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  • yb73 pp. 135-165
  • República Dominicana

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  • República Dominicana
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1973
  • Subtítulos
  • PRIMEIROS MISSIONÁRIOS DA TORRE DE VIGIA
  • AS “OVELHAS” OUVEM
  • PLANOS PARA A EXPANSÃO
  • PROGRESSO, EMBORA VAGAROSO
  • ‘TRUJILLO NÃO GOSTA DISSO’
  • CRESCE A OPOSIÇÃO
  • OPERANDO SOB A PROSCRIÇÃO
  • BREVE PAUSA — E ENTÃO MAIS NUVENS
  • QUANDO LADRÕES SE DESAVÊM
  • PROSPERIDADE EM TEMPOS ATRIBULADOS
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1973
yb73 pp. 135-165

República Dominicana

UMA TERRA rica em recursos naturais, tais como o ouro, o ferro, a bauxita, o mármore e o âmbar; uma terra bem regada, que pode sustentar sua população com seus produtos agrícolas; uma terra que varia de clima, da região costeira quente e úmida para a refrescante frieza das montanhas; uma terra de palmeiras e de céu azul; eis a República Dominicana. Sua Área de uns 49.500 quilômetros quadrados constitui dois terços da segunda maior ilha das Antilhas, um colar de ilhas que se espalha em arco desde a ponta da Península da Flórida até à Venezuela. Sua montanha mais elevada, Pico Duarte, ascende a 3.267 metros de altitude, como uma sentinela que guarda o perímetro externo do Mar das Caraíbas.

Os primeiros habitantes conhecidos, os caçadores, pescadores, lavradores índios, há muito desapareceram de cena, vítimas da ganância, da crueldade e do fanatismo religioso dos “conquistadores” católicos provindos da Espanha. Colombo chegou em 1492 e mudou o nome da ilha de Quisqueya, como era conhecida, para “La Española”. A capital, São Domingos, fundada por seu irmão, Bartolomeu, é a cidade mais antiga da América, se diz, excetuando-se, naturalmente, as cidades dos habitantes aborígenes.

As barbaridades, os ódios, as invejas e as violações de todo princípio cristão, que resultaram no extermínio dos índios, predominaram por muito tempo entre um povo mantido em ignorância pela Igreja Católica Romana, a quem se negava toda oportunidade de obter conhecimento da Palavra de Deus, a Bíblia. Por mais de quatrocentos anos, a história do território tem sido uma sucessão de intrigas, revoluções e guerras. Até mesmo nos tempos mais recentes, pouca melhora podia ser observada. No período entre 1844 e 1916, por exemplo, ocorreram cinqüenta e seis guerras civis. “Para manter a tranqüilidade doméstica’’ houve uma intervenção estadunidense em 1916 que durou até 1924. Em seguida vieram seis anos de confusão, sob o que é conhecido como “a terceira república”, e, daí, o longo período de ditadura cognominada “a Era de Trujillo”.

A influência da Igreja Católica Romana sempre foi forte. Até 1950, diz-se que o país era 98 por cento católico. Os membros das ordens religiosas serviram como governadores. Bispos e membros do clero inferior se envolveram em quase todo movimento político. Sobre o Bispo Meriño, deportado por causa de atividades sediciosas e que mais tarde retornou e se tornou presidente da República, o atual presidente, Joaquín Balaguer, escreveu que ‘não hesitou em afogar em sangue os rebeldes, assim como os membros do Santo Ofício [Inquisição] não hesitavam em levar à estaca os suspeitos de heresia’. Mais tarde foi nomeado arcebispo.

Trujilloísmo, o absoluto despotismo pessoal, foi imposto ao povo da República Dominicana em 16 de agosto de 1930. Por trinta anos, Rafael Leonidas Trujillo manteria a nação sob seus punhos de ferro. Aquilo de que Trujillo gostava, prosperava. Aquilo de que ele não gostava tinha de ser eliminado. Ele era católico, e, assim, durante a maior parte de seu regime, a Igreja foi favorecida, recebendo escolas, posições políticas, a administração de instituições. Os vínculos íntimos da Igreja com o ditador, e sua insensível desconsideração da condição em que se achava o cidadão comum abriram os olhos de muitos. Exemplificando, mais de um sacerdote disse ao povo que o grande furacão de 1930, que deixou um rastro de 4.000 mortos e 20.000 feridos, era um castigo de Deus por deixarem de ir à igreja e contribuir com suficientes fundos. Certo sobrevivente, que perdeu uma irmã, um sobrinho e a namorada, e viu nove membros de sua família gravemente feridos, apenas sobrevivendo por estar bebendo com seus amigos em outra cidade, declarou: “Comecei a odiar aquele Deus, que assassinava pessoas assim, e que estava interessado em dinheiro, um Deus que destruía toda uma família e deixava ileso um bêbedo sem vergonha. Fiz uma fogueira no quintal de nossa casa destruída com as imagens que estavam na parede do quarto de minha irmã morta.”

PRIMEIROS MISSIONÁRIOS DA TORRE DE VIGIA

Os primeiros missionários da Sociedade Torre de Vigia chegaram ao aeroporto General Andrews, em Cidade Trujillo, agora São Domingos, em 1.º de abril de 1945. ‘Como seria cumprir seu ministério dado por Deus sob uma ditadura católica?’ — pensavam sem dúvida tais missionários. Eis aqui a estória de Lennart e Virginia Johnson a respeito daqueles dias memoráveis:

“O motorista nos levou ao Hotel Victoria, na Rua 19 de Março, bem perto de El Conde. Os quartos para nós dois custavam cinco dólares a diária, incluindo boas refeições. Uma vez estabelecidos, estávamos ansiosos de entrar em contato com o povo local. Duas senhoras dominicanas, com quem estudáramos em Brooklyn, nos forneceram os nomes de seus parentes e conhecidos na República Dominicana. Primeiro fomos a uma rua chamada Luis C. de Castillo procurar certo Dr. Green. Não sabendo onde seria, tomamos um carro, e quão felizes ficamos de encontrá-lo em casa, e também seu vizinho, Moses Rollins!

“Fomos prontamente convidados a entrar na casa de madeira asseada e bem talhada. A sala de estar, tendo talvez uns três por quatro metros e vinte, estava mobiliada com cadeiras de mogno, tendo mui refrescantes encostos e assentos de palha. Tanto o Dr. Green, com uns quarenta anos, como Moses Rollins, um tanto mais idoso, nos deram sua indivisa atenção. Eu e Virgínia explicamos como conseguimos os nomes e endereços deles e por que tínhamos vindo para a República Dominicana. Com efeito, tínhamos chegado naquele mesmo dia. Nessa tarde, iniciamos um estudo no livro ‘A Verdade Vos Tornará Livres’.”

Moses Rollins tornou-se o primeiro publicador do Reino local e mais tarde se provou de muita ajuda em nos fornecer os corretos “dominicanismos” para a tradução do Informante (mais tarde conhecido como Ministério do Reino) em inglês para o espanhol. Serviu como pioneiro de abril de 1961 até sua morte, em outubro de 1970. O Dr. Green foi por fim batizado em 1963, pouco antes de sua morte. Três filhas e um filho dele são servos dedicados de Jeová, o filho, Francisco Green, servindo agora como superintendente de uma das congregações que se reúnem no atual prédio da filial em São Domingos.

O irmão Johnson continua: “Depois daquele primeiro estudo, o Dr. Green nos levou a procurar uma casa de um segundo andar de um ônibus de dois andares. Percorremos todo o itinerário do ônibus, por fim alugando uma pequena casa de cimento armado no extremo oeste da cidade e fazendo arranjos para uns móveis.

“Nosso despacho de publicações e de nossos pertences chegou, e também a chuva. Cada dia chovia, chovia, chovia torrencialmente. Escrevemos a respeito disso, e a Sociedade disse que, se era esse o tipo de tempo que tínhamos, precisávamos acostumar-nos a pregar com ele. Havia escassos frutos de nosso trabalho nessa arca.

“Em junho, os missionários Zene e Meryl Caryk, Rhudelle Baxley e Rachel Bippus juntaram-se a nós, e começamos a ir trabalhar em outro território.”

AS “OVELHAS” OUVEM

“As ‘ovelhas’ reconhecem o som da verdade, assim como Palé o fez. Pablo Bruzaud, conhecido por todos como Palé, era um senhor saudável e vigoroso, com cerca de cinqüenta e cinco anos, que operava uma linha de ônibus entre Santiago e Cidade Trujillo (agora São Domingos), um percurso de 175 quilômetros. Tinha de fazer freqüentes viagens à capital para ir à junta de racionamento a fim de obter pneus para seus ônibus. Visitando os amigos em certo dia, chorou ao ouvir um disco fonográfico ser tocado pelas irmãs missionárias Johnson e Caryk. Aceitou o livro ‘A Verdade Vos Tornará Livres’, e foram feitos arranjos para que ele estudasse diariamente quando estivesse na cidade. Ainda não havia missionários em Santiago, e ali Palé morava, numa ampla casa de madeira, não muito longe do centro da cidade, tendo filhos, e filhos, e mais filhos, 108 ao todo. Não, não eram dele. Eram órfãos e filhos de pais pobres demais para cuidar deles com boa alimentação e moradia. O arranjo era financiado pela linha de ônibus, e as crianças tinham por mãe a esposa bondosa e amável de Palé.”

Palé acompanhou o irmão Johnson em uma viagem da Cidade Trujillo a Santiago, e atravessando os montes até a cidade costeira setentrional de Puerto Plata, para encontrar um grupo de interessados. Estes escreveram à Sociedade em Brooklyn solicitando informações. Além de ajudá-los por carta, a Sociedade havia enviado seus nomes à congregação mais próxima. No entanto, isto tinha sido de pouca valia, visto que a congregação era uma de língua francesa, em Porto Príncipe, Haiti. Quão felizes ficaram de receber esta visita dos representantes da Sociedade!

Em outubro de 1945, o segundo andar da Rua Padre Billini, 87, tornou-se um lar missionário e Salão do Reino. Até quarenta pessoas costumavam assistir às reuniões, algumas por curiosidade, mas outras em busca da verdade. Os programas das reuniões eram preparados localmente para se cuidar das necessidades dos novos. O Ministério do Reino e outra matéria era traduzida do inglês. Foi somente uns três anos depois que o Ministério do Reino em língua espanhola foi recebido pela primeira vez de Cuba.

Este local na Rua Padre Billini logo começou a atrair pessoas de perto e de longe. Vinham ver um letreiro, a quase uns cinco metros da rua, que era o assunto favorito da cidade. Letras de vinte e cinco centímetros, pintadas em preto, se destacavam do brilhante fundo branco, soletrando “Salão do Reino”. Abaixo e diante das letras de vinte e cinco centímetros, havia letras menores que diziam “Los Testigos de Jeová” (testemunhas de Jeová). Entre aqueles cuja atenção foi atraída por este letreiro, em 1945, achava-se Luis Eduardo Montás, farmacêutico, dentista, membro da Comissão Central Diretora e Tesoureiro do Partido Dominicano, o único partido político da República. Parou e ficou olhando para ele, pensando em qual seria o significado dessas palavras estranhas.

PLANOS PARA A EXPANSÃO

A sala de jantar e a adjacente sala de estar do lar missionário tiveram de ser modificadas para se ter um salão maior para a noite de 22 de março de 1946. Ela marcava a ocasião da primeira visita de N. H. Knorr e F. W. Franz, presidente e vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) à República Dominicana. Nessa reunião, o irmão Knorr sublinhou a necessidade da atividade de campo segundo as instruções da organização. Foram feitos arranjos de ampliar a obra mediante o estabelecimento duma filial. O irmão Caryk ficaria encarregado até a designação dum servo da filial.

Em harmonia com esta expansão planejada, abriu-se um segundo lar missionário. Isto se deu em Santiago, a segunda maior cidade do país, e um grupo adicional de missionários, graduados da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia — os Droges, Messicks e Alma Parsons — ocuparam este novo lar que tinha também espaço para um Salão do Reino. Mais missionários chegaram para adicionar suas vozes ao testemunho que era dado. Primeiro, Maxine Boyd, Edith Morgan e Lorraine Marquardt, e, então Helen Miller e, ainda mais tarde, Vera Stewart e Kathleen Graham.

Para a cobertura eficaz e organizada de território, eram necessários mapas da cidade. E assim aconteceu que, durante muitas noites, os missionários trabalhavam desenhando mapas da cidade, e, gradualmente, outros interessados também ajudaram. Alguns dos interessados não eram conhecidos, e estes tendiam a desaparecer quando se lhes pedia seu endereço, de modo a iniciar estudos bíblicos com eles. Verificou-se que eram espias do governo que vieram ver o que se passava.

A expansão exigiu outra mudança. O governo de Trujillo fechara o Jornal “El Listín Diario”, e o segundo andar de seu prédio se tornou um Salão do Reino. Vizinho achava-se o prédio ocupado pelo Senado dominicano. Do outro lado da rua dormiam os sacerdotes que oficiavam na Catedral de São Domingos, e, ali na esquina estavam os principais escritórios militares, junto a uma antiga fortaleza e prisão. Que vizinhança! De início, apenas um quarto do espaço útil era necessário para o Salão do Reino. Os missionários se mudaram para um lar separado e maior na Rua Estrelleta, 37. Por volta do fim daquele ano de serviço, houve um auge de vinte e oito publicadores.

PROGRESSO, EMBORA VAGAROSO

Não é fácil vencer o medo e a suspeita inculcados. Mas, aqueles que têm coração correto realmente se manifestam e, com a ajuda de Jeová, fazem progresso. Os missionários Hugh George e Raymond Johnson chegaram em setembro de 1946, o primeiro para servir qual servo de filial. Na noite de sua chegada, o irmão George assistiu a um estudo com Lennart Johnson na casa de Manuel e Consuelo Arcas. Este casal foi batizado em maio de 1947. O irmão Arcas morreu no ano seguinte, mas a irmã Arcas ainda usufrui o ministério de tempo integral como pioneira especial.

O irmão George se lembra de outro estudo que produziu bom fruto. Diz: “Eu aguardava cada domingo de tarde para andar da Rua Estrelleta, 37, até o Rio Ozama, atravessá-lo de barco a remo, subir a colina até onde John Gilbert morava, e estudar com ele no quintal sob uma árvore frondosa, e cada vez havia um pedaço de bolo e um copo de ‘Pepsi’ para ajudar a descer.” Este senhor, John Gilbert, era natural de S. Cristóvão que viera procurar emprego na República Dominicana em 1916. Como ferreiro, encontrou emprego nas plantações de açúcar, porém, ao mesmo tempo, procurava outra coisa. A associação com diversos grupos religiosos moveu-o a pensar que todos eram hipócritas. Desejava a verdade. Em 1946, aceitou um exemplar de “A Verdade Vos Tornará Livres” de duas missionárias, vindo porém a descobrir que era em espanhol, que ele não sabia. Não sabia onde encontrar as missionárias, mas queria saber o que se achava naquele livro. Orou a respeito, e, quase que de imediato, encontrou as mesmas duas moças na rua. Não só conseguiu obter o livro em inglês, mas foi arranjado um estudo e, logo depois, já acompanhava o irmão George no serviço de campo. Foi batizado e começou a obra de pregação de tempo integral como pioneiro, naquele mesmo ano.

Por volta da mesma época, uma série de eventos levou o senhor que ficara olhando o letreiro curioso em 1945 a procurá-lo de novo. Ficou cada vez mais descontente com a política, e inteiramente desgostoso com as igrejas cujo interesse se achava na política, no dinheiro e na superstição, antes que no conhecimento de Deus e no bem-estar espiritual do povo. Com a idéia de vingar o assassinato político de seus dois irmãos, o Sr. Montás visitava pessoas espíritas. Sobre a mesa duma casa que servia como centro espírita, viu o livro “A Verdade Vos Tornará Livres”. Começou a lê-lo e ficou tão interessado que pediu-o emprestado. Deram-no a ele, só o tendo comprado graças à insistência de um publicador, e não por interesse.

Mais tarde, uma reunião política deixou desgostoso, frustrado e deslocado o Sr. Montás. Abandonou a reunião e foi à casa dum amigo. Notou sobre a mesa um exemplar de Selecciones (do Reader’s Digest). Era o exemplar que continha o artigo Agentes Viajeros de Jehová (Caixeiros-Viajantes de Jeová), descrevendo a assembléia de Cleveland, EUA. Diz Montás: “Eu o li e disse para mim mesmo: ‘Essa é a religião que eu procuro.’” Isto exigia uma viagem a São Domingos; a busca do letreiro estranho; uma reunião; ler até o amanhecer os livros e as revistas obtidos no salão; e outra visita ao Salão do Reino para solicitar um estudo bíblico. Isto aconteceu em abril de 1947, e, em 5 de outubro de 1947, foi batizado.

Maior expansão da obra de pregação foi facilitada em 1947 quando Edith Morgan comprou um carro. Agora, em grupos de quatro ou cinco, os missionários, junto com alguns publicadores locais, visitaram Andrés, Boca Chica, Guerra, Bayaguana, Monte Plata, Los Llanos e outros povoados fora da capital. Iniciaram-se muitos estudos bíblicos com o uso de “A Verdade Vos Tornará Livres”.

Ao norte, no Cibao, Pablo González começara a ler a Bíblia por volta de 1935. Associou-se brevemente com um grupo protestante mas logo viu a diferença entre seu ensino e conduta e o que ele lia na Bíblia. Não apreciava a distinção entre ricos e pobres, e a adulação ao clero. Passou muito tempo estudando então a Bíblia e pregando o que aprendia, primeiro à família e aos vizinhos, e então estendendo-se a outras comunidades. Por volta de 1942, realizava reuniões regulares. Numa viagem que fez para visitar uma família interessada, em 1948, passou por Santiago e obteve uma revista A Sentinela de alguém que oferecia as revistas na rua. Mais tarde, aceitou os livros Salvação e “Está Próximo o Reino” e foi convidado para a Comemoração da morte de Cristo. Seu comparecimento a esta reunião o convenceu de que encontrara a verdade e não perdeu tempo em falar com aqueles a quem costumava pregar. Entregou à Sociedade os nomes de 150 interessados. Ele e vários de seu grupo foram batizados em 1950.

Duas experiências interessantes trouxeram a natureza da obra à atenção das autoridades e demonstraram a eficiência do sistema de espias então em vigor. O irmão L. Johnson foi levado num jipe governamental ao Palácio da Polícia, e interrogado sobre a finalidade de visitar certo endereço, onde certo senhor ‘indesejável’ ao governo de Trujillo morava. Explicou-se a obra de estudos bíblicos. O irmão Johnson vira apenas uma vez brevemente o senhor em pauta, visto que o estudo era dirigido com outro membro da família.

Pouco depois, o irmão e a irmã Johnson foram convidados a visitar o General do Exército Federico Fiallo, perto do Salão do Reino. Foram interrogados quanto ao que faziam em outro endereço. De novo foi explicada a natureza da obra de estudos bíblicos domiciliares. Visto que nunca se discutia política, não tinham meios de saber que tal endereço era questionável. O interrogatório continuou. Não sabiam que folhetos contra o governo eram impressos naquele endereço? Não ouviram as prensas? As vezes tinham ouvido um barulho retumbante no fundo. Poderia ser uma prensa ou máquinas para assar. Poderia ter vindo daquela casa, de outro apartamento no mesmo prédio, ou da casa atrás. Por fim, o General Fiallo ficou satisfeito de que eles ignoravam qualquer atividade clandestina de impressão e, logo depois disso, foi concedido a permissão para a entrada de mais missionários, que estava sendo retida por algum tempo.

O seguinte grupo de missionários que chegaram incluía Roy e Juanita Brandt, Jetha Adams, Mary Aniol, Sophie Soviak e Rose Billings. Seguiram-nos Dorothy Lawrence e Wanda Mazur. Todos eram missionários experientes que serviram em Cuba.

Roy Brandt foi designado servo da filial e os Johnsons, Maxine Boyd e Lorraine Marquardt foram para um novo lar missionário em Puerto Plata, em 1949. Outro lar foi aberto em San Francisco de Macorís e Edith Morgan, Sophie Soviak, Jetha Adams e Mary Aniol foram designadas ali. Os três Messicks foram para um lar em La Romana.

O trabalho nestas cidades menores resultou muito eficaz. Por exemplo, Jerry e Mary Stolfi, que chegaram em 3 de janeiro de 1948, foram designados a San Pedro de Macorís, pequeno povoado a leste da capital. Aqui experimentaram a emoção de serem convidados em cada casa a apresentar as “boas-novas” em seu espanhol limitado. Por ser San Pedro um pequeno povoado, o povo podia observar as atividades dos missionários, vendo-os em sua obra de pregação debaixo de qualquer tempo. Em resultado, vieram a respeitá-los e a confiar neles, não raro vindo ao lar solicitar publicações ou fazer perguntas bíblicas.

Gostavam de trabalhar nas plantações de açúcar, como Consuelo. A direção bondosamente fazia arranjos para que as Testemunhas viajassem no carro de consertos da ferrovia de bitola estreita até o fim da linha. Daí, desciam o rio em barco a remo até a próxima linha de trem, para ali tomar outro carro de consertos até seu destino. Com diversas caixas de livros para ajudá-los, tiveram o privilégio de trabalhar em território realmente virgem.

A fim de fornecer aos irmãos melhor contato com a organização, e em harmonia com os arranjos teocráticos em outros lugares, em 1950 se iniciou o serviço de circuito. O irmão Stolfi foi enviado como servo de circuito a fim de visitar as oito congregações existentes e estabelecer contato com vários grupos isolados. Um de tais grupos se achava perto de Santiago. Para alcançá-lo, os Stolfis tomaram um ônibus até o fim da estrada, daí foram a pé até um riacho da montanha que só podia ser atravessado a cavalo. Mesmo assim, era preciso ter muito cuidado para não cair e ser arrastado pela corrente rápida. Uma vez do outro lado, continuaram a pé e chegaram num pequeno povoado em que umas cinqüenta pessoas os aguardavam. Tais pessoas eram materialmente pobres. Suas casas eram quatro paredes e um teto de colmo, sem assoalho e com pouca mobília, se é que tinham alguma, mas, aquilo que não tinham materialmente era compensado em espiritualidade.

Onde quer que os Stolfis fossem no circuito, eram seguidos por espias. Isto se dava com a maioria dos irmãos durante toda “a era de Trujillo”. Dizia-se que ‘havia espias para seguirem os espias que seguiam outros espias’.

‘TRUJILLO NÃO GOSTA DISSO’

No ínterim, o irmão Montás falou tanto sobre aquilo que ele aprendia que, na região de San Cristóbal, a verdade se tornou conhecida como a religião de Luis Eduardo, e, muito em breve, ele realizava reuniões junto da farmácia, reproduzindo o que viu e ouviu nas reuniões da capital. Em 1948, intimado a comparecer diante do presidente do partido político para explicar esta nova religião, foi-lhe dito que “Trujillo não vai gostar disso”. Quando as reuniões públicas atraíram assistências de cem ou mais pessoas, e muitas publicações foram distribuídas, de novo o presidente o chamou e disse: “Dr. Montás, mais pessoas comparecem às reuniões das testemunhas de Jeová que o senhor organiza do que assistem às reuniões do Partido.” O irmão Montás explicou que isto não acontecia por sua culpa, visto que não era ele quem organizava as reuniões do partido. Se os membros do partido tivessem os mesmos motivos, obteriam os mesmos resultados. Foi-lhe dito que Trujillo não gostava desta religião, que acabaria com as reuniões e ajuntaria todas as publicações que foram distribuídas. O irmão Montás respondeu que esta é religião verdadeira, e, assim, não poderia abandoná-la, que ela não era de forma alguma contrária ao governo nem ao povo. Quanto às publicações, não seria possível ajuntá-las.

Poucos dias depois, houve uma reunião no Palácio Provincial a que compareceu o governador, Dr. José Benjamin Uribe, o senador, os deputados, o presidente da seção local do partido e outros. As pessoas que estavam estudando a Bíblia em seus lares, e as que assistiam às reuniões foram interrogadas. Negaram ser Testemunhas. O irmão Montás relata: “Fui acusado de dirigir um movimento sedicioso. Por fim, falei para explicar a obra das testemunhas de Jeová. Ouviram dizer que ninguém era testemunha de Jeová em San Cristóbal, visto que todos haviam negado isto. No entanto, havia uma, e eu não iria deixar de sê-lo. Agora já estava escuro, e viram que eu não iria parar de falar, de modo que desligaram as luzes. Ofereci-me a estudar a Bíblia em seus lares ou no meu, sempre que desejassem.”

O sacerdote católico Marcos, que ficara muitíssimo agitado devido às reuniões públicas, avisou do púlpito que as pessoas não deviam ir mais à farmácia, porque a polícia secreta estava anotando os nomes de todos que iam. As pessoas começaram a evitar tanto a farmácia como a clínica dentária.

Continua o irmão Montás: “Neste momento crucial de minha vida, Lennart Johnson, que estudara comigo na capital, chegou em nossa casa. Veio com sua Bíblia e seu livro dirigir comigo um estudo, como de costume. Foi uma corda de salvação lançada a um homem que se afogava, um poderoso tônico para um coração esmorecido. Colocou-me de novo de pé.”

Avisado pelo Coronel Alberto Mota a não ir a Santiago proferir o discurso da Comemoração da morte de Cristo, o irmão Montás explicou que tinha a obrigação de fazê-lo. Foi e permaneceu por seis meses — na cadeia. Uma vez liberto, o irmão Montás era constantemente espionado e foram feitas várias tentativas de tirar-lhe a vida. No entanto, conseguiu reorganizar as reuniões, embora clandestinamente. O “padre” Marcos continuou seus ataques. O irmão Montás foi preso de novo por outros três meses, desta vez sendo acusado de pregar nas ruas de San Cristóbal. Ele nos conta: “Lutei como um leão para defender minha fé e ainda me lembro disso com alegria. No Tribunal de Recursos, alguns disseram mais tarde que eu parecia ser o juiz e os cinco desembargadores os acusados. Eu avisei os desembargadores para terem cuidado, porque estava sendo julgado por ser testemunha de Jeová, e que Jeová dissera que quem tocasse em uma de suas testemunhas era como tocar na pupila de seu olho. Não muito depois, o presidente do tribunal morreu de câncer.”

Perseguido de novo, o irmão Montás permaneceu oculto por nove dias entre o forro e o teto de zinco de sua casa. Sua esposa esteve à beira dum colapso nervoso. A casa foi cercada de guardas. Ele orava incessantemente a Jeová. Começou uma chuva torrencial. Ele continuou orando. Os guardas todos entraram na farmácia, para abrigar-se da chuva. Este era o momento que o irmão Montás aguardava. Ele saiu e fez um sinal para um táxi que passava. Dois guardas apareceram. A filha mais velha de Montás entrou no carro e sentou-se ao lado dele. Os guardas ficaram olhando para ela, fascinados, sem verem o irmão Montás, que continuava sua oração a Jeová Deus. Em pontos de controle, os guardas anotavam o número da licença e o nome do motorista. Ninguém notou Montás. Chegou a salvo na casa de Raymond Johnson, na capital, onde permaneceu por alguns meses. Voltando para sua casa, caiu nas mãos de dois oficiais de polícia e passou os próximos dois anos e nove meses na Prisão de La Victoria.

CRESCE A OPOSIÇÃO

A primeira de todas as assembléias de circuito realizadas na República Dominicana foi uma ocasião jubilosa. Foi realizada em setembro de 1949 num grande depósito de fumo em Santiago. Muito embora as luzes se apagassem na primeira noite, e o programa fosse apresentado sem luz ou som, os irmãos ficaram emocionados com sua primeira assembléia. Ao discurso público no domingo compareceram 260 pessoas. Vinte e oito foram batizados.

A segunda assembléia foi realizada na capital, em dezembro. J. M. Steelman, que fizera várias viagens prévias à ilha, assistiu a esta assembléia como o representante viajante da Sociedade. John Gilbert se lembra de os irmãos serem interrogados pela polícia secreta nesta assembléia com respeito às suas atitudes para com o governo, o pagamento de impostos e o serviço militar.

Isto era indício do que se devia seguir e uma época de reais dificuldades se iniciou para nossos irmãos dedicados. A Invasão de Luperón, a primeira grande tentativa de por fim ao regime de Trujillo, foi rapidamente esmagada, mas então o governo de Trujillo começou a meter na cadeia quem recusava o serviço militar e a quem considerasse em desacordo com o regime.

Ao serem efetuados seus julgamentos, receberam sentenças de prisão. Eis aqui um exemplo do que aconteceu.

León Glass e Francisco Madera eram empregados na obra administrada por um cunhado de Trujillo, Ramón Savinón Lluberes. Como testemunhas de Jeová, começaram a cometer o “pecado grave” de perder as reuniões políticas. Depois da abortiva Invasão de Luperón, os empregados governamentais foram obrigados a enviar telegramas proclamando sua lealdade a Trujillo. Savinón Lluberes ordenou a todos que trabalhavam sob suas ordens que fizessem o mesmo. Os irmãos recusaram-se a assinar. O auditor, Rafael Chaves, disse: “Aqui el que manda es Trujillo y hasta Jehová que baje del cielo se tiene que someter.” (Quem manda aqui é Trujillo, e até Jeová, se descer do céu, terá de submeter-se.) O irmão Glass replicou: “Se eu assinasse, estaria dizendo que tal blasfêmia que acabou de falar é a verdade.”

Na terça-feira seguinte, ambos irmãos foram presos e interrogados pelo Coronel Ludovino Fernández, Comandante do Posto (Forte Ozama), e Garcia Oliva, chefe do serviço de inteligência. Estavam interessados em saber quantas Testemunhas havia, por que eram distribuídas as revistas A Sentinela e Despertai!, os nomes dos homens em idade para o serviço militar. A informação dada levou às prisões de Enrique Glass, Demetrio Basset e Santiago Piña. Foram soltos e então convocados diretamente para o serviço militar, embora a seleção fosse normalmente feita por sorteio. Uma sentença de cinco dias se estendeu para oito dias, para incluir um fim-de-semana, de modo que os nomes dos visitantes no domingo pudessem ser anotados. Presos de novo no dia depois de serem soltos, foram sentenciados a um ano e meio de prisão. Desta vez, Rafael Glass foi incluído no grupo. Os presos e os guardas zombavam deles noite e dia como prova da sua lealdade a Trujillo. O Coronel Fernández disse: “Testemunhas de Jeová, quando se tornarem testemunhas do Diabo, avisem-me, que eu os soltarei.” Outros zombavam: “Vamos ver se Jeová vai soltá-los!”

Um mês e vinte dias depois de terminarem sua sentença, foram presos de novo e acusados de abster-se do serviço militar num período de emergência, de caluniarem a uma autoridade pública, de pertencerem a uma seita chamada de testemunhas de Jeová e de pregarem em violação da proscrição da obra. Desta vez, a sentença foi de cinco anos.

Relata León Glass: “Sempre recebemos a força de Jeová para perseverar e podíamos ver até em pequenos pormenores Sua intervenção em nosso favor. Até mesmo quando fomos espancados com porretes, chicotes e fuzis, nós suportamos tudo muito bem, visto que Jeová fornecia-nos a força para a perseverança, suficiente para estas provas e outras mais.” A conduta dos irmãos na prisão com o tempo granjeou para eles o respeito e a confiança dos guardas e das autoridades carcerárias. Roy Brandt, servo da filial naquele tempo, relata que a estes irmãos presos mais tarde foram confiados serviços nos quais nem mesmo soldados eram usados. Por exemplo, as Testemunhas presas tinham permissão de entrar no centro de comunicações em que Trujillo dispunha de equipamento de rádio e gravadores para captar outras estações de rádio latino-americanas a fim de poder ver o que outras nações achavam dele e de seu governo. León e Enrique Glass, Francisco Madera e Demétrio Basset foram alguns dos irmãos usados para esse serviço.

Na primavera setentrional de 1950, o Secretário do Interior e Polícia pediu ao irmão Brandt que apresentasse uma carta oficial declarando a posição das Testemunhas quanto ao serviço militar, a saudação à bandeira e o pagamento de impostos. A informação contida no livro “Seja Deus Verdadeiro” foi enviada em forma de carta. Passou-se um mês, mais ou menos, durante o que a Igreja Católica intensificou sua campanha contra a organização. Os sacerdotes escreveram longos artigos denunciando as testemunhas de Jeová, relacionando-as com o comunismo. Estas foram publicadas pela imprensa local. Noticiários pela rádio oficial La Voz Dominicana, ajudaram a campanha contra as testemunhas de Jeová. Escritores locais, tais como Ramón Emilio Jiménez, Marrero Aristy e Horacio Ortíz Alvarez contribuíram para a campanha verbal contra o povo de Jeová. O “padre” Robles Toledano adicionou sua voz, falando contra “as erroneamente chamadas testemunhas de Jeová”, e “os membros do jeovismo”.

Em 21 de junho de 1950, chegou um mensageiro ao lar missionário para informar ao irmão Brandt de que ele era procurado pelo Secretário do Interior e da Polícia. Foi para lá imediatamente e eis aqui seu relato do que aconteceu: “Ao chegar, vi o jipe do jornal com fotógrafos ali e pensei que alguém importante estava chegando ou partindo. No entanto, logo depois eu viria a saber o que significava toda a excitação. Vi dois sacerdotes jesuítas católicos com seus mantos brancos entrarem e saírem do gabinete do Secretário, enquanto eu esperava para entrar. Depois de ser chamado, entrei e me identifiquei como uma das testemunhas de Jeová. Foi-me dito que ouvisse o decreto, à medida que era lido por um nervosíssimo Secretário do Interior e da polícia, Sr. Antonio Hungría. Depois da leitura da resolução que proibia a atividade das testemunhas de Jeová no país, perguntei se isso significava que nós, os missionários, teríamos de ir embora. Ele me assegurou de que poderíamos ficar aqui enquanto desejássemos, se obedecêssemos às leis e não pregássemos nem falássemos com o povo sobre nossa religião, e que o Chefe de Polícia, Ludovino Fernández, se certificaria de que obedecêssemos a este decreto. No dia seguinte, os jornais publicaram minha fotografia, ao me ser entregue o decreto proibindo a atividade das testemunhas de Jeová na República Dominicana.”

O motivo da proscrição, segundo o decreto, era que as testemunhas de Jeová proibiam seus prosélitos de participar na política e lhes ordenavam honrar a lei apenas se estivesse em harmonia com os princípios justos, assim abrindo caminho para a anarquia e a desordem. Disse-se que se proibia aos seguidores de alistar-se nas forças armadas e de render veneração à bandeira. Mencionava que a existência de outras religiões no país por muitos anos demonstrava que se pode manter a fé religiosa com o devido respeito pelas leis, e que ela pode funcionar sem impedimentos ou dificuldades com o governo.

O que seria feito agora? Segundo o decreto governamental, a obra de pregação deveria parar, mas, segundo o decreto de Deus, a pregação das “boas-novas” deveria continuar, quer apreciada ou não pelos homens. Aos estudantes da Bíblia se disse que seriam presos se permitissem que as Testemunhas visitassem suas casas. Foram fechados os Salões do Reino. Foi dito aos irmãos que todas as atividades deveriam cessar, e constante vigilância foi exercida sobre os lares missionários. Sempre que saíam, eram seguidos, e qualquer pessoa que se aproximasse da casa era avisada que se afastasse.

Em fins de 1950, quando os irmãos Knorr e Henschel visitaram o país, alguns dos missionários foram redesignados para Porto Rico, Guatemala e Argentina. Outros obtiveram empregos seculares ensinando inglês, e alguns foram empregados pela companhia de eletricidade. Ali, por exemplo, Roy Brandt trabalhava como apontador, tendo acesso a todos os geradores, a todas as chaves e caldeiras, de maneira que, pelo que parece, o governo não estava preocupado demais com suas supostas ligações comunistas! Com este serviço secular, os irmãos conseguiram ajudar a financiar lares que podiam ser usados como locais de reunião. Sim, as reuniões eram realizadas, apesar das circunstâncias. Em uma dessas casas, a mobília no quarto de dormir dos fundos estava sobre rodas, e podia ser facilmente levada para o quarto anexo, e substituída com de quinze a vinte cadeiras, de modo que se realizasse uma reunião combinada de estudo da Sentinela, reunião de serviço e Escola do Ministério Teocrático.

A Comemoração da morte de Cristo era celebrada em pequenos grupos, um orador preferindo três discursos em três locais diferentes em uma só noite. Com muita freqüência, chovia muito naquela noite, chuvas de bênção, visto que mantinham afastados das ruas os espiões. Conforme já vimos, foi uma chuva assim que ajudou o irmão Luis Montás a escapar de San Cristóbal. O irmão Raymond Johnson teve experiências semelhantes quando era vigiado de perto em sua designação de Santiago. Ao sair de casa para ir a um estudo, costumava ser seguido. Simplesmente começava a andar e a dar muitas voltas, indo e voltando pelos quarteirões até que seu espião se cansasse e parasse. Mas, bem amiúde, uma chuvarada caía, e, ao passo que o espia parava em algum lugar para se abrigar da chuva, o irmão Johnson ia para sua revisita.

O irmão Julio Ditren foi batizado em 1955 e, assim, veio a associar-se com a organização num tempo em que a perseguição era pesada. Seu lar era usado como local de reuniões, e jamais teve grandes dificuldades. Acontecia que tinha um amigo que não era Testemunha, mas que era realmente amigo, e que trabalhava para o governo, estando ligado de perto com a polícia. Em certas ocasiões, este amigo dizia ao irmão Ditren: “Não realizem suas reuniões esta semana.” É com toda a certeza, naquela semana alguns espias estavam ali por perto ou até mesmo entravam na casa. Daí, algum tempo depois, o amigo voltava a dizer: “Tudo está bem agora. Podem realizar de novo suas reuniões.” Evidentemente as autoridades haviam decidido que aquela casa não era um local de reuniões.

OPERANDO SOB A PROSCRIÇÃO

O suprimento regular do sustento espiritual era uma consideração vital daqueles dias. E é um maravilhoso indício da amorosa provisão de Jeová que The Watchtower (A Sentinela) costumasse chegar até nós pelo correio, por mensageiro pessoal e de outros modos. À medida que a censura piorava, o único meio seguro era por mensageiro pessoal. Um destes mensageiros nos conta o que estava envolvido:

“No aeroporto da Cidade Trujillo (São Domingos), quando o passageiro passava pela Alfândega, os fiscais faziam-no parar em certo lugar e ler um letreiro na parede ali. Este era um subterfúgio, havendo um fluoroscópio por trás da parede usado para examinar o passageiro, procurando armas. Eu amiúde ficava pensando na aparência que os grampos das revistas teriam naquela máquina. Mas, com o passar dos anos, nenhuma publicação foi descoberta. Às vezes parecia que Jeová cegava-os da forma em que os homens de Sodoma evidentemente foram cegados, bem como os do exército sírio que procuravam levar cativo o profeta Eliseu. (Gên. 19:4-11; 2 Reis 6:15, 18-20) Uma vez nas mãos dos irmãos, os artigos de estudo das revistas podiam ser mimeografados e distribuídos por todo o país.”

O serviço de campo era feito com cautela. Os livros eram divididos em seções, de modo que se pudesse levar algumas páginas dobradas no bolso duma camisa ou numa sacola de comestíveis sem atrair indevida atenção. Livros de estudo eram deixados no lar do estudante, de modo que se pudesse andar na rua sem quaisquer publicações. Fórmulas de relatórios eram feitas, mas se pareciam com listas de compras, os publicadores relatavam lechosa, frijoles, huevos, repollo e espinaca (mamões, feijão, ovos, repolho e espinafre) em lugar de livros, folhetos, horas, e assim por diante. Cópias mimeografados de La Atalaya (A Sentinela) eram chamadas yucca uma raiz amilácea, comestível.

Naturalmente, não era preciso ser apanhado com publicações para ser preso, conforme se pode notar do caso de Lucía Pozo. Foi depois de assistir à assembléia de 1950 em Nova Iorque que a polícia a procurou e a prendeu. Ela levava uma bolsa que continha sabonete, uma toalha e cosméticos. Por certa transformação, tornaram-se revistas A Sentinela, e uma Bíblia, por ocasião do julgamento dela. Chegando na delegacia, o delegado ralhou com ela, chamando-a de comunista, de mulher sem vergonha, de vagabunda, e de inimiga do governo. Foi mandada para a Prisão de Mulheres e então levada para San Cristóbal. Interrogada, foi-lhe perguntado se não sabia que a obra das testemunhas de Jeová estava proscrita. Lucía respondeu: “Minha adoração a Jeová não está proscrita.” Foi-lhe lembrado: “Neste país, é preciso obedecer a Trujillo.”

A irmã Pozo foi transferida na traseira dum caminhão, como ela diz, ‘como um saco de batatas’, para Pedernales, próximo da fronteira do Haiti. Em Pedernales, foi bem tratada pela maioria dos guardas. Deixavam aberta a sua cela e lhe permitiam lavar suas roupas num riacho, sob as árvores, avisando-lhe que corresse para dentro sempre que o Capitão Almanzar estivesse por perto, visto que todos tinham medo deste homem. Quando um dos guardas tentou ter relações sexuais com ela, o médico ouviu seus gritos e interveio em favor dela. A irmã Pozo estava determinada a provar que o delegado de polícia, que a chamara de tantos nomes insultantes, era mentiroso, e a não fazer nada que desonrasse a Jeová. Desde sua libertação, tem continuado fiel e nessa ocasião se acha no serviço de pioneira especial em São Domingos.

Uma parte importante das vidas dos irmãos naquela época era a visita semanal às prisões, levando alimento e outras necessidades aos irmãos presos. Os visitantes se enfileiravam na rua, do lado de fora, antes das 14 horas, aos domingos, os homens e as mulheres em filas separadas. O nome e o número da Cédula (carteira de identidade) de cada um e a quem desejava visitar eram anotados por um soldado. Os visitantes masculinos eram revistados. Não só o alimento físico era suprido, mas os irmãos obtinham alimento espiritual. Permitia-se que seus visitantes levassem comida de várias formas. Às vezes se podia colocar um saco de papel dentro de outro, com algumas folhas das revistas ou dos folhetos entre eles, e então encher o saco de dentro com frutas. Ao passo que o guarda examinava cabalmente as frutas, amiúde não pensava em olhar entre os sacos, pensando que os dois sacos eram para reforçar um ao outro, de modo que os sumos da fruta não rompessem os sacos. As irmãs escondiam algumas folhas das publicações em suas roupas. Assim, nossos irmãos na prisão eram mantidos espiritualmente fortes.

Nos limites do cárcere, os presos tinham privilégios de serviço. León Glass relembra que, como presos, eram designados a trabalhar por perto dos quartéis militares da capital e do interior, e a todos que encontravam eles levavam as “boas-novas”. Alguns dos militares se mostravam amigáveis e até os ajudavam a obter publicações. Por diversos meses, foram designados a aparar a grama ao longo da rodovia até Mella. Escreve um destes presos: “Trabalhamos por quarenta e sete quilômetros da rodovia, de casa em casa, em companhia dos guardas. Que dias agradáveis!”

Dentro da prisão, trabalhavam de cela em cela e de leito em leito. Alguns que receberam testemunho agora detêm posições de servos nas congregações, como Manuel Tamayo e Manuel Rincon. Dois que se tornaram Testemunhas na prisão foram assassinados, um deles, Guarionex Vargas, porque seu sobrinho participou dum golpe contra Trujillo. Depois de reconhecer o tratamento cruel contra as testemunhas de Jeová, Ramón Alberto Ferreras prisioneiro político, em seu livro “Preso”, declara, na página 140: “O Armagedom do juízo final, as coisas excelentes que os justos esperam mais além, as catástrofes que aguardam a humanidade, segundo a revelação, e outros temas bíblicos ou teológicos, eram ouvidos nas celas das seções A e B, ao passo que o grupo de testemunhas liderado por um senhor chamado Montás, de San Cristóbal, se achava ali.” Ao passo que o Sr. Ferreras, segundo seu livro, parecia pensar que as testemunhas de Jeová haviam acabado inteiramente nessa época, em realidade aumentaram em número. A pregação a que ele se referiu era o arranjo feito para que os irmãos tivessem uma “reunião pública” todo dia desde sua cela. A prisão era como um calabouço, a voz da pessoa atingia vários blocos de celas, sendo até ouvida na seção das mulheres, da qual às vezes vinha a pergunta: “Não vai haver um sermão hoje?”

BREVE PAUSA — E ENTÃO MAIS NUVENS

Em 16 de junho de 1954, Trujillo assinou uma concordata com Roma, prometendo tratamento especial para o clero católico-romano. Em 1955, tornou-se “Padre de la Patria Nueva” e foi celebrada em Cidade Trujillo a Exposição da Paz e da Confraternidade do Mundo Livre. Neste “mundo livre” a proscrição já estava em vigor por cinco anos. Como indicado no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1956 (em inglês), a maioria dos publicadores jamais vira uma revista A Sentinela nem um Informante (agora Ministério do Reino) originais. Muitos jamais haviam oferecido publicações de porta em porta. O publicador mediano jamais comparecera a uma reunião pública nem a uma assembléia. Não cantara nem conhecia os cânticos do Reino, mas tinha o espírito de Jeová, o que era e ainda é o segredo de sua força.

Raymond Franz, missionário de Porto Rico, foi solicitado a apresentar então pessoalmente uma petição ao Ditador Trujillo, pedindo a remoção da proscrição. Estabelecendo contato com os irmãos, foi aconselhado que a melhor forma de ver Trujillo era enviar um telegrama solicitando uma audiência. “Respeitosamente solicito privilégio de breve audiência de Vossa Excelência. Educador estadunidense numa excursão de 11.000 quilômetros. Tenho informações de grande importância para o Senhor e seu país.” Este foi o texto do telegrama enviado e aqui se acha o relato do irmão Franz sobre o que aconteceu:

“No dia seguinte, uma mensagem telefônica no hotel me avisou a estar no Palácio Nacional às oito horas da manhã seguinte. Nessa manhã, fui até os portões do Palácio e, depois de esperar enquanto uma banda tocava o Hino Nacional, com todo o pessoal do governo de pé, nos muitos balcões do Palácio, permitiram-me passar pela guarita da sentinela, no portão, e subir os muitos degraus amplos da escada que conduz ao Palácio.

“Depois de ser colocado em diferentes salas de espera sozinho, por um período de quase uma hora, e então conversar brevemente com um general dominicano, fui conduzido por um corredor, passando por uma sala em que havia quatro oficiais, daí, me fizeram sinal para que atravessasse uma passagem bem estreita que dava para uma ampla sala. Apenas ao chegar na ampla sala é que vi o ditador em pé, ao lado de uma grande mesa. Dificilmente esperava chegar até ele com tanta facilidade.

“Depois de trocarmos saudações e de tecer alguns comentários favoráveis sobre o país, expliquei em espanhol a minha missão: representar uma organização internacional, como seu emissário, para lhe apresentar uma petição. Primeiro lhe entreguei uma carta de apresentação, e daí lhe entreguei a petição. Trujillo não disse nada depois da saudação inicial, dando a impressão de estar nervoso devido a não saber o que esperar. Começou a ler a petição, mas, logo depois, parou e simplesmente olhou para mim. Eu lhe disse então que era o desejo de nossa Sociedade transmitir-lhe nosso pesar de que a nossa fosse a única organização religiosa proscrita no país e que as testemunhas de Jeová eram conhecidas em todo mundo como cidadãos pacíficos, respeitosos e trabalhadores. Esta foi a primeira vez que o nome ‘testemunhas de Jeová’ foi mencionado e, evidentemente, ele não vira o nome ainda na petição. Então ‘explodiu’, dizendo que as Testemunhas recusavam o serviço militar, e não saudavam o emblema nacional. Eu indiquei que a petição explicava a razão disso, e que não estavam envolvidos motivos políticos, apenas questões de religião e consciência. Depois de outras breves trocas de palavras, ele ficou em pé, indicando que a audiência terminara. Para minha surpresa, estendeu a mão. Eu a apertei, assegurei-lhe de que estava disposto a responder a quaisquer perguntas que pudesse ter depois de ler a petição, e saí.”

Em 1956, terminou a proscrição. Parecia até bom demais para ser verdade. Telefonaram para o Secretário de Cultos, e ele assegurou aos irmãos: “Sim, estão livres, absolutamente livres para praticar sua religião assim como faziam antes.” Um irmão tirou o pó de sua pasta de livros, colocou uma Bíblia e livros nela e, com o jornal em uma das mãos, pulou em sua bicicleta e rodou pelo pequeno povoado em que morava, gritando: “A obra das testemunhas de Jeová está livre, a obra está livre!” Sua esposa correu pelas portas dos fundos gritando a mesma coisa para os vizinhos. Havia grande regozijo.

A reorganização começou de imediato. Foram estabelecidos Salões do Reino, e foram refeitos os mapas de território e os arquivos da congregação. Enviaram-se pedidos de publicações e revistas, e estas foram recebidas sem maiores problemas. Antes da proscrição, relatavam 261 publicadores. Quando terminou a proscrição, em agosto, havia 522, e, em novembro, 612 relataram!

Cerca de sete meses depois de terminar a proscrição, as revistas pararam de chegar e começaram a surgir na imprensa certos editoriais chamando as Testemunhas de “Comunistas”. O servo da filial, Roy Brandt, foi visitar o diretor dos correios para ver o que havia com as revistas e qual era o problema. Este senhor, coronel do exército, perguntou-lhe sobre as crenças das testemunhas de Jeová, inclusive o ponto de quem são os “príncipes” que irão reger na Nova Ordem. As bênçãos da regência do Reino foram consideradas por mais de uma hora. O Coronel disse que tinha uma sala cheia de revistas, mas recebera ordens de Trujillo de não liberá-las. Foram enviadas à filial de Porto Rico às custas do governo dominicano.

Em 30 de junho de 1957, o sacerdote jesuíta Vásquez Sanz numa alocução pelo rádio, mostrou claramente a posição da Igreja Católica com respeito às atividades renovadas do povo de Jeová. Chamou as testemunhas de Jeová de comunistas, de odiadores de toda a ordem, e teceu outras acusações falsas, todas as quais foram repetidas pela imprensa pública. Artigos similares foram publicados diariamente. O sacerdote católico-romano Robles Toledano disse que as testemunhas de Jeová eram um tumor canceroso que devia ser extirpado da República Dominicana. Em 3 de julho, El Caribe (jornal local), sob o título “Testemunhas de Moscou”, disse: “Pela própria essência de seus princípios doutrinais, as testemunhas de Jeová assemelham-se a uma ardilosa vanguarda do comunismo.” Em 8 de julho, o mesmo jornal disse: “Não resta a menor dúvida de que o movimento jeovista é uma perigosa ponta de lança que prepara o caminho para um desastre comunista.” Os ataques continuaram. As testemunhas de Jeová foram chamadas de violadores da lei, insultadores da bandeira e do hino nacional, e irrompeu uma onda de terrível perseguição.

Na área de Salcedo, as congregações inteiras de Los Cacaos, Blanco Arriba e Monte Adentro foram presas e se pediu a irmãos que assinassem uma declaração renunciando à sua fé e prometendo voltar à Igreja Católica Romana. Os irmãos foram espancados, chutados e levaram coronhadas de fuzil nos rostos, e foram então lançados numa cela apinhada. As irmãs, numa cela separada, podiam ouvir seus gemidos por toda a noite.

Na manhã seguinte, um por um, os servos destas congregações foram levados para um gabinete. José Jiménez (com 65 anos) saiu de lá arrastado, sangrando e desmaiado. Pedro German (35) saiu de lá sangrando. Angel Angel (60) estava desmaiado e sangrava da boca e do nariz. Pedro González (60) saiu de lá com os olhos fechados, de tão inchados, e seu filho Porfirio (25) estava desmaiado e sangrava dum ouvido. Seu tímpano fora rompido.

Em Santiago, Miguel Angel Fernández e Maximo Lopez receberam vinte e uma chicotadas cada um. Na Prisão de La Victoria, na capital, alguns ficaram presos por oito dias, passando a fubá e água. Em outra prisão, um irmão sobreviveu três dias com um pequeno doce. Cordelia Marte, com quinze anos, foi levada perante o General Ludovino Fernández em Salcedo. Começou ele a falar contra as testemunhas de Jeová, dizendo que era fácil ver que todos eram de Moscou, porque andavam de um lado para o outro, e nem sequer tinham uma igreja. A mocinha lhe perguntou se ele sabia o significado da palavra “igreja”. Ele ficou irado, e disse que sabia que deviam “cortá-la em pedacinhos, esmagá-la contra a parede, de modo que seus miolos pulassem fora e então enterrá-la em algum lugar em que ela não cheirasse mal”. Gritou para os soldados: “Levem-na e a prendam sem nenhuma consideração.” Ela foi mais tarde transferida para o Forte em Santiago e então para o Reformatório de Mulheres na capital. Ali compartilhava uma cela com Ramonita, uma Testemunha de doze anos.

Ao todo, uns 150 irmãos foram presos, muitos deles antes de a proscrição oficial ser anunciada em 24 de julho. Esta proscrição tinha aspecto mais sério, no sentido de que fora feita por decreto presidencial e ratificada por uma Lei do Congresso, ao passo que a primeira tinha sido por despacho do Secretário do Interior. Esta segunda proscrição se deu às instâncias do Senador Monsenhor Sanabia, e outro deputado que também era sacerdote. Declarava que as doutrinas das testemunhas de Jeová subentendiam uma violação dos princípios sobre os quais se organizara a República Dominicana. Por ocasião da consideração favorável do Senado quanto a esta lei, o Monsenhor Pérez Sánchez, também senador, disse que era uma “ocasião feliz” para o Senado fazer isso.

O Coronel Arturo Espaillat, da Polícia Militar, telefonou ao irmão Brandt e lhe disse que os missionários deveriam preparar-se para deixar o país em questão de trinta dias. Começaram a vender sua mobília, e o mimeógrafo foi levado para outro local, onde Donald Nowills e León Glass foram instruídos a usá-lo. Continua o irmão Brandt: “Cerca de dez dias antes da data em que devíamos partir, os dez missionários foram chamados ao Escritório da Inteligência Militar e interrogados sobre nossa partida. O Coronel Espaillat tinha idéia de que compraríamos nossas passagens e simplesmente partiríamos sem lhe dar trabalho algum. Mas, expliquei-lhe que nossa data de partida ficava a critério dele, porque não iríamos comprar passagens para partir, visto que queríamos ficar aqui. Ele então entendeu que teríamos de ser deportados e disse: ‘Muito bem, se querem ser mártires, nós os expulsaremos.’ Eu lhe disse que mandasse alguém oficial para nos levar para o aeroporto. Ele mandou dois táxis com um bem-conhecido ‘pistoleiro’ do governo, Cholo Villeta, e outro oficial, e os dez de nós nos apinhamos em dois táxis com nossas malas e fomos para o aeroporto, onde compraram passagens para Porto Rico para nós. Uma irmã veio despedir-se de nós, mas um polícial amigo disse à irmã Johnson que dissesse a ela para ir embora rapidamente porque tinham recebido ordens de matar qualquer pessoa que se mostrasse amigável para conosco.

“Chegamos em Porto Rico e fomos recebidos por cameramen de TV e repórteres de jornais. Os jornais de Porto Rico publicaram nossas fotos, de nós dez, e a estória de nossa deportação. Isso deu amplo testemunho.” Tal ocorreu em 3 de agosto de 1957.

Na República Dominicana, a obra foi entregue nas mãos de um irmão jovem, com vinte anos de idade, que havia sido batizado há apenas quatro anos antes. Quando Donald Nowills foi designado servo ajudante de congregação, em 1956, foi a primeira vez que ele ouvira falar de tal cargo. Em seguida, foi nomeado servo de congregação. Daí, em março de 1957, foi designado servo de circuito. Durante esse tempo, parecia que ele estava sempre uma congregação na frente das autoridades que procuravam por ele. Em certa ocasião, voltava para o pequeno povoado de Monte Adentro para apanhar alguns de seus pertences. Gabriel Almanzar ofereceu-se de voltar com ele os quatro quilômetros até Salcedo. O irmão Nowills disse que isso não seria necessário, que poderia facilmente encontrar o caminho, e foi sozinho. Nessa mesma tarde, quando o irmão Almanzar foi à cidade, foi facilmente reconhecido, e uma turba se formou em redor dele, o povo gritando: “Uma Testemunha! Ele é uma Testemunha!” Apareceram os guardas e o levaram. Foi o primeiro do grupo da área de Salcedo a ser preso e espancado. Se o irmão Nowills estivesse com ele, teria sem dúvida compartilhado o mesmo tratamento.

Ao cuidar da filial depois da deportação dos missionários, para o irmão Nowills tudo era novo, tinha de aprender tudo. Apreciou grandemente as visitas do irmão Bivens como servo de zona e de Raymond Franz, para ajudá-lo a resolver os muitos problemas de organização e as dificuldades criadas por pessoas ambiciosas de posições na organização. Gradualmente, a obra ficou melhor organizada. Os irmãos viram como poderia ser feita a obra de casa em casa apesar da proscrição. Em algumas áreas rurais, depois da onda de perseguição aguda, os irmãos não ousaram realizar reuniões. Daí, alguns começaram a estudar juntos em isoladas plantações de café. Por dois anos, estavam seguros de que um servo de circuito não poderia chegar até eles sem ser preso, mas, por fim fez-se uma tentativa. Félix Marte, guiado por outro irmão, entrou na área depois de escurecer. Vinte e uma pessoas compareceram à primeira reunião, todas as quais haviam abandonado a obra devido à perseguição. Na segunda noite, ele se reuniu com outro grupo de trinta pessoas. Na noite seguinte, o irmão Marte e seu companheiro andaram mais de onze quilômetros, às vezes com lama até os joelhos, para reunir-se com outro grupo. Levou três horas para chegar ao local de reunião. Quando dezessete irmãos correram para fora de casa e os abraçaram, eles se esqueceram de quão cansados estavam, e a reunião começou às 22,15 horas. Nesta viagem, o irmão Marte conseguiu ajudar e aconselhar uns sessenta irmãos.

QUANDO LADRÕES SE DESAVÊM

Os comparsas do crime usualmente verificam que não têm fortes vínculos. O interesse egoísta os move a separar-se. Assim aconteceu na República Dominicana. Agora se tornava evidente que os opositores do regime estavam ficando mais intrépidos e que Trujillo começava a passar por uns momentos de preocupação. Ao passo que suas tropas haviam dizimado a invasão de Costanza, Maimon e Ester Hondo, de 14 de junho de 1957, o ataque deixou os inimigos do governo com a sensação de que o regime não era invulnerável.

A década de sessenta se iniciou espetacularmente com a leitura de uma carta pastoral na missa em todas as igrejas católicas. Esta declarava que a Igreja não podia permanecer insensível ao profundo pesar que afligia tantos lares dominicanos. Estabelecia certos direitos que todos deveriam gozar e então dizia: “Enviamos uma carta oficial à mais alta autoridade do país para evitar os excessos que se prejudicam àqueles que os cometem.” Em réplica, disse-se ao clero que se refreasse de atividades políticas ou de tudo que alterasse a ordem pública. Isto abriu o caminho para as hostilidades governamentais contra a Igreja. Uma das represálias tomadas foi acabar com a proscrição das testemunhas de Jeová, na primavera setentrional de 1960.

O irmão Anton Koerber verificou o assunto com a Embaixada Dominicana em Washington, EUA, e foi-lhe dito que agora a obra estava livre e que podiam ser enviados de novo os missionários. Foi por certo uma bênção de Jeová que alguns daqueles mesmos que foram expulsos do país foram enviados de volta para cá como missionários. Em 7 de julho de 1960, o irmão e a irmã Roy Brandt foram acolhidos de volta. Começaram a trabalhar como missionários, deixando a organização da filial como se achava então. As reuniões eram realizadas, mas em pequenos grupos. Ninguém sabia exatamente quão ampla seria a liberação.

No ínterim, os problemas de Trujillo aumentavam. Em 24 de junho de 1960, fizeram uma tentativa contra a vida do Presidente Betancourt da Venezuela, e o regime de Trujillo foi acusado da trama. Isto trouxe sanções da parte da Organização dos Estados Americanos. O brutal assassinato político das três irmãs Mirabal, que haviam estado ativas no movimento de 14 de junho, suscitou a indignação pública por todo o país.

Em janeiro de 1961, o irmão Milton Henschel, do escritório do Presidente, visitou a filial. Ajudou os irmãos a mapear seu território e a começar a reorganizar a obra. Grupos começaram logo a ser visitados regularmente por dois servos de circuito. Este contato restaurado da organização com os irmãos mostrava amor e ajudava a mantê-los espiritualmente saudáveis. O entusiasmo era grande e os irmãos começaram a oferecer revistas nas ruas. Mas, o irmão Knorr os acautelou a não fazerem isso, visto que provocaria antagonismo nos opositores e a obra poderia ser feita sem isso. O importante era falar as “boas-novas”, de modo quieto se necessário, por visitar as pessoas em seus lares e dirigir estudos com os interessados.

Na primavera setentrional de 1961, obtivemos mais ajuda. O irmão e a irmã Salvino Ferrari, que tinham muitos anos de experiência missionária em Cuba, chegaram aqui. E a obra estava crescendo. Para cuidar das vinte congregações e muitos grupos isolados, foram usados três servos de circuito — os irmãos E. Glass, D. Nowills e H. Nicholas.

Em 30 de maio de 1961, Trujillo foi assassinado e a polícia secreta lançou intensiva busca de todos os implicados. Apenas dois homens conseguiram escapar, ocultando-se até que obtiveram anistia. Vários missionários foram transferidos de Porto Rico para a República Dominicana, inclusive o irmão e a irmã Raymond Franz. O irmão Franz relata: “Embora a obra estivesse agora livre, sendo usados Salões do Reino, as pessoas em geral ainda estavam muito temerosas, reticentes sobre falar conosco na obra de porta em porta. O nome e o retrato de Trujillo ainda apareciam em quase toda casa, as fábricas ainda apresentando lemas enormes, ‘Deus e Trujillo’, ‘Viva Trujillo’ e lemas similares apareciam até mesmo nas pequenas caixinhas de engraxates nas praças públicas.”

Veio então uma crise política. Os membros da família de Trujillo tentaram apoderar-se do poder, mas, sob a pressão da resistência popular, foram obrigados a fugir do país. Houve greves, violência, tiroteios, explosões e os soldados estavam por toda a parte. Pessoas que, poucos meses antes, adoravam Trujillo, agora começaram uma destruição fanática de todas as suas estátuas e quadros. Foram saqueadas as casas e fazendas da família e dos associados de Trujillo. Os exilados políticos obtiveram a anistia. Um conselho de estado foi formado para governar o país. Joaquín Balaguer, que tinha sido presidente sob Trujillo, foi nomeado presidente do conselho. Depois de várias pessoas serem metralhadas, uma junta militar apossou-se do poder. Balaguer procurou asilo no gabinete do núncio papal e obteve um salvo-conduto para Porto Rico. O chefe do Exército, Echavarría, foi enviado ao exílio, debaixo de uma tempestade de protestos por parte daqueles que achavam que deveria ter sido julgado por assassinatos políticos.

Naqueles dias de tumulto e confusão políticos, o espírito de Jeová continuou a estar com os fiéis, de modo que, por volta do fim do ano de serviço, trinta e três pessoas serviam como pioneiros especiais. Foi nesse mesmo ano que o irmão Nowills teve o privilégio de cursar por dez meses a Escola de Gileade, em Brooklyn, Nova Iorque. Com certa formação na obra duma filial, obtida no período da proscrição, apreciou a oportunidade de estudar na sede da Sociedade e cresceu em estatura espiritual. Voltou em dezembro e, por meio de suas visitas às congregações, ajudou muito em estabilizar a obra.

PROSPERIDADE EM TEMPOS ATRIBULADOS

O irmão Knorr visitou a República Dominicana em abril de 1962, provendo o estímulo necessário para incrementada atividade. Ao passo que a obra ia muito bem, isto se devia principalmente à continuação do trabalho de estudos bíblicos domiciliares que fora a atividade destacada durante a proscrição. Era agora desejável mais trabalho de casa em casa. Foi formado outro circuito e instruiu-se aos servos de circuito que dessem especial atenção à obra de casa em casa. As atitudes mudavam rápido. A “fim de malhar o ferro enquanto estivesse quente”, o irmão Knorr aumentou o número concedido de pioneiros especiais para 100. O povo de Jeová sentia a urgência dos tempos. As pessoas, por tanto tempo suprimidas, teriam agora oportunidade de ouvir as boas-novas do Reino. Tendo apenas 790 publicadores como média, em 1962, a assistência na Comemoração da morte de Cristo ascendeu a 2.315 pessoas. Era óbvio que havia muito trabalho à frente. Os irmãos Ferrari e Dingman foram designados ao serviço do circuito, em que ambos eram experientes, para ajudar as congregações novas e os pequenos grupos de pioneiros especiais a se organizarem e vincular-se mais de perto à organização. Raymond Franz foi designado servo da filial. Missionários com experiência no México, Bolívia e outros lugares foram transferidos para a República Dominicana, e a construção de um novo prédio da filial e lar missionário se iniciou perto do fim daquele ano.

Com a ajuda de Jeová, a obra continuou a crescer — 1.035, inclusive 75 pioneiros especiais, pregando em média cada mês durante 1963. O ano se iniciou com uma visita mui prestimosa do irmão Bivens, servo de zona designado pelo presidente da Sociedade. O irmão Duffield, com experiência na filial de Cuba, chegou para assumir a responsabilidade da obra, enquanto o irmão Franz fazia o curso de dez meses de treinamento em Gileade. No ínterim, o irmão R. Wallen, do escritório do Presidente, visitou a filial e ajudou a organizar as aulas de leitura e escrita. Aqueles que não sabiam ler se reuniam na última parte da Escola do Ministério teocrático, a fim de serem treinados na leitura, e, assim, poderem edificar sua fé. Depois de se graduar em Gileade, o irmão Franz serviu como servo de zona e, então, continuou como servo de filial na República Dominicana. Dezembro presenciou um aumento de 18 por cento em publicadores, o total atingindo 1.540. Vinte e oito congregações e mais de vinte e cinco grupos foram visitados regularmente pelos ministros viajantes da Sociedade. A assistência na Comemoração da morte de Cristo em 1964 foi de 4.064. Eram surpreendentes as perspectivas de crescimento.

No campo político, durante este mesmo período de tempo, predominava a anarquia. Em dezembro de 1962, Juan Bosch foi eleito presidente. Logo depois foi derrubado e substituído por uma junta militar que governou de 1963 a 1965. Os impostos e a austeridade instigaram uma revolução popular em abril de 1965. Muitos afirmam que a intervenção estadunidense impediu o êxito daquela revolução. Então, São Domingos se tornou um campo de batalha, à medida que as forças revolucionárias e governamentais se empenhavam na luta pelo poder. Sons de guerra, sons de disparos de fuzis e metralhadoras, e o zunido de aviões bombardeando seus alvos, enchiam o ar. Os serviços de energia elétrica, telefone e os correios, e os transportes públicos, entraram em colapso. Logo se descobriu que o tiroteio amainava entre as 5 e 11 horas, de modo que se usava este período para buscar provisões e para pregar. Arriscavam-se vidas não só para obter as necessidades materiais, mas para comparecer às reuniões. A ilha ficou isolada do resto do mundo, mas não do amor da organização de Jeová. Em 19 de maio, o irmão Knorr enviou um telegrama: “COMO ESTÃO TODOS? QUEIRA RESPONDER POR CABOGRAMA.” Respondeu-se a Brooklyn, tanto por cabograma como por carta, a carta sendo enviada por vias diplomáticas, a única forma de enviar ou de receber correspondência. O escritório do Presidente avisou às famílias de todos os missionários que todos passavam bem, e, assim, evitou-se preocupação desnecessária.

O servo da filial, Raymond Franz, descreve como era a vida no meio duma revolução: “A capital era o centro do conflito. Dormíamos no chão durante meses, devido ao perigo de se dormir ao nível das janelas. Contudo, bem poucas balas atingiram as instalações da filial. A eletricidade na capital foi cortada quase que de imediato, o que significou que não podíamos usar nosso fogão elétrico nem nosso refrigerador, nem contar com a bomba elétrica para levar a água até o segundo andar do prédio. Construí alguns fogões a carvão, utilizando umas grandes latas. De noite, líamos à luz das velas (mais tarde modernizando um pouco as coisas por obter lamparinas de querosene), mas, visto que era considerável a tensão sobre os olhos, e o tiroteio sempre piorava à noite, depois de um pouco de estudo os missionários amiúde jogavam xadrez chinês ou outros jogos para tirar a mente da luta do lado de fora e para aliviar um pouco a tensão. Depois de algum tempo, nos acostumamos de modo que o tiroteio não nos impedia de dormir mais ou menos normalmente. Amiúde, ao meio-dia, irrompia certo tiroteio enquanto almoçávamos, e escorregávamos para o chão, mudando os pratos para as cadeiras, e continuávamos a comer. Verifiquei que passar por tais experiências fazia com que nós, os missionários, apreciássemos mais uns aos outros. O mesmo, também, se dava com todos os irmãos. Vê-los chegar às reuniões (agora realizadas em pequenos grupos) em face de obstáculos e riscos, faziam-nos parecer ainda mais preciosos.”

Na cidade, a anarquia e a desordem prevaleciam. Surgiram questões que puseram à prova a consciência cristã. Era preciso manter a neutralidade. A opressão e as injustiças poderiam influenciar a pessoa a inclinar-se para um lado ou para o outro. Era tempo de lembrar-se de que ambos os lados eram parte deste sistema de coisas, e que ambos tinham a desaprovação de Jeová. Os fuzileiros estadunidenses ocupavam certas casas, ou colocavam metralhadoras nos telhados ou nas sacadas. Pelo menos um irmão teve de dirigir-se às autoridades estadunidenses a fim de solicitar que removessem os fuzileiros e suas armas de sua propriedade. Aproveitando-se da ausência da lei, os pobres se apossavam de terrenos vazios e construíam casas ali. E fariam isso os nossos irmãos cristãos? Depósitos parcialmente incendiados eram abertos pelos revolucionários e se permitia que as pessoas os pilhassem, até mesmo encorajando-as a fazer isso. A prova estava em vigor. Juntar-se-iam os irmãos às outras pessoas em fazer isso? Até que ponto seriam guiados pela neutralidade cristã?

Logo a capital foi dividida em três setores. O exército dominicano controlava o norte e o oeste; os Fuzileiros Navais dos Estados Unidos controlavam um corredor que continha a filial; e o setor sul, inclusive a principal zona comercial, o cais e o correio, estava nas mãos dos revolucionários. Devido à reconhecida neutralidade das Testemunhas, o irmão Franz tinha permissão de ir de uma seção para a outra sem ser incomodado. Realizavam-se assembléias de circuito fora da cidade, sendo feitos arranjos especiais para que os irmãos da cidade voltassem a suas casas antes do toque de recolher.

Comenta Raymond Franz: “Assim, ao passo que a guerra trouxe durezas e perigos, em especial de natureza espiritual, todos achamos que aprendemos muito dela e apreciamos ainda mais a retidão da Palavra de Deus e a sabedoria de se seguirem os seus princípios. Sentimo-nos enriquecidos pela experiência e com fortes vínculos de amor por aqueles que passaram conosco por tais experiências, em fidelidade.”

O irmão Franz foi convidado a trabalhar na sede de Brooklyn da Sociedade, de modo que foram feitos arranjos para que o irmão Keith Stebbins, que servia como servo de filial no Havaí EUA, e que acabara de fazer o curso de dez meses de Gileade, viesse para a República Dominicana, aprendesse espanhol e continuasse como servo da filial. O irmão e a irmã Stebbins chegaram em 11 de junho de 1965, e, alguns meses depois, missionárias experientes, as irmãs Juryne Schock e Edith White, foram trazidas da Jamaica. Fez-se também esforço de ensinar inglês a alguns dominicanos, de modo a prepará-los como possíveis candidatos para treinamento em Gileade.

Embora a revolução tivesse sido suprimida, e Balaguer fosse eleito Presidente, a violência e o terrorismo continuaram. Em qualquer ocasião e lugar, irrompia o tiroteio nas ruas. As noites eram sempre perturbadas por explosões de bombas ou tiros. Turbas incontrolavelmente destrutivas mantinham o povo temeroso de sair às ruas. Tais condições trouxeram muitas inconveniências aos irmãos, mas com a orientação do espírito de Jeová por meio de Sua organização, fez-se progresso. Deu-se ênfase ao crescimento espiritual. Este era muitíssimo necessário a fim de preparar os irmãos para enfrentar problemas similares e outros que surgiriam no futuro.

As visitas do irmão Henschel em 1966, Greenlees em 1967, Wallen em 1968 e Tracy em 1969, ajudaram todas em fortalecer a organização da filial e o serviço prestado aos irmãos por todo o país. Em 1966, o número de publicadores cresceu para a média de 2.040, em cinco circuitos, com setenta e oito pioneiros especiais. Nesse ano, 6.156 pessoas assistiram a Comemoração da morte de Cristo.

Esforços de vincular a República Dominicana com as assembléias internacionais “Filhos da Liberdade de Deus” se provaram infrutíferos. Não conseguimos arranjar transporte nem alojamentos. Nem as linhas aéreas nem os hotéis se dispuseram a cooperar para se garantir espaço para os delegados estrangeiros. Parecia que não era a vontade de Jeová que se trouxesse visitantes para este país turbulento naquela ocasião. No entanto, realizou-se uma assembléia nacional em janeiro de 1967, de modo que os irmãos realmente receberam os benefícios do mesmo programa. A presença, também, de membros da Diretoria da Sociedade assegurava aos irmãos locais que eles eram parte da grande família da sociedade da Nova Ordem. Vários irmãos conseguiram vir de Porto Rico, e extensa campanha de publicidade convidou a população local a comparecer. Um programa de quinze minutos na televisão, pelos irmãos Knorr, Stebbins e González, o servo de distrito, sublinhou a finalidade de nossa obra e da assembléia. A assistência ascendeu a 5.154 pessoas.

As bênçãos continuaram em 1967 e resultaram em mais crescimento. Os publicadores, em número de 2.453, relataram regularmente através de 47 congregações em 5 circuitos. Houve 6.939 pessoas que compareceram à Comemoração da morte de Cristo, e os pioneiros especiais aumentaram para 142. Foi dada ainda maior ajuda amorosa: O Ministério do Reino em espanhol era então enviado mais cedo para a filial. Aqui, era revisado para ajustar-se às necessidades dos irmãos na República Dominicana. Os irmãos apreciaram isto e sua acolhida foi um ministério grandemente acelerado. Havia 2.715 publicadores em média cada mês, com 9.843 pessoas comparecendo à Comemoração da morte de Cristo, em 1968. Quão maravilhoso tudo isso era aos nossos olhos!

À medida que excelente obra de pastoreio era feita pelos 141 pioneiros especiais, 254 pioneiros regulares e 2.156 publicadores de congregação em 1969, a organização continuou a expandir-se. Um auge de 3.144 publicadores foi alcançado este ano, e mais grupos foram transformados em congregações, de modo que estas alcançaram um total de 58. Durante o ano, 106.633 publicações foram colocadas. O servo da filial foi chamado para uma reunião especial em Brooklyn. Tudo apontava para o fato de que ainda havia muita coisa a ser feita nesta parte do campo.

Greves, fome e descontentamento aumentavam no país, mas o povo de Jeová continuava a prosperar espiritualmente. Foi necessário construir um anexo para a filial, para depósito de publicações e expedição. Cada vez mais pessoas encontraram refúgio em Jeová e em sua organização. Por volta de 1970, havia 3.378 publicadores nas 63 congregações, mais da metade dos irmãos tendo entrado na organização nos cinco anos prévios. E Jeová provê o que é necessário. Vieram de todas as rodas da vida: mecânicos de automóvel, lavradores, motoristas de veículos públicos, contadores, construtores, carpinteiros, advogados, dentistas, sim, e ex-políticos; todos atraídos pelo amor à verdade e o amor a Jeová. Constituem agora uma só família e estão livres de contendas do velho sistema.

Em fins de 1969 e no início de 1970, Satanás tentou causar alguns problemas nesta organização de rápido crescimento por promover desacordos entre alguns dos servos proeminentes. Mas, como sempre, o espírito de Jeová era mais do que adequado para enfrentar a situação. Com efeito, muitos publicadores dificilmente se deram conta de que tinha havido um problema. Outros, reconhecendo o arranjo teocrático, continuaram à frente e não permitiram que personalidades interrompessem seu serviço a Jeová. No fim de fevereiro de 1970, o irmão e a irmã Jesse Cantwell chegaram da Colômbia, e o irmão Cantwell foi designado servo da filial. Cinco turmas da Escola do Ministério do Reino foram organizadas na filial, com o fim de equipar os superintendentes para aprimorar sua obra de pastoreio. Reuniões especiais foram realizadas com todos os servos de circuito e de distrito. O servo da filial visitou todas as assembléias de circuito e as quatro assembléias de distrito, no empenho de unir ainda mais os publicadores e a filial. Foram também realizadas reuniões com os pioneiros regulares e especiais. Uma tabela de “Orador de Betel” foi colocada em vigor mediante a qual o servo da filial ou outro irmão do escritório visitava as congregações nos fins-de-semana, preferindo um discurso de serviço no sábado à noite e saindo na obra de pregação no domingo, daí, proferindo o discurso público naquela tarde. Tudo isto ajudou a unir os publicadores e a filial em vínculos mais achegados de amor.

O crescimento espiritual tem sido o objetivo principal de todos os irmãos maduros através do país, durante o ano. A madureza é necessária para se enfrentar as atuais táticas de Satanás. Há alguns anos, tentou a perseguição dura e falhou. A obra cresceu. Agora, ele ataca por tentar semear a discórdia, por meio da imoralidade e do materialismo. Tornou-se necessário desassociar cinqüenta e quatro pessoas no ano de 1971. Em uma cidade havia 350 publicadores no início do ano. Durante o ano, mais de 4 por cento foram desassociados. Triste como pareça ser isso, trouxe fé na organização e abriu o caminho para o livre fluxo do espírito de Jeová. Durante o mesmo período, os publicadores naquela cidade aumentaram 18,3 por cento, apesar da perda de 4 por cento.

Quando falham os métodos violentos, Satanás tenta outros métodos. Além da dificuldade adrede mencionada entre os irmãos, que Jeová pôs fim por meio de ação rápida de Sua organização, há sempre a atração dos desejos carnais. O materialismo e a imoralidade continuam a erguer suas cabeças feias, cada um contribuindo para a queda de alguns dos irmãos que permaneceram tão fiéis nos tempos de perseguição. Três que passaram longos meses na prisão tiveram de ser desassociados. Um deles ainda está desassociado. Com efeito, em certa cidade, dezoito pessoas tiveram de ser desassociadas durante o ano passado. A congregação de Jeová tem de ser mantida limpa de modo que seu espírito flua sem impedimento.

Esta operação contínua do espírito de Jeová, porém, trouxe grandes bênçãos aos irmãos fiéis, de modo que, no fim do ano de serviço de 1971, 4.106 publicadores relatavam. O amor de Jeová e o amor cristão de uns pelos outros continuou a fazer com que os publicadores avançassem jubilosamente, trabalhando no campo através de todo o país, e 13.778 pessoas assistiram à Comemoração da morte de Cristo.

Com o decorrer dos anos, a atitude das pessoas mudou marcantemente. A Igreja não mais é tida como o poder que uma vez era. Os sacerdotes não mais são tidos em profundo respeito. Manifesta-se o descontentamento nas inquietações estudantis, nas demonstrações de protesto, nos freqüentes espasmos de terrorismo e na presença de patrulhas armadas pelas ruas. Por outro lado, a operação do espírito de Jeová tem sido manifesta, e, para com as testemunhas de Jeová, há uma atitude de respeito. Cada vez mais pessoas aceitam o convite de vir e provar que Jeová é bom. Pode-se ver isto pelo fato de que 6.596 estudos bíblicos domiciliares são dirigidos cada semana e que, em 1971, foram distribuídos 105.916 Bíblias, livros e folhetos, junto com 830.340 revistas A Sentinela e Despertai! por todo o país. Mais de 1.125.000 horas foram devotadas à pregação desta boa-nova.

Apesar de que parece haver um “tema” de dificuldades e de violência por todas as experiências do povo de Jeová na República Dominicana, os irmãos têm um conceito otimista. São felizes e dão livremente de si mesmos. Acatam o convite de Jeová. Dizem: “Eis-nos aqui! Envia-nos!” E, estamos seguros de que Jeová continuará a enviá-los a todas as partes do país, pregando e ensinando até que Ele diga que basta.

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