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Como se explica a Trindade?Deve-se Crer na Trindade?
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teve princípio, que sempre existiram. Que cada qual é todo-poderosa, nenhuma maior ou menor do que as outras.
É difícil de captar esse raciocínio? Muitos crentes sinceros o consideram confuso, contrário ao raciocínio normal, diferente de tudo em sua experiência. Como, perguntam, poderia o Pai ser Deus, Jesus ser Deus e o espírito santo ser Deus, mas, ao mesmo tempo, não existirem três deuses mas apenas um só Deus?
“Além da Compreensão da Razão Humana”
ESSA confusão é generalizada. The Encyclopedia Americana (Enciclopédia Americana) diz que a doutrina da Trindade é tida como estando “além da compreensão da razão humana”.
Muitos que aceitam a Trindade encaram-na da mesma maneira. O monsenhor Eugene Clark disse: “Deus é um só, e Deus é três. Visto que não existe nada igual a isso na criação, não podemos entendê-la, mas apenas aceitá-la.” O cardeal John O’Connor declarou: “Sabemos que é um mistério muito profundo, que ainda nem começamos a entender.” E o papa João Paulo II fala do “insondável mistério de Deus, a Trindade”.
Assim, A Dictionary of Religious Knowledge (Dicionário do Conhecimento Religioso) diz: “Quanto a precisamente o que é essa doutrina, ou exatamente como deve ser explicada, os trinitaristas ainda não chegaram a um acordo.”
Podemos entender, pois, por que a New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica) observa: “Há poucos instrutores da teologia trinitária nos seminários católico-romanos que numa ocasião ou noutra não se atormentaram com a pergunta: ‘Mas, como é que se pode pregar a Trindade?’ E, se a pergunta é sintomática da confusão da parte dos estudantes, talvez não seja menos sintomática de similar confusão da parte de seus mestres.”
Pode-se constatar a veracidade dessa observação por ir a uma biblioteca e examinar livros que apóiam a Trindade. Escreveram-se inúmeras páginas na tentativa de explicá-la. Todavia, depois de passar a duras penas pelo labirinto de confusos termos teológicos e explicações, o investigador ainda não sai satisfeito.
Sobre isso, o jesuíta Joseph Bracken diz em seu livro What Are They Saying About the Trinity? (O Que Dizem Sobre a Trindade?): “Os sacerdotes que, com muito esforço aprenderam . . . a Trindade em seus anos de seminário, hesitam por natureza a apresentá-la a seus paroquianos do púlpito, até mesmo no Domingo da Santíssima Trindade. . . . Por que incomodar pessoas com algo que, afinal, de qualquer maneira não entenderiam corretamente?” Ele diz também: “A Trindade é um assunto de crença formal, mas pouco ou nenhum [efeito] tem sobre a cotidiana vida cristã e adoração.” Não obstante, é “a doutrina central” das igrejas!
O teólogo católico Hans Küng diz em seu livro Christianity and the World Religion (O Cristianismo e as Religiões do Mundo) que a Trindade é uma das razões pelas quais as igrejas têm sido incapazes de fazer algum progresso significativo junto aos povos não-cristãos. Ele diz: “Até mesmo bem informados muçulmanos simplesmente não conseguem entender, e os judeus até hoje deixaram de compreender, a idéia da Trindade. . . . As distinções feitas pela doutrina da Trindade entre um só Deus e três hipóstases não satisfazem os muçulmanos, que ficam confusos, em vez de esclarecidos, por termos teológicos derivados do siríaco, do grego e do latim. Os muçulmanos a consideram nada mais do que um jogo de palavras. . . . Por que deveria alguém querer acrescentar à noção da unicidade e singularidade de Deus algo que é capaz apenas de diluir ou anular essa unicidade e singularidade?”
“Não é Deus de Confusão”
COMO foi possível que se desenvolvesse tal doutrina confusa? A Enciclopédia Católica afirma: “Um dogma tão misterioso pressupõe uma revelação Divina.” Os peritos católicos Karl Rahner e Herbert Vorgrimler dizem em seu Theological Dictionary (Dicionário Teológico): “A Trindade é um mistério . . . no verdadeiro sentido da palavra . . . , que não se poderia conhecer sem uma revelação, e, mesmo após a revelação, não é possível que se torne plenamente compreensível.”
Contudo, afirmar que, sendo a Trindade um mistério tão confuso, ela deve ter-se originado de revelação divina, cria um outro grande problema. Por quê? Porque a própria revelação divina não permite tal conceito sobre Deus: “Deus não é Deus de confusão.” — 1 Coríntios 14:33, Centro Bíblico Católico (CBC).
Em vista dessa declaração, seria Deus responsável por uma doutrina tão confusa a respeito de si mesmo que nem mesmo peritos em hebraico, grego e latim podem realmente explicá-la?
Ademais, precisa a pessoa ser teóloga para ‘conhecer o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem ele enviou’? (João 17:3, BJ) Se assim fosse, por que tão poucos dos bem instruídos líderes religiosos judaicos reconheceram a Jesus como o Messias? Os Seus fiéis discípulos eram, em vez disso, humildes lavradores, pescadores, cobradores de impostos, donas-de-casa. Tais pessoas comuns tinham tanta certeza do que Jesus lhes ensinava a respeito de Deus que podiam ensinar isso a outros, e estavam até mesmo dispostas a morrer por suas crenças. — Mateus 15:1-9; 21:23-32, 43; 23:13-36; João 7:45-49; Atos 4:13.
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É claramente um ensino bíblico?Deve-se Crer na Trindade?
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É claramente um ensino bíblico?
SE A Trindade fosse verdade, devia ser clara e coerentemente apresentada na Bíblia. Por quê? Porque, como afirmaram os apóstolos, a Bíblia é a revelação que Deus fez de si mesmo à humanidade. E, visto que temos de conhecer a Deus para poder adorá-lo aceitavelmente, a Bíblia deve ser clara em nos dizer quem exatamente ele é.
Os crentes do primeiro século aceitavam as Escrituras como a autêntica revelação de Deus. Era a base para as suas crenças, a autoridade final. Por exemplo, quando o apóstolo Paulo pregou a pessoas da cidade de Beréia, elas ‘receberam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim’. — Atos 17:10, 11.
O que é que destacados homens de Deus daquele tempo usavam como autoridade? Atos 17:2, 3 diz: “Segundo o costume de Paulo, ele . . . raciocinou com eles à base das Escrituras, explicando e provando com referências [das Escrituras].”
O próprio Jesus deu o exemplo em usar as Escrituras como base para seu ensino, dizendo freqüentemente: “Está escrito.” “Interpretou-lhes em todas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo.” — Mateus 4:4, 7; Lucas 24:27.
Portanto, Jesus, Paulo e os crentes do primeiro século usavam as Escrituras como base de seu ensino. Sabiam que “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra”. — 2 Timóteo 3:16, 17; veja também 1 Coríntios 4:6; 1 Tessalonicenses 2:13; 2 Pedro 1:20, 21.
Visto que a Bíblia pode “endireitar as coisas”, ela deve claramente revelar informações a respeito de um assunto tão fundamental como se diz que a Trindade é. Mas, dizem os próprios teólogos e historiadores que a Trindade é claramente um ensino bíblico?
A “Trindade” na Bíblia?
DIZ certa publicação protestante: “A palavra ‘trindade’ não pode ser encontrada na Bíblia . . . não encontrou lugar formal na teologia da Igreja senão já no quarto século.” (O Novo Dicionário da Bíblia) E certa autorizada fonte católica diz que a Trindade “não é . . . direta e linearmente [a] palavra de Deus”. — Nova Enciclopédia Católica.
A Enciclopédia Católica diz também: “Na Escritura ainda não existe um termo único através do qual as Três Pessoas Divinas sejam classificadas juntas. A palavra τρίας [trí·as] (da qual se traduz a palavra latina trinitas) é pela primeira vez encontrada em Teófilo, de Antioquia, por volta de 180 A.D. . . . Pouco depois aparece na sua forma latina trinitas, em Tertuliano.”
Contudo, isso em si não prova que o próprio Tertuliano ensinasse a Trindade. A obra católica Trinitas — A Theological Encyclopedia of the Holy Trinity (Trinitas — Enciclopédia Teológica da Santíssima Trindade), por exemplo, diz que algumas das palavras de Tertuliano foram mais tarde usadas por outros para descrever a Trindade. Daí, faz o alerta: “Mas, não se podem tirar
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