela — 1986 | 15 de março
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Responde irado?
“Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira.” Assim declara Provérbios 15:1.
Quando alguém o deixa furioso, sente-se induzido a vingar-se e a dizer-lhe o que pensa? Isso pode levar a sérias conseqüências.
Na cidade de Nova Iorque, certa jovem chegou à casa após uma discussão acalorada numa pizzaria devido ao péssimo atendimento, e contou isso ao seu padrasto. Este voltou lá para ter uma conversa com o dono da pizzaria. Disso surgiu uma briga e o dono da pizzaria matou o homem com um tiro.
Será que acatar o conselho do provérbio acima não teria ajudado numa situação como essa? Lembre-se do incidente que envolveu Abigail e Davi, registrado em 1 Samuel 25:2-35. Davi, quando recebeu o mau relato dos moços que retornaram de Nabal, marido de Abigail, estava prestes a cometer um grave erro. Sangue inocente teria sido derramado. A resposta branda de Abigail, junto com suas ações bondosas e humildade, afastou a fúria ardente de Davi e seus homens.
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