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IncorrupçãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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condição imperfeita, o seu corpo está sujeito a doenças prejudiciais e, por fim, à dissolução na morte, os elementos que formam o corpo se decompondo e degenerando. (Atos 13:36) Quanto às coisas imateriais, bons hábitos podem ser corrompidos ou estragados pelas más associações (1 Cor. 15:33), os homens podem tornar-se mentalmente corrompidos, desviando-se da sinceridade, da castidade e da verdade (2 Cor. 11:3; 1 Tim. 6:5; 2 Tim. 3:8), isto resultando na degeneração moral, uma corrupção da personalidade do indivíduo. — Efé. 4:22; Judas 10.
Até mesmo corpos humanos perfeitos são corruptíveis, isto é, não estão além da ruína ou destruição. Por esta razão, o apóstolo Paulo podia dizer que o ressuscitado Jesus estava, dali em diante, “destinado a nunca mais voltar à corrupção” (Atos 13:34), isto é, jamais retornar à vida num corpo humano corruptível. Apenas a ação tomada por Deus pôde impedir que o corpo carnal da existência terrestre de seu Filho visse a corrupção no túmulo. (Atos 2:31; 13:35-37) Não foi o caso, porém, de tal corpo ser preservado para ser usado pelo ressuscitado Jesus, uma vez que o apóstolo Pedro declara que Jesus foi “morto na carne, mas vivificado no espirito”. (1 Ped. 3:18) Parece assim evidente que Deus deu miraculosamente fim a tal corpo, desta forma não permitindo que se decompusesse. — Veja CORPO (Corpo Carnal de Cristo).
Mostra-se-nos que os anjos, embora sendo criaturas espirituais, têm corpos corruptíveis, uma vez que se declara que eles estão sujeitos à destruição. — Mat. 25:41; 2 Ped. 2:4; compare com Lucas 4:33, 34.
Escravização humana à corrupção
Ao passo que Adão, mesmo em sua perfeição, possuía um corpo corruptível, foi somente por causa de sua rebelião contra Deus que passou a experimentar a corrupção. Por pecar, veio a ficar em “escravização à corrupção” e transmitiu tal condição a todos os seus descendentes, a raça humana. (Rom. 8:20-22) Tal escravização à corrupção resulta do pecado ou transgressão (Rom. 5:12) e produz a imperfeição física que leva à degradação, à doença, ao envelhecimento e à morte. Por este motivo, aquele que ‘semeia visando a carne ceifa da carne corrupção’, e não obtém a vida eterna prometida aos que semeiam visando o espírito. — Gál. 6:8; compare com 2 Pedro 2:12, 18, 19.
OS CRISTÃOS ALCANÇAM A INCORRUPÇAO
Conforme observado, as Escrituras Hebraicas não fazem referência direta à incorrupção, e sublinham regularmente a mortalidade da alma humana. (Veja ALMA; IMORTALIDADE.) Assim, o apóstolo afirma sobre Cristo Jesus que ele “lançou luz sobre a vida e a incorrupção por intermédio das boas novas”. (2 Tim. 1:10) Por meio de Jesus, Deus revelou o segredo sagrado de seu propósito de conceder aos cristãos ungidos o privilégio de reinar com seu Filho nos céus. (Luc. 12:32; João 14:2, 3; compare com Efésios 1:9-11.) Por ressuscitar de entre os mortos o Salvador deles, Jesus Cristo, Deus concedeu a tais cristãos a esperança viva de “uma herança incorruptível, e imaculada, e imarcescível . . . reservada nos céus”. (1 Ped. 1:3, 4, 18, 19; compare com 1 Coríntios 9:25.) Tais pessoas ‘nascem de novo’ enquanto ainda estão na carne, isto é, concede-se-lhes a posição de filhos espirituais de Deus, nascidos de ‘semente reprodutiva incorruptível, por intermédio da palavra do Deus vivente e permanecente’. — 1 Ped. 1:23; compare com 1 João 3:1, 9.
Embora Deus lide com eles como Seus filhos espirituais, e embora tenham a promessa duma herança incorruptível, estes cristãos chamados ao reino celeste não possuem a imortalidade ou a incorrupção enquanto estão na terra, na carne. Vê-se isto do fato que eles estão “buscando glória, e honra, e incorruptibilidade, pela perseverança na obra que é boa”. (Rom. 2:6, 7) A “incorruptibilidade” buscada evidentemente não significa simples ausência de corrupção moral. Por seguirem o exemplo de Cristo e por meio de fé no sacrifício resgatador dele, tais cristãos já ‘escaparam da corrupção que há no mundo, pela concupiscência’ (2 Ped. 1:3, 4), ‘amando o nosso Senhor Jesus Cristo em incorrupção’ e ‘mostrando no seu ensino incorrupção’. (Efé. 6:24; Tito 2:7, 8) A incorruptibilidade (junto com a glória e a honra) que buscam por meio da perseverança fiel relaciona-se com sua glorificação, por ocasião de sua ressurreição como reais filhos espirituais de Deus, e isto se evidencia da primeira carta de Paulo aos coríntios.
RESSURREIÇÃO PARA A IMORTALIDADE E A INCORRUPÇÃO
Conforme considerado no verbete IMORTALIDADE, Cristo Jesus obteve a imortalidade ao ser ressuscitado de entre os mortos, dali em diante possuindo uma “vida indestrutível”. (1 Tim. 6:15, 16; Heb. 7:15-17) Como a “representação exata do . . . próprio ser” de seu Pai, que é o Deus incorruptível (Heb. 1:3; 1 Tim. 1:17), o ressuscitado Jesus também goza de incorruptibilidade.
Unidos com Jesus na semelhança de sua ressurreição, seus co-herdeiros também são ressuscitados, não simplesmente para a vida eterna quais criaturas espirituais, mas para a imortalidade e a incorrupção. Tendo vivido, servido fielmente, e morrido em corpos humanos corruptíveis, recebem então corpos espirituais incorruptíveis, como Paulo mostra claramente em 1 Coríntios 15:42-54. Por conseguinte, a imortalidade evidentemente se refere à qualidade de vida que usufruem, à sua qualidade infindável e indestrutível, ao passo que a incorrupção aparentemente se relaciona com o organismo ou o corpo que Deus lhes dá, organismo este inerentemente isento de decomposição, de estrago ou destruição. Por conseguinte, parece que Deus lhes concede o poder de auto-sustentação, não dependendo de fontes externas de energia, como dependem Suas outras criaturas, carnais e espirituais. Isto é estimulante evidência da confiança que Deus deposita neles. Tal existência independente e indestrutível, porém, não os remove do controle de Deus, e eles, como seu Cabeça, Cristo Jesus, continuam sujeitos à vontade e às orientações do seu Pai. — 1 Cor. 15:23-28.
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ÍndiaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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ÍNDIA
[Heb., Hóddu; compare com o sânscrito Sindhu, que significa “mar, grande rio”, e, por conseguinte, refere-se de forma primária ao rio Indo]. Há incerteza quanto à área exata abrangida pelo nome bíblico “Índia“. (Ester 8:9) Os estudiosos geralmente sugerem que indica a área da bacia do rio Indo e seus tributários, isto é, a região de Pundjab e talvez também Sind. O testemunho do historiador Heródoto (História, Livro m, sec. 88, 94; Livro IV, sec. 44, Clás. Jackson) indica que “Índia” veio a tornar-se inicialmente parte do Império Persa durante a regência de Dario Histaspes (c. 522-486 A.E.C.). No tempo de Assuero (considerado como sendo Xerxes I, filho de Dario Histaspes), a Índia ainda constituía o limite oriental do império. (Ester 1:1) Inscrições de Xerxes I também alistam a Índia como parte de seu domínio.
A evidência arqueológica aponta que florescia uma civilização no vale do Indo séculos antes do período persa. Os sítios mais antigos ali fornecem evidência de planejamento urbano e de atenção dada ao saneamento. As ruas tinham um traçado cuidadoso, formando quarteirões, e um sistema de drenagem ia das casas para esgotos de tijolos. As cidades também dispunham de grandes banhos públicos.
É provável que o vale do Indo fosse povoado não muito depois de ser confundida a língua dos edificadores de Babel. Uma comparação da civilização antiga do vale do Indo com a da Mesopotâmia revela, efetivamente, algumas similaridades. Estas incluem o erguimento de estruturas como as plataformas em zigurate da Mesopotâmia, esculturas de figuras humanas, com cabeças tendo aspectos faciais em forma de máscaras, típicos das antigas esculturas mesopotâmicas, e sinais pictográficos que se assemelham às primitivas formas mesopotâmicas. O assiriólogo Samuel N. Kramer sugeriu que o vale do Indo foi colonizado por um povo que fugiu da Mesopotâmia, quando os sumerianos assumiram o controle de tal área.
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InfernoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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INFERNO
Trata-se do vocábulo usado na versão Almeida (bem como na católica versão Soares e na maioria das traduções antigas), para traduzir o termo hebraico she’óhl e o grego haides. Na versão Almeida, a palavra “inferno” traduz o termo she’óhl vinte e oito vezes, e haides sete vezes. Esta versão não é coerente, contudo, uma vez que she’óhl também é traduzido vinte e sete vezes “sepultura”, cinco vezes “sepulcro”, uma vez “terra”, uma vez “enterrados”, uma vez “mundo invisível”, e duas vezes é transliterado “Seol”. Na versão Soares, o termo she’óhl é traduzido “inferno (s)” trinta e quatro vezes, “habitação dos mortos” onze vezes, “sepulcro” onze vezes, “sepultura” quatro vezes, “abismo” uma vez, “terra“ uma vez, “[perigos] exiciais” uma vez, “morte” uma vez, e é transliterado “cheol” duas vezes.
Ilustrando o problema, em 1885, quando foi publicada a completa English Revised Version (Versão Revisada Inglesa), a palavra original she’óhl foi, em muitos lugares, transliterada para o texto inglês das Escrituras Hebraicas, embora, na maioria das ocorrências dela, se usasse “sepultura” e “cova”, e se encontra o termo “inferno” umas quatorze vezes. Este foi um ponto em que a comissão estadunidense discordou dos revisores ingleses, e, assim, ao produzirem a American Standard Version (Versão Normal Americana; 1901), transliteraram she’óhl em sessenta e cinco ocorrências. Ambas as versões transliteraram haides nas Escrituras Gregas Cristãs em todas as suas dez ocorrências, embora a palavra grega Géenna (Port., “Geena”) seja traduzida em todas elas como “inferno”, como acontece em muitas outras traduções modernas.
A respeito do uso de “inferno” para traduzir estas palavras originais do hebraico e do grego, An Expository Dictionary of New Testament Words (Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento), de W. E. Vine (Vol. H, p. 187) afirma: “HADES . . . Corresponde a ‘Seol’ no A.T. [Antigo Testamento]. Na V.A. [Versão Autorizada] do A.T. [Antigo Testamento] e do N.T. [Novo Testamento], foi vertido de modo infeliz por ‘Inferno’.”
A Colliefs Encyclopedia (Enciclopédia de Collier; ed. 1965, Vol. 12, p. 27) afirma a respeito do “Inferno”: “Primeiro representa o hebraico Seol do Antigo Testamento, e o grego Hades, da Septuaginta e do Novo Testamento. Visto que Seol, nos tempos do Antigo Testamento, se referia simplesmente à habitação dos mortos e não sugeria distinções morais, a palavra ‘inferno’, conforme entendida atualmente, não é uma tradução feliz.”
Com efeito, é devido ao modo como a palavra “inferno” é entendida hoje em dia que ela constitui tal meio ‘infeliz’ de verter estas palavras bíblicas originais. Basicamente, o significado original da palavra “inferno” é bem similar ao significado destas palavras bíblicas, mas tal significado se perdeu de vista e foi substituído por outro significado, que muito se contrasta com o original. O New Twentieth Century Dictionary, Unabridged (Novo Dicionário do Século Vinte, Exaustivo), de Webster, afirma sob “Inferno”: “de helan, cobrir, esconder”. A palavra “inferno” não transmitia assim, originalmente, nenhuma
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