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Como tornar recompensadora a aposentadoriaDespertai! — 1976 | 22 de março
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Como tornar recompensadora a aposentadoria
APOSENTAR-SE! Só pensar nisso já agrada a muitas pessoas trabalhadoras. Gostam de pensar nisso como tempo de liberdade da labuta e liberdade de responsabilidades, tempo para se fazer o que quiser; tempo para recreação e “diversão”. E tem provado ser exatamente isso para um número nada pequeno, como extensivas enquêtes feitas por duas grandes universidades têm mostrado.
Por um lado, num número bem grande de casos, parece que a aposentadoria revelou ser tudo, menos bênção. Segundo pesquisadores, “Os ‘Anos Áureos’, destacados na publicidade estadunidense, são mui amiúde anos de apatia, depressão e desespero.” Outra notícia fala de como a aposentadoria amiúde leva a dores de cabeça, depressão, aflições estomacais, dormir demais, irritabilidade, perda de interesse e ingestão de mais bebidas alcoólicas.
Um dos diretores da Associação Estadunidense de Pessoas Aposentadas afirma que “uma porção de [aposentados] são amargurados. Pensam: A firma não me queria e me mandaram embora.’” Concordando mais ou menos com eles, o Dr. F. H. Cookinham, que com 91 anos é o mais idoso médico em exercício na Califórnia, e que, depois de 58 anos de exercer a medicina ainda faz visitas domiciliares, diz: “Há muitos homens que, ao aposentar-se aos 65 anos, acham-se em sua melhor forma. A aposentadoria é um crime contra 50 por cento deles.” Um casal de pesquisa, que fez uma excursão global investigando o quinhão dos aposentados em países europeus (inclusive a Rússia), a China, o Japão, bem como nos Estados Unidos, chegou à conclusão que “o problema do longevo isolado acha-se presente, com efeito, na maioria das nações desenvolvidas do mundo, seja qual for seu sistema de governo.”
Depois que o homem atinge 65 anos, pode esperar viver, em média, cerca de treze anos mais; a mulher pode esperar viver dezessete anos mais. Naturalmente, para os 25 por cento (nos EUA) que continuam a trabalhar, a aposentadoria não representa nenhum problema imediato, mas bem pode representar para o resto. A aposentadoria assinala grande mudança na vida duma pessoa e, por conseguinte, deve-se planejar e preparar-se para ela, assim como a pessoa planejou e preparou-se para o casamento e para a sua carreira na vida. Afirma certa autoridade sobre o assunto: “Deve condicionar-se [para ela] emocional, financeira, e até mesmo fisicamente . . . Se bom trabalho de pré-planejamento fosse feito antes da aposentadoria, uma porção desses problemas seriam lançados pela janela.” Certa instituição financeira famosa, o Banco Real do Canadá, recomenda que comece a aprender sobre a aposentadoria quando tiver 40 anos. A nova Encyclopœdia of Occupational Health and Safety (Enciclopédia de Saúde e Segurança Ocupacionais), lançada pela Organização Internacional de Trabalho, declara que deve começar a planejar a aposentadoria com pelo menos cinco anos de antecedência. E uma publicação trabalhista australiana recomenda que para uma velhice feliz, deve começar a se preparar enquanto ainda é adolescente, por adotar uma dieta equilibrada.
Planejamento Financeiro
Planejar a aposentadoria envolve numerosos fatores. Para começar, há a questão da renda. Atualmente, a maioria das pessoas que vivem nos países desenvolvidos pode esperar receber alguma forma de “Previdência Social”. Isto talvez baste para se viver, embora talvez equivalha a apenas metade do que tem ganho. Pode esperar receber uma pensão? Isso ajudará. Planejar de antemão também poderá significar ter economias num banco, investir num seguro e em ações ou títulos, ou em imóveis. Todas essas ajudas se harmonizam com a injunção bíblica de se considerar a formiga, que faz provisões no verão e na colheita para o inverno à frente. — Pro. 6:6-8.
Planejar e preparar-se para a aposentadoria também significa condicionar-se a viver em circunstâncias mais modestas. Preparar-se para gastar menos com comida, roupas, abrigo e recreação. Faça um balanço e determine o que e mais importante e o que é menos importante para você. Também nesse caso, o velho ditado se aplica: “Nunca é isto E aquilo, mas é isto OU aquilo.” Caso verifique que precisará de renda adicional, explore as possibilidades. Há muitas, seu tipo sendo determinado por suas capacidades, sua engenhosidade e onde é que mora: Poderá iniciar pequeno negócio, tal como cultivar ervas ou cogumelos, ou poderá iniciar modesto serviço de limpeza, assim como outros fizeram.
Possui um passatempo que, ao se aposentar, possa ser transformado em negócio lucrativo, Por exemplo, havia o engenheiro de ferrovias que costumava fabricar violinos como passatempo — tendo vindo duma família de fabricantes de violinos. Agora, como aposentado, fabrica violinos por tempo integral, para alegria de seu coração. Uma senhora aposentada faz bonecas de retalhos e as vende; um casal de longevos fabrica modelos de madeira de carruagens dos velhos tempos e os vende. Caso fosse um lavrador estadunidense, poderia levar em conta projetos do “Dedão Verde”, como milhares de outros lavradores aposentados têm feito. Três dias por semana, plantam grama e árvores, limpam lagos e lagoinhas e constroem mesas de piqueniques e churrasqueiras, pelo que recebem cerca de US$ 40 por semana.
Na verdade, muitos são os meios abertos para solucionar o problema de rendimentos ao se aposentar, se tão-somente planejar e se preparar realisticamente para isso.
Planejar Onde Fixar-se
O planejamento da aposentadoria também inclui a questão do local onde deseja morar ao aposentar-se. Nos EUA, muitos aposentados se mudam para estados que têm clima favorável, tais como a Flórida, a Califórnia, ou o Arizona. Dessa forma, não só fogem dos rigores do inverno, que trazem grandes desconfortos para os idosos, mas, mui provavelmente, também economizam em combustível e em roupas.
Várias pessoas se mudam para países latino-americanos quando se aposentam. Desta forma, podem usufruir não só um clima tropical brando, mas também a vantagem econômica que tais países famintos por dólares oferecem aos aposentados, em forma de isenção de impostos. As testemunhas de Jeová que tiraram proveito de tais ofertas de aposentadoria, gozam da oportunidade adicional de levar as ‘boas novas do reino de Deus’ a tais países em que a necessidade talvez seja maior do que ‘lá em casa’.
Para poupar trabalho e despesas, talvez seja também aconselhável mudar-se para uma casa ou apartamento menor. Mas, há algo a ser dito contrário a se mudar para um conjunto habitacional somente de aposentados. Pelo menos é isso que descobriram certos planejadores sociais europeus. A pessoa também faria bem em considerar as vantagens e desvantagens relativas de se morar na cidade, nos subúrbios ou no interior. Entre outros fatores a considerar, há os de transportes ou da proximidade dos amigos e parentes, do local de adoração da pessoa e dos centros de compras.
Cuidar-se Bem, Embora Aposentado
Uma vez se aposente, sua saúde é de primária importância. Quem deseja morrer? A boa saúde não só faz que queira viver, como também o habilita a viver ao máximo possível. Suas duas preocupações principais no que tange à saúde física são a dieta e o exercício, a atividade. A medida que envelhece, precisará de menos comida e isso se dá, em especial se, com toda probabilidade, levar uma vida menos ativa. Mas, se dispuser de tempo e não tiver interesses, talvez coma mais, ao invés de menos, e assim se precipite para a cova.
No entanto, se morar sozinho, seu problema poderá ser o contrário. Tem-se dito que para o homem apreciar suas refeições, tem de ter alguém que cozinhe para ele, e para que a mulher aprecie comer, ela tem de ter alguém para quem cozinhe. Se mora sozinho, talvez não esteja ingerindo alimento nutridor suficiente. Certifique-se de ingerir bastantes proteínas e também vitaminas e sais minerais. Poderá obter suficiente destes em frutas e legumes, mas, novamente nesse caso, poderá verificar que lhe é proveitoso ingerir suplementos deles.
Tão importante quanto a dieta correta, se não o for ainda mais, e fazer suficientes exercícios. Assim, o presidente do Comitê de Envelhecimento da Associação Médica Estadunidense declarou certa vez: “A ociosidade pode matar. . . . Quando se aposenta, pára e vai para casa. É então que começam os problemas.” A conclusão a que chegou o Dr. R. M. Hamblin, cientista pesquisador que dirigiu um estudo sobre o assunto para a Administração de Veteranos dos EUA é que aqueles que se mantêm ativos após os 65 anos vivem mais. Alguém que expressou sentimentos similares foi o falecido Dr. J. F. Montague, proeminente autoridade em distúrbios intestinais e estomacais. Continuou ativo até que morreu, tendo bem mais de setenta anos. Sustentava que o homem robusto e saudável não devia “jamais aposentar-se”. Antes, disse, “o homem pode retirar-se para atividades que sejam menos árduas e mais agradáveis para ele, mas não acho que um homem deva jamais aposentar-se”. Neste respeito, tem-se observado que Deus não disse nada a Adão no jardim do Éden sobre aposentar-se. Ele deveria continuar trabalhando “até que voltes ao solo”. — Gên. 2:15; 3:17-19.
Simplesmente tem de empenhar-se em alguma atividade física, se há de permanecer saudável depois de aposentar-se. Pode ser em forma de algum tipo de exercício, tal como nadar, caminhar, dar tacadas em pequena bola num campo de golfe. Seria ideal, naturalmente, se se exercitasse como subproduto de fazer algo mais útil e significativo. Que tal atividade poderia ser ainda mais eficaz em evitar ataques cardíacos do que cuidar da dieta é a opinião expressa pelo Dr. Walter C. Alvarez, famoso autor médico. Afirma ele: “Talvez andar uma milha [1.600 metros] por dia ajudaria [a um homem] mais do que ficar faminto. . . . a pior coisa que uma pessoa que já passou da meia-idade pode fazer é não exercitar-se o bastante. Talvez nosso inimigo não seja tanto a glutonaria como a indolência.”
Manter-se Jovem em Espírito
O bem-estar físico, contudo, é apenas um lado da moeda. O outro lado é o bem-estar mental e emocional, manter-se jovem em espírito. Isso exige que tenha interesses; que continue sendo curioso, querendo aprender e se interessando pelas coisas, desejando fazê-las. Que tais qualidades podem estender-se à velhice foi demonstrado por um artigo publicado no Times de Nova Iorque, de 23 de janeiro de 1974, intitulado: “Velhice: Um Caso de Espírito, não de Cronologia.” calava de cinco mulheres de Nova Iorque, todas com mais de 75 anos, que levavam vidas ocupadas, ricas e plenas. Uma viaja, entretendo clubes femininos, faculdades e grupos de igrejas por lhes contar histórias; outra recebe convidados seis ou sete noites por semana e aprende espanhol; outra faz serviços voluntários junto a jovens dois dias por semana e não se importa de andar quase 5 quilômetros para fazer isso; e assim por diante. Como uma delas se expressou: “Estou interessada demais nas coisas que faço para ter tempo de envelhecer.”
Sim, os interessados em aprimorar o quinhão dos aposentados sublinham a manutenção do interesse e a curiosidade pelas coisas. Relatam que muitos aposentados que se queixam de enfado amiúde são preguiçosos demais para fazer algo que torne a vida interessante para si mesmos e de proveito para outros. Assim, alguns que se queixaram de enfado eram preguiçosos demais para visitar o centro para os cidadãos mais idosos, muito embora significasse apenas uma curta caminhada até lá. E, quando lhes foram oferecidas coisas recompensadoras, e não cansativas demais para fazer, afirmaram estar ocupados demais — ocupados com o quê? Com nada, exceto com a vadiagem!
A realidade é que não se pode gastar todo seu tempo em recreação assim como não se pode gastar todo o seu tempo comendo, ou descansando e dormindo. Estes são apenas meios de se atingir um fim. É por isso que certo professor de medicina jubilado objeta à própria palavra “aposentadoria”, que significa afastamento e retiro, e sugere não fazer nada. Em seu lugar, preferiria a expressão “Os Anos Eletivos” no sentido de que então a pessoa está livre para eleger ou escolher o que gostaria de fazer, bem como quando e quanto fazê-lo.
Amor a Deus e ao Próximo
Aqueles cuja profissão é ajudar a tornar os aposentados mais felizes e contentes dizem que os mais infelizes aposentados são os que levam vidas extremamente egoístas, egocêntricas; aqueles cujas principais preocupações são de ordem materialista. Agora — não podendo mais perseguir seus alvos gananciosos — têm de aprender a pensar nos outros, se é que hão de ser felizes e contentes. Tem-se dito que as palavras mais importantes para o aposentado são “Mantenha-se ocupado.” Mas, deve ocupar-se com algo recompensador, pois o Criador nos deu um senso moral, uma consciência, a habilidade de raciocinar e fazer decisões corretas. O médico que, com 91 anos, ainda continua a fazer visitas domiciliares, ilustra esse ponto. Certamente não tem necessidades financeiras, mas seu coração e sua mente exigem que continue a servir os outros. Confirmando isto, o Dr. Hamblin declarou que os aposentados continuam vivendo enquanto sentirem que são necessários.
Sublinhando o mesmo ponto, há Henry Legler, que certa vez trabalhou em relações públicas. Em seu livro How to Make the Rest of Your Life the Best of Your Life (Como Fazer do Restante de Sua Vida a Melhor Parte de Sua Vida), afirma: “O aposentado que abre a mente e o coração para alguma forma de serviço de igreja ou de comunidade pode derivar satisfações muito mais duradouras do que os triunfos duma carreira comercial.” Incidentalmente, ele fala por experiência própria.
E que ‘o homem não vive só de pão’, mas possui necessidades espirituais também, foi observado pelo Grande Instrutor, Jesus. (Luc. 4:4) Assim, diz-se-nos que “a Conferência Sobre Envelhecimento na Casa Branca sugeriu que as igrejas — que talvez façam mais pelos longevos do que qualquer outra organização — não fazem o bastante . . . As igrejas, sugeriu o relatório, cuidam melhor das necessidades sociais dos idosos do que de suas necessidades espirituais. Fornecem discursos, filmes, excursões de ônibus e ceias nas igrejas, mas fazem muito pouco na questão de ‘nutrirem a vida espiritual de nossa população mais idosa’”. — Press, de Cleveland, 5 de janeiro de 1974.
Mas, há um grupo religioso que não comete este erro, a saber, as testemunhas cristãs de Jeová. Destacam o lado espiritual da vida: o estudo bíblico pessoal, o comparecimento a reuniões cristãs, servir a Deus e ao homem. Longe de se sentirem entediados, os aposentados que são Testemunhas sentem-se felizes, atarefados e produtivos. Na sede da Sociedade Torre de Vigia (EUA) há cerca de 40 membros que têm mais de sessenta e cinco anos, treze deles tendo mais de oitenta anos. Estes continuam a trabalhar várias horas por dia e sentem-se felizes em fazer isso, pois suas necessidades espirituais são bem cuidadas. Similarmente, cerca de 5 por cento dos 20.000 ministros pioneiros de tempo integral, nos Estados Unidos, têm mais de 65 anos. Uma delas, que morreu em 1973, manteve-se ocupada até atingir os 99 anos!
Sim, poderá fazer do “restante de sua vida a melhor parte de sua vida”. Mas, isso exige preparação e planejamento, a avaliação de fatores práticos tais como renda, o local onde fixar-se e o bem-estar físico. E, acima de tudo, exige prestar serviço altruísta a Deus e ao próximo.
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A vida no mundo tridimensional dos oceanosDespertai! — 1976 | 22 de março
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A vida no mundo tridimensional dos oceanos
O OCEANO é verdadeiro reservatório de vida. Não só a sua superfície ocupa mais de 70 por cento da área terrestre, mas sua tremenda profundeza, tendo em média bem mais de três quilômetros, o torna um mundo tridimensional de enorme capacidade, tendo muitos níveis por todo o seu domínio.
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