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Deve-se crer nela?Deve-se Crer na Trindade?
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CRÊ na Trindade? A maioria das pessoas na cristandade crê. Afinal, tem sido a doutrina central das igrejas há séculos.
Assim, talvez ache que não poderia haver dúvida a seu respeito. Mas existem dúvidas, e, ultimamente, até mesmo alguns de seus apoiadores têm alimentado a controvérsia.
Por que deveria tal assunto ser mais do que de interesse passageiro? Porque o próprio Jesus disse: “A vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo.” Assim, todo o nosso futuro depende de conhecermos a verdadeira natureza de Deus, e isso significa ir à raiz da controvérsia sobre a Trindade. Portanto, por que não examina pessoalmente o assunto? — João 17:3, A Bíblia de Jerusalém (BJ), católica (1987).
Existem vários conceitos trinitaristas. Mas, em geral, o ensino da Trindade é que na Divindade há três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo; todavia, juntos eles constituem um só Deus. A doutrina diz que os três são coiguais, todo-poderosos e que não foram criados, tendo existido eternamente como Divindade.
Outros, porém, dizem que a doutrina da Trindade é falsa, que o Deus Onipotente se destaca como um ser separado, eterno e todo-poderoso. Dizem que Jesus, na sua existência pré-humana era, como os anjos, uma pessoa espiritual individual, criada por Deus, e, por isso, deve ter tido um começo. Ensinam que Jesus nunca foi igual ao Deus Todo-poderoso, em sentido algum; que ele sempre esteve sujeito a Deus e ainda está. Crêem também que o espírito santo não é uma pessoa, mas sim o espírito de Deus, a sua força ativa.
Os defensores da Trindade afirmam que ela se baseia não só na tradição religiosa, mas também na Bíblia. Os seus críticos dizem que ela não é um ensino bíblico, certa fonte histórica chegando a dizer: “A origem da [Trindade] é inteiramente pagã.” — The Paganism in Our Christianity (O Paganismo no Nosso Cristianismo).
Se a Trindade é verdade, rebaixa Jesus dizermos que ele nunca foi igual a Deus, qual parte duma Divindade. Mas, se a Trindade é falsa, rebaixa o Deus Todo-poderoso chamarmos de igual a ele quem quer que seja, e, pior ainda, chamarmos Maria de “Mãe de Deus”. Se a Trindade é falsa, desonra a Deus afirmar, como faz o livro Catholicism (Catolicismo): “A menos que [as pessoas] mantenham essa Fé intacta e imaculada, sem dúvida perecerão eternamente. E a Fé católica é esta: adoramos um só Deus em Trindade.”
Portanto, há bons motivos para se querer saber a verdade a respeito da Trindade. Mas, antes de examinar a sua origem e a sua reivindicação de ser verdade, será útil definir mais especificamente essa doutrina. O que, exatamente, é a Trindade? Como é que seus apoiadores a explicam?
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Como se explica a Trindade?Deve-se Crer na Trindade?
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Como se explica a Trindade?
A IGREJA Católica Romana diz: “Trindade é o termo empregado para definir a doutrina central da religião cristã . . . Assim, nos dizeres do Credo Atanasiano: ‘o Pai é Deus, o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus; e, não obstante, não são três Deuses, mas um só Deus.’ Nesta Trindade . . . as Pessoas são coeternas e coiguais: todas são igualmente incriadas e onipotentes.” — The Catholic Encyclopedia (Enciclopédia Católica).
Praticamente todas as outras religiões da cristandade concordam com isso. Por exemplo, a Igreja Ortodoxa Grega também chama a Trindade de “doutrina fundamental do cristianismo”, chegando a dizer: “Cristãos são aqueles que aceitam a Cristo como Deus.” No livro Our Orthodox Christian Faith (A Nossa Ortodoxa Fé Cristã), a mesma igreja declara: “Deus é trino. . . . O Pai é totalmente Deus. O Filho é totalmente Deus. O Espírito Santo é totalmente Deus.”
Assim, a Trindade é considerada como “um só Deus em três Pessoas”. Diz-se que nenhuma delas teve princípio, que sempre existiram. Que cada qual é todo-poderosa, nenhuma maior ou menor do que as outras.
É difícil de captar esse raciocínio? Muitos crentes sinceros o consideram confuso, contrário ao raciocínio normal, diferente de tudo em sua experiência. Como, perguntam, poderia o Pai ser Deus, Jesus ser Deus e o espírito santo ser Deus, mas, ao mesmo tempo, não existirem três deuses mas apenas um só Deus?
“Além da Compreensão da Razão Humana”
ESSA confusão é generalizada. The Encyclopedia Americana (Enciclopédia Americana) diz que a doutrina da Trindade é tida como estando “além da compreensão da razão humana”.
Muitos que aceitam a Trindade encaram-na da mesma maneira. O monsenhor Eugene Clark disse: “Deus é um só, e Deus é três. Visto que não existe nada igual a isso na criação, não podemos entendê-la, mas apenas aceitá-la.” O cardeal John O’Connor declarou: “Sabemos que é um mistério muito profundo, que ainda nem começamos a entender.” E o papa João Paulo II fala do “insondável mistério de Deus, a Trindade”.
Assim, A Dictionary of Religious Knowledge (Dicionário do Conhecimento Religioso) diz: “Quanto a precisamente o que é essa doutrina, ou exatamente como deve ser explicada, os trinitaristas ainda não chegaram a um acordo.”
Podemos entender, pois, por que a New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica) observa: “Há poucos instrutores da teologia trinitária nos seminários católico-romanos que numa ocasião ou noutra não se atormentaram com a pergunta: ‘Mas, como é que se pode pregar a Trindade?’ E, se a pergunta é sintomática da confusão da parte dos estudantes, talvez não seja menos sintomática de similar confusão da parte de seus mestres.”
Pode-se constatar a veracidade dessa observação por ir a uma biblioteca e examinar livros que apóiam a Trindade. Escreveram-se inúmeras páginas na tentativa de explicá-la. Todavia, depois de passar a duras penas pelo labirinto de confusos termos teológicos e explicações, o investigador ainda não sai satisfeito.
Sobre isso, o jesuíta Joseph Bracken diz em seu livro What Are They Saying About the Trinity? (O Que Dizem Sobre a Trindade?): “Os sacerdotes que, com muito esforço aprenderam . . . a Trindade em seus anos de seminário, hesitam por natureza a apresentá-la a seus paroquianos do púlpito, até mesmo no Domingo da Santíssima Trindade. . . . Por que incomodar pessoas com algo que, afinal, de qualquer maneira não entenderiam corretamente?” Ele diz também: “A Trindade é um assunto de crença formal, mas pouco ou nenhum [efeito] tem sobre a cotidiana vida cristã e adoração.” Não obstante, é “a doutrina central” das igrejas!
O teólogo católico Hans Küng diz em seu livro Christianity and the World Religion (O Cristianismo e as Religiões do Mundo) que a Trindade é uma das razões pelas quais as igrejas têm sido incapazes de fazer algum progresso significativo junto aos povos não-cristãos. Ele diz: “Até mesmo bem informados muçulmanos simplesmente não conseguem entender, e os judeus até hoje deixaram de compreender, a idéia da Trindade. . . . As distinções feitas pela doutrina da Trindade entre um só Deus e três hipóstases não satisfazem os muçulmanos, que ficam confusos, em vez de esclarecidos, por termos teológicos derivados do siríaco, do grego e do latim. Os muçulmanos a consideram nada mais do que um jogo de palavras. . . . Por que deveria alguém querer acrescentar à noção da unicidade e singularidade de Deus algo que é capaz apenas de diluir ou anular essa unicidade e singularidade?”
“Não é Deus de Confusão”
COMO foi possível que se desenvolvesse tal doutrina confusa? A Enciclopédia Católica afirma: “Um dogma tão misterioso pressupõe uma revelação Divina.” Os peritos católicos Karl Rahner e Herbert Vorgrimler dizem em seu Theological Dictionary (Dicionário Teológico): “A Trindade é um mistério . . . no verdadeiro sentido da palavra . . . , que não se poderia conhecer sem
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