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  • Cegueira proveniente do rio
  • Despertai! — 1981
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Despertai! — 1981
g81 8/12 pp. 24-25

Cegueira proveniente do rio

Do Correspondente de “Despertai!” na Costa do Marfim

“ONCOCERCOSE! Que palavra! Nunca ouvi falar nisso antes. O que significa?” perguntou Jerry, meu amigo europeu.

“Cegueira”, foi a resposta simples que dei. “Cegueira proveniente do rio. Quer dizer: provocada por um mosquito gerado em alguns rios tropicais.” Jerry escutava atento minha explicação.

“Wayen é, por exemplo, uma pequena aldeia semi-abandonada, uns 70 quilômetros a oeste de Ouagadugu, capital do Alto Volta, país da África Ocidental. Fica nas proximidades do Volta Branco, uma das bacias fluviais altamente endêmicas. A maioria de seus habitantes padece de doenças, estando cegos ou com grave debilitação da vista.”

“Já esteve em Wayen?” perguntou Jerry.

“Diversas vezes. Na minha última visita, conheci Moussa. Ele é um dos 70.000 cegos da região do Sael, na África Ocidental. Há uma estimativa de 1.000.000 de vítimas que, embora ainda não estejam cegos, sofrem de alguma forma de oncocercose.

“Moussa na realidade não é um homem idoso, conforme parecem dar a entender as rugas de seu rosto. Ele só tem uns 40 anos; e, em circunstâncias normais, ainda estaria nos seus anos ativos. Mas está prematuramente velho, sua pele tendo ficado horrivelmente espessa e enrugada. Nas suas canelas, podia ver que a pigmentação tinha desaparecido de tanto coçar, deixando manchas de coloração rosa e cinzapálida.

“Ele é casado e tem quatro filhos. Mas vivem em extrema pobreza. O filho mais velho deixou a aldeia. Fugiu antes que ficasse cego. Vi seus irmãos no meio de outras crianças ali, com pedras ásperas e areia nas mãos, esfregando os braços e as pernas que coçavam. Seu grau de contaminação ainda é brando. Ainda não perderam a vista. É por isso que servem de guia para seus pais idosos e cegos, e com o tempo eles também ficarão cegos, pois a cegueira se tornou parte da vida deles.”

Transmissão da Doença

Expliquei a Jerry como a doença é transmitida de uma pessoa para outra através de uma pequena mosca-negra de dorso corcunda, chamada pelos especialistas de Simulium damnosum. Procria-se em rios e em correntes velozes e alimenta-se de sangue humano. A doença não se limita à África tropical. Encontra-se também no Iêmen, no México, na América Central e do Sul.

No caso de Moussa, a tragédia sobreveio logo na infância. Uma fêmea infetada da mosca-negra o picara, injetando nele um parasito do formato de um verme, chamado Onchocerca volvulus. Vivendo numa área altamente infestada, o pequeno Moussa foi picado diversas vezes.

Uma vez que o Onchocerca volvulus penetra no corpo humano, a vítima passa por um processo lento de debilitação. Quanto mais for picada, tanto mais vermes se ajuntam no seu corpo. Nos 15 anos ou mais que se seguem, diversos vermes machos e fêmeas, adultos, se ajuntam debaixo de sua pele, formando nódulos visíveis nas costas, nas cadeiras, nas nádegas, em volta dos joelhos e em alguns casos até mesmo na cabeça. Procriam-se dentro dele, produzindo em qualquer parte aproximadamente 50 a 200 milhões de “filhotes” de vermes. Estes invadem o corpo e eventualmente atingem os olhos. Ao morrerem dentro da córnea, ocorre uma reação celular, cria-se uma mancha opaca e culmina em cegueira.

“Diga-me uma coisa”, perguntou Jerry, “essa doença mata”?

“A oncocercose não mata”, respondi. “No máximo, provoca velhice e encurta a vida. Entretanto, causa muitas privações econômicas. Quando a maioria dos homens entre 25 e 45 anos — a população trabalhista ativa — é cega, a economia fica estropiada. É por esse motivo que em algumas áreas da bacia do rio Volta, na África Ocidental, as pessoas abandonaram os férteis vales ribeirinhos, só para se estabelecer em terras muito mais pobres, a fim de escaparem dos mosquitos.”

Programa de Assistência Médica e de Saneamento

“O que”, quer Jerry saber, “fez a ciência médica para oferecer alívio a essa pobre gente que sofre de ‘cegueira proveniente do rio’”?

Minha resposta não foi muito tranqüilizadora. “Já por algum tempo vêm sendo feitas pesquisas. Até agora, foram encontrados dois medicamentos, a suramina e a dietilcarbamazina. Todavia, ambos produzem efeitos colaterais sérios e só podem ser administrados sob estrita supervisão médica, controlando-se bem de perto. Com efeito, não são práticos para campanha de tratamento em massa.

“E no caso de se removerem os nódulos de vermes por meio de cirurgia?”

“Isso pareceria uma solução mais prática. De fato, tem sido feito na América Central. Esta solução, porém, não parece dar resultado na bacia do rio Volta, onde o índice de contaminação é tal que, com a remoção dos nódulos, só se cria mais espaço para os vermes mais novos.

“O único meio viável e eficaz atualmente parece ser a aplicação de inseticidas nos locais de foco das moscas-negras. É isso que a Unidade de Controle dos Vectores do Programa de Controle da Oncocercose vem fazendo semanalmente por meio de helicópteros e aviões pequenos na área da bacia do rio Volta desde 1974.

“O programa é organizado pela Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas com o apoio financeiro de países doadores voluntários e dos países participantes. Esses sete países, Benin, Gana, Costa do Marfim, Máli, Níger, Togo e Alto Volta, esperam que essa terra fértil se recupere do mal, a fim de que seus habitantes possam fixar residência novamente ao longo dos rios. O programa de controle estabeleceu para si a meta de realizar esta tarefa em 20 anos. Até o presente, mais de US$ 46 milhões [Cr$ 5,5 bilhões] foram gastos na luta contra a mosca-negra.”

“Qual foi o sucesso até agora?”

“Bem, a transmissão da doença foi interrompida em algumas áreas. Algumas populações migrantes já voltaram a fixar residência nos vales ribeirinhos que foram controlados ‘com sucesso’. Mas, conforme disse certa autoridade do programa de controle: ‘Isto está longe de erradicar a doença. Só podemos falar em termos de reduzir, talvez ao mínimo possível.’”

Naturalmente, a oncocercose é apenas uma das muitas doenças penosas que cobram um tributo estarrecedor da humanidade. Os esforços humanos para trazer alívio são limitados e temporários. Que alegria há de haver quando as vítimas dessa doença puderem ufanar-se não só de que ‘sua pele voltou aos dias do seu vigor juvenil’, mas também de que ‘se abriram seus olhos cegos’! — Jó 33:25; Isa 35:5.

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