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Onde está a verdade?A Sentinela — 1970 | 15 de setembro
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Onde está a verdade?
A verdade o libertará, mas onde a poderá encontrar?
QUANDO Jesus Cristo estava sendo julgado perante o governador romano Pôncio Pilatos, sua resposta às acusações falsas lançadas contra ele se resumia na sua declaração: “Para isso nasci . . . a fim de dar testemunho da verdade.” O governador respondeu com uma pergunta: “Que é verdade?”
Pilatos fora designado para governar uma região que por séculos havia sido o centro da adoração judaica. E agora, os principais sacerdotes dos judeus exerciam severa pressão sobre ele para entregar à morte um homem de cuja inocência Pilatos evidentemente estava convencido. Tinha motivos para perguntar: “Que é verdade?”
Mas não há nada que indique que Pilatos realmente se empenhava na busca da verdade. Entregou Jesus para ser executado e lavou as suas mãos quanto à questão. Sem dúvida, estava perturbado, mas não o suficiente. — João 18:37, 38; 19:12-16.
Há muitos semelhantes a Pilatos: confusos e perturbados com a questão da verdade. Quando surge a questão da verdade, talvez se pense na própria igreja, na própria religião que se tem. Ultimamente, porém, têm acontecido tantas coisas nos círculos religiosos, que as pessoas ficam genuinamente perplexas. As notícias sobre o que acontece nas igrejas criam sérias dúvidas na mente de muitos sinceros quanto a se a sua igreja tem realmente a verdade ou não. Ainda crêem em Deus, mas está Deus na sua igreja? Esteve alguma vez na sua igreja? Já surgiram dúvidas assim na sua mente?
RECONHECER HOJE A VERDADE
Mas é realmente tão difícil reconhecer a verdade? Talvez tenha ouvido alguém usar a expressão de que certa declaração ou crença tem o “tom da verdade”. O que se quer dizer com isso? Bem, quer dizer que algo soa direito. A verdade é “a conformidade com os fatos”. E quando ouve algum novo pensamento, de que sabe que está em harmonia com outras idéias baseadas em fatos, deseja dizer logo: “Está certo.” Parece razoável. Não tem dificuldade em aceitá-lo. Pode ser, também, que a fonte da informação tenha alguma influência sobre a sua aceitação dela. Se ela se origina duma fonte de que sabe que é sempre fidedigna, sem preconceitos e bem informada, tem pouca dificuldade em ouvir o tom da verdade no que se diz.
Agora, diria que as coisas que ouve e lê com relação à sua própria igreja lhe dão esta espécie de confiança? Acha fácil harmonizar com fatos as coisas que se lhe ensinam? Parecem-lhe razoáveis? Está convencido de que seus líderes religiosos são sinceros? Vivem eles mesmos em harmonia com o que ensinam? São cada vez mais as pessoas que têm dificuldades em responder Sim a tais perguntas.
LIVRO DA VERDADE
Mas significa isso que em parte alguma se encontra a verdade? De modo algum. É provável que seja membro de sua igreja porque sempre achou que ela pertencia a Deus e ensinava a Palavra Dele, a Bíblia. Talvez só começasse agora a ler por si mesmo a Bíblia e tivesse dificuldade em harmonizar o que lê com aquilo que seu clérigo tem ensinado.
Talvez pensasse na sua religião como a certa porque ela é muito antiga. Mas a Bíblia é mais antiga, e tudo o que ela diz ainda se harmoniza com os fatos. O que ela ensina ainda é razoável. Seus escritores não perderam nada de sua incomparável sinceridade que os marca como honestos. Ela nunca foi refutada com bom êxito, e a veracidade de suas profecias é comprovada com cada dia que passa. Jesus falava das Escrituras Sagradas quando disse em oração a Deus: “A tua palavra é a verdade.” E foi esta mesma Palavra que ele recomendou aos seus ouvintes quando disse: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” — João 17:17; 8:32.
Quem eram os aos quais Jesus dirigia estas palavras? Eram pessoas que pensavam estar livres e conhecer a verdade. Achavam que ainda seguiam a adoração de seu antepassado Abraão e que a sua religião tinha de ser a certa por ser tão “antiga”. Mas, na realidade, seus líderes se haviam afastado daquilo que Abraão cria; haviam acumulado tradições e filosofias que mantinham o povo preso. Quão profundamente se haviam afastado para o erro foi demonstrado por Jesus, quando os repreendeu: “Mas agora buscais matar a mim, um homem que vos disse a verdade que eu ouvi de Deus. Abraão não fez isso.” — João 8:40.
HOMENS DA VERDADE
Mas, nem todos os que escutavam Jesus falar a verdade se opunham a ele. Talvez seja igual aos homens que se tornaram discípulos dele. Estes também pertenciam a uma antiga religião tradicional que tinha as suas raízes nos séculos passados. Mas podiam discernir que os seus líderes religiosos se haviam afastado das Escrituras e não agiam honestamente. Podiam ver a ganância comercial deles, suas ambições, sua ingerência na política e sua disposição para com a violência.
Muito se disse sobre a capacidade intelectual destes discípulos de Jesus. Os regentes judaicos falaram deles como sendo homens “indoutos e comuns”, no entanto, isto se deu numa ocasião em que a simplicidade e o denodo com que falavam causavam admiração a estes regentes. Começaram a “reconhecer a respeito deles que costumavam estar com Jesus”. Por quê? Sem dúvida, porque as coisas que estes homens diziam e a maneira franca com que raciocinavam tinham o mesmo “tom” das palavras de Jesus. — Atos 4:13.
É de interesse notar que alguns líderes religiosos de hoje ainda raciocinam como os regentes e os sacerdotes judaicos. O escritor católico romano John Gilland Brunini, no seu livro Whereon to Stand: What Catholics Believe and Why (Em Que Basear-se: O Que Católicos Crêem e Por Quê), fala dos apóstolos de Jesus e diz: “Antes da morte de Cristo, Pedro e seus irmãos eram guiados muito mais pela fé do que pelo conhecimento e entendimento. Não importava quanto Jesus os instruísse, eles tropeçavam nas lições com as quais as crianças escolares cristãs têm hoje poucas dificuldades.” Mas quão exata é esta avaliação da situação?
O escritor prossegue imediatamente a ilustrar seu ponto por dizer: “A idéia de que se associavam com um Homem que era extraordinário e deveras Homem, e realmente Deus, foi compreendida por eles vagarosamente.” Em outras palavras, seu atraso se demonstrava em que não pareciam crer numa trindade. Segundo o escritor, eles saíram deste atraso quando ‘o Espírito Santo mais tarde lhes supriu a graça’. Está isso em harmonia com os fatos? Leia os escritos inspirados deles depois de terem recebido o espírito santo da parte de Deus e veja se pode encontrar o menor indício de que aceitavam então o ensino da Trindade. Não encontrará nenhum.
O que se dá no seu caso? Crê num Deus misterioso composto de três pessoas, todas elas co-iguais? Como se ajusta isso com a razão e com os fatos? Mais importante ainda, está em harmonia com a Bíblia? Pedro identifica a Jesus, não como Deus, mas como “o Filho do Deus vivente”. O amado apóstolo João fala dele como sendo o “Filho unigênito de Deus” e “o princípio da criação de Deus”. O apóstolo Paulo mostra que a posição relativa de Jesus é a de “mediador entre Deus e os homens”. Tudo isso tem o tom da verdade. É razoável. Acima de tudo, concorda com o que o próprio Jesus ensinou. Não é nada difícil compreender esta declaração clara dele: “O Pai é maior do que eu.” — Mat. 16:16; João 3:16; Rev. 3:14; 1 Tim. 2:5; João 14:28.
QUALIDADES RELACIONADAS COM A VERDADE
Notou também, na disputa entre Jesus e aqueles judeus que pensavam ter a verdade, que aqueles homens estavam dispostos à violência? Sua ira contra Jesus por ele falar ‘a verdade que ouvira de Deus’ os fazia querer matá-lo. Por isso lhes disse que eram filhos do mentiroso e homicida original, Satanás. A Bíblia ensina que os que têm a verdade real de Deus seriam pacíficos. “A sabedoria de cima é . . . pacífica”, diz o discípulo Tiago. (Tia. 3:17) Então, promove a sua igreja a paz? Se for católico, o que acha quando lê as notícias do Brasil, considerado o maior país católico do mundo, a respeito da prisão de sacerdotes, frades e seminaristas por supostas atividades subversivas? Fica admirado ao saber que um dos chefes de segurança da nação declarou que tem “prova conclusiva” de que pelo menos três dos líderes religiosos presos tinham fortes ligações com a organização terrorista comunista no Brasil? (El Universo, Guaiaquil, Equador, 9 de novembro de 1969) Mas, com respeito às religiões da cristandade em geral, não mataram as pessoas da mesma religião umas às outras em tempo de guerra? No entanto, Jesus indicou que seus verdadeiros seguidores seriam conhecidos pelo seu amor e sua qualidade pacífica. — João 13:35; Mat. 5:9.
Tiago disse também que a sabedoria de cima “é primeiramente casta”. (Tia. 3:17) Ora, a falta de castidade prevalece em toda a parte. As causas são muitas, mas o desconhecimento do que a Bíblia ensina sobre a moral não é a menor delas. E os que deviam ter ensinado esta espécie de verdade têm de assumir a sua parte da responsabilidade. A obra Outline-History of Latin America (Bosquejo da História da América Latina) fala da vida religiosa nesta parte do mundo, dizendo:
“A prática da religião nas colônias espanholas e no Brasil era muitas vezes superficial, . . . O clero era amiúde iletrado, . . . e muitas vezes também imoral. Por isso, às vezes davam mau exemplo ao povo, que em alguns casos perdeu todo o respeito pelo clero . . . Em cada comunidade, a Igreja apelava para a população por meio do uso de festividades religiosas, procissões e celebrações de toda espécie. Especialmente nas cidades índias, as cerimônias da Igreja pareciam inseparáveis das antigas formas pagãs da adoração idólatra. Pode-se dizer com segurança que em muitas comunidades nas colônias a religião católica romana havia entrado em colapso e havia ficado despida de muito de seu significado europeu, pelo enxerto de muitas práticas não-cristãs.”
Assim foi nos dias das colônias espanholas, mas as coisas não são muito diferentes hoje em dia. As mesmas procissões religiosas, em que os participantes se disfarçam de demônios, anjos e animais, usando ao mesmo tempo imagens e outros artefatos da igreja moderna, ainda são um espetáculo regular no meio da população índia da América do Sul. As festividades ainda se caracterizam pelas orgias de embriaguez e imoralidade, que amiúde acabam em derramamento de sangue, e os sacerdotes católicos ainda oficiam nelas por meio da missa. Muitos católicos sinceros, que vêem estas coisas pela primeira vez, ficam perturbados ao saberem de tais práticas na “sua” religião. Têm razão para isso.
Deve compreender que todas estas coisas que consideramos estão relacionadas entre si. A veracidade, a razoabilidade, a paz, a castidade; estão relacionadas entre si. Faltando uma, duvidamos das outras. E se faltarem na sua igreja, tem motivos para olhar para outra parte. Mas para onde?
SATISFAZER A BUSCA DA VERDADE
Jesus disse que a espécie de pessoas que Deus procura são as que o adoram “com espírito e verdade”. (João 4:23, 24) Se houver tais pessoas — e as há — elas ensinarão doutrinas bíblicas razoáveis. Estarão em paz entre si e as encontrará vivendo dum modo que as recomenda como cristãs. Gostaríamos de convidá-lo a examinar mais de perto as testemunhas de Jeová. Talvez conheça pelo menos uma delas, visto que está lendo esta revista. Talvez conheça esta pessoa pessoalmente, ou talvez saiba de outras testemunhas de Jeová na sua vizinhança. Não notou que costumam ser a espécie de pessoas que acabamos de descrever?
Naturalmente, não esperamos que aceite sem investigação pessoal o que dizemos. Talvez tenha a sua religião e ainda ache que é a melhor. Se for sincero, deverá ser assim. Mas deverá também querer estar certo de ter a verdade. Conforme já se disse: “Uma coisa é querer ter a verdade do nosso lado, mas é algo bem diferente querer sinceramente estar do lado da verdade.”
Deve compreender que a verdade não é popular. Não o foi nos dias de Jesus. Os judeus queriam matá-lo porque lhes falava a verdade. Ela os irava porque era diferente daquilo que ensinavam. Esta é a razão por que as testemunhas de Jeová não costumam ser muito populares. O que ensinam é diferente, porque a verdade é diferente. Não os verá tomar parte na política. Mas verificará que pagam seus impostos, que vivem segundo as normas morais da Bíblia e não lutam com o seu próximo.
Naturalmente, isto não é tudo quanto a se ter a verdade na vida. Quando se sabe qual é a verdade, não se deve ter medo de falar dela aos outros, mesmo que seja diferente. É por isso que encontrará também as testemunhas de Jeová tantas vezes à sua porta.
É possível que aquele que lhe deixou esta revista o visite outra vez, porque as testemunhas de Jeová estão interessadas em falar com os que têm mente investigadora. Por que não o convida a entrar e a considerar mais o assunto? Lembre-se de que o importante é descobrir a verdade. E há apenas uma verdade. Se estiver de posse dela, então queira usá-la para ajudar outros a se livrar da falsidade. Mas, se a sua mente estiver tendo dificuldades com uma religião que não consegue reconciliar com a razoabilidade, a castidade e a paz, então tem motivos para estar perturbado. Não desejará lavar as suas mãos como fez Pilatos. Prossiga na sua busca da resposta à pergunta: “Que é verdade?”
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Vivo interesse num governo justoA Sentinela — 1970 | 15 de setembro
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Vivo interesse num governo justo
● Distúrbios estudantis existem no Chile tanto quanto nas outras partes do mundo, e, em resultado, muitos destes jovens procuram o verdadeiro Deus com o desejo de servi-lo e cantar os Seus louvores. Um jovem veio a uma reunião num Salão do Reino das Testemunhas de Jeová e pediu um estudo bíblico. Tratava-se dum jovem estudante universitário que desejava saber alguma coisa sobre o governo que trará segurança e felicidade para a humanidade. Sempre se havia interessado em governo justo, e, esperando mudar as coisas para melhor, era um dos líderes dos grupos radicais na universidade. No entanto, em pouco tempo se dava conta de que não era assim que se produziriam mudanças para haver um mundo melhor, e por isso recorreu à Bíblia como a última esperança. Sua alegria ao aprender algo sobre o governo do Reino não tinha limites, e quase que imediatamente desejava participar no ministério da pregação para informar outros. Este jovem dirige agora seis estudos bíblicos com outros, e diversos destes já freqüentam as reuniões no Salão do Reino.
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