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Apreço pelas criações de JeováDespertai! — 1983 | 22 de julho
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casa à noite, a fim de acordá-lo porque queria comer alguma coisa? Ou, já acariciou um gracioso filhote de mapache que, por curiosidade, subiu no seu colo?
Pouquíssimas pessoas podem responder a essas perguntas na afirmativa, mas eu tenho tido o privilégio de passar por tudo isso, e muito, muito mais. E o que tudo isso me ensinou se cristalizou num certo dia chuvoso. Vinha chovendo há dias, mas, naquela tarde específica as nuvens de repente começaram a se dispersar e a chuva diminuiu, por fim caindo apenas um pingo aqui e ali. Assim, abri a porta de vidro corrediça e fui dar uma voltinha no vale da montanha. E, subitamente, meus sentidos foram bombardeados com evidências do amor de Jeová.
Meus olhos viram as nuvens negras se afastando atrás da montanha, um delicado arco-íris duplo cruzando todo o vale e feixes de luz do sol atrás. Meus ouvidos não ouviram nenhum som desagradável criado pelo homem, mas, em vez disso, o suave murmúrio do vento soprando nos pinhais e a sinfonia de todo tipo de pássaros cantando, gorjeando e chamando. Meu nariz cheirou o delicioso ar fresco e a pungente fragrância da salva e do chão úmido. Minha pele sentiu a brisa fresca, úmida, e o sol quentinho nas costas. E meu coração, cheio de gratidão a ponto de transbordar, espontaneamente me fez exclamar: “Oh! Jeová, obrigado por esta terra maravilhosa! Por favor, permita-me viver nela para sempre!” — Contribuído.
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Conheça a atraente uvaDespertai! — 1983 | 22 de julho
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Conheça a atraente uva
UVA. Sim, é isso o que eu sou, uva. Você já me provou diretamente da videira, já me transformou em passa, já me esmagou para fazer vinho, já me transformou em geléias e gelatinas, e já me usou em saladas. Tenho-lhe agradado de muitos modos, mas, já avaliou bem a importância de minha existência?
Eu já existia muito antes de você e seus ancestrais surgirem na terra. De fato, fui criada para lhe dar prazer. Meu cultivo foi interrompido por um breve período por causa do Dilúvio nos dias de Noé, mas reconquistei proeminência bem como notoriedade quando Noé bebeu de mim um pouquinho demais. — Gênesis 9:20, 21.
Minha especialidade é vinho. Usado com moderação, ele pode alegrar seu coração e dar-lhe boa disposição de ânimo. (Salmo 104:15; Ester 1:10) Pode ser usado para fins medicinais, como o apóstolo Paulo aconselhou a Timóteo. Ou como antisséptico. (1 Timóteo 5:23; Lucas 10:34) Modernamente é usado para aumentar o sangue de anêmicos.
A terra de Canaã deu evidência de minha frutificação rica quando os espias israelitas entraram na terra de “leite e mel” e voltaram com um cacho de uvas tão grande que teve de ser preso a uma barra carregada nos ombros de dois homens. (Números 13:27, 23) Essa região era conhecida por sua rica produção de uvas. Um cacho podia pesar 4 a 5 quilos, tendo-se notícia de um de quase 20 quilos e meio.
Por séculos, eu era uma espécie única, a Vitis vinifera, uma uva do Velho Mundo. Mas, ao passo que a civilização se expandiu, se expandiu também o interesse pelo meu cultivo. Sementes e mudas foram levadas do Velho Mundo à Ásia Menor e daí à Grécia e à Sicília. Os fenícios nas suas viagens, trouxeram meus ancestrais à França. Os romanos me levaram à Inglaterra, daí à Índia e ao mundo ocidental. Hoje sou cultivada em todos os continentes e ilhas em que o clima é apropriado.
Sementes minhas foram sepultadas junto com múmias no Egito e são bem parecidas com as de hoje. Os detalhes para a produção de uva e de vinho aparecem nos mosaicos das dinastias egípcias a tantos quantos 3.500 anos atrás. Nos dias de Homero, o vinho era um produto habitual entre os gregos. Plínio, um parto residente em Roma, descreveu 91 variedades de descendentes meus e alistou 50 tipos diferentes de vinho. Há muitos mais hoje.
Assim como vocês da raça humana são produzidos em vários tamanhos e cores, eu também sou produzida em vários tamanhos e cores. Desde o verde pálido ao vermelho vivo e ao roxo forte — classificando-me em uvas de mesa, uvas de passa, uvas de suco ou simplesmente uvas para fins decorativos — posso satisfazer ao mais exigente entendido.
Posso adaptar-me a uma ampla variedade de solos, mas prefiro os solos férteis profundos. Tempo frio? Sim, posso suportá-lo. Mas, no meu período de amadurecimento tenho a tendência de me tornar mais ácida e azeda, embotando seus dentes. Já era assim nos tempos bíblicos (Jeremias 31:29; Ezequiel 18:2) Tempo quente? Ah!, sim, essa é a minha preferência pessoal. Meu teor ácido diminui e minha doçura se sobressai.
Hoje, quando atinjo o teor de açúcar de 20 a 23 por cento, sou colhida, esmagada, as hastes são removidas, sou lançada em tanques de aço inoxidável, adiciona-se levedura cultivada para fermentação, e, por fim, meu açúcar é convertido em álcool e gás CO2. Em seguida, centrífugas ou filtros removem as células de levedura e outros sólidos e eu fico na condição de vinho recém-fermentado. Este é analisado e verificado com cuidado constante até que atinja a maturidade, quando é engarrafado e fica pronto para consumo.
Mas, nem sempre foi assim. Nos primórdios da história humana, especialmente nas regiões mencionadas na Bíblia, eu atingia minha maturidade e doçura durante agosto e setembro. Eu era então recolhida e colocada em tanques de calcário em que homens descalços, cantando enquanto trabalhavam, pisavam-me levemente para que minhas hastes e sementes não se quebrassem e bem pouco ácido tânico de minha casca fosse liberado. — Isaías 16:10; Jeremias 25:30; 48:33.
Ao passo que vocês humanos têm a tendência de deteriorar com a idade, eu melhoro. Nos tempos bíblicos, era colocado em jarras ou em vasilhas de couro feitas de pele de ovelha, cabrito ou boi. Impassível enquanto ocorria a fermentação e a borra se depositava no fundo, eu atingia o auge do sabor.
Jesus aludiu a esse processo como exemplo de que a verdade do cristianismo era poderosa e dinâmica demais para ser retida pelo velho sistema do judaísmo, ao declarar: “Tampouco se põe vinho novo em odres velhos; mas, caso o fizerem, então os odres rebentarão e o vinho se derramará, e os odres ficarão arruinados. Mas, põe-se vinho novo em odres novos, e ambas as coisas ficam preservadas.” (Mateus 9:17) Como vê, à medida que meu vinho novo fermenta, gera gás de dióxido de carbono que dilata os odres novos. Odres velhos, ressequidos, rebentariam sob a pressão.
Há muito tenho adornado a mesa não só de homens comuns, mas, especialmente, de reis. Melquisedeque, Rei de Salém, serviu “pão e vinho” a Abraão. (Gênesis 14:18) Os faraós, servidos de vinho pelos copeiros da corte usufruíam os frutos de seus muitos vinhedos. (Gênesis 40:21) O Rei Assuero, nos dias de Mordecai e Ester, tinha vinho real à sua disposição em grande quantidade. (Ester 1:7) E o Rei Belsazar serviu-se de vinho no banquete oferecido a seus 1.000 próceres. — Daniel 5:1.
Figurei como produto de comércio entre nações, assim como hoje. (Neemias 13:15; Ezequiel 27:18; Oséias 14:7) O Rei Salomão forneceu a Hirão, Rei de Tiro, 20.000 bafos — aproximadamente 440.000 litros — de vinho como parte do pagamento de materiais de construção e artesãos, nos preparativos para a construção do templo. Fui usado como contribuição dizimar para o sustento dos sacerdotes e dos levitas. (Deuteronômio 18:3, 4; 2 Crônicas 31:4, 5) Oferecia-se vinho a Jeová na adoração sacrificial. — Êxodo 29:38, 40; Números 15:5, 7, 10.
Está impressionado? Mas tem mais. Fui a base do primeiro milagre realizado por Cristo Jesus, numa festa de casamento em que transformou água em vinho. (João 2:2-10) E adquiri proeminência adicional quando Cristo Jesus, na última noite em companhia de seus apóstolos, usou vinho como símbolo do sangue prestes a derramar.
Como símbolo e em sentido figurado, sou mencionada no cumprimento de profecia nos últimos dias, em que Cristo Jesus recolhe as videiras (simbolizando seus inimigos) e as lança “no grande lagar da ira de Deus”. (Revelação 14:19, 20; 19:11-16) A erradicação de toda a iniqüidade da terra introduziria então as condições mencionadas em Isaías 25:6: “E Jeová dos exércitos há de fazer para todos os povos, neste monte, um banquete de pratos bem azeitados, um banquete de vinhos guardados com a borra, de pratos bem azeitados, cheios de tutano, de vinhos guardados com a borra, filtrados.” E de novo em Isaías 65:21: “Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos.”
Aumentou o apreço que você tinha por mim? Ora, era isso o que eu queria. Quero que nosso convívio seja prazeroso, agora e por toda a eternidade. — Contribuído.
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