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Que valor dá à sua vida?A Sentinela — 1976 | 1.° de abril
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Que valor dá à sua vida?
UM MOTORISTA em Brooklyn, Nova Iorque, passou a dar marcha à ré no seu carro, a fim de entrar numa vaga para estacionar. Veio então outro carro por detrás e tomou depressa a vaga. O primeiro motorista, irado, dirigiu-se ao outro carro, para censurar o motorista. De repente, o segundo motorista o estripou com uma faca.
Numa mercearia de bairro, dois homens entraram numa discussão. Saíram à rua, onde um matou o outro com um pau.
Podemos ler a respeito de tais casos quase que cada dia. Muitas pessoas, nestes tempos tensos, ficam muito “nervosas”, de modo que um acesso de ira ou uma palavra errada podem resultar numa briga que pode custar a vida de alguém. Em escala maior, distúrbios e revoluções têm causado muitas vítimas. A vida tornou-se deveras barata aos olhos de um número cada vez maior de pessoas.
O que pensa sobre a vida? Dá-lhe valor? Neste caso, há algo que possa fazer agora para proteger a sua vida? Há algo que garanta proteção, ou pelo menos maior segurança?
Sim, há. Mas exige algum esforço para saber o que fazer, e constante vigilância em fazê-lo. Controlar o seu próprio gênio é uma das principais qualidades pelas quais se deve esforçar. “Quem prontamente se ira cometerá tolice”, diz o provérbio veraz. Manter a língua calma, em circunstâncias irritantes, pode salvar a sua vida, bem como a de outros, conforme diz outro provérbio: “A calma da língua é árvore de vida.” O autodomínio pode impedir grande pesar e pode às vezes significar a diferença entre a vida e a morte. “Uma resposta, quando branda, faz recuar o furor, mas a palavra que causa dor faz subir a ira.” (Pro. 14:17; 15:1, 4; 16:32) Mas a capacidade de controlar o gênio não é fácil de alcançar.
Como poderá obter autodomínio, para ficar calmo em situações perigosas? Por exercitar-se no domínio de sua maneira de falar, quando estiver com sua família, ou no emprego, ou quando as coisas não saem exatamente como queria. Naturalmente, não poderá evitar de todo ficar irado. Mas, se seguir o conselho: “Ficai furiosos, mas não pequeis; não se ponha o sol enquanto estais encolerizados”, obterá muito melhor autodomínio, bem como felicidade, tanto na vida familiar como na relação com outros. — Efé. 4:26.
Todavia, não importa o que se faça, quem vive num mundo egoísta não pode proteger sua vida em todas as situações. Mas, há Alguém que dá muito mais valor à vida do que nós damos, porque sabe o que a vida em condições corretas pode significar. Este Alguém é o Criador da humanidade. Ele promete transformar esta terra num lugar em que não haverá mais morte, nem pranto. (Rev. 21:3, 4) E, no ínterim, provê a sabedoria necessária aos que desejam ter vida e paz. Com tal sabedoria, poderá desde já tomar o rumo mais seguro possível, com “a promessa da vida agora e daquela que há de vir”. — 1 Tim. 4:8.
Há assim dois fatores envolvidos em se buscar proteção neste mundo moderno e especialmente a vida na terra purificada, que há de vir. O primeiro é seu próprio empenho em se desviar do espírito deste mundo, no qual grande parte do modo de pensar, da linguagem e dos hábitos é degradante e perigosa. O outro envolve a oração e sua leitura da Bíblia, habilitando-o a obter a ajuda do espírito de Deus, para fazer conforme a Bíblia aconselha: “Deveis ser feitos novos na força que ativa a vossa mente.” Ela diz também: “Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas e revesti-vos da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou.” — Efé. 4:23; Col. 3:9, 10.
Poderá fazer isso, se fizer o esforço de aprender os princípios da Palavra de Deus e de aplicá-los. São simples, diretos e fáceis de entender. Somos informados: “A sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” — Ecl. 7:12.
A sabedoria de Deus pode realmente ser de ajuda para prolongar a vida, conforme escreveu o apóstolo Pedro: “Aquele que amar a vida e quiser ver bons dias, refreie a sua língua do que é mau e os seus lábios de falar engano . . . Porque os olhos de Jeová estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos às súplicas deles.” (1 Ped. 3:10-12) Manter uma relação íntima com Deus é de máxima importância, pois, em primeiro lugar, protege a pessoa espiritualmente e muitas vezes livra-a literalmente da calamidade. Como?
Por exemplo, considere o que Jesus disse a respeito de seus seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:16) Os que adotam esta atitude sábia mantêm-se livres das facções e lutas políticas deste mundo. Muitas vezes lhes salva a vida. Por exemplo, na Irlanda, as testemunhas de Jeová não estão aliadas a nenhuma das facções religiosas ou políticas que se empenham em obter o domínio. Ali, uma Testemunha, andando de carro pela estrada, foi interceptada por três homens mascarados. Disse-lhes que era testemunha de Jeová, mas fizeram-no sair do carro. Usualmente, isto significa que seria fuzilado. Não obstante, quando esses homens, ao vasculharem seu carro, se certificaram de que de fato era Testemunha, disseram-lhe que prosseguisse, desejando-lhe boa sorte.
O mais importante de tudo, no fim da terminação deste sistema corrupto de coisas, é que Deus recompensará os que amam seus modos retos por preservá-los vivos, para a vida na terra purificada. Isto foi assegurado numa visão dada ao apóstolo João. Ele viu nela “uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”. Quando surgiu a pergunta sobre quem era representado por esta multidão, a resposta foi: “Estes são os que saem da grande tribulação [que assinala o fim deste sistema de coisas].” (Rev. 7:9, 14) Imagine ver o atual sistema perigoso para a vida, desaparecer do cenário e viver para usufruir um sistema vitalizador, no qual as pessoas, sob a supervisão de Deus, poderão realmente transformar sua personalidade para se darem bem em paz e harmonia! Por certo, se der valor à sua vida, fará empenho em alcançar este objetivo.
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Qual é o objetivo da vida?A Sentinela — 1976 | 1.° de abril
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Qual é o objetivo da vida?
“VI TODOS os trabalhos que se faziam debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e um esforço para alcançar o vento.” (Ecl. 1:14) Estas não são as palavras dum cínico. São as dum inspirado escritor bíblico, que avaliou de modo realístico a vida em condições imperfeitas. Um exame daquilo que este escritor, o sábio Rei Salomão, estudou é útil para sabermos o que poderá impedir que nossa vida seja “vaidade”.
Há pessoas, cuja vida inteira é dedicada à obtenção de conhecimento. Mas, será que obter conhecimento apenas pelo conhecimento em si mesmo torna a vida significativa? Não, porque tal conhecimento amiúde vem acompanhado pelo reconhecimento doloroso de que há tanta coisa errada neste sistema imperfeito, que é humanamente impossível corrigi-lo. Conforme o expressou o Rei Salomão: “Aquilo que foi feito torto não pode ser endireitado, e aquilo que é carente é que não se pode contar.” (Ecl. 1:15) Daí, também, as circunstâncias poderão impedir que a pessoa use seu conhecimento para melhor proveito.
Além disso, procurar usufruir a vida por se entregar aos prazeres materiais, como tantos fazem, não é a chave para uma vida objetiva. Salomão escreveu sobre os seus empenhos neste sentido: “Construí para mim casas; plantei para mim vinhedos. Fiz para mim jardins e parques, e plantei neles toda sorte de árvores frutíferas. Fiz para mim reservatórios de água para irrigar com eles a floresta em que crescem árvores. . . . Acumulei também para mim prata e ouro, bem como propriedade peculiar de reis e de distritos jurisdicionais. Constituí para mim cantores e cantoras, bem como as delícias dos filhos da humanidade, uma dama, sim, damas. . . . E tudo o que os meus olhos pediram, eu não retive deles.” — Ecl. 2:4-10.
No decorrer da história humana, poucos da humanidade tiveram os recursos disponíveis ao Rei Salomão. Contudo, embora aparentemente tivesse tudo o que pudesse desejar, achou seus empenhos frustradores, não satisfatórios. Por quê? Em primeiro lugar, Salomão sabia que não podia sustentar indefinidamente sua vida. Perderia tudo na morte. “Eu é que odiei toda a minha labuta”, disse Salomão, “em que trabalhava arduamente debaixo do sol, que eu deixaria atrás para o homem que viria a suceder-me. E quem sabe se ele se mostrará sábio ou estulto? No entanto, assumirá o controle sobre toda a minha labuta em que trabalhei arduamente.” — Ecl. 2:18, 19.
De modo similar, o empenho por uma posição de destaque no mundo pode levar a amargo desapontamento. Demasiadas vezes acontece que pessoas muito hábeis são vítimas das circunstâncias, que as privam da oportunidade de fazer bom uso de sua habilidade. O Rei Salomão verificou que: “A estultícia tem sido posta em muitas posições elevadas . . . Vi servos sobre cavalos, mas príncipes andando na terra como se fossem servos.” (Ecl. 10:6, 7) “A corrida não é dos ligeiros, nem a batalha dos poderosos, nem tampouco são os sábios os que têm alimento, nem tampouco são os entendidos os que têm riquezas, nem mesmo os que têm conhecimento têm o favor; porque o tempo e o imprevisto sobrevêm a todos.” — Ecl. 9:11.
Entre os homens imperfeitos, a capacidade não é necessariamente o fator que decide obter-se determinado cargo. Há um ditado que diz: ‘O que importa não é o que a pessoa conhece, mas sim a quem conhece.’ Este é muitas vezes o motivo pelo qual acontece que homens muito capacitados, que talvez tenham disposição nobre, vêem-se obrigados a suportar a tolice de pessoas incapazes, que exercem o controle administrativo. Talvez nem se conceda alguma dignidade a tais homens principescos, mas sejam até mesmo apresentados a outros como tolos, por aqueles que controlam a situação.
Salomão não exagerava as coisas quando classificou as obras feitas num sistema imperfeito como sendo “vaidade”. O empenho pelos objetivos materiais — posição, posses e coisas assim — simplesmente não satisfaz, mas vem acompanhado duma multidão de frustrações.
Então, qual é o objetivo da vida? Há algo que dê verdadeira satisfação? Sim, é o empenho por aquilo que pode levar a se ter um futuro permanente e seguro. O Rei Salomão mostrou bem de que se tratava, depois de completar seu estudo dos empenhos vãos. Escreveu: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem.” — Ecl. 12:13.
Sim, a chave para uma vida satisfatória é o reconhecimento das próprias necessidades espirituais. Alguém maior do que Salomão, Jesus Cristo, indicou isto ao repelir Satanás, o Diabo. Ele citou as Escrituras Hebraicas e disse: “O homem tem de viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.” (Mat. 4:4) Quando se tem um respeito sadio pelo Criador e se acata as ordens dele, não se sofre as frustrações que resultam de se tomar por objetivo principal o conhecimento mundano, alguma posição ou os bens materiais. Em vez de fixar o coração em algo transitório, estabelece-se uma relação com Deus, que pode durar por toda a eternidade. Tal relação não se baseia no que se possui, mas no que realmente se é como pessoa. Conforme diz a Bíblia: “O mero homem vê o que aparece aos olhos, mas quanto a Jeová, ele vê o que o coração é.” — 1 Sam. 16:7.
Nem mesmo a morte pode destruir aquilo que os que temem o verdadeiro Deus obtiveram. Por que não? Porque nada pode separá-los do amor de Deus. “Estou convencido”, escreveu o apóstolo cristão Paulo, “de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem governos, nem coisas presentes, nem coisas por vir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Rom. 8:38, 39) Os servos de Jeová, mesmo que fisicamente mortos, vivem do ponto de vista dele, visto que fez a provisão de restabelecer-lhes a vida. Por este motivo, o salmista inspirado pôde dizer: “Se eu fizesse meu leito no Seol [o domínio da sepultura], eis que lá estarias tu!” — Sal. 139:8.
Certamente, pois, os sábios são aqueles que reconhecem que a vida como servo aprovado de Deus é o que realmente a faz digna de se viver. Todo o objetivo na vida é dar honra ao Dador da vida, Jeová, por temê-lo e guardar seus mandamentos. É nisto que se empenha?
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