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Perguntas que o perturbam — o que deverá fazer?A Sentinela — 1973 | 15 de fevereiro
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Perguntas que o perturbam — o que deverá fazer?
OS CRISTÃOS reconhecem que Jeová Deus e Jesus Cristo são seus Instrutores. Sabem que, assim como ele fez com o antigo Israel, Deus guia seu povo de modo progressivo, segundo o princípio declarado em Provérbios 4:18: “A vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido.”
Ao passo que se percorre esta vereda, o alicerce são as verdades básicas, entre as quais estão a soberania de Jeová, seu reino messiânico, o sacrifício resgatador de Jesus Cristo, a terra transformada num paraíso, e a vida eterna para todos os fiéis e obedientes. A luz cada vez mais clara do entendimento brilha constantemente sobre estas grandes verdades, esclarecendo diversas facetas relacionadas. Isto inclui colocar em foco mais nítido o entendimento e a aplicação de certos textos bíblicos e os ajustes no procedimento e na estrutura de organização da congregação cristã. Tudo isso aumenta a alegria do povo de Deus e o ajuda a levar a sua vida e a fazer a sua obra de pregação e de ensino das boas novas com maior liberdade de movimento e maior espiritualidade.
Às vezes podem surgir na mente de alguns certas dúvidas quanto ao que se disse. Alguma declaração nas publicações da Torre de Vigia talvez não seja bem entendida ou plenamente compreendida. Para alguns, talvez pareça contradizer o que já se disse antes.
Quando surgirem tais dúvidas na sua mente, o que poderá fazer? Em primeiro lugar, certifique-se de que não entendeu mal o que se disse ou de que não leu algo que não estava escrito. Daí, medite um pouco sobre o assunto.
APLICAÇÃO “NO CONTEXTO” E “AMPLIADA”
Um texto bíblico pode ser citado ou mencionado e aplicado dum modo que pareça contradizer uma aplicação feita anteriormente. Em alguns casos, isto talvez se deva à maior luz de entendimento, corrigindo-se um conceito anterior. Em outros casos, talvez lhe ajude considerar se a aplicação é feita “no contexto”, quer dizer, se o texto está sendo considerado à luz do contexto e do cenário. Ou talvez se trate duma aplicação “ampliada”, quer dizer, o princípio do texto talvez seja aplicado a outra circunstância.
O exemplo dum texto cujo princípio é amiúde aplicado vigorosamente é o de Hebreus 12:9, que reza: “Costumávamos ter pais, que eram da nossa carne, para nos disciplinar, e nós os respeitávamos. Não nos sujeitaremos muito mais ao Pai de nossa vida espiritual para vivermos?”
O escritor trata aqui da “vida espiritual” dos irmãos de Jesus Cristo, gerados pelo espírito, que têm esperança celestial. (Heb. 12:22-24, 28) Mas o princípio apresentado neste texto pode ser também aplicado às “outras ovelhas”, que são filhos prospectivos de Deus, com a esperança de ter vida eterna na terra. (João 10:16; Rom. 8:21) Estes, também, têm uma “vida espiritual”, visto que vivem segundo a orientação da Palavra e do espírito de Deus, ao lado dos gerados pelo espírito. Não levam uma ‘vida carnal’, vida dedicada às “obras da carne”. — Rom. 7:5; 8:5-8; Gál. 5:19-21; veja 1 Coríntios 2:14.
Como ilustração adicional deste princípio, considere o texto de 2 Timóteo 4:2: “Prega a palavra, ocupa-te nisso urgentemente, em época favorável, em época dificultosa.” A Sentinela de 1.º de maio de 1972, nas páginas 285-287, explicou que Paulo estava instruindo Timóteo, como superintendente na congregação, quanto ao seu ensino na congregação de Éfeso, confrontada com “época dificultosa”, havendo alguns que procuravam subverter a fé dos outros por ensinar doutrinas falsas, empenhar-se em falatórios vãos, e assim por diante. Timóteo devia apegar-se à Palavra de Deus, não a alguma filosofia ou idéia própria. — 2 Tim. 2:14-26; 3:1-17; 4:1-5.
No entanto, na Sentinela de 1.º de setembro de 1972, na página 520, o texto de 2 Timóteo 4:2 é citado em apoio da pregação das boas novas às pessoas do mundo, apesar de perseguição. Por que esta diferença?
A primeira aplicação é feita no contexto e expressa o impacto do que Paulo estava realmente dizendo a Timóteo. A segunda aplicação é dada à base do princípio de que a aplicação que fazemos dentro da congregação também fazemos aos de fora. Se nos apegamos à Palavra de Deus dentro da congregação e o fazemos até mesmo quando surgem situações desfavoráveis, apegamo-nos também à Palavra de Deus na pregação aos de fora, e cuidamos de que as pessoas de fora recebam a oportunidade de ouvir, quer encontremos dificuldades, quer não. — 1 Tes. 1:6.
Entretanto, não devemos ser indiscriminados e descuidados na aplicação de textos bíblicos, mas devemos lembrar-nos, antes, de que a aplicação no contexto é primária e básica. Quando é possível usar o texto numa aplicação secundária e mais ampla em princípio, ele pode dar vigor à nossa apresentação para salientarmos aos nossos ouvintes o sentido básico no contexto e esclarecermos que usamos o texto na sua aplicação secundária, aplicando-o apenas em princípio.
PROFECIAS COM MAIS DE UM CUMPRIMENTO
Uma profecia também pode ter mais de um cumprimento. Em todos os casos, a profecia proferida nos tempos antigos tinha significado para as pessoas que a ouviram; serviu tanto para a orientação deles, como para a nossa. Na maioria das vezes, teve algum cumprimento naquele tempo, em muitos casos cumprindo-se durante a vida daquela mesma geração. Freqüentemente, houve um segundo cumprimento durante o tempo em que Cristo estava na terra ou na história da primitiva congregação cristã. Daí, em grande número de casos, há um cumprimento maior, de modo espiritual ou literal, em nosso tempo ou no futuro.
Por conseguinte, ao se aplicar uma passagem que tem significado profético, convém reconhecer estes fatos. Por exemplo, Davi disse no Salmo 37:10: “Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá; e estarás certamente atento ao seu lugar, e ele não existirá.” Em benefício de quem se escreveu isso? Tem aplicação apenas neste “tempo do fim”, quando a iniqüidade será destruída para sempre? Isto se daria então uns três mil anos depois de se escrever o salmo e de ele ser lido para o povo de Israel. Não significavam estas palavras nada para os que as liam, exceto de serem uma promessa para o futuro distante?
Não. Estas palavras a respeito do iníquo continham significado e uma mensagem para o povo daquele tempo. De fato, tiveram cumprimento no próprio tempo de Davi. Era da observação e da experiência de Davi que os iníquos, embora parecessem florescer por um tempo, não duravam muito tempo. (Sal. 37 Vers. 35, 36) Por este motivo ele aconselhou, nos Sal. 37 versículos um e dois, não se acalorar por causa dos malfeitores. Portanto, ele declarou um princípio da vida. No tempo de Davi, a “terra”, quer dizer, a parte da terra designada por Deus a Israel, foi submetida por Davi a um domínio pacífico, e durante o reinado de seu filho Salomão, o povo tinha paz dos inimigos iníquos. — Sal. 37:11; 1 Reis 4:20, 25.
Esta verdade profética ou princípio encontra também um cumprimento maior nestes “últimos dias” do sistema iníquo de coisas, com a perspectiva de uma purificação muito mais extensiva da terra, porque Deus expressou seu propósito de eliminar para sempre toda a iniqüidade da terra inteira por meio do reinado de Cristo. — Rev. 11:18; 19:19-21.
Outra profecia, a de Isaías 65:17, a respeito de Deus criar “novos céus e uma nova terra”, não foi proclamada por Isaías aos judeus apenas para a ouvirem como algo a se cumprir uns 2.700 anos no futuro. Antes, teve um primeiro cumprimento cerca de 200 anos depois de ser registrada, quando os israelitas exilados foram restabelecidos em Jerusalém. O novo corpo governante provido por Jeová, tendo a Zorobabel por governador e a Josué como sumo sacerdote, constituiu os “novos céus”, e a terra de Jeová foi repovoada por um povo organizado, constituindo a “nova terra”. Nesta restauração, não mais vinha um inimigo igual a Nabucodonosor para matar bebês e crianças, e os homens viviam a duração normal da vida. Construíam casas e plantavam vinhedos em segurança, sem temer que o inimigo viesse novamente e desolasse a sua terra, assim como os babilônios haviam feito em 607 A. E. C. (Isa. 65:20-22) Era um cumprimento significativo para os israelitas lá naquele tempo. Podiam agir com fé na profecia de Isaías, para o seu próprio bem.
Deus amava seu povo lá naquele tempo e lembrava-se dele no seu estado cativo em Babilônia. Agiu para recuperá-lo do cativeiro e abençoá-lo na sua própria terra. O apóstolo Paulo disse que aquilo que lhes aconteceu era representativo de coisas maiores. (1 Cor. 10:11) Por conseguinte, sabemos que Deus, no grande amor que tem à congregação cristã, o ‘Israel espiritual’, a libertará de seus inimigos. No primeiro século, ele libertou um restante de judeus fiéis, introduzindo-os na congregação cristã estabelecida em Pentecostes. (João 8:31-36; Atos 2:41, 47) Do mesmo modo, nestes “últimos dias”, Deus tem mostrado o mesmo amor por recuperar o Israel espiritual do cativeiro em Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. Restaurou-lhes progressivamente as verdades e as práticas da primitiva congregação cristã e deu-lhes prosperidade ao libertarem outros da servidão religiosa. De modo que tem havido um cumprimento tríplice da profecia bíblica a respeito da libertação do povo de Jeová de Babilônia.
O apóstolo Pedro confirma esta compreensão, de que há mais de um cumprimento, ao fazer uma aplicação futura da profecia de Isaías 65:17, relacionada com a regência de Cristo. Escrevendo ao Israel espiritual dos seus dias, Pedro disse: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” (2 Ped. 3:13) Também o livro de Revelação, escrito ao Israel espiritual por volta de 96 E. C., prevê “um novo céu e uma nova terra” para o benefício, a segurança e a bênção da humanidade na nova ordem de Deus sob a regência do Reino de Cristo. — Rev. 21:1-4.
Por conseguinte, quando temos dificuldades em entender a explicação duma profecia, assim como dada nas publicações da Torre de Vigia, a coisa a fazer é pensar mais no assunto. Examine a possibilidade de mais de um cumprimento. Amiúde, nossa fé é muito fortalecida ao lermos a respeito de Deus cumprir uma profecia para com seu povo lá naquele tempo. Temos assim uma garantia ainda mais forte de que ele pode executar e executará o cumprimento maior para com seu povo hoje em dia.
Novamente, quando se pergunta sobre a aplicação dum texto bíblico, considere este texto no contexto, e pergunte-se também: ‘É o uso aqui apenas a aplicação de seu princípio, ampliada além do uso do texto no próprio contexto?’
Mas, que dizer das mudanças de ponto de vista que podem surgir ocasionalmente? Este ponto será considerado no artigo que segue.
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Deus reajusta o modo de pensar de seu povoA Sentinela — 1973 | 15 de fevereiro
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Deus reajusta o modo de pensar de seu povo
JEOVÁ é infalível, e ele é o Grande Instrutor e Líder dos de seu povo. (Sal. 143:10) Estes são falíveis, e em nenhuma ocasião compreendem todas as coisas. Deus os guia progressivamente, para que a verdade se torne cada vez mais luminosa, e eles reflitam mais plenamente a glória de Deus e sejam transformados mais e mais à sua imagem. (2 Cor. 3:18) Chegam a conhecê-lo de modo mais íntimo. Suprem-se as suas necessidades mais plenamente, provendo-se tudo para o seu bem-estar espiritual. (Fil. 4:19) Tal progresso envolve mudanças, reajustes no seu modo de pensar.
Alguns, porém, objetam às mudanças de ponto de vista, mudanças na compreensão de certos textos ou de certo proceder. Por exemplo, desde a década de 1940, as testemunhas de Jeová têm recusado dar ou aceitar transfusões de sangue, ao passo que antes disso não adotavam tal atitude. Desde 1962, compreendem que as “autoridades superiores” de Romanos 13:1 são os governantes dos governos mundiais, ao passo que até aquele tempo, desde 1929, tinham um ponto de vista diferente. Poderiam citar-se outros exemplos. Mostra isso que as testemunhas de Jeová não têm a verdade? Lança isso dúvida sobre os princípios básicos de seus ensinos?
De modo algum. As testemunhas de Jeová não afirmam ser infalíveis. Estão sendo ensinadas por Deus. (Isa. 54:13) Nunca saberão todas as coisas, mas continuarão a aprender da sabedoria inesgotável de Deus, ao andarem na Sua verdade.
O EXEMPLO DA PRIMITIVA CONGREGAÇÃO
Quando Jesus estava na terra, ele disse aos seus discípulos: “Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não sois atualmente capazes de suportá-las.” (João 16:12) Se lhes tivesse dito todas estas coisas de uma só vez, teriam ficado acabrunhados. Teria sido impossível compreenderem estas coisas e as porem em vigor na sua vida. Por isso os ensinava progressivamente.
Recapitule a história da primitiva congregação, conforme registrada nos Atos dos Apóstolos. Quando Jesus estava com eles pouco antes de sua ascensão ao céu, pensavam que seria naquele tempo que ele estabelecesse um reino na terra, para a nação carnal de Israel. (Atos 1:6) Mas, a partir de Pentecostes (de 33 E. C.), aprenderam algo diferente. (Atos 2:32-36; 3:19-21; 1 Ped. 3:18) Algum tempo depois disso, Deus deu-lhes a entender outro aspecto do seu “segredo sagrado”, a saber, que introduziria gentios na congregação cristã. (Atos 10:34-48; Rom., cap. 11; Col. 1:25-27) Mais tarde ainda, surgiu a disputa sobre a circuncisão dos gentios, que foi resolvida pelo corpo governante. Ocorreu ali um reajuste do modo de pensar, ao examinarem as Escrituras à luz dos desenvolvimentos recentes. (Atos, cap. 15) Também os apóstolos esclareceram muitas coisas nas suas cartas, tais como a segunda presença e a ressurreição de Cristo (1 Cor., cap. 15; 1 Tes. 4:13-17), bem como assuntos referentes à organização da congregação (as cartas a Timóteo e a Tito).
Enfraqueceu este novo entendimento e reajuste a situação da congregação como “coluna e amparo da verdade”? Não, antes, fortaleceu-a como sendo guiada e usada por Jeová Deus e Jesus Cristo. A prova disso vê-se na bênção de Jeová. Quando o esclarecimento da questão da circuncisão foi transmitido às congregações espalhadas, “portanto, as congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia”. — 1 Tim. 3:15; Atos 16:4, 5.
AJUSTES ATUAIS NO ENTENDIMENTO
Assim como agiu o corpo governante da primitiva congregação cristã, que foi guiada progressivamente por Jeová, tratando dos assuntos assim como Jeová permitiu que houvesse desenvolvimentos e pesquisando as Escrituras para dirigir a congregação segundo a liderança de Jeová, assim faz o corpo governante da congregação hoje em dia. Por exemplo, a questão sobre o sangue começou a surgir especialmente depois de 1937, quando se estabeleceu o primeiro banco de sangue em Chicago, Illinois, E. U. A. As testemunhas cristãs de Jeová, que adoeciam, viam-se confrontadas com a pergunta: Devo aceitar esta forma de terapia? Está ela em harmonia com a Palavra de Deus? Fez-se um exame das Escrituras, com oração, revelando a vontade de Deus neste assunto.
Do mesmo modo, quanto ao texto em Romanos 13:1, obteve-se um entendimento correto pelo estudo cuidadoso e crítico do texto circundante e de textos relacionados, pertinentes. Viu-se que o apóstolo Paulo, em Romanos, capítulo 12, tratou primeiro de questões dentro da congregação, daí, no Rom. 12 versículo 17, começou a voltar a sua atenção para os de fora. Daí em diante, Paulo leva a uma consideração das autoridades superiores, e, até o Rom. 13 versículo 7, no capítulo 13, ele fala claramente sobre as autoridades nos governos deste mundo. Este entendimento não produziu uma mudança na atitude das testemunhas de Jeová no que se refere à sua relação com Deus ou à sua atitude para com os governantes. Não, pois continuam a seguir o princípio declarado por Jesus Cristo: “Portanto, pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” (Mat. 22:21) Mas resultou num conceito reajustado quanto ao significado de Romanos 13:1.
ANTIGOS EVENTOS ‘DRAMÁTICOS’
Outra coisa que tem suscitado perguntas é o uso que as testemunhas de Jeová fazem de tipos paralelos ou proféticos, aplicando-os a circunstâncias e a grupos ou classes de pessoas hoje em dia. Muitos dos que lêem a Bíblia consideram suas narrativas como simples história, mas quando começam a estudar com as testemunhas de Jeová, ocorre um reajuste de ponto de vista, ao verem que está mais envolvido nas narrativas do que a história. Por exemplo, os israelitas reunidos nas Planícies de Moabe pouco antes de entrarem na Terra da Promessa passaram a fornicar com as mulheres de Moabe na sua adoração de Baal de Peor. Isto causou a morte, às mãos de Jeová, de 24.000 israelitas dentre três milhões ou mais de acampados ali. (Núm. 25:1-9) Isto foi comparado à situação atual do povo de Deus, no limiar da nova ordem de Deus, e serve-lhe de aviso. De fato, o perigo é acentuado, em vista da crescente iniqüidade e imoralidade atual no mundo, e mostrou-se real que uma porcentagem comparável foi expulsa ou desassociada das congregações das testemunhas de Jeová em anos recentes. Esta desassociação tem mantido as congregações livres de profanação e está em harmonia com o conselho dos apóstolos, de remover os iníquos do meio da congregação cristã. — 1 Cor. 5:9-13; 2 João 9-11.
Às vezes se faz a pergunta: Encenou Jeová este acontecimento ‘dramático’, para que tivéssemos hoje um aviso? Ora, faria ele com que acontecessem tais coisas más? Seriam estas manobradas por ele mesmo? Não. O discípulo cristão Tiago responde: “Por coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova ele a alguém.” (Tia. 1:13) No que se refere às ações de Deus e a aplicação de seus princípios, ele sabe o que fará em certas circunstâncias. Ele age sempre em harmonia com seu propósito e com seus princípios, para o bem de seu povo fiel. Mas ele não faz arranjos que induzam as pessoas a cometer uma transgressão, nem cria circunstâncias que as levem ao mal. — Mat. 6:13.
No caso do desvio dos israelitas com relação a Baal-Peor, embora Deus não fizesse com que acontecesse, podia usar este fato histórico como advertência para os cristãos, pois estes se encontram numa prova assim como se encontrava o antigo Israel, e seu inimigo, Satanás, o Diabo, usa táticas similares para fazê-los cair. Deus mostrou o perigo para os cristãos, neste “tempo do fim”, e o que faria contra os que tentassem contaminar a congregação cristã. Com referência a este mesmo acontecimento nas Planícies de Moabe, bem como a outras coisas que ocorreram com o antigo Israel, o apóstolo Paulo disse: “Ora, estas coisas lhes aconteciam como exemplos e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas.” (1 Cor. 10:11) Serviam de exemplos, lições e avisos para os cristãos no tempo do fim do sistema judaico de coisas e fazem o mesmo para nós hoje.
Isto está em harmonia com as palavras do apóstolo: “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras tivéssemos esperança.” — Rom. 15:4.
Alguns dramas foram providenciados plenamente por Deus, como no caso em que ordenou que Abraão oferecesse seu filho em sacrifício, prefigurando a Sua própria oferta de seu Filho unigênito Jesus Cristo como sacrifício de resgate para a raça humana. Não havia transgressão na sua ordem a Abraão, e ele não permitiu que Abraão agisse plenamente em sacrificar seu filho, mas proveu um carneiro em lugar deste. — Gên. 22:1-18; Gál. 3:16; João 3:16.
Muitos outros eventos dramáticos em que Deus tomou ação em harmonia com seus princípios, para criar um drama profético para nós hoje, não foram plenamente encenados por ele. Por exemplo, nada na Bíblia indica que Deus fizesse morrer Elimeleque, marido de Noemi, bem como Malom e Quiliom, seus filhos. Nem fez com que aquele que tinha o direito primário ao resgate, chamado “Fulano” na Bíblia, recusasse comprar a herança de Elimeleque. Mas, por meio de sua Lei, ele indicou o proceder a ser adotado por Rute, Noemi e Boaz, e estes, por causa de seu amor a Deus, agiram em harmonia com a Sua Lei. Por isso podia mandar escrever o registro desta seqüência de acontecimentos, para formar um quadro de coisas futuras, conforme se explicou no número de 1.º de agosto de 1972 da Sentinela. — Rute, caps. 1, 4.
Ajuda-nos a compreender mais plenamente lembrarmo-nos de que as pessoas, nos tempos antigos, eram reais, levando a sua vida cotidiana em companhia de sua família e de seus vizinhos, tendo esperanças e desejos assim como nós temos hoje, bem como os mesmos problemas gerais com o pecado operando nos seus membros, e muitos deles travaram fielmente um bom combate para servir a Deus. Deus falou-lhes por meio de seus profetas e de suas leis, e agiu para com eles para recompensar a justiça e punir a iniquidade.
Assim também hoje, acontecem coisas similares relacionadas com os que servem a Deus. Jeová não muda de um período para outro, de modo que seus princípios e julgamentos sejam diferentes. (Mal. 3:6) Por isso, podemos ler o que aconteceu com o antigo Israel e as nações vizinhas e saber que eram tão reais como a nossa situação hoje, e que Deus agirá para conosco segundo os mesmos princípios, com a mesma certeza como o fez naquele tempo. Ao tirarmos proveito do registro dos tratos de Deus com seu povo no passado, passamos por um reajuste de ponto de vista. Mas, naturalmente, às vezes pode haver pontos que achamos difíceis de compreender.
FÉ E PACIÊNCIA SÃO ESSENCIAIS
Quando surgem perguntas, é bom conversar com os responsáveis na congregação, os quais são “anciãos” em sentido espiritual e têm entendimento. (Atos 20:28; 1 Ped. 5:1-4) Ainda assim, se às vezes não compreendemos plenamente, estamos dispostos a continuar com a congregação de Deus e a aceitar a liderança de Jeová, com a certeza de que ele nos esclarecerá no tempo devido?
Quando temos um amigo, abandonamo-lo quando ele diz ou faz uma coisa que não entendemos? Quanto mais devemos ter fé em Deus e na sua congregação. “Aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que seriamente o buscam”, dizem as Escrituras. (Heb. 11:6) Nós, os que chegamos a conhecer a verdade, sabemos que o reino de Jesus Cristo e seu sacrifício expiador de pecados precisam ser pregados como a única esperança da humanidade. Quem faz esta pregação? A quem abençoa Deus com paz e prosperidade espiritual em toda a terra? O que acontece com aqueles que combatem a obra e a organização do povo de Deus hoje em dia? Eles procuram derrubar, mas a quem edificam? Se permitirmos que uma pedra de tropeço nos faça cair permanentemente e nos desvie de Deus e de Seu povo, aonde poderíamos ir para obter vida?
Quando certas pessoas objetavam a algumas das declarações de Jesus, que não compreendiam, Jesus perguntou aos seus discípulos íntimos: “Causa-vos isso tropeço?” Daí disse aos seus apóstolos: “Será que vós também quereis ir?” e Simão Pedro respondeu: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna; e nós cremos e viemos a saber que tu és o Santo de Deus.” — João 6:61, 67-69.
A Bíblia aconselha que se tenha paciência. (Tia. 5:9-11) Não devemos ter paciência, em primeiro lugar, para com os nossos maiores Amigos, Jeová Deus e Jesus Cristo, até que revelem o motivo de suas ações? Quão tolos seríamos se opuséssemos nosso conhecimento e critério contra os deles! O profeta de Jeová disse: “Quem mediu as proporções do espírito de Jeová, e quem, como seu homem de conselho, pode fazê-lo saber alguma coisa?” — Isa. 40:13.
E quanto à congregação cristã, composta de humanos imperfeitos, não podemos ser pacientes com ela, ao passo que ela segue a orientação de Deus? Nós certamente nos sentimos felizes quando se tem paciência conosco. Faremos bem em imitar a paciência de Deus, pois ele fará por meio de Cristo que a congregação passe imaculada e incólume. — 2 Ped. 3:15; Efé. 5:25-27; Rev. 19:7, 8.
Deveras, o único lugar de felicidade e de vida encontra-se em se seguir a liderança de Jeová. Agora, que estamos no limiar de Sua nova ordem justa, mostremo-nos dispostos a deixar Jeová reajustar nosso modo de pensar. Ao fazermos isso, nos fortaleceremos uns aos outros a ficar firmes contra o Diabo, “para que não sejamos sobrepujados por Satanás, pois não desconhecemos os seus desígnios”. — 2 Cor. 2:11; Efé. 6:11.
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Tem a tendência de tropeçar?A Sentinela — 1973 | 15 de fevereiro
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Tem a tendência de tropeçar?
JESUS CRISTO disse: “Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31, 32) Antes de alguém se tornar verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, tendo fé no sacrifício resgatador e tornando-se seguidor de Cristo, ele é escravo do pecado e da morte. Tem de fazer uma mudança. — João 8:34.
O apóstolo Paulo admoestou os cristãos em Éfeso, na Ásia Menor, que pusessem “de lado a velha personalidade que se conforma ao vosso procedimento
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