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Eu era um guarda PalatinoDespertai! — 1975 | 8 de novembro
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esplendor das audiências papais, era a coroação do papa. “A sua grandiosidade”, disseram testemunhas, “jamais será esquecida”. Eu estava lá, na coroação do Papa Paulo VI, em 30 de junho de 1963, e foi deveras um evento notável em minha carreira como Guarda Palatino. Estavam presentes chefes de estado, ministros, embaixadores, dignitários políticos e militares, jornalistas e representantes católicos e protestantes de todas as partes do mundo.
Parecia quase que irreal — toda a extravagância, as pedras preciosas, as roupas vistosamente caras dos participantes, em especial do papa, carregado em seu trono triunfal, os leques de plumas de avestruz em sua volta, movimentando-se lentamente, a música, a cerimônia. A grandiosidade não pode ser descrita em simples palavras. A coroação dos antigos imperadores bizantinos, que serve de padrão para as coroações papais, por certo não poderia ter sido mais ostentosa.
Daí, então, deu-se a magnífica entrada da inteira corte papal em grande pompa, a Guarda Palatina liderando o desfile. O desfile lento durou quase uma hora no carrossel de cores brilhantes, à medida que um coro de jovens vozes acompanhava a linha móvel de centenas de cardeais e bispos. Por fim, o Papa Paulo VI foi coroado com esplêndida coroa montada com pedras preciosas, um símbolo régio de poder supostamente conferido a ele como representante de Cristo na terra.
Mas, perguntei-me: É deveras a vontade de Deus que seu Filho tenha tal representante na terra? É apropriada toda essa pompa? Aprova-a Cristo?
As Respostas Que Obtive
Obtive uma resposta dum cego que se aproveitou da oportunidade de falar comigo no escritório em que eu geralmente trabalhava. Daquilo que me mostrou na Bíblia, vim a avaliar que o papa não imitava o exemplo de Cristo e seus apóstolos. Ora, quando um oficial do exército italiano caiu aos pés do apóstolo Pedro para render-lhe homenagem, aprendi que Pedro disse: “Levanta-te; eu mesmo também sou homem.” (Atos 10:25, 26) Todavia, os líderes da Igreja se comportam em completo contraste com Pedro!
Mas, havia outros assuntos. A Igreja Católica ensina que os humanos têm alma imortal que eles afirmam pode ser queimada para sempre num inferno de fogo ou atormentada no purgatório, dependendo dos pecados cometidos. Todavia, aprendi que a Bíblia ensina que o homem é uma alma, e não possui alma imortal separada. “A alma que pecar, essa morrerá”, afirma a tradução católica da Bíblia de Matos Soares. (Eze. 18:4) E o inferno bíblico não é, obviamente, um lugar de fogo, conforme mostrado por passagens bíblicas tais como a oração do Rei Davi a Deus: “Se desço ao inferno, nele te encontras.” As Escrituras tornam claro que o inferno bíblico é simplesmente a sepultura comum da humanidade. — Sal. 138:8, Versão Soares; veja também Jó 14:13; Eclesiastes 9:5, 10; Atos 2:31.
Ademais, foi-me mostrado que Deus não é uma Trindade. Ele não é três deuses coiguais, e todavia um só Deus, como afirma o ensino católico da Trindade, efetivamente. “O Senhor nosso Deus é o único Senhor”, ensinou Cristo, e também reconheceu: “O Pai é maior do que eu.” (Mar. 12:29; João 14:28, Versão Soares) Aprendi estas coisas através das minhas palestras bíblicas com este senhor cego, que é uma das testemunhas cristãs de Jeová.
No entanto, pensar sobre tais coisas começou a me perturbar, pois compreendia que tinha responsabilidade perante Deus de agir segundo tais verdades. Certo dia, eu estava no clube da Guarda Palatina, sentado perto de um monsenhor, na sala de projeção de filmes. Durante a mudança de carretéis, perguntei-lhe, de modo natural, se conhecia algo sobre aquelas pessoas que afirmavam poder provar na Bíblia que não existe Trindade, que a alma não é imortal, e que não existe inferno de fogo. Ele perguntou a quem eu tinha em mente. Respondi: “As testemunhas de Jeová.” Ele me surpreendeu ao responder: “Ah, mas eles são cristãos.”
Assim comecei um estudo sério da Bíblia com as testemunhas de Jeová, e obtive o conhecimento baseado na Bíblia que verdadeiramente fortaleceu minha fé em Deus. Com o tempo, dediquei a vida para servir ao verdadeiro Deus, Jeová, e, desde então, tenho tido a alegria de brandir, não uma arma literal, mas ‘a espada do espírito, a Palavra de Deus’, ajudando outros também a aprender a verdade sobre Jeová Deus e seus grandiosos propósitos. (Efé. 6:17) — Contribuído.
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Como conta a África?Despertai! — 1975 | 8 de novembro
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Como conta a África?
Do correspondente de “Despertai!” na Nigéria
O ESTRANGEIRO que viajasse pelo continente africano no século 18 sem dúvida ficaria impressionado pela variedade aparentemente interminável de povos e culturas. As comunicações eram então realizadas por meio de numerosas línguas altamente desenvolvidas e complexas. Mas, ainda mais surpreendente, talvez, era que as pessoas eram bons matemáticos. Alguns de seus métodos de calcular ainda são usados hoje em dia.
No século 18, a cidade hausa de Katsina, na Nigéria setentrional, era um centro de aprendizagem, onde Muhammad ibn Muhammad se especializava em numerologia. No entanto, para a maioria das tribos da região do sub-Saara, contar era e ainda é simplesmente parte de seu modo de vida.
Como Contam Até Vinte
Considere as línguas ioruba, ibo e efique da Nigéria e a língua gun, falada no Daomé. Cada língua tem seu sistema numérico peculiar e cada sistema é interessante e prático.
Embora nas línguas ioruba, gun e ibo os numerais de 1 a 10 tenham, cada um, seu próprio nome, há muitas disparidades em seus métodos de contagem. Em grande parte, 20 é a unidade básica tanto do ioruba como do ibo. Por outro lado, 40 é usado mais freqüentemente como base em gun. Em ioruba e gun, os numerais continuam a ter nomes individuais até 15, mas, então, a língua ioruba completa o resto dos números até 19 por subtraí-los de 20. No entanto, em gun isso é feito por adicioná-los a 15.
Ao contar de 11 a 19, os ibos adicionam a 10 as suas unidades; mas os efiques têm um sistema totalmente diferente, usando 5 como unidade básica ao contar até 20. Assim, o número 6 em efique é 5 + 1, 11 é 10 + 1, 16 é 15 + 1, e assim por diante. Isto significa que os numerais de 1 a 5, e 10, 15 e 20 têm todos nomes individuais. Além de 20, cada sistema emprega meios aparentemente complicados de chamar os numerais. Uma espiada em cada língua devia resultar interessante.
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