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É triste o futuro dos idosos?A Sentinela — 1987 | 1.° de junho
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É triste o futuro dos idosos?
“EU ERA moço”, disse o Rei Davi, “também fiquei velho”. (Salmo 37:25) Nos tempos bíblicos, os idosos eram uma minoria estimada. No entanto, se a tendência atual continuar, os idosos, em pouco tempo, poderão não ser nem minoria, nem estimados.
Somente nos Estados Unidos, calcula-se haver 26 milhões de pessoas de mais de 65 anos de idade. Por volta do ano 2040, este número poderá quase triplicar! Segundo a revista Asiaweek, algumas nações asiáticas “esperam que o número de seus idosos duplique na próxima década”. A perspectiva de os idosos quase excederem em número os jovens, porém, não pressagia nada de bom para os idosos. Já é alarmante o número daqueles que se encontram carentes e desabrigados. Outros são deixados para definhar-se em hospitais ou asilos — solitários, sem receber visitas e sem que se cuide deles. Casos chocantes de abandono e abuso são noticiados até mesmo em países em que os pais costumavam ser reverenciados.
G. M. Ssenkoloto escreveu na revista World Health (A Saúde do Mundo): “Tradicionalmente, na maioria dos países africanos, e, de fato, na maior parte do Terceiro Mundo, cada família costumava cuidar de suas mulheres idosas. Uma mulher sem filhos para tomar conta dela era cuidada pelos vizinhos ou pela aldeia como um todo.” No entanto, ele relatou: “Valores seculares estão mudando. Forças econômicas adversas, a má distribuição de recursos, o almejo de coisas materiais, a luta pelo amor-próprio e por uma posição social — todos estes fatores sobrepujam os tradicionais valores positivos com respeito ao apoio dado aos idosos.”
As palavras do escritor bíblico Agur mostram assim ser verdadeiras em grande escala: “Há uma geração que invoca o mal até mesmo sobre seu pai e que não abençoa nem mesmo a sua mãe.” (Provérbios 30:11) Sim, os idosos estão sendo derrubados da posição de honra que usufruíam antigamente. Muitos os encaram como desvantagens sociais, em vez de como vantagens. Na maior parte, suas perspectivas parecem tristes.
No entanto, como é que os verdadeiros cristãos encaram os idosos? Mantêm os “tradicionais valores positivos” com respeito a eles?
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Os verdadeiros cristãos honram os mais velhos!A Sentinela — 1987 | 1.° de junho
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Os verdadeiros cristãos honram os mais velhos!
“OS IDOSOS”, disse a pesquisadora Suzanne Steinmetz, “estão no fim da sua vida economicamente produtiva, que é a base em que nossa cultura avalia as pessoas e lhes dá deferência, posição social, respeito e recompensas”. O conceito que a sociedade humana moderna forma sobre os idosos é assim deprimente, negativo. Não é de admirar, portanto, que muitas vezes leiamos sobre eles serem negligenciados e abusados.
Mas, qual é o conceito sobre os idosos que a Bíblia adota? A Palavra de Deus reconhece realisticamente que não é fácil envelhecer. O salmista orou: “Não me lances fora no tempo da velhice; não me deixes quando meu poder falhar.” (Salmo 71:9) Na sua velhice, ele se sentiu mais do que nunca necessitado do apoio de Jeová. E o conceito da Bíblia é positivo em mostrar que nós também devemos dar atenção às necessidades dos idosos.
É verdade que Salomão chamou a velhice de “dias calamitosos”, nos quais ‘não se teria agrado’. (Eclesiastes 12:1-3) Mas a “longura de dias e anos de vida” também são associados na Bíblia com as bênçãos de Deus. (Provérbios 3:1, 2) Como ilustração, Jeová prometeu a Abraão: “Quanto a ti, . . . serás enterrado numa boa velhice.” (Gênesis 15:15) Deus certamente não estava sentenciando o fiel Abraão a “dias calamitosos”, desoladores, nos quais não podia ‘ter agrado’. Abraão achou paz e serenidade nos seus últimos anos, recordando com satisfação a vida gasta no serviço a Jeová. Podia também olhar para o futuro, para uma “cidade que tem verdadeiros alicerces”, o Reino de Deus. (Hebreus 11:10) Morreu assim “idoso e satisfeito”. — Gênesis 25:8.
Então, por que chamou Salomão a velhice de “dias calamitosos”? Salomão referiu-se à implacável deterioração da saúde que ocorre na velhice. Entretanto, quem deixou de ‘lembrar-se do seu Grandioso Criador nos dias da sua idade viril’ achará seus anos de definhamento especialmente calamitosos. (Eclesiastes 12:1) Por ter desperdiçado sua vida, tal pessoa idosa ‘não tem agrado’ nos últimos dias da sua vida. Seu modo de vida ímpio talvez até mesmo resulte em problemas físicos, que agravam os desconfortos da velhice. (Veja Provérbios 5:3-11.) Assim, ao olhar para a frente, não vê outro futuro senão o túmulo. Aquele que devotou sua vida a servir a Deus também passa por “dias calamitosos”, ao passo que seu corpo enfraquece. Mas, igual a Abraão, pode encontrar alegria e satisfação numa vida bem aproveitada e em usar suas forças remanescentes no serviço de Deus. “As cãs são uma coroa de beleza quando se acham no caminho da justiça”, diz a Bíblia. — Provérbios 16:31.
De fato, a velhice tem até mesmo certas vantagens. “A juventude e o primor da mocidade são vaidade”, disse Salomão. Embora os jovens talvez usufruam saúde vibrante, muitas vezes lhes falta experiência e bom juízo. A velhice, porém, traz consigo uma vida de experiência. O idoso pode ‘afastar a calamidade’, dessemelhante do jovem impulsivo, que muitas vezes se precipita nela. (Eclesiastes 11:10; 2 Timóteo 2:22) Por conseguinte, Salomão podia dizer: “O esplendor dos anciãos são as suas cãs.” — Provérbios 20:29.
Portanto, a Bíblia honra os idosos. Como influi isso no modo em que os cristãos lidam com eles?
‘Levantar-se’ Diante dos Idosos
Deus tornou o respeito pelos idosos uma praxe nacional em Israel. A Lei mosaica declarava: “Deves levantar-te diante do cabelo grisalho e tens de mostrar consideração para com a pessoa dum homem idoso.” (Levítico 19:32) Em anos posteriores, parece que os judeus encaravam esta lei de modo bastante literal. O Dr. Samuel Burder diz no seu livro Oriental Customs (Costumes Orientais): “Os escritores judaicos dizem que era costume levantar-se diante deles quando estavam a uma distância de quatro côvados; e assim que tivessem passado, sentar-se de novo, para que parecesse que se levantaram de puro respeito por eles.” Tal respeito não se limitava a homens de destaque. “Respeite até mesmo o homem idoso que tenha perdido sua erudição”, declara o Talmude. Certo rabino argumentava que este respeito devia também incluir o idoso ignorante e iletrado. “O próprio fato de que ele envelheceu”, raciocinava ele, “tem de ser atribuído a algum mérito”. — The Jewish Encyclopedia.
Hoje em dia, os cristãos não estão mais sujeitos às sanções da Lei mosaica. (Romanos 7:6) Mas isto não significa que eles não tenham mais nenhuma obrigação de mostrar consideração especial para com os idosos. Isto se evidencia nas instruções que o apóstolo Paulo deu ao superintendente cristão Timóteo: “Não critiques severamente um ancião. Ao contrário, suplica-lhe como a um pai, . . . as mulheres mais idosas, como a mães.” (1 Timóteo 5:1, 2) Paulo disse ao jovem Timóteo que este tinha autoridade de ‘mandar’. (1 Timóteo 1:3) Não obstante, se alguém mais velho do que ele — especialmente alguém que servia como superintendente — errasse no seu critério ou fizesse declarações incorretas, Timóteo não devia ‘criticá-lo severamente’, como se fosse alguém inferior. Antes, devia respeitosamente ‘suplicar-lhe como a um pai’. Timóteo devia mostrar respeito similar às mulheres mais idosas na congregação. Sim, ele devia como que ‘levantar-se diante do cabelo grisalho’.
De modo que o cristianismo é uma religião que respeita os idosos. Ironicamente, porém, grande parte dos maus-tratos dispensados aos mais velhos ocorre em nações que professam ser cristãs. No entanto, há adoradores que ainda aderem às normas bíblicas. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová usufruem a presença de muitos milhares de idosos no seu meio; não os encaram como fardo ou desvantagem. Embora a saúde fraca possa impedir que esses mais velhos sejam tão ativos como antigamente, muitos têm extensos antecedentes de um fiel serviço cristão, e isto anima as Testemunhas mais jovens a imitar a sua fé. — Veja Hebreus 13:7.
Não se espera, porém, que os idosos assumam um papel passivo na congregação. São exortados a dar bons exemplos em ser “moderados nos hábitos, sérios, ajuizados, sãos na fé, . . . reverentes no comportamento”, compartilhando liberalmente sua sabedoria e sua experiência com outros. (Tito 2:2, 3) Joel profetizou que entre os que participariam na proclamação da mensagem da Bíblia haveria “homens idosos”. (Joel 2:28) Sem dúvida, já observou pessoalmente que muitas Testemunhas idosas ainda se deleitam em participar ativamente na pregação de porta em porta.
Dar-lhes Honra “em Medida Mais Plena”
As Testemunhas de Jeová esforçam-se a dar aos mais velhos consideração especial em muitos sentidos. Nos anuais congressos religiosos, por exemplo, muitas vezes providenciam que se reservem lugares para os mais velhos. Mostra-se-lhes também consideração de modo individual. No Japão, um homem, Testemunha, cede seu lugar no carro da família para que uma senhora de 87 anos de idade possa ser levada às reuniões congregacionais. Como é que ele mesmo chega às reuniões? De bicicleta. No Brasil há um evangelizador de tempo integral de 92 anos de idade. Os observadores relatam que as Testemunhas de Jeová ali “o tratam com respeito e consideração, conversam com ele . . . [Ele é] útil na congregação”.
Isto não quer dizer que não haja margem para melhora em dar honra aos mais velhos. Paulo escreveu aos cristãos em Tessalônica: “No entanto, com referência ao amor fraternal, . . . vós o estais fazendo para com todos os irmãos, em toda a Macedônia. Exortamo-vos, porém, irmãos, a que prossigais fazendo isso em medida mais plena.” (1 Tessalonicenses 4:9, 10) Hoje precisa-se às vezes dar conselho similar no que se refere à maneira de tratarmos os mais velhos. Por exemplo, certo cristão de 85 anos ficou muito desapontado quando não recebeu um exemplar duma nova publicação bíblica. Qual era o problema? Ele é quase surdo e não escutou o anúncio, que lembrava a todos a encomendar o livro; nem se lembrou alguém na congregação de pedir um para ele. A situação, naturalmente, foi logo remediada. Não obstante, isso ilustra que há necessidade de se estar especialmente cônscio das necessidades dos mais velhos.
Há muitas maneiras em que os do povo de Deus podem hoje fazer isso “em medida mais plena”. As reuniões cristãs oferecem oportunidades de ‘estimular’ os mais velhos “ao amor e a obras excelentes”. (Hebreus 10:24, 25) E embora jovens e idosos já se misturem livremente nos Salões do Reino das Testemunhas de Jeová, talvez se possa fazer empenho ainda maior neste sentido. Por exemplo, alguns pais incentivam seus filhos a se chegar respeitosamente aos membros mais idosos da congregação e a conversar com eles.
Pode-se também continuar a dar honra aos idosos de maneira informal. Em harmonia com o princípio estabelecido por Jesus em Lucas 14:12-14, pode haver maior esforço para convidar os mais velhos a reuniões sociais. Mesmo que não possam comparecer, certamente apreciarão que se lembrou deles. Os cristãos são adicionalmente exortados a ‘seguir o proceder da hospitalidade’. (Romanos 12:13) Isso não precisa exigir algo especial ou requintado. Uma Testemunha da Alemanha sugere: “Convide os mais velhos para um chá, e deixe que contem suas experiências do passado.”
O apóstolo Paulo disse: “Tomai a dianteira em dar honra uns aos outros.” (Romanos 12:10) Entre as Testemunhas de Jeová, especialmente os anciãos congregacionais designados tomam a dianteira em dar honra aos cristãos idosos. Freqüentemente, os anciãos podem designar aos mais velhos tarefas apropriadas, tais como treinar os novos para ser evangelistas ou ajudar na manutenção nos locais de reuniões cristãs. Homens mais jovens, que servem como anciãos congregacionais, podem honrar os superintendentes mais velhos por humildemente se chegarem a eles pedindo conselhos, usando de discernimento para saber dos pontos de vista maduros deles. (Provérbios 20:5) Nas reuniões de tais anciãos, seguem o exemplo bíblico do jovem Eliú e mostram deferência para com os homens mais velhos, mais experientes, dando-lhes plena oportunidade de se expressarem primeiro. — Jó 32:4.
Deve-se admitir que se pode facilmente ficar impaciente com os idosos, porque talvez não possam locomover-se ou pensar tão rapidamente como os mais jovens. O Dr. Robert N. Butler descreveu bem alguns dos problemas que a velhice pode causar: “Perde-se a resistência física, a capacidade de acompanhar os outros, e isso já por si só pode ser extremamente amedrontador. Podem-se perder importantes faculdades sensórias, tais como a audição ou a visão.” Reconhecendo isso, não deviam os mais jovens mostrar empatia e ser compassivos? — 1 Pedro 3:8.
Sim, os cristãos têm hoje a obrigação de mostrar real amor, interesse e respeito pelos mais velhos no seu meio. E isto se faz entre as Testemunhas de Jeová de modo exemplar. No entanto, o que acontece quando cristãos idosos — ou pais de cristãos — ficam doentios ou empobrecidos? A quem cabe a responsabilidade de cuidar deles? Os artigos que seguem considerarão as respostas bíblicas a tais perguntas.
[Fotos na página 7]
Nas congregações das Testemunhas de Jeová, os mais velhos encontram muito trabalho satisfatório a fazer.
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Visemos os interesses dos idososA Sentinela — 1987 | 1.° de junho
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Visemos os interesses dos idosos
“Não visando, em interesse pessoal, apenas os vossos próprios assuntos, mas também, em interesse, os dos outros.” — FILIPENSES 2:4.
1, 2. (a) Como demonstrou o corpo governante do primeiro século seu interesse nas necessidades dos idosos? (b) Que evidência existe de que não se negligenciava a pregação?
POUCO depois de Pentecostes de 33 EC, “surgiram [na congregação cristã] resmungos da parte dos judeus que falavam grego contra os judeus que falavam hebraico, porque as suas viúvas estavam sendo passadas por alto na distribuição diária [dos alimentos providos aos necessitados]”. Sem dúvida, diversas destas viúvas eram idosas e incapazes de tomarem conta de si mesmas. De qualquer modo, os próprios apóstolos intervieram, dizendo: “Procurai vós mesmos, dentre vós, sete homens acreditados, cheios de espírito e de sabedoria, para que os possamos designar para esta incumbência necessária.” — Atos 6:1-3.
2 Os primitivos cristãos encaravam assim o cuidar dos necessitados como “incumbência necessária”. Anos mais tarde, o discípulo Tiago escreveu: “A forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação.” (Tiago 1:27) Significava isso, então, que se negligenciava a todo-importante obra de pregação? Não, porque o relato em Atos diz que, depois de devidamente organizado o socorro prestado às viúvas, “a palavra de Deus crescia e o número dos discípulos multiplicava-se grandemente em Jerusalém”. — Atos 6:7.
3. Que incentivo é dado em Filipenses 2:4, e por que é especialmente apropriado para hoje?
3 Atualmente, confrontamo-nos com “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) Cuidar das necessidades da vida familiar e do trabalho secular talvez nos deixe com pouca energia — ou desejo — de nos preocupar com as necessidades dos idosos. Por isso, Filipenses 2:4 nos exorta apropriadamente a ‘não visar, em interesse próprio, apenas os nossos próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os dos outros’. Como se pode fazer isso de maneira equilibrada e prática?
Honrar as Viúvas
4. (a) Por que e como ‘honrava’ a congregação do primeiro século as viúvas? (b) Eram tais providências sempre necessárias?
4 Em 1 Timóteo, capítulo 5, Paulo mostra como os primitivos cristãos cuidavam das viúvas idosas na congregação. Exortou a Timóteo: “Honra as viúvas que são realmente viúvas.” (Versículo 3 de 1 Ti 5) As viúvas idosas eram destacadas como especialmente merecedoras de receber honra na forma dum regular apoio financeiro. Elas se viam privadas de todos os meios visíveis de sustento e somente podiam ‘pôr a sua esperança em Deus e persistir em súplicas e em orações, noite e dia’. (Versículo 5 de 1Ti 5) Como eram respondidas suas orações por sustento? Por meio da congregação. As viúvas merecedoras, de maneira ordeira, recebiam uma subsistência modesta. Naturalmente, se alguma viúva tivesse recursos financeiros ou parentes capazes de sustentá-la, tais provisões seriam desnecessárias. — Versículos 4, 16 de 1Ti 5.
5. (a) Como talvez algumas viúvas se entregassem à ‘satisfação sensual’? (b) Tinha a congregação a obrigação de sustentar a tais?
5 “Mas aquela [viúva] que se entrega à satisfação sensual”, acautelou Paulo, “já está [espiritualmente] morta, embora esteja vivendo”. (Versículo 6 de 1Ti 5) Paulo não explica como algumas, conforme a Interlinear do Reino (grego-inglês) o verte literalmente, se estavam ‘comportando voluptuosamente’. Algumas talvez estivessem travando uma luta com os seus “impulsos sexuais”. (Versículo 11 de 1Ti 5) Entretanto, segundo o Léxico Grego-Inglês de Liddell & Scott, “comportar-se voluptuosamente” também podia envolver ‘viver folgado ou em excessivo conforto, ou levar uma boa vida’. Assim, algumas talvez quisessem que a congregação as enriquecesse, que financiasse sua boa vida extravagante de imoderação. Qualquer que fosse o caso, Paulo indicou que essas não estavam qualificadas a receber o sustento da congregação.
6, 7 e nota. (a) Em que consistia a “lista”? (b) Por que não estavam habilitadas a receber sustento aquelas que tinham menos de 60 anos de idade? (c) Como ajudou Paulo a impedir que viúvas jovens recebessem um “julgamento” adverso?
6 Daí Paulo disse: “Seja colocada na lista [dos que recebiam apoio financeiro] a viúva que não tiver menos de sessenta anos de idade.” Nos dias de Paulo, uma mulher de mais de 60 anos evidentemente era encarada como incapaz de sustentar a si mesma e com pouca probabilidade de casar-se de novo.a “Por outro lado”, disse Paulo, “rejeita as viúvas mais jovens [quanto a serem alistadas], pois quando os seus impulsos sexuais se interpõem entre elas e o Cristo, querem casar-se sofrendo julgamento por terem desconsiderado a sua primeira expressão de fé”. — Versículos 9, 11, 12 de 1Ti 5.
7 Se a “lista” tivesse incluído viúvas mais jovens, algumas talvez declarassem precipitadamente sua intenção de permanecer sem se casar. Com o passar do tempo, porém, elas talvez tivessem dificuldade de controlar seus “impulsos sexuais” e quisessem casar-se de novo “sofrendo julgamento por terem desconsiderado a sua primeira expressão de fé”, de permanecer sem se casar. (Veja Eclesiastes 5:2-6.) Paulo afastou tais problemas por declarar adicionalmente: “Desejo que as viúvas mais jovens se casem, que tenham filhos.” — Versículo 14 de 1Ti 5.
8. (a) Como protegeram as orientações de Paulo a congregação? (b) Cuidava-se também de viúvas mais jovens ou de homens idosos?
8 O apóstolo também limitou o alistamento àquelas que tinham muitos antecedentes de excelentes obras cristãs. (Versículo 10 de 1Ti 5) Portanto, a congregação não era uma “instituição de beneficência social” para preguiçosos ou gananciosos. (2 Tessalonicenses 3:10, 11) Mas que dizer dos homens idosos ou das viúvas mais jovens? Se tais se tornassem necessitados, a congregação, sem dúvida, iria cuidar deles individualmente. — Veja 1 João 3:17, 18.
9. (a) Por que seriam os arranjos atuais para se cuidar dos idosos diferentes daqueles no primeiro século? (b) O que nos ajuda a reconhecer hoje o que Paulo disse a respeito das viúvas, no capítulo 5 de 1 Timóteo?
9 Esses arranjos provavelmente eram bastante adequados para as necessidades das congregações do primeiro século. Mas, conforme observa O Comentário da Bíblia do Expositor (em inglês): “Hoje em dia, com montepio, aposentadoria e oportunidades de emprego, a situação é bem diferente.” Em resultado do quadro social e econômico mudado, raras vezes é necessário que as congregações mantenham hoje listas de beneficiários idosos. Não obstante, as palavras de Paulo a Timóteo ajudam-nos a reconhecer o seguinte: (1) Os problemas dos idosos são da preocupação da congregação inteira — especialmente dos anciãos. (2) O auxílio dado aos idosos deve ser devidamente organizado. (3) Tal auxílio se limita aos realmente necessitados.
Visando os Interesses Deles, Como Anciãos
10. Como podem os anciãos hoje tomar a dianteira em mostrar interesse nos mais velhos?
10 De que modo tomam hoje os superintendentes a dianteira em se interessar nos mais velhos? De vez em quando podem destacar as necessidades dos idosos na programação das suas reuniões. Quando há necessidade de ajuda específica, podem providenciar que esta seja dada. Talvez não dêem pessoalmente esse auxílio, visto que freqüentemente há na congregação muitos outros dispostos a isso — inclusive jovens — que podem ajudar. Entretanto, eles podem supervisionar de perto tal auxílio, talvez por designar um irmão para coordenar o auxílio prestado a determinada pessoa.
11. Como podem os anciãos familiarizar-se com as necessidades dos idosos?
11 Salomão aconselhou: “Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho.” (Provérbios 27:23) Assim, os superintendentes podem visitar pessoalmente os idosos, para saber como melhor ‘partilhar segundo as necessidades destes’. (Romanos 12:13) Um superintendente viajante expressou isso do seguinte modo: “Alguns idosos são muito independentes, e não adianta simplesmente perguntar-lhes sobre o que é preciso fazer. É melhor discernir o que é necessário fazer e fazê-lo!” No Japão, alguns superintendentes verificaram que certa irmã de 80 anos precisava de muita atenção. Relataram: “Agora cuidamos de que alguém a contate duas vezes por dia, de manhã e de noite, por visitas ou por telefone.” — Veja Mateus 25:36.
12. (a) Como podem os anciãos cuidar de que os idosos recebam os benefícios das reuniões congregacionais? (b) Que bom uso se pode fazer de fitas gravadas, produzidas pela Sociedade?
12 Os superintendentes também se interessam em que os idosos recebam os benefícios das reuniões congregacionais. (Hebreus 10:24, 25) Precisa alguém de condução? São alguns simplesmente incapazes de ‘escutar e compreender o sentido’ das reuniões, por deficiência auditiva? (Mateus 15:10) Talvez fosse prático instalar fones de ouvido para eles. De modo similar, diversas congregações providenciaram transmitir agora as reuniões por linha telefônica, para que os enfermos possam ouvi-las em casa. Outros gravam as reuniões em fitas cassete, para os doentes demais para comparecer — em alguns casos até comprando para eles o gravador. E, falando de fitas, um ancião na Alemanha observou: “Tenho visitado diversos idosos que ficavam todo o tempo diante do televisor, vendo programas que dificilmente podem ser descritos como espiritualmente edificantes.” Por que não estimulá-los a ouvir em vez disso fitas produzidas pela Sociedade, tais como as com melodias do Reino e leituras da Bíblia?
13. Como se pode ajudar os mais velhos a permanecer ativos como proclamadores do Reino?
13 Alguns membros mais antigos da congregação tornaram-se irregulares ou inativos como pregadores. No entanto, a idade não necessariamente constitui impedimento a que se proclame as “boas novas do reino”. (Mateus 24:14) Alguns talvez aceitem um simples convite de trabalhar com você no serviço de campo. Talvez possa reavivar o amor deles pela pregação por contar-lhes experiências do campo. Se o problema for subir escadas, providencie que visitem apartamentos com elevadores ou bairros residenciais sem escadas. Alguns publicadores também podem fazer com que os idosos os acompanhem a estudos bíblicos — ou realizar o estudo no lar dum idoso.
14 e caixa. (a) O que podem fazer os anciãos quando um irmão ou uma irmã idosos ficam em sérios apertos financeiros? (b) Como cuidaram algumas congregações das necessidades de publicadores idosos?
14 ‘O dinheiro é proteção.’ (Eclesiastes 7:12) No entanto, muitos irmãos ou irmãs idosos estão em grandes apertos financeiros e não têm parentes para os auxiliar. Na congregação, porém, costuma haver alguns que têm prazer em ajudar, quando são alertados à necessidade. (Tiago 2:15-17) Os anciãos podem também verificar que serviços governamentais ou sociais, montepios, pensões, e assim por diante, estão disponíveis. Em alguns países, porém, é difícil conseguir tais serviços, e talvez não haja outra alternativa senão seguir o modelo apresentado em 1 Timóteo, capítulo 5, e providenciar que a congregação como um todo proveja o auxílio. (Veja Organizados Para Efetuar o Nosso Ministério, páginas 121-2.)
Os publicadores na Nigéria ajudam regularmente a um pioneiro regular, de 82 anos, e sua esposa com presentes materiais. Depois que o governo programou que a casa em que moravam seria demolida, a congregação os convidou a se mudarem para um cômodo anexo ao Salão do Reino, até que se pudessem providenciar outras acomodações.
No Brasil, uma congregação contratou uma enfermeira para cuidar dum casal idoso. Ao mesmo tempo, designou-se uma irmã para manter a casa limpa, preparar a comida deles, e cuidar de suas outras necessidades físicas. Cada mês, a congregação reserva fundos para o uso deles.
15. (a) Há limitações quanto à ajuda que a congregação pode prover? (b) Como se aplicaria bem o conselho de Lucas 11:34 a certos que ficam excessivamente exigentes?
15 Assim como no primeiro século, tais provisões se destinam aos merecedores, que realmente precisam delas. Os superintendentes não são obrigados a satisfazer pedidos extravagantes ou a atender desarrazoadas demandas de atenção. Também os idosos precisam manter o ‘olho singelo’. — Lucas 11:34.
Visando os Interesses Deles como Pessoas
16, 17. (a) Por que é importante que outros, além dos anciãos, tomem interesse nos idosos? (b) Como podem publicadores atarefados ‘comprar tempo’ para dar atenção aos idosos?
16 Há algum tempo, uma irmã idosa foi internada num hospital. O diagnóstico era desnutrição. “Se mais irmãos da congregação tivessem tomado interesse pessoal nela”, escreveu um ancião, “isso talvez não tivesse acontecido”. Sim, os anciãos não são os únicos que devem interessar-se nos idosos. Paulo disse: “Somos membros que se pertencem uns aos outros.” — Efésios 4:25.
17 Sem dúvida, alguns de vocês já estão sobrecarregados de responsabilidades pessoais. Mas, ‘não esteja visando, em interesse pessoal, apenas os seus próprios assuntos’. (Filipenses 2:4) Com a devida organização pessoal, muitas vezes você poderá ‘comprar tempo’. (Efésios 5:16) Por exemplo, poderia visitar alguém idoso depois do serviço de campo? Os dias de semana são períodos especialmente solitários para alguns. Também os adolescentes podem envolver-se em visitar os idosos e realizar tarefas para eles. Uma irmã, que fora ajudada por um jovem, orou: “Muito obrigada, Jeová, pelo jovem irmão João. Que boa pessoa ele é.”
18. (a) Por que pode às vezes ser difícil conversar com alguém idoso? (b) Como se pode tornar mutuamente edificante a visita a uma pessoa idosa ou a conversa com ela?
18 Será que você, nas reuniões, cumprimenta os mais velhos apenas superficialmente? É verdade que talvez não seja fácil de conversar com alguém que tem dificuldade de escutar ou de se expressar. E visto que a saúde também declina, nem todos os idosos têm uma disposição alegre. Não obstante, “melhor é aquele que é paciente”. (Eclesiastes 7:8) Com um pouco de esforço, pode-se conseguir “um intercâmbio de encorajamento”. (Romanos 1:12) Experimente contar uma experiência do serviço de campo. Fale sobre um ponto que você leu na Sentinela ou em Despertai!. Ou, melhor ainda, escute. (Veja Jó 32:7.) Os mais velhos têm muito a compartilhar com você, se os deixar falar. Certo ancião admitiu: Visitar aquele irmão idoso me fez um grande bem.’
19. (a) Nosso interesse nos idosos se estende a quem? (b) Quais são algumas das maneiras em que podemos ser de ajuda às famílias que cuidam de pais idosos?
19 Não deve seu interesse nos idosos também estender-se às famílias que cuidam deles? Certo casal que cuida de pais idosos relatou: “Em vez de nos encorajarem, alguns na congregação ficaram bastante críticos. Uma irmã disse: ‘Se continuarem a perder reuniões, vão ficar espiritualmente doentes!’ Mas ela não estava disposta a fazer algo para ajudar-nos a assistir a mais reuniões.” Igualmente desanimadoras são promessas vagas, tais como: Se precisar de ajuda, deixe-me saber. Estas muitas vezes significam pouco mais do que dizer: ‘Mantenha-se aquecido e bem alimentado.’ (Tiago 2:16) Quanto melhor seria transformar seu interesse em ação! Um casal relatou: “Os irmãos têm sido maravilhosos e apoiadores! Alguns cuidam de mamãe por uns dois dias por vez, para que possamos ter ocasionalmente uma folga. Outros a levam a estudos bíblicos. E ficamos realmente animados quando os outros perguntam sobre o bem-estar dela.”
20, 21. O que podem fazer os idosos para cooperar com os que cuidam deles?
20 Na maior parte, os mais velhos em nosso meio são bem cuidados. Entretanto, o que pode a própria Testemunha idosa fazer para que esse serviço seja prestado com alegria e não com suspiros? (Veja Hebreus 13:17.) Coopere com os arranjos feitos pelos anciãos para cuidar de você. Expresse agradecimentos e apreço pelos atos de bondade realizados e evite ser muito exigente ou crítico. E embora as dores e as aflições da velhice sejam bastante reais, procure demonstrar uma atitude alegre e positiva. — Provérbios 15:13.
21 ‘Os irmãos são maravilhosos. Não sei o que eu faria sem eles’, ouviu-se muitos dos mais velhos dizer. Todavia, a responsabilidade primária pelo cuidado dispensado aos idosos recai sobre os filhos deles. O que envolve isso e como se pode enfrentar melhor tal desafio?
[Nota(s) de rodapé]
a Levítico 27:1-7 refere-se ao resgate de pessoas ‘ofertadas’ (por meio dum voto) ao templo como trabalhadores. O preço de resgate variava segundo a idade. À idade de 60 anos, este preço caía muito, evidentemente porque se achava que uma pessoa desta idade não era capaz de trabalhar tão arduamente como alguém jovem. A Enciclopédia Judaica (em inglês) diz adicionalmente: “Segundo o Talmude, a velhice . . . começa aos 60.”
Lembra-se?
◻ Que providências se tomaram no primeiro século para com as viúvas idosas?
◻ Como podem os superintendentes organizar que se cuide dos mais velhos na congregação?
◻ Como podem pessoas individuais na congregação tomar interesse em irmãos e irmãs idosos?
◻ O que podem fazer os idosos para ajudar os que cuidam deles?
[Foto na página 10]
Todos podem ter parte em honrar os mais velhos na nossa congregação.
[Quadro na página 11]
Ajuda Prestada aos Idosos — O Que Alguns Fazem
Uma congregação no Brasil achou uma maneira conveniente de cuidar das necessidades físicas dum irmão que mora perto do seu Salão do Reino: O grupo de estudo de livro designado para limpar o salão limpa também o lar dele.
Outra congregação ali achou um modo simples de manter um irmão doentio ativo na Escola do Ministério Teocrático. Quando chega a vez dele de proferir um discurso, designa-se um irmão para levar consigo dois ou três publicadores a uma visita ao irmão. Abre-se a breve reunião com oração, e o irmão profere seu discurso designado. Dá-se então o necessário conselho. Quanto estímulo estas visitas provêem!
Superintendentes viajantes têm dado bons exemplos em tomar a dianteira. Numa congregação, um irmão idoso, confinado à uma cadeira de rodas, ficou bastante irritadiço, e em resultado disso era pouco visitado. Um superintendente viajante, porém, providenciou fazer para o irmão uma projeção particular do seu discurso com slides. O irmão idoso chegou a chorar em vista do que via. Diz o superintendente: “Eu me senti grandemente recompensado e feliz ao comprovar que um pouco de atenção e de amor dão resultados.”
Alguns anciãos na Nigéria fizeram uma visita de pastoreio a um irmão idoso e descobriram que ele estava gravemente doente. Foi levado imediatamente ao hospital. Verificou-se que o irmão idoso precisava de extensivos tratamentos médicos, mas não podia pagá-los. Quando se informou a congregação sobre a necessidade dele, os publicadores contribuíram bastante dinheiro para arcar com as despesas dele. Dois anciãos se revezaram em levá-lo de carro ao hospital e trazê-lo de volta, embora isso exigisse que tirassem tempo do seu trabalho. No entanto, tiveram a alegria de ver o irmão restabelecer-se da doença e ser pioneiro auxiliar até o seu falecimento quatro anos mais tarde.
Nas Filipinas, uma irmã idosa não tinha parentes. A congregação fez arranjos para cuidar dela durante os três anos da doença dela. Proveram-lhe um pequeno lugar de morada, levaram-lhe todo dia as refeições e cuidaram da sua higiene.
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Pratiquemos devoção piedosa para com os pais idososA Sentinela — 1987 | 1.° de junho
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Pratiquemos devoção piedosa para com os pais idosos
“Que [filhos e netos] aprendam primeiro a praticar a devoção piedosa na sua própria família e a estar pagando a devida compensação aos seus pais e avós, pois isto é aceitável à vista de Deus.” — 1 TIMÓTEO 5:4.
1, 2. (a) A quem responsabiliza a Bíblia pelos cuidados dispensados a pais idosos? (b) Por que seria um caso grave se o cristão negligenciasse tal dever?
QUANDO você era criança, foi nutrido e protegido pelos pais. Como adulto, procurou o conselho e o apoio deles. Mas agora ficaram velhos e precisam que alguém os sustente. O apóstolo Paulo diz: “Mas, se alguma viúva tiver filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a praticar a devoção piedosa na sua própria família e a estar pagando a devida compensação aos seus pais e avós, pois isto é aceitável à vista de Deus. Certamente, se alguém não fizer provisões para os seus próprios, e especialmente para os membros de sua família, tem repudiado a fé e é pior do que alguém sem fé.” — 1 Timóteo 5:4, 8.
2 Milhares de Testemunhas de Jeová cuidam hoje dos pais idosos. Não fazem isso apenas por “bondade” (A Bíblia Viva) ou por ‘dever’ (Novo Testamento, Edição Pastoral), mas por “devoção piedosa”, isto é, por reverência a Deus. Reconhecem que abandonar os pais em tempos de necessidade seria equivalente a ‘repudiar a fé’ cristã. — Veja Tito 1:16.
‘Leve Sua Carga’ de Responsabilidade
3. Por que pode o cuidar dos pais constituir um verdadeiro desafio?
3 Cuidar de pais idosos tornou-se um verdadeiro desafio, especialmente em países ocidentais. As famílias muitas vezes vivem espalhadas. Os preços estão fora de controle. As donas-de-casa freqüentemente têm um emprego secular. De modo que cuidar de pais idosos pode ser um enorme empreendimento, em especial quando aquele que cuida deles tampouco é jovem. “Temos agora mais de 50 anos de idade, com filhos crescidos e netos que também precisam de ajuda”, disse uma irmã que luta para cuidar de quem a trouxe ao mundo.
4, 5. (a) Com quem se pode freqüentemente repartir a responsabilidade de tal cuidado dispensado, conforme mostra a Bíblia? (b) Nos dias de Jesus, como se esquivaram alguns da responsabilidade para com os pais?
4 Paulo indicou que a responsabilidade pode ser repartida por “filhos ou netos”. (1 Timóteo 5:4) Às vezes, porém, os filhos não estão dispostos a ‘levar a sua carga’ de responsabilidade. (Veja Gálatas 6:5.) “Minha irmã mais velha simplesmente lavou as mãos da situação”, queixou-se um ancião. Mas, será que tal proceder agrada a Jeová? Lembre-se do que Jesus certa vez disse aos fariseus: “Moisés disse: ‘Honra a teu pai e a tua mãe’ . . . Mas vós dizeis: ‘Se um homem disser a seu pai ou à sua mãe: “Tudo o que eu tenho, que da minha parte te poderia ser de proveito, é corbã (isto é, uma dádiva dedicada a Deus,)”’ — não o deixais mais fazer nem uma única coisa para seu pai ou para sua mãe, e assim invalidastes a palavra de Deus pela vossa tradição.” — Marcos 7:10-13.
5 Se um judeu não quisesse ajudar seus pais indigentes, ele só precisava declarar que seus bens eram “corbã” — uma dádiva reservada para uso do templo. (Veja Levítico 27:1-24.) Evidentemente, porém, não tinha nenhuma obrigação imediata de entregar esta suposta dádiva. Assim podia reter (e sem dúvida usufruir) indefinidamente seus bens. Mas, se os seus pais precisavam de ajuda financeira, podia esquivar-se deste dever por declarar piamente que tudo o que possuía era “corbã”. Jesus condenou esta fraude.
6. O que talvez motive alguns hoje em dia a esquivar-se do seu dever para com os pais, e agrada isso a Deus?
6 O cristão que usa desculpas inválidas para se esquivar do seu dever não está com isso enganando a Deus. (Jeremias 17:9, 10) É verdade que problemas financeiros, saúde fraca ou situações similares podem limitar grandemente o que se pode fazer pelos pais. Mas alguns talvez simplesmente dêem mais valor às posses, ao tempo e à privacidade do que ao bem-estar dos pais. Quão hipócrita seria pregar a Palavra de Deus, ‘invalidando-a’, porém, pela nossa falta de ação com relação aos pais!
Cooperação da Família
7. Como pode a família cooperar em prover cuidados aos pais idosos?
7 Alguns entendidos recomendam que, quando surge uma crise que envolve pais idosos, seja convocada uma conferência em família. Talvez um membro da família tenha de assumir a maior parte da responsabilidade. Mas, por uma calma e objetiva “palestra confidencial”, a família muitas vezes pode elaborar modos de compartilhar em levar a carga. (Provérbios 15:22) Alguns que moram longe talvez possam fazer contribuições financeiras e fazer visitas periódicas. Outros talvez possam cuidar de tarefas ou prover condução. Ora, já simplesmente concordar em visitar regularmente os pais pode ser uma contribuição valiosa. Disse uma irmã de mais de 80 anos sobre as visitas de seus filhos: “É como tomar um tônico!”
8. (a) Será que membros da família, que estão no serviço de tempo integral, ficam isentos de participar em cuidar dos pais? (b) Até que ponto foram alguns dos no serviço de tempo integral para cuidar das obrigações para com os pais?
8 A família, no entanto, pode ver-se confrontada com um problema delicado, quando um membro dela está no serviço de tempo integral. Os ministros de tempo integral não se esquivam de tais obrigações, e muitos têm feito esforços extraordinários para cuidar dos pais. Um superintendente de circuito disse: “Nunca imaginamos quão física e emocionalmente estafante pode ser cuidar dos pais, especialmente quando ao mesmo tempo se procura satisfazer as demandas do serviço de tempo integral. De fato, fomos levados ao limite da nossa resistência e sentimos a necessidade de receber ‘poder além do normal’.” (2 Coríntios 4:7) Que Jeová continue a sustentar a tais.
9. Que incentivo pode ser dado àqueles que não têm outra escolha senão deixar o serviço de tempo integral para cuidar dos pais?
9 Às vezes, porém, depois de se examinar todas as outras possibilidades, um membro da família talvez não tenha outra alternativa senão deixar o serviço de tempo integral. É compreensível que ele tenha sentimentos conflitantes quanto a ter de abandonar seus privilégios de serviço. ‘Sabemos que nossa responsabilidade cristã é cuidar de minha mãe idosa e doentia’, disse um ex-missionário. ‘Mas às vezes isso parece muito estranho.’ Lembre-se, porém, de que ‘praticar a devoção piedosa em casa é aceitável à vista de Deus’. (1 Timóteo 5:4) Lembre-se também de que ‘Deus não é injusto, para se esquecer de sua obra e do amor que mostrou ao Seu nome, por ter ministrado aos santos e por continuar a ministrar’. (Hebreus 6:10) Certo casal, que por muitos anos participara no serviço de tempo integral, disse: “A maneira de encararmos isso é que é tão importante para nós agora cuidar dos nossos como era para nós estar no serviço de tempo integral.”
10. (a) Por que talvez deixassem alguns prematuramente o serviço de tempo integral? (b) Como devem as famílias encarar o serviço de tempo integral?
10 No entanto, alguns talvez tenham deixado o serviço de tempo integral prematuramente porque os parentes deles raciocinavam: ‘Vocês não estão presos a empregos e a filhos. Por que não podem vocês cuidar de papai e mamãe?’ Todavia, não é a pregação a obra mais urgente que se faz hoje em dia? (Mateus 24:14; 28:19, 20) De modo que os que estão no serviço de tempo integral fazem um trabalho vital. (1 Timóteo 4:16) Também, Jesus indicou que, em certas circunstâncias, o serviço de Deus pode ter prioridade sobre assuntos de família.
11, 12. (a) Por que aconselhou Jesus a certo homem que ‘deixasse os mortos enterrar seus mortos’? (b) Que arranjos fazem algumas famílias quando um membro dela está no serviço de tempo integral?
11 Por exemplo, quando um homem declinou o convite para ser seguidor de Jesus, dizendo: “Permite-me primeiro ir e enterrar meu pai”, Jesus respondeu: “Deixa que os [espiritualmente] mortos enterrem seus mortos, mas tu, vai e divulga o reino de Deus.” (Lucas 9:59, 60) Visto que os judeus enterravam seus mortos no dia do falecimento, era improvável que o pai daquele homem realmente estivesse morto. Mais provável era que o homem simplesmente queria ficar com o seu pai idoso até a morte deste. Entretanto, já que, pelo visto, havia outros parentes para dar-lhe este cuidado, Jesus incentivou esse homem a ‘divulgar o reino de Deus’.
12 Algumas famílias verificaram de modo similar que, quando todos os membros cooperam, muitas vezes pode-se providenciar que alguém que está no serviço de tempo integral participe em cuidar dos pais sem que deixe o serviço de tempo integral. Por exemplo, alguns ministros de tempo integral ajudam seus pais nos fins de semana ou durante as férias. É interessante notar que muitos pais idosos têm insistido em que seus filhos permaneçam no serviço de tempo integral, mesmo às custas de consideráveis sacrifícios por parte dos pais. Jeová abençoa ricamente aqueles que colocam os interesses do Reino em primeiro lugar. — Mateus 6:33.
“Sabedoria” e “Discernimento” Quando os Pais Vêm Morar com Você
13. Que problemas poderão surgir quando os pais são convidados a morar com os filhos?
13 Jesus providenciou que sua mãe enviuvada morasse com parentes crentes dela. (João 19:25-27) Muitas Testemunhas similarmente convidam seus pais a morar com elas — e em resultado disso têm muitas alegrias e bênçãos. Entretanto, modos de vida diferentes, limitação da privacidade, e a tensão de prover atenção diária freqüentemente tornam a acolhida dos pais no lar algo frustador para todos os envolvidos. “Tomar conta da mamãe tornou-me mais tensa”, disse Ana, cuja sogra sofre da doença de Alzheimer. “Às vezes até mesmo perco a paciência e falo de modo desamoroso com a mamãe — e isso me faz sentir culpada.”
14, 15. Como podem a “sabedoria” e o “discernimento” ajudar a ‘edificar’ a família em tais circunstâncias?
14 Salomão disse que “os da casa serão edificados pela sabedoria, e serão firmemente estabelecidos pelo discernimento”. (Provérbios 24:3) Por exemplo, Ana tem tentado ser mais compreensiva para com o problema de sua sogra. “Procuro lembrar-me de que ela está doente e não faz traquinices propositalmente.” Ainda assim, “todos nós tropeçamos muitas vezes. Se alguém não tropeçar em palavra, este é homem perfeito”. (Tiago 3:2) Mas, quando surgem conflitos, mostre sabedoria por não deixar que se criem ressentimentos ou se perca a calma. (Efésios 4:31, 32) Conversem sobre isso em família, e procurem modos de fazer concessões ou ajustes.
15 O discernimento também ajuda a se comunicar eficientemente. (Provérbios 20:5) Os pais talvez tenham dificuldades de se ajustar à rotina do novo lar. Ou, talvez por causa da debilitação do raciocínio, tendem a não querer cooperar. Em algumas circunstâncias, talvez não haja outra escolha senão falar com bastante firmeza. (Veja Gênesis 43:6-11.) “Se eu nunca dissesse não à minha mãe”, disse uma irmã, “ela gastaria todo o seu dinheiro”. Um ancião, porém, achou que às vezes ele se pode aproveitar da afeição que a mãe lhe tem. “Muitas vezes, quando os argumentos falham, eu simplesmente digo: ‘Mamãe, por favor, não pode apenas fazer isso por mim?’ e ela escuta então.”
16. Por que precisa o marido amoroso mostrar “discernimento” para com a esposa? Como pode fazer isso?
16 Visto que muitas vezes o fardo dos cuidados prestados recai sobre a esposa, o marido discernidor dará atenção a que ela não fique esgotada — emocional, física e espiritualmente. Provérbios 24:10 diz: “Mostraste-te desanimado no dia da aflição? Teu poder será escasso.” O que pode o marido fazer para reanimar a esposa? “Meu marido costuma vir para casa”, disse certa irmã, “cingir-me com o braço e dizer-me quanto gosta de mim. Eu não teria agüentado sem ele!” (Efésios 5:25, 28, 29) Ele pode também estudar a Bíblia com a esposa e orar regularmente com ela. Sim, mesmo nessas circunstâncias difíceis, a família pode ser ‘edificada’.
Cuidados Dispensados em Asilos
17, 18. (a) Que medidas se viram algumas famílias obrigadas a adotar? (b) Em casos assim, como podem filhos adultos ajudar os pais a se ajustarem?
17 Certo gerontologista disse: “Chega-se a um ponto em que a família não tem nem a habilidade, nem o dinheiro, para manter [os pais] em casa.” Conforme um marido o expressou: “Chegou ao ponto em que a saúde da minha esposa entrou em colapso, por tentar cuidar da mamãe 24 horas por dia. Não tivemos outra escolha senão internar mamãe num asilo para idosos. Mas o nosso coração ficou dilacerado por termos de fazer isso.”
18 Os cuidados dispensados em asilos talvez sejam os melhores disponíveis nessas circunstâncias. Todavia, os idosos colocados em tais casas muitas vezes ficam confusos e perturbados, achando que foram abandonados. “Explicamos com jeito à mamãe por que tivemos de fazer isso”, disse uma irmã, que chamaremos de Margarida. “Ela aprendeu a se ajustar e agora encara aquele lugar como seu lar.” Visitas regulares aos pais também lhes facilitam ajustar-se e mostram a genuinidade do seu amor a eles. (Veja 2 Coríntios 8:8.) Quando o problema é a distância, mantenha-se em contato com eles por telefonemas, cartas e visitas periódicas. (Veja 2 João 12.) Não obstante, viver no meio de pessoas do mundo tem suas desvantagens. Esteja ‘cônscio das necessidades espirituais deles’. (Mateus 5:3) “Fornecemos à mamãe matéria para ler e procuramos considerar com ela assuntos espirituais o mais possível”, disse Margarida.
19. (a) Que cuidado se precisa ter na escolha dum asilo para idosos e na verificação do cuidado dispensado a eles? (b) Que benefícios deriva o cristão que faz o máximo para cuidar dos pais?
19 O jornal The Wall Street Journal publicou um estudo feito em 406 asilos nos Estados Unidos, no qual “se achou que uma quinta parte deles eram potencialmente perigosos e quase metade deles satisfaziam apenas as normas mínimas”. Lamentável como é, essas notícias são confrangedoramente comuns. Portanto, se houver necessidade de recorrer a um asilo, tenha cuidado na escolha dele. Faça uma visita pessoal para ver se é limpo, bem mantido, com pessoal habilitado, com ambiente familiar e com refeições adequadas. Verifique o mais de perto possível os cuidados que se dispensam aos seus pais. Seja defensor deles, ajudando-os a evitar situações embaraçosas que possam surgir, talvez relacionadas com feriados mundanos ou com a recreação. Por fazer o máximo para prover aos pais o melhor cuidado possível nas circunstâncias, poderá ficar livre do sentimento de culpa que de outro modo poderia perturbá-lo. — Veja 2 Coríntios 1:12.
Dadores Animados, Beneficiados Animados
20. Por que é importante que os filhos sejam dadores animados?
20 “Foi difícil”, disse uma cristã a respeito dos cuidados dispensados aos pais. “Tive de cozinhar para eles, limpar, lidar com seus acessos de choro, trocar os lençóis sempre que tinham incontinência.” “Mas tudo o que fizemos por eles”, disse o marido, “fizemos com animação — alegres. Tentamos arduamente nunca deixá-los achar que nos ressentíamos de ter de cuidar deles”. (2 Coríntios 9:7) Os mais velhos muitas vezes relutam em aceitar ajuda, e não querem ser um fardo para os outros. Portanto, a atitude que você demonstra pode ser decisiva neste respeito.
21. (a) Como podem os pais ser os beneficiados animados? (b) Por que é sábio que os pais planejem de antemão para a sua velhice?
21 Ao mesmo tempo, a atitude dos pais também é importante. Certa irmã se lembra: “Não importava o que eu fizesse para mamãe, nunca era o bastante.” Portanto, pais, evitem ser desarrazoados ou muito exigentes. Afinal, a Bíblia diz que “os filhos é que não deviam acumular para os seus pais, mas os pais para os seus filhos”. (2 Coríntios 12:14) Alguns pais desperdiçam seus recursos e se tornam um fardo desnecessário para os filhos. No entanto, Provérbios 13:22 diz: “Quem é bom deixará uma herança para os filhos dos filhos.” Até onde for possível, os pais podem assim planejar com antecedência para a sua velhice, reservando recursos e fazendo alguns arranjos para sua própria assistência. — Provérbios 21:5.
22. Como se deve encarar os esforços despendidos para cuidar de pais idosos?
22 Paulo expressou isso bem quando disse que cuidar dos pais importa numa “devida compensação”. (1 Timóteo 5:4) Conforme disse um irmão: “Mamãe cuidou de mim por 20 anos. O que fiz eu em comparação com isso?” Que todos os cristãos que têm pais idosos se sintam similarmente induzidos a ‘praticar a devoção piedosa em casa’, sabendo que serão ricamente recompensados por Deus, que promete aos que honram os pais: ‘Perdurarão por longo tempo na terra.’ — Efésios 6:3.
Pontos a Lembrar
◻ Nos dias de Jesus, como procuravam alguns esquivar-se da responsabilidade para com os seus pais?
◻ Quem deve cuidar dos pais idosos, e por quê?
◻ Que problemas pode ter a família quando os pais passam a morar com ela, e como podem ser resolvidos?
◻ Por que poderá tornar-se necessário a internação num asilo, e como podem os pais ser ajudados a se ajustar a isso?
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