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“A mais devastadora pandemia na história humana”Despertai! — 2002 | 8 de novembro
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“A mais devastadora pandemia na história humana”
DO REDATOR DE DESPERTAI! NA ÁFRICA DO SUL
“Nenhuma guerra na face da Terra é tão destrutiva como a pandemia da Aids.” — COLIN POWELL, SECRETÁRIO DE ESTADO DOS EUA.
A PRIMEIRA notícia oficial a respeito da Aids (síndrome de imunodeficiência adquirida) apareceu em junho de 1981.a “Nenhum de nós, que vivenciamos aqueles primeiros tempos da Aids, poderia imaginar o tamanho da epidemia em que ela se converteu”, diz Peter Piot, diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). Em 20 anos tornou-se a maior pandemia de todos os tempos, e os indicativos são de que aumentará ainda mais.
Estima-se que mais de 36 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana), e que outros 22 milhões já morreram dos efeitos da Aids.b No ano 2000, três milhões de pessoas morreram de Aids no mundo, o recorde para um ano desde o início da epidemia. Isso apesar do uso da terapia de drogas anti-retrovirais, especialmente nas nações mais ricas.
A Aids invade a África
A África subsaariana, com uns 25,3 milhões de infectados, tornou-se o epicentro da pandemia. Nessa região, 2,4 milhões de pessoas morreram dos efeitos da Aids no ano 2000, o que representa 80% do total mundial. A Aids é a principal causa de morte na região.c
A África do Sul é o país com o maior número de infectados do mundo, calculadamente 4,7 milhões de pessoas. Todo mês nascem ali 5.000 bebês contaminados pelo HIV. No seu discurso na 13.ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Durban em julho de 2000, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela declarou: “Estamos chocados com a constatação de que, na África do Sul, um em cada dois, isto é, a metade de nossos jovens vai morrer de Aids. O mais assustador é que todas essas infecções, de que nos falam as estatísticas, e o acompanhante sofrimento humano . . . poderiam ter sido, podem ser, evitados.”
O assalto da Aids em outros países
Os índices de infecção também aumentam rapidamente na Europa Oriental, na Ásia e no Caribe. Em fins de 1999, o número de infectados na Europa Oriental era de 420.000. No fim de 2000, numa estimativa conservadora, havia aumentado para 700.000.
Uma pesquisa feita em seis grandes cidades americanas revelou que 12,3% dos jovens homossexuais masculinos estavam infectados pelo HIV. Mas só 29% dos soropositivos sabiam que estavam infectados. A epidemiologista que conduziu a pesquisa disse: “Ficamos muito desalentados ao descobrir que tão poucos homens soropositivos sabiam que estavam infectados. Isso significa que recém-infectados estão transmitindo o vírus sem o saber.”
Numa reunião de especialistas em Aids, realizada na Suíça em maio de 2001, essa doença foi declarada “a mais devastadora pandemia na história humana”. Como já mencionado, o avanço da Aids tem sido especialmente severo na África subsaariana. O próximo artigo considera o motivo disso.
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns países de língua portuguesa usam a sigla Sida, em vez de Aids.
b Os números apresentados são estimativas publicadas pelo Unaids.
[Destaque na página 3]
“O mais assustador é que todas essas infecções . . . e o . . . sofrimento humano . . . poderiam ter sido, podem ser, evitados.” — NELSON MANDELA
[Foto nas páginas 2, 3]
Muitos dos infectados pelo HIV não sabem disso
[Crédito da foto na página 3]
Foto da ONU/DPI 198594C/Greg Kinch
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A Aids se espalha na ÁfricaDespertai! — 2002 | 8 de novembro
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A AIDS se espalha na África
“Estamos lidando com um tipo de apocalipse contemporâneo.”
ESSAS palavras de Stephen Lewis, enviado especial da ONU para observar o problema do HIV/Aids na África, refletem a preocupação de muitos com a situação da Aids na África subsaariana.
Muitos fatores concorrem para a disseminação do HIV. A Aids, por sua vez, exacerbou outros problemas. As condições prevalecentes em alguns países africanos, e em outras partes do mundo em que a Aids está ganhando terreno, muitas vezes se relacionam com o seguinte:
Moral. Sendo a relação sexual o principal meio de infecção pelo HIV, a falta de claros padrões morais evidentemente ajuda a espalhar a doença. Mas muitos acham que não é prático recomendar a abstinência sexual para os não-casados. “Simplesmente pedir aos adolescentes que se abstenham de sexo não dará certo”, escreveu François Dufour no jornal The Star, de Johanesburgo, África do Sul. “Eles são bombardeados diariamente com imagens eróticas sobre como deveria ser o seu visual e como deveriam se comportar.”
A conduta dos jovens parece confirmar essa avaliação. Por exemplo, uma pesquisa num certo país revelou que cerca de um terço dos jovens de 12 a 17 anos já havia tido relações sexuais.
O estupro é encarado como problema de emergência nacional na África do Sul. Um artigo no jornal Citizen, de Johanesburgo, disse que o estupro “aumenta tanto que supera qualquer outro risco à saúde das mulheres neste país e, cada vez mais, à de seus filhos”. O mesmo artigo observou: “A violação de crianças dobrou nos tempos recentes . . . Pelo visto, esses atos são cometidos na perpetuação do mito de que um portador do HIV que violenta uma virgem será curado.”
Doenças sexualmente transmissíveis (DST). O índice de DSTs na região é elevado. A revista South African Medical Journal observou: “A presença de uma DST aumenta de 2 a 5 vezes o risco de contaminação pelo HIV-1.”
Pobreza. Muitos países na África lutam contra a pobreza, que cria uma condição favorável à propagação da Aids. Certas coisas consideradas necessidades básicas nos países desenvolvidos nem existem em muitas regiões nos países em desenvolvimento. Grandes comunidades não têm energia elétrica nem acesso à água tratada. Em áreas rurais as estradas são ruins ou inexistentes. Muitos moradores são desnutridos e faltam bons hospitais.
A Aids tem um impacto negativo sobre os negócios e a indústria. Com cada vez mais empregados infectados, as empresas mineradoras sentem os efeitos da queda de produção. Para compensar, algumas estudam meios de automatizar e mecanizar certas operações. Numa certa mina de platina, calculou-se que os casos de Aids entre os empregados quase dobraram no ano 2000, e uns 26% dos trabalhadores estavam infectados.
Um triste resultado da Aids é o grande número de crianças que se tornam órfãs quando seus pais morrem da doença. Além de perder os pais e a segurança financeira, essas crianças têm de suportar o estigma ligado à Aids. Em muitos casos, os familiares mais próximos ou as comunidades são pobres demais para dar assistência, ou não querem dar. Muitos órfãos saem da escola. Alguns se prostituem, disseminando ainda mais a doença. Vários países criaram programas governamentais ou particulares para dar assistência a tais órfãos.
Ignorância. Grande número dos infectados pelo HIV não sabe disso. Muitos não querem fazer o teste por causa do estigma ligado à doença. “Os portadores do HIV, ou suspeitos de que sejam, podem ser excluídos dos cuidados médicos, impedidos de arranjar moradia ou emprego, evitados por amigos e colegas, recusados para cobertura de seguro ou para entrada em países estrangeiros”, segundo uma nota à imprensa do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids. Alguns foram até assassinados quando se descobriu que eram portadores do HIV.
Cultura. Em numerosas culturas africanas, muitas vezes não se permite às mulheres inquirir seus parceiros sobre casos extraconjugais, recusar relações sexuais ou sugerir práticas sexuais mais seguras. Crenças culturais não raro refletem ignorância ou recusa de aceitar a realidade da Aids. Por exemplo, alguns talvez culpem a feitiçaria pela doença e recorram à ajuda de feiticeiros.
Assistência médica inadequada. Hospitais já precários têm sido sobrecarregados ainda mais em razão da Aids. Dois grandes hospitais informam que mais da metade dos pacientes são soropositivos. O chefe de um hospital em KwaZulu-Natal disse que suas dependências operam com uma capacidade de 140%. Às vezes, dois pacientes ocupam a mesma cama e um terceiro fica no chão, debaixo dela! — South African Medical Journal.
Por mais trágica que seja a situação na África, os indicadores são de que pode piorar. “Ainda estamos nos estágios iniciais da epidemia”, disse Peter Piot, do Unaids.
Evidentemente, em alguns países fazem-se esforços para controlar a doença. E, pela primeira vez, em junho de 2001, a Assembléia Geral das Nações Unidas realizou uma conferência especial para discutir o problema do HIV/Aids. Serão bem-sucedidos os esforços humanos? Quando a mortífera marcha da Aids finalmente será detida?
[Quadro/Foto na página 5]
O MEDICAMENTO ANTI-AIDS NEVIRAPINA E O DILEMA DA ÁFRICA DO SUL
O que é nevirapina? Conforme a jornalista Nicole Itano, é “um medicamento anti-retroviral que, segundo os testes, pode reduzir pela metade o risco de transmissão da Aids [da mãe] para o filho”. Uma empresa farmacêutica alemã ofereceu fornecê-lo de graça à África do Sul por um período de cinco anos. No entanto, até agosto de 2001, o governo sul-africano ainda não havia aceitado a oferta. Qual é o problema?
A África do Sul tem 4,7 milhões de infectados pelo vírus HIV, mais do que qualquer outro país no mundo. Em fevereiro de 2002, o jornal londrino The Economist publicou que o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, ‘questionava o conceito convencional de que o HIV provoca a Aids e suspeitava dos custos, da segurança e da utilidade dos medicamentos anti-Aids. Ele não os bania, mas os médicos sul-africanos foram desestimulados de usá-los’. Por que isso é de grande preocupação? Porque na África do Sul nascem anualmente milhares de bebês com o HIV e 25% das gestantes são portadoras do vírus.
Por causa desse conflito de conceitos, foi apresentada aos tribunais uma ação para obrigar o governo a distribuir a nevirapina. A Corte Constitucional da África do Sul emitiu seu parecer em abril de 2002. De acordo com Ravi Nessman, escrevendo no The Washington Post, a corte decidiu que “o governo tem de disponibilizar o medicamento a instituições de saúde com capacidade de administrá-lo”. Ao passo que o governo sul-africano vinha oferecendo o medicamento em 18 locais por todo o país, em base experimental, acredita-se que essa nova lei traga esperança para todas as gestantes do país infectadas pelo vírus HIV.
[Quadro/Foto na página 6]
UM VÍRUS ASTUTO ENGANA A CÉLULA
Entre por um instante no minúsculo mundo do vírus da imunodeficiência humana, o HIV. Uma cientista disse: “Depois de muitos e muitos anos perscrutando partículas virais no microscópio eletrônico, ainda fico pasma e empolgada diante da precisão e complexidade de desenho em algo tão extremamente pequeno.”
Um vírus é menor do que uma bactéria que, por sua vez, é bem menor do que a célula humana mediana. Segundo um especialista, o HIV é tão pequeno que “230 milhões [de partículas HIV] caberiam no pontinho no final desta sentença”. Um vírus não consegue se replicar, a menos que se infiltre numa célula hospedeira e assuma o comando dos recursos da célula.
Ao invadir o corpo humano, o HIV precisa lutar contra as consideráveis forças à disposição do sistema imunológico.a A medula óssea produz uma rede de defesa, os glóbulos brancos. Esses incluem dois tipos principais de linfócitos, conhecidos como células T e células B. Alguns glóbulos brancos são chamados de fagócitos, ou “que comem células”.
As várias categorias de células T têm diferentes funções. As chamadas células T ajudadoras desempenham um papel-chave na estratégia de guerra. Elas auxiliam na identificação de invasores e dão instruções para a produção de células que atacam e destroem o inimigo. No seu ataque, o HIV visa especialmente essas células T ajudadoras. Células T matadoras são ativadas para destruir as células do corpo que tiverem sido invadidas. As células B produzem anticorpos, que são recrutados na luta contra infecções.
Uma estratégia astuta
O HIV é classificado como retrovírus. A planta genética do HIV é em forma de RNA (ácido ribonucléico) e não de DNA (ácido desoxirribonucléico). O HIV pertence a um subgrupo de retrovírus conhecidos como lentivírus, porque podem ficar latentes por um longo período antes de aparecerem os sintomas graves da doença.
Ao entrar numa célula hospedeira, o HIV consegue usar os mecanismos da célula para alcançar seus próprios fins. Ele “reprograma” o DNA da célula para fazer muitas cópias do HIV. Mas antes de fazer isso, o HIV tem de usar uma “linguagem” diferente. Precisa mudar seu próprio RNA para DNA, a fim de poder ser lido e entendido pelos mecanismos da célula hospedeira. Para isso, o HIV usa uma enzima viral chamada transcriptase reversa. Com o tempo, a célula morre, depois de ter produzido milhares de novas partículas HIV. Essas partículas recém-produzidas infectam outras células.
Quando o número de células T ajudadoras cai significativamente, outras forças podem invadir o corpo sem medo de contra-ataque. O corpo sucumbe a todo tipo de doenças e infecções. A pessoa infectada atinge então o pleno estágio da Aids. O HIV conseguiu danificar o sistema imunológico inteiro.
Essa é uma explicação simplificada. É preciso ter em mente que há muitas coisas que os pesquisadores não sabem, tanto a respeito do sistema imunológico como da operação do HIV.
Por quase duas décadas, neste minúsculo vírus se concentraram os recursos mentais e físicos dos pesquisadores médicos de vanguarda ao redor do mundo, com enorme custo financeiro. Com isso, aprendeu-se muito a respeito do HIV. O cirurgião Dr. Sherwin B. Nuland disse, alguns anos atrás: ‘A quantidade de informações já reunidas a respeito do vírus da imunodeficiência humana e o progresso feito na montagem de uma defesa contra seus ataques é algo simplesmente espantoso.’
Mesmo assim, a mortífera marcha da Aids continua num ritmo alarmante.
[Nota(s) de rodapé]
[Foto]
O HIV invade os linfócitos do sistema imunológico e reprograma-os para produzirem HIV
[Crédito]
CDC, Atlanta, Ga.
[Foto na página 7]
Milhares de jovens realmente seguem padrões bíblicos
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Será possível deter a Aids? Em caso positivo, quando?Despertai! — 2002 | 8 de novembro
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Será possível deter a AIDS? Em caso positivo, quando?
JÁ POR algum tempo, a tendência em muitos países africanos é negar a realidade a respeito da epidemia da Aids. Algumas pessoas preferem não tocar nesse assunto. Em anos mais recentes, porém, têm havido esforços para educar, em especial os jovens, e para incentivar uma abordagem franca do problema. Tais esforços têm tido pouco êxito. Os estilos de vida e os costumes das pessoas estão bem arraigados, e é difícil operar mudanças.
Progresso médico
Na frente médica, os cientistas já aprenderam muito a respeito do HIV e desenvolveram drogas que prolongaram a vida de muitas pessoas. Uma combinação (coquetel) de pelo menos três drogas anti-retrovirais, chamada de terapia anti-retroviral altamente ativa, tem sido usada com êxito.
Embora não seja uma cura, esses medicamentos têm reduzido o índice de mortes das vítimas do HIV, particularmente nos países desenvolvidos. Muitos acentuam a importância de fornecer tais medicamentos a países em desenvolvimento. Mas eles são caros e muito além do poder aquisitivo da maioria das pessoas nesses países.
Isso levantou a questão: o lucro financeiro é mais importante do que a vida humana? O diretor do programa sobre HIV/Aids do Brasil, Dr. Paulo Teixeira, avaliou: “Não podemos permitir que milhares de pessoas fiquem à deriva por falta de medicamentos para sobreviver, simplesmente em nome de lucros muito superiores aos que em geral são auferidos.” Ele acrescentou: “Estou plenamente convencido de que interesses comerciais não devem ser colocados à frente de considerações éticas e humanas.”
Alguns países decidiram desconsiderar certas patentes de grandes empresas farmacêuticas e fabricar, ou importar, versões genéricas de alguns medicamentos por um preço bem mais baixo.a Segundo um estudo, “verificou-se que os preços mínimos [de medicamentos genéricos] eram 82% menores do que os preços de referência americanos”, disse a revista South African Medical Journal.
Obstáculos para o tratamento
Com o tempo, as grandes empresas farmacêuticas começaram a oferecer medicamentos anti-Aids por preços bem mais baixos a países em desenvolvimento que necessitavam deles. Esperava-se que com isso muito mais pessoas pudessem usar os medicamentos. Mas há grandes obstáculos para colocar esses medicamentos ao alcance geral das pessoas nos países em desenvolvimento. Um deles é o custo. Mesmo com preços reduzidos drasticamente, esses medicamentos ainda são caros demais para a maioria das pessoas que precisam deles.
Outro problema é que não é fácil administrar esses medicamentos. Muitos comprimidos têm de ser tomados diariamente, em horas certas. Se não forem tomados de acordo, ou se a rotina da medicação for interrompida, poderá resultar no desenvolvimento de cepas do HIV resistentes a medicamentos. É difícil garantir a aderência a dosagens corretas sob as condições africanas, onde pode haver falta de comida, de água tratada e pouca assistência médica.
Além disso, é preciso monitorar os pacientes sob medicação. Se for desenvolvida uma resistência, será preciso alterar a combinação de drogas. Para isso é preciso ter uma equipe médica experiente, e os exames são caros. Também, os medicamentos realmente têm efeitos colaterais, e estão se desenvolvendo cepas do vírus resistentes a medicamentos.
Em junho de 2001, na reunião especial da Assembléia Geral da ONU sobre a Aids, foi proposto um Fundo Global de Saúde para auxiliar os países em desenvolvimento. Calculou-se que seriam necessários de sete a dez bilhões de dólares. As promessas de doações para esse fundo até agora têm sido muito abaixo da quantia-alvo.
Os cientistas têm forte esperança de encontrar uma vacina, e várias estão sendo testadas em diferentes países. Mesmo que esses esforços sejam bem-sucedidos, ainda levará anos até que uma vacina seja criada, testada e provada segura para uso geral.
Alguns países, como Brasil, Tailândia e Uganda, têm tido grandes êxitos nos programas de tratamento. O Brasil, usando medicamentos fabricados localmente, reduziu à metade o índice de mortes relacionadas com a Aids. O pequeno país de Botsuana, que dispõe de recursos financeiros, empenha-se em fornecer os medicamentos anti-retrovirais a todos que os necessitam no país e se esforça em construir instalações hospitalares essenciais.
A derrota da Aids
A Aids difere de algumas outras epidemias num aspecto importante: é evitável. Se as pessoas estiverem dispostas a seguir princípios bíblicos básicos, elas poderão, em muitos casos, se não em todos, evitar a contaminação.
Os padrões morais da Bíblia são claros. Os não-casados devem abster-se de relações sexuais. (1 Coríntios 6:18) Os casados devem ser fiéis ao cônjuge e não adulterar. (Hebreus 13:4) Acatar a admoestação bíblica de abster-se de sangue também serve de proteção. — Atos 15:28, 29.
Mesmo os já infectados podem derivar grande alegria e consolo por aprender a respeito do mundo sem doenças, que Deus promete para o futuro próximo, e por ajustar a sua vida aos requisitos divinos.
A Bíblia garante que, no devido tempo, todos os males da humanidade, inclusive as doenças, acabarão. Essa promessa está no livro de Revelação (Apocalipse), onde diz: “Ouvi uma voz alta do trono dizer: ‘Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.’” — Revelação 21:3, 4.
Tal garantia não é apenas para quem pode pagar uma medicação custosa. A promessa profética de Revelação, capítulo 21, é confirmada em Isaías 33:24: “Nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” Naquele tempo, todos os que viverem na Terra obedecerão às leis de Deus e terão saúde perfeita. Assim, a mortífera marcha da Aids — e de todas as outras doenças — será detida para sempre.
[Nota(s) de rodapé]
a Medicamentos genéricos são cópias de medicamentos patenteados por outras empresas farmacêuticas. Países-membros da Organização Mundial do Comércio podem legalmente desconsiderar patentes de medicamentos em situações de emergência.
[Quadro/Fotos nas páginas 9, 10]
Essa era a verdadeira cura que eu procurava
Moro no sul da África e tenho 23 anos de idade. Lembro-me do dia em que fiquei sabendo que eu era portadora do HIV.
Eu estava com minha mãe, no consultório do médico, quando ele nos deu a notícia. Foi a pior coisa que já ouvi na minha vida. Fiquei confusa. Não podia crer. Pensei que talvez fosse um erro do laboratório. Eu não sabia o que dizer, nem o que fazer. Tive vontade de chorar, mas as lágrimas não vinham. O médico passou a falar com minha mãe sobre drogas anti-retrovirais e coisas assim, mas eu estava tão chocada que não conseguia assimilar nada.
Achei que talvez tivesse sido infectada por alguém na universidade em que eu estudava. Queria muito falar com uma pessoa que entendesse a minha situação, mas não consegui pensar em ninguém. Sucumbi a sentimentos de inutilidade e fracasso. Embora minha família me apoiasse, eu me sentia desesperançosa e apavorada. Como qualquer outro jovem, eu tinha muitos sonhos. Faltavam apenas dois anos para eu me formar em ciências, mas essa esperança foi abalada.
Passei a tomar os medicamentos anti-retrovirais prescritos e também consultei conselheiros sobre Aids, mas ainda me sentia deprimida. Orei a Deus pedindo que ele me mostrasse, antes de eu morrer, qual é o cristianismo verdadeiro. Eu pertencia a uma Igreja pentecostal, mas ninguém da Igreja veio me visitar. Eu queria saber a verdade sobre aonde iria depois da morte.
Certa manhã, no início de agosto de 1999, duas Testemunhas de Jeová bateram à minha porta. Eu estava muito mal naquele dia, mas consegui me sentar na sala. As duas senhoras se apresentaram e disseram que estavam ajudando as pessoas a estudar a Bíblia. Que alívio foi ver que as minhas orações finalmente haviam sido atendidas! Mas eu estava tão fraca que não conseguia ler nem me concentrar por muito tempo.
Mesmo assim, eu disse a elas que queria estudar a Bíblia, e elas marcaram o dia para começar. Infelizmente, antes do dia marcado, fui levada a um hospital psiquiátrico por causa da depressão. Recebi alta três semanas depois e fiquei aliviada ao saber que as Testemunhas não haviam se esquecido de mim. Lembro-me de que uma delas sempre me visitava, para ver como eu estava. Recuperei-me um pouco, fisicamente, e comecei a estudar a Bíblia perto do fim do ano. Não era fácil, pois meu estado era instável. Mas a pessoa que estudava comigo era compreensiva e paciente.
Fiquei muito impressionada quando aprendi na Bíblia sobre Jeová e suas qualidades, e o que realmente significa conhecê-lo e ter a esperança da vida eterna. Pela primeira vez, entendi também a razão do sofrimento humano. Fiquei muito feliz em aprender sobre o Reino de Deus que, em breve, substituirá todos os governos humanos. Isso me motivou a mudar totalmente meu modo de vida.
Essa era a verdadeira cura que eu procurava. Que consolo foi saber que Jeová ainda me amava e se importava comigo! Antes, eu achava que Deus me odiava, e que foi por ele me odiar que eu fui infectada por essa doença. Mas aprendi que Jeová amorosamente fez provisão para o perdão de pecados à base do sacrifício de resgate de Jesus Cristo. Agora eu sabia que Deus cuida de nós, como diz 1 Pedro 5:7: “Lançai sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.”
Por estudar a Bíblia todos os dias e assistir às reuniões no Salão do Reino, estou me esforçando muito para me achegar a Jeová o mais que eu puder. Embora nem sempre seja fácil, lanço minhas ansiedades sobre Jeová em oração e peço-lhe força e consolo. E tenho também o apoio dos membros da congregação, de modo que sou feliz.
Participo regularmente no trabalho de evangelização, junto com a congregação local. Desejo dar ajuda espiritual a outros, em especial aos que estão numa situação parecida com a minha. Fui batizada em dezembro de 2001.
[Foto]
Fiquei muito feliz em aprender sobre o Reino de Deus
[Foto na página 8]
Equipe de aconselhamento sobre a Aids em Botsuana
[Foto na página 10]
Na Terra paradísica, todos terão saúde perfeita
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