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  • Eu era servo de um deus feito por mãos
    Despertai! — 1973 | 22 de junho
    • meus co-adoradores de Jeová. Embora tivesse de abandonar minha casa e pequena propriedade, não perdi realmente nada. Aprendi a ler, de modo que agora posso ler a Bíblia e A Sentinela. Tenho novos cânticos a entoar sobre o único Deus verdadeiro e seus poderosos atos no passado e suas maravilhosas promessas para o futuro. Por fim, encontrei a felicidade e a paz mental.

  • O que acontece aos cristãos em Malaui?
    Despertai! — 1973 | 22 de junho
    • O que acontece aos cristãos em Malaui?

      NOS meses recentes, a imprensa pública trouxe repetidas vezes à atenção que os cristãos estavam sendo perseguidos em Malaui. Tais cristãos, as testemunhas de Jeová, têm sido vítimas do que o Sunday Telegram de Londres, de 14 de janeiro de 1973, chamou de “uma das mais horríveis perseguições religiosas da história turbulenta da África”.

      Os leitores regulares da revista Despertai! estão familiarizados com muitos dos pormenores desta perseguição, que irrompeu mais recentemente na última metade de 1972. O número de 8 de abril de 1973 de Despertai! trazia um relatório completo disto, intitulado “Os Cristãos Fogem da Cruel Perseguição em Malaui”.

      Tal relatório abrangia os eventos que ocorreram há alguns meses atrás. Mas, o que aconteceu desde então? Como está a situação agora para tais cristãos malauis?

      Antes de atualizarmos os eventos, um breve resumo do que ocorreu em Malaui ajudará os leitores que não estão a par da situação.

      Ondas de Intensa Perseguição

      A intensa perseguição das testemunhas de Jeová em escala nacional começou em 1967 em Malaui. Então, muitas Testemunhas foram selvagemente espancadas e algumas foram até mesmo mortas. Centenas de suas mulheres foram violadas, algumas repetidas vezes. Milhares de suas casas, lojas e locais de adoração foram pilhados e destruídos. Sua atividade cristã, inclusive suas reuniões pacíficas para estudar a Bíblia, foi proscrita, bem como todas as suas publicações.

      No ano passado, 1972, irrompeu outra onda de perseguição. Desta vez, foi ainda mais grave do que a de 1967. Os espancamentos, os incêndios, as pilhagens, os estupros e os assassinatos foram praticados numa escala bem maior. As Testemunhas se viram privadas de seus meios de vida e foram despedidas de seus empregos. Deveras, fez-se um esforço nacional de destruir as cerca de 23.000 testemunhas de Jeová em Malaui. Assim, viram-se obrigadas a fugir para preservar a vida.

      Tudo isto aconteceu em resultado direto das ações oficiais tomadas pelo governo de um só partido de Malaui. Matthew White, correspondente do Financial Times de Londres, achava-se em Malaui nessa ocasião. Escrevendo de Blantyre, disse o seguinte, publicado no Financial Times de 31 de outubro:

      “O expurgo das testemunhas de Jeová . . . agitou o país mais do que qualquer outro evento após a independência. A ação contra os sectários cristãos . . . seguiu uma resolução aprovada no congresso anual do Partido Congressista Malaui, de privar as Testemunhas de seus meios de vida e ‘expulsá-las’ de seus povoados a menos que se afiliassem ao partido.”

      Tais resoluções foram endossadas pelo presidente de Malaui, Dr. H. Kamuzu Banda, num comício da cidade de Zomba, em 17 de setembro de 1972. Com que resultado? Relata o correspondente White:

      “Vendo tal discurso como a luz verde, bandos da Liga Jovem malaui do partido e dos Jovens Pioneiros começaram a dar buscas de casa em casa, expulsando delas e às vezes atacando os africanos que não pudessem apresentar ou que se recusassem a comprar cartões de filiação ao partido. É difícil, talvez impossível, depreender o alcance pleno desta violência . . .

      “O que deixa atônitas muitas pessoas aqui — inclusive alguns membros do P[artido] C[ongressista] M[alaui] — é que o Presidente Banda permita que a hostilidade fique tão completamente fora de controle.”

      A selvageria dos ataques causou uma onda de repulsa por parte de muitas pessoas através do mundo. A imprensa de muitas nações reagiu similarmente. Típico dos muitos noticiários foi o seguinte comentário do Times de Londres, de 15 de dezembro de 1972:

      “Hitler as colocou em campos de concentração, têm sido perseguidas atrás da cortina de ferro, e têm sido perseguidas nos estados africanos de partido único. O Dr. Banda de Malaui proscreveu a seita em 1967, e, este ano, ataques selvagens de seus Jovens Pioneiros — os cães de guarda do partido de Kamusu — expulsaram milhares delas para os países vizinhos.”

      Foram feitos apelos de parar a perseguição. Mas, estes não prevaleceram. Assim, como observou o Times, as testemunhas de Jeová foram obrigadas a fugir de Malaui para preservar a vida.

      A Questão

      Num editorial de 17 de outubro de 1972, o Examiner de São Francisco, EUA, disse sobre as testemunhas de Jeová: “Poder-se-ia considerá-las cidadãos modelares. Pagam diligentemente seus impostos, cuidam dos doentes, combatem o analfabetismo. Mas, elas se recusam, por princípios religiosos, a comprar carteiras de filiação política do único partido político de Malaui.”

      Assim, a causa imediata desta perseguição é a recusa destes cristãos de se afiliarem ao partido político que controla Malaui, o Partido Congressista Malaui. Não compram as carteiras do partido, como é exigido delas. Isto se dá por causa da sua posição neutra para com a política, posição esta baseada na Bíblia.

      Neste respeito, fazem exatamente como Jesus Cristo e os cristãos do primeiro século fizeram. Pergunte a si mesmo: A que facção política, quer romana quer judia, juntou-se Jesus? A que facção política se juntaram os apóstolos? A Bíblia é clara sobre tal ponto. Não se filiaram a nenhuma delas. Permaneceram neutros, prosseguindo pacificamente em sua atividade cristã como cidadãos decentes, acatadores da lei.

      As testemunhas de Jeová fizeram todo esforço para tentar explicar tais assuntos às autoridades. Cabogramas, cartas, telefonemas e entrevistas foram usados. O Corpo Governante das testemunhas de Jeová, em Brooklyn, Nova Iorque, enviou um cabograma para solicitar ao Dr. Banda que concedesse uma audiência a representantes do Corpo Governante das testemunhas de Jeová. Mas, o governo de Malaui simplesmente respondeu que quaisquer informações deveriam ser enviadas por meio do delegado de Malaui perante as Nações Unidas.

      Fez-se isto. Um memorando de treze páginas foi enviado a este representante na ONU. Explicava a posição das testemunhas de Jeová, e por que nenhum governo deveria temê-las. Numa seção desta carta, sob o título “Por Que as Testemunhas de Jeová Se Recusam a Comprar Carteiras de Filiação ao Partido”, declarava-se o seguinte:

      “A posição das testemunhas de Jeová nesta questão se baseia no ensino da Bíblia e em sua consciência. As testemunhas de Jeová assumem uma posição neutra em todos os países do mundo, não tomando lados nem participando de quaisquer atividades políticas, para assim servirem melhor e imparcialmente como ministros da boa-nova que representa o reino celeste de Jeová Deus.”

      Comentando o assunto do envolvimento político que resultaria de se comprarem carteiras do partido, esta seção também observava:

      “As testemunhas de Jeová respeitam e observam as leis de cada país em que residem, conquanto tais leis não sejam contrárias à lei divina. No entanto, na questão de envolvimento político, que inclui a compra de carteiras de filiação a partidos políticos, acham conscienciosamente que isto seria contrário às palavras de nosso Senhor Jesus a respeito de seus verdadeiros seguidores: ‘Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.’ (João 17:16) Também, Cristo disse, conforme registrado em João 18:36: ‘Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado.’”

      Em aditamento, a carta do Corpo Governante ao representante de Malaui nas Nações Unidas dizia o seguinte:

      “As testemunhas de Jeová assumem a mesma posição que os cristãos primitivos. O livro ‘O Cristianismo e o Governo Romano’ declara: ‘Os cristãos eram estrangeiros e peregrinos no mundo em torno deles; sua cidadania estava no céu; o reino que procuravam não era deste mundo. A conseqüente falta de interesse nos assuntos públicos veio assim a ser, desde o início, modalidade notável do Cristianismo.’

      “Permita-nos dizer, contudo, que as testemunhas de Jeová não têm intenção, nem desejo, de interferir no que outros fazem quanto a participação na política. Não estão trabalhando contra o Governo de Malaui ou contra o partido político. Elas mesmas declinam participar em assuntos políticos ou comprar carteiras de partidos políticos, ainda que isso traga grande sofrimento sobre elas, porque para as testemunhas de Jeová se trata dum assunto de crença baseada na Bíblia e de consciência.”

      No entanto, até agora, não se recebeu nenhuma resposta do governo de Malaui. Não se permitiu que nenhuma delegação representasse as testemunhas de Jeová perante o presidente ou outras autoridades daquele país.

      Bem mais de 20.000 testemunhas de Jeová se viram obrigadas a fugir de Malaui. A maioria delas fugiu para a vizinha Zâmbia. Vários milhares delas fugiram para Moçambique.

  • O campo de refugiados de Sinda Misale
    Despertai! — 1973 | 22 de junho
    • O campo de refugiados de Sinda Misale

      AS TESTEMUNHAS de Jeová que fugiram de Malaui para Zâmbia foram reunidas num campo de refugiados perto da fronteira dos dois países. Este campo foi chamado de Sinda Misale. Vários relatórios, inclusive um feito pelo Ministro do Desenvolvimento Rural de Zâmbia, Sr. Reuben Kamanga, indicavam que cerca de 19.000 testemunhas de Jeová se achavam refugiadas ali.

      Visto que Zâmbia não convidara as Testemunhas para seu país, foram tratadas como visitantes indesejáveis. O campo foi isolado pelas forças de segurança, de modo que ninguém tivesse acesso a ele.

      Alguns suprimentos foram fornecidos pelas autoridades. Em adição, dinheiro e suprimentos doados pelas testemunhas de Jeová em todo o mundo chegavam a suas filiais. Por exemplo, na África do Sul apenas, cerca de 1.000 lonas alcatroadas e 157 grandes caixotes de roupas, em adição a cobertores e outros suprimentos, foram enviados. Estes chegaram aos refugiados.

      As Testemunhas sul-africanas organizaram outra grande remessa. Incluía dinheiro para 10.000 novos cobertores, remédios e outras necessidades. Médicos também se ofereceram, e estes estavam disponíveis para ir. Deveras, tais ofertas e contribuições das testemunhas de Jeová em outros países foram mais do que suficientes para fornecer todas as necessidades aos refugiados em Zâmbia.

      No entanto, depois das primeiras remessas, as testemunhas de Jeová foram informadas de que não mais seria permitido enviar ao campo quaisquer outros suprimentos. Fizeram-se então esforços de enviar tais suprimentos por meio da Cruz Vermelha, mas tais esforços fracassaram.

      As Nações Unidas enviaram seus representantes a Zâmbia para investigar a situação. Quando, em 19 de dezembro, soube-se que uma destas autoridades, o Sr. Emmanuel Dazie, se achava em Zâmbia, as testemunhas de Jeová tentaram de toda forma possível entrevistar-se com ele. Desejavam saber o que acontecia com seus irmãos cristãos no campo e fazer arranjos para levar-lhes socorros. Mas, isso de nada adiantou. O Sr. Dazie afastou as Testemunhas, dizendo estar muito ocupado e não poder conceder-lhes nenhum tempo para uma audiência.

      No ínterim, mais de 350 testemunhas morreram no campo de Sinda Misale, segundo os relatórios disponíveis. A água ruim, a subnutrição e a falta de suficientes cuidados médicos foram as causas. O maior número dos que morreram eram crianças.

      Por fim, as autoridades de Malaui e de Zâmbia determinaram que as testemunhas de Jeová em Sinda Misale deveriam ser mandadas de volta para Malaui. Foram feitos arranjos para isso, sem que as Testemunhas no campo soubessem.

      A Transferência — Que Decepção!

      Em dezembro, as autoridades disseram às testemunhas de Jeová no campo que elas mudariam de local, mas seria para outro local em Zâmbia. Tal mudança não lhes era objetável. Mas, não lhes disseram a verdade. O destino real era Malaui.

      Está claramente documentado que as Testemunhas foram enganadas quanto ao destino. Mais de cem entrevistas com as testemunhas de Jeová que foram realmente envolvidas provaram isto de forma conclusiva. Segundo o Sunday Telegraph de Londres, foi-lhes dito que seu destino era outro campo em Zâmbia:

      “Em 20, 21 e 22 de dezembro, uma frota de 52 caminhões de carga e 13 ônibus dirigidos por zâmbios chegou a Sinda Misale. Segundo certo jornalista africano que visitou o campo . . . as Testemunhas de Jeová receberam ordens de tomar tal transporte para outro campo em Zâmbia.”

      Os representantes das Nações Unidas não fizeram nada para frustrar tal engano. Com efeito, tornaram-se partícipes do mesmo. O Times de Zâmbia declarou em 23 de dezembro:

      “Os 19.000 refugiados da Torre de Vigia que acabaram de ser repatriados para Malaui ‘estavam felizes de voltar a seu país’. Isto foi declarado ontem pelo Alto Comissário da ONU Para Refugiados, o Dr. Hugo Idoyaga. . . .

      “O Dr. Idoyaga disse que ele e um diretor do ACRONU de Genebra, Sr. Skodjoe Dazie, haviam ajudado a supervisionar o repatriamento voluntário.”

      Cerca de duas semanas mais tarde, o Times de 6 de janeiro disse: “O alto comissário das Nações Unidas para refugiados em Zâmbia, o Dr. Hugo Idoyaga, disse que os refugiados sentiam-se felizes de retornar.”

      Mas, isso era inverídico. As Testemunhas não queriam retornar sob as condições que então prevaleciam em Malaui. Deveras, caso não tivessem sido obrigadas a fugir para preservar a vida, não teriam ido para Zâmbia em primeiro lugar. É por isso que o Times de Zâmbia havia corretamente noticiado antes, em 18 de dezembro de 1972, que as testemunhas de Jeová “preferem permanecer em Zâmbia”. Também, o Daily Telegraph de Londres disse: “Apesar das garantias oficiais, as Testemunhas de Jeová não queriam voltar voluntariamente.”

      Dezenas de entrevistas com as Testemunhas que estavam envolvidas na transferência comprovam isto. A seguir há um resumo da situação, narrada por tais Testemunhas:

      “Primeiro de tudo, estes irmãos [isto é, as testemunhas de Jeová] explicaram que não é verdade que os irmãos que estavam em Sinda Misale concordaram alegremente em voltar a Malaui. A polícia e outras autoridades governamentais que superintendiam o movimento tapearam os irmãos, dizendo-lhes que estavam mudando para novo local na área de Petauke.

      “As autoridades esperaram até que todos os irmãos na liderança e outros tivessem subido nos ônibus que estavam sendo guardados pela polícia, e então disseram aos irmãos que estavam sendo levados para Malaui.”

      As Testemunhas de Sinda Misale seriam levadas para um campo em Lilongwe, Malaui. Ali, num velho aeroporto, as autoridades malauis e centenas de forças de segurança de Malaui as aguardavam.

      Quantas testemunhas de Jeová realmente chegaram ali? Não se pode determinar isto com precisão na atualidade. Os relatórios de testemunhas oculares são incompletos.

      Um relatório do Sunday Telegraph de Londres tem o seguinte a dizer: “Na jornada de 96 quilômetros de Sinda Misale a Lilongwe . . . milhares abandonaram os ônibus e caminhões de carga e fugiram para o mato.” O jornal também declara que “um jornalista africano viajou por todo o caminho até Lilongwe, no último comboio, que partiu com 3.000 refugiados de Sinda Misale. Oito ônibus chegaram e apenas 29 Testemunhas desembarcaram deles.” No entanto, tais relatórios ainda não foram confirmados.

      Mas, o que pode ser confirmado é o que aconteceu com os que voltaram.

      [Mapa na página 20]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      0 160 quilômetros

      Zâmbia

      Sinda Misale

      Malaui

      Lilongwe

      Moçambique

      Forte Mlangeni

  • Irrompe novamente a perseguição brutal
    Despertai! — 1973 | 22 de junho
    • Irrompe novamente a perseguição brutal

      A RELUTÂNCIA das testemunhas de Jeová em voltar para Malaui estava bem fundamentada. Isto se tornou evidente quando ficamos sabendo do que aconteceu aos que foram levados de volta.

      O que os aguardava era outro reinado de terror. Nada mudara. A atitude maldosa contra elas ainda prevalecia. O governo de Malaui não dera quaisquer passos para aliviar a situação.

      Volta a Malaui

      Quando as Testemunhas chegaram no Aeroporto de Lilongwe, em Malaui, aqueles que eram conhecidos como superintendentes destacados foram presos e metidos no xadrez. Entre eles se achava John Chiwele, que fora supervisor do campo de Sinda Misale, e Lazarus Chirwa, que fora o ajudante dele.

      No aeroporto, as Testemunhas escutaram as autoridades governamentais de Malaui. Uma delas era o Sr. Kumbweza Banda, ministro da região central. Outra era o Sr. Qaniso Chibambo, ministro da região norte. Disseram às Testemunhas que haviam partido de Malaui por livre vontade, o que era inverídico; e que retornaram a Malaui por sua livre vontade, o que era igualmente inverídico.

      As autoridades em seguida disseram que as Testemunhas teriam de voltar a seus respectivos povoados e comprar cartões políticos. Quando uma das Testemunhas tentou dizer uma palavra às autoridades, foi-lhe mandado calar a boca. Policiais e Jovens Pioneiros, o militante grupo jovem do Partido Congressista Malaui, foram então instruídos a revistar todas as Testemunhas. Confiscaram Bíblias, publicações bíblicas, passaportes e todos os outros documentos. As Testemunhas então receberam ordens de andar até seus povoados. Aqueles que moravam muito longe foram levados em caminhões de carga a um lugar próximo de sua localidade e então lhes mandaram andar o resto do caminho.

      Quando as Testemunhas chegaram a seus povoados, algumas que tinham parentes tiveram onde dormir. Mas, a maioria ficou ao relento e dormiu ali, alguns sob as árvores, junto com seus filhos. Mas, uma sorte pior as aguardava, e se tornou logo mui evidente. Um exemplo é notado no Sunday Telegraph de Londres, de 14 janeiro de 1973, que noticiou um discurso que o Presidente Banda proferiu pelo rádio no início do ano novo. O relatório declara:

      “Banda disse que as Testemunhas de Jeová . . . haviam sido enganadas por sua própria espécie, disse, a crer que ‘alguém chamado Armagedom destruiria Malaui em 15 de novembro e lhes edificaria uma nova cidade em Lilongwe.’

      “Enquanto falava, o Sr. e a Sra. Gorson Kamanga, membros de meia-idade da seita que haviam sido repatriados à sua casa em Baía Nkhata Sobre o Lago, estavam sendo despidos e forçados a desfilar pelas ruas visto que, mais uma vez, recusaram comprar carteiras do partido.

      “E, num povoado perto de Lilongwe, outras cinco Testemunhas ‘repatriadas’ tiveram seus braços e suas pernas fraturados por terrível espancamento às mãos dos Jovens Pioneiros. Certo homem teve suas mãos perfuradas por pregos. No Hospital de Lilongwe, foi-lhes recusado tratamento por não terem carteiras do partido.”

      Qualquer pessoa familiarizada com os ensinos das testemunhas de Jeová, naturalmente, sabe que jamais creram nem ensinaram que o Armagedom seja uma pessoa. Nem jamais ensinaram que Malaui seria destruído em 15 de novembro, ou que uma nova cidade seria construída para elas ali.

      Mas, tal hostilidade contra elas agitou as chamas da perseguição. E a questão das carteiras do partido mais uma vez foi lançada contra as Testemunhas. Ao se recusarem a comprá-las, por causa de sua neutralidade nos assuntos políticos, terríveis ataques começaram contra as Testemunhas que foram repatriadas.

      Relatos de Testemunhas Oculares

      A evidência disto não provém apenas de jornais estrangeiros. Vem das próprias testemunhas de Jeová que foram as vítimas. Muitas entrevistas foram feitas com os ‘repatriados’ que foram de novo engolfados numa onda de terror.

      Estes relatos de testemunhas oculares mostram que, quando os refugiados retornaram a seus respectivos povoados, os chefes, os cabeças dos povoados, as autoridades partidárias, bem como as autoridades governamentais, exigiram que comprassem as carteiras do partido. Os seguintes exemplos são típicos:

      Uma das testemunhas de Jeová, Gilbert July, do povoado de Chimongo, relatou: “Em 3 de janeiro de 1973, realizou-se uma reunião de todos os chefes de povoados no distrito de Mchinji, presidido pelo Sr. Cheuche, deputado da região de Mchinji. Nessa reunião, ficou resolvido que se as Testemunhas de Sinda Misale ainda se recusassem a comprar carteiras do partido, então deveriam ser tratadas com brutalidade. Depois desta reunião, os irmãos e irmãs Testemunhas do povoado de Chimongo (cujo chefe é Duwa) foram todos expulsos de seu povoado porque se recusaram a comprar as carteiras do partido. Os irmãos e as irmãs fugiram para o mato.”

      A Testemunha Rightwell Moses é do povoado de Kachijere, cujo chefe é Mbelwa. Moses relatou que logo que as Testemunhas voltaram ao povoado, foram severamente espancadas pelos jovens por se recusarem a comprar carteiras do partido. Hastings Mzamo, o superintendente presidente da congregação local ali, foi tão gravemente espancado que não mais consegue ouvir bem.

      Rightwell adiciona os seguintes pormenores a seu relatório: “Dois dias depois de chegarmos em casa, o Sr. Mahara Banda, deputado, veio ao povoado e avisou ao povo num comício que ninguém que não tivesse uma carteira do partido deveria ter permissão de permanecer no povoado. Daí, em 1.º de janeiro de 1973, o Sr. Mahara Banda trouxe dois jovens junto com ele em seu carro. Seus últimos nomes eram Jere e Tembo. Estacionou o carro fora do povoado e esperou ali enquanto os jovens entraram no povoado. Quando os jovens entraram no povoado, dirigiram-se à minha filha, Joicy e também à irmã Oliva, e exigiram delas carteiras do partido. As irmãs, naturalmente, não podiam apresentá-las, de modo que os jovens começaram a esmurrá-las. As jovens irmãs foram obrigadas a despir-se e então os jovens começaram a espancá-las com varas em sua nudez. Pegaram os irmãos e começaram a espancá-los também. Quando ficaram cansados, dirigiram-se ao carro, gritando ao irem embora que voltariam para espancar novamente os irmãos e as irmãs. Assim que partiram, os irmãos e as irmãs fugiram do povoado para o mato, e então saíram de Malaui.”

      Outra Testemunha, Likeness Kamanga, foi enviada de volta ao povoado dela em Vithando, cujo chefe é Chindi. Ela relata o seguinte: “Ao chegarmos em nosso povoado, fomos convidados a uma reunião em Bulale. Adamson Dindi, presidente distrital do Partido Congressista Malaui, dirigiu-se aos reunidos. Isto se deu em 4 de janeiro de 1973. Doze Testemunhas, inclusive eu mesma, estávamos na reunião. Ordenou-se-nos a todos que comprássemos carteiras do partido. Mas, explicamos que não iríamos comprá-las. O Sr. Dindi e outros ficaram tão irados que nos mandaram sumir imediatamente de Malaui, nesse mesmo dia e hora. Não nos permitiram levar coisa alguma conosco. Todos partimos em pequenos grupos para o mato. No dia seguinte, enquanto eu fugia, foi-me dito por meus parentes que uma das Testemunhas que havia estado na reunião junto conosco no dia anterior havia sido morta.”

      Geleson Esaya, uma Testemunha do povoado de Mwelekela, relata: “Em 2 de janeiro de 1973, fomos convidados a uma reunião a ser realizada no povoado de Mwelekela. O chefe do povoado, Lombwa, deveria presidir a ela. Éramos vinte Testemunhas ao todo. Quando estávamos na reunião, ordenou-se-nos que comprássemos as carteiras do Partido Congressista Malaui ou enfrentaríamos a morte. Explicamos que não podíamos comprar uma carteira. Daí, ordenou-nos que saíssemos imediatamente do povoado. Explicamos com bondade mas firmemente que queríamos uma carta dele explicando as razões de nos expulsar do povoado. Ele recusou. Então decidimos ir à delegacia de polícia de Mchinji. Mas, ao invés de nos escutar, o delegado responsável ali mandou que voltássemos ao povoado. Por conseguinte, não tivemos outra alternativa senão deixar Malaui.”

      Dezenas de outros relatos de testemunhas oculares testificam sobre o mesmo tratamento brutal. Cada uma das mais de cem Testemunhas entrevistadas confirmou que o governo não fizera absolutamente nada para parar a perseguição. Todos expressaram temores de que a situação se agravasse. Como resultado, muitas delas fugiram para o mato e saíram de Malaui mais uma vez.

      Os Refugiados em Moçambique

      Milhares de testemunhas de Jeová já haviam fugido para o vizinho Moçambique quando a perseguição irrompeu durante 1972. Agora, alguns daqueles que haviam sido recentemente ‘repatriados’ e então foram obrigados a fugir de novo de Malaui tomaram aquela direção.

      Qual é a presente situação das Testemunhas refugiadas em Moçambique? Também é difícil, mas parece não haver perseguição aberta. Ao passo que a vida é dura e o dia de trabalho é bem longo e estrênuo, o governo daquela terra não maltratou as Testemunhas.

      As Testemunhas estão confinadas a certas áreas perto da fronteira, recebendo ali alguma terra. Foi-lhes ordenado limpar o solo e fazer plantações. Desta forma, poderão prover alimento para si mesmas. As testemunhas de Jeová de outras partes fizeram esforços de levar suprimentos para tais áreas, mas as autoridades rejeitaram a oferta, declarando que poderão elas mesmas cuidar da situação.

      As autoridades portuguesas também forneceram bondosamente aos refugiados uns 100 hectares de terra adicional para construírem um campo perto do Forte Mlangeni. As autoridades ficaram impressionadas pelo fato de que as Testemunhas passaram logo ao trabalho e organizaram eficientemente o campo. Construíram banheiros para homens, para mulheres e para as crianças. Construíram seu próprio hospital, em que as parteiras zelaram pelo nascimento de novos bebês — e 78 destes novos bebês já haviam chegado até 15 de dezembro! Nessa época, relatou-se que 7.670 testemunhas de Jeová estavam localizadas ali.

      Na última parte de dezembro, um superintendente de distrito das testemunhas de Jeová teve oportunidade de visitar algumas destas áreas. Relatou o trabalho bastante árduo que faziam, mas também que não estavam sendo perseguidas. Notou que se permitia que as Testemunhas realizassem reuniões cristãs e estudassem a Bíblia.

      Com efeito, durante dezembro, 217 pessoas foram batizadas pelas testemunhas de Jeová nos campos de refugiados em Moçambique. Isto indicava que alguns que fugiram eram antes pessoas interessadas não-batizadas.

      Horrorizadas as Pessoas Decentes

      A perseguição contra as testemunhas de Jeová por parte de Malaui tem deixado atônitas e horrorizadas as pessoas decentes em todo o mundo. E, enquanto isso, a reputação de Malaui sofreu golpes tremendos.

      Muitas pessoas que não são testemunhas de Jeová expressaram sua condolência. Afirmam que conhecem as testemunhas de Jeová como sendo pessoas decentes, acatadoras da lei, que verdadeiramente amam a Deus. Um desses comentários, por parte de uma pessoa nas Baamas, foi publicado em The Guardian, destacado jornal britânico. Esta carta ao editor foi em resposta a um prévio artigo no Guardian que descrevia a brutal perseguição contra as testemunhas de Jeová. Declarava:

      “Depois de ler o artigo ‘Mortas as Testemunhas’, meus olhos se encheram de muitas lágrimas. Conheço tais pessoas, e qualquer outro que as conheça sabe que nenhuma Testemunha em qualquer parte do mundo merece esse tipo de tratamento. . . .

      “Não diriam os senhores que elas amam mais a Deus do que a qualquer outra coisa na terra? Ser um homem brutalmente espancado até morrer devido a se recusar a juntar-se a um bando para matar outros homens, o que é fortemente contra a palavra de Deus, não deveríamos notar algo de imediato sobre ele?

      “Este homem crê em Deus, ama-o e confia nele. Por certo, teria sido mais fácil juntar-se ao bando e continuar vivendo, mas isto teria sido uma zombaria ao que ele ensina, e, portanto, seria contra as crenças dum verdadeiro cristão. . . .

      “Em outras palavras, foi uma honra para elas morrer em favor do Deus a quem amam com tanta disposição. . . .

      “Elas são mui cuidadosas de não violar as leis do país em que vivem, mas lembrem-se de que jamais violarão tampouco as leis do seu Deus.

      “Eu não sou testemunha de Jeová, mas as tenho observado bem de perto, e verifico que estão entre as melhores pessoas que já conheci. Pode-se olhar nos olhos delas e dizer que amam ao Deus, e também crêem nele, a respeito de quem tão paciente e vigorosamente tentam ensinar a outros.”

      Também, a publicação estadunidense The Christian Century, tinha o seguinte a dizer:

      “Ao passo que, para muitos cristãos, as Testemunhas parecem ser intrometidas, sua recusa teimosa de transigir quanto a suas crenças em face da perseguição e da violência deve mover todos nós pelo menos a ter certo grau de admiração por elas. Nestes dias de crescente nacionalismo, as Testemunhas são um dos poucos grupos que ainda dão testemunho do conceito cristão de que é preciso obedecer a Deus antes que ao homem. E, nos Estados Unidos, onde há uma imagem confusa de um estado quase-religioso, é revigorante que as Testemunhas de Jeová nos façam lembrar de nossa superior lealdade.”

  • Ajuda vital em tempo de necessidade
    Despertai! — 1973 | 22 de junho
    • Ajuda vital em tempo de necessidade

      EM TODO o mundo, em mais de 200 terras, as testemunhas de Jeová têm estado profundamente preocupadas com seus irmãos cristãos em Malaui. Esforços estrênuos têm sido feitos de ajudá-los. Em aditamento, as testemunhas de Jeová têm feito algo mais de importância vital.

      O que é isso? Diariamente, em todo o mundo, as orações de centenas de milhares de tais cristãos ascendem a Deus em favor de seus irmãos malauis. Tais orações estão sendo feitas por pessoas, em pequenos grupos, nas reuniões congregacionais e nas grandes assembléias.

      O Que Realizaram?

      Todos estes milhões de orações que sobem até Deus — o que realizaram? Foram ouvidas? Como sabemos?

  • Truque para sobreviver
    Despertai! — 1973 | 22 de junho
    • Truque para sobreviver

      ◆ Escrevendo em Outdoor Life (Vida ao Ar Livre), certo senhor relatou como achava que devia sua vida a um truque para sobreviver que lhe foi ensinado por um velho caçador de peles. Se forçado pelas circunstâncias a ficar ao relento a noite toda durante tempo muitíssimo frio, o caçador de peles disse, “tire seu casaco, abaixe o capuz, ponha o casaco sobre ele e o abotoe, e dobre seus braços lá dentro. Com pequena fogueira a seus pés, poderá manter-se aquecido a noite toda.”

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