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O dilema do aborto — será 60 milhões de homicídios a solução?Despertai! — 1993 | 22 de maio
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O dilema do aborto — será 60 milhões de homicídios a solução?
CONFUSA, assustada, chorosa, uma moça de 15 anos observa o namorado afastar-se desgostoso. Ele a chamou de tola por ter engravidado. Ela achava que estavam apaixonados.
Uma mulher se desespera ao saber que está esperando o sexto filho. Seu marido está desempregado, e todas as noites as crianças vão dormir com fome. Como irão cuidar de outro filho?
“Não podia ter vindo numa hora pior”, explica ao médico uma mulher bem vestida. Ela finalmente se formou em engenharia e está para começar sua nova carreira. Seu marido está inteiramente absorto na advocacia. Onde arranjariam tempo para um bebê?
Essas pessoas vivem em mundos totalmente diferentes e se confrontam com dilemas diferentes, mas optam pela mesma solução: o aborto.
O aborto é uma das questões mais explosivas da década, inflamando intensos debates nos campos político, social, médico e teológico. Nos Estados Unidos, os ativistas pró-vida fazem manifestações pelos direitos da criança por nascer. O grupo pró-livre escolha insiste na premissa da liberdade e no direito de decisão da mulher. Os cruzados pró-vida opõem-se em eleições, tribunais, igrejas, e até nas ruas, aos guerreiros da liberdade.
Milhões são pegos no fogo cruzado, divididos pelos argumentos arrebatados de cada lado. Os próprios termos “pró-livre escolha” e “pró-vida” foram cuidadosamente escolhidos para persuadir os indecisos. Nesta época em que se idolatra a liberdade, quem não favoreceria a livre escolha? Mas, também, quem não seria a favor da vida? Grupos pró-livre escolha brandem cabides para dramatizar a morte de mulheres oprimidas que se submetem a perigosos abortos ilegais. Defensores pró-vida empunham vidros com fetos abortados como intimidador lembrete da morte de milhões de crianças por nascer.
Toda essa tragédia de mortes é bem descrita no livro Abortion: The Clash of Absolutes (Aborto: O Conflito de Máximas), de Laurence H. Tribe. “Muitos que de pronto discernem que o feto é indiscutivelmente um ser humano, que lhe dão a maior importância e choram, mal se dão conta da mulher que o leva e de sua condição humana. . . . Muitos outros, que de pronto pensam na mulher e no seu corpo, que clamam pelo direito que ela tem de controlar seu destino, mal se dão conta do feto dentro dessa mulher e não consideram real a vida que ele poderia vir a levar.”
Enquanto prossegue essa guerra moral, 50 a 60 milhões de crianças por nascer cairão este ano no campo de batalha dos direitos.
Qual é sua posição nessa questão carregada de emoção? Como responderia às seguintes perguntas vitais: cabe à mulher o direito fundamental de decidir? Justifica-se o aborto em quaisquer circunstâncias? Quando começa a vida? E uma última pergunta, embora raramente feita: como o Criador da vida e da procriação encara o aborto?
O aborto tem uma longa história. Na Grécia e na Roma antigas, era uma prática comum. Na Europa, durante a Idade Média e a Renascença, era considerado permissível até que a mulher sentisse o feto se mexer no útero. A revolução sexual trouxe sua conseqüência: milhões de casos de gravidez indesejada.
A década de 60 marcou a ascensão do movimento feminista, do qual o chamado direito de reprodução é uma pedra fundamental. Alguns reclamam o direito de aborto para vítimas de estupro ou de incesto que tenham engravidado ou quando a saúde da mãe corre risco. A tecnologia médica permite ver o útero para a detecção de possíveis defeitos congênitos e do sexo do bebê. A gravidez é interrompida à base do prognóstico pessimista do médico. Mulheres com mais de 40 anos talvez fiquem ansiosas diante da possibilidade de deformações.
Em países assolados pela pobreza, muitas mulheres que têm acesso limitado à contracepção acham que não podem sustentar mais filhos. E algumas mulheres, levando ao limite a definição de pró-livre escolha, decidem abortar porque acham que a gravidez decididamente não veio na hora certa ou porque ficam sabendo de antemão qual é o sexo da criança e simplesmente não a querem.
Muitas rajadas lançadas nesse conflito tratam da questão em torno de quando começa a vida. Poucos discutem o fato de que o óvulo fertilizado está vivo. A questão é: vivo como o quê? Apenas como tecido? Ou como ser humano? Será que o fruto do carvalho, a bolota, é um carvalho? Então, será que o feto é uma pessoa? Tem direitos civis? A discussão é interminável. Quão irônico que num mesmo hospital médicos lutem corajosamente para salvar a vida dum prematuro e no entanto ponham fim à vida dum feto da mesma idade! A lei talvez lhes permita matar um bebê dentro do útero, mas é homicídio se o bebê estiver fora do útero.
Os mais insistentes pedidos de legalização do aborto vêm de pessoas “liberadas”, de mentalidade moderna, que têm acesso ilimitado a métodos de prevenção da gravidez. Elas reivindicam veementemente o que é chamado de direitos de reprodução, quando na verdade já exercem sua capacidade de conceber e reproduzir-se. O que realmente querem é o direito de desfazer a reprodução. Sua justificativa? “O corpo é meu!” Mas é mesmo?
Mãe: “O corpo é meu!”
Bebê: “Não! O corpo é meu!”
O Abortion—A Citizens’ Guide to the Issues (Guia do Cidadão Para as Questões do Aborto) diz que nas primeiras 12 semanas de gravidez “é muito fácil remover o montículo de tecido em estado gelatinoso”. Pode o aborto acertadamente ser considerado “remoção dum pouquinho de tecido viscoso” ou “interrupção do produto da concepção”? Ou será que esses termos são eufemismos, criados para tornar aceitável a amarga verdade e tranqüilizar consciências pesadas?
Esse indesejado pedaço de tecido é uma vida em crescimento, vicejante, completa com seu próprio conjunto de cromossomos. Como uma autobiografia profética, conta a história pormenorizada dum indivíduo único em processo de formação. A. W. Liley, célebre professor pesquisador de fetologia, explica: “Biologicamente, em nenhum estágio podemos endossar o conceito de que o feto é apenas um apêndice da mãe. Geneticamente, mãe e bebê são indivíduos distintos a partir da concepção.”
Comportamento irresponsável
Entretanto, com livre acesso ao aborto, muitos não sentem nenhuma premente necessidade de prevenir-se contra a concepção indesejada. Preferem usar o aborto como dispositivo de segurança para livrar-se de quaisquer “acidentes” que ocorram.
Estatísticas mostram que a idade da puberdade tem diminuído neste século. Assim, jovens com menos idade estão aptos para gerar filhos. Será que lhes é ensinada a pesada responsabilidade que acompanha esse privilégio? O americano mediano perde a virgindade por volta dos 16 anos de idade, e 1 em cada 5 antes dos 13 anos. Um terço dos homens e das mulheres casados mantém um caso extraconjugal ou manteve um no passado. O aborto encontra clientes fáceis entre os promíscuos. Bem parecida à ocasional reivindicação para legalizar a prostituição a fim de deter a disseminação de AIDS, a legalização do aborto talvez tenha tornado esse procedimento um tanto mais seguro clinicamente, mas tem contribuído em grau maior para criar um ambiente fértil em que a doença moral pode florescer e realmente floresce.
Vítimas da violência ou das circunstâncias?
É interessante que os estudos mostram que é extremamente raro o estupro causar gravidez. Numa pesquisa entre 3.500 vítimas de estupro em Minneapolis, EUA, não se registrou nem uma única gravidez. De 86.000 abortos realizados na ex-Tchecoslováquia, apenas 22 foram causados por estupro. Assim, só uma pequeníssima parcela dos que recorrem ao aborto o faz por essa razão.
Que dizer das assustadoras predições de bebês terrivelmente deformados com irreversíveis defeitos congênitos? Diante do primeiro sinal de dificuldade, alguns médicos logo recomendam o aborto. Podem ter absoluta certeza do diagnóstico? Muitos pais atestam que essas profecias lúgubres podem ser infundadas, e têm filhos felizes e saudáveis para provar isso. Outros que têm filhos considerados deficientes sentem a mesma felicidade de ser pais. De fato, apenas 1 por cento dos que recorrem ao aborto nos Estados Unidos o fazem por serem informados de algum possível defeito do feto.
Todavia, no tempo que leva para se ler este artigo, centenas de crianças por nascer são mortas. Onde acontece isso? E como influi na vida dos envolvidos?
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O trágico tributo do abortoDespertai! — 1993 | 22 de maio
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O trágico tributo do aborto
DE 50 a 60 milhões de bebês por nascer morrem todo ano em abortos. Consegue imaginar o que esse número significa? Seria como dizimar semanalmente toda a população das ilhas havaianas!
É difícil reunir dados exatos porque a maioria dos governos não mantém registros meticulosos dos abortos realizados. E, onde o aborto é restrito ou ilegal, os especialistas podem apenas arriscar um palpite. Mas o perfil global do aborto é o seguinte:
Nos Estados Unidos, o aborto é o segundo mais comum procedimento cirúrgico, depois da amigdalectomia. Realizam-se anualmente mais de 1,5 milhão de abortos. A inequívoca maioria das mulheres não está casada — 4 em cada 5. A freqüência de interrupção da gravidez entre mulheres solteiras é duas vezes maior que a freqüência com que dão à luz, ao passo que, em média, a freqüência com que mulheres casadas dão à luz é dez vezes maior que a freqüência com que abortam.
Nas Américas Central e do Sul — predominantemente católicas — as leis relativas ao aborto são as mais restritivas do mundo. No entanto, é enorme a quantidade de abortos ilegais, o que representa graves perigos para a saúde das mulheres. No Brasil, por exemplo, houve cerca de quatro milhões de abortos no ano passado. Mais de 400.000 das mulheres que abortaram tiveram de procurar tratamento médico devido a complicações. Na América Latina, cerca de um quarto de todas as gravidezes é interrompido.
Do outro lado do Atlântico, no continente da África, as leis também são rigorosas. É comum ocorrerem danos físicos e mortes, especialmente entre mulheres pobres que recorrem à ajuda de práticos.
Em todo o Oriente Médio, muitos países têm rigorosas leis escritas, mas o aborto ainda é amplamente procurado e conseguido pelas mulheres que podem pagar os altos custos.
A maior parte da Europa Ocidental permite o aborto em alguns casos, a Escandinávia sendo a mais liberal. O Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha mantém um registro de abortos desde sua legalização, em 1967. Observou-se a duplicação no número de abortos e um aumento em filhos fora do casamento, doenças sexualmente transmissíveis, prostituição e grande número de doenças do aparelho reprodutor.
A Europa Oriental, bem como as leis relativas ao aborto ali, acham-se em estado de contínuas alterações. Na ex-União Soviética, calcula-se que se realizam anualmente 11 milhões de abortos, dado que figura entre os mais elevados do mundo. Com escassos contraceptivos e carentes condições financeiras, a mulher mediana naquela região talvez se submeta a seis ou até nove abortos durante a sua vida.
Em toda a Europa Oriental, a tendência geral é para a liberalização. Um exemplo dramático é a Romênia, onde o regime anterior proscrevia energicamente o aborto e proibia a contracepção a fim de estimular o aumento populacional. As mulheres eram obrigadas a produzir a quota de pelo menos quatro filhos e, em 1988, os orfanatos romenos estavam superlotados de crianças abandonadas. Assim, desde que o governo revolucionário de 1989 eliminou as restrições ao aborto, 3 em cada 4 bebês são abortados, o maior índice da Europa.
A Ásia responde pelo maior número de abortos. A República Popular da China, com sua política de filho único e abortos compulsórios, encabeça a lista, com 14 milhões por ano.
No Japão, as mulheres decoram estatuetas com babadouros e brinquedos em memória de seus filhos abortados. O público encara com forte apreensão as pílulas anticoncepcionais, de modo que o aborto é o principal método de planejamento familiar.
Em toda a Ásia, e especialmente na Índia, a tecnologia médica tem criado uma situação embaraçosa para os ativistas dos direitos da mulher. Técnicas como amniocentese e ultra-sonografia podem ser utilizadas para determinar o sexo do bebê em estágios cada vez mais precoces da gravidez. A cultura oriental há muito dá mais valor a filhos do que a filhas. Assim, onde há fácil disponibilidade tanto de métodos de determinação do sexo como de aborto, abortam-se grandes quantidades de fetos do sexo feminino, o que desequilibra a proporção de nascimentos entre meninos e meninas. O movimento feminista está agora na posição paradoxal de, na verdade, exigir o direito da mulher de abortar fetos do sexo feminino.
Na Ásia, onde se prefere filhos homens, os médicos abortam milhares de fetos do sexo feminino.
O que a mãe sente
Como se dá com outras técnicas médicas, o aborto acarreta certa medida de risco e de dor. Durante a gravidez, o colo do útero, ou cérvix, fica hermeticamente fechado para manter o bebê seguro. Dilatar o colo do útero e inserir instrumentos pode ser doloroso e traumático. O aborto por sucção pode levar mais ou menos 30 minutos, durante os quais algumas mulheres talvez sintam dores de moderadas a intensas e cãibras. No aborto por solução salina, induz-se trabalho de parto prematuro, às vezes com a ajuda de prostaglandina, substância que dá início ao trabalho de parto. As contrações podem durar horas ou até dias e podem ser dolorosas e emocionalmente extenuantes.
Entre as complicações imediatas do aborto estão hemorragia, danos ou lacerações no colo do útero, perfuração do útero, coágulos sanguíneos, reação à anestesia, convulsões, febre, calafrios e vômitos. O perigo de infecção é especialmente alto quando pedaços do bebê ou da placenta ficam no útero. É comum a realização de abortos incompletos, de modo que talvez seja preciso uma cirurgia para a remoção de tecido em decomposição deixado no útero ou até do próprio útero. Estudos governamentais feitos nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e na ex-Tchecoslováquia sugerem que o aborto aumenta muito as possibilidades posteriores de infertilidade, gravidez tubária, aborto espontâneo, parto prematuro e defeitos congênitos.
O ex-diretor nacional de saúde dos EUA, C. Everett Koop, comentou que ninguém fez “um estudo da reação emocional ou do sentimento de culpa da mulher que se submete a um aborto e depois deseja desesperadamente ter um filho que não pode ter”.
Os estudos sobre o aborto deviam ter incluído nos grupos de controle jovens cristãos castos que permanecem virgens por respeito à vida e às leis de Deus. Teriam constatado que esses jovens têm relacionamentos mais saudáveis, maior auto-estima e duradoura paz mental.
O que o bebê sente
O que sente o bebê que, aninhado em segurança no aconchego do útero da mãe, é subitamente atacado com força mortífera? Só se pode imaginar, pois essa história nunca será contada em primeira mão.
A maioria dos abortos é realizada nas primeiras 12 semanas de vida. Nesse estágio, o pequenino feto exercita a respiração e a deglutição, e seu coração já bate. Ele pode dobrar os dedinhos dos pés, fechar a mãozinha, revirar-se em seu mundo aquoso — e sentir dor.
Muitos fetos são arrancados do útero e sugados para dentro dum recipiente por um tubo de vácuo com extremidade pontuda. Esse processo é chamado de aspiração a vácuo. A possante sucção (29 vezes superior à potência dum aspirador de pó doméstico) dilacera o corpinho. Outros bebês são abortados por dilatação e curetagem, processo em que um bisturi em forma de alça raspa a parede interna do útero, fazendo em pedaços o bebê.
Fetos com mais de 16 semanas podem morrer pelo método de aborto por solução salina, ou envenenamento por sal. Uma longa agulha perfura a bolsa d’água, retira parte do líquido amniótico e o substitui por solução salina concentrada. À medida que o bebê engole e respira, enchendo seus delicados pulmões com essa solução tóxica, ele se debate e tem convulsões. O efeito cáustico do veneno destrói a camada superficial de pele, deixando-a em carne viva e engelhada. O cérebro pode apresentar hemorragia. Uma morte dolorosa talvez ocorra dentro de algumas horas, embora vez por outra, quando o trabalho de parto começa mais ou menos um dia depois, o bebê seja expulso ainda vivo, mas agonizante.
Se o bebê está desenvolvido demais para ser morto por esses métodos ou por métodos similares, resta uma opção: a histerotomia, incisão cesariana com objetivo desvirtuado, ou seja, pôr fim à vida em vez de salvá-la. O abdômen da mãe é aberto cirurgicamente, e quase sempre se retira o bebê ainda vivo. Ele talvez chegue até a chorar. Mas tem de morrer. Alguns são deliberadamente mortos por sufocamento, afogamento ou outros meios.
O que o médico sente
Por séculos os médicos têm aceitado os valores expressos no venerado juramento hipocrático que diz, em parte: “Jamais, para agradar alguém, prescreverei uma droga mortal, nem darei um conselho que possa causar a morte. Nunca darei a uma mulher um pessário para causar o abortamento. Preservarei a pureza . . . da minha arte.”
Que conflitos éticos confrontam os médicos que interrompem a vida no útero? O Dr. George Flesh descreve-o da seguinte maneira: “Meus primeiros abortos, como médico residente, não me causaram nenhuma aflição emocional. . . . Minha insatisfação começou depois de centenas de abortos. . . . Por que mudei? Logo no começo da minha carreira, um casal me procurou e solicitou um aborto. Visto que o colo do útero da paciente estava rígido, não consegui dilatá-lo para realizar o aborto. Pedi-lhe que voltasse uma semana depois, quando o colo do útero estaria mais maleável. O casal retornou e me disse que havia mudado de idéia. Realizei o parto sete meses depois.
“Anos mais tarde, brinquei com o pequeno Jeffrey na piscina do clube de tênis do qual seus pais e eu éramos sócios. Ele era feliz e bonito. Fiquei horrorizado ao pensar que um obstáculo técnico fora tudo o que me impediu de pôr fim à vida que o Jeffrey teria. . . . Creio que dilacerar um feto desenvolvido, membro por membro, simplesmente a pedido da mãe, é um ato de depravação que a sociedade não devia permitir.”
Nos Estados Unidos, 4 em cada 5 mulheres que recorrem ao aborto não estão casadas.
Uma enfermeira que deixou de ajudar em abortos comentou sobre seu serviço numa clínica de abortos: “Uma das nossas tarefas era contar os pedaços. . . . Se a moça vai para casa com pedaços do bebê ainda no útero, podem surgir problemas graves. Eu examinava cuidadosamente os pedaços para ter certeza de que havia dois braços, duas pernas, o tronco, a cabeça. . . . Tenho quatro filhos. . . . Havia um enorme conflito entre minha vida profissional e minha vida pessoal que eu não conseguia conciliar. . . . O aborto é uma questão difícil.”
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A vida — dádiva a ser prezadaDespertai! — 1993 | 22 de maio
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A vida — dádiva a ser prezada
QUANDO Jeová Deus concedeu o privilégio da procriação à família humana, isso foi uma dádiva e tanto! Um lindo bebê chegaria para ser recebido nos braços acolhedores dum casal feliz que teria amor um pelo outro e estaria disposto a acalentar e cuidar desse pequenino produto de sua união conjugal. Só alegria estaria reservada para a família à medida que a vida da criança prosseguisse.
Mas o pecado de Adão e Eva trouxe trágicas conseqüências para os bebês nascidos na raça humana. Por causa do pecado, nossa primeira mãe foi amaldiçoada para sofrer aflição e dor física ao dar à luz. E o ambiente pecaminoso em que a descendência do casal nasceu tornou a criação de filhos um tremendo desafio. Assim, no complexo mundo de hoje, não surpreende que a concepção duma criança muitas vezes resulte em tudo, menos em alegria. No entanto, o que pensa o Criador sobre a criança por nascer? Será que seu conceito mudou com as mutantes tendências da moralidade? Certamente não. Seu conceito e seu interesse pelas crianças por nascer permanece inalterado.
As Escrituras deixam claro que dentro da mãe se desenvolve um ser humano individual, ímpar. A vida começa na concepção. O nascimento no mundo apenas revela ao homem a criança que Deus já viu. Ezequiel fala de ‘cada criança que abre a madre’. (Ezequiel 20:26) Jó menciona “as portas do ventre de minha mãe” e se refere a abortos como “crianças que não viram a luz”. — Jó 3:10, 16.
Note a terna consideração de Jeová Deus pela delicada vida à medida que ela se desenvolve no útero. Ele disse a Jeremias: “Antes de formar-te no ventre, eu te conheci, e antes de saíres da madre, eu te santifiquei.” (Jeremias 1:5) Davi disse: “Meus ossos não te estavam ocultos quando fui feito às escondidas, quando fui tecido nas partes mais baixas da terra. Teus olhos viram até mesmo meu embrião.” (Salmo 139:15, 16) Jó chama a Deus de “Aquele que me fez no ventre”, que passou a “preparar-nos na madre”. — Jó 31:15.
Mas que dizer do interesse de Deus pela gestante desesperada que não quer a criança? Mais do que ninguém, o Criador se apercebe das pesadas responsabilidades de se ser pai ou mãe. Se a gestante, embora em circunstâncias difíceis, decidir ficar com o bebê em respeito por requisitos piedosos, não abençoará ele sua decisão? O pai ou a mãe pode e deve justificadamente orar pedindo a ajuda de Deus para criar uma criança feliz. Nas páginas de sua Palavra, Deus já deu os melhores conselhos disponíveis sobre a criação de filhos. A aplicação dos princípios bíblicos na família dá resultados abençoados. As alegrias e recompensas de criar filhos piedosos superam quaisquer sacrifícios feitos ao longo do caminho, como qualquer pai ou mãe orgulhosos podem atestar.
É o ponto de vista de Jeová de alguma forma diferente se o bebê é fruto de estupro ou de relações incestuosas? Embora o ato contra a mãe tenha sido criminoso, a culpa não é do bebê. Dar fim a sua vida seria apenas compensar um ato de violência com outro. Jeová certamente se dá conta do trauma emocional pelo qual passam essas vítimas e pode ajudar a mãe e a criança a enfrentar as conseqüências com equilíbrio.
E se o médico informar à gestante que levar a gestação a termo poderá colocar sua vida em perigo? O Dr. Alan Guttmacher disse: “Hoje é possível que quase toda paciente chegue viva ao fim da gravidez, a menos que sofra duma doença fatal, como câncer ou leucemia, e, neste caso, é improvável que o aborto prolongue sua vida, muito menos que salve sua vida.” The Encyclopedia Americana diz: “Visto que a maioria das mulheres pode ter uma gravidez segura mesmo com graves problemas de saúde, poucos abortos precisam ser realizados para proteger a saúde da mãe. A maioria dos abortos é feita para evitar o filho.” Portanto, situações assim são bem raras. No entanto, se isso acontecer por ocasião do parto, então os pais têm de escolher entre a vida da mãe e a da criança. A decisão é dos pais.
É de admirar que o Criador da vida estabeleça diretrizes claras quanto ao uso das nossas faculdades reprodutivas? Aos seus olhos, conceber uma vida sem ter a intenção de cuidar dela é pecado, assim como é pecado tirar uma vida.
A controvérsia certamente continuará até o fim deste sistema. Mas, no que diz respeito ao Criador da vida, Jeová Deus, bem como àqueles que prezam Suas leis, não há controvérsia. A vida é preciosa — uma dádiva a ser cuidada e prezada desde o começo.
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Têm essas religiões a resposta?Despertai! — 1993 | 22 de maio
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Têm essas religiões a resposta?
DIANTE do dilema moral em torno do aborto, muitos procuram a orientação de seus líderes espirituais. O que dizem eles?
A Igreja Católica adota uma posição firme contra o aborto, ensinando que a vida começa por ocasião da concepção. Alguns sacerdotes estão envolvidos na política e pedem ao papa a excomunhão de políticos católicos que votam a favor do aborto. Entretanto, muitos católicos são a favor do aborto e exigem liberalização.
A Igreja Presbiteriana (EUA) relata que 46 por cento dos pastores “não crêem que a Bíblia ensina que o aborto é errado”. A posição oficial da igreja é pró-aborto.
O 16.º Sínodo Geral da Igreja Unida de Cristo decidiu que ‘sustenta o direito de homens e mulheres terem serviços adequados de planejamento familiar e o direito de aborto legal seguro como opção’.
A política da Igreja Evangélica Luterana determina que o aborto “deve ser uma opção apenas de último recurso”; no entanto, negou-se a chamar o aborto de “pecado” ou a dizer que “a vida começa por ocasião da concepção”.
A Convenção Batista do Sul é fortemente contra o aborto. Mas a Igreja Batista Americana diz: “Estamos divididos no que diz respeito à definição adequada da política da igreja diante das circunstâncias em torno do aborto. Conseqüentemente, reconhecemos a liberdade de cada indivíduo de defender uma política pública que reflita suas crenças na questão do aborto.”
O judaísmo está dividido, a ala ortodoxa adotando uma posição de modo geral contrária ao aborto, ao passo que judeus das alas reformista e conservadora de modo geral favorecem o aborto.
O islamismo permite o aborto por qualquer motivo nos primeiros 40 dias de vida, mas, depois disso, apenas diante duma ameaça à vida da mãe. O Hadith diz que o feto existe “40 dias na forma de semente, depois é um coágulo de sangue por período semelhante, depois um pedacinho de carne por período semelhante, depois . . . é-lhe enviado o anjo que sopra para dentro dele o fôlego da vida”.
O xintoísmo não tem posição oficial e deixa o aborto para escolha pessoal.
Hindus, budistas e siques ensinam o respeito geral pela vida. Mas não se envolvem na controvérsia em torno da questão do aborto, visto que crêem na reencarnação; o aborto apenas envia o bebê para outra vida.
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