-
Uma conferência para o bem comum?Despertai! — 1980 | 8 de junho
-
-
Uma conferência para o bem comum?
Do correspondente de “Despertai!” em Zâmbia.
QUE acontecimento induziria a Rainha Elisabete II, da Grã-Bretanha, a viajar mais de 8.000 quilômetros de seu lar em Londres?
Que acontecimento induziria o país anfitrião a gastar 9 milhões de dólares (cerca de Cr$ 450.000.000,00), embora os líderes deste país admitissem que estavam passando por sérias dificuldades econômicas?
A resposta a estas perguntas é a 22.ª Conferência da Comunidade Britânica, realizada em Lusaca, Zâmbia, de 1.º a 7 de agosto de 1979.
A Comunidade Britânica e Sua Conferência
A Comunidade Britânica é uma associação internacional de cerca de 40 Estados soberanos cuja população total é estimada em 1 bilhão de pessoas, cerca de um quarto de toda a humanidade. Seus membros afirmam que é uma instituição dedicada à paz, à liberdade e à justiça. Por ter surgido do antigo Império Britânico, todos os membros aceitam a Rainha Elisabete II como o simbólico cabeça da Comunidade Britânica.
O meio mais importante de consulta entre os membros da Comunidade Britânica é a Reunião dos Chefes de Governo — a Conferência da Comunidade Britânica. As últimas cinco de tais têm sido realizadas a cada dois anos. Esta conferência é ímpar em que, diferente de muitas outras conferências internacionais, não passa resoluções obrigatórias, mas busca estabelecer acordos. É informal no sentido de que não há tribuna e nem discursos formais. Os chefes de governo sentam-se a uma mesa, com apenas dois consultores, dialogando realmente.
Que questões internacionais focalizaria a 22.ª conferência?
O secretário-geral da comunidade Britânica, Sr. Shridath Ramphal, da Guiana, declarou numa entrevista na televisão que as duas questões proeminentes seriam o problema da segregação racial na África meridional, especialmente em Zimbabue, Rodésia e Namíbia, e problemas econômicos mundiais.
Questões Políticas
Ao abrir os debates sobre a situação na África meridional, o presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, declarou que se precisariam fazer três coisas para resolver o problemas dos zimbabue-rodesianos. Primeiro, a Grã-Bretanha deveria estabelecer uma constituição democrática; segundo, dever-se-iam realizar eleições supervisionadas internacionalmente, cobrindo todas as partes envolvidas no conflito; terceiro, deveria ser instituído um programa de restabelecimento e de fundos da Comunidade Britânica para brancos que optassem deixar o território, no caso de um governo negro, representando um partido minoritário, assumir o poder. Estas sugestões foram aceitas e desenvolvidas por um comunicado de nove pontos emitido próximo ao encerramento da conferência. Em apoio ao comunicado, a primeira-ministra da Grã-Bretanha, Sra. Margaret Thatcher, declarou que o governo britânico tencionava movimentar-se prontamente para com seus objetivos imediatos de redigir uma constituição de independência.
Outros itens políticos debatidos incluíram os conflitos armados na Indochina e o verdadeiro perigo dos conflitos em escalada sobre uma área mais ampla; expressaram sua profunda preocupação quanto ao crescimento global do problema internacional de refugiados; expressaram sua séria preocupação sobre a situação em Chipre; deram seu completo apoio as aspirações do povo de Belize para uma breve e segura independência; consideraram a situação séria no Oriente Médio, em especial a do povo palestino; observaram com lamento que não se fez muito progresso no Oceano Índico como zona de paz mas, ao contrário, tem aumentado ali a presença de grandes forças militares.
Sim, problemas foram discutidos, pontos de vista foram ventilados, preocupação foi expressa, e propostas foram feitas. Mas, foram realmente solucionados os problemas? Gozarão, aqueles cujas situações foram consideradas agora, de real paz, liberdade e justiça?
Questões Econômicas
Em matéria de finanças o desequilíbrio econômico entre as nações ricas e pobres foi fortemente criticado. O primeiro-ministro de Papua Nova Guiné, Sr. Michael Somare, acusou os países desenvolvidos de se concentrarem principalmente em seus próprios interesses. Foi observado também que os problemas da inflação, de recessão geral, de altos níveis de desemprego, e outras questões, foram passadas adiante para os países em desenvolvimento. Para ilustrar este problema, foi dito na conferência que os países em desenvolvimento deviam aos produtores de petróleo mais de 40 bilhões de dólares, enquanto que o déficit dos estados industrializados foi reduzido a 2 bilhões de dólares. Que ação neutralizaria esta tendência?
Propôs-se que se fizessem representações aos países da OPEP para reciclarem alguns de seus fundos para os países em desenvolvimento, alguns cujas economias estivessem à beira do colapso devido à crise de energia, ao invés de reciclarem seus petro-dólares para as economias industrializadas, como fazem no presente. Uma segunda linha de ação para se combater este problema seria um acordo para se formar um instituto internacional de energia para coordenar pesquisas de recursos alternativos de energia. Crêem, também, que o Fundo Comunitário Para Cooperação Técnica ajudaria a eliminar a desigualdade entre as nações ricas e pobres, de modo que concordaram em angariar 8 milhões de dólares (cerca de Cr$ 400.000.000,00) para este fundo.
Apresentaram cinco áreas onde estados-membros maiores poderiam ajudar os países em desenvolvimento. Estes incluíam: auxiliar na diversificação econômica por encorajar maior industrialização local de matérias-primas; auxiliar os países a aumentar seus conhecimentos tecnológicos; garantir aos pequenos estados ilhéus livre acesso a mercados para seus produtos; intensificar os fluxos financeiros e simplificar o processo de auxílio; fornecer assistência financeira e técnica para reduzir sua dependência do petróleo importado, e desenvolver outros recursos energéticos alternativos.
Mas, aplicarão realmente os ‘grandes países tais propostas? Fornecem seus registros ao menos uma razão para se crer que realmente cuidarão dos interesses uns dos outros de maneira altruísta?
O Que Realizará?
Em sua palestra concludente, o presidente observou que fora ‘agradável que os temores expressos no início resultaram numa melhor compreensão dos pontos de vista uns dos outros’ e que prevaleceu uma atmosfera de amizade e um espírito de franqueza.
Mas, o que realizariam todas as palestras, debates, afirmações e acordos verbais? É necessário que as decisões sejam transferidas para um programa de ação, pois, como disse o presidente, a reunião não teria nenhum significado histórico se não conduzisse a mudanças históricas.
-
-
Jesus tinha tempo para as criançasDespertai! — 1980 | 8 de junho
-
-
O Conceito da Bíblia
Jesus tinha tempo para as crianças
“DEIXAI vir a mim as crianças, não as embaraceis, porque destas tais é o reino de Deus.” (Mar. 10:14, Matos Soares). Muitas pessoas talvez se lembrem deste texto bíblico e o usem para mostrar quão acessível Jesus era às crianças. Tal qualidade de Jesus, porém, é ainda mais notável quando ficamos cônscios da tensão daqueles dias em que Jesus proferiu essas palavras.
Duas vezes antes dessa ocasião, Jesus dissera a seus seguidores que subiria a Jerusalém para ser traído, julgado, condenado e morto. Então, já haviam passado três anos de seu ministério e ele se dirigia a Jerusalém. Sabia que só restavam poucas semanas até sua provação, pois pouco depois de seu encontro com as crianças, disse pela terceira vez: “Aqui estamos, avançando para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas, e condená-lo-ão à morte e o entregarão a homens das nações, e divertir-se-ão às custas dele, e cuspirão nele, e o açoitarão, e o matarão.” — Mar. 10:33, 34.
Por isso, seus discípulos bem que poderiam pensar que Jesus não tinha disposição de ser incomodado por crianças: “As pessoas começaram então a trazer-lhe criancinhas, para que as tocasse; mas os discípulos as censuraram.” Jesus, porém, sempre tinha tempo para satisfazer as necessidades dos outros, até mesmo destas criancinhas. “Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse-lhes: ‘Deixai vir a mim as criancinhas e não tenteis impedi-las, pois o reino de Deus pertence a [semelhantes a] tais.’ E tomou as criancinhas nos seus braços e começou a abençoá-las, impondo-lhes as suas mãos.” — Mar. 10:13, 14, 16.
Uma criança depende de seus pais e espera que satisfaçam suas necessidades, sendo confiante e crente. Aceita as declarações de seus pais como verdadeiras, e defende as palavras dos pais perante outras crianças. Assim serão os do reino quanto ao seu Pai celeste.
Em certa ocasião, os discípulos discutiam entre eles mesmos sobre qual deles era o maior. Jesus percebeu seus raciocínios e disse: “Se alguém quer ser o primeiro, tem de ser o último de todos e ministro de todos.” Então “tomou uma criancinha, postou-a no meio deles, e, pondo os seus braços em volta dela, disse-lhes: ‘Todo aquele que receber uma dessas criancinhas à base do meu nome, a mim me recebe; e todo aquele que me receber, recebe não só a mim, mas também aquele que me enviou.’” (Mar. 9:35-37) Os que verdadeiramente são seguidores de Jesus recebem as crianças em nome de Jesus, têm tempo para elas, fazem-nas sentir-se parte bem acolhida da congregação.
Jesus reservou tempo para observar as crianças
-