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Que nome usa você para Deus?A Sentinela — 1984 | 1.° de julho
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Que nome usa você para Deus?
Sabe qual é o nome que a Bíblia usa com mais freqüência do que qualquer outro nome? Diria Davi? Abraão? ou Jesus?
Se pensou em qualquer desses nomes, achará muito interessante esta série de artigos, pois o nome mais importante da Bíblia é usado com mais freqüência do que todos esses nomes juntos.
CERTA publicação religiosa salienta que, quando se diz a alguém que o ama, chama-se a pessoa por nome. Não se diz: “Homem, eu te amo.” Ou: “Mulher, eu te amo.” Em vez disso, costuma-se dizer: “João, eu te amo.” Ou: “Margarete, eu te amo.” Daí, a publicação indaga: “Que nome pode você dar a Deus, a fim de torná-lo mais pessoal e achegado?”
Ela aborda esta questão numa página inteira, sem sequer mencionar uma única vez o nome pelo qual Deus chama a si mesmo. E conclui: “O nome que escolher ao se referir a Deus intimamente deve depender de você.” Mas, não seria melhor usar o nome que Deus escolheu para si mesmo, o qual é usado milhares de vezes na Bíblia?
TEM DEUS REALMENTE UM NOME?
Sim, ele tem. Nos idiomas hebraico e grego, nos quais a Bíblia foi originalmente escrita, a palavra “deus” nem sempre se referia ao verdadeiro Deus. Como se dá no caso da língua portuguesa, poderia ser usada para deuses e ídolos falsos. Portanto, como se distinguiria o verdadeiro Deus e Criador dos deuses feitos pelo homem? Por usar um nome pessoal. Mas, muitos não conhecem o nome de Deus, e são muito menos ainda os que o usam hoje.
De fato, talvez nunca tenha visto o nome de Deus na sua própria Bíblia. Por que não? Porque os homens que traduziram sua Bíblia para o português podem tê-la modificado. Talvez não concordassem com os escritores da Bíblia, a quem Deus inspirou a usar seu nome milhares de vezes nas Escrituras Hebraicas.
A Versão Autorizada, há muito usada pelos leitores de língua inglesa, contém o nome de Deus, não as quase 7.000 vezes em que ele ocorre no hebraico, mas, o nome mesmo, apenas quatro vezes — em Êxodo 6:3; Salmo 83:18 e Isaías 12:2; 26:4. Há outras traduções que não usam nenhuma vez o nome de Deus. Tiraram o nome de Deus do próprio livro Dele!
Obviamente, este NOME era mais importante do que as palavras que os tradutores usaram para substituí-lo, de modo que em algumas traduções as palavras usadas para substituí-lo aparecem em maiúsculas, para permitir que os leitores informados saibam onde ocorre o nome de Deus no texto original. Certa enciclopédia famosa explica: “Deve-se lembrar de que o nome hebraico Jeová é geralmente traduzido, na versão inglesa, pela palavra SENHOR (às vezes Deus), e impresso em versaletes.” Portanto, quando vê a palavra “SENHOR” impressa dessa maneira, o tradutor lhe está dizendo que o próprio nome de Deus, JEOVÁ, é usado na língua original. — Cyclopedia de McClintock e Strong, 1981, Volume IV, página 811.
Quer tenha encontrado este nome em sua Bíblia, quer não, este realmente se encontrava no texto hebraico original. Os estudiosos alemães Keil e Delitzsch salientam que a expressão “Jeová Elohim” (Jeová Deus) aparece 20 vezes em menos de 50 versículos dos capítulos 2 e 3 de Gênesis.
Afirmam que “é usado com ênfase peculiar, para dar proeminência ao fato de que Jeová é realmente Elohim”, ou Deus. — Commentary on the Old Testament, de Keil e Delitzsch, 1973, Volume I, páginas 72, 73.
De fato, o próprio nome de Jesus significa “Salvação de Jah [Jeová]”. E você pronuncia uma forma poética abreviada do nome Jeová sempre que diz “Aleluia”. Pode procurar Aleluia num dicionário e constatar por si mesmo que significa ‘Louvai a Já’, ou ‘Louvai a Jeová’.
Lembre-se de que Jeová é o nome próprio de Deus. É o nome pelo qual ELE escolheu ser identificado. Gostaria de saber como o uso deste nome pode ampliar seu apreço por Deus e pelos Seus propósitos? Esse é o assunto dos artigos que se seguem.
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Deve o nome ser usado?A Sentinela — 1984 | 1.° de julho
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Deve o nome ser usado?
MUITOS não se sentem bem em usar o nome sagrado de Deus. Os judeus devotos lêem este nome em suas Bíblias, mas acham que não deve ser pronunciado. Muitas outras pessoas religiosas hesitam em usá-lo.
Entretanto, certa vez a nação inteira de Israel ouviu Deus falar Seu nome. Ouviram-no ser pronunciado corretamente. No monte Sinai, ouviram-no oito vezes nas Dez Palavras, ou Dez Mandamentos, que foram ditados desde o céu. — Êxodo 20:2-17.
Se o tradutor de sua Bíblia usou o nome de Deus onde este aparece no hebraico original, verá que esses mandamentos iniciam com a declaração: “Eu sou Jeová, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito, da casa dos escravos. Não deves ter quaisquer outros deuses em oposição à minha pessoa.” A Versão Brasileira traduz assim: “Eu sou Jeová, teu Deus . . . Não terás outros deuses diante de mim.” (Êxodo 20:2, 3) Se os tradutores de sua Bíblia não usaram o nome de Deus, talvez tenham colocado a palavra SENHOR” em maiúsculas para indicar que O Nome aparece na passagem original.
Não há nada nas Escrituras que diga que este nome não deve ser usado. Deus disse para não se tomar Seu nome “em vão”, ou “dum modo fútil”. Mas isso não significa que não devemos usar o nome. Antes, significa que os servos de Jeová não devem fazer coisas que desonrem o nome dele. — Êxodo 20:7.
Moisés, que foi usado para registrar na Bíblia esta ordem, não entendeu isso como significando que o nome de Deus não devia ser usado, pois ele escreveu esse nome centenas de vezes no Pentateuco, os primeiros cinco livros da Bíblia. Em vez de não usar o nome, Moisés disse: “Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová. E tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força vital.” — Deuteronômio 6:4, 5.
A Bíblia não indica que este nome permaneceu oculto ou sem ser pronunciado. Ao contrário, indica que no decorrer dum período de muitos séculos era de uso comum. A Bíblia cita Eva como o usando.(Gênesis 4:1) Moisés disse que o justo Abraão o usava, que Abraão invocou “o nome de Jeová, o Deus que perdura indefinidamente”, embora esse fato seja ocultado em muitas das traduções modernas da Bíblia. — Gênesis 21:33.
Abraão usou o nome de Jeová ao falar com o rei de Sodoma. Sara usou-o em conversa com Abraão. O servo de Abraão o usava com regularidade. Jacó, sua esposa Raquel e o pai dela, Labão, todos usavam o nome de Deus. — Gênesis 14:22; 16:2; 24:35, 42, 44; 28:16; 30:24, 27, 30.
Ordenou-se a Moisés usar o nome de Deus. Moisés e Arão o usaram ao falar com o descrente Faraó, e Faraó usou-o ao replicar. Disse: “Quem é Jeová, que eu deva obedecer à sua voz para mandar Israel embora?” — Êxodo 5:1-3; 3:15.
Séculos mais tarde, as pessoas ainda não consideravam inefável o nome de Jeová. Usaram-no ao falar com Samuel, e ele o usou ao responder-lhes. (1 Samuel 12:19, 20) O justo rei Davi entoou-o publicamente, dizendo: “Vou declarar o teu nome aos meus irmãos; no meio da congregação te louvarei. Vós os que temeis a Jeová, louvai-o!” — Salmo 22:22, 23.
O grande profeta Isaías não achava que este nome devesse ser ignorado. Ele o usou mais de 400 vezes no livro bíblico que leva o seu nome.
Isaías não disse aos seus leitores judaicos que não usassem o nome de Deus. Antes, disse: “Agradecei a Jeová! Invocai o seu nome. Tornai conhecidas entre os povos as suas ações. Fazei menção de que seu nome deve ser sublimado. Entoai melodias a Jeová, porque agiu magnificamente. Isto se deve dar a conhecer em toda a terra.” — Isaías 12:4, 5.
Soa-lhe isso como se este poderoso nome devesse ser ocultado, ou não devesse ser usado? Que devesse ser substituído por alguma outra palavra? Os tradutores que retiram o nome de Deus do Seu próprio livro obviamente não possuem o mesmo apreço pelo nome Dele que Abraão, Sara, Jacó, Moisés, Arão, Samuel, Davi e Isaías, que temiam a Deus, tinham.
Tampouco os profetas posteriores ocultaram este nome, considerando-o por demais sagrado para se usar, ou achando que os anteriores escritores da Bíblia estavam errados e que este nome devesse ser substituto por alguma outra palavra. As mensagens deles estavam repletas de expressões tais como as seguintes: “Ouvi a palavra de Jeová.” “Assim disse Jeová dos exércitos, o Deus de Israel.” “Assim disse o Soberano Senhor Jeová.” — Jeremias 2:4; 19:15; Ezequiel 21:28.
Tampouco o uso deste nome se restringia a assuntos religiosos. Não só era usado por instrutores, mas o povo comum usava o nome de Deus na conversa cotidiana. A Bíblia diz que Boaz dizia aos que trabalhavam no seu campo: “Jeová seja convosco”, a que eles respondiam: “Jeová te abençoe.” — Rute 2:4.
Os arqueólogos têm encontrado confirmações das declarações da Bíblia de que as pessoas usavam este nome. Na década de 30, descobriram as Cartas de Laquis, fragmentos de cerâmica que se crê datarem da conquista de Babilônia no século sete AEC. Estas usam repetidas vezes expressões tais como: “Que YHWH [Iavé ou Jeová] faça que meu senhor ouça hoje mesmo notícias de paz!”
Mesmo não-israelitas conheciam e usavam o nome de Deus. Os gibeonitas disseram a Josué: “Teus servos vieram por causa do nome de Jeová, teu Deus, pois ouvimos sua fama e tudo o que ele fez no Egito.” (Josué 9:9) No décimo século antes de nossa Era Comum, o inimigo de Israel, Mesa, rei de Moabe, registrou o nome na Pedra Moabita que foi redescoberta em 1868 e se encontra atualmente exposta no museu Louvre, em Paris.
Esses fatos não devem nos surpreender. Em vez de sugerir que se tratava de um nome particular, secreto, que não devia ser usado, Moisés havia dito ao povo: “E todos os povos da terra terão de ver que o nome de Jeová foi invocado sobre ti.” (Deuteronômio 28:10) Como poderia isso acontecer se nem mesmo os adoradores usassem o Seu nome?
Em vez de ser inefável, o nome era honrado, amado e respeitado. Foi usado ao se dar nome a lugares e até mesmo a pessoas. Abraão chamou o lugar onde ele foi para sacrificar Isaque de “Jeová-Jiré”. (Gênesis 22:14) E os nomes que se seguem estão entre nomes bíblicos bem conhecidos, cujos significados envolvem Jeová, ou Já, a forma poética abreviada do nome de Jeová: Ezequias, Isaías, Josias, Neemias, Obadias, Sofonias e Zacarias. As pessoas até mesmo usam o nome de Deus para dar nome hoje aos filhos. De fato, o maravilhoso nome de Deus pode estar incluído no seu próprio nome! Conhece alguém chamado Joel? O nome dele significa “Jeová é Deus”. Que dizer de Jonatã? Significa “Jeová tem dado”. Josué significa “Jeová é salvação”. E qualquer pessoa que tenha o nome comum de João, tem um nome que significa “Jeová tem sido gracioso”.
Portanto, apesar da crença de alguns de que o nome de Deus é por demais sagrado para ser pronunciado, e de outros no sentido de que deve ser ignorado, não há meio de omiti-lo da Bíblia. Está incluído em todos esses nomes bíblicos que foram usados durante os muitos séculos em que as pessoas não só conheciam o sagrado nome de Deus, JEOVÁ, mas o usavam na oração, na adoração e na conversa diária.
Mas, que dizer das Escrituras Cristãs, muitas vezes chamadas de o Novo Testamento? O nome Jeová está incluído nos nomes de Jesus e João, e na palavra “Aleluia”, mas por que não aparece com mais freqüência? A resposta a essa importante pergunta é considerada a seguir.
[Fotos na página 6]
ELES CHAMAVAM A DEUS POR NOME.
Abraão
Sara
Raquel
Davi
Samuel
[Quadro na página 5]
Como se Pronuncia o Nome?
Devido ao desuso religioso, a pronúncia original da palavra hebraica יהוה foi perdida. Alguns estudiosos preferem dizer “Iahweh” (ou “Javé”), mas não há meio de sabermos qual é a pronúncia correta.
No entanto, os nomes são muitas vezes pronunciados de maneiras diferentes em diferentes línguas. Em português nós chamamos o primeiro cristão a morrer pela sua fé de Estêvão, mas os franceses o chamam de Étienne. Jesus era chamado Ye·shú·a‘ ou Yehohshú·a‘ em hebraico, e I·e·soús em grego.
Não pronunciarmos o nome de Jesus — ou o nome de qualquer outra pessoa — exatamente como era pronunciado na língua original não nos leva a omitir o nome. Simplesmente o dizemos assim como é pronunciado na nossa língua.
Portanto, a obra Ajuda ao Entendimento da Bíblia diz: “Visto que, atualmente, não se pode ter certeza absoluta da pronúncia, parece não haver nenhum motivo para se abandonar, em português, a forma bem-conhecida, ‘Jeová’, em favor de alguma outra pronúncia sugerida. . . . Em português, o nome ‘Jeová’ identifica o verdadeiro Deus, transmitindo esta idéia mais satisfatoriamente, hoje em dia, do que qualquer dos substitutos sugeridos.” — Página 847.
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O nome de Deus nas Escrituras CristãsA Sentinela — 1984 | 1.° de julho
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O nome de Deus nas Escrituras Cristãs
QUANDO Jesus chamou a Deus de seu Pai, seus ouvintes judeus conheciam Aquele a respeito de quem ele falava. Eles viam o nome de Deus nos rolos hebraicos da Bíblia disponíveis em suas sinagogas. Um de tais rolos foi entregue a Jesus na sinagoga de sua cidade natal, Nazaré. Ele leu uma passagem de Isaías que continha duas vezes o nome de Jeová. — Lucas 4:16-21.
Os primitivos discípulos de Jesus também viam o nome de Deus na Septuaginta — a tradução da Bíblia para o grego, que os primitivos cristãos usavam ao ensinar e ao escrever. É verdade que em certa época pensou-se que o nome de Deus não aparecia na Septuaginta, mas agora sabe-se definitivamente que este nome era tão respeitado que o Tetragrama (termo usado pelos estudiosos para as quatro letras com que é escrito o nome de Deus em hebraico) foi copiado em letras hebraicas e inserido no texto grego.
Áquila escreveu o nome de Deus em hebraico no seu texto grego já mesmo no segundo século. No terceiro século, Origines escreveu que “nos manuscritos mais fiéis, o NOME está escrito em caracteres hebraicos”. No quarto século, Jerônimo, tradutor da Bíblia, escreveu: “Encontramos o nome de Deus (i.e., זהוה), composto de quatro letras, em certos volumes gregos até mesmo nos dias atuais, expresso em letras antigas.”
O Dr. Paul E. Kahle escreve: “Sabemos agora que o texto grego da Bíblia [a Septuaginta], no que tange a ter sido escrito por judeus para judeus, não traduziu o nome Divino por ky’·rios [Senhor], mas o Tetragrama escrito com letras hebraicas ou gregas foi retido em tais MSS [manuscritos].” — The Cairo Geniza, páginas 222, 224.
Que significa isso? Significa que, quer falassem hebraico, quer grego, quando os ouvintes de Jesus liam as Escrituras, eles encontravam nelas o nome de Deus. Assim, é só razoável que quando citavam esses textos eles seguissem o costume que haviam observado — colocar as quatro letras hebraicas do nome de Jeová ao escreverem o texto das Escrituras Gregas Cristãs.
No Journal of Biblical Literature (Periódico de Literatura Bíblica), George Howard, professor-adjunto de religião na Universidade da Geórgia, escreveu: “Visto que o Tetragrama ainda era escrito nos exemplares da Bíblia grega, que compunha as Escrituras da primitiva igreja, é razoável crer que os escritores do N[ovo] T[estamento], ao citarem a Escritura, preservaram o Tetragrama dentro do texto bíblico.” — 1977, Volume 96, N.º 1, página 77.
A SUBSTITUIÇÃO DO NOME DE DEUS
Pelo visto, mais tarde o nome divino foi omitido tanto da Septuaginta como do “Novo Testamento”, quando cristãos não judeus não mais entendiam o significado das letras hebraicas. Assim, o dr. Kahle escreve: “Foram os cristãos que substituíram o Tetragrama por ky’·rios [Senhor], quando o nome divino em letras hebraicas não era mais entendido.” — The Cairo Geniza, página 224.
De que importância foi esta perda? O professor Howard afirma: “Em nosso conceito, esta remoção do Tetragrama gerou confusão na mente dos primitivos cristãos gentios quanto ao relacionamento entre o ‘Senhor Deus’ e o ‘Senhor Cristo’.” — Página 63 do artigo citado anteriormente.
Por exemplo, o Salmo 110:1 diz: “A pronunciação de Jeová, a meu Senhor é.” Este trecho é citado em Mateus 22:44, onde, depois que o nome Jeová foi omitido, a maioria das traduções modernas rezam: “O Senhor disse a meu Senhor.” Assim, para os membros das religiões da cristandade, perdeu-se a distinção definida entre Jeová (“o Senhor”) e Jesus (“meu Senhor”).
Há grandes vantagens em se seguir o exemplo bíblico de usar o nome de Deus: (1) Ajuda-nos a encarar a Deus como Pessoa, não apenas uma força. (2) Contribui para que nos acheguemos mais a ele. (3) Elimina a confusão, aguçando nossa percepção a respeito dele, e harmonizando ainda mais as nossas idéias com o que a Bíblia realmente ensina.
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