Valores pelos quais viver
OS VALORES estão relacionados às necessidades. Comumente não prezamos as coisas que não preenchem certa necessidade. Quanto mais forte for a necessidade, tanto maior será o valor atribuído à sua satisfação. Nossas necessidades são muitas e variadas. São diferentes, em épocas diferentes. São diferentes para pessoas diferentes. Algumas necessidades são inerentes, outras são adquiridas. Algumas não são essenciais, podem ser até prejudiciais. Não estamos cônscios de certas necessidades nossas, e outras que reconhecemos, deixamos de avaliar devidamente, até que já é tarde demais. Por tais motivos, as pessoas têm diferentes conjuntos de valores pelos quais vivem. Pensou ultimamente sobre os seus? Atribui valores mais altos à satisfação das suas necessidades mais importantes?
Há necessidades básicas que são comuns a todos nós. Ar, água, alimento, calor, sono — estas são necessidades que têm de ser satisfeitas se havemos de sobreviver. Quando suas demandas se tornam críticas, tudo o mais tem de esperar até satisfazê-las. É verdade que o homem não vive só de pão, mas quando está faminto, o alimento tem prioridade. O mesmo se dá com as outras necessidades relacionadas à sobrevivência. Mas quando são satisfeitas, nossa atenção se volta para outras coisas.
O homem é gregário, e não uma criatura solitária, como alguns animais. Precisa do companheirismo de outros. Para que este seja agradável, tem de sentir-se aceito. Avalia isto tanto que porá de lado algumas preferências pessoais a fim de ajustar-se ao grupo. Mesmo que tal associação às vezes seja áspera, é preferível a ficar só. Esta necessidade é tão forte que alguns porão de lado seus próprios princípios e valores para sentir que são parte de algo. Diz-se que aquilo que uma sociedade honra é o que se busca — ditado baseado nesta necessidade de aprovação. Muitos fixam um valor mais alto sobre este apreço por parte de outros do que sobre sua própria integridade pessoal. É esta tendência que dá força ao aviso da Bíblia: “Más associações estragam hábitos úteis.” — 1 Cor. 15:33.
Preze Seu Respeito Próprio
Se abandonarmos nossa integridade ou nossos valores pessoais a fim de sermos populares, sofreremos por isso. Perderemos nosso respeito próprio, nossa sensação de dignidade pessoal, nosso amor a nós mesmos. Os danos psicológicos serão grandes, e suas repercussões serão amplas. Tanto nas Escrituras Hebraicas como nas Gregas, diz-se-nos que devemos amar a outros como amamos a nós mesmos. Este amor de si próprio não é amor do tipo indulgente, egoísta, egotista, mas envolve ter valores pelos quais viver que o habilitem a respeitar a si mesmo. É preciso amar a si mesmo a fim de amar aos outros. Sem tal amor, sentir-se-á inseguro e invejoso de outros, e tentado a criticá-los e tagarelar a respeito deles. Achar falhas nos outros faz a pessoa sentir-se superior. No entanto, a admoestação da Bíblia é não fazer nada “por egotismo, mas, com humildade mental, considerando os outros superiores a vós”, e “mantende em vós esta atitude mental que houve também em Cristo Jesus”. (Fil. 2:3, 5; João 13:5) Assim, não tente elevar-se por derrubar outros. Fazer isto diminuiria o respeito próprio e desvalorizaria a pessoa.
Devemos prezar o trabalho útil. Jeová Deus, nosso Criador, é trabalhador, e somos feitos à sua imagem e semelhança. Ele deriva prazer em ver o término de suas obras e as declara boas. (Gên. 1:10, 12, 18, 21, 25, 31) O homem precisa trabalhar, a fim de sentir-se realizado. O trabalho bem feito atesta as habilidades do empreendedor e lhe transmite uma sensação de valor. A ociosidade nos faz sentir inúteis e de pouco valor, ao passo que o bom trabalho dá objetivo e significado à nossa vida. Muitas vezes, ouvimos gente dizer: ‘A vida não tem significado. Qual é o objetivo de tudo isso?’ Tais pessoas são sobrepujadas por uma sensação de futilidade.
Talvez trabalhem árduo e acumulem riquezas. Isto não as satisfará. “O mero amante da prata não se fartará de prata, nem o amante da opulência, da renda. Também isto é vaidade.” (Ecl. 5:10) Baseiam seus valores nas coisas materiais, “o desejo da carne, e o desejo dos olhos, e a ostentação dos meios de vida da pessoa”. (1 João 2:16) Absortos na busca de coisas materiais, negligenciam as necessidades do espírito. Dispõem de apenas certo tempo e energia e investem-nos naquilo que mais prezam. Talvez sejam as riquezas ou uma posição, ou prestígio. Uma vez o tenham obtido, não mais lhes parece tão vital. Depois de todo seu trabalho árduo, acabam desiludidos, porque viveram segundo o conjunto errado de valores. Faltou-lhes consciência de suas necessidades espirituais.
O Maior de Todos os Valores
“Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual”, disse Jesus. (Mat. 5:3) Muitos não ficam cônscios de tal necessidade senão muito tarde na vida, quando suas energias se esvaem e resta-lhes pouco tempo. Damos valor à satisfação das necessidades físicas, mentais e emocionais durante nossa vida, mas, ao mesmo tempo, temos de compreender que nenhuma destas coisas prolongará nossa vida muito além dos setenta ou oitenta anos. Elas têm vida curta. Avaliar devidamente nossa necessidade espiritual poderá significar sobreviver pela eternidade. Os homens dizem: “Não se pode levar as coisas”, querendo dizer as riquezas materiais. Mas há algo de muito maior valor que poderá levar: um bom nome perante Deus. Eclesiastes 7:1 declara: “Melhor é o bom nome do que o melhor ungüento, e o dia da morte do que o dia do nascimento.” — Almeida, versão da Imprensa Bíblica Brasileira.
Como pode ser isto? Como pode o dia da sua morte ser melhor do que o dia em que começou a viver? Isto só se dá se, no dia de sua morte dispuser dum bom nome perante Deus, nome de que Ele se recorde na ocasião de sua ressurreição. Isto significará voltar a uma vida que poderá ser sempiterna, se colocar o devido valor nela. Inclinamo-nos a considerar corriqueiras as muitas bênçãos que gozamos — nossa visão, audição, saúde geral, a própria vida. Somente quando tais bênçãos começam a escapar de nós é que compreendemos subitamente seu valor. Quando se está morrendo, outros talvez digam: ‘Bem, ele viveu uma vida longa e muito boa’, como se isso tornasse a morte mais aceitável. Não a torna, para quem está morrendo. O passado não conta. É o presente e o futuro que contam, que se tornam a verdadeira necessidade. Assim, o maior de todos os valores é satisfazer tal necessidade por agora granjear um bom nome perante Deus.
Está cônscio disso? Necessita reavaliar os valores pelos quais vive? O seguinte artigo nos conta quão feliz ficou uma pessoa que fez isso.
[Foto na página 3]
Quais são os seus valores? Muitos precisam reavaliá-los.