Nurembergue — cidade de Assembléias
Do correspondente de “Despertai!” na Alemanha Ocidental
ASSEMBLÉIAS significativas não são algo incomum para Nurembergue, Alemanha. Em 1356, o Imperador Charles IV galardoou a hospitalidade e a lealdade dos habitantes de Nurembergue por decretar que todo governante futuro da Alemanha deveria realizar ali seu primeiro Congresso do Partido.
Mais tarde, em março de 1525, foram realizadas ali as chamadas “reuniões religiosas de Nurembergue”. Nesta oportunidade, os líderes políticos e intelectuais da cidade se reuniram no amplo Rathaus (palácio municipal) para considerar a insurreição religiosa que então grassava. Devido à atividade de Martinho Lutero, o movimento de protesto contra o catolicismo se espalhava rapidamente pela Alemanha.
Em 17 de março de 1525, a câmara municipal votou por maioria esmagadora aceitar o novo ensino religioso. Assim, Nurembergue se tornou a primeira cidade imperial a abraçar o protestantismo. Foram expedidas instruções para os três mosteiros católicos na cidade a que se refreassem de sua “pregação e confessionários” públicos até o tempo em que pudessem apoiar seus ensinos e suas ações pelas Escrituras Sagradas. Nurembergue é até os dias atuais predominantemente protestante.
Assembléias Modernas
Na parte inicial da década de 1930, um novo governo nacional-socialista sob Adolf Hitler assumiu o poder na Alemanha. Um de seus alvos era a restauração do antigo Santo Império Romano da Nação Germânica. Trouxe-se à atenção o decreto do Imperador Charles IV no tocante aos congressos do partido, e Nurembergue se tornou a ‘Cidade das assembléias anuais do Partido’.
Num belo cenário em Nurembergue, Hitler ergueu imponentes e colossais edificações para tais reuniões anuais. Estas incluíam o tremendo conjunto de 144 colunas e a Steintribuene (Tribuna de Pedra). Ali, observadores se reuniam para ver as paradas militares no Zeppelinwiese (Campo de Zeppelin).
Foi em uma destas assembléias gigantescas em 1935 que foram adotados os “decretos de Nurembergue”. Tais decretos proibiam os alemães de se casar com judeus e privavam os judeus da cidadania. Desta forma, os regentes alemães lançaram uma base legal para seu anti-semitismo.
As testemunhas de Jeová, também, sentiram o ódio dos nacional-socialistas, ou nazistas. Durante os poucos anos seguintes, cerca de 10.000 delas, de toda a Alemanha, inclusive da cidade de Nurembergue, foram lançadas em prisões e campos de concentração. Por quê? Porque se recusaram a transigir quanto aos princípios cristãos por atribuírem honras de adoração a um homem e aderirem a seu partido político.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 veio o colapso do sistema político de Hitler. Isto significou a libertação das testemunhas de Jeová que se achavam nos campos de concentração. Naquele verão, depois de anos de opressão, cerca de vinte delas se reuniram numa casa em Nurembergue para reorganizar sua atividade ali.
Daí, em 1946, Nurembergue de novo ficou no foco das atenções mundiais. Os líderes sobreviventes do derrotado sistema político nazista mais uma vez se reuniram em Nurembergue, mas não em triunfo. Antes, compareceram perante um tribunal internacional para serem julgados por seus crimes de guerra.
Ironicamente, as testemunhas de Jeová, a quem tais líderes nazistas tentaram destruir, realizavam na mesma ocasião uma assembléia no anterior Campo do Partido de seus perseguidores do passado! Na segunda-feira, 30 de setembro, quando as sentenças de morte estavam sendo declaradas para muitos destes nazistas, as testemunhas de Jeová ouviam o presidente da assembléia falar sobre o assunto “Os Cristãos no Crisol”.
O Nürnberger Nachrichten, de 3 de outubro de 1946, observou em sua manchete “o julgamento realizado em Nurembergue”. No entanto, nesse mesmo número, trazia um relatório apropriado da “Primeira Assembléia Teocrática das Testemunhas de Jeová” a que compareceram cerca de 7.000 delegados de todas as zonas da então ocupada Alemanha. A assembléia foi um tópico de palestra por algum tempo entre os habitantes de Nurembergue. O nome de Deus, “Jeová”, se achava em muitos lábios.
Na realidade, o nome de Deus acha-se intimamente ligado com a cidade de Nurembergue. Como “livre cidade imperial”, Nurembergue, em seus primeiros dias, tinha permissão de cunhar sua própria moeda. E, estampadas em uma moeda cunhada no ano de 1680 se acham as quatro letras hebraicas para o nome de Deus (JHVH ou IHVH), comumente chamadas de Tetragrama. Este nome de Deus é usualmente pronunciado atualmente “Jeová”.
O anterior Campo do Partido, dos nacional-socialistas, ainda intacto em sua maior parte, oferece local ideal para assembléias. Pois ali há lagos, florestas e parques removidos do burburinho da cidade. Assim, em 1953, 1955 e de novo em 1966, as testemunhas de Jeová usaram este local para assembléias. Em sua reunião internacional de 1955, mais de 107.000 pessoas assistiram ao discurso principal!
Com o passar dos anos, subúrbios residenciais modernos surgiram ao redor de Nurembergue, e os meios de transporte foram ampliados. Excelente sistema de autoestradas levam a Nurembergue, algumas delas chegando diretamente ao centro da cidade. Também, há um aeroporto bem equipado. E, ao invés de apenas vinte Testemunhas, que se reuniram ali numa casa depois da Segunda Guerra Mundial, há agora cerca de 1.500 Testemunhas em Nurembergue e na cidade adjacente de Fürth.
Assim, de 10 a 17 de agosto, Nurembergue mais uma vez foi anfitriã de uma assembléia internacional das testemunhas de Jeová. Compareceram 150.645 pessoas, tornando esta a maior assembléia já realizada ali.
[Foto na página 20]
Estampadas numa moeda de Nurembergue de 1680 se acham as quatro letras hebraicas para o nome do Deus.