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Viva como pertencente a JeováA Sentinela — 1978 | 15 de setembro
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Viva como pertencente a Jeová
“Quer vivamos quer morramos, pertencemos a Jeová.” — Rom. 14:8.
1. Em que assuntos deve haver união na congregação cristã?
OS VERDADEIROS cristãos estão interessados em viver em paz com os outros. (Rom. 12:18) Os membros da congregação cristã fazem isso por darem atenção às coisas mais importantes e por minimizarem as coisas que não são essenciais para a promoção da fé. (1 Tim. 1:4) Entre as coisas importantes, procuram ter união de fé e de ação. Ilustrando esta união, o apóstolo Paulo indicou o corpo humano. Assim como os membros dum corpo sadio funcionam de maneira unida nos interesses do corpo inteiro, o que o habilita a realizar uma função meritória, assim se dá com a congregação cristã. Não deve haver divisão neste “corpo”, mas ‘os seus membros devem ter o mesmo cuidado uns para com os outros’. — 1 Cor. 12:25.
2. Embora haja união, por que não encaram e fazem os cristãos todas as coisas de modo igual?
2 Entretanto, esta união não significa uniformidade. O fato de todos os cristãos crerem em um só Deus Todo-poderoso e no seu Filho Jesus Cristo, que é Cabeça da congregação, não os transforma em pessoas exatamente idênticas, nem os faz falar mecanicamente, como robôs. Não; cada um tem a sua própria personalidade, seus próprios pontos de vista sobre os assuntos não essenciais para a salvação. Cada um difere do outro, em grau maior ou menor, na sua maneira de dispor os assuntos e de fazer as coisas, mesmo na rotina diária de trabalho, na recreação e na diversão. Isto se dá na maior parte porque a situação e a formação das pessoas variam grandemente.
3, 4. Como é que o verdadeiro cristão ‘vive para Jeová’?
3 Todavia, não importa o que os cristãos façam, devem fazê-lo de todo o coração como a Jeová Deus. Um cristão talvez não entenda plenamente por que outro encara ou faz as coisas de certo modo. Mas, dá-se conta de que Deus é o Juiz de seus servos. E assim como o cristão procura fazer tudo segundo o seu melhor entendimento e capacidade, para agradar a Jeová, assim atribui os mesmos motivos conscienciosos aos seus irmãos. O apóstolo diz sobre isso:
“Nenhum de nós, de fato, vive somente para si mesmo, e ninguém morre somente para si mesmo; pois, quer vivamos, vivemos para Jeová, quer morramos, morremos para Jeová. Portanto, quer vivamos quer morra. mos, pertencemos a Jeová.” — Rom. 14:7, 8.
4 Até mesmo o cristão mais sincero e consciencioso tem imperfeições e falhas, e, por isso, nem sempre está isento de atos egoístas. Mas, não’ é seu grande objetivo na vida ficar rico ou entregar-se a uma vida de prazer e de folga. Não vive só com respeito a si mesmo ou para si mesmo. Seu empenho principal na vida é agradar a Deus por fazer a vontade Dele. Está disposto a morrer a qualquer hora, se a sua morte puder servir para o propósito de Deus. E assim como ele leva sua vida como pertencente a Deus, assim, na morte, Jeová o considera como sendo Seu. De fato, encarando a morte, ele tem certeza da ressurreição, porque Jeová considera como vivos, não como mortos, aqueles que o tomam por seu Deus. — Mat. 22:31, 32; Rom. 4:17.
DEIXE QUE CADA UM DIRIJA SEUS PRÓPRIOS ASSUNTOS
5. (a) Qual é a obra mais importante? (b) Como deve o cristão encarar a maneira em que outro gasta seu tempo e suas energias?
5 A obra mais importante que alguém pode fazer é ajudar outros a obter e a manter uma boa posição perante Deus e Cristo. Outras coisas, porém, também precisam ser feitas. Um homem que devota tempo à proclamação das “boas novas” talvez decida construir um novo lar, ou aumentar seu lar, para a sua família. Visto que ele gasta tempo e dinheiro nisso, os outros cristãos não devem chegar à conclusão de que ele necessariamente é materialista. Eles o estariam julgando, se dissessem: ‘Está “esfriando” no amor à verdade.’ O homem talvez faça isso, porque acha que é seu dever cristão ter uma casa apresentável e respeitável aos olhos da comunidade. Pode ser que ele passe a usar este lar como lugar de reunião para um grupo congregacional.
6. Como poderia alguém estar agindo erroneamente como juiz de seu irmão com respeito às formas de recreação?
6 Outro cristão consciencioso talvez escolha uma forma de recreação que não é errada em si mesma. Mantém-na em lugar secundário a servir os interesses do Reino. É provável que outros não escolheriam esta maneira específica de se recrear, mas a considerariam perda de tempo. Mas, estariam julgando o cristão, se dissessem que ele está vivendo para si mesmo e não para com Jeová, ou que ele está dividido entre “servir a Deus e a Mamom”. — Luc. 16:13, Almeida, rev. e corr.
7. Por que não pode o cristão prescrever a outro o que é melhor em matéria de bens materiais?
7 Cada um de nós tem sua própria opinião sobre quais as coisas materiais de que precisa ou que pode ter, enquanto continuamos a colocar os interesses do Reino em primeiro lugar, participando zelosamente na obra urgente de proclamar as “boas novas” a outros. (Mat. 6:33; Mar. 13:10) Alguém talvez tenha bastantes dos bens do mundo, ainda assim mantendo o controle sobre eles e usando-os para o louvor de Jeová. Outro talvez tenha a natureza que não sabe controlar as riquezas, estando tentado a deixá-las afastá-lo das coisas espirituais. Ele precisa ‘amofinar seu corpo’ e aprender a ter autodomínio, lembrando-se de que sua obrigação primária é proclamar as “boas novas”. (1 Cor. 9:16, 27) Mas, outro cristão não deve presumir julgar ou atuar como “consciência” de tal pessoa, embora possa oferecer bondosamente ajuda e conselho àquele que se deixa vencer pelo amor ao dinheiro. — 1 Tim. 6:17.
NÃO ENCARE A NINGUÉM “SEGUNDO A CARNE”
8. Como podem tanto o pobre como o rico exultar com a sua respectiva posição na verdade?
8 Tiago, meio-irmão de Jesus, disse sobre isso: “O irmão humilde, porém, exulte sobre o seu enaltecimento, e o rico, sobre a sua humilhação, porque ele passará como a flor da vegetação.” (Tia. 1:9, 10) O humilde, não tendo nem posses, nem destaque, neste sistema de coisas, pode exultar, porque no mundo foi menosprezado, mas agora está sendo considerado como estando no mesmo nível do rico, no critério de Deus e de seus concristãos. É ‘concidadão dos santos e membro da família de Deus’. (Efé. 2:19) Possui as riquezas sublimes de servir a Deus, e tem diante de si a recompensa da vida. O rico pode exultar com o fato de que foi levado a ver que é inútil gastar as energias no acúmulo de riquezas. De sua nova posição cristã, humilde, pode avaliar o “poder enganoso das riquezas” e a tolice de se confiar nelas. (Mar. 4:19) Ele sabe que “as coisas vistas são temporárias, mas as coisas não vistas são eternas”. Aguarda agora a mesma recompensa que o humilde. — 2 Cor. 4:18.
9. Por que não devemos conhecer “mais a nenhum homem segundo a carne”?
9 Baseado nestas verdades, o apóstolo apresenta a seguinte regra excelente para todos os cristãos: “[Cristo] morreu por todos, para que os que vivem não vivessem mais para si mesmos, mas para aquele que morreu por eles e foi levantado. Por conseguinte, doravante não conhecemos mais a nenhum homem segundo a carne.” (2 Cor. 5:15, 16) O que o homem é em sentido espiritual, não o que parece ser do ponto de vista carnal, material, é o que conta perante Deus. Devemos adotar esta avaliação dos assuntos.
10. Por que precisamos lembrar-nos de que Cristo é o Senhor sobre os mortos e os vivos?
10 Que o verdadeiro cristão não pode corretamente encarar os assuntos de outro modo é também demonstrado pelas palavras do apóstolo. Depois de dizer: “Pertencemos a Jeová”, ele prossegue: “Pois, para este fim morreu Cristo e passou a viver novamente, para que fosse Senhor tanto sobre mortos como sobre viventes.” (Rom. 14:9) Agora, como Senhor, ele pode ajudar os cristãos a levarem sua vida com bom êxito para as coisas de Deus. Assim como ele ‘venceu o mundo’, também podem ser vencedores. (João 16:33; Heb. 7:25) Como Senhor sobre os mortos, Cristo tem a autoridade e o poder de trazê-los de volta à vida. O que consola é que eles, durante uma vida de serviço prestado a Deus, e mesmo na morte, nunca são abandonados. — Rom. 8:31-34, 38, 39.
11. Por que é completamente fora de lugar que os cristãos julguem seus irmãos?
11 Paulo está dizendo essas coisas não apenas para repetir a esperança que o cristão já devia ter. Ele está usando este argumento em prova de que não cabe ao cristão julgar seu irmão, porque este irmão pertence totalmente a Deus. Destaca o ponto do seu argumento nos próximos versículos, dizendo:
“Mas, porque julgas tu o teu irmão? Ou, por que menosprezas também o teu irmão? Porque nós todos ficaremos postados diante da cadeira de juiz de Deus; pois está escrito: “‘Por minha vida”, diz Jeová, “todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua reconhecerá abertamente a Deus’”. Assim, pois, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. Portanto, não nos julguemos mais uns aos outros.” — Rom. 14:10-13.
PRINCIPALMENTE, EVITE FAZER OUTROS TROPEÇAR
12, 13. Como salientaram tanto o apóstolo Paulo como Jesus Cristo o que cada um de nós precisa fazer, em vez de ser juiz?
12 Na congregação de Roma, alguns haviam julgado as ações e as motivações de outros que tinham opiniões divergentes e escrúpulos diferentes de consciência. Isto era errado, e perigoso para todos os envolvidos. Desagradava ao grande Juiz, perante quem ninguém tem posição preferencial. Paulo mostrou um caminho muito melhor. Aos inclinados a julgar, ele disse então: “Antes, tomai esta decisão [ou: “julgai”], de não pordes diante dum irmão uma pedra de tropeço ou uma causa para cair.” — Rom. 14:13. (Variante da Tradução Interlinear do Reino, em inglês.)
13 Podiam aproveitar bem a sua propensão de julgar outros por julgarem a si mesmos, em vez disso, e por resolverem supervisionar mais de perto a sua própria conduta. Jesus havia advertido: “Parai de julgar, para que não sejais julgados; pois, com o julgamento com que julgais, vós sereis julgados. . . . Como podes dizer a teu irmão: ‘Permite-me tirar o argueiro do teu olho’, quando, eis que há uma trave no teu próprio olho? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu próprio olho, e depois verás claramente como tirar o argueiro do olho do teu irmão.” — Mat. 7:1-5; veja 1 Coríntios 11:31; 2 Coríntios 13:5.
14. O que significa fazer um irmão ‘tropeçar’? Dê um exemplo.
14 Fazer outro tropeçar significaria incitá-lo ao pecado, porque o pecado é representado na Bíblia como queda. (1 Cor. 10:12; 1 Tim. 6:9; compare isso com Mateus 5:27-30.) O cristão poderia fazer um irmão tropeçar do seguinte modo: Poderia fazer algo para o qual tem a liberdade cristã, sem primeiro verificar se isso poderia ferir a consciência deste irmão. Por exemplo, este irmão talvez tenha escrúpulos de consciência quanto a tomar bebidas alcoólicas. Entretanto, o cristão talvez beba na frente do irmão ou lhe ofereça uma bebida. Este irmão poderá pensar: ‘Bem, ele é cristão maduro; por isso, posso seguir seu exemplo.’ Assim incentivado, ele bebe. Mas, ao mesmo tempo, sua consciência lhe diz que isso não é direito. Condena-o. Ele não age por fé, nem como para Deus. Portanto, fez-se com que tropeçasse. Sua consciência se sente ferida e ele fica abatido, porque acha que pecou. Pode ter dificuldades em se restabelecer. — 1 Cor. 8:12, 13; Rom. 14:23.
15. Insistir um cristão em fazer algo a que tem “direito” poderia resultar em que pecado por parte dum concrente?
15 Ou, a ação do cristão, insistindo na sua “liberdade” de fazer algo que em circunstâncias normais tem o direito de fazer, pode induzir aquele que tem consciência fraca a se tornar juiz dele. Seu exercício imprudente de tal “liberdade” pode fazer com que o mais fraco comece a ter falsas suspeitas e ciúmes. Isto pode pôr em perigo a paz e a união da congregação.
16. Por que se refreia um cristão de fazer certa coisa que outro considera perfeitamente normal?
16 Paulo apresenta os motivos pelos quais um cristão talvez decida não fazer certa coisa, algo que para outro seria perfeitamente correto: “Sei e estou persuadido no Senhor Jesus que nada é aviltado em si mesmo; somente quando um homem considera algo como aviltado, para ele é aviltado.” — Rom. 14:14.
17, 18. (a) Quão ampla é a liberdade que o cristão tem conforme ilustrado pelo apóstolo Paulo? (b) Por que não pôde esta liberdade ser plenamente exercida por alguns dos primitivos cristãos?
17 O apóstolo mostra a ampla liberdade que os cristãos realmente têm, ao falar sobre o alimento, o qual, segundo ele, “Deus criou para serem tomados com agradecimentos pelos que têm fé e que conhecem a verdade de modo exato”. “A razão disso é”, prossegue, “que cada criação de Deus é excelente, e nada deve ser rejeitado se for recebido com agradecimento, porque é santificado pela palavra de Deus [que o aprova] e pela oração sobre ele”. — 1 Tim. 4:3-5.
18 O que Deus criou e destinou a certo fim, tal como o alimento, é excelente, e o cristão pode participar dele sem pecar — é limpo. Mas alguns, especialmente entre os membros judaicos da primitiva congregação cristã tinham consciência fraca na questão de alimentos que haviam sido proibidos sob a lei mosaica. (Atos 10:14, 15) Embora outros cristãos explicassem o assunto, o longo uso e costume dificultaram que sua consciência considerasse tal alimento como limpo. Naturalmente, não precisavam comê-lo. Mas outro talvez se desse conta de que Deus declarara a Lei abolida, à base do sacrifício de Cristo, e que, por isso, todos os alimentos eram “lícitos” e limpos. Por isso, podia comer deles de coração, agradecendo as provisões feitas por Deus.
19, 20. (a) Descreva a diferença entre o que precisa ser feito e o que é opcional para o cristão. (b) Como pode o cristão que está decidido a exercer sua liberdade cristã ‘não estar mais andando de acordo com o amor’?
19 Entretanto, devia o cristão, que tinha tal conhecimento, comer na presença do cristão judeu? Paulo responde: “Se teu irmão, por causa do alimento, está sendo contristado, não estás mais andando de acordo com o amor. Não arruínes pela tua comida aquele pelo qual Cristo morreu.” — Rom. 14:15.
20 Embora o exemplo usado aqui seja o alimento, o princípio abrange tudo o que possamos ter o direito de fazer, e, no entanto, é uma questão opcional. Todavia, há coisas que Deus ordena que têm de ser feitas, envolvendo integridade, justiça e obediência. São as ‘coisas importantes’. (Fil. 1:10) Nenhum cristão pode corretamente transigir ou falhar nestes pontos. Mas, prosseguir obstinadamente em assuntos de preferência ou opinião pessoal, sem se importar com os sentimentos de outros cristãos, não é agir de acordo com o amor. O que não é feito por amor, não é de valor para quem o faz. — 1 Cor. 13:1-3.
21. Que efeito pode ter sobre outro alguma ação feita sem consideração?
21 Outrossim, uma ação obstinada não seria muito sábia. Poderia desgostar outro irmão, embora a opinião dele, de que a ação é errada, não seja bem fundada. Ele poderia ficar desanimado, zangado ou mesmo sentir repugnância. O dano poderia ir a ponto de arruinar sua fé. Cristo, que deu sua vida pela humanidade, é o Dono dele. (Judas 4) Considera este irmão, comprado pelo seu sangue, como precioso, e certamente não se agradará com alguém que, por insistir na sua própria opinião, quer julgue seu irmão, quer o faça tropeçar. — Veja Mateus 18:6, 14.
22. Então, o que devemos estar decididos a fazer?
22 Por vivermos, assim, para Jeová, sabemos que “todas as coisas [que Deus proveu para usarmos ou fazermos] são lícitas; mas nem todas as coisas são vantajosas [dependendo do tempo, das circunstâncias e do que é para o bem-estar dos outros]. Todas as coisas são lícitas; mas nem todas as coisas edificam. Que cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa”. — 1 Cor. 10:23, 24.
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Adorne o ensino de Deus em todas as coisasA Sentinela — 1978 | 15 de setembro
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Adorne o ensino de Deus em todas as coisas
“O reino de Deus não significa comer e beber, mas significa justiça, e paz, e alegria com espírito santo.” — Rom. 14:17.
1. Que fatores, que poderiam causar dificuldades, existem em cada congregação?
DIFERENÇAS de opinião, gosto e sentimentos íntimos existem em qualquer grupo de pessoas. Acontecem também entre cristãos sinceros. Estas variações podem perturbar a paz e a união da congregação, se os seus membros encaram sua própria opinião como superior ou como sendo aquela com que todos devem concordar.
2, 3. (a) Que espécie de diferenças existam na congregação de Roma? (b) Qual é o teor do conselho que Paulo deu aos na congregação, que divergiam em certas opiniões?
2 No capítulo 14 de Romanos, o apóstolo Paulo lida com diferenças de opinião na congregação cristã de Roma. Estas tinham que ver com coisas que afetam a consciência — diferenças que, segundo a opinião de alguns, tinham de ser resolvidas definitivamente, de um modo ou de outro, para se levar avante a verdadeira adoração de Deus. Isso não envolvia ensinos básicos da Bíblia. As questões em disputa referiam-se a interpretações de consciência sobre atividades menos importantes da vida cotidiana. O apóstolo salientou que os cristãos maduros têm uma ampla margem de liberdade nessas coisas. Mas, ele também acautelou contra o exercício desenfreado desta liberdade, ou contra o cristão tentar restringir a liberdade de outro.
3 Um cristão talvez se sinta conscienciosamente livre de exercer certo direito. Todavia, Paulo exortou a tal a temperar suas ações, se souber que ofendem a consciência de outro irmão. De modo inverso, quem tem consciência excessivamente sensível, em alguns sentidos, foi aconselhado a não condenar seu irmão por algo que as Escrituras permitem, embora ele mesmo não o possa fazer de boa consciência.
PODEMOS AGIR CONTRÁRIO AOS NOSSOS PRÓPRIOS INTERESSES
4. Qual e o bem que o cristão procura fazer?
4 O apóstolo diz a seguir: “Portanto, não deixeis que se fale com dano para vós do bem que fazeis.” (Rom. 14:16) O cristão trabalha arduamente para fazer o bem, para ‘adornar o ensino de nosso Salvador, Deus, em todas as coisas’, perante os olhos de todos, para que todos tenham o mais alto respeito pelo ensino cristão. (Tito 2:10) Quer que sua vida seja testemunho vivo do que ele e a congregação ensinam, conforme aconselha o apóstolo Pedro: “Tende uma boa consciência, para que, naquilo que se fala contra vós, fiquem envergonhados aqueles que fazem pouco de vossa boa conduta em conexão com Cristo.” — 1 Ped. 3:16.
5. Como se poderia falar injuriosamente de alguma coisa ‘boa’ que o cristão faz?
5 Então, depois de termos sido tão cuidadosos em todos esses assuntos relacionados com a vida cristã, quão lamentável seria destruir esta boa influência a favor da verdadeira adoração por insistir em fazer algo que, em si mesmo, é inteiramente correto — “bom” — mas que parece errado aos olhos dum irmão cristão excessivamente sensível. O irmão talvez tenda a falar de modo depreciativo sobre isso aos outros. Ou, algum ato do cristão talvez fosse interpretado mal pela comunidade inteira. Tal ato não seria algo de errado em si mesmo. Mas, por ser condenado pelos outros, estes causariam dano à boa reputação do cristão. Lançaria vitupério sobre a mensagem das “boas novas”, em cuja proclamação e ensino a congregação trabalha tão arduamente. Por este motivo, seria melhor que o cristão se refreasse do usufruto ou da prática de certas liberdades, mesmo que corretas, nos pontos em que a consciência de outro cristão talvez seja fraca.
6. Que conselho se dá ao cristão que tem consciência superescrupulosa?
6 Por outro lado, é também essencial que o cristão que tem consciência superescrupulosa se refreie de criticar outro, que faz uso de sua liberdade e realmente não faz nada de errado. Ele está julgando seu irmão. Deve reajustar seu modo de pensar. (Veja 2 Coríntios 13:11.) Porque, do contrário, continuará a perturbar a paz da congregação. Visto que ele julga seu irmão, precisa assumir grande parte da culpa pela dificuldade que a sua atitude crítica causa. Devia, em vez disso, esforçar-se a se tornar plenamente maduro e firmemente estabelecido, fortalecendo sua fé em todos os pontos, a fim de não ter a tendência de fazer outros tropeçar ou de condenar outros. Se ele não progredir neste sentido, poderá ser motivo constante de dificuldades e poderá lançar vitupério sobre as “boas novas”. — Heb. 5:12-14; Sal. 119:165.
O REINO DE DEUS CONSISTE EM COISAS MAIS IMPORTANTES
7, 8. O que significa a declaração do apóstolo Paulo: “O reino de Deus não significa comer e beber”?
7 O apóstolo atinge o ponto focal do assunto ao dizer: “Pois o reino de Deus não significa comer e beber, mas significa justiça, e paz, e alegria com espírito santo.” (Rom. 14:17) A verdadeira adoração, e aquilo que se refere ao reino de Deus e à sua congregação, não giram em torno dessas coisas físicas. Conforme Jesus disse: “Não há nada de fora dum homem passando para dentro dele que possa aviltá-lo; mas as coisas que procedem do homem são as que aviltam o homem.” — Mar. 7:15.
8 Isto se pode dizer de muitas outras coisas da vida. A maneira de se vestir e de usar o cabelo, a diversão, o emprego e outros assuntos pessoais não são as coisas essenciais “para o progresso das boas novas”. (Fil. 1:12) Se não houver mesmo uma violação das Escrituras e se houver moderação, por se evitarem os extremos e os envolvimentos na transgressão mundana, então, tais assuntos da vida diária não caem dentro dos limites nos quais devemos ser julgados pelos nossos irmãos. — Veja Provérbios 11:2.
9. De que modo é o reino de Deus “justiça, e paz, e alegria com espírito santo”?
9 É o ensino sobre o reino de Deus que produzirá os frutos muito superiores da justiça nos seus proclamadores e nos que ouvem a mensagem. (Tito 2:12; 1 Ped. 2:11) Todos devem estar prontos para ceder quanto à sua própria vontade e desejos, e suas próprias preferências, em prol da paz da congregação. Se o cristão realmente deixar o espírito santo operar nele e dirigi-lo, terá alegria, por estar confiante de que agrada a Deus. O objetivo do reino de Deus é promover estas coisas vitais do espírito. — Rom. 8:6, 13.
10. Em vista do que o reino de Deus significa, de que modo é aceitável a Deus e aprovado pelos homens o cristão que trabalha neste sentido como escravo para Cristo?
10 Por ter tais alvos grandiosos, o cristão maduro fixa sua atenção nos assuntos que realmente têm que ver com as caraterísticas e os princípios do reino de Deus “Pois, quem neste sentido trabalhar como escravo para Cristo, é aceitável a Deus e tem aprovação da parte dos homens.” (Rom. 14:18) Se ele trabalhar como escravo para Cristo, na promoção dessas coisas importantes, certamente terá a aprovação de Deus, e outros cristãos o amarão pela sua razoabilidade e bom senso. Seu proceder na vida o elogiará perante as pessoas de fora. Embora alguns não queiram adotar o cristianismo, a conduta dele se recomendará à consciência de tais. — 2 Cor. 4:2.
BUSQUE A PAZ DA CONGREGAÇÃO
11. Em vez de achar falta nos outros, em que devem empenhar toda a sua energia os membros da congregação?
11 “Assim, pois”, diz o apóstolo, “empenhemo-nos pelas coisas que produzem paz e pelas coisas que são para a edificação mútua”. (Rom. 14:19) Ele aconselha assim a congregação a pôr de lado todas as causas de contenda e a viver em harmonia, uns com outros. Apela para que façam as coisas de edificação espiritual mútua, em vez de achar falta, ou, por outro lado, insistir obstinadamente num direito pessoal — que são as coisas que derrubam outros. Paulo recomenda que se empenhem para todos poderem alcançar “a unidade na fé e no conhecimento exato do Filho de Deus, como homem plenamente desenvolvido, à medida do desenvolvimento que pertence à plenitude do Cristo”, e, crescerem “pelo amor em todas as coisas naquele que é a cabeça, Cristo”. Daí, podem unir-se e, com verdadeiro esforço e eficácia, levar a mensagem de salvação à humanidade. — Efé. 4:13, 15.
12. Como pode o cristão evitar “demolir a obra de Deus”?
12 Os que chegaram a obter conhecimento da verdade são obra de Deus. Muito tempo e esforço foram também gestos por servos de Deus para ensinar e ajudar a tais, com grande cuidado e ternura. São o “campo de Deus em lavoura, edifício de Deus”. (1 Cor. 3:9) Pode algum cristão ser tão desrespeitoso e destrutivo, que derruba esta obra? O apóstolo admoesta: “Parai de demolir a obra de Deus só por causa do alimento. Verdadeiramente, todas as coisas são limpas, [porque a lei mosaica, a respeito de coisas limpas e de impuras, foi abolida por meio de Cristo,] mas é prejudicial para o homem que come com motivo para tropeço. É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer algo que faça teu irmão tropeçar.” (Rom. 14:20, 21) Se levarmos outro, pelo nosso exemplo, a adotar um proceder contrário à sua consciência, ou tentarmos obrigá-lo a adotar nosso modo preferido, poderemos estar derrubando todo o bom trabalho que o espírito de Deus realizou nesta pessoa, embora nós mesmos não nos apercebamos do dano que causamos. — Veja 1 Coríntios 3:17.
BUSQUE A GLÓRIA DE DEUS, NÃO AGRADAR A SI MESMO
13. De que maneira deve-se exercer a fé ‘de acordo consigo mesmo à vista de Deus’?
13 Portanto, a conclusão a ser tirada é a seguinte: “A fé que tens, tem-na de acordo contigo mesmo à vista de Deus.” (Rom. 14:22) A fé, mencionada aqui, refere-se ao assunto em consideração. Obviamente, não se refere à fé no reino de Deus, nem às coisas importantes relacionadas com ele, porque esta fé deve ser proclamada abertamente a todos. (Mat. 28:19, 20) Paulo refere-se à fé que o cristão tem no sentido de que o sacrifício de Cristo nos libertou de restrições anteriores, tais como ingerir certos alimentos e observar certos dias — coisas que não são os verdadeiros elementos do reino de Deus, mas que agora são simples questão de preferência ou opinião pessoal. (Gál. 4:8-11) De modo que o conselho é: ‘Não imponha sua opinião aos outros.’ Se você souber que há uma dúvida na mente de alguns sobre a correção de certa coisa que você sabe não ser errada, não deve tentar vencê-los, nem fazer ostentação de sua própria “liberdade”. Assim, Deus respeitará a sua atitude de consideração. Ele entenderá por que você se refreou de algo que realmente é um direito cristão. Mas, se você souber que está fazendo algo que não causa escrúpulos de consciência nos outros, poderá empenhar-se nisso. Deus apreciará que você tem uma consciência bem treinada e que mostra bom senso. De qualquer modo, Deus verá a sinceridade de sua fé. O julgamento dele é o que vale. Ele vê que você age tanto de boa consciência como por amor no exercício de sua fé.
14. Por que é feliz aquele que ‘não se põe a si mesmo em julgamento por aquilo que ele aprova”?
14 Então, ao outro, que conscienciosamente hesita em dar certo passo, o apóstolo prossegue: “Feliz é o homem que não se põe a si mesmo em julgamento por aquilo que ele aprova.” (Rom. 14:22) Se o cristão nunca for contrário à sua consciência, ele terá paz mental. Mas, se tiver dúvidas sobre certo proceder, então, sem hesitação, deveria rejeitá-lo ou abandoná-lo. O que for que alguém aprove, não deve violar a sua consciência, não importa quão agradável seja, nem qual o argumento que outro possa apresentar. Por outro lado, se ele achar que o argumento se baseia nas Escrituras e ficar cabalmente convencido de sua correção, poderá ajustar concordemente seu conceito consciencioso. — Rom. 14:5.
15. (a) Como se condena alguém, se ele prosseguir e fizer algo, quando tem dúvidas sobre isso ser correto? (b) Como poderá melhorar a qualidade de sua consciência? (Efé. 3:14-19; 1 Tes. 5:11)
15 “Mas, se tiver dúvidas, já está condenado, se comer, porque não come em fé. Deveras, tudo o que não vem da fé é pecado.” (Rom. 14:23) O apóstolo dirige suas observações aos que professam ser cristãos, não a incrédulos. O que alguém faz deve ser aquilo que de modo algum torne sua consciência inconfortável. Se a sua consciência o incomodar, ele se condena a si mesmo. E deve constantemente esforçar-se a ter visão clara da fé cristã, para ter consciência mais equilibrada. Embora nem tudo o que o cristão faz tenha relação direta com a proclamação das “boas novas”, aquilo que ele faz, mesmo na recreação e folga, ele faz visando a edificação de si mesmo e de outros.
16. A fim de fazer “todas as coisas para a glória de Deus”, o que deve fazer o cristão, antes de dar algum passo?
16 Em suma, o conselho sábio do apóstolo é: “Fazei todas as coisas para a glória de Deus.” (1 Cor. 10:31) Antes de dar algum passo, pergunte-se: ‘Contribuirá isso para a paz da congregação, a fim de que o espírito de Deus opere livremente entre todos?’ ‘Será minha ação tal que não lance vitupério sobre o nome de Deus e de Cristo?’ ‘Edificará, em vez de derrubar, a obra de Deus na congregação?’ Feliz o cristão que puder manter sua vida em plena harmonia com uma consciência limpa, correta e equilibrada perante Deus. Tal cristão é uma bênção para a congregação de Deus.
[Foto na página 20]
Em vez de persuadir outro a ir contrário à sua consciência, devemos deixar que o espírito santo o guie, ao passo que estuda a Palavra de Deus.
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Construímos para o futuro — nos países baixosA Sentinela — 1978 | 15 de setembro
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Construímos para o futuro — nos países baixos
O DIA 5 de novembro de 1977 foi uma grande ocasião para a família de Betel na sede das Testemunhas de Jeová em Amsterdã. De todas as partes dos Países-Baixos (ou Holanda) veio um grupo extraordinário de Testemunhas de Jeová. Que
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