-
Quando os médicos tentam impor transfusões de sangueDespertai! — 1974 | 22 de novembro
-
-
Livramento da Responsabilidade
Os danos causados por transfusões de sangue criam enormes problemas legais. Processaram-se médicos e hospitais, exigindo enormes somas de dinheiro. Este se tornou um problema muito mais grave quando, não faz muito tempo, uma corte suprema estadual dos EUA acordou que os hospitais podem deveras ser considerados responsáveis por danos resultantes duma transfusão de sangue.
Em resultado, muitos pacientes a quem se vão dar transfusões de sangue têm de assinar um formulário de isenção. Por assinar este formulário, o paciente concorda em isentar o hospital e sua equipe de qualquer responsabilidade se sofrer danos oriundos do sangue. Um de tais formulários hospitalares reza:
“Compreendo plenamente que a transfusão ou a administração de sangue ou de derivados de sangue talvez resulte em HEPATITE POR VÍRUS ou outras reações adversas que resultem em possíveis doenças e complicações graves, em hospitalização, na necessidade de cuidado e tratamento médicos adicionais, em invalidez temporária ou permanente, bem como em outros possíveis efeitos adversos sobre minha saúde e bem-estar, (inclusive a morte).”
Neste formulário, fornece-se um espaço para que os genitores ou tutores assinem quando o paciente for menor de idade.
É Coerente?
Por certo é coerente com os direitos do paciente informá-lo dos perigos das transfusões de sangue. Isto é, se o paciente quiser sangue. Por assinar o formulário, concorda em tomar sangue por seu próprio risco.
Mas, e se NÃO quiser sangue? Quão coerente é que os médicos e hospitais desejem que assine formulários isentando-os de possíveis danos por darem sangue, e, no entanto, em outros casos, desejam obter mandados judiciais de modo a poderem impor o sangue a pacientes que não o desejam?
Também, a mesma incoerência se mostra ao lidar com pacientes menores de idade, crianças. Por um lado, pede-se aos genitores ou tutores que assinem formulários isentando os médicos e hospitais da responsabilidade se ocorrerem danos à criança devido à transfusão de sangue. Todavia, por outro lado, ignora-se os genitores ou tutores quando assinam, ou querem assinar, formulários que isentem os médicos ou hospitais da responsabilidade por NÃO dar uma transfusão de sangue a uma criança.
Só pode haver um conceito coerente e razoável. Esse é levar em conta o direito do paciente de recusar um tipo determinado de tratamento médico. Em especial, este direito torna-se precioso quando tal tratamento é admitidamente perigoso, até mesmo mortífero.
Sobre este ponto, o Dr. Arthur Kelly, antigo secretário da Associação Médica Canadense, disse: “Médico algum pode ter certeza de que certa pessoa morrerá se não receber uma transfusão de sangue ou viverá se a receber. Talvez seja melhor que a pessoa esquisita morra do que se prejudique o direito humano fundamental de recusar o tratamento médico.”
Razão Mais Importante
Como é bem conhecido, as testemunhas de Jeová não tomam transfusões de sangue. Na verdade, reconhecem os perigos. Mas, objetam mormente a isso por motivos religiosos, e para elas esta é uma questão muito mais importante.
A Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, ordena especificamente aos verdadeiros cristãos que “se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue”. (Atos 15:20, 29) Afirma que devem ‘guardar-se do sangue’. — Atos 21:35.
Esta proibição do sangue foi registrada nas Escrituras Gregas Cristãs. Mas, mesmo então não era nova. A mesma lei foi dada por Deus milhares de anos antes, e acha-se registrada nas Escrituras Hebraicas. Nem foi tal lei dada apenas à antiga nação de Israel. Foi dada à humanidade séculos antes de tal nação vir à existência, e aplica-se a toda a humanidade. — Veja Gênesis 9:4; Levítico 17:11, 12, 14; Deuteronômio 12:23 como exemplos.
Muitas pessoas zombaram de tais ordens quando as transfusões de sangue começaram a tornar-se populares. Mas, agora, algumas dessas mesmas pessoas estão mudando de idéia. Vêem que aquilo que parecia um “cura-tudo” de início agora se transformou num pesadelo. Assim, depois de todos esses anos, as últimas descobertas da medicina moderna têm mostrado a sabedoria da proibição divina de se tomar sangue.
Ainda Tentam Impor Transfusões de Sangue
A pessoa imaginaria que, com certeza agora, nesta data avançada, e em vista das últimas informações e das novas técnicas, os médicos e os hospitais não mais imporiam transfusões e sangue. Mas, impõem.
Por exemplo, em fins de 1973, jovem senhora grávida, Connie Reavis, recusou a recomendação de seu médico de tomar sangue. O médico e o hospital em Portland, Oregon, levaram a questão aos tribunais. O Juiz do Tribunal de Circuito, Berkeley Lent, aprovou a petição de impor o sangue. A Sra. Reavis recusou-se a obedecer ao mandado. Entrou em contato com médicos em Seattle, que concordaram em não usar sangue. No Hospital da Universidade de Washington, bem sucedida cesariana trouxe ao mundo uma menininha de 5 quilos e trezentos gramas. Não se usou nenhum sangue.
Em outro caso, Curtis Dunn e sua esposa Patsy, testemunhas de Jeová, verificaram quão desencaminhantes podem ser os formulários assinados. Esperando seu terceiro filho, assinaram um formulário liberando os médicos e o hospital de qualquer responsabilidade por ela não tomar sangue.
Depois de a criança nascer, ficou anêmica. Os médicos dum hospital de Houston, Texas, levaram a criança para longe dos pais, por meio dum mandado judicial e lhe deram uma transfusão de sangue. Essa ação foi tomada subitamente. Não houve oportunidade de se ouvir primeiro o assunto. Mas, o que aconteceu ao formulário que assinaram?
O exame mais detido do formulário de isenção foi revelador. O formulário declarava apenas que isentava os médicos e o hospital de qualquer responsabilidade pela decisão dos pais. Não dizia que a decisão dos pais seria respeitada sob todas as circunstâncias. Assim, tais formulários podem ser relativamente inúteis. Podem ser enganosos, engodando os pacientes confiantes a sentirem um senso falso de segurança.
É interessante que um médico que analisou o caso tenha dito mais tarde: “Esta anemia, com toda a probabilidade, foi devida ao uso prolongado do cateter de infusão venosa umbilical que fora inserido [para a infusão de fluidos ou de sangue] quando a criança tinha sete horas de vida.”
Não Se Trata de “Vida ou Morte”
Muitas vezes os médicos disseram às testemunhas de Jeová confrontadas com grande cirurgia que tinham de tomar uma transfusão de sangue ou morreriam. No entanto, vez após vez, esse não resultou ser o caso. A muitas delas se permitiu seguir um tratamento alternativo e se deram muito bem. E, ao assim fazer, viram-se livres dos perigos surgidos pelas transfusões de sangue.
Exemplificando: aos pais de um bebezinho de um dia em Kentucky foi dito que o bebê tinha de tomar uma transfusão de sangue. Os médicos num hospital em Fort Thomas disseram que, de outro modo, ele morreria devido à incompatibilidade do fator Rh. Quando os médicos procuraram obter um mandado judicial para dar uma transfusão de sangue, o pai, William Bergeron, entrou em contato com outro médico. Tirou o bebê daquele hospital e o transferiu para outro em Houston, Texas. Ali, os médicos trataram com êxito o bebê pela fototerapia fluorescente e deram alta a ele em questão de três dias.
A experiência de Aaron Lee Washburn, de 16 anos, foi similar. Ele estivera num acidente dum veículo e sofreu fraturas múltiplas da cabeça e de outras partes. Num centro médico de Dallas, seus pais declararam expressamente sua rejeição às transfusões de sangue. De início, isso foi respeitado. Mas, três dias depois, o cirurgião que faria a operação tentou obter um mandado judicial para impor uma transfusão de sangue. Disse ao juiz que não poderia operar sem ela. Mas, daí, outros cirurgiões trataram do caso. Respeitaram a posição dos pais quanto ao sangue e realizaram a operação. O inteiro período operatório durou sete horas e meia. Não se usou nenhum sangue. A operação teve êxito e isso foi amplamente reconhecido nas notícias pela imprensa.
Lições Aprendidas
As experiências das testemunhas de Jeová no que tange às transfusões de sangue revelam várias lições. Uma das mais positivas é noticiada pela “Associated Press”:
“A necessidade de desenvolver técnicas cirúrgicas que não exigissem transfusões de sangue foi estimulada, em parte, pelas limitações às formas usuais de cirurgia impostas pela fé das Testemunhas de Jeová, cuja religião se opõe à transfusão de sangue de doadores.”
Sim, muitos dos novos processos e tendências na “cirurgia sem sangue’, surgiram graças aos médicos que procuravam melhores meios de operar testemunhas de Jeová. Algumas destas novas técnicas têm tido tanto êxito que crescente número de médicos agora as usam em todos os seus pacientes.
Outra lição aprendida é que, ao passo que há agora mais médicos que respeitam o direito do paciente de recusar o sangue, esta não é de maneira alguma uma tendência universal. Muitos médicos não mostram grande respeito, e recorrerão a mandados judiciais para tentar impor o sangue a pacientes que não o querem.
Uma dolorosa lição aprendida é que um formulário assinado não constitui garantia de que a recusa do paciente ao sangue será respeitada. Não basta assinar uma declaração isentando a equipe médica da responsabilidade se acontecer algo errado devido à não aceitação de sangue pelo paciente. Tais formulários precisam incluir uma garantia, por parte da equipe médica envolvida, de não dar sangue sob quaisquer circunstâncias. Ao mesmo tempo, tais formulários podem expressar a disposição de aceitar tratamentos alternativos aprovados pelo paciente.
Todavia, ao passo que as testemunhas de Jeová ainda passam por muitas dificuldades, tem havido grandes “aberturas”. Têm visto muitos da classe médica reconhecer que as transfusões de sangue podem prejudicar e matar. Têm visto mais autoridades falarem abertamente contra tal prática. E têm chegado a conhecer cada vez mais médicos que honram seu direito de recusar o sangue. A estes médicos compreensivos, tais pacientes sentem-se muitíssimo gratos.
-
-
A matemática superior exige um matemático superiorDespertai! — 1974 | 22 de novembro
-
-
A matemática superior exige um matemático superior
■ Ninguém crê que as complicadas fórmulas matemáticas evoluíram sem a inteligência dum matemático. Jamais seriam atribuídas à coordenação casual de molécula de giz num quadro negro. Então, o que dizer da fantástica precisão matemática encontrada no universo? Um professor de matemática da Universidade de Cambridge, P. Dirac, disse na revista Scientific American:
“Parece ser uma das caraterísticas fundamentais da natureza que as leis físicas fundamentais são descritas em termos duma teoria matemática de grande beleza e poder, precisando-se de bem alto padrão de matemática para compreendê-la . . . Poder-se-ia talvez descrever a situação por dizer que Deus é um matemático da mais elevada ordem, e ele usou matemática muitíssimo avançada ao construir o universo.”
-