-
Zimbabwe (continuação)Despertai! — 1985 | 22 de setembro
-
-
Jeová, como está escrito: “Quando te deitares, não sentirás pavor; e hás de deitar-te e teu sono terá de ser prazenteiro. Não precisarás ter medo de uma repentina coisa pavorosa, . . . porque o próprio Jeová, de fato, mostrará ser tua confiança e ele certamente guardará teu pé da captura.” — Provérbios 3:24-26.
Um Paradoxo
É realmente uma coisa estranha: A própria posição que fazia com que nossos jovens irmãos brancos fossem presos dava aos nossos irmãos africanos uma liberdade que amiúde não era usufruída por outras organizações, religiosas ou não.
À medida que o tempo passou, o aumento das atividades de guerrilha em algumas áreas resultou na intensificação de medidas de segurança. Reuniões foram proibidas; escolas e lojas foram fechadas. Os irmãos tiveram de ser especialmente cautelosos no seu ministério de campo e na forma como se reuniam para adoração cristã.
Programou-se uma assembléia de circuito para uma dessas áreas, em fevereiro de 1973. Seria permitido realizá-la? Com plena fé na orientação de Jeová, os irmãos locais se dirigiram ao chefe tribal a fim de obter uma carta para o comissário distrital. Embora ele não fornecesse a carta naquela ocasião, permitiu que os irmãos começassem os preparativos.
Quando o superintendente de distrito, Isaac Chiadzwa, mais tarde chegou à área, foi ao gabinete do comissário distrital para comunicar sua presença e obter autorização para entrar naquela área, para a assembléia de circuito. “Quando pedi autorização para entrar na área de Dotito”, contou ele, “todos no gabinete do comissário distrital deram risadas e pensaram que eu era doido. Quão surpresos ficaram quando, mais tarde, ouviram uma das autoridades dizer: ‘Conhecemos os senhores. Sabemos qual é sua posição a respeito das presentes condições.’”
Realmente! Foi concedida a autorização para a assembléia! A única restrição era que não devíamos realizar nenhuma sessão à noite. Até mesmo o chefe ficou surpreso e impressionado!
O irmão Chiadzwa disse que encontrou muitas barricadas naquela época, no serviço de distrito. Ele relata: “Sempre me deixaram passar porque eu era Testemunha de Jeová. Numa barricada mandou-se que todos descarregassem seus veículos para inspeção. Assim que saltei do furgão, um policial viu minha pasta. Depois de abri-la, perguntou-me quem eu era e o que fazia. Quando lhe disse que era Testemunha de Jeová, ordenou-me que não descarregasse meu furgão, que, incidentalmente, estava cheio de publicações e de todo o nosso equipamento. Quando outro policial ouviu isso, queria saber por que o furgão não devia ser descarregado. Pude ouvir o primeiro dizer: ‘Ele é Testemunha de Jeová. Não temos problemas com esta gente.’”
O superintendente de distrito disse que todos os irmãos naquela área portavam publicações da Sociedade, até mesmo quando trabalhavam nos campos. Muitas vezes isso os poupou de surras e outros maus-tratos. Deveras, é estranho como o mesmo grupo de pessoas que, numa situação, podia ser anátema para as autoridades, noutra situação podia ser tão altamente favorecido!
Temos mais a contar-lhe sobre isso depois, mas agora voltemos a Malaui.
Perseguição em Malaui
Quando mencionamos pela última vez os irmãos em Malaui, eles tinham fugido de seu país de origem para Milange, em Moçambique, a leste de Malaui. Por volta de 1970, muitos deles começaram a infiltrar-se novamente em sua terra natal, onde procuraram recomeçar no ponto em que haviam parado. Mas esta situação não durou muito.
Em 1972, outra onda de cruel perseguição atingiu nossos irmãos. O jornal San Francisco Examiner classificou-a de “guerra religiosa” e declarou: “É uma guerra bem unilateral, medindo-se a força com a fé.” Seguiu bem de perto os moldes da onda de perseguição em 1967, só que desta vez foi muito mais intensa.
A Liga Jovem e o movimento de Jovens Pioneiros assumiram a liderança nesta “guerra”. “Organizaram-se em grupos, indo de uma dúzia, mais ou menos, até cem pessoas. Daí, foram de povoado em povoado, armados de porretes, clavas, pangas e machadinhas, procurando e atacando as testemunhas de Jeová e suas propriedades.” — Despertai! de 8 de abril de 1973.
Houve estupros de nossas irmãs e cruéis espancamentos com tábuas fincadas de pregos. Amarraram capim seco num irmão, e então atearam fogo. Ele foi literalmente queimado vivo.
O irmão Michael Yadanga e sua família foram soltos no meio duma reserva de caça com animais selvagens ao redor. Tiveram de caminhar vários quilômetros para apanhar um ônibus. Quando retornaram à sua localidade, fizeram-se novas tentativas, com ameaças, de persuadi-los a comprar uma carteira de filiação ao partido político. A resposta do irmão Yadanga para eles foi: “Perdi meus dentes por não querer comprar uma carteira. Perdi meu emprego por não querer comprar uma carteira. Fui severamente espancado, minha propriedade foi destruída e fui obrigado a fugir para Zâmbia — tudo isto por eu não querer comprar uma carteira. Não vou comprar uma agora.” Mais tarde, avisado por um membro amistoso da Liga Jovem de que eles vinham pegá-lo, este irmão e sua família fugiram para Moçambique.
Além dos espancamentos e de outras crueldades físicas houve o fechamento de negócios, o congelamento das contas bancárias, o confiscamento de propriedades, a destruição ou o roubo de colheitas, e a demissão sumária de Testemunhas de seus empregos. O que fizeram? Fizeram a única coisa que podiam — evadiram-se do país.
Desta vez a maioria deles fugiu para Zâmbia. Mais de 19.000 deles estabeleceram um campo de refugiados em Sinda Misale.
Ajuda da Parte da Fraternidade Mundial
Não demorou muito para começar a chegar ajuda a estes irmãos. Ela veio de todas as partes da Terra, na forma de dinheiro, roupas, alimentos e outros itens. Os irmãos em Zâmbia forneceram rapidamente milhares de quilos de gêneros alimentícios, cobertores e roupas de cama, implementos agrícolas e outras coisas. Caminhões carregados de lonas, cobertores, revestimentos de plástico, pás, enxadas e outros itens vieram da África do Sul, nossos irmãos dirigindo 2.400 quilômetros até Sinda Misale para entregar estes itens. Embora passassem por muitas dificuldades, entregaram os itens sob a orientação amorosa de Jeová. Ao todo, foram fornecidas muitíssimas toneladas de alimento, roupa, remédios e outros itens para os irmãos em Sinda Misale.
[Continua na próxima edição.]
-
-
Qual é o novo conceito sobre a violência nas diversões?Despertai! — 1985 | 22 de setembro
-
-
Qual é o novo conceito sobre a violência nas diversões?
Será que o sexo e a violência, vividamente representados em filmes e em programas de TV, sugerem idéias aos espectadores e os fazem agir de modo similar na vida real? Este tópico, muito debatido, recentemente obteve novo enfoque.
“Geralmente estas idéias são controladas por nossas inibições”, explica o dr. Leonard Berkowitz, professor de psicologia na universidade de Wisconsin, EUA. Mas, quando tais filmes e programas são promovidos em nome da expressão artística, e talvez recebam críticas literárias favoráveis, por parte de alguns jornalistas, afirma Berkowitz, “isso ajuda a legitimar não apenas o filme, mas esse comportamento, deixando desprevenido o espectador e tornando menos provável que suas inibições sejam tão fortes como antes”. Quando se adiciona o elemento sexo, como amiúde ocorre, isso “produz maior estímulo e torna mais provável que as pessoas atuem segundo suas idéias”.
A conclusão do dr. Berkowitz, resultante de mais de 20 anos de pesquisas, é citada pelo jornal The New York Times num artigo a respeito de diversos filmes deste tipo. Para muita gente, afirma o artigo, estes programas “merecem especial objeção, precisamente por se entender que dão uma aura de respeitabilidade à representação das indecências mais horríveis e violentas”.
-