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  • Você pode enfrentar a vida — por que alguns preferem o suicídio?
    Despertai! — 1982 | 8 de fevereiro
    • Você pode enfrentar a vida — por que alguns preferem o suicídio?

      ACHA cada vez mais difícil lidar com os problemas que o cercam? Ao ler o artigo seguinte, “Sinto-me Muito Feliz de Estar Viva!”, verificará como foi que certa senhora aprendeu a lidar com os problemas e descobriu uma razão para viver. Você também é capaz disso. Contudo, os fatos mostram que crescente número de pessoas julga-se incapaz de enfrentar a vida.

      Nos Estados Unidos, registram-se cerca de 25.000 suicídios anualmente. Calcula-se que outras centenas de milhares de pessoas fracassam na sua tentativa. Estima-se também que exista um total acumulado de vários milhões de pessoas que já tentaram tirar sua vida.

      Alguns países têm índices de suicídios ainda maiores do que o dos Estados Unidos. Mundialmente, o índice de suicídios atingiu proporções alarmantes. Está envolvido tanto o rico como o pobre — e os números continuam a aumentar

      Por que tantas pessoas estão decidindo que são incapazes de enfrentar a vida?

      Por Quê?

      “Por causa dos três ‘des’: desfortuna, desamparo e desesperança”, responde o Dr. Calvin J. Frederick, chefe do serviço de assistência urgente nos casos de doença mental e de tragédias, do Instituto Nacional de Sanidade Mental, nos Estados Unidos. Assim, para o suicida em potencial, parece que uma coisa atrás da outra sai errada. Sente-se incapaz de enfrentar o presente e não vê no futuro nada de bom que possa mudar as coisas. Mas, o que leva a pessoa a mergulhar a tais profundezas do desespero? São várias as razões.

      A extrema pobreza leva alguns ao ponto do desespero. Para muitos, a pobreza é uma questão de sobrevivência — uma luta para obter alimento suficiente para sustentar a si e a sua família. E alguns, não suportando ver sua família passar necessidade, optam pela alternativa — o suicídio.

      Muitos outros acham difícil enfrentar uma doença crônica, dolorosa. Diante da perspectiva de viver no futuro sentindo dores diariamente, alguns planejam tirar a sua vida e assim acabar com o sofrimento. Na verdade, para ajudar a tais pessoas, recentemente foi publicado um livro descrito como “primeiro guia no mundo sobre como suicidar-se eficazmente”.

      Indicando outro fator, temos o comentário duma porta-voz dos Samaritanos, organização na Inglaterra especializada em ajudar suicidas em potencial. Ela disse: “Parece que a depressão está aumentando, e um fator contribuinte pode ser o desemprego.” (O grifo é nosso.) Para ilustrar: Os jovens que saem da escola e não conseguem emprego compartilham com os mais idosos, considerados inúteis, um sentimento comum de rejeição. A frustração logo pode levar à depressão aguda. A previdência social ou o seguro de desemprego não resolvem o problema. E que dizer do homem que perde o emprego que por muitos anos lhe deu condições para sustentar bem a sua família? Agora, todos os dias consulta os anúncios de emprego. Comparece a uma entrevista após outra, mas não consegue emprego. No ínterim, a família ainda necessita comer. As contas se avolumam. Obviamente, uma situação nada fácil de se enfrentar, não é?

      A solidão é algo com a qual muitos outros se sentem incapazes de lidar. Talvez alguém perca o cônjuge, depois de muitos anos de casamento feliz. Para alguns, a idéia de viver sem o cônjuge é inconcebível.

      Alguns pesquisadores acham que o suicídio entre os mais idosos é uma reação a uma série de perdas: seu cônjuge morre; seus filhos saíram de casa; aposentam-se ou são forçados a se aposentar; são obrigados a viver de uma renda fixa ao passo que os preços continuam a subir; sua memória começa a falhar; sua saúde lentamente se deteriora; perdem o auto-respeito à medida que se tornam mais dependentes dos outros. Assim, o suicídio pode ser encarado como maneira de evitar ser uma carga para os outros ou qual alternativa para passar o resto de seus dias num asilo.

      Suicidas Jovens — Por quê?

      O aumento mais notável de suicídios e de tentativas de suicídio ocorre entre os jovens. Nos Estados Unidos, segundo algumas fontes, calcula-se que 57 crianças e adolescentes tentam o suicídio a cada hora. O Canadá teve um aumento quádruplo em suicídios de jovens desde os anos 1950. Da França, da República Federal da Alemanha, do Japão e da Suécia vêm informações de tendências similares. Por que tantos jovens se sentem incapazes de enfrentar a vida?

      A desesperança quanto ao futuro é apontada como uma das razões principais. A Dra. Diane Syer, na qualidade de diretora da Unidade de Mediação de Crises, no Hospital das Clínicas do Leste, em Toronto, Canadá, disse que os jovens que tentam o suicídio acham “que seu mundo não vai melhorar em nada e, sendo assim, que adianta prosseguir”?

      Nas escolas e universidades, a aparentemente infindável pressão de “conseguir os pontos” leva muitos outros ao ponto de colapso. Na República Federal da Alemanha e no Japão este medo de fracassar contribui grandemente para os altos índices de suicídio entre os jovens. Em certos casos são os pais que exercem a pressão, esperando que seus filhos não apenas aprendam, mas que se sobressaiam. Muitos impelem seus filhos a perseguir uma carreira específica sem dar qualquer consideração às suas habilidades e preferências. O Dr. Richard Seiden, da Universidade da Califórnia, disse: “Alguns pais necessitam que seus filhos se realizem para compensar seus próprios sentimentos de incapacidade.”

      Muitos pesquisadores crêem que a insegurança na vida familiar é outra causa importante. À medida que mais e mais famílias são dilaceradas pelo divórcio, muitos jovens culpam a si mesmos pelo rompimento de seus pais. A permissividade contribui para a insegurança. Permite-se que os jovens façam suas próprias decisões quanto ao sexo, às drogas, ao álcool — decisões para as quais não estão preparados. Encaram esta permissividade qual falta de preocupação parental. Em resultado, alguns chegam à conclusão que seus pais estariam em melhor situação sem eles.

      “Outro fator é a desvalorização da vida”, diz o Dr. Herbert Hendin, professor clínico adjunto de psiquiatria na Universidade Colúmbia, de Nova Iorque. (O grifo é nosso.) O que contribui para esta “desvalorização da vida”? “Quando uma criança atinge os 15 anos, ele ou ela já assistiu a 14.000 assassinatos ou mortes violentas na televisão”, diz o Dr. Seiden. Em adição a isso existem as canções populares (em inglês) que abordam o suicídio como tema: “Imagine que Eu Vou me Matar”; “Estou Destinado ao Mortuário”; “Suicídio”.

      Com muita freqüência ouve-se os membros da família e os amigos da vítima dizer: “Se eu apenas soubesse . . .” É possível perceber-se quando um ente querido se sente incapaz de enfrentar a vida? Que ajuda pode ser prestada?

      Ajuda — De Quem? De Onde?

      É importante compreender que a maneira como tratamos os que nos cercam — nossa família e nossos amigos — pode ter um efeito significativo sobre se estes vão achar que vale a pena viver ou não. Conforme escreveu certa moça de 16 anos que pensara em suicidar-se: “Talvez se os pais e os filhos fossem mais bondosos uns com os outros, se os professores fossem mais compreensivos, se não sentíssemos existir tanta competição entre um e outro, se as nossas mentes não estivessem tão abertas ao sexo e tão fechadas a um relacionamento genuíno, todos nós estaríamos em situação melhor.” Mas, quando a pessoa acha que não vale a pena viver, onde pode obter ajuda?

      A ajuda para os jovens deveria logicamente originar-se de seus pais. As pessoas mais idosas que se sentem incapazes de enfrentar a vida também necessitam poder recorrer a alguém que sabem que vai se interessar, alguém que dará conselho sadio e prático. Em que deve reparar, para saber se um ente querido pensa em desistir da vida?

      Os especialistas alistam uma variedade de sinais alertadores: ameaças de suicídio; isolar-se dos outros; mudanças abruptas no comportamento, tais como alguém expansivo tornar-se retraído; desfazer-se de “objetos de estimação”; depressão severa. Até mesmo a insônia, a perda do apetite e o declínio na atenção às tarefas escolares, quando tais mudanças são súbitas, prolongadas e não típicas da pessoa, não deveriam ser despercebidas. Mas, o que pode fazer para ajudar?

      “Simplesmente ser amigo, sentar-se e permitir que a [pessoa] desabafe” pode ajudar, diz o Dr. Mark Solomon, estudioso do assunto. Seja compreensivo. Não diga, “ora, o que é que há, seus problemas não podem ser tão sérios assim”. Esteja disposto a escutar. Ofereça alternativas; ajude-a a ver que as coisas podem mudar. Não receie falar francamente. Isto pode ajudá-la a abrir-se e a falar de seus problemas.

      Muitos, não encontrando um ouvido atento entre os entes queridos, procuram ajuda nos centros de prevenção contra suicídios e mediação de crises. Muitos destes estão equipados com linhas de telefone de emergência que funcionam 24 horas por dia. Num desses postos nos Estados Unidos, o centro de Los Angeles, são atendidas cerca de 18.000 chamadas por ano. Na Inglaterra, os Samaritanos (uma organização nacional) alcançou o auge de cerca de 1.500.000 chamadas em 1979, ano em que 4.192 cometeram suicídio.

      Tais postos não apenas tentam salvar a vida de quem está no outro lado da linha telefônica, mas podem também fornecer referências para ajudar a pessoa a lidar com os problemas do momento. Tais referências podem incluir serviços de saúde mental e médicos, talvez até mesmo ajuda para encontrar uma creche ou um emprego.

      Quando pensam em suicidar-se, alguns recorrem ainda a outra fonte de ajuda, conforme mostra o caso a seguir:

      Poucos meses atrás, um rapaz telefonou à Sociedade Torre de Vigia em Londres, Inglaterra. Explicou que ele e sua esposa tinham uma amiga à beira do suicídio e pediu que alguém a visitasse na casa dele o mais breve possível.

      Ao chegar, um representante da congregação local das Testemunhas de Jeová encontrou uma jovem senhora profundamente deprimida após ter provocado um aborto. Com a ajuda da Bíblia, a Testemunha de Jeová falou a respeito da misericórdia de Deus e ajudou-a a adquirir entendimento dos princípios cristãos qual modo de vida. Ela sentiu-se grata pela ajuda e encorajamento para começar tudo de novo, o que fez.

      Mas por que seus amigos decidiram chamar as Testemunhas de Jeová? Simplesmente porque sabiam que sua amiga seria visitada por alguém que iria se interessar e que usaria a Bíblia para falar consoladoramente. — 1 Tes. 5:14.

      Você Pode Enfrentar!

      Está você abatido e deprimido por causa de um ou mais dos problemas mencionados acima? Alguma vez já se sentiu incapaz de enfrentá-los, achando que não vale a pena prosseguir? Certamente, deve ter motivo para certa medida de tristeza. Mas não se, desespere — você pode enfrentar a situação! Mas, como?

      Tente pensar de modo positivo. A maioria dos problemas têm solução. Se não sabe qual poderia ser, no seu caso, por que não tenta confidenciá-lo a algum conhecido, cujo conselho respeita? Talvez um amigo mais idoso, compreensivo, pode muito bem ter enfrentado e vencido uma dificuldade semelhante. A solução pode ser simples. Às vezes o necessário é uma mudança de atitude.

      Por exemplo, o motivo de sua depressão é o desemprego? Vem tentando, sem êxito, arranjar outro emprego? Bem, que tipo de emprego procura? Um que oferece o mesmo cargo e salário daquele que perdeu? Talvez seria mais sábio ‘engolir seu orgulho’ e aceitar um emprego que pague um pouco menos, ou, se necessário, bem menos. Afinal, um pouco é melhor do que nada!

      É a solidão o seu problema? Então, não se isole. Lute contra o sentimento de ter pena de si mesmo. Uma das melhores maneiras de combater a solidão é fazer o bem para uma outra pessoa. ‘Mas eu preciso de ajuda’, você diz. ‘Como posso prestar ajuda?’ Jesus Cristo disse: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” (Atos 20:35) Por que não tenta fazer isso? Verificará que dar aos outros soerguerá seu ânimo. É verdade que isto não removerá seu problema, mas poderá ajudá-lo a lidar com ele.

      Mas talvez pense que seu problema — doença crônica ou morte dum ente querido — seja insolúvel. No entanto, há uma fonte de ajuda disponível que pode ajudá-lo a enfrentar mesmo os problemas aparentemente insolúveis. De fato, esta fonte de ajuda nos assegura de que no futuro próximo todos os problemas serão completamente solucionados. Qual é esta fonte? Trata-se duma pessoa cujo conhecimento e habilidade para ajudar é muito maior do que a de qualquer humano. Sim, o próprio Deus.

      É verdade que muitas pessoas zombam dessa idéia. Mas, você tem de admitir que existem também muitas pessoas com problemas. E deixarem de recorrer a Deus não as deixa melhor preparadas para enfrentar seus problemas, não é mesmo?

      Na Bíblia, em 2 Timóteo 3:16, 17, lemos: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente.”

      Sim, a Bíblia é o guia de Deus para o homem. Estudá-la e aplicá-la em sua vida pode ajudá-lo a lidar com todos os tipos de problemas — desemprego, pobreza, solidão, mesmo com problemas aparentemente sem solução, tais como má saúde crônica ou morte dum ente querido. A Bíblia dá aos servos de Deus a certeza de que, em ocasiões de tensão e ansiedade, terão seu cuidado amoroso. E aqueles que em fé recorrem a Jeová Deus em busca de ajuda que esteja em harmonia com a vontade dele, obtêm a ajuda amorosa que realmente satisfaz as suas necessidades. — 1 Ped. 5:7; 1 João 5:14.

      Mais do que isso, porém, a Bíblia explica que os problemas do mundo atual constituem prova de que vivemos nos “últimos dias”. (2 Tim. 3:1) Em breve Deus introduzirá uma nova ordem de coisas, que solucionará completamente todos os problemas dos que o amam. A respeito das atuais condições mundiais, Jesus disse: “Mas, quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” — Luc. 21:28; 2 Ped. 3:13.

      Tal conhecimento inspira esperança. E esta esperança nos dá razão de viver, não importa quais sejam os nossos problemas. Por que não descobrir mais a respeito disso? As Testemunhas de Jeová o ajudarão prazerosamente.

      Sim, com a ajuda da Palavra de Deus, a Bíblia, você pode enfrentar a vida!

  • Sinto-me muito feliz de estar viva!
    Despertai! — 1982 | 8 de fevereiro
    • Sinto-me muito feliz de estar viva!

      SIM, três vezes tentei cometer suicídio. Mas — oh! Agora sinto-me muito feliz de estar viva!

      Fui criada num lar desfeito. Meus pais, nunca foram felizes juntos, desde que me lembro. Quando finalmente se divorciaram, fui enviada para uma escola com internato. Daí, nos feriados, eu e minha irmã éramos enviadas à casa de vários parentes visto que meu pai, marinheiro mercante, não podia cuidar de nós. Ambas crescemos achando que éramos indesejadas.

      Na adolescência, abandonei a Igreja Católica Romana, pois achei que seus ensinos eram contraditórios. Jamais poderia crer no tormento num inferno de fogo, nem que meu destino seria estar no céu. Para mim, a morte era apenas um período de serenidade. E quanto a qualquer significado que a vida pudesse ter agora, achava que eu existia sem finalidade alguma.

      O casamento não resolveu meus problemas. As coisas começaram a se tornar insuportáveis. Ocasionalmente ia visitar amigos, mas muitas vezes diziam: “Oh, estou de saída!” ou: “Pode fazer-me o favor de fazer isso para mim?” Andava à procura deles mas não me davam a atenção que eu achava que necessitava.

      Eu passava a maior parte do dia sentada, lendo livros. Deixei de cozinhar. Parei de falar com as pessoas e não fazia nada além do estritamente necessário. As pessoas que me cercavam simplesmente me ignoravam, ou eu pensava que me ignoravam. Tudo era muito estranho. Sentia-me infeliz, solitária, necessitando desesperadamente de alguém com quem pudesse falar. Mas não havia ninguém. Eu havia excluído a todos de minha vida! Tudo isso levou-me à primeira tentativa de tirar a minha vida.

      Por que o Suicídio?

      Quando um indivíduo planeja cometer suicídio (e muitos o planejam bem cuidadosamente), as pessoas que o cercam caem em três categorias. Primeira, existem aquelas a quem ele ama muito mas sente que de alguma maneira falhou para com elas. Acha que, sem ele, esses entes queridos estarão em melhores condições. Na segunda categoria encontram-se aquelas a quem ele quer impingir um duro golpe. Acha que foi tão duramente ferido por essas que o melhor modo de feri-las é matando-se — daí certamente sofrerão dores de consciência. No terceiro grupo estão as pessoas que, segundo crê, de modo algum se preocupam com ele e não se preocuparão mesmo se algo lhe acontecer. Lembrando o passado, todas as três contribuíram um pouco para o meu estado.

      Chegou o tempo em que não mais podia enfrentar todas as coisas à minha volta. Eu amava ardentemente os meus filhos mas fiquei genuinamente convencida de que teriam uma vida melhor sem mim, visto que eu era tão incapaz. Daí, quando tive uma discussão com meu marido, raciocinei que a minha morte certamente seria um golpe contra ele. Por fim, eu não tinha mais ninguém ao meu lado que se interessasse, a quem pudesse falar a respeito dos meus problemas.

      Planejei a minha morte cuidadosamente. Abri o gás e deitei-me para morrer. Curiosamente, naquele exato momento meu marido me telefonou para desculpar-se de nossa discussão. Não sendo atendido, chegou a casa, do serviço, na hora H. Alertado pelo cheiro de gás, arrombou a porta e salvou minha vida.

      Quando recobrei os sentidos, sentia-me muito deprimida e muito irritada. Minha frustração aguda logo levou-me a uma segunda tentativa. De novo eu havia tido uma briga com meu marido, mas, em vez de enfrentar meus problemas, eu era capaz apenas de fugir deles. Se apenas soubesse como enfrentá-los — mas eu não sabia.

      Vesti meu casaco mais pesado e andei vários quilômetros, até o rio Tâmisa. Imaginava que, uma vez que eu não sabia nadar, o casaco pesado logo me arrastaria para o fundo da água. Quão certa eu estava! Mas, bem por acaso, uma lancha da polícia estava na vizinhança da ponte da qual eu pulara. Dentro de cinco ou seis minutos fui içada a bordo. O policial me disse que caso tivessem chegado um pouquinho mais tarde eu teria afundado pelo simples peso da minha roupa molhada.

      Feri-me no pulo e fiquei muitos meses no hospital. Por causa disso, meus filhos foram colocados sob custódia. As autoridades tentaram me reabilitar, usando a religião, a psicologia e a psiquiatria. Mas nunca tiveram bom êxito.

      Após receber alta eu tomava comprimidos para me estimular, outros para me descontrair e ainda outros para dormir — até 20 comprimidos diferentes por dia! Meus filhos, podia observar, estavam muito desconcertados. Trazê-los para casa apenas uma vez por semana, conforme me era permitido, prejudicava-os bastante. Assim, mais uma vez decidi livrá-los, por acabar com a minha vida.

      Altas horas da noite dirigi-me a um local bem deserto, o lugar mais isolado que eu podia imaginar, e engoli meu estoque de comprimidos — todo ele. Realmente, eu não era para estar viva hoje para contar a história. Mas, de manhã cedo, certo homem que morava perto foi acordado pelo seu cachorro e decidiu dar uma volta com ele. Achou-me deitada no capim. Fui levada às pressas ao hospital, onde limparam o meu estômago.

      Quando acordei, rompi em prantos. Sentia-me muito deprimida, muito infeliz. Sentia-me como se estivesse num quarto bem escuro. Minha solidão era muito intensa. Não havia ninguém a quem pudesse recorrer. Minha vida tinha sido salva, mas, para que? Eu queria muito morrer.

      Minha Linha de Salvação — a Oração

      Meu marido bondosamente arranjou uma casa nova para mim e as crianças e eu me conformei em cuidar delas até que tivessem idade suficiente para cuidarem de si mesmas. Daí eu decidiria o que faria da minha vida. Ainda tinha uma atitude derrotista.

      Certo dia meu marido teve uma palestra com uma Testemunha de Jeová. Quando, convidada pelo meu marido, a Testemunha voltou, falei com ela. Eu sempre havia tido respeito pela Bíblia e fiquei totalmente surpresa com o conhecimento que esse homem tinha dela. Para cada pergunta que eu fazia, ele me dava uma resposta — uma bela resposta bíblica!

      Conforme pode imaginar, naquela época eu estava numa situação muito deprimente. Embora instintivamente soubesse que existia um Ser Supremo, eu nunca soubera como entrar em contato com ele. Contudo, este homem sabia orar — e ele me ensinou como orar! Lembro-me de ter perguntado: “Por que orar em nome de Jesus? Por que orar a Deus? Por que não a Jesus Cristo? ou a Maria?” As respostas satisfatórias vinham da Bíblia. Era como se alguém acabasse de abrir uma porta para mim, e quão agradecidamente entrei por ela! — Mat. 6:9; João 16:23, 24.

      Em questão de semanas, comecei a orar de um modo como nunca havia orado antes. Descobri que não era necessário eu tentar me manter por conta própria. Não era necessário fazer tudo sozinha. (Fil. 4:6, 7) Naquela época eu fumava 60 a 70 cigarros por dia. Mas em questão de três ou quatro semanas larguei o vício. Não mais necessitava dessa muleta.

      Logo derivava muita alegria e contentamento ao partilhar com meus vizinhos o conforto que as “boas novas” me trouxeram. Recebi força adicional advinda da minha associação nas reuniões no Salão do Reino local das Testemunhas de Jeová. Dentro de seis meses, em maio de 1975, dediquei minha vida a Jeová Deus.

      Toda essa idéia de me suicidar começou mais de 10 anos atrás. Ainda fico deprimida uma vez ou outra, quando as coisas se tornam insuportáveis, o que acredito acontece com todos. Agora, porém, eu tenho uma ‘força além da normal’. (2 Cor. 4:7, 8) Tenho a ajuda de Jeová. Não importa quão infeliz eu me sinta, Ele sempre vem bater à minha porta — não literalmente, é claro, mas, de uma maneira ou de outra Ele vem como que para dizer: ‘Você não está sozinha!’

      Minha linha vital de comunicações por meio da oração está sempre aberta. Sinto-me realmente agradecida. Tenho a minha vida, uma família amorosa e um motivo para viver. O que mais pode alguém querer? — Contribuído por uma leitora de “Despertai!” na Inglaterra.

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