Anuário das Testemunhas de Jeová
Zimbabwe (continuação)
[Seriado com base no Yearbook de 1985.]
Vitória da Adoração Verdadeira
Não demorou muito e esta prática tornou-se difundida em todas as partes do país, impondo muitas provas aos leais de Jeová. Uma experiência duma congregação situada numa mina na parte setentrional do país mostra até que ponto eles se empenhavam em quebrantar a integridade do povo de Deus. Devido a relatos de a feitiçaria estar sendo praticada, os empregados mais antigos solicitaram os serviços dum n’anga. O relato da ocorrência policial sobre este acontecimento diz-nos o que se sucedeu:
“Fez-se a proposta ao Administrador da Mina que concordou, após verificar as credenciais do Nganga [agora grafado n’anga] e achá-las em ordem, com a condição de que todos [o grifo é nosso] no acampamento participassem. Os empregados mais antigos concordaram com isso.
“No dia em que o Nganga realizou seu ritual, todos no acampamento, com exceção das Testemunhas de Jeová, . . . compareceram perante o Nganga. Os empregados mais antigos tentaram persuadir a seita, . . . mas ainda assim se recusaram. Foram levadas ao Administrador da Mina, mas sem resultado, e elas disseram-lhe que prefeririam deixar o emprego a comparecer perante o Nganga.”
Foi exatamente isso o que aconteceu. Todos os nossos irmãos foram despedidos do emprego. Mas, o que aconteceu então?
A congregação inteira mudou-se para outra mina, onde os irmãos todos obtiveram emprego. De modo que ainda tinham uma congregação completa, com todos os irmãos em posição de responsabilidade e um pioneiro. Além disso, esta mina estava situada num território não-designado, numa região que repentinamente passou a ser cuidada por uma congregação plenamente organizada! Com efeito, não foi preciso mudar nem mesmo o nome da congregação, porque seu nome era Cromo, e eles se mudaram de uma mina de cromo para outra.
E que dizer do administrador da mina que despediu todos os seus empregados que eram Testemunhas? Sentiu muito quando percebeu que havia escorraçado seus melhores trabalhadores. De fato, mais tarde readmitiu alguns deles. Conforme ele disse ao superintendente de distrito que estava na região: “Despedi os melhores trabalhadores que eu tinha.” Deveras, devido à fidelidade de nossos irmãos, resultou um excelente testemunho!
Chega-se à Década de 70
O ano de 1960 presenciou um pico de todos os tempos na média no número de publicadores — 12.487, com um auge de 13.493. De lá até 1967, a tendência foi diminuir. Com efeito, o número de publicadores baixou para a média de 9.384, que foi a mais baixa desde 1952. Isto, em grande parte, devido à eliminação, da organização, dos que não eram realmente Testemunhas de Jeová.
Daí, a partir de 1967, a tendência foi aumentar novamente, tanto que em 1971 tivemos a média de 11.430, com um auge naquele ano de 12.456. Esta tendência continuou até 1976, quando de novo o número de publicadores começou a baixar. Por quê? Porque de lá até o fim da década, este país passou pelo que deve ter sido os anos mais negros de sua história. Como isto afetou os nossos irmãos? Para obtermos a resposta, retrocedamos ao começo dos anos 70.
Esta década provou ser uma de muitas provas e testes para o povo de Jeová. Entre tais havia provas a respeito de emprego, a questão da neutralidade e as devastações da guerra, incluindo coisas como a perda de casas, rebanhos e campos, bem como maus tratos físicos e até mesmo a própria morte. Houve também tentativas dos opositores de pressionar o governo para proscrever a obra do Reino. Isto nos faz lembrar das palavras do apóstolo Paulo, depois de ser apedrejado e dado por morto, fora de Listra. Disse ele: “Temos de entrar no reino de Deus através de muitas tribulações.” — Atos 14:22.
Jeová Provê Ajuda
Como o povo de Jeová se prepararia para enfrentar as provações à frente? Providencialmente, isso foi feito de dois modos. Um destes foi por meio do arranjo de o Corpo Governante designar anciãos e servos ministeriais nas congregações. Este arranjo começou em 1972, e não poderia ter acontecido numa época mais apropriada.
Foi comovente ver a reação dos irmãos à orientação do Corpo Governante, apoiada pelas Escrituras, quanto à nomeação destes irmãos. Ao passo que as qualificações bíblicas eram examinadas, diversas congregações viram-se sem anciãos e sem servos ministeriais. Conforme escreveu certa congregação: “Após considerarmos as qualificações, junto com o superintendente de circuito, achamos que ninguém se qualifica para ancião ou servo ministerial. Mas, nos esforçaremos a satisfazer os requisitos no próximo ano.”
James Mubata, membro da Comissão de Filial, que está em Betel desde 1966, recentemente comentou os efeitos quase que imediatos do arranjo de anciãos nas congregações. Ele nos conta: “Não só fez com que mais irmãos com qualificações de ensino se tornassem disponíveis para o benefício das congregações, mas também os que já eram usados como instrutores começaram a aprimorar-se à medida que se aplicavam. Além disso, deu-se bem melhor atenção à pureza das congregações. Antes de 1972, os servos em muitas congregações não cuidavam prontamente de casos de impureza. Mas, quase que imediatamente após o estabelecimento dos corpos de anciãos, estes casos receberam atenção. Tanto que, por algum tempo, estivemos mais ocupados do que nunca cuidando desses casos.”
Todo este arranjo deu às congregações um tremendo impulso espiritual. Os irmãos que se desqualificaram por não fornecerem adequada supervisão para o crescimento espiritual de suas famílias, se conscientizaram da necessidade de aplicar o conselho bíblico. Outros irmãos, que até então não haviam tido a oportunidade de utilizar ao máximo seus talentos, suas habilidades e o seu progresso espiritual, passaram então a usar tais para o proveito das congregações. Tudo isso resultou numa organização muito mais forte, que estava claramente em melhor condição de ajudar os irmãos a enfrentar o que estava por vir nos anos à frente.
Novas Instalações da Filial
Outra provisão oportuna da parte de Jeová foi a construção dum novo e excelente lar de Betel, de três pavimentos. Durante sua visita, em 1971, o irmão Knorr devotou muitas horas de atenção às nossas necessidades dum lar e filial mais espaçosos. Na ocasião de sua visita, vários membros da família de Betel moravam em apartamentos próximos, e as instalações do escritório e da expedição eram lamentavelmente inadequadas. Desde 1953 morávamos numa casa de um único pavimento, com apenas cinco quartos. De fato, na ocasião da visita do irmão Knorr, três desses quartos tinham sido transformados em escritórios. Portanto, foi decidido que se deveria procurar novas instalações.
Depois de várias tentativas infrutíferas de obtermos licença para construir o que precisávamos em outro lugar, decidiu-se derrubar nosso velho lar e construir novas dependências no mesmo local. Este projeto de construção começou em dezembro de 1972. Dez meses depois nos mudamos para lá. Que ocasião feliz foi aquela!
Embora esta construção não fosse uma das “maravilhas de dois dias”, observadas hoje em dia na construção de Salões do Reino, certamente foi motivo de conversa na vizinhança. Efetivamente, deu-se um excelente testemunho, tanto às autoridades locais como às pessoas nas adjacências. Terem centenas de pessoas, homens e mulheres, criancinhas e homens idosos, ajudado de alguma maneira foi motivo de muitos comentários.
Um que comentou favoravelmente foi o inspetor municipal de obras. Embora a princípio fosse um tanto frio, aos poucos entusiasmou-se com a cordialidade de todos. Seu comentário foi: “Os senhores estão indo muito bem. Têm uns bons trabalhadores ali. Não conseguiriam isso se fossem pagos.” Outro senhor, empreiteiro de obras que trabalhava do outro lado da estrada, disse: “É bom saber que há ainda pessoas que crêem o bastante em algo para fazer algo como isso.” Realmente, nosso excelente prédio foi construído quase que 100 por cento por trabalhadores voluntários ou sob a direção destes.
Ao passo que seria impossível mencionar nominalmente todos os que demonstraram tal voluntariedade e abnegação, realmente achamos que se deve mencionar alguns exemplos destacados. Tome, por exemplo, Peter Drewett. Ele deixou seu emprego secular e veio para a cidade com esposa e filha para morar num trailer durante todo o projeto. Daí, havia Noel Ellerman que, com esposa e dois filhos, mudou seu pequenino trailer para bem dentro do local poeirento. Ali moraram, bem no meio das coisas, por cerca de oito meses. Devemos mencionar também Eric Cargill, homem de negócios que não só forneceu o equipamento necessário para a construção e alguns dos de sua própria força de trabalho, mas também gastou metade de seu tempo, diariamente, no projeto, até este ser terminado.
A Questão do Fumo
Conforme mencionado anteriormente neste relato, o começo da década de 70 trouxe várias questões a lume. Uma destas foi a questão do cultivo do fumo ou de se trabalhar em fazendas ou para firmas que tinham que ver com a produção e o processamento de fumo. Em Zimbabwe isto tornou-se um problema e tanto, visto que o fumo é uma das principais fontes de renda do país. É o principal produto de exportação e rende muito da grandemente necessitada moeda estrangeira.
Desde 1972, os irmãos que trabalhavam em tais lugares começaram a questionar se seu emprego tinha base bíblica. Com efeito, quando se começou a recomendar irmãos para anciãos ou servos ministeriais, diversos declinaram à base de consciência. Conforme um superintendente viajante se expressou: “Há vários irmãos que se teriam habilitado como anciãos por causa de seus excelentes registros. Eles próprios pediram para não serem recomendados anciãos ou servos ministeriais, por trabalharem numa fazenda onde se cultiva e embala fumo. Por causa da consciência, pediram para não serem recomendados.”
Alguns dos que cultivavam fumo logo pararam de fazê-lo, e outros fizeram planos similares. Certa pessoa expressou isso da seguinte maneira: “Muitos de nós despedimos nossa segunda esposa quando entendemos como Deus encarava isso, portanto deixar de cultivar fumo deve ser fácil.”
[Continua na próxima edição.]
[Foto na página 19]
Filial de Zimbabwe, terminada em 1973.