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Cidadãos de Malaui confrontados com decisão vitalA Sentinela — 1973 | 15 de setembro
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Cidadãos de Malaui confrontados com decisão vital
OS CRISTÃOS em todo o mundo ficaram profundamente emocionados com a perseguição violenta que recentemente se moveu contra as testemunhas cristãs de Jeová em Malaui, nação do sudeste da África.
Cada cidadão desse país, que é menor do que o Território do Amapá, é afetado por isso. Pois, pelo menos uma pessoa dentre cada 194 da população de 4.530.000 habitantes está entre os perseguidos.
Portanto, a questão que confronta cada cidadão é: Estou a favor do que é direito e contra a opressão? Serei um daqueles de que Cristo falou, dizendo: “Aquele que der a um destes pequeninos [a um discípulo cristão] ainda que seja um copo de água fria a beber, porque ele é discípulo, deveras, eu vos digo, de nenhum modo perderá a sua recompensa”? — Mat. 10:42.
As testemunhas de Jeová são bem conhecidas como pessoas pacíficas, obedientes às leis da nação em que vivem. Não obstante, em Malaui, foram espancadas, torturadas, e algumas delas foram mortas. Milhares foram expulsos do país, em perigo de vida, deixando atrás todos os seus bens. Mais de 20.000 fugiram do país, 19.000 deles para Zâmbia, na fronteira ocidental de Malaui, onde foram colocados em acampamentos como visitantes indesejáveis. Por causa das durezas, morreram 350 pessoas, muitas delas crianças.
Mas, isto não bastou para satisfazer seus perseguidores. Sob a alegação falsa de serem transportados para acampamentos mais salutares em Zâmbia, os refugiados foram embarcados em ônibus e caminhões, e levados de volta a Malaui, onde os confrontaram as forças armadas de Malaui e onde foram dispersos para suas aldeias. Vinte e um dos superintendentes presidentes de congregações foram imediatamente encarcerados, depois de serem mandados de volta a Malaui; mais três testemunhas foram depois encarceradas no distrito de Rumphi.
Alguns tiveram as mãos traspassadas por pregos; outros foram espetados com agulhas de costura. Um grupo de quatro Testemunhas foi levado a doze filiais diferentes do Partido Congressista Malaui, forçadas a andar sessenta e quatro quilômetros sem receber qualquer alimentação durante quatro dias.
Muitos se viram então obrigados a fugir novamente, a maioria para o sul, para Moçambique, onde mais de 34.000 vivem agora em doze campos de refugiados.
Qual é o motivo deste ódio e do tratamento violento de cristãos num país cujo Presidente Vitalício, Dr. H. Kamuzu Banda, é um homem religioso, ancião da Igreja Presbiteriana?
O pretexto para a perseguição é que as Testemunhas se negam a comprar carteiras de filiação política do partido. Mas, conforme salientou Guy Wright, no jornal Examiner de São Francisco, E. U. A., no seu número de 19 de outubro de 1972:
“Trava-se uma guerra religiosa entre as Testemunhas de Jeová e um pequeno país Africano chamado Malaui.
“É bem uma guerra unilateral, medindo-se a força com a fé. . . . Poder-se-ia considerá-las [as Testemunhas] cidadãos modelares. Pagam diligentemente seus impostos, cuidam dos doentes, combatem o analfabetismo.”
Que o motivo básico da perseguição é religioso, poderá observar no relatório sobre o discurso do Presidente Vitalício Banda no Congresso Anual de 1972 do Partido Congressista Malaui, realizado de 10-16 de setembro de 1972 — em que lugar? Na Escola Secundária católica de Zomba. Chamando as testemunhas de Jeová de “Testemunhas do Diabo”, Banda “perguntou por que não vão à Igreja e pedem a ajuda de Deus quando em dificuldades”. — Malawi News, 19 de setembro de 1972.
Por que se negam as testemunhas de Jeová a comprar carteiras de filiação ao partido? Não é por causa de quaisquer inclinações políticas da sua parte, porque são absolutamente neutras para com todos os movimentos políticos. Para elas é apenas uma questão de consciência e de lei de Deus. Por causa de sua devoção exclusiva a Jeová Deus e seu reino, refreiam-se de tomar partido com as facções do mundo, assim como Jesus disse a respeito de seus seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” — João 17:16.
BRUTALIDADES DEPOIS DE SEU RETORNO
As atrocidades ocorridas foram praticadas por membros do Partido Congressista Malaui, com a plena aprovação e o apoio das autoridades do partido.
Refugiados entrevistados atestam que, ao serem levados de volta ao antigo aeroporto de Lilongwe, em Malaui, encontraram a área cercada pela polícia e por soldados do exército de Malaui, com fuzis na mão. Os ministros regionais Kimbweza Banda e M. Q. Y. Chiwambo estavam presentes para falar à multidão reunida. Também presentes estavam o Sr. Msonthi, o Sr. Gadama e outros membros do Parlamento, bem como membros da Liga Jovem, dos Jovens Pioneiros e da Liga Feminina. O Sr. Banda e o Sr. Chiwambo disseram às testemunhas:
‘Foram para Zâmbia espontaneamente. Ninguém os expulsou, e voltaram de sua própria vontade. Ninguém os chamou. Portanto devem ir para os seus respectivos lares e cooperar com os chefes locais, com os cabeças da aldeia e os presidentes do Partido Congressista Malaui por comprarem carteiras de afiliação ao Partido Congressista Malaui.’
Típica das experiências dos que voltaram aos seus lares é a narrativa de Bauleni Dzuwa, Testemunha de oitenta e oito anos, da aldeia de Nachite, da região de Lilongwe:
“Na manhã de 1.º de janeiro de 1973, eu soube que um bando da Liga Jovem estava caçando testemunhas de Jeová na aldeia vizinha de Nachiola. Apressei-me para dizer a um irmão jovem para correr e contar isso à polícia. Não demorou muito até que o bando da Liga Jovem cercou-me e pegou-me. Eram mais de trinta em número. Foram chefiados pelo Presidente Regional, Samu Chitonde pelo Presidente da Liga Jovem Gray Mtambo e pelo Secretário da Liga Jovem Lafaele Gunda. Mostraram-me as carteiras de afiliação política e mandaram que eu comprasse deles uma. Ao recusar-me por motivos de consciência, estas três pessoas começaram a espancar-me com paus, enquanto os outros da Liga Jovem observavam isso. Fiquei seriamente ferido nas mãos e nos joelhos. Continuaram a espancar-me até que fiquei fraco demais para me manter em pé e desmaiei.
“Quando recuperei a consciência, ainda estavam de pé ao meu redor, dizendo: ‘Ainda está vivo.’ Fui obrigado a por-me de pé e mandado a ir ao Tribunal Tradicional Chiwamba. Lá estavam mais quatro irmãos, com os cotovelos atados atrás das costas e também com as pernas atadas. Fizeram o mesmo comigo, e fomos deixados nesta posição inconfortável pelo menos por uma hora e meia.
“Por fim, chegou a polícia. Mandaram que os da Liga Jovem nos desatassem. Eu e mais dois irmãos estávamos tão seriamente feridos, que a polícia nos mandou ao hospital. Na manhã seguinte, somos levados à delegacia de polícia. Fizemos declarações sobre o que havia acontecido, mas fomos informados de que a polícia não podia fazer nada por nós. Mandaram-nos voltar para casa. Por isso tomamos um ônibus de Lilongwe e viajamos para Mlangeni [em Moçambique]. Estou agora aqui no acampamento de Mlangeni e sinto-me feliz de estar nesta comunidade de irmãos e de irmãs.”
Outra Testemunha, a Sra. Velina Lenadi, da aldeia de Nachite, teve sua casa queimada antes da fuga para Zâmbia. Ao voltar para casa, a Sra. Lenadi, sua filha de dezoito anos, Labahi, e seus outros três filhos foram despidos e espancados até desmaiarem. No ínterim, seu marido foi detido pela polícia. O espancamento destas mulheres foi feito por membros da Liga Jovem, cujos nomes são: Kandito, da aldeia de Nachite; Lenadi e Malenya, da aldeia Chimdidi; Kaliyekha, da aldeia de Machiola; e Mtambo, da aldeia de Mpesa.
Depois de Michael Yadanga, de Mzuzu, na Região Setentrional, ser transportado de volta de Zâmbia, ele com sua família foram soltos no centro duma reserva de caça, onde havia animais selvagens em toda a parte. Tiveram de andar onze quilômetros para tomar um ônibus. O chefe de aldeia Ganjo Mhango, o Presidente de Filial Alick Nyasulu e dois ex-presidentes de filial, Alick Mhango e Mhone, foram enviados pelo Sr. Nyirenda, Membro do Parlamento, para persuadir Yadanga a comprar uma carteira de afiliação partidária. Yadanga disse-lhes: “Perdi meus dentes por não querer comprar uma carteira. Perdi meu emprego por não querer comprar uma carteira. Fui espancado severamente, minha propriedade foi destruída e eu fui obrigado a fugir para Zâmbia — tudo isso por eu não querer comprar uma carteira. Não vou comprar nenhuma agora.” Depois de relatarem ao Sr. Nyirenda a resposta de Yadanga, organizaram um bando de vinte para pegá-lo na sua casa. Avisado por um membro amistoso da Liga Jovem, de que “vão aí para matá-lo”, Yadanga fugiu com sua família para Moçambique.
Natanda Madula, da aldeia Chiweta, da região de Mchinji, mal tinha chegado para casa, depois duma caminhada de cinqüenta e seis quilômetros desde o aeroporto de Lilongwe, quando membros da Liga Jovem obrigaram a ele e mais cinco Testemunhas a ir à filial de Lemwe do Partido Congressista Malaui, onde o Presidente Regional Jemusi perguntou: “Então voltaram, não é? Por que é que saíram deste país em primeiro lugar?” Madula respondeu que ele, como testemunha de Jeová, negava-se a se meter na política e não queria tornar-se membro dum partido político por comprar uma carteira de afiliação. A recusa de Madula irou tanto o Presidente Jemusi, que ele mandou que quatro homens, cujos nomes são Chimpase, Wailesi, Laochi e Chagamba, espancassem Madula. O próprio Jemusi deu ponta-pés e pisou em Madula com suas botas, depois o despiram, espancaram-no mais ainda e finalmente arrastaram-no para fora do prédio. Trataram as outras cinco Testemunhas da mesma maneira atroz, mas todas as Testemunhas mantiveram-se firmes nas suas convicções. Visto que sofriam mais ameaças, fugiram para Moçambique.
Estes são apenas alguns das dezenas de relatórios procedentes de Malaui. No distrito de Mzimba, sete lares foram incendiados e as Testemunhas espancadas e torturadas. Quatro crianças morreram na aldeia de Mtundu e o mesmo número morreu na aldeia de Lusanga, por falta de víveres e por não se permitir que dessem entrada num hospital. Na mesma zona (de Rumphi), na Região Setentrional, vinte e sete casas foram incendiadas em Mtundu, nove em Mjuma e quatorze na cidade de Rumphi. As Testemunhas deste distrito foram obrigadas a fugir para a mata e para as montanhas altas.
Ao passo que os cidadãos de Malaui observam estas coisas terríveis, confrontam-se com uma decisão. Tendo conseguido sua independência como nação, desejada por muitos anos, irão agora sufocar a liberdade de consciência e de adoração de Deus, ou irão permitir que seu governo faça isso, sem protesto? Será que há alguns que, em vez disso, sentem-se envergonhados de tal ação e estão dispostos a dar o figurativo “copo de água fria” para consolar e ajudar os cristãos perseguidos, mostrando assim sua posição ao lado de Cristo? Sim, há tais pessoas, conforme revela o artigo que segue.
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Perseguição de cristãos testa corações em MalauiA Sentinela — 1973 | 15 de setembro
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Perseguição de cristãos testa corações em Malaui
LOGO depois de saberem, em princípio de outubro de 1972, das dificuldades causadas aos seus irmãos cristãos em Malaui, as testemunhas de Jeová em todo o mundo vieram em auxílio deles. Muitas contribuições foram enviadas à matriz da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, em Brooklyn, Nova Iorque, e às filiais em todo o mundo. O escritório de Brooklyn, por sua vez, enviou fundos suficientes às filiais vizinhas de Malaui, para comprar o necessário. Assim se providenciaram socorros o mais depressa possível para as 19.000 Testemunhas no campo de refugiados em Sinda Misale, em Zâmbia.
Em vista da urgência, as congregações em Chipata, na vizinhança de Sinda Misale, já haviam antes providenciado fornecer 4.550 quilos de farinha de milho, 1.150 quilos de açúcar, 75 colchas e 65 cobertores, além de ferramentas e instrumentos agrícolas, para serem levados ao acampamento.
Pouco depois, começaram a chegar por via aérea grandes quantidades de suprimentos das filiais vizinhas. Uma pequena frota de caminhões prontificou-se a transportar 9.000 quilos de farinha de milho, 2.950 quilos de peixe seco, 950 lonas, 150 caixas com roupa, várias centenas de cobertores novos, grandes quantidades de folhas plásticas, 100 pás, 25 serras manuais, 28 machados e diversas picaretas, martelos e outras ferramentas para o desmatamento, a ereção de tendas, a escavação de poços e assim por diante. Grande parte do material foi transportado por 2.400 quilômetros até este local em Zâmbia.
Daí, durante novembro, e até a evacuação do acampamento em dezembro, com a volta de todos os refugiados a Malaui, foi possível entregar as seguintes provisões:
35.850 quilos de farinha de milho
1.000 quilos de leite desidratado
225 quilos de feijão seco
157 pacotes de roupa
5.400 barras de sabão
cerca de meia tonelada de suprimentos médicos, para as clínicas estabelecidas no acampamento
10.000 cobertores
Entregou-se também dinheiro aos superintendentes de congregação no acampamento para a compra de outras necessidades.
Os superintendentes criaram um sistema de distribuição, para assegurar a todos o recebimento do necessário para sua família. As crianças receberam atenção médica especial e o leite foi reservado para elas. Não foram esquecidas as necessidades espirituais. Um caminhão trouxe vinte e uma caixas de Bíblias e compêndios bíblicos, porque os perseguidores haviam despojado os refugiados de todos estes bens.
Desmatou-se o terreno, e ergueram-se tendas e escavaram-se poços. Os doentes foram tratados e as condições começaram a melhorar. Daí, veio a surpresa do retorno dos refugiados a Malaui. Novamente se viram obrigados a fugir, a maioria deles buscando refúgio em Moçambique, onde foram recebidos bondosamente. No entanto, mesmo ali, grupos volantes da Liga Jovem do Partido Congressista Malaui cruzaram a fronteira para molestá-los, mas eles foram presos e punidos pela polícia de Moçambique.
A OBRA DE SEPARAÇÃO AFETA A TODOS OS MALAUIS
Alguns perguntaram: ‘Por que permite Deus que cristãos conscienciosos sofram assim? Adianta isso alguma coisa?’ Jesus salientou que tais coisas ocorreriam nestes “últimos dias”, quando disse aos seus discípulos: “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.” — Mat. 25:31, 32.
Jesus prosseguiu, dizendo que as “ovelhas” se identificariam pela sua bondade para com os “irmãos” dele. Disse que estes seus irmãos gerados pelo espírito e ungidos sofreriam encarceramento, doença, sede, fome e falta de roupa, assim como as testemunhas de Jeová em Malaui sofreram. Ele disse que as “ovelhas” prestariam ajuda. O que fizeram neste respeito é contado por Cristo como feito a ele pessoalmente.
Nos últimos poucos anos, muitos têm demonstrado uma atitude semelhante à de “ovelhas”, reconhecendo os proclamadores do Reino como representantes de Cristo. Têm prestado ajuda com seu tempo, seus recursos e sua capacidade. Agora estão ao lado dos “irmãos” de Cristo na proclamação da verdade bíblica a outros, e estes semelhantes a “ovelhas” têm a esperança de viver numa terra paradísica, sob o reino de Deus. — Mat. 25:34-36.
Uma evidência notável de que realmente há uma obra de separação em resultado da perseguição é o número dos que tomaram sua posição ao lado das Testemunhas malauis e que fugiram com elas. Nos novos acampamentos em Moçambique puderam continuar a estudar a Bíblia, e agora mais de 200 já foram batizados nestes acampamentos.
Também, muitos cidadãos de Moçambique prestaram ajuda e deram abrigo aos refugiados. Nos acampamentos providos em Moçambique, as Testemunhas usufruem grandemente a sua liberdade de se reunir em grandes grupos para reuniões de estudo bíblico e para entoar cânticos do Reino, o que não podiam fazer desde 1967. Trabalham arduamente, desmatando e cultivando a terra. A Sociedade Torre de Vigia faz todo o possível para cuidar de que estes refugiados tenham o necessário. E os que se encontram nestes acampamentos expressam seu apreço de coração pelo amor demonstrado pelos seus irmãos cristãos em toda a terra em doações ativas. Isto lhes serve como prova de que Deus vê a integridade de seu povo e que cuida deles. — 1 Ped. 5:7.
Por outro lado, os que participam na perseguição de cristãos colocam-se numa situação muito perigosa perante Deus. Não obstante, as Testemunhas não os consideram como “cabritos” da parábola de Jesus. Este julgamento cabe a Deus. Alguns deles talvez sejam sinceros. Neste caso, talvez caiam em si, assim como fez Saulo, violento mas sincero perseguidor de cristãos, que mais tarde se tornou o apóstolo Paulo. (1 Tim. 1:12-16) Mas, tais pessoas não devem pensar que, só porque Deus não age imediatamente contra eles, podem prosseguir com impunidade. Se pensarem assim, desacertarão o objetivo de Sua paciência em dar-lhes a oportunidade de mudar. — 2 Ped. 3:9.
Também, os que observam o que está acontecendo e que deixam de ajudar os perseguidos pela obediência a Cristo têm de encarar as perguntas: ‘Perseguirei pessoas cristãs, inofensivas, ou vou ficar observando cristãos serem espancados, seus braços quebrados, seus lares incendiados, e ainda assim ficar calado? E permitirei que o medo ou o egoísmo me refreiem, não dando ajuda a estas pessoas? Então, qual é a minha situação perante Deus?’ Por conseguinte, causa-se um verdadeiro esquadrinhamento de corações em Malaui, bem como em Moçambique e em Zâmbia.
Nem mesmo sob perseguição as testemunhas malauis de Jeová não guardam rancor aos seus perseguidores. Compreendem que se permite isso para que se realize a obra de separação. Oram para que os opositores se dêem conta de sua verdadeira situação perante o Deus Todo-poderoso e mudem de proceder, sendo assim separados como “ovelhas” para a “direita” de Cristo, com a perspectiva de vida eterna numa terra paradísica por recompensa. — Mat. 5:44.
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É importante para os cristãos a data da celebração da Páscoa?A Sentinela — 1973 | 15 de setembro
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É importante para os cristãos a data da celebração da Páscoa?
JESUS CRISTO, fundador do cristianismo, instituiu a comemoração de sua morte (a Refeição Noturna do Senhor) num dia assinalado por uma observância anual, a Páscoa judaica. Sendo assim, é razoável que a Refeição Noturna do Senhor seja também uma celebração anual. Por isso, a data em que se realizava a Páscoa determinaria quando se havia de comemorar a morte de Jesus. Portanto, os cristãos acham ser de interesse mais do que passageiro verificar quando se celebrava a Páscoa. Isto é importante, porque estão sob a ordem de comemorar a morte de Jesus. — Luc. 22:19.
Segundo o calendário judaico, a data aniversária da celebração da Páscoa cai no mês de nisã. Jeová Deus ordenou a respeito do cordeiro ou cabrito que se devia comer durante a refeição pascoal: “Terá de continuar a ser resguardado por vos até o dia quatorze deste mês, e toda a congregação da assembléia de Israel terá de abatê-lo entre as duas noitinhas.” — Êxo. 12:6.
O que significa a expressão “duas noitinhas”? Tem qualquer relação com a data da celebração da Páscoa?
A tradição judaica, em geral, apresenta as “duas noitinhas” como o tempo desde o meio-dia (quando o sol começa a declinar) até o pôr do sol. Visto que os israelitas mediam seu dia do pôr do sol ao pôr do sol, isto significaria que a vítima pascoal foi morta antes do pôr do sol em que terminava o 14 de nisã e começava o 15 de nisã. Se isto fosse correto, a própria refeição pascoal teria sido consumida, no Egito, em 15 de nisã, e os israelitas teriam deixado o Egito só naquela data.
Mas o conceito judaico, tradicional, a respeito das “duas noitinhas”, não se harmoniza com a narrativa bíblica de Êxodo 12:17, 18. Lemos ali: “Tereis de guardar a festividade dos pães não fermentados, porque neste mesmo dia terei de fazer os vossos exércitos sair da terra do Egito. E tereis de guardar este dia nas vossas gerações como estatuto por tempo indefinido. No primeiro mês [nisã ou abibe], no dia quatorze do mês, à noitinha, deveis comer pães não fermentados.”
Se a vítima pascoal tivesse sido abatida assim como afirma a tradição judaica, a saber, no último quarto do dia quatorze, que terminou ao pôr do sol, então os israelitas não poderiam ter partido do Egito naquele “mesmo dia.” O acontecimento que os habilitou a partir foi a morte dos primogênitos dos egípcios. Mas, visto que isto ocorreu a meia-noite, só teria ocorrido cerca de seis horas depois de terminar o 14 de nisã. — Êxo. 12:29.
Portanto, temos de recorrer a uma outra fonte, não à tradição judaica, para saber quando se sacrificava e comia a vítima pascoal. Teremos de examinar a própria Bíblia para saber o significado da expressão “duas noitinhas”. Fixando nossa atenção em Deuteronômio 16:6, notamos que no caso da primeira noitinha estava envolvido um tempo muito mais tarde do que o meio-dia. As instruções dadas ali a Israel rezavam: “Deves sacrificar a páscoa, a noitinha, assim que se pôr o sol.” Portanto, a primeira das “duas noitinhas” evidentemente indica o tempo do pôr do sol, ao passo que a segunda noitinha corresponde ao tempo em que a luz refletida do sol ou o arrebol da tarde termina e a escuridão sobrevêm.
Esta explicação das duas noitinhas foi também dada pelo rabino espanhol Aben-Ezra (1092-1167 E. C.), bem como pelos samaritanos e os judeus caraítas. É o conceito apresentado por eruditos tais como Michaelis, Rosenmueller, Gesenius, Maurer, Kalisch, Knobel e Keil.
Examinando a evidência bíblica como um todo, podemos ver que a vítima pascoal foi abatida ao pôr do sol, no começo do 14 de nisã, e a refeição
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