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Reabilitação de presos — funciona?A Sentinela — 1978 | 15 de setembro
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sempre têm prazer em se associar com seus irmãos cristãos de Iwahig.
REABILITAÇÃO BEM SUCEDIDA
O resultado da atividade das Testemunhas de Jeová tem sido a reabilitação completa de criminosos endurecidos. Embora amiúde seja verdade que os homens voltam à sua vida de crime após saírem da prisão, muitos destes mudaram completamente. Nas palavras do apóstolo Paulo, foram “lavados”. — 1 Cor. 6:11.
A permanência da reabilitação é vista na experiência de um dos homens, o qual, depois de cumprir uma sentença de 15 anos por homicídio, foi liberto e se tornou pioneiro, nome que se dá aos pregadores por tempo integral das Testemunhas de Jeová. Outros que foram libertos têm progredido até se tornarem anciãos respeitados na congregação cristã com a qual se associam.
O objetivo primário da Colônia Penal de Iwahig é a “reabilitação”, em vez de a “punição”. Portanto, os membros da administração ficam satisfeitos com as mudanças que vêem nos detentos que se tornaram Testemunhas de Jeová. Um supervisor penal exclamou: “Gostaria de que todos os detentos aqui fossem Testemunhas de Jeová!”
O Oficial de Segurança em Exercício, da colônia, disse: “Quero que esta religião tenha aqui muitos conversos, porque tenho observado que, no momento em que se tornam Testemunhas de Jeová, passo a observar muitas coisas boas nos seus hábitos e tendências.
“Este membro de vocês, Sanchez, foi aqui o principal arruaceiro — beberrão, fumante inveterado e cheio de vícios. Era uma dor de cabeça. Nem sei dizer onde ele adquiriu a coragem para mudar. Tudo o que sei é que ele se tornou Testemunha de Jeová, e com isso acabou o problema!”
POR QUE TAL MUDANÇA?
O que transforma homicidas, estupradores, incendiários e assassinos em cristãos de boa moral? De acordo com os próprios homens, é o poder reabilitante da Palavra de Deus e a boa associação com pessoas piedosas. Um deles comentou que ficou atraído pela promessa bíblica de vida eterna, e de que Deus enxugaria toda lágrima dos olhos da humanidade sofredora, bem como eliminaria a doença e a morte (João 5:24; Rev. 21:4) Já que ele tinha visto o lado ruim da vida, essas promessas agradaram ao seu coração.
Outro comentou que, entre os detentos que se tornaram Testemunhas de Jeová, existe verdadeiro amor fraternal, cristão, e que isto o atraiu. Agora ele diz que quer esforçar-se para ser “bom servo de Jeová Deus”.
Outros disseram que, quando passaram a associar-se com as Testemunhas de Jeová, pela primeira vez, em toda a sua vida, foram tratados como gente decente. A realidade deste amor é evidente no caso de um dos detentos, na ocasião em que foi solto. Ele disse que “seus olhos se encheram de lágrimas”, porque tinha de separar-se de seus queridos irmãos cristãos.
Portanto, até mesmo na prisão, o poder da Bíblia, para sarar corações e transformar pessoas, está sendo demonstrado de maneira dramática. Ao passo que chegam à luz da Palavra de Deus, esses homens, encarcerados por transgressões anteriores, sentem a verdadeira liberdade que Jesus prometeu, ao dizer: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32) São gratos pela benevolência de seu Deus, Jeová, que lhes permitiu encontrar verdadeira liberdade e duradoura reabilitação, mesmo enquanto na prisão. Você vai gostar de ler a experiência que segue, de um destes homens, contada por ele próprio.
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Bandido recebe indulto presidencialA Sentinela — 1978 | 15 de setembro
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Bandido recebe indulto presidencial
LÁ EM 1945, eu era considerado como católico devoto. Lembro-me de que certa vez, para cumprir um voto, andei de joelhos desde a porta da igreja até o altar. Na mesma época, eu era beberrão e membro dum bando. Fazia facilmente amizades, porque era liberal com o dinheiro. Meu meio de vida era comprar e vender objetos roubados. Em uma só semana, eu podia conseguir assim tantos quantos 10.000 pesos. Não era de se estranhar que eu fosse generoso! Era admirado em Balicbalic, Manila, onde eu morava.
Era admirado como “valentão”! Mas, havia por lá outro “valentão”, que me considerava seu rival. Certo dia, nossos bandos se chocaram. Matei meu rival a tiros; os amigos dele fugiram, e eu fiquei dominando. Isto foi em 1947.
Mas, então, eu tive de fugir da lei, de modo que fui para Cavite, ao sul de Manila. Puseram um prêmio de 1.000 pesos pela minha cabeça, e isto bastou para um amigo Intimo me trair. Fui preso em maio de 1949, e, em 1.º de maio de 1951, fui sentenciado a prisão perpétua.
VIDA EM MUNTINLUPA
No dia seguinte, fui levado algemado para a Penitenciária Nacional de Muntinlupa, Rizal. Chegando lá, tomaram minha roupa e me deram roupa de preso. Meu número era 11481-P. Dentro da prisão, senti-me desambientado. Sabia que estava vivo, mas parecia estar numa cova. Os outros presos eram como animais. Eu odiava em especial a maneira em que forçavam os novatos jovens a sujeitar-se a atos homossexuais. No coração, sentia dó de suas vítimas, e prometi que nunca mais me aproveitaria do meu próximo ou o oprimiria. De modo que criei coragem e orei a Deus, para que eu pudesse suportar a terrível situação em sue me encontrava.
O diretor do presídio em Muntinlupa permitiu a liberdade de culto, e havia muitos grupos diferentes que realizavam ofícios. Eu acreditava que todas as religiões eram de Deus, de modo que, por uns seis meses, passei de uma reunião para outra. Mas, depois de observar sua conduta e seus hábitos, cheguei à conclusão de que não havia verdade nelas. Uma coisa a que eu objetava era que alguns desses grupos traziam moças bonitas às suas reuniões, para atrair atenção. Isto estimulava os presos a fazerem depois coisas impuras.
Finalmente, cheguei a assistir às reuniões realizadas pelas Testemunhas de Jeová. Fiquei impressionado pelo seu método de ensino. Era com a Bíblia e muito informativo. Fiquei especialmente interessado no nome de Deus. Com o tempo, dediquei-me a Jeová e fui batizado em 1953. Comecei a pregar aos outros detentos e empregados de Muntinlupa. Alguns escutaram, e, após um tempo, alguns tornaram-se Testemunhas naquele presídio.
Tivemos alguns problemas com a continência à bandeira, por causa de nossa objeção conscienciosa a isso. Certa vez, tivemos de suportar prisão celular. Numa manhã, porém, os presos, que ascendiam a muitos milhares, foram reunidos no pátio da prisão. Hasteou-se a bandeira e todos fizeram continência, exceto as Testemunhas, umas 20 delas naquele tempo.
Naquele momento, caiu um aguaceiro, e os presos se espalharam para encontrar abrigo. Apenas nós, Testemunhas, ficamos de pé, na chuva, visto que não havíamos sido dispensados. Mais tarde, o diretor chamou-nos e perguntou por que não havíamos corrido como os outros, mas ficado em pé, molhando-nos. Explicamos que nossa atitude para com a bandeira não significava que a desrespeitávamos. Era apenas que considerávamos tal ato de saudação como uma cerimônia religiosa. Daí em diante, nossa atitude nesta questão foi muito melhor compreendida.
Em 1957, a penitenciária de Muntinlupa foi diariamente abalada por distúrbios provocados por bandos rivais que tinham nomes tais como “OXO” e “Sigue-sigue”. Para ajudar a manter a paz e a ordem, as autoridades carcerárias escolheram os que tinham conduta exemplar e deram-lhes tarefas. Fui designado como bastonero, como preso de confiança para supervisionar outros. Em recompensa pelo desempenho consciencioso das minhas responsabilidades, fui escolhido para a transferência para a Colônia Penal de Iwahig, em Palauã.
A VIDA EM IWAHIG
Em Iwahig, recebi outro serviço de responsabilidade — o de administrador de gêneros alimentícios para uns 800 detentos. Eu recebia os suprimentos e supervisionava a cozinha, bem como a alimentação dos homens. As autoridades acharam que minha conduta era boa, porque os presos ficaram contentes com a minha administração, ao passo que alguns daqueles que anteriormente tinham este serviço haviam sido assassinados.
Certo dia, o superintendente de Iwahig perguntou-me por que os presos pareciam estar satisfeitos comigo. Eu lhe disse que era Testemunha de Jeová e aplicava princípios bíblicos no meu trabalho. Daí em diante, ele passou a confiar mais em mim, e eu tive maior liberdade para pregar aos detentos. Em resultado disso, dirigi um grupo de estudo com umas 13 pessoas. Em pouco tempo, entrei em contato com as Testemunhas da congregação Porto Princesa, que era da localidade, e uma Testemunha de Jeová nos ajudou a ter reuniões regulares dentro de Iwahig.
Lá em Iwahig, eu soube dum congresso internacional a ser realizado no Estádio Rizal, de Manila, em agosto de 1963. Isto foi em 1.º de julho de 1963. Eu já me havia batizado há 10 anos, mas nunca pudera assistir a um congresso das Testemunhas. Senti-me muito triste e desassossegado. Naquela noite, não pude dormir, por estar pensando no congresso, de modo que comecei a orar, pedindo que se me mostrasse um modo de poder assistir a ele.
SOLTURA
Certa noite, escrevi ao então presidente das Filipinas, Diosdado Macapagal. Apelei para ele, pedindo um indulto presidencial, para que pudesse assistir ao congresso. Em 30 de julho veio a sua resposta, com as maravilhosas palavras: “Concedo-lhe seu pedido.” Chorei de alegria. Fui solto em 10 de agosto. Em 15 de agosto, já estava com a minha família. Em 17 de agosto, juntamo-nos aos milhares de nossos irmãos cristãos no congresso internacional. Não há palavras para descrever a minha alegria, naquele tempo. Deus tem sido muito bondoso comigo.
Após a assembléia, pude seguir meu serviço a Jeová Deus como homem livre. Apesar de meus antecedentes como preso, pude obter emprego, para poder cuidar da minha família, assim como o homem cristão deve fazer. Meus atuais patrões sabem que estive na prisão, mas também sabem que agora sou cristão; por isso, confiam em mim e no meu trabalho.
Na congregação, pude progredir ao ponto de ser ancião. Meu objetivo na vida é continuar a servir a Jeová de todo o coração, junto com minha esposa e meus filhos. Esperamos tornar-nos aceitáveis a Ele e receber Sua bênção de vida, no agora já tão iminente paraíso terrestre. — Contribuído.
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