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  • Quão grave é a Aids na África?
    Despertai! — 1992 | 8 de agosto
    • Quão grave é a Aids na África?

      Do correspondente de Despertai! na África

      É PROVÁVEL que você tenha ouvido as predições. Eram aterradoras. Milhões de pessoas no continente africano pegariam AIDS. O sistema imunológico humano entraria em colapso, deixando as defesas naturais do organismo à mercê da invasão de terríveis doenças. Como no caso da peste bubônica que assolou a Europa no século 14, seguir-se-ia morte e destruição sem precedentes.

      Daí houve uma calmaria. A mídia ficou saturada e o público se cansou de predições catastróficas sensacionalistas. Seria realmente tão ruim assim? Qual é exatamente a real dimensão da epidemia de AIDS na África?

      “Ninguém sabe quais serão as futuras cifras”, diz o Dr. Andre Spier, pesquisador da AIDS. Mas ele não está otimista. “O número será elevado e altamente destrutivo para a inteira sociedade.” Similarmente, numa conferência internacional sobre a AIDS em Estocolmo, Suécia, em 1988, o Dr. Lars Kallings predisse que “dentro de apenas uns dois anos . . . haverá uma apavorante contagem de mortos”.

      Já se passaram mais de “uns dois anos” desde essa predição. Hoje, muitas das predições estão ominosamente em vias de se concretizar. Cadáveres começam a substituir o que antes era apenas estatística. E o pior ainda está por vir.

      Os Mortos e os Condenados a Morrer

      Um rastro de morte e destruição está sendo deixado para trás em muitas partes da África subsaariana. “Em certos centros urbanos”, diz um artigo recente na revista científica Nature, “a AIDS é hoje a principal causa da morte de adultos e um dos maiores causadores da mortalidade infantil”. Numa certa cidade africana, os sacerdotes mal dão conta do grande número de funerais relacionados com a AIDS que têm de realizar.

      Em outubro de 1991, os chefes de governo da Comunidade de Nações que se reuniram em Harare, no Zimbábue, receberam um documento com previsões ominosas a respeito da AIDS na África. Foi revelado que de 50 a 80 por cento dos leitos hospitalares em alguns países africanos estavam ocupados por pacientes com AIDS. A respeito de Uganda, onde é grande a incidência, o especialista em AIDS Dr. Stan Houston revelou que a AIDS já matou mais pessoas do que as que foram mortas nos últimos 15 anos de guerra civil naquele país.

      Também inquietantes são as descobertas de médicos e cientistas em Abidjã, Côte d’Ivoire (Costa do Marfim). Durante vários meses, foram examinados todos os cadáveres nos dois maiores necrotérios da cidade. O resultado? A revista Science, que publicou a matéria, revelou que a AIDS foi “a principal causa da morte” entre homens adultos em Abidjã. A revista acrescenta que os números citados “provavelmente subestimam a real dimensão da mortalidade causada pela infecção do HIV [Vírus da Imunodeficiência Humana]”.

      Mesmo a OMS (Organização Mundial da Saúde), que monitora a propagação mundial da doença, admite que isto é apenas a ponta do iceberg. Segundo a revista New Scientist, a OMS “tem certeza de que muitos países na África Oriental e Central têm comunicado apenas cerca de um décimo dos casos de AIDS . . . Os informes são incompletos e inexatos porque a inspeção é rudimentar”.

      Infecção Latente

      Algo terrificante a respeito da AIDS é o longo período de infecção que precede os reais sintomas físicos da AIDS plenamente desenvolvida. Por até dez anos o portador contaminado pode abrigar o mortífero HIV em seu corpo. Talvez pareça e se sinta saudável. A menos que a vítima faça um teste para detectar a doença, jamais saberá que enfrenta uma doença terminal — até que os sintomas se manifestem! É este aparentemente sadio, porém infectado, segmento da população que, sem saber, está disseminando a AIDS.

      Testes de níveis de infecção com o HIV revelam o alcance do impetuoso avanço dessa praga mortífera na África. A revista African Affairs, por exemplo, revela que “a região densamente povoada nos arredores do lago Vitória . . . relata alta incidência [de HIV] . . . , variando de 10 a 18 por cento para adultos na categoria de baixo ou médio risco a 67 por cento para os que têm múltiplos parceiros sexuais”. Similarmente, segundo estimativas da revista Nature, “na população adulta em geral a infecção se tem disseminado constantemente desde 1984, alcançando 20-30% nos centros urbanos mais atingidos”. Imagine — quase um terço da população adulta sob sentença de morte dentro de dez anos!

      Governos e líderes, outrora relutantes em revelar a extensão da AIDS, estão agora se conscientizando do pleno horror dessa epidemia. Um ex-presidente africano deu o seu aval à luta contra a AIDS — depois que seu próprio filho morreu dela. Outro líder governamental recentemente alertou que havia 500.000 pessoas infectadas com o HIV em seu país. A maioria dessas não sabiam que estavam mortalmente doentes e disseminavam o flagelo por meio de sua promiscuidade.

      “Diga-lhes o Que Aconteceu Aqui”

      À medida que a porcentagem de pessoas afligidas pela infecção do HIV aumenta sem parar, o número dos que por fim adoecerão gravemente e morrerão aumentará drasticamente. Na esteira disso, deixarão indescritível pesar e sofrimento. Foi o que se deu com Khamlua, de 59 anos, que vive na fronteira da Uganda com a Tanzânia, uma região assolada pela AIDS. Desde 1987 ele já sepultou 11 de seus filhos e netos — todos vítimas da AIDS. “Leve a minha queixa ao mundo”, suspira, abalado pela tragédia. “Diga-lhes o que aconteceu aqui.”

      Devido às formas de propagação da AIDS, o que aconteceu com Khamlua na África ameaça acontecer em muitas partes do mundo. ‘Mas’, talvez pergunte, ‘por que é a África que sofre o grosso de tanta desgraça e sofrimento humano?’

      [Destaque na página 3]

      Em alguns países em desenvolvimento, “por volta de 1993, a AIDS será a maior causa de mortes”. — The World Today, Inglaterra.

  • Por que é tão grande o sofrimento na África?
    Despertai! — 1992 | 8 de agosto
    • Por que é tão grande o sofrimento na África?

      JACÓ, de 42 anos, é um homem doente. Ele tem AIDS. Além disso, contaminou a sua esposa com AIDS. “Minha esposa sabe que pegou isso de mim”, admite Jacó.

      Mas como foi que Jacó contraiu o vírus fatal? Ele explica: “Eu morava sozinho em Harare; dirigindo caminhão, eu ia de Zâmbia, passando pelo Zimbábue, até Botsuana e Suazilândia. Minha esposa morava com os nossos filhos em Manicalândia [no Zimbábue]. E nós, motoristas, fazíamos certas coisas nas quais devíamos ter tido maior cuidado.”

      A Praga da Promiscuidade

      O comportamento sexual promíscuo é hoje o principal propagador da AIDS na África. Em termos simples, “as regras sexuais têm sido amplamente violadas”, explica a pesquisadora de AIDS Dawn Mokhobo. A revista African Affairs diz que “a África subsaariana dá muito valor a filhos mas o mínimo de valor ao casamento. O sexo fora do casamento, mesmo . . . que leve à gravidez, não é fortemente desaprovado”. Segundo a revista Nature, o caminho típico da infecção começa com a prostituta. Diz o artigo: “As prostitutas concorrem para semear a epidemia na maioria das mulheres monogâmicas através do contato com maridos promíscuos.”

      Não muitos se dispõem a mudar de comportamento. O Panos Document sobre a AIDS na África relata a seguinte experiência que teve um pesquisador médico no Zaire: “Certa noite, depois de eu ter realizado testes sanguíneos numa área rural junto com alguns colegas profissionais zairenses, eles saíram com algumas moças locais. Dormiram com elas, mas apenas um deles usou preservativo.” Quando lhes indagou a respeito dos riscos, “eles riram, dizendo que não poderiam deixar de viver só porque podiam pegar uma doença”. Sim, para muitos, o sexo casual significa “viver” — prazer, entretenimento.

      Como em muitas outras partes do mundo, especialmente os jovens tendem à promiscuidade. Uma pesquisa recente entre 377 jovens da África do Sul revelou que mais de 75 por cento já havia tido relação sexual. Similarmente, um missionário no centro-sul da África mencionou que há “poucas moças de 15 anos que ainda não estão grávidas”. E disse também: “A gente vê uma jovem moça solteira e pensa: ‘No próximo ano, a essa altura, ela estará grávida.’”

      Contudo, no caso da África, há outros fatores que aceleram a disseminação da AIDS.

      Famílias Separadas

      “Enquanto grandes números de homens na casa dos 20 ou 30 anos forem obrigados a trabalhar longe de suas esposas e de suas famílias — seja em fábricas urbanas, em minas, em plantações ou dirigindo caminhões em longos percursos — a propagação da Aids continuará imbatível”, diz a revista Africa South. Os migrantes africanos levam uma vida dura. Longe de suas esposas e famílias, muitos lutam para encontrar moradia e emprego nas cidades. Segundo a revista African Affairs, a tensão de tentar sustentar a si mesmo e a uma família longe de si leva o migrante a sentir “frustração e uma sensação de incompetência”. A revista acrescenta que isso muitas vezes induz o migrante a “renegar inteiramente os seus deveres”.

      Em especial as rotas de caminhão têm sido apontadas como vias mortais através das quais a AIDS se espalha. Como disse certo motorista: “Onde quer que eu vá, preciso ter certeza de sempre ter uma namorada para ‘cuidar de mim’.” Um típico foco de AIDS é uma área numa favela na África Oriental onde 600 prostitutas exercem a sua função. Muitos clientes são caminhoneiros que param para o que eles chamam de pausa para o chá. Os índices de HIV positivo entre essas prostitutas estão na marca de mais de 80 por cento. Enquanto isso, os caminhoneiros contaminados seguem até a próxima “pausa para o chá” e, por fim, de volta às suas casas — disseminando ao longo do percurso a moléstia mortífera que portam.

      Há também as guerras civis e as lutas políticas — fontes geradoras de milhões de refugiados. “Onde há guerra política e civil”, diz o especialista em AIDS Alan Whiteside, “o comportamento social normal entra em colapso. . . . Refugiados que se mudam de um lugar para outro formam um grupo coletivo de infecção e também tendem a ter mais parceiros sexuais”.

      Trágica Situação na Saúde

      Com pouco dinheiro, a África não consegue atender a seus problemas de saúde. “Em muitos países africanos, a dotação orçamentária anual por pessoa na área de saúde é menor do que o custo de um único exame de sangue para detectar a presença do vírus da AIDS”, explica o folheto Como Entender e Evitar a AIDS (em inglês). Similarmente, Keith Edelston, autor do livro AIDS — Contagem Regressiva do Juízo Final (em inglês), explica que “até mesmo sabão para esterilizar equipamentos, ou um simples desinfetante doméstico para limpar líquidos derramados, muitas vezes simplesmente não existem”.

      O costume de reutilizar seringas em muitos pacientes, comum em alguns países africanos, levou Edelston a alertar: “Cuidado se precisar de injeções . . . na África . . . Exija uma seringa e uma agulha novas tiradas de invólucros esterilizados, na sua presença.”

      O risco de infecção acidental está causando uma séria evasão de profissionais da saúde. Dois médicos de um hospital sul-africano sofreram arranhões de agulha ao tratarem pacientes com AIDS. Foram infectados e morreram. Por isso, seis médicos estrangeiros pediram demissão desse hospital.

      Nessas condições, não é de admirar que muitos estejam repensando a prática de transfundir um dos mais virulentos propagadores da AIDS — o sangue! “O sangue contaminado continua sendo um importante meio de disseminação”, diz a publicação South African Medical Journal, acrescentando que “praticamente não existem testes de detecção na África central e pelo menos 60% do sangue de doadores é contaminado”.

      Assim, já afligida por muitas tragédias, a África está novamente sofrendo. E entre os efeitos mais trágicos do flagelo da AIDS na África é o que tem acontecido com as mulheres e as crianças.

      Os Inocentes Que Sofrem

      Lucy é uma vítima inocente da AIDS. Ela foi contaminada pelo marido promíscuo. Agora, viúva aos 23 anos, Lucy luta com seus sentimentos. “Ainda estou tentando definir se devo amar a sua memória ou odiá-lo por ter-me contaminado”, diz ela. Os sentimentos de Lucy são típicos da intensa dor e sofrimento que a AIDS impinge às suas vítimas inocentes.

      “Ainda que o HIV em países em desenvolvimento venha a atingir homens e mulheres em números mais ou menos parelhos”, diz a revista The World Today, “o impacto sobre as mulheres provavelmente será . . . desproporcionalmente duro”. Isto em especial na África, onde as mulheres — tremendamente em desvantagem por causa do analfabetismo, da pobreza e de maridos migrantes — sofrem em silêncio.

      O efeito mais trágico da AIDS, porém, é sobre as crianças. O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) estima que à medida que 2,9 milhões de mulheres morrerem de AIDS na África nesta década, 5,5 milhões de crianças ficarão órfãs. Uma autoridade de certo país que tem pelo menos 40.000 órfãos da AIDS informa que já “existem aldeias . . . só de crianças”.

      Típico do dilema são mães contaminadas que têm filhos contaminados. A revista South African Medical Journal diz que “a pergunta comum da mãe de um bebê soropositivo é ‘quem vai morrer primeiro?’”.

      Não é para menos que muitas mulheres se sintam vulneráveis à AIDS. O médico zambiano M. Phiri diz: “As mulheres nos procuram perguntando se existe alguma coisa que elas possam tomar para evitar contrair essa doença . . . Há o medo de que, ao passo que elas talvez cuidem de si, o parceiro, o marido, talvez não seja tão fiel assim. Isto as preocupa.”

      Portanto, o que pode fazer a pessoa casada caso descubra que seu companheiro ou companheira tem sido promíscuo? Se for seguido o proceder do perdão e reconciliação, o parceiro culpado deve concordar em submeter-se a um teste clínico para ver se é ou não portador do HIV. (Compare com Mateus 19:9; 1 Coríntios 7:1-5.) Até serem conhecidos os resultados, os casais nessa situação talvez decidam abster-se de relações sexuais ou, pelo menos, tomar medidas preventivas contra a infecção.

      Por causa do longo período de incubação da AIDS, os jovens que cogitam o casamento também devem ser cautelosos antes de se comprometerem a casar-se com alguém cujo passado moral seja duvidoso, mesmo que ele ou ela atualmente viva à altura das normas cristãs. Com respeito a esse grupo de risco, um especialista em AIDS tanzaniano, o Dr. S. M. Tibangayuka, sugere que os jovens tomem a precaução de “submeterem-se ao teste de detecção do HIV antes de se casarem”.

      Na realidade, enquanto existir a AIDS na África e, decerto, no resto do mundo, vítimas inocentes, inclusive cônjuges e crianças, sofrerão.

      [Foto na página 7]

      Há muitas razões pelas quais a AIDS colhe um tributo tão temível na África.

      [Crédito]

      OMS/E. Hooper

  • Aids na África — um alerta para o mundo!
    Despertai! — 1992 | 8 de agosto
    • Aids na África — um alerta para o mundo!

      “SE VOCÊ tiver 1 parceiro por ano durante 6 anos, e assim também todos os seus parceiros, virtualmente terá tido contato sexual com 45 000 pessoas.” Este cálculo simples da Dra. K. E. Sapire, publicado na revista sul-africana Continuing Medical Education, ilustra o enorme potencial dos promíscuos de se contaminarem com a AIDS.

      Assim, por que focalizar a África?

      Porque o que está acontecendo ali é um alerta para o mundo. A África não é o único lugar em que a promiscuidade anda solta. É um fenômeno global. “Em última análise”, diz o perito em AIDS Dr. Dennis Sifris, “toda pessoa sexualmente ativa no mundo que tenha mais de um parceiro está potencialmente em risco”. Similarmente, segundo a revista U.S.News & World Report, pelas normas de hoje até mesmo “o casamento não é o afiançador da heterossexualidade — nem da fidelidade — e, portanto, nenhum escudo perfeito contra a AIDS”.

      Com bons motivos, portanto, a revista African Affairs alerta: “A epidemia pode reeditar-se em qualquer lugar.” Tudo indica que a crise africana já está no processo de repetição em muitas outras partes do mundo.

      A revista Newsweek diz que no Brasil, por exemplo, “aumenta vertiginosamente o número de heterossexuais que contraíram AIDS de seus parceiros contaminados”. O Ministério da Saúde desse país estima que meio milhão de pessoas já são HIV positivos. “Se nada for feito”, diz o Dr. Carlos Alberto Morais de Sá, diretor de pesquisa da AIDS do Hospital Universitário Gaffrée-Guinle, do Rio de Janeiro, “nos veremos confrontados com uma calamidade de saúde pública”.

      Os Estados Unidos também estão ameaçados. “Ainda que o número de casos heterossexuais seja relativamente pequeno”, diz a revista Time, “aumentou 40% no ano passado [1990], mais rapidamente do que qualquer outra categoria”. Na semana após o anúncio de que o famoso atleta Magic Johnson contraíra AIDS via contato heterossexual, as linhas telefônicas dos serviços assistenciais ficaram congestionadas por pessoas em pânico que clamavam por mais informações a respeito da doença.

      A Ásia também emite ominosos sinais de uma iminente catástrofe. Naquela parte do globo tem havido um aumento em casos de HIV positivos de praticamente zero, em 1988, para mais de um milhão hoje! “Os índices africanos de infecção parecerão modestos em comparação”, prediz o Dr. Jim McDermott, informando os resultados de uma missão de averiguação enviada à Ásia. Ele acrescenta: “Estou convencido de que a Ásia é o gigante adormecido de uma epidemia mundial de Aids.”

      Tentar lançar a culpa pela origem e pela disseminação da AIDS em algum continente ou grupo nacional específicos é sem sentido e inútil. A Dra. June Osborn, deã da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, EUA, disse objetivamente: “Não se trata de quem você é, mas sim do que você faz.”

      Continuará a AIDS a fazer estragos em toda a parte? Existe uma solução, ou será que ela acabará despovoando vastas áreas do continente africano e de outras partes do mundo?

      [Crédito da foto na página 8]

      Foto da OMS, de H. Anenden; fundo: foto da NASA

  • Aids — em que resultará?
    Despertai! — 1992 | 8 de agosto
    • Aids — em que resultará?

      “ESTOU absolutamente convencido de que teremos com certeza uma vacina ainda nesta década.” — Jorg Eichberg, chefe de pesquisa de vacinas no Centro de Pesquisas Wyeth-Ayerst, Filadélfia, EUA.

      Imagine se fosse encontrada uma cura, ou mesmo uma vacina preventiva, da AIDS. Quão maravilhoso isto seria! Para os 9.000 especialistas em AIDS que se reuniram no ano passado em Florença, Itália, sob o tema “A Ciência Desafia a AIDS”, a busca dessa cura era sem dúvida a sua preocupação máxima.

      À medida que 9 dentre 10 novas infecções ocorrem agora nos países em desenvolvimento, a pressão para se encontrar uma solução eficaz é real. Todavia, segundo a revista New Scientist, parecia que muitos na conferência de Florença haviam “perdido seu senso de urgência”. “Talvez”, sugere a revista, a tragédia é tão esmagadora que muitos “haviam simplesmente desistido do problema”.

      A cruel realidade é que os cientistas encontram mais perguntas do que respostas. A revista New Scientist comenta que “passados 10 anos de epidemia, os problemas que os virólogos e imunologistas enfrentam parecem ser quase tão grandes como sempre foram”. O clínico de AIDS britânico Ian Weller acautelou: “A Guerra nas Estrelas [a solução definitiva] da terapia antiviral não está dobrando a esquina.”

      Mas, mesmo que uma vacina anti-AIDS realmente surgisse, quão acessível seria? O Dr. Dennis Sifris, clínico que conhece pessoalmente as realidades do trabalho na África, explica: “Nós temos uma vacina altamente eficaz contra a TB [tuberculose], de modo que, teoricamente, a TB já devia ter sido erradicada, [como se dá também com] o sarampo e a hepatite B. Todavia, essas três doenças são . . . grandes assassinas na África hoje. Assim, mesmo que uma vacina seja criada, torná-la acessível às pessoas é um grande problema.”

      Com pouca esperança de cura, a única opção da África tem sido persuadir as pessoas a mudarem seu comportamento sexual. Mas a pergunta é — como?

      A Medida Preventiva Padrão

      A medida padrão para resolver o problema da AIDS na África é distribuir preservativos, preservativos e mais preservativos. Os caminhoneiros os recebem gratuitamente nos postos de fronteira. Jornais os enviam em envelopes. Médicos e assistentes sociais os estocam aos milhões.

      Embora tais medidas possam causar algum impacto na propagação da AIDS, não estão isentas de problemas — especialmente na África. O assistente social Stefan van der Borght, de Medecins Sans Frontieres, em Angola, explicou que se a pessoa distribui três milhões de preservativos, isso parece bom. Mas isto significa que um milhão e meio de homens podem ter relações sexuais apenas duas vezes antes de acabar o estoque.

      Além disso, à parte das dificuldades logísticas, que efeito tem a indiscriminada distribuição de preservativos sobre a promiscuidade — a própria fonte principal da AIDS na África? Tudo indica que tais medidas estimulam a atividade sexual, em vez de refreá-la. Até mesmo autoridades governamentais começam a reconhecer isso. Certo país africano já ordenou que a mídia estatal retirasse os anúncios sobre preservativos, visto que incentivam o comportamento promíscuo. O escritor Keith Edelston leva isso um passo adiante em seu livro (em inglês) Aids — Contagem Regressiva do Juízo Final: “Por causa dos riscos . . . inerentes ao uso de preservativos, é bem claro que a única maneira de estar completamente seguro é a estrita monogamia.”

      Mas será o retorno à moralidade monogâmica no casamento uma opção realística?

      O Fim da AIDS

      “Se as pessoas deixassem de praticar o sexo casual amanhã”, diz o professor Reuben Sher, especialista em AIDS na África, “o vírus morreria. As pessoas que o têm morreriam, e pronto”. Similarmente, um editorial no The Star, um jornal publicado em Johanesburgo, na África do Sul, diz que “para quem não pratica sexo casual, não partilha agulhas e nem toma transfusões de sangue, o [HIV] é um vírus dificílimo de pegar”.

      Já agora, mais de 450.000 Testemunhas de Jeová na África evitam exatamente tais coisas. Elas crêem firmemente que a moralidade baseada na Bíblia é meritória. Considere seu raciocínio: Visto que o Criador, Jeová Deus, fez os humanos, Seu código de conduta para o comportamento humano logicamente merece atenção. O princípio registrado em Hebreus 13:4 é um bom exemplo: “O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado.” Em vez de se sentirem privados de prazer, os que aplicam textos como esses têm-se poupado de muita dor física e emocional. — Compare com Atos 15:29; 2 Coríntios 7:1; Efésios 5:3-5.

      É interessante que a imprensa não raro elogia a moral das Testemunhas de Jeová na África. “[Elas] revelaram ser cidadãos decentes e ordeiros, que vivem segundo um elevado código moral”, declarou o Daily Telegraph de Londres, Inglaterra. Disse mais: “A promiscuidade e a poligamia características da sociedade africana são simplesmente inconcebíveis entre as Testemunhas [de Jeová].” Similarmente, o autor do livro Contemporary Transformations of Religion, Bryan Wilson, diz que “na sociedade africana, as Testemunhas . . . tornam-se pessoas excepcionais” e que “o efeito de [seu] . . . código de moral é evidente entre elas”.

      Não queremos com isso dizer que as Testemunhas de Jeová sejam totalmente imunes aos efeitos da AIDS. Algumas foram contaminadas por cônjuges que não seguem os mesmos princípios cristãos que elas, e outras contraíram a doença antes de se tornarem Testemunhas de Jeová. Também, umas poucas preferiram retornar à moral dissoluta do mundo de hoje, e um pequeno número destas contraiu AIDS como parte dos frutos de seu comportamento. (Gálatas 6:7) Contudo, os que deliberadamente levam uma vida imoral perderam também o privilégio de permanecer na congregação cristã. (1 Coríntios 5:13; 6:9, 10) Mas a vasta maioria dos mais de quatro milhões de Testemunhas de Jeová ao redor do globo desfruta do bem-estar físico, emocional e espiritual resultante do apego aos princípios de moral do Criador.

      Felizmente, a Bíblia indica que a solução definitiva de flagelos como a AIDS está à vista. (Revelação [Apocalipse] 21:1-4) Jeová Deus promete um novo mundo em que todas as causas imorais de doenças como a AIDS serão inteiramente removidas. Não mais haverá coisas tais como vítimas inocentes, pois todos levarão um estilo de vida reto e sadio, que promove a felicidade verdadeira. — Isaías 11:9; 2 Pedro 3:13.

      [Destaque na página 9]

      “Não precisamos gastar bilhões em pesquisas e desenvolvimento . . . Precisamos de um retorno à moralidade.” — Dr. Mark Hendricks, imunologista sul-africano.

      [Foto na página 9]

      A estrita monogamia é uma importante maneira de evitar o flagelo da AIDS.

      [Foto na página 10]

      Deus promete um novo mundo inteiramente livre de doenças como a AIDS.

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