“Santificado seja o teu nome” — que nome?
Reza o Pai-Nosso? Milhões o fazem. Nesta oração, dirigem-se a Deus várias petições, sendo a primeira: “Santificado seja o teu nome.” Perguntou-se alguma vez qual é o nome que pedimos seja santificado? Será “Deus”, “Senhor”, “Pai”, ou algum outro? É de grande interesse saber o que dizem alguns dicionários a respeito desta pergunta.
Por exemplo, O Novo Dicionário da Bíblia, de J. D. Douglas (editor em português R. P. Shedd), sob o verbete “DEUS, NOMES DE”, diz: “O termo hebraico Yahweh é em nossa versão portuguesa usualmente traduzida[o] como ‘Senhor’. Algumas versões transliteram-no por Jeová. Este último nome se originou como segue. O texto original hebraico não contava com letras vogais. Com o tempo, o ‘tetragramaton’ YHWH foi considerado por demais sagrado para ser pronunciado; daí por diante ’adhõnãy (‘meu Senhor’) passou a substituí-lo na leitura, e as vogais desse nome foram combinadas com as consoantes YHWH formando o nome que em português tem sido transliterado por ‘Jeová’, uma forma que comprovadamente começou a aparecer no início do século XII D.C.
“A pronúncia Yahweh é indicada pela transliteração do nome para o grego, na literatura Cristã primitiva, na forma iaoue (Clemente de Alexandria) ou iabe. . . .
“Estritamente falando, Yahweh é o único ‘nome’ de Deus. No livro de Gênesis, entretanto, a palavra shem (‘nome’) é associada com o ser divino cujo nome é Yahweh. . . . Portanto, Yahweh, fazendo contraste com Eloim Deus, é um nome próprio o nome de uma Pessoa, embora essa Pessoa seja divina. Nesse caso, possui seu próprio pano de fundo ideológico; apresenta Deus como uma Pessoa, e assim O leva a ter relação com outras personalidades humanas. Esse nome traz Deus bem perto do homem, pois Ele se refere aos patriarcas como um amigo se refere a outro.
“Um estudo da palavra ‘nome’, no Antigo Testamento, revela quanto esse vocábulo significa no hebraico. O nome não é mero título, mas significa e expressa a personalidade real daquele a quem pertence. Pode derivar-se das circunstâncias do nascimento desse alguém (Gên. 5:29), ou pode refletir o seu caráter (Gên. 27:36), e quando uma pessoa punha o seu ‘nome’ sobre alguma coisa ou pessoa esta última ficava sob sua influência ou proteção.”
Também, o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de Antenor Nascentes (Tomo II, Nomes Próprios) diz o seguinte sob “JEOVÁ”: “JEOVÁ. Nome do Deus dos hebreus. Do hebr. IHUH o tetragrama inefável; do verbo ser. Deus é o ser por excelência. . . . A forma Jeová, porém, está tão usal [usual], que seria pedantismo empregar Iavé ou Iaué, a não ser em livros de pura filologia semítica ou de exegese bíblica. Conforme os comentadores este nome quer dizer ‘sempiterno’. . . . Nada iguala o respeito de que o cercaram os hebreus e de que o cercam os judeus. O grão-sacerdote só o pronunciava (não se sabe bem ainda hoje sua verdadeira pronúncia, como se viu) em voz alta uma vez por ano, no templo, no dia da festa da Expiação, o Yom Quipur. Ordinariamente era proibido de modo absoluto pronunciá-lo; era um verdadeiro tabu. . . . Iavé é a transcrição dos exegetas protestantes e racionalistas e Jeová, a dos teólogos católicos e de grande número de hebraizantes.”
Outras obras literárias concordam com os dizeres destes dois dicionários. A conclusão: o nome que deve ser santificado é Jeová (Yahweh ou Javé). Embora não se conheça a pronúncia exata do Nome, é importante usá-lo, e não escondê-lo. E podemos santificar o Nome por mantê-lo em alta estima, sem vituperá-lo: “Para que saibam que tu a quem só pertence o nome de JEOVÁ, és o Altíssimo sobre toda a terra.” — Salmo 83:18, versão Almeida.
[Foto na página 32]
O Nome Divino (o Tetragrama) aparece 6.973 vezes na “Tradução do Novo Mundo” das Escrituras Hebraicas.
יהוה