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  • Zimbabwe (continuação)
  • Despertai! — 1985
  • Subtítulos
  • Povoados Protegidos
  • Organizados Para Enfrentar a Situação
  • “Amarrem-no Numa Árvore e Deixem-no Morrer”
  • “Jeová . . . Está Sempre com Vocês”
  • Reunir-se sob Condições Adversas
  • Ajuda aos Interessados
Despertai! — 1985
g85 8/11 pp. 28-30

Anuário das Testemunhas de Jeová

Zimbabwe (continuação)

[Seriado com base no Yearbook de 1985.]

Povoados Protegidos

Devido a ser cada vez maior o número de povoados que se tornavam áreas “quentes”, também porque alguns deles eram usados como esconderijos e fortalezas para forças guerrilheiras, o Governo passou a transferir as pessoas desses povoados para áreas resguardadas, ou povoados protegidos, conhecidos localmente como “fortalezas”. Embora isto visasse proteger o povo, resultou em terem de abandonar casas, propriedades, gado, colheitas e tudo o mais, a não ser os poucos pertences que podiam carregar.

Já em 1973, um dos superintendentes de circuito, Reuben Mpedza, relatou: “Concernente às congregações Mukumbura, Musingwa e Chiutsi, as pessoas nestas áreas estão sendo transferidas para qualquer lugar específico onde o governo deseja. Alguns de nossos irmãos atualmente estão desabrigados por terem sido transferidos.”

Pode imaginar como deve ter sido, de repente ver-se juntamente com sua família numa área resguardada, sem ter nada a não ser o mínimo. Sem ter onde morar, nem saneamento — nada a não ser o chão a céu aberto para dormir. Como reagiram a isso nossos irmãos? O superintendente de circuito disse em seu relatório: “Não obstante, é encorajador saber que apesar desses obstáculos, os irmãos estão pregando zelosamente a outros acerca do Reino de Jeová como a única esperança para a humanidade aflita.”

É interessante ver a diferença na atitude para com estas “fortalezas”, da parte do povo em geral e das Testemunhas de Jeová. Enquanto muitos lamentavam suas perdas materiais, as Testemunhas esforçavam-se em ajustar-se à nova situação. Com efeito, visto que as pessoas estavam assim tão próximas, os irmãos acharam muito mais fácil levar-lhes a mensagem do Reino!

Num desses lugares, as irmãs mais idosas estavam muito contentes. Anteriormente elas não podiam trabalhar como pioneiras auxiliares, por causa do toque de recolher e por estarem muito espalhadas as pessoas no território de sua congregação. Mas, conforme elas disseram: “Agora todas as pessoas estão próximas, e será fácil para nós servirmos como pioneiras auxiliares.”

Naturalmente, este deslocamento das pessoas, sendo elas colocadas nestes povoados protegidos, teve o efeito de romper os cuidados organizacionais que algumas das congregações prestavam aos seus membros. Os superintendentes de circuito amiúde não sabiam se a congregação que iriam visitar estaria ali ou não quando chegassem. Contudo, quando os povoados protegidos foram extintos, no fim da guerra, os irmãos retornaram gradualmente aos seus anteriores lares e tentaram dar prosseguimento no ponto em que haviam parado. Algumas congregações que não haviam recebido a visita do superintendente de circuito por dois ou três anos foram novamente servidas por um superintendente viajante.

Organizados Para Enfrentar a Situação

Não é difícil perceber que, durante a guerra, mudanças teriam de ser feitas para lidar com as diferentes circunstâncias.

Um arranjo feito para ajudar os anciãos foi realizar reuniões especiais uma vez por ano, dirigidas em cada circuito pelos superintendentes de circuito e de distrito, usando um programa preparado pela filial. Este programa tratava especialmente das necessidades dos irmãos na época. Este arranjo foi muitíssimo apreciado pelos anciãos, que acharam que era justamente o que eles precisavam para ajudá-los na sua obra de pastoreio sob tais condições adversas. Não só os próprios anciãos, mas também diversos irmãos escreveram à Sociedade para cientificá-la de quanto eles se beneficiavam do treinamento recebido pelos anciãos.

Não há dúvida alguma de que este arranjo especial, mais o treinamento regular dos anciãos através da Escola do Ministério do Reino e das reuniões especiais nas assembléias de circuito, contribuiu grandemente para a posição unida dos irmãos durante a guerra.

“Amarrem-no Numa Árvore e Deixem-no Morrer”

Foi logo depois de assistir a uma dessas reuniões especiais de anciãos que Jeremiah Chesa, irmão bem avançado em anos, teve uma experiência e tanto. O irmão Chesa mora na área rural. Ele relatou:

“Um bando de soldados levou-me de casa, à noite, para a floresta; daí foi-me perguntado: ‘Por onde andou no sábado e no domingo?’ Eu lhes disse que tinha ido a uma reunião religiosa. ‘Sabe, velhote, que este é o fim de sua vida? Nós já matamos pessoas mais especiais do que você, um pobre coitado.’ Daí gritaram: ‘Matemo-lo!’

“Contudo, um deles disse: ‘Em vez disso, vamos amarrar as mãos e os pés dele a uma árvore e deixá-lo ali até morrer.’ Depois de apanharem uma corda, disseram então: ‘Diga-nos agora o que prefere — morrer ou parar de adorar o seu Deus.’

“‘Francamente’, respondi, ‘não quero enganá-los por dizer que vou deixar de adorá-lo. Eu presto adoração a Ele dia e noite.’

“Furiosos com isso, alguém gritou: ‘Amarrem-no numa árvore e deixem-no morrer ali!’ De modo que passei a noite inteira amarrado a uma árvore.”

No dia seguinte, por volta do meio-dia, um caçador passou por acaso por ali e viu o irmão Chesa amarrado a uma árvore. Embora o caçador ficasse chocado e um tanto temeroso diante do que via, este homem teve a coragem de soltar nosso irmão, que então voltou para casa. Mas, o que aconteceu a seguir? A história do irmão Chesa continua:

“Alguns dias depois os soldados vieram à minha casa e queriam saber como eu me libertei da árvore. Levaram-me para a floresta e perguntaram quem me soltara. Eu disse que minha resposta estava na Bíblia, no Salmo 146:5-7. Deu-se ordem para que este texto fosse lido.

“Cinco pessoas que foram ordenadas a reler a passagem foram espancadas porque os líderes achavam que não estavam lendo corretamente. Foi interessante escutar a conversa deles. ‘Quem realmente o libertou?’ ‘É melhor o deixarmos em paz e soltá-lo.’ ‘É um homem de sorte, velhote.’”

O que foi que provocou uma repentina mudança na mente desses homens que pretendiam matá-lo? O texto que leram diz, em parte: “Feliz aquele . . . cuja esperança é em Jeová, seu Deus . . . Jeová solta os que estão presos [ou, amarrados].” O irmão Chesa voltou para casa como homem liberto.

“Jeová . . . Está Sempre com Vocês”

Esta foi a expressão duma senhora, não Testemunha, a uma de nossas fiéis irmãs. Quais foram as circunstâncias que moveram tais palavras? O irmão Tauzen Chawanda lhe dá a resposta numa experiência que ele e sua esposa passaram enquanto trabalhavam numa fazenda de cultivo de chá, nos Distritos Orientais:

“Em 23 de dezembro de 1976, um bando de soldados veio à minha casa no acampamento. Alguns dos soldados foram enviados a todas as casas para reunir o pessoal. Fomos levados à área industrial e se nos ordenou sentarmos em círculo. Minha esposa e eu éramos as únicas Testemunhas.

“A seguir, mandaram todas as mulheres levantar-se e recuar um pouco, para observarem como seus maridos iriam ser mortos. Minha esposa e eu oramos alto a Jeová, pedindo proteção. À medida que minha esposa recuava, uma senhora lhe disse: ‘Estão em melhor situação do que nós, porque Jeová é seu Salvador, e ele está sempre com vocês.’

“Assim que as mulheres saíram do caminho, os soldados disseram aos homens: ‘Nós lhes mandamos parar de trabalhar, mas vocês desobedeceram.’ Nisso, dois soldados dispararam suas metralhadoras nos homens. Então os soldados partiram apressadamente.

“Logo que isso aconteceu, as mulheres correram até seus maridos, não sabendo se os seus maridos tinham sido mortos ou não. Quando minha esposa tentou erguer-me do chão, eu lhe disse que tudo estava bem, mas a princípio ela não me acreditou. Todas as demais mulheres acharam seus maridos mortos, e voltaram para o acampamento. Mais tarde, eu também voltei, só para descobrir que todas estavam reunidas em nossa casa.

“À medida que eu me aproximava, a senhora que antes falara sobre a proteção de Jeová dizia à minha esposa: ‘Eu bem que lhe disse — Jeová está com seu marido. Veja, ele voltou vivo graças à proteção de Deus!’”

Reunir-se sob Condições Adversas

Sentimo-nos felizes em dizer que durante todos estes tempos provadores foi possível continuar realizando assembléias de circuito e de distrito. Isto se deu porque na maioria dos casos foram realizadas nas áreas mais seguras do país. Houve alguns casos em que os irmãos dos circuitos das áreas perigosas tiveram de juntar-se a companheiros cristãos em outro circuito. Mas, pelo menos usufruíram o programa e foram fortalecidos espiritualmente.

As reuniões congregacionais em muitos lugares, porém, eram mais problemáticas. Isto se deu principalmente devido aos toques de recolher que restringiam o trânsito de um lugar a outro. Visto que a Comemoração [da morte de Cristo] tinha de ser realizada à noite, às vezes isso apresentava um grande problema. Em geral o toque de recolher ia do anoitecer ao amanhecer, embora às vezes durasse das 16 horas até às 9 horas do dia seguinte.

Um excelente arranjo para vencer este problema na ocasião da Comemoração, especialmente em pequenas congregações rurais, foi todos os irmãos irem à casa de um só irmão. Ali podiam realizar a Comemoração da morte de Cristo na hora apropriada. Naturalmente, depois disso não podiam retornar para casa, porque sob os regulamentos do toque de recolher não poderiam dar senão alguns passos para fora da casa do irmão. De modo que passavam a noite entoando cânticos do Reino e relatando experiências. Então, na manhã seguinte, retornavam às suas casas, felizes de terem podido obedecer a ordem de Jesus de reunir-se para esta ocasião muito significativa. — 1 Coríntios 11:23, 24.

Ajuda aos Interessados

Realmente, estes arranjos especiais para a Comemoração, juntamente com outras reuniões congregacionais, contribuíram muito para ajudar os interessados naquelas áreas, bem como os próprios irmãos. Por medo de espancamentos ou outros maus-tratos, os interessados hesitavam em assistir às reuniões abertamente. Mas pareciam realmente ficar animados com esta idéia de pernoitarem ali.

Certo irmão duma congregação de 13 Testemunhas escreveu ao escritório da filial para dizer quão emocionados ficaram de ter 106 presentes à Comemoração — mais de 90 pessoas acima do número de publicadores!

Outro irmão, Michael Mafara, que servia como pioneiro especial na época, arrumou um modo singular de superar o problema do toque de recolher e de ajudar até mesmo os interessados. Nesta área o toque de recolher era bastante estrito. As pessoas podiam sair de casa só do meio-dia até às 14 horas cada dia. Na congregação, os irmãos estavam espalhados em três grupos, e a única forma de viajar era a pé. Que se podia fazer?

Bem, o irmão Mafara teve uma idéia. Ele designou três casas onde as reuniões podiam ser realizadas. Durante as duas horas de liberdade para viajar, todos os irmãos e irmãs iriam a uma destas casas. Ali permaneceriam até o meio-dia do dia seguinte, ocasião em que retornariam aos seus lares. Quando da próxima reunião, todos iriam a um dos outros lugares, e assim por diante. Isto propiciou-lhes muitas horas para reuniões e adoração, fortalecendo-se mutuamente em sentido espiritual.

Quanto aos resultados, o irmão Mafara escreve: “Quando visitei estes grupos, verifiquei que até mesmo as pessoas interessadas vinham e pousavam ali, depois de assistirem às reuniões. Embora haja somente 13 publicadores na congregação, na época do toque de recolher a assistência chegou a 21 — mais do que antes de se impor o toque de recolher.”

[Continua na próxima edição.]

[Foto na página 29]

Jeremiah Chesa foi amarrado a uma árvore e deixado ali para morrer.

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