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Benefícios dos ‘jogos de palavras’ da BíbliaA Sentinela — 1977 | 1.° de agosto
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Benefícios dos ‘jogos de palavras’ da Bíblia
A Bíblia contém jogos de palavras, quer dizer, no hebraico original, palavras de som similar, mas com significado diferente, são usadas para destacar um ponto. Não são facilmente reconhecidos nas traduções, mas podem ser trazidos à atenção em notas ao pé da página ou em referências marginais. Pelo visto, tais jogos de palavras ajudavam a gravar a mensagem bem na mente dos ouvintes ou leitores. Observarmos isso pode tornar mais significativas para nós as passagens bíblicas onde ocorrem.
Por exemplo, tome Jeremias 1:11-13, onde lemos: “E continuou a vir a haver para mim a palavra de Jeová, dizendo: ‘Que estás vendo, Jeremias?’ De modo que eu disse: ‘A vergôntea duma amendoeira é o que estou vendo.’ E Jeová prosseguiu, dizendo-me: ‘Viste bem, pois mantenho-me alerta quanto à minha palavra, a fim de cumpri-la.’”
Talvez estejamos inclinados a perguntar: Que relação há entre a palavra “amendoeira” e “mantenho-me alerta”? Na língua original está envolvido um jogo de palavras. O nome hebraico para amendoeira significa literalmente “o alerta”. É uma designação apropriada, visto que a amendoeira é a primeira das árvores a brotar após o descanso do inverno.
O precedente é apenas um dos muitos jogos de palavras na Bíblia. Para não sair perdendo neste respeito, verifique notas ao pé da página e referências marginais, se a sua Bíblia as tiver. Poderá fazer algumas descobertas muito interessantes e úteis.
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“O fruto da alcaparra rebenta”A Sentinela — 1977 | 1.° de agosto
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“O fruto da alcaparra rebenta”
Desde a antiguidade, os frutos da alcaparra têm sido usados para estimular o apetite. A referência bíblica, em Eclesiastes 12:5, ao ‘rebentar do fruto da alcaparra’, faz parte da descrição do homem na velhice. Esta ilustração sugere que, quando o apetite da pessoa diminui com o avançar da idade, nem mesmo o fruto da alcaparra lhe consegue despertar o desejo pelo alimento.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1977 | 1.° de agosto
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Perguntas dos Leitores
● Crêem as Testemunhas de Jeová em Jesus Cristo?
NÓS certamente cremos nele. Aceitamos e pregamos de todo o coração tudo o que a Palavra de Deus diz sobre Jesus Cristo. Isto inclui a declaração do apóstolo Pedro: “Não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu, que tenha sido dado entre os homens, pelo qual tenhamos de ser salvos.” — Atos 4:12.
Até mesmo os que não pertencem a nós, que examinaram nossos ensinos baseados na Bíblia, reconhecem que cremos em Jesus. Por exemplo, a Nova Enciclopédia Católica (1967, em inglês) diz no seu artigo sobre as “Testemunhas de Jeová”:
“Consideram Jesus como sendo a maior das Testemunhas de Jeová, ‘um deus’ (é como traduzem João 1:1), só inferior a Jeová. Antes de existir como ser humano, ele era uma criatura espiritual chamada de Logos, ou Palavra, ou Miguel, o Arcanjo. Morreu como homem e foi ressuscitado como Filho espiritual, imortal. Sua paixão e sua morte foram o preço que ele pagou para recuperar para a humanidade o direito de viver eternamente na terra.” — Vol. VII, página 864
Portanto, a idéia de que as Testemunhas de Jeová não crêem em Jesus claramente não é verdade! Esta flagrante inverdade foi às vezes espalhada por opositores religiosos, porque as Testemunhas de Jeová não incluam a Trindade. Estes opositores aterram-se empedernidamente à sua crença na doutrina da Trindade, de que Jesus faz parte duma divindade trina, e que, quando estava na terra, ele supostamente era Deus encarnado.
Acontece que as Testemunhas de Jeová reconhecem e aceitam que a Bíblia usa o termo “deus” para com Jesus. (João 1:1, 18) Mas o próprio Jesus citou o Salmo 82:6, concordando que até mesmo poderosos juízes humanos podiam ser classificados como “deuses”. (João 10:33-36) E a Bíblia usa a palavra “deus”, que significa alguém poderoso ou alguém que é adorado, até mesmo com respeito a Satanás. (2 Cor. 4:4) É evidente que é incorreto que se conclua deste uso do termo “deus” que qualquer criatura que recebem vida de Jeová Deus, o Todo-poderoso, seja igual ao próprio Criador. — Rom. 1:25.
Jesus admitiu abertamente que ele não era igual ao seu Pai, a quem orava, nem era a mesma pessoa com ele. Cristo disse: “Vou embora para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.” Jesus dirigiu-se em oração ao Todo-poderoso com as seguintes palavras expressivas: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” — João 14:28; 17:3.
As Testemunhas de Jeová aceitam plenamente esta simples declaração dum fato. E somos ativos na obra cristã, vital, de ajudar outros a conhecer e a aceitar o que a Bíblia diz sobre ‘o único Deus verdadeiro, Jeová, e sobre aquele que enviou, Jesus Cristo’.
● Lemos em João 2:20: “Este templo foi construído em quarenta e seis anos, e tu o levantarás em três dias?” Como são calculados estes quarenta e seis anos?
O contexto desta declaração mostra que Jesus estava então em Jerusalém para celebrar a primeira páscoa, depois de ter sido batizado. (João 1:29-33; 2:13) De acordo com a profecia das “setenta semanas” encontrada em Daniel 9:24-27, o Messias apareceria em público no outono (setentrional) de 29 E. C.a Isto situaria a páscoa seguinte na primavera de 30 E.C.
Com respeito aos quarenta e seis anos, é útil a passagem respectiva nos escritos do historiador judaico Flávio Josefo. Lemos em Antigüidades Judaicas: “E então Herodes, no décimo oitavo ano de seu reinado, e depois dos atos já mencionados, empreendeu uma obra muito grande, a saber, construir por si mesmo o templo de Deus, e torná-lo maior na circunferência, e elevá-lo a uma altura das mais magníficas.” — Livro 15, capítulo 11, seção 1, da edição em inglês; veja a versão em português, de Vicente Pedroso, Livro 15, Capítulo 14, seção 676.
Josefo diz que Herodes capturou Jerusalém vinte e sete anos depois de a cidade ter caído nas mãos de Pompeu (o que ocorreu em 63 A. E. C.). Isto coloca a captura de Jerusalém por Herodes em 36 A. E. C., em julho ou talvez outubro, segundo alguns eruditos. É provável que Josefo calculasse o período intermediário entre Herodes assumir o trono e o próximo mês primaveril de nisã como ano de “acessão”. O primeiro ano de “reinado” de Herodes, portanto, só começaria na primavera seguinte e se estenderia de 35-34 A. E. C. Contando-se a partir de então dezessete anos, fornece o décimo oitavo ano de Herodes (no qual iniciou a obra no templo) como sendo de 18 a 17 A. E. C. Adicionando-se quarenta e seis anos chega-se a 29-30 E. C
● Algumas Bíblias modernas dizem, em Lucas 10:1, que Jesus enviou setenta e dois discípulos, mas na minha Bíblia diz setenta. Por que há essa diferença?
A diferença resulta do fato de que a evidência dos manuscritos antigos está dividida quanto ao número de discípulos que Jesus enviou.
Alguns antigos manuscritos gregos e versões em outros idiomas dizem “setenta e dois”, em Lucas 10:1, 17, que menciona o envio e o retorno dos discípulos. Esta evidência inclui o códice Vaticano (1209), do quarto século, o códice Beza (Cantabrigiense), do quinto ou sexto século, a Vulgata latina e algumas versões siríacas. Nesta base, alguns tradutores se afastaram do texto que diz “setenta” e usaram em vez disso “setenta e dois”. A Bíblia na Linguagem de Hoje e A Bíblia de Jerusalém são dois exemplos recentes disso. Até mesmo os eruditos Westcott e Hort decidiram usar este número no texto grego que prepararam.
Todavia, há uma abundância de poderoso apoio de manuscritos para o uso de “setenta”. Esta versão é encontrada no códice Sinaítico, do quarto século, que costuma ter a “primazia na lista dos manuscritos do Novo Testamento”. “Setenta” é também o modo em que rezem o códice Alexandrino, o códice Ephraemi e a Pesita siríaca, todos do quinto século. Também, segundo um papiro do terceiro século (Chester Beatty 1), Jesus enviou “setenta” discípulos. — The Text of the New Testament (1968).
Por conseguinte, muitas versões famosas da Bíblia retêm o texto bem apoiado e familiar de “setenta”. A Tradução do Novo Mundo reza: “Depois destas coisas, o Senhor indicou outros setenta e os enviou, aos dois, na sua frente, a cada cidade e lugar aonde ele mesmo estava para ir.” — Luc. 10:1; veja as versões Almeida, Liga de Estudos Bíblicos, Brasileira, e as traduções de Huberto Rohden, e Álvaro Negromonte.
Os eruditos bíblicos têm apresentado diversas idéias sobre a maneira em que um primitivo copista pode ter cometido um engano, que resultou numa ligeira diferença numérica. Mas a consideração desta variação técnica da versão de Lucas 10:1 não deve detrair da importância principal do que os manuscritos revelam.
A abundância de antigos manuscritos e de versões
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