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  • “Armero desaparece do mapa!”
  • Despertai! — 1986
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Despertai! — 1986
g86 8/5 pp. 10-15

“Armero desaparece do mapa!”

Do correspondente de Despertai! na Colômbia

O POVO da Colômbia despertava para um novo dia. Era quinta-feira, 14 de novembro de 1985. Liguei o rádio para ouvir o noticiário da manhã. Mal pude acreditar no que meus ouvidos ouviam, quando o repórter exclamou: “Armero desaparece do mapa! . . . Uma parte de Chinchiná foi varrida por um deslizamento de lama!”

Ouvi as notícias em completa descrença, enquanto elas prosseguiam. Armero, uma cidadezinha produtora de algodão e arroz, de cerca de 28.000 habitantes, situada a uns 90 quilômetros a noroeste de Bogotá, tinha sido virtualmente varrida do mapa por uma avalancha de lama, gelo e lava. O total de mortos e desaparecidos foi calculado em mais de 21.000 pessoas. Chinchiná, importante centro cafeicultor, do outro lado das montanhas, sofrera um pouco menos, havendo cerca de 2.000 mortos ali. Mas o que tinha acontecido que causara esta devastação total?

Nevado del Ruiz Manda Seu Topo Pelos Ares

Na noite anterior, por volta das 21 horas, Nevado del Ruiz, um pico vulcânico recoberto de neve, de 5.400 metros de altitude, explodiu em seu flanco nordeste, cuspindo amplas quantidades de cinzas vulcânicas sulfurosas. Agravando isto, o tremendo calor emanado da cratera derreteu ampla parte do manto de neve. Em conseqüência, correntes glaciais normalmente claras como cristal, que fluem suavemente, transformaram-se em torrentes mortíferas de lama e de gelo que se derretia. Grande parte desta massa escorregadia deslizou para o rio Lagunilla, rolando e contorcendo-se rio abaixo, varrendo no caminho árvores e blocos de pedra, ao ganhar ímpeto ao longo dos 52 quilômetros de descida até Armero.

Apenas uma hora depois, uma avalancha de lama, tendo pelo menos 12 metros de altura (segundo um relatório, ela tinha mais de 27 metros), irrompeu pelo canyon estreito até o fundo do vale, e espalhou-se como uma vassoura mortífera que varria tudo em seu caminho. Armero, situada bem no caminho, foi varrida. Só restaram em pé algumas casas, situadas em terrenos mais elevados.

Não Houve Avisos Claros

Conversei com diversos sobreviventes que informaram que, na tarde de quarta-feira, era fortíssimo o cheiro de enxofre que pairava no ar. Por volta das 16 horas, começaram a cair cinzas silenciosamente sobre a cidade. Mas isto pouco alarme causou, uma vez que o vulcão já se mostrava assim ativo por cerca de um ano.

Jorge Castilla, de Bogotá, mas que visitava Armero naquela tarde de quarta-feira, contou-me que, através do sistema de alto-falantes da igreja, alguém instou com o povo da cidade a se manter calmo, ficando dentro de casa e cobrindo o rosto com lenços umedecidos. Segundo fontes eclesiais, tratava-se dum membro do Comitê de Emergência de Defesa Civil. Àqueles que assistiram à primeira Missa da noitinha também se garantiu que não havia motivos de alarme.

Por volta das 19,30 horas, uma chuva torrencial desabou, daí parando subitamente, sendo seguida por estranha precipitação de cinza — uma areia fina e quente que logo cobria os tetos e as ruas. Isto era algo novo. Cada vez mais, o povo ficou inquieto. Alguns trancaram suas casas, e fugiram para locais mais elevados. A maioria permaneceu.

Algum tempo depois, do alto das encostas, mensagens radiotelefônicas foram enviadas a Armero, avisando que tinha havido tremenda explosão na lateral do vulcão, e que a cidade de Armero deveria ser evacuada. Às 22,13, o prefeito de Armero, Ramón Antonio Rodríguez, interrompeu subitamente uma conversa radiofônica com um representante da Cruz Vermelha, exclamando: “A água já chegou até aqui!” Levou uma hora e 15 minutos para a avalancha percorrer mais de 50 quilômetros!

“O Vulcão Está Vindo!”

Alguns sobreviventes me contaram quase a mesma história. Alguns acordaram com o barulho da pesada chuva de areia sobre o telhado. Outros ouviram o ruído e a gritaria do lado de fora. Freneticamente, tiraram os filhos e outros membros da família da cama. As luzes subitamente se apagaram. As pessoas esmurravam e chutavam as portas, e berravam: “O Lagunilla está vindo! Corram! Corram!” “A água está vindo sobre nós!” “O vulcão está vindo!”

Milhares de pessoas saíram correndo de casa. Carros, motocicletas e caminhões saíam em disparada pelas ruas, tocando suas buzinas, sem se importar com as pessoas em seu caminho. Muitos foram atropelados antes de serem atingidos pelo muro de lama. O pânico era total.

Nas lúgubres trevas, a avalancha causou um atemorizante ruído. Segundo Jorge Castilla, o visitante de Bogotá, soava como dois enormes jatos que fossem aterrissar. A massa agitada subiu pelas margens dos rios, elevou-se mais alto que as casas, e escorreu diretamente pelo centro da cidade. Casas, igrejas, lojas e outros prédios foram engolfados e rapidamente levados de arrastão. Crianças foram arrancadas dos braços dos pais, e sepultadas na lama ou arrastadas inapelavelmente para sua morte.

“Agora Vamos Morrer Mesmo!”

Obdulia Arce Murillo, mãe de nove filhos e associada com as Testemunhas de Jeová em Armero, foi completamente surpreendida pela avalancha — e, mesmo assim, sobreviveu para contar sua história. Ela relata: “Fugi para a rua com meus filhos, e tentei subir num caminhão-tanque de gasolina. Daí vieram as águas. Joguei-me ao solo. As águas vinham tremendamente altas . . . e bramiam e bramiam. Gritei: ‘Jeová! Jeová! Agora vamos morrer mesmo! É o fim!’ Daí, uma porção de troncos e postes vieram rolando no meio da água. Um me bateu no lado esquerdo, e foi então que se desgrudou de mim a minha filhinha.

“Fiquei toda enredada com um poste e alguns fios elétricos. Daí, uma de minhas filhas, que tinha subido em alguns sacos de café, gritou: ‘Mergulhe!’ Quando mergulhei, senti como se um trem estivesse passando sobre mim. Era a lama. Não consegui enxergar mais nada, porque fiquei soterrada na lama. Fiquei completamente coberta.

“Senti que a força da lama me arrastava. Tentei gritar, e minha boca ficou cheia de lama. Eu estava ficando sufocada . . . Nadei e me estiquei ao máximo, até que por fim consegui elevar o rosto sobre a lama. Com uma das mãos, retirei a lama da boca com tamanha força que pensei que estava rasgando minha face. Estava certa de que iria afogar-me, mas, por fim, consegui respirar e gritar. Quão aliviada fiquei de tirar meu rosto da lama!” Mas se passariam ainda muitas horas até ela ser por fim resgatada.

Outra Testemunha, Elena de Valdez, e sua família, conseguiram chegar a um ponto elevado atrás da cidade. Ela informa: “Acabáramos de chegar ao sopé da colina quando ouvimos gritos e lamentos das pessoas que ficaram para trás, engolfadas pelo dilúvio. Logo outros começaram a chegar, cobertos totalmente de lama. Podíamos ouvir o aterrorizante barulho que ‘aquela coisa’ fazia. Soava horrível! E os gritos das pessoas: ‘Socorro! Socorro! Ajudem-nos! Não nos deixem morrer!’”

Por fim, tudo acabou. Restou apenas um tenebroso silêncio e tudo ficou escuro como breu. Jorge Castilla, são e salvo num sítio nos arredores de Armero, disse que podia sentir “uma atmosfera de morte pairando na noite”. Acrescentou: “Os sobreviventes — pessoas idosas, jovens — estavam saindo do meio do lamaçal, muitas delas feridas. Pareciam zumbis, como que sonâmbulos. Olhavam para a gente com olhar parado. Pediam água, nada mais. Foi terrível!”

No ínterim, enfiada na lama, Obdulia Arce ainda lutava para conservar a cabeça fora da lama. Para ela e milhares de outros sobreviventes, essa será sempre lembrada como a noite mais longa de sua vida.

Múmias Cobertas de Lama

Ao amanhecer, solitário avião agrícola, pulverizador de plantações, sobrevoava os campos verdejantes e cultivados no vale lá embaixo. O piloto mal podia crer no que seus olhos viam. Perto da encosta dos montes, onde a próspera Armero deveria estar, havia apenas uma imensidão de lama cinzenta, com centenas de corpos, de animais e de humanos, boiando na superfície. Ele informou: “A cidade é apenas um enorme alagado, restando de pé somente algumas casas. Pode-se ver pessoas nos topos das árvores, sobre muros, e nas encostas das colinas.”

Nos limites da área assolada, os socorristas em perspectiva viram sobreviventes que pareciam múmias, cobertas de pegajosa lama cinzenta, perambulando aturdidos, à procura de seus entes queridos. Crianças e pessoas idosas choravam desesperadas, as mães berravam desconsoladas, procurando os filhos. Outros, apenas emergindo do lamaçal, pareciam estátuas, trajando apenas suas roupas de baixo. Alguns perderam por completo, na fúria da avalancha, as roupas de dormir que vestiam. Ainda outros foram menos afortunados.

Podia-se ver os sobreviventes ali, enterrados até o pescoço e clamando por ajuda, sendo incapazes de mover-se. Os que estavam nos limites do atoleiro tentavam desesperadamente alcançar os que estavam perto. Usando tábuas, tiveram êxito em salvar alguns. Alguns se aventuraram a enfiar-se na lama, mas então tiveram de voltar, ao começarem a ser tragados por ela. Um socorrista tentou enfiar um trator na lama para ajudar outros. Em questão de três metros, o trator foi tragado pela lama!

Obdulia Arce apreciou a tepidez da lama, pois a noite era fria. Noite adentro, ela caía no sono, apenas para despertar à cata de ar, quando seu rosto mergulhava na lama. Chegou a manhã, mas ninguém a via.

“Dos Lugares Menos Prováveis, Erguiam-se Braços”

A reação em todo o país foi espontânea e de pleno coração. Instituições e indivíduos se mobilizaram para ajudar. As forças armadas, unidades da defesa civil, a polícia e esquadrões de socorro da Cruz Vermelha, correram para o local. Milhares de voluntários — médicos, cirurgiões, paramédicos, engenheiros e outros profissionais — ofereceram seus préstimos. As Testemunhas de Jeová enviaram três veículos com ajuda e suprimentos, de Bogotá.

Equipes de socorro vieram também de avião de outros países. Não demorou até que uns 30 helicópteros, locais e do estrangeiro, vasculhassem a área em busca de sobreviventes. Os trabalhos de socorros tiveram de ser feitos quase que exclusivamente do ar, visto que quase todo esforço de realizar manobras no grosso lamaçal terminava em fracasso.

A simples magnitude da devastação retardou os trabalhos de busca dos poucos ainda vivos, e de retirar da lama os muitos mortos. Depois de levar centenas de sobreviventes, os socorristas informaram que ainda havia muitos lá, esperando ser salvos. Como disse certo socorrista: “A pessoa pensa que não existe ninguém mais ali, mas, quando o helicóptero se aproxima, dos lugares menos prováveis, um sobrevivente suplica ser içado, com os braços erguidos.”

Entre os que agitavam os braços para os helicópteros, cada vez que sobrevoavam a área, estava Obdulia, com a cabeça incrustrada de lama seca. Ela só podia agitar a mão, fracamente, e o dia todo tentou captar a atenção deles. Ninguém a notava. Ela perdera as esperanças de ser vista. Orava continuamente. Iniciou outra noite infindável de angústia, mergulhada na lama, e com muitas dores no lado ferido do corpo.

Quando amanheceu sexta-feira, ela de alguma forma conseguiu reunir forças suficientes para começar a gritar sem parar, até que, alguns socorristas, vasculhando a área, finalmente a viram lá embaixo. Às 11 horas, ela gritou de dor aguda, ao ser finalmente içada e colocada num helicóptero. Foi levada às pressas para um centro de primeiros socorros, e então para um hospital. Passara 35 horas boiando naquela lama.

O que tinha acontecido com os filhos dela? Mais tarde ficou sabendo que dois deles morreram, mas os demais filhos foram varridos para os limites do atoleiro, e por fim foram resgatados.

Frustração e Alegria

Sob o quente sol tropical, a lama começou a endurecer, e era preciso cada vez mais tempo para arrancar as pessoas dali. Lamentáveis casos ainda podiam ser observados — cabeças erguidas acima da superfície, clamando por ajuda, ou com os lábios simplesmente se movendo, como indício de um lampejo de vida. Alguns ficaram presos debaixo de destroços, estando profundamente mergulhadas na grossa lama. Tiveram de ser deixados ali, para morrer.

Um desses casos de cortar o coração foi o de Omayra Sánchez, uma estudante de 12 anos, que granjeou a admiração tanto dos socorristas como dos jornalistas pelo seu valor e por suas palavras de otimismo. Ela ficou presa entre o cadáver de sua tia e uma laje de concreto. Os socorristas lutaram durante umas 60 horas para retirá-la dali. Por fim, ela morreu de insuficiência cardíaca, três dias depois da avalancha, com lama e água ainda até o pescoço. A equipe de socorristas e os jornalistas — com efeito, toda a nação — choraram.

Um resultado mais feliz foi quando o corpo nu e inerte de Guillermo Páez, de 4 anos, foi avistado 60 horas depois da tragédia. Localizado com dificuldades no meio daquele lamaçal cinzento e desolado, ele não estava morto, apenas dormindo! O barulho do helicóptero que descia o despertou, e ele ergueu-se vacilante. O helicóptero baixou a uma altura suficiente, e ele foi içado. Este foi um episódio que trouxe alegria ao coração dos altruístas socorristas.

O Tempo e o Imprevisto

Calculadamente 21.000 pessoas morreram na tragédia de Armero, bem como cerca de 2.000 outras em Chinchiná. Cerca de 5.400 foram salvas em Armero, dentre as quais umas 2.000 foram tratadas em hospitais por todo o país. Muitos ficaram com os braços e pernas terrivelmente mutilados na fúria do dilúvio e tiveram de sofrer amputações, por princípio de gangrena. Uma dessas pessoas foi Epifania Campos, Testemunha de Jeová, e bancária em Armero. Infelizmente, ela morreu de gangrena.

Dentre as 59 pessoas associadas com a Congregação Armero das Testemunhas de Jeová, 40 que moravam nas partes mais gravemente atingidas da cidade desapareceram sem deixar vestígio. Três pessoas associadas com a congregação de Chinchiná perderam a vida, e cerca de 30 outras perderam casas e bens.

Seis semanas depois da tragédia, visitei de novo aquela localidade, junto com Gervasio Macea, que tinha morado por 8 anos em Armero. Ele não conseguiu identificar de forma precisa o local onde o Salão do Reino tinha estado — tamanha era a destruição total. Onde antes havia uma cidade, agora há um lamaçal cinzento, amplo, carregado de blocos de pedra, na forma dum enorme leque.

Obviamente, as Testemunhas de Jeová acham-se tão expostas a acidentes e aos caprichos da natureza como todos os demais. Em momentos assim, podemos avaliar como o princípio expresso em Eclesiastes 9:11, 12 se aplica a todos, sem discriminação: “Retornei para ver debaixo do sol que a corrida não é dos ligeiros, nem a batalha dos poderosos, . . . nem mesmo os que têm conhecimento têm o favor, porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos. Pois o homem tampouco sabe o seu tempo. . . . Assim os próprios filhos dos homens estão sendo enlaçados num tempo calamitoso, quando cai sobre eles repentinamente.”

Todavia, como a Bíblia ensina claramente, haverá uma ressurreição “tanto de justos como de injustos”. Cristo Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem exercer fé em mim, ainda que morra, viverá outra vez.” A Bíblia indica que se aproxima o tempo do governo do Reino de Deus e da restauração de condições paradísicas na Terra. Daí, os mortos retornarão, tendo oportunidade de obter a verdadeira vida, a vida eterna. — Atos 24:15; João 5:28, 29; 11:25; 17:3.

[Diagrama/Foto na página 11]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

NEVADO DEL RUIZ

ARMERO

[Fotos na página 12]

A força da avalancha destruiu o hospital psiquiátrico e retorceu os gradis em volta destes destroços.

[Fotos na página 13]

Um diploma boiando na lama desta rua — trágica evidência duma família destruída.

[Fotos na página 14]

A lama sepultou esta árvore a uma altura de uns 7 metros e retorceu as barras de ferro de 2,5 centímetros de espessura em torno dela. O centro comercial de Armero, visto à distância, jaz devastado.

Obdulia Arce Murillo sobreviveu por 35 horas na lama.

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