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Como devem os cristãos considerar a dança?A Sentinela — 1962 | 15 de novembro
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é que tem uma boa consciência diante de Deus. — 1 Ped. 4:3, 4.
QUAL É A REPUTAÇAO DA DANÇA?
O apóstolo Paulo disse aos cristãos que se apegassem a “tudo o que é de boa fama”. (Fil. 4:8, ALA) De modo que, ao determinar se uma dança é própria ou imprópria para os cristãos, procure saber que reputação ela goza. A sociedade mundana ou os beatniks talvez aprovem essa dança, mas nós não podemos ser guiados pelos que lançam fora as rédeas e dão o primeiro lugar à chamada “liberdade sexual”. Portanto, qual é a opinião do povo em geral? Mais especificamente, qual é a opinião da sua congregação religiosa? Como seria visto se a dançasse? Se alguém deseja ter a reputação do twist, segundo popularizado por uma boate de Nova Iorque, deveria ler um artigo similar ao que foi escrito por Geoffrey Holder, um dançarino de Trinidad, que disse:
“O Twist? Não tomo parte nesta dança. É desonesto. . . . É sexo sintético transformado num esporte doentio de espectador. . . . A dança social nunca tencionou fornecer excitações indiretas aos espectadores. Quando o faz, cuidado com ela! . . . Quando Antony Tudor desejou estabelecer o seu herói como prêmio do sexo e símbolo fálico no ‘Pilar de Fogo’, ele se apresentou e dançou o Twist — por alguns segundos, a fim de estabelecer o caráter. . . . Desde a aurora do tempo, o modo clássico de mostrar a potência masculina, o vigor sexual, tem sido o mesmo movimento pélvico. Nas danças africanas de fertilidade, sempre se acha nu. Realmente.”4
Não precisa, porém, de artigos especiais para ter uma idéia da reputação de uma dança. Alguns itens noticiosos bem curtos falam muito. Por exemplo: “A Cidade de Tampa começou o ano de 1962 banindo o Twist, um novo passo de dança, dos seus centros da comunidade.”5 “Os moralistas debateram sobre a propriedade da dança. Elsa Maxwell, na sua coluna, disse em confidência que a princesa Olga da Iugoslávia havia concordado com ela no Baile Polaco que o twist não deve ser dançado em lugares públicos.”6 “A Casa Branca negou hoje firmemente que o Presidente Kennedy ou qualquer outra pessoa tivesse dançado ‘o twist’ durante uma festa ali.”7 “A nova dança, o Twist, foi proscrita de Roseland Dance City [Nova Iorque]. ‘Não é, na nossa opinião, uma dança para salão de baile’, segundo Lou Brecker, que fundou o salão de baile do teatro do distrito em 1919. ‘Falta-lhe verdadeiro encanto.’”8
Os meios noticiosos da sua localidade também talvez contenham cartas a editores, que muitas vezes revelam muito, quanto à opinião do povo, tal como este exemplo: “Esperemos que os corpos jovens (e não tão jovens) dos nossos dançadores do twist estão mentindo, que as suas mentes por dentro não se comportam como os seus pelves e peitos o fazem por fora.”9
De modo que, mesmo se o cristão pode participar de boa consciência perante Deus de uma dança, visto não ter motivo errado, isto não basta. Ele precisa considerar o efeito sobre o espectador. O espectador sabe o que se passa na sua própria mente quando presencia uma dança uma dança sensual, e ele assume que tais pensamentos passam pela mente do dançador. Não basta a pessoa dizer: “Estou com a mente e a consciência limpas”, pois as Escrituras dizem fortemente: “Não vos torneis causa de tropeço.” — 1 Cor. 10:32, ALA.
ABNEGAÇÃO PARA EVITAR CAUSAS DE TROPEÇO
Nenhum cristão quer desviar alguém da verdade de Deus por causa de sua conduta, mesmo quando tal conduta não seja errada em si mesma. Mas as circunstâncias podem tornar a conduta errada. O que pode ser aceitável num lugar, pode fazer que seja desprezado em outro. Mesmo onde certa dança é aceitável, se as pessoas a reconhecem como evidência de desenfreamento, consideram todos os participantes como sendo iguais. Portanto, todo cristão desejará seguir o conselho de Paulo: “Não dando nós nenhum motivo de escândalo em cousa alguma, para que o ministério não seja censurado.” — 2 Cor. 6:3, ALA.
Portanto, o conselho divino é: “Ninguém busque o seu próprio interesse; e, sim, o de outrem.” (1 Cor. 10:24, ALA) Qual é este interesse que os cristãos devem buscar a favor dos outros? É o interesse espiritual deles. Ser animador e bondoso é correto, naturalmente, mas isso talvez não nos custe nada; e Paulo está falando sobre o que nos custa alguma coisa, de modo que a outra pessoa receba a vantagem. É uma questão de consciência. Nem todas as pessoas vêem as coisas do mesmo modo. O cristão que tem a consciência esclarecida pode ser capaz de fazer coisas com boa consciência, mas que poderão escandalizar outros. O cristão precisa levar em consideração o objetivo todo-importante: A salvação dos outros. Não queremos escandalizar outros por causa da consciência deles. Isto põe um freio à nossa liberdade e requer restrição própria até mesmo em coisas que em si mesmas sejam corretas. Devemos agir de tal forma que nada daquilo que façamos impeça outros de aceitar a verdade de Deus. Isto faz que seja uma questão, não só de evitar o que é biblicamente errado, mas também de negar a nós próprios aquilo que temos o direito de fazer, a fim de não causar preconceito em alguém contra a verdade de Deus.
Se, pois, estivermos dispostos a nos abnegar de alguma coisa que talvez seja correta em si mesma, por não querermos escandalizar outros, quanto mais nos refrearemos de fazer o que não é biblicamente correto!
As palavras de advertência de Jesus revelam que a questão de escandalizar os outros não deve ser considerada com pouca seriedade: “Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.” — Mat. 18:6, ALA.
Talvez não escandalizemos necessariamente outros com uma dança em si mesma, mas o poderíamos pelas circunstâncias em torno da dança. Por exemplo, e se o lugar em que se realiza o baile tiver má fama? Um cristão não freqüentaria um restaurante que tivesse má fama, mesmo que o seu interesse ali fosse meramente na boa alimentação. Ele poderia escandalizar os outros. De modo que o local também é um fator determinante. (1 Cor. 8:9, 10) A associação é da mesma forma um aspecto vital, visto que as “más companhias corrompem os bons costumes”. (1 Cor. 15:33, NTR) Uma dança pode em si mesma ser correta, mas a diversão no todo ser imprópria se for feita com associação errada. A nossa diversão deve ser em associação com os que amam a Deus e têm respeito pelos seus mandamentos.
É bom os cristãos lembrarem-se de que nem toda dança pode ser classificada quer como própria quer como imprópria. Muitas danças podem ser executadas de modo próprio ou impróprio, dependendo das pessoas que as executam. Os motivos da pessoa poderiam ser errados numa dança correta, de modo que se voltam para o desejo do prazer sensual. Um cristão, todavia, não precisa de regra específica para toda nova moda ou mania de dança que surgir, pois em quase todos os casos, ele pode aprender os fatos e aplicar os princípios da Bíblia. Se o cristão deseja levar uma vida de solteiro, poderá achar bom para si não dançar com pessoa do sexo oposto que não seja parenta sua.
Portanto, procure saber o que uma dança é basicamente. Quais são os seus movimentos? Qual é a sua origem e desenvolvimento? O que diz o povo a respeito dela? O que dizem os noticiários sobre ela? Qual é a reputação dela dentro da comunidade? Se a dançasse, qual seria o efeito sobre os espectadores? Quão felizes seremos se, havendo motivos para dúvida quanto a se é próprio seguir certo proceder, fizermos coisas que são edificantes para os nossos irmãos e não escandalizam os novos! “O amor edifica.” — 1 Cor. 8:1, ALA.
Embora a escolha de diversão seja uma questão pessoal, um cristão maduro nunca insistirá nos seus “direitos” neste respeito, quando perturba a consciência dê um concristão ou quando pode escandalizar os novatos. “Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão.” Que cada um de nós use o espírito de mente sã. Que cada um busque o proveito espiritual de outros. Que cada um se porte como se estivesse na presença do Senhor Jesus Cristo e do santo Deus, Jeová. Então; “quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer”, estareis ‘fazendo tudo para a glória de Deus’. — Rom. 14:13; 1 Cor. 10:31, ALA.
REFERÊNCIAS
1 Times de Nova Iorque, de 19 de outubro de 1961.
2 Life, de 24 de novembro de 1961.
3 Time, de 20 de outubro de 1961.
4 Times Magazine de Nova Iorque, de 3 de dezembro de 1961.
5 Times de Nova Iorque, de 4 de janeiro de 1962.
6 Newsweek, de 4 de dezembro de 1961.
7 Times de Nova Iorque, de 15 de novembro de 1961.
8 Ibid, número de 21 de outubro de 1961.
9 Times Magazine de Nova Iorque, de 17 de dezembro de 1961.
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Habitando todos os dias na casa de JeováA Sentinela — 1962 | 15 de novembro
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Habitando todos os dias na casa de Jeová
“UMA coisa pedi a Jeová — isso é o que buscarei: Que eu habite na casa de Jeová todos os dias de minha vida, para contemplar a agradabilidade de Jeová e olhar com apreciação para o seu templo.” Que profunda apreciação de Jeová, de Sua casa e de Sua adoração tinha Davi! Que ótimo exemplo deu ele para todos os servos de Jeová hoje! — Sal. 27:4.a
Nos dias de Davi a casa de Jeová era o tabernáculo construído originalmente no deserto. Todavia, foi chamado aqui de templo tanto por Davi como por Samuel, em 1 Samuel 1:9, porque era deveras o palácio glorioso de Jeová, que é o significado literal da palavra hebraica heykhal, traduzida por “templo”. Davi, não sendo da tribo de Levi, não podia, naturalmente, morar literalmente na casa ou no templo de Jeová. Mas ele podia estar nesse lugar em toda ocasião oportuna para se unir com os seus co-israelitas na adoração de seu Deus Jeová.
Após o dia de Pentecostes, Jeová não mais reconheceu essa casa literal em Jerusalém. Daí em diante, o Salomão Maior, Jesus Cristo, começou a edificar uma casa ou templo espiritual, e por muitos séculos a adoração nesse templo se limitava à “congregação . . . dos primogênitos que estão escriptos nos Ceos”. Hoje, porém, a profecia de Isaías, relativa a essa casa, vem sendo cumprida de modo especial: “A minha casa será chamada a casa de oração para todos os povos.” — Heb. 12:23; Isa. 56:7, Tr.
A oração de Davi, em Salmo 27:4, deve ser a oração de cada servo de Deus hoje. Como prova alguém que a sua oração realmente expressa os sentimentos de seu coração? Em primeiro lugar, dedicando-se a Jeová para fazer a Sua vontade. — Sal. 40:7, 8.
Mas esse passo é apenas o início. A pessoa revela que pediu a Jeová esta grande bênção de habitar em sua casa todos os dias da sua vida, mediante aproveitar todas as oportunidades de se reunir com a congregação de Jeová. Isto significa que fará empenhos diligentes para assistir a todas as reuniões congregacionais, não ficando facilmente desanimado por causa de muita viagem trabalhosa, por causa de mau tempo ou porque desagrade aos parentes ou conhecidos mundanos.
Em adição, a pessoa prova que as palavras de Davi são seus sentimentos também, indo de casa em casa convidar os homens de boa vontade a habitar também na casa de Jeová. — Isa. 2:3.
Por todos esses meios os servos de Jeová provam que os sentimentos da oração de Davi são realmente seus também. Dessa forma chegarão a contemplar, conhecer e sentir a agradabilidade de Jeová, que Deus amoroso e glorioso ele deveras é.
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