-
Por que Jesus contou a parábola das “dez virgens”A Sentinela — 1975 | 15 de janeiro
-
-
presença qual Rei. (Sal. 110:3) Jesus quis que todos a quem Deus fez a “chamada celestial” permanecessem fiéis e alcançassem o alvo maravilhoso da co-herança com ele no Reino. — Heb. 3:1; Rom. 8:17; Rev. 20:4, 6.
CASAMENTO NOS TEMPOS BÍBLICOS
Visto que a parábola das “dez virgens” inclui uma festa de casamento, será útil primeiro considerarmos uma breve descrição dos costumes observados nos casamentos, no tempo em que Jesus proferiu a parábola.
Embora o próprio casamento aparentemente não tivesse nenhuma cerimônia formal, havia, contudo, uma celebração muito alegre do casamento em Israel. No dia do casamento, a noiva, no seu próprio lar, costumava fazer grandes preparativos. Ela se preparava para o casamento por se adornar com as mais finas vestimentas, ornamentos e jóias. Naqueles tempos antigos, sua vestimenta incluía uma forma de véu, que cobria a cabeça, e, em alguns casos, ia até os pés. (Jer. 2:32; Isa. 3:19, 23; 49:18) Esta cobertura para a cabeça simbolizava a sujeição da noiva ao noivo. — Gên. 24:65; 1 Cor. 11:5-10.
O noivo, igualmente trajado das suas melhores vestes, saía de casa à noitinha, para ir ao lar dos pais da noiva, escoltado pelos seus amigos. Dali, o cortejo prosseguia para o lar do noivo ou à casa do pai dele, acompanhado por músicos ou cantores, e usualmente por pessoas com lâmpadas.
As pessoas ao longo do caminho costumavam tomar muito interesse no cortejo. Algumas se juntavam ao cortejo, especialmente donzelas com lâmpadas, iluminando o caminho e dando animação à festa. (Jer. 7:34; 16:9; Isa. 62:5) Visto que não havia pressa, o noivo podia passar bastante tempo no seu próprio lar, e, por outro lado, podia haver alguma demora antes de o cortejo partir do lar da noiva, de modo que já seria bastante tarde e algumas pessoas à espera ao longo do caminho talvez ficassem sonolentas e adormecessem. O canto e o júbilo podiam ser ouvidos à grande distância, sendo que os ouvintes clamavam: ‘Aqui está o noivo!’ Os ajudantes estavam prontos para acolher o noivo, e os convidados à ceia do casamento entravam na casa junto com ele. Depois de o noivo e seu séquito terem entrado na casa e se ter fechado a porta, era tarde demais para convidados atrasados entrarem. — Gên. 29:22; Mat. 22:1-3, 8.
Ao considerarmos a parábola, vemos como a ilustração se ajusta ao modo de vida daquele tempo. Ela reza, segundo Mateus 25:1-12:
“O reino dos céus se tornara então semelhante a dez virgens que tomaram as suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas foram tolas e cinco foram discretas. Pois as tolas tomaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo, ao passo que as discretas levaram óleo nos seus recipientes, junto com as suas lâmpadas. Demorando o noivo, todas elas cochilaram e adormeceram. Logo no meio da noite levantou-se um grito: ‘Aqui esta o noivo! Ide ao encontro dele.’ Todas aquelas virgens levantaram-se e puseram as suas lâmpadas em ordem. As tolas disseram às discretas: ‘Dai-nos do vosso óleo, porque as nossas lâmpadas estão prestes a apagar-se.’ As discretas responderam com as palavras: ‘Talvez não haja suficiente para nós e para vós. Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós.’ Enquanto foram comprá-lo, chegou o noivo, e as virgens que estavam prontas entraram com ele para a festa de casamento; e a porta foi fechada. Depois veio também o resto das virgens, dizendo: ‘Senhor, senhor, abre para nós!’ Ele disse, em resposta: ‘Eu vos digo a verdade: não vos conheço.’”
POR QUE SE USA O SIMBOLISMO DAS “VIRGENS”
Ao contar esta parábola, Jesus não mencionou a noiva. Por que não? Porque queria salientar certos aspectos da responsabilidade de seus “irmãos” espiritualmente gerados e ungidos, enquanto ainda estivessem na terra e antes de realmente se juntarem a ele, pela ressurreição, nos céus. Não queria confundir o entendimento da aplicação da parábola. Portanto, restringiu esta ilustração a retratá-los, não como “noiva”, mas como “dez virgens”.
Enquanto estão na terra, os ungidos são considerados como ‘prometidos em casamento’ a Cristo, como virgens castas. (2 Cor. 11:2, 3) Os poucos remanescentes desta classe de pessoas, na terra, agora são “convidados a refeição noturna do casamento do Cordeiro”. (Rev. 19:9) O próprio casamento ocorre no céu. Ainda não alcançaram a herança celestial. A classe da “noiva” é selecionada dentre as “dez virgens”. Conforme mostra a parábola, nem todos são discretos. Alguns são tolos. O termo “noiva” é aplicado aos co-herdeiros de Cristo qual congregação e qual corpo celeste de pessoas, que finalmente somam 144.000. Como pessoas, quer homens, quer mulheres, são chamados diversamente “filhos de Deus”, “irmãos” de Cristo e “virgens”. — 1 João 3:2; Mat. 25:40; Rev. 14:1, 4; Gál. 3:28.
Em que sentido são “virgens”? A Bíblia explica isso. Ela diz a respeito dos 144.000, que são vistos em pé junto com o Cordeiro de Deus no Monte Sião espiritual: “Estes são os que não se poluíram com mulheres [tais como a meretriz religiosa Babilônia, a Grande, e as filhas dela]; de fato, são virgens. Estes são os que estão seguindo o Cordeiro para onde quer que ele vá.” (Rev. 14:4; 17:3-5) Depois de se tornarem gerados pelo espírito, tendo a esperança de reinar com Cristo nos céus, não cometem “adultério” espiritual com este mundo. Por conseguinte, estes cristãos não se profanam com o sistema religioso e político deste mundo. Não se metem nem interferem de algum modo na política ou nas operações dos governos humanos. — 2 Tim. 2:3, 4.
A posição destes cristãos “virgens” foi claramente delineada pelo apóstolo Paulo, ao escrever: “Quanto a nós, a nossa cidadania existe nos céus, donde também aguardamos ansiosamente um salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual remodelará o nosso corpo humilhado para ser conforme ao seu corpo glorioso, segundo a operação do poder que ele tem, sim, de sujeitar todas as coisas a si mesmo.” (Fil. 3:20, 21) Esses cristãos são amigos das pessoas, visitando o lar delas com as boas novas do Reino. Mas não são amigos do mundo, quer dizer, do sistema de coisas deste mundo. A Bíblia repreende severamente os professos cristãos que querem ser amigos do mundo, dizendo: “Adúlteras, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Portanto, todo aquele que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” — Tia. 4:4; 1:27.
Portanto, os que recebem a “chamada celestial” da parte de Deus precisam ‘assegurar-se de sua chamada e escolha’. (2 Ped. 1:10, 11) Desejam receber o selo da aprovação final de Deus antes de Deus ordenar que os “quatro ventos” destruam este sistema de coisas. (Rev. 7:1-8) Isto exige devoção fiel da sua parte, serem “modelados segundo a imagem de seu Filho”, do Filho de Deus. (Rom. 8:29) São assim semelhantes a uma virgem noiva em Israel, desejosa de se manter pura e imaculada. Enquanto na terra, sujeitam-se agora à chefia Daquele a quem são prometidos em casamento, visando ser glorificados como sua “noiva” no céu. (Col. 1:18) No antigo Israel, uma virgem noiva que cometesse fornicação com outro homem era considerada como adúltera e era morta. (Deu. 22:23, 24) Do mesmo modo, os infiéis perderiam a esperança da vida celestial que estas “virgens” noivas têm. — Rev. 21:7, 8.
TEMPO PARA SE ESTAR MAIS DO QUE USUALMENTE DESPERTO
Portanto, nestes tempos estrênuos, é necessário estar extraordinariamente desperto e atento. O apóstolo Paulo diz a tais: “Ora, quanto aos tempos e às épocas, irmãos, não necessitais de que se vos escreva. Pois vós mesmos sabeis muito bem que o dia de Jeová vem exatamente como ladrão, de noite. Quando estiverem dizendo: ‘Paz e segurança!’ então lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição, assim como as dores de aflição vêm sobre a mulher grávida, e de modo algum escaparão. Mas vós, irmãos, não estais em escuridão, de modo que aquele dia vos sobrevenha assim como a ladroes, porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não pertencemos nem à noite nem à escuridão. Assim, pois, não estejamos dormindo assim como fazem os demais, mas fiquemos despertos.” — 1 Tes. 5:1-6.
Portanto, seria desastroso, especialmente no tempo atual, se alguns destes ficassem espiritualmente sonolentos, indiferentes ou negligentes. Se adotassem práticas mundanas ou se tornassem negligentes na pregação do Reino, encontrar-se-iam na situação dum “escravo mau”. Jesus disse que, se tal começar a dizer no seu coração: “‘Meu amo demora, e principiar a espancar os seus co-escravos, e a comer e beber com os beberrões inveterados, o amo daquele escravo virá num dia em que não espera . . . e o punirá com a maior severidade e lhe determinará a sua parte com os hipócritas.” (Mat. 24:48-51) Agora não é o tempo para se associar com os “beberrões” espirituais. Se alguém destas “virgens” noivas de Cristo agora viver ou falar do modo como fazem os que apóiam o falso sistema religioso de “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa, ele se mostrará bêbado junto com este sistema meretrício e ‘receberá parte das pragas dele’. — Rev. 17:1, 2, 6; 18:4.
Por isso, vemos que a parábola de Jesus, a respeito das “dez virgens”, constitui uma forte advertência. Mas, esta parábola tem um significado adicional. Como fornece a parábola forte orientação para o povo de Deus hoje em dia? Qual é o significado das “lâmpadas”, do “óleo” e de outros simbolismos? Estes assuntos serão considerados no próximo número desta revista.
-
-
Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1975 | 15 de janeiro
-
-
Perguntas dos Leitores
● Podem os cristãos hoje exorcismar ou expulsar demônios por orar sobre alguém possesso por eles?
As Escrituras mostram que pode haver muito mais envolvido em livrar alguém do controle dos demônios do que simplesmente fazer uma oração a favor dele.
É verdade que, no primeiro século E. C., certos cristãos, embora nem todos, foram habilitados pelo espírito de Deus para expulsar demônios. (1 Cor. 12:29, 30; veja Mateus 10:8.) Em geral, isto se conseguia por mandar, em nome de Jesus Cristo, que os demônios libertassem os possessos. — Atos 16:16-18; veja Atos 19:13-16.
As Escrituras, porém, não fornecem nenhuma indicação de que a expulsão instantânea de demônios e outros dons milagrosos do espírito haviam de acompanhar os cristãos durante os séculos. Ao contrário, os dons milagrosos haviam de cessar. O inspirado apóstolo Paulo escreveu: “Quer haja dons de profetizar, serão eliminados; quer haja línguas, cessarão; quer haja conhecimento [recebido milagrosamente], será eliminado.” (1 Cor. 13:8) Sempre que se transmitia os dons milagrosos do espírito, estavam presentes um ou mais dos apóstolos diretamente escolhidos por Jesus Cristo. (Atos 2:1, 4, 14; 8:9-20; 10:44-46; 19:6) Por isso é lógico concluir que a transmissão destes dons terminou com a morte dos apóstolos e que os próprios dons milagrosos cessaram com a morte dos remanescentes que os possuíam.
Além disso, um dos principais motivos dos dons milagrosos era confirmar que a aprovação de Deus, que havia estado sobre a congregação judaica, fora então dada à congregação cristã. (Atos 2:32, 33, 38-41; Heb. 2:1-4) Hoje em dia, os dons milagrosos não são necessários para confirmar isso. A atual congregação Judaica não pode cumprir os requisitos da lei mosaica, pois não tem sacerdócio da linhagem de Arão e não tem templo no antigo lugar em Jerusalém.
Também, a evidência mais conclusiva para confirmar qual é a congregação divinamente aprovada não é a realização de aparentes obras milagrosas. Jesus Cristo disse: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que esta nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor,
-