-
Um polígamo escolhe melhor herançaDespertai! — 1976 | 22 de maio
-
-
derramadas pelas esposas que partiram. Para mim, foi como se meu coração se partisse em dois. Por um lado, senti grande tristeza com a partida das mulheres com quem eu vivera por tanto tempo, porém, por outro lado, sentia profunda alegria em saber que minha decisão granjeara a aprovação Daquele que realizara o primeiro casamento.
A tristeza que senti também era mitigada pela felicidade que a minha decisão trouxe à primeira esposa. Não consigo descrever sua alegria quando se viu restaurada à sua posição anterior. Aos olhos dela, minha decisão era simplesmente incrível.
Naturalmente, nem todos ficaram tão felizes quanto minha primeira esposa. Depois das lágrimas iniciais, minhas ex-esposas fizeram tudo ao seu alcance para amargurar a mente de seus filhos contra o pai deles. Sua hostilidade continuou apesar de que os sustentava financeiramente. Quanto aos outros membros da família, alguns ficaram muito felizes por mim, porque sabiam de minha doença, agravada pelas brigas e infelicidade constantes em minha casa. Outros, contudo, lamentaram que me decidira ficar com uma mulher mais idosa, falando-se em sentido relativo, e que não me poderia dar mais nenhum filho. Como é que meus outros amigos e conhecidos consideraram minha situação? Havia os que achavam que perdera o juízo. Outros ainda admiravam o que eu fizera, talvez secretamente, em seu coração, desejando ter a coragem de fazer a mesma coisa.
Como me sinto? Não tenho nada a lamentar. Pelo contrário, tenho todo motivo de me sentir feliz. Por fim minha família está tranqüila de novo. E, para aumentar meu contentamento, minha esposa participa comigo em servir ao verdadeiro Deus, Jeová.
Aspirações Mudadas
Ao refletir sobre aqueles meus sonhos da infância, ao me sentar em volta da fogueira de lenha em nossa aldeia, não posso deixar de ficar admirado com a mudança de meu conceito da vida. Antes, meu único alvo na vida era fazer um nome e granjear fama para mim mesmo como herança a legar a meus filhos após a minha morte.
Agora, minhas esperanças e aspirações são bem diferentes. Ao invés de meu próprio nome, é o nome do Criador de todos os povos da terra, Jeová, que eu desejo tornar conhecido. E, se desejar permanecer fiel a Deus, estou confiante de que herdarei a vida na nova ordem, neste planeta Terra, onde não só meu nome, mas também a minha vida perdurarão por toda a eternidade. Meu alvo principal na vida agora é ajudar outros, inclusive minha própria esposa e filhos, a aprender a honrar o nome de Deus, de modo que possam partilhar comigo nesta herança melhor de vida eterna.
-
-
Testemunhas de Jeová — “conhecidas” de novo na GréciaDespertai! — 1976 | 22 de maio
-
-
Testemunhas de Jeová — “conhecidas” de novo na Grécia
Do correspondente de “Despertai!” na Grécia
JULHO de 1975 será lembrado por muito tempo pelas Testemunhas de Jeová na Grécia. No oitavo dia daquele mês destacados jornais de Atenas anunciaram: “CASAMENTOS ENTRE TESTEMUNHAS DE JEOVÁ SÃO DE famílias gregas ficaram emocionadas com esta mudança de acontecimentos.
A decisão foi resultado de um julgamento efetuado pelo Supremo Tribunal do Estado, em 3 de julho. O acórdão rezava:
“A doutrina religiosa das Testemunhas de Jeová ou Milenaristas satisfaz as exigências de ‘religião conhecida’ segundo a Constituição e por conseguinte, é uma doutrina ‘aprovada’ . . . Assim, qualquer casamento realizado entre adeptos de tal doutrina e em conformidade com os rituais fornecidos para isso não é um casamento inexistente, e qualquer filho concebido na consecução de tal casamento é legítimo.”
Mas, por que houve necessidade de tal decisão dum Supremo Tribunal?
Por mais de quatro anos antes disso, o governo da Grécia considerava os casamentos de Testemunhas de Jeová como “inexistentes” e seus filhos como “ilegítimos”. Por quê? Devido a uma circular expedida em 13 de novembro de 1970 pelo então Vice-presidente e Ministro do Interior, Stylianos Pattacos, que declarava que “a religião das Testemunhas de Jeová é desconhecida”.
Soa-lhe isso surpreendente? Talvez compreenda que as Testemunhas de Jeová acham-se ativas, gozando de pleno reconhecimento legal, em dezenas de terras e ilhas do mar. Com efeito, as Testemunhas têm executado a obra educativa bíblica na Grécia desde o início do século vinte. Por que será que, depois de umas sete décadas, o governo da Grécia declarou que as Testemunhas de Jeová eram uma religião “desconhecida”?
Incessantes Táticas de Pressão
Foi por causa da constante pressão sobre o governo por parte de influente grupo que odiava a mensagem bíblica proclamada pelas Testemunhas de Jeová. Uma expressão peculiar deste ódio começou em 1927. Naquele ano, pela primeira vez, os clérigos da Igreja Ortodoxa Grega questionaram o então Procurador Geral do Supremo Tribunal da Grécia quanto a se os casamentos entre os “Estudantes da Bíblia” (como as Testemunhas de Jeová eram então chamadas) eram legais e cabíveis nos Cartórios de Registro Civil oficiais. O Procurador Geral respondeu:
“Um dos princípios mais fundamentais da Moderna Lei Pública com respeito à tolerância religiosa — que se deriva de nossa virtude tradicional grega — é sem dúvida a realização de . . . qualquer serviço religioso. Por conseguinte, um casamento solenizado segundo qualquer que seja a seita religiosa, entre pessoas das mesmas crenças religiosas, é, em princípio, absolutamente respeitável, e, por conseguinte, admissível de registro nos Livros do Escrivão do Estado.”
Vinte anos depois, os líderes religiosos da Grécia de novo tentaram pressionar o Governo a retirar seu reconhecimento legal às Testemunhas de Jeová. Assim, em 1947, o clero grego questionou a validez dos casamentos das Testemunhas. Mas, aguardava-lhes outro desapontamento, pois o Procurador Geral do Supremo Tribunal declarou:
“Notando que sua seita é ‘conhecida’ na Grécia, a saber, aberta, não dispondo de quaisquer doutrinas e ritos de adoração secretos, e não se opondo à moral e à ordem pública comuns . . . têm direito à tolerância religiosa reconhecida pela Constituição . . . Por conseguinte, um casamento entre Milenaristas [Testemunhas de Jeová], solenizado em conformidade com suas crenças, é contraído com validez legal . . . e é passível de registro nos Livros do Escrivão.”
O clero grego, contudo, recusou-se a aceitar a derrota. Continuaram a procurar outra oportunidade de levantar a questão. Esta surgiu em 1959. Mais uma vez, porém, um jurista de mente liberal recusou-se a curvar-se a tais táticas de pressão. O Sr. Andrew Tussis, Procurador Geral Adjunto do Supremo Tribunal, declarou um parecer bem documentado em que deu certeza de que as Testemunhas de Jeová eram uma religião “conhecida” e que seus casamentos eram legais.
Passando de “Conhecidas” a “Desconhecidas”
Com o tempo, contudo, a situação política se deteriorou na Grécia. Subitamente, na noite de 21 de abril de 1967, um grupo militar se apoderou do país. Designou como arcebispo um clérigo favorito, chamado Ieronymous.
Parecia ser a oportunidade perfeita de o clero dar outra punhalada nas Testemunhas de Jeová. Ao invés de se dirigir ao Procurador Geral do Supremo Tribunal, porém, desta vez o Arquiepiscopado de Atenas solicitou a certo Sr. C. Muratidis, professor de lei canônica na Universidade de Atenas, que fizesse um pronunciamento quanto a se as Testemunhas de Jeová eram uma religião “conhecida” ou não.
O Professor Muratidis expressou seu parecer em 5 de setembro de 1967. Ignorando todas as decisões prévias dos Procuradores Gerais do Supremo Tribunal, declarou que as Testemunhas de Jeová não eram uma religião “conhecida” e que seus casamentos deveriam ser considerados inexistentes.
O Arcebispo Ieronymous levou o assunto ao Vice-presidente Pattacos. Dali o caso foi, não para o Supremo Tribunal, mas para o Conselho Legal do Estado, composto de advogados subservientes aos Ministros do governo. Qual foi o resultado?
Fortalecido pelo parecer do Professor Muratidis, em 13 de novembro de 1970, este colégio declarou que as Testemunhas de Jeová não eram uma religião “conhecida”. Após o que o Ministro do Interior enviou circulares aos Cartórios de Registro do país, ordenando que não registrassem quaisquer casamentos das Testemunhas de Jeová, visto que “tais casamentos não têm base legal”. Ademais, a circular declarava que os filhos de casais de Testemunhas deviam ser registrados pelo nome da família da mãe, que é o mesmo que os declarar ilegítimos.
Conseqüências Atordoantes
Pode imaginar as conseqüências trágicas de tal legislação? Da noite para o dia milhares de casais gregos foram considerados como coabitando ilegalmente. Viúvas de Testemunhas de Jeová não mais podiam receber pensões, visto que a lei insistia agora que elas não haviam sido realmente casadas. O Instituto de Previdência Social negou pagamentos por despesas de nascimentos e funerais.
Agentes do Governo começaram a remover as famílias das Testemunhas dos Registros Civis. Dados para as esposas foram removidos dos nomes de seus maridos e realistados debaixo dos nomes dos pais delas. Filhos de tais senhoras foram alistados como extra-maritais. Algumas autoridades chegaram até a apoderar-se de qualquer terreno que pertencia aos casais, os quais não mais consideravam casados, e com direito aos terrenos.
Naturalmente, num todas as autoridades agiram com tanta dureza. Algumas até mesmo reconheceram que a circular de Pattacos era “despropositada”. Todavia, lamentavam que “infelizmente não podemos ignorá-la”. Autoridades condolentes instaram com as Testemunhas de Jeová a que recorressem aos tribunais.
Muitas Testemunhas fizeram isso. Até mesmo obtiveram algumas decisões favoráveis de tribunais inferiores. Mas, quando apresentavam tais decisões aos Escrivães, estes se recusavam a obedecer. Obviamente, temiam as conseqüências de desobedecer ao Vice-presidente Pattacos. O Vice-presidente mantinha-se intransigente em sua oposição às Testemunhas de Jeová. Ele respondeu a um protesto dos resultados deploráveis de sua circular:
“(a) O Milenarismo não é uma religião ‘conhecida’ no sentido constitucional.
“(b) Os casamentos que se diz terem sido feitos segundo esta religião são inexistentes e não devem ser assentados nos registros civis. Em vista dos fatos precedentes, queiram parar de invocar razões emocionais ou filantrópicas em questões governadas pela Lógica e pela Lei.”
As trágicas conseqüências de tal “Lógica e Lei” se evidenciam num processo que envolvia a morte dum bebê. Quando o pai, Demetrius Kazanis, tentou a permissão para enterrá-lo, o Escrivão recusou-a. Declarou-se incapaz de registrar uma “baixa” quando não havia a correspondente “entrada” em seus livros. No que tangia àquela autoridade, o bebê não nascera.
Vergonhosamente, ao passo que o pai tateava em busca dum modo de corrigir a situação, foi necessário manter o bebê num refrigerador. Os repórteres logo souberam disso. Uma revista estampou a manchete: “EM NOME DO FANATISMO, O CADÁVER DUM BEBÊ É CONSERVADO NUM REFRIGERADOR!” — Epikaira, 26 de jan. de 1973, p. 20.
Por fim, um promotor público interveio e ordenou que a criança fosse registrada no nome do pai e enterrada. Isto, contudo, não corrigiu os assuntos para a maioria das Testemunhas de Jeová na Grécia. Nem as decisões dos tribunais inferiores, que foram ignoradas, nem a ajuda de uma parte da imprensa, conseguiram anular a circular do Ministro do Interior. Que se podia fazer?
Mudança Inesperada
Depois de longas palestras com consultores jurídicos, decidiu-se apresentar dois casos ao Conselho do Estado. Um foi o de Prokopius A. Delis, cujo casamento fora registrado legalmente em 1957. Apesar disto, porém, o Escrivão da comunidade de Vuniatades, Ilha de Corfu, negou a solicitação de Delis para que sua esposa e filho fossem ali registrados.
O segundo foi o caso de Stamatius Kallinderis, intendente da prefeitura de Peristeri-Atenas. As autoridades governamentais descontinuaram a pensão mensal para sua família, porque “o casamento entre ele e Mary Hormova, ambos pertencendo à religião das Testemunhas de Jeová, que não é uma religião ‘conhecida’ nem ‘aprovada’, sendo realizado segundo os rituais de tal religião, é inexistente”.
Em vista da importância de tais casos, o Supremo Tribunal do Estado decidiu ouvir a ambos em um só dia, 22 de abril de 1975. Na expectativa das audiências, as Testemunhas de Jeová ponderaram sobre muitas perguntas. Será que o Supremo Tribunal do Estado agiria sem preconceitos religiosos? Como reagiria o clero? Interferiria o Arcebispo Ieronymous?
Alguns meses, porém, antes da audiência de abril, algo de inesperado aconteceu. O grupo militar despediu o governo em exercício e designou um outro. Embora muito mais opressivo do que o anterior, esta regência ignominiosamente caiu apenas algumas semanas depois de assumir o poder. Daí, os militares convocaram os políticos a assumir o poder. Designaram a presidência ao ex-primeiro ministro, Constantine Karamanlis, que estivera em exílio auto-imposto em Paris, França, durante dez anos. Melhorariam as coisas agora para as Testemunhas de Jeová?
O governo de Karamanlis patrocinou eleições e um referendo, por meio do qual surgiu um regime democrático. O novo Parlamento grego votou uma Constituição liberal. Garantia a liberdade pessoal do povo grego e direitos iguais para os cidadãos, sem considerar suas crenças religiosas. Interessante é que tais acontecimentos se deram pouco antes da data fixada para a audiência nos processos das Testemunhas de Jeová.
Do novo Ministro do Interior, Sr. Stefanopulos, indagou-se sobre a possibilidade de expedir nova circular que anulasse a anterior, de Pattacos. Em sua resposta, Stefanopulos sugeriu que se levasse avante os dois processos. Expressou suas expectativas de que a lei “dará uma solução correta”, acrescentando: “Em caso contrário, veremos o que se pode fazer. Como os Srs. compreendem, não se trata apenas de revogar uma circular anterior, mas é um assunto legal em suspenso perante o Supremo Tribunal de Justiça.”
“Conhecidas” Legalmente de Novo
As audiências foram muito boas. O Relator do processo no Tribunal, Sr. M. S. Muzurakis, fez excelente apresentação do assunto inteiro relativo às Testemunhas de Jeová. Então sugeriu a anulação da ordem da administração anterior. Paradoxalmente, um dos procuradores gerais do governo concordou, ao passo que outro tentou debilmente defender a anterior circular que negava reconhecimento legal às Testemunhas. Qual foi o resultado?
Em 3 de julho de 1975, o Ministro Presidente do Supremo Tribunal do Estado anunciou a decisão favorável em ambos os processos. Mostrando concordar com isso, o Ministro do Interior expediu uma nova circular a todas as municipalidades e comunidades do país, e aos Consulados gregos no exterior. Ordenava o registro dos casamentos entre as Testemunhas de Jeová e de quaisquer filhos deles resultantes.
Quão agradável foi isso para as Testemunhas de Jeová na Grécia! Uma vez removidos os graves obstáculos legais, podem mais uma vez concentrar suas plenas energias em partilhar com seus vizinhos a mais importante de todas as mensagens — as boas novas do reino estabelecido de Deus. — Mat. 24:14.
[Foto na página 16]
Prédio do antigo palácio real, onde o Supremo Tribunal do Estado fez momentosa decisão em 3 de julho de 1975.
-
-
A terra dos fiordes do PacíficoDespertai! — 1976 | 22 de maio
-
-
A terra dos fiordes do Pacífico
Do correspondente de Despertai! na Nova Zelândia
“A OITAVA maravilha do mundo!” foi a descrição do poeta Rudyard Kipling sobre a majestade do Estreito de Milford. Embora este não fosse um sentimento original, Kipling, todavia, expressou o modo em que muitos se sentiram sobre sua primeira visita a este canto remoto da Ilha do Sul da Nova Zelândia, a décima segunda maior ilha do mundo.
O Parque Nacional da Terra dos Fiordes é um canto isolado do sudoeste do país, beirando o imprevisível Mar da Tasmânia, que separa a Nova Zelândia da Austrália por cerca de 1.900 quilômetros. Do norte ao sul, este parque se estende ao longo da costa por apenas cerca de 260 quilômetros, porém, mais de uma dúzia de fiordes o entrecortam, dando-lhe quase 1.600 quilômetros de orla marítima. Abrangendo 1,3 milhões de hectares (cerca de 13.000 quilômetros quadrados), o parque é um dos maiores do mundo.
O único modo de alcançar a maioria dos fiordes ainda é de barco ou por hidroavião.
-