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Um livro de impacto sem igualA Sentinela — 1977 | 15 de novembro
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Seu objetivo era transmitir, não a sua própria mensagem, mas a de Jeová Deus, a Fonte de sua inspiração. O salmista Davi declarou: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua.” (2 Sam. 23:2) Não é esta expressão corroborada pela natureza extraordinária da Bíblia? Portanto, não merece este livro a maior de nossas atenções?
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Alexandre, o Grande, e o simbolismo bíblicoA Sentinela — 1977 | 15 de novembro
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Alexandre, o Grande, e o simbolismo bíblico
A BÍBLIA está cheia de simbolismos, especialmente nas suas partes proféticas. Esses simbolismos transmitem prontamente informações aos leitores e ouvintes. Também, as representações pictóricas, vívidas, costumam ser lembradas melhor do que a mera relação de fatos. Outro benefício dos símbolos é que se pode apresentar muita informação em termos simples.
Um caso pertinente é o livro de Daniel, que está cheio de simbolismos. Por exemplo, a Potência Mundial Grega ou Greco-Macedônia é ali retratada como bode e como leopardo alado, de quatro cabeças. A consideração cuidadosa deste simbolismo revela quão apropriado é. Ao mesmo tempo, impressiona a maneira espantosa em que se cumpriu a profecia bíblica.
Lançada no papel de bode, a Potência Mundial da Grécia é descrita do seguinte modo: “Eis que vinha um bode dos caprídeos desde o poente sobre a superfície de toda a terra, e ele não tocava na terra. E quanto ao bode, havia entre os seus olhos um chifre proeminente. E ele foi chegando ao carneiro dos dois chifres [representando a Medo-Pérsia, conforme se torna evidente em Daniel 8:20], que eu vira estar de pé diante do curso de água; e vinha correndo em direção a ele em seu poderoso furor. E eu o vi atingir o carneiro, e começou a mostrar amargura para com ele, e passou a golpear o carneiro e a quebrar-lhe os dois chifres, e mostrou-se não haver poder no carneiro para se manter de pé diante dele. De modo que o lançou por terra e o pisoteou, e o carneiro não mostrou ter alguém que
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De brigão das ruas para ministro cristãoA Sentinela — 1977 | 15 de novembro
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De brigão das ruas para ministro cristão
Conforme narrado por Harry S. Yoshikawa
NOSSOS vizinhos, na pequena localidade onde me criei, no Havaí, há quase cinqüenta anos, eram apostadores, lutadores e ladrões. Meu pai era rude e robusto pescador — perito nas artes marciais.
Papai ensinara a meu irmão e a mim já em tenra idade a nos defendermos. Participamos em competições de artes marciais, e usualmente vencíamos ou ganhávamos o segundo lugar. Quando eu tinha treze anos de idade, fomos ao Japão, por seis meses, onde recebemos treinamento adicional nas artes marciais. Aprendi também o pugilismo com um ex-campeão de peso médio do Havaí.
Brigar tornou-se minha atividade semanal. Meu apelido era Nanico, o Brigão, e eu não era nanico. Os amigos costumavam apanhar-me lá pela meia-noite, só para lutar com alguém em Honolulu ou em Waikiki.
Em 1944, alistei-me no exército e fui enviado para a Europa. Travava-se a segunda guerra mundial, e era algo terrível de se ver. Quando acabou, formei um conjunto musical chamado de “Xepeiros de Praia”, e também um time pugilístico, havaiano. Percorremos a Europa, divertindo tanto as tropas como os civis. Fizemos gravações, bem como transmissões pelo rádio.
DOIS JOVENS DE QUE SEMPRE ME LEMBRAREI
Foi durante a guerra, na Bélgica, no começo de 1945, que ouvi pela primeira vez algo que, com o passar do tempo, veio a significar muito para mim. Eu era primeiro-sargento, e cada semana vinha ao meu escritório um jovem de uns dezoito anos. Ele me falava sobre como Deus estabelecerá um governo que trará paz à terra. Quando lhe perguntei por que não se alistara, ele disse que já estava num exército — no de Cristo. Para mim, esta foi uma resposta intrigante.
Depois de voltar do teatro de guerra na Europa, em 1946, outro adolescente me falou sobre a Bíblia. No começo, achei que fazia isso por causa da espécie de vida que eu levava — sempre brigando, sempre me embriagando e fazendo outras coisas nocivas. Lembrei-me do que o jovem belga me dissera, e fiquei surpreso, porque a mensagem era a mesma.
Este jovem costumava distribuir revistas religiosas na rua, perto dum cinema. Visto que eu me sentia pesaroso e envergonhado por causa dele, ofereci-me para comprar todas as suas revistas, a fim de que pudesse ir para casa ou ao cinema comigo. Mas, ele sempre se recusava. Pensei que isso era incomum para um rapaz da idade dele.
O CASAMENTO NÃO ME MUDOU
Ocasionalmente, eu parava de brigar para namorar as garotas, e finalmente me casei. Mas, o casamento não acabou com minhas lutas semanais.
Às vezes, quando chegava para casa, havia outra espécie de luta. Minha esposa zangava-se comigo por deixá-la sozinha com os filhos em casa. Certa vez, sentindo-me bem por ter vencido uma briga na rua, cheguei para casa às seis horas da manhã, e minha esposa estava esperando por mim. Tentei entrar sorrateiramente pelo porão, pretendendo estar bêbedo, mas não consegui enganá-la. Ela estava à minha espera e me bateu com um geta, um tamanco.
COMO COMECEI A MUDAR
O ano de 1954 marcou um ponto de virada na minha vida. Um colega de trabalho, na companhia de ônibus, deu-me dois folhetos, Base Para se Crer em um Novo Mundo e Após o Armagedom — o Novo Mundo de Deus. Fiquei com eles e passei toda a noite lendo e relendo-os. Pude ver que esta religião certamente era diferente, não como as outras que conhecia.
Informaram-me que havia uma família desta gente em algum lugar no mesmo quarteirão em que morávamos. De modo que fui de casa em casa à procura deles. Isto foi numa noitinha de terça-feira, e havia um estudo bíblico em andamento neste lar, quando cheguei lá. Quando perguntei se eram Testemunhas de Jeová, hesitaram em responder, talvez por causa do modo rude em que falei e por ainda vestir velha roupa de trabalho. Talvez pensassem que vim causar-lhes dificuldades.
Todavia, fui convidado a entrar e tratado com extrema bondade e hospitalidade, o que me fez sentir completamente à vontade. Em resultado, todas as minhas atitudes caraterísticas começaram a desaparecer. Senti-me envergonhado da minha conduta e fala. Essas pessoas tomaram o tempo para me explicar muitas coisas da Bíblia, e exortaram-me a ter meu próprio estudo pessoal da Bíblia e a assistir a todas as suas reuniões bíblicas. Saí dali achando que estas pessoas tinham de ter a verdade.
Sugeriu-se que eu estudasse com um colega de trabalho, na companhia de ônibus, onde eu trabalhava; ele era Testemunha de Jeová. Acontece que era a própria pessoa que eu certa vez quis espancar, por não gostar da aparência dele! Mas, agora queria aprender, de modo que me humilhei e decidi pedir-lhe que estudasse a Bíblia comigo.
Quando me aproximei de sua casa, ele me viu chegar. Certamente, pensou que vim causar-lhe dificuldades. A esposa dele cumprimentou-me e mostrou-me extraordinária bondade cristã. Os temores de seu marido logo desapareceram, e iniciou-se um estudo bíblico. Dentro de dois meses, comecei a falar a meus amigos e parentes sobre o que aprendia, mas sem tato.
Eu disse rudemente à minha mulher que nós não éramos mais budistas, e que não celebraríamos mais o Natal, nem qualquer outro feriado pagão. Disse-lhe que ela tinha de aceitar esta decisão, ou senão . . . Pensando que eu havia enlouquecido completamente, pediu aos meus pais conselho sobre o que ela devia fazer, porque ‘o filho deles’ estava agindo de modo muito estranho. Minha mãe a tranqüilizou, dizendo-lhe: “Não se preocupe, meu filho nunca se interessou numa coisa por muito tempo. Dê-lhe três meses, e ele se esquecerá completamente desta religião louca e de Jeová.”
TESTEMUNHO PÚBLICO
Desta vez, porém, minha mãe estava enganada. Logo participei com outros em dar testemunho público. A primeira vez foi memorável, quase desastrosa. O superintendente presidente levou-me consigo para distribuir revistas bíblicas na rua.
Eu clamava para os transeuntes: “Leia Despertai!” Uma pessoa me respondeu de modo grosseiro: “Estou bem desperto, de modo que não preciso desta revista ordinária.” Instantaneamente, voltou a minha personalidade antiga.
“Ah! é; você está bem desperto? Ora, não vai ficar por muito tempo. Logo vai dormir bem.” Tentei socá-lo e corri atrás dele por dois quarteirões. No ínterim, o horrorizado superintendente me alcançou e me disse que se alegrava muito de eu não ter apanhado aquele homem. Explicou-me que, se o tivesse espancado, teria trazido vitupério para o nome de Deus. Eu lhe disse que, se a polícia me tivesse prendido, eu lhe teria dito que era pentecostal, não Testemunha de Jeová.
O superintendente corrigiu-me com paciência, explicando que isso seria mentir. Depois disso, ficou bem ao meu lado. Senti-me realmente envergonhado, e, quando voltei para casa, orei a Jeová para que me perdoasse, porque não queria vituperar o seu nome.
Minha primeira experiência em visitar as pessoas nos seus lares foi outra história. Na primeira porta, encontrei uma senhora bem agradável. Ela escutou meu sermão, fazendo perguntas, mas estas não eram sobre a Bíblia. Ela perguntou: “É casado? Quantos filhos tem? Quem cozinha para o senhor?”
O marido dela saiu, querendo saber com quem ela falava. Ele me disse que eu perdia meu tempo, porque ela era doente mental, totalmente desequilibrada. Mas ela persistiu em fazer perguntas, e eu proferi todo o meu sermão bíblico. Isto me deu confiança para ir à próxima casa. E, vejam só! Na próxima casa, o morador interessado aceitou de mim três compêndios bíblicos! No fim daquele dia, eu havia colocado mais sete.
FEITAS MUDANÇAS RADICAIS
Eu havia estado tanto sob a influência da nicotina que, certa vez, quando se acabaram os cigarros, acordei minha esposa de noite e a fiz ir pedir ao vizinho uns cigarros. Mas, em vista de meu estudo da Palavra de Deus, aprendi que fumar não tinha lugar na vida do cristão. Por isso, três meses depois de ter começado a estudar, deixei de fumar.
Decidi simbolizar minha dedicação a Jeová por meio do batismo em água, e fui batizado em 17 de julho de 1954. Meu grande desejo então era que minha família se juntasse a mim na verdadeira adoração.
É costume oriental que a esposa faça todas as tarefas domésticas, sem a ajuda do marido. Eu havia firmemente crido neste costume. Mas, visto que meu desejo de que minha esposa estudasse a Bíblia era maior, logo passei a estar lavando pratos, enxaguando fraldas e ajudando na cozinha e com os filhos.
Certa vez, quando fomos a um piquenique com os nossos amigos na praia, em vez de fazer surfe ou bater um papo, passei a ler a Bíblia para eles. Decidiram ir dar um passeio, para se afastar da minha persistente pregação. Mas, para o aborrecimento deles, eu ia atrás deles com a Bíblia na mão. Por fim, minha esposa, nosso amigo e a esposa dele, consentiram em ter um estudo bíblico regular.
Minha mãe podia ver que eu não havia perdido o interesse em servir a Jeová, assim como pensara. Ficou claro para ela que a nova personalidade que eu estava desenvolvendo não era mania passageira. Por isso, ela também concordou em estudar a Bíblia, para descobrir o que me havia transformado numa pessoa diferente.
O dia 25 de junho de 1955 foi o dia mais feliz da minha vida. Era dia de batismo numa assembléia das Testemunhas de Jeová, e quem acha que estava sentado lá na frente entre os batizandos? Minha esposa, minha mãe, nosso amigo e a esposa dele — todos os quatro estando prontos para simbolizar sua dedicação a Jeová.
Desde então, tenho tido a alegria de ver vários de meus colegas, motoristas de ônibus, aceitar as verdades bíblicas e se tornar Testemunhas de Jeová. Entre eles havia um motorista que certa vez eu encostara contra a parede, ameaçando espancá-lo. Ele é agora superintendente viajante.
OPORTUNIDADES DE SERVIR
No ano que se seguiu ao meu batismo, comecei a ser usado para diversos serviços dentro da congregação. Daí, em 1958, fui designado superintendente presidente e também superintendente de cidade em Honolulu.
Por causa das minhas obrigações familiares, o serviço de pregação por tempo integral, como “pioneiro”, parecia fora de questão para mim. Meus quatro filhos ainda estavam na idade escolar. Mas, como família, participávamos no serviço de pioneiro temporário sempre que podíamos. Então, em 1963, minha esposa tornou-se pioneira regular.
Nossa congregação tinha mentalidade pioneira. Durante alguns meses, mais da metade da congregação eram pioneiros temporários; certa vez, éramos setenta e dois. Com tantos pioneiros em uma só congregação, tinha de haver boa programação e muita ajuda mútua. Fizeram-se arranjos cuidadosos de haver babás, condução e território. Quão alegre foi o mês que assim passamos juntos!
Em 1967, fui convidado a participar na obra de circuito, visitando diversas congregações nas ilhas havaianas e dando-lhes encorajamento espiritual. Esta era uma oportunidade muito prezada, mas que não podia aceitar sem primeiro falar com a minha família, visto que três de nossos filhos ainda estavam na escola.
Meus maravilhosos filhos estavam dispostos a trabalhar por meio período e ajudar de todos os modos possíveis, para que eu pudesse aceitar esta nova designação. Uma filha disse: “Papai, o senhor sempre nos anima a ser pioneiros, mas que dizer do senhor mesmo? Esta é a sua oportunidade de devotar todo o seu tempo a Jeová.”
Na obra de circuito, encontramos muitas situações diferentes e às vezes divertidas. Uma delas se destaca na minha mente. Dois vizinhos estavam brigados, visto que um deles havia cortado a mangueira do outro, porque alguns galhos dela se estendiam sobre o seu pátio. Houve palavras ásperas e ameaças. Quando visitei o homem que havia cortado a árvore, ele pensou que eu fosse detetive investigando o caso, de modo que me convidou a entrar.
Quando comecei a falar, o homem pensou: ‘Que maneira estranha deste detetive, tentando disciplinar-me com a Bíblia!’ Depois de alguns minutos, porém, descobriu que eu era Testemunha, e me informou que nunca antes deixara Testemunhas de Jeová entrar na sua casa. Concordou em ter um estudo bíblico, e toda a sua família participou nele e fez bom progresso. Com o tempo, dez de seus parentes e amigos tornaram-se Testemunhas.
Nossos filhos já estão agora crescidos. Um filho serviu por quatro anos no Betel de Brooklyn, sede mundial das Testemunhas de Jeová. Ele, com sua esposa, serve agora como superintendente de distrito e de circuito em Samoa Americana. Duas filhas nossas são pioneiras especiais, e nosso outro filho e sua esposa, agora com uma menina, também são pregadores ativos das boas novas. E minha esposa e eu ainda estamos na obra de circuito.
Hoje, minha reputação de brigão das ruas é lembrada apenas por alguns. De fato, há os que acham difícil de acreditar que eu tivesse tido tal passado. Porque agora sou amplamente conhecido nas ilhas como ministro cristão, pacífico, e quanta alegria dá representarmos assim nosso grande Deus, Jeová!
[Foto na página 679]
Contrário ao costume oriental, passei a ajudar minha esposa nos afazeres domésticos.
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