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  • Artrite: uma doença debilitante
    Despertai! — 2001 | 8 de dezembro
    • Artrite: uma doença debilitante

      “SE VOCÊ NUNCA SENTIU ESSA DOR, NÃO DÁ PARA IMAGINAR COMO É. EU ACHAVA QUE SÓ CONSEGUIRIA TER ALÍVIO SE MORRESSE.” — SETSUKO, JAPÃO.

      “TENHO ESSA DOENÇA DESDE OS 16 ANOS. PARA MIM, ELA ROUBOU MINHA JUVENTUDE.” — DARREN, GRÃ-BRETANHA.

      “PERDI DOIS ANOS DA MINHA VIDA PORQUE FIQUEI DE CAMA.” — KATIA, ITÁLIA.

      “QUANDO TODAS AS JUNTAS COMEÇARAM A DOER, NÃO SENTIA OUTRA COISA A NÃO SER DOR.” — JOYCE, ÁFRICA DO SUL.

      ESSAS são algumas expressões tristes de vítimas da doença conhecida como artrite. Por causa dela, todo ano milhões de pessoas precisam recorrer ao médico em busca de alívio para a dor, imobilidade e deformidade que ela pode causar.

      Só nos Estados Unidos, a artrite afeta mais de 42 milhões de pessoas, provocando a invalidez de 1 em cada 6 vítimas. De fato, a artrite é a principal causa de invalidez naquele país. O impacto econômico dessa doença é “aproximadamente equivalente ao de uma recessão moderada”, declaram os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, dos EUA, porque ela custa mais de 64 bilhões de dólares por ano aos norte-americanos em despesas médicas e em perda de produtividade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, pesquisas em países em desenvolvimento, como Brasil, Chile, China, Filipinas, Índia, Indonésia, Malásia, México, Paquistão e Tailândia, mostram que o impacto da artrite e de outras doenças reumáticas ali é quase “igual ao dos países industrializados”.

      Alguns dizem que a artrite é uma doença que só afeta os idosos, mas isso é um mito. É verdade que ela vai se agravando à medida que a pessoa envelhece. Mas uma das formas mais comuns, a artrite reumatóide, costuma afetar pessoas entre 25 e 50 anos. Nos Estados Unidos, quase 3 de cada 5 pessoas com artrite têm menos de 65 anos. De modo similar, na Grã-Bretanha, que tem 8 milhões de artríticos, 1,2 milhão têm menos de 45 anos. Mais de 14.500 são crianças.

      Cada ano, o número de vítimas da artrite aumenta rapidamente. No Canadá, durante a próxima década, haverá mais um milhão de artríticos. Embora seja mais comum na Europa do que na África ou na Ásia, a quantidade de doentes com artrite também está aumentando nesses dois continentes. Devido ao crescimento das doenças artríticas, a Organização Mundial da Saúde declarou 2000-2010 a Década do Osso e da Articulação. Durante esse período, médicos e profissionais da área de saúde em todo o mundo vão unir esforços para melhorar a qualidade de vida dos que sofrem de doenças musculosqueléticas, como a artrite.

      O que se sabe sobre essa doença dolorosa? Quem corre risco de desenvolvê-la? Como as vítimas podem lidar com os sintomas debilitantes? Haverá cura no futuro? Os artigos a seguir analisarão essas questões.

      [Crédito da foto na página 3]

      Radiografia: usada com a gentil permissão da Arthritis Research Campaign, Reino Unido (www.arc.org.uk)

  • O que é artrite?
    Despertai! — 2001 | 8 de dezembro
    • O que é artrite?

      “À NOITE, OLHO PARA MEUS PÉS E MÃOS DEFORMADOS E CHORO.” — MIDORI, JAPÃO.

      JÁ POR séculos a artrite vem causando sofrimentos à humanidade. Em múmias egípcias, encontraram-se indícios de que ela existia há milênios. Parece que o explorador Cristóvão Colombo tinha a doença. E milhões hoje sofrem por causa dela. Exatamente o que é essa doença debilitante?

      O nome “artrite”, que está ligado a um grupo de mais de 100 doenças reumáticas, vem de palavras gregas que significam “articulações inflamadas”.a Muitas dessas doenças afetam não só as articulações, mas também os músculos, ossos, tendões e ligamentos que as apóiam. Algumas formas de artrite podem atacar a pele, órgãos internos e até os olhos. Vamos nos concentrar em duas doenças geralmente relacionadas à artrite: a artrite reumatóide (AR) e a osteoartrite (OA).

      A estrutura da articulação

      Uma articulação, ou junta, é o ponto de encontro entre dois ossos. A articulação sinovial é envolta por uma cápsula resistente que a protege e apóia. (Veja a ilustração na página 4.) A cápsula articular é revestida pela membrana sinovial, que produz um líquido lubrificante. Dentro da cápsula articular, as extremidades de ambos os ossos são revestidas por um tecido elástico e liso, chamado cartilagem. Isso evita o atrito entre os ossos. A cartilagem também ajuda a absorver os impactos, porque reveste as extremidades dos ossos e distribui a pressão por igual nessas extremidades.

      Por exemplo, quando você caminha, corre ou pula, a pressão exercida nos quadris e joelhos pode ser de quatro a oito vezes maior do que o peso do seu corpo. Embora a maior parte do impacto seja absorvida pelos músculos e tendões ao redor, a cartilagem ajuda os ossos a suportar essa carga porque se comprime como uma esponja.

      Artrite reumatóide

      No caso da artrite reumatóide (AR), o sistema imunológico do corpo lança um ataque total contra as articulações. Por alguma razão desconhecida, uma grande quantidade de células sanguíneas — incluindo as células T, importantíssimas para o sistema imunológico — invade as cavidades articulares. Isso desencadeia uma série de reações químicas que resultam na inflamação da articulação. As células sinoviais começam a proliferar descontroladamente, formando uma massa de tecido semelhante a um tumor, chamada de pano. Este, por sua vez, produz enzimas destrutivas que corroem a cartilagem. Com isso, as superfícies ósseas entram em contato, restringindo os movimentos e causando dores terríveis. Esse processo destrutivo também enfraquece os ligamentos, tendões e músculos, fazendo a articulação ficar instável e parcialmente deslocada, muitas vezes produzindo deformidades. Em geral, a AR afeta as juntas de forma simétrica, atacando pulsos, joelhos e pés. Mais de 50% das pessoas com diagnóstico de AR também desenvolvem nódulos sob a pele. Algumas têm anemia ou ficam com a garganta e os olhos secos e doloridos. Muitas também sentem fadiga e sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre e dor muscular.

      Os efeitos, o desenvolvimento e a duração da AR variam muito. Em algumas pessoas, a dor e a rigidez se desenvolvem lentamente, num período de semanas ou anos. No caso de outras, a doença pode desencadear-se subitamente. Há casos em que a AR dura alguns meses e depois desaparece sem deixar vestígios aparentes. Outras sofrem períodos em que os sintomas são piores (crises), seguidos de períodos de remissão em que se sentem melhor. E em alguns pacientes, a doença atua durante muitos anos, debilitando-os mais e mais.

      Quem corre risco de ter AR? “Ela é mais comum entre mulheres de meia-idade”, diz o Dr. Michael Schiff. Mas Schiff acrescenta que “pode afetar qualquer pessoa, de qualquer idade, inclusive crianças e homens”. Quem tem parentes que sofrem da doença corre mais risco. Vários estudos indicam também que o hábito de fumar, a obesidade e um histórico de transfusões de sangue são fatores de risco significativos.

      Osteoartrite

      “A osteoartrite”, diz a Western Journal of Medicine, “tem muitas características que a tornam parecida ao clima: está por toda parte, muitas vezes passa despercebida, às vezes tem efeitos dramáticos”. Diferentemente da AR, a osteoartrite (OA) raras vezes ataca outras partes do corpo. Ela concentra sua influência corrosiva em uma ou, no máximo, em algumas articulações. À medida que a cartilagem é desgastada lentamente, começa a haver atrito entre os ossos. Isso é acompanhado por nódulos ósseos, chamados osteófitos. Podem-se formar cistos e o osso fica mais espesso e se deforma. Outros sintomas incluem nódulos nas articulações dos dedos, sons de fricção nas articulações artríticas e espasmos musculares, acompanhados de dor, rigidez e perda de mobilidade.

      No passado, pensava-se que a OA era apenas uma conseqüência do envelhecimento. Mas os especialistas não acreditam mais nisso. The American Journal of Medicine declara: “Não existe nenhuma evidência de que uma articulação normal, sujeita a estresse comum, tenha de se desgastar ao longo da vida da pessoa.” Então, o que causa a osteoartrite? Segundo a revista britânica The Lancet, os esforços para entender sua causa exata estão “envoltos em controvérsia”. Alguns pesquisadores afirmam que tudo começa com danos ósseos, como microfraturas. Esses, por sua vez, geram nódulos ósseos e deterioração da cartilagem. Outros acham que a OA começa na própria cartilagem. À medida que ela se deteriora e se desgasta, pensam eles, aumenta a pressão sobre o osso. Ocorrem mudanças patológicas quando o corpo tenta consertar a cartilagem danificada.

      Quem corre risco de ter OA? Embora a idade por si só não cause a doença, a perda de cartilagem na articulação é mais freqüente com o envelhecimento. Outros que correm risco são os que têm anomalias no encaixe das articulações ou cujos músculos das pernas e coxas são fracos, que têm pernas de comprimentos diferentes ou coluna desalinhada. Traumas nas articulações causados por acidentes ou trabalhos que envolvem movimentos repetitivos e uso excessivo das juntas também podem contribuir para a osteoartrite. Depois que se inicia o processo de deterioração, o excesso de peso tende a agravar o problema.

      O Dr. Tim Spector declara: “A osteoartrite é uma doença complexa que sem dúvida tem fatores de risco ambientais, mas que também tem um importante componente genético.” Mulheres de meia-idade ou mais idosas com histórico familiar de osteoartrite são especialmente suscetíveis à doença. Ao contrário do que ocorre na osteoporose, a densidade óssea é alta, e não baixa, antes da ocorrência de OA. Alguns pesquisadores também indicam danos causados por radicais livres e deficiência de vitaminas C e D como possíveis fatores.

      O tratamento

      O tratamento da artrite em geral envolve uma combinação de medicamentos, exercícios e mudanças no estilo de vida. O fisioterapeuta talvez inicie um programa de exercícios terapêuticos, que pode incluir exercícios de movimento, isométricos, aeróbicos e isotônicos ou de levantamento de peso. Já foi comprovado que esses melhoram diversos dos sintomas, incluindo dor e inchaço nas articulações, fadiga, mal-estar e depressão. Mesmo os bem idosos se beneficiam dos exercícios, que podem diminuir também a perda de densidade óssea. Alguns afirmam que terapias de calor e de frio e a acupuntura trazem certa medida de alívio para a dor.b

      A perda de peso pode reduzir significativamente a dor nas articulações, assim, um elemento importante no tratamento da artrite é a dieta. Alguns também afirmam que uma dieta na qual se incluem alimentos ricos em cálcio (verduras de folhas verde-escuras, frutas frescas e peixes de água fria ricos em ômega 3, um ácido graxo) e que reduz a ingestão de alimentos industrializados e de gorduras saturadas, além de ajudar a perder peso, diminui a dor. Como? Afirma-se que essa dieta inibe o processo inflamatório. Há quem diga que dietas que eliminam a carne, os laticínios, o trigo e certos legumes (como tomate, batata, pimenta e berinjela) também são benéficas para certos pacientes.

      Em alguns casos, recomenda-se um procedimento cirúrgico chamado artroscopia. Isto envolve a introdução de um instrumento diretamente na articulação, permitindo que o cirurgião remova o tecido sinovial que produz as enzimas destrutivas. Mas esse procedimento tem eficácia limitada porque muitas vezes a inflamação volta com o tempo. Um procedimento ainda mais drástico é a artroplastia da articulação, na qual a junta inteira (em geral, o quadril ou o joelho) é substituída por uma prótese. Essa cirurgia tem eficácia por 10 a 15 anos e em geral tem grande êxito em eliminar a dor.

      Mais recentemente, os médicos têm tentado tratamentos menos invasivos, como viscossuplementação, em que se injeta ácido hialurônico diretamente na articulação. É mais comum usar esse tratamento no joelho. A injeção de substâncias que estimulam a restauração da cartilagem (agentes condroprotetores) também tem bons efeitos, segundo estudos europeus.

      Não existe um remédio que cure a artrite, mas muitos medicamentos reduzem a dor e a inflamação e alguns se mostraram promissores quanto a desacelerar o desenvolvimento da doença. Analgésicos, terapia com corticosteróides, antiinflamatórios não-esteroidais, anti-reumáticos que modificam a estrutura da doença, imunossupressores, modificadores da resposta biológica e medicamentos produzidos por engenharia genética para interferir na resposta imunológica fazem parte do arsenal usado para dar alívio dos sintomas debilitantes da artrite. Mas o alívio talvez custe caro, porque todos esses tipos de drogas podem causar graves efeitos colaterais. Pesar os possíveis riscos e benefícios é um desafio que tanto o paciente quanto o médico têm de encarar.

      Como alguns que sofreram os efeitos devastadores da artrite conseguiram enfrentar essa doença dolorosa?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Algumas doenças reumáticas são: osteoartrite, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide juvenil, gota, bursite, febre reumática, doença de Lyme, síndrome do túnel do carpo, fibromialgia, síndrome de Reiter e espondilite anquilosante.

      b Despertai! não recomenda nenhuma terapia, medicamento nem procedimento cirúrgico. Cada doente tem a responsabilidade de buscar tratamento e avaliá-lo cuidadosamente à luz dos fatos conhecidos.

      [Destaque na página 6]

      A OBESIDADE, O FUMO E UM HISTÓRICO DE TRANSFUSÕES DE SANGUE TAMBÉM PODEM AUMENTAR O RISCO DE A PESSOA TER ARTRITE REUMATÓIDE

      [Quadro/Foto na página 8]

      TERAPIAS ALTERNATIVAS

      Alguns agentes terapêuticos são considerados mais seguros e com menos efeitos colaterais que os tratamentos tradicionais. Entre esses está o colágeno oral tipo II que, segundo alguns pesquisadores, ajuda a reduzir o inchaço e a dor das articulações de quem sofre de artrite reumatóide (AR). Como? Inibindo as citoquinas pró-inflamatórias, como a interleucina-1 e o fator α de necrose de tumor. Afirma-se que alguns nutrientes naturais também se revelaram capazes de inibir essas substâncias destrutivas. Esses incluem as vitaminas E e C, a niacinamida, óleos de peixe ricos em ácidos eicosapentaenóico e gamalinolênico, óleo de semente de borragem e óleo de onagra. Na China, há anos se usa um remédio fitoterápico com base na planta Tripterygium wilfordii Hook F. Dizem que ele ajuda a reduzir os efeitos da AR.

      [Diagrama nas páginas 4, 5]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ARTICULAÇÃO SAUDÁVEL

      BURSA

      MÚSCULO

      CARTILAGEM

      TENDÃO

      CÁPSULA ARTICULAR

      MEMBRANA SINOVIAL

      FLUIDO SINOVIAL

      OSSO

      ARTICULAÇÃO COM ARTRITE REUMATÓIDE

      PERDA DE ESPAÇO

      DESTRUIÇÃO DO OSSO E DA CARTILAGEM

      MEMBRANA SINOVIAL INFLAMADA

      ARTICULAÇÃO COM OSTEOARTRITE

      PARTÍCULAS DE CARTILAGEM SOLTAS

      DESTRUIÇÃO DA CARTILAGEM

      ESPORÃO ÓSSEO

      [Crédito da foto]

      Fonte: Arthritis Foundation

      [Fotos na página 7]

      A artrite pode atingir pessoas de qualquer idade

      [Fotos na página 8]

      Um programa de exercícios e dieta apropriada podem proporcionar alívio

  • Esperança para as vítimas de artrite
    Despertai! — 2001 | 8 de dezembro
    • Esperança para as vítimas de artrite

      “A ARTRITE não é uma das principais causas de mortalidade como as doenças cardíacas ou o câncer”, diz a Dra. Fatima Mili, “mas tem um grande impacto na qualidade de vida”. A artrite pode afetar toda a vida da pessoa. Quais são alguns problemas que as vítimas de artrite enfrentam? É possível lidar com eles?

      Katia,a uma italiana de 28 anos, diz: “A partir dos 20 anos, quando foi diagnosticado que eu tinha artrite, toda minha vida mudou. Tive de parar de trabalhar fora e interromper minha carreira no ministério de tempo integral por causa da dor.” A dor é um problema comum a todas as vítimas de artrite. Alan, de 63 anos, da Inglaterra, diz: “Você sempre sente dor, mesmo que moderada, em alguma parte do corpo.” A fadiga é outro problema. “Mesmo que você consiga agüentar a dor e o inchaço”, diz Sara, de 21 anos, “o cansaço é insuportável”.

      Dor emocional

      Segundo Setsuko, de 61 anos, do Japão, lutar cada dia contra a dor crônica também pode “esgotá-lo em sentido emocional e mental”. Ora, simplesmente tentar pegar um lápis ou o telefone é um desafio. Kazumi, de 47 anos, lamenta: “Mesmo coisas comuns, que até uma criança consegue fazer, se tornaram impossíveis para mim.” Janice, de 60 anos, que não pode mais passar muito tempo em pé, diz: “É desanimador, porque não posso mais fazer as coisas que fazia.”

      Essas limitações podem gerar frustração e sentimentos negativos sobre si mesmo. Gaku, de 27 anos, que é Testemunha de Jeová, diz: “Não ser capaz de participar plenamente na obra de evangelização nem poder cumprir designações congregacionais me faz sentir um inútil.” Francesca, que luta contra a artrite desde os 2 anos, fala da sensação de “ser sugada mais e mais para dentro de um redemoinho de desespero”. Esse desespero pode ter efeitos ruins sobre a espiritualidade. Joyce, Testemunha de Jeová da África do Sul, admite que começou a se isolar, evitando as reuniões cristãs. “Eu simplesmente não suportava ver ninguém”, explica ela.

      A vítima talvez sinta também muita ansiedade em relação ao futuro: medo de ficar inválida ou dependente de outros, medo de não ter quem cuide dela, medo de cair e fraturar um osso, medo de não poder fornecer o sustento à família. Yoko, de 52 anos, admite: “Quando via que minhas articulações estavam ficando deformadas, tinha medo que o problema piorasse.”

      Os membros da família também sentem dor emocional porque diariamente se confrontam com o sofrimento de alguém que amam. Alguns casais podem até ter graves problemas maritais. Denise, uma senhora inglesa, conta: “Após 15 anos de casamento, meu marido me disse: ‘Não consigo mais agüentar sua artrite!’ Ele abandonou a mim e à nossa filha de 5 anos.”

      Assim, a artrite traz grandes desafios tanto para a vítima como para sua família. Muitos, porém, têm tido êxito em lidar com a doença. Vamos ver como conseguem isso.

      Respeite seus limites

      Descansar bastante é essencial se você tem artrite, porque isso reduz a fadiga. Mas isso não quer dizer que você deva desistir de viver. Timothy explica: “É preciso se manter ativo para que a artrite não domine a mente, porque se isso acontecer, você vai ficar só sentado o dia inteiro sentindo a dor.” William Ginsburg, reumatologista da Clínica Mayo, afirma: “Existe uma tênue linha divisória entre fazer demais e de menos. Às vezes é necessário lembrar a algumas pessoas que precisam diminuir o ritmo e levar em conta sua doença.”

      Para isso, é necessário mudar o modo como a pessoa encara suas limitações. Daphne, da África do Sul, conta: “Tive de aprender a ser realista, sabendo que eu não tinha perdido a capacidade de fazer certas coisas — só tinha de fazê-las mais devagar. Em vez de ficar ansiosa ou frustrada, simplesmente faço um pouco de cada vez.”

      Uma boa idéia é avaliar que dispositivos podem ser de ajuda para você. Fale sobre isso com o médico ou com o fisioterapeuta. Keiko conta: “Instalamos um minielevador para eu não precisar subir escadas. Meus pulsos doíam quando eu virava as maçanetas das portas, de modo que nós as trocamos. Agora posso abrir todas as portas empurrando-as com a cabeça. Instalamos manípulos tipo alavanca em todas as torneiras da casa para que eu possa pelo menos fazer parte do trabalho doméstico.” Outra vítima de artrite, chamada Gail, diz: “As chaves do meu carro e da casa estão presas em um cabo grande porque assim eu acho mais fácil girá-las. O pente e a escova têm cabos compridos e podem ser ajustados para eu usá-los em vários ângulos.”

      A família: “uma fonte de apoio”

      Carla, do Brasil, diz: “O apoio do meu marido foi fundamental. O fato de ele ter ido comigo às consultas médicas me deu coragem. Descobrimos juntos como a doença afeta meu corpo, quais são os sintomas e que tratamento seria necessário. Eu me senti melhor porque ele entendia o que eu estava passando.” Sem dúvida, maridos ou esposas que aceitam as limitações do cônjuge e que estão dispostos a aprender sobre a doença podem ser uma grande fonte de força e apoio.

      Bette, por exemplo, precisou trabalhar com limpeza quando a artrite do marido o impediu de continuar trabalhando na construção civil. O marido de Kazumi não só cuidava dela, mas também fazia o trabalho da casa que ela não conseguia mais fazer. Além disso, ele ensinou os filhos a fazer o que pudessem para ajudar. Kazumi diz: “Meu marido é uma fonte de apoio. Sem a ajuda dele, minha condição física seria muito pior.”

      Uma australiana chamada Carol dá este aviso: “Tome cuidado para não programar atividades demais. É muito fácil eu me sentir inadequada se não consigo acompanhar o ritmo do restante da família.” O apoio da família, acompanhado de verdadeira compreensão e consideração, é fonte de grande ajuda para os doentes.

      Ajuda espiritual

      Katia diz: “Quando sofre duma doença como essa, a pessoa acha que ninguém sabe o que ela está passando. Por isso é importante recorrer a Jeová Deus, sabendo que ele realmente entende nossa condição física e emocional. (Salmo 31:7) Ter um bom relacionamento com ele me deu paz mental para enfrentar a doença com relativa serenidade.” A Bíblia apropriadamente chama a Jeová de “o Deus de todo o consolo, que nos consola em toda a nossa tribulação”. — 2 Coríntios 1:3, 4.

      A oração pode ser uma fonte de grande consolo para quem sofre de dor crônica. Kazumi conta: “Durante as longas noites em que não consigo dormir devido à dor, choro e abro o coração para Jeová, pedindo-lhe que me dê forças para suportar a dor e sabedoria para enfrentar todas as dificuldades. Sem dúvida, Jeová responde às minhas orações.” De modo similar, Francesca sente o apoio amoroso de Deus. Ela diz: “Vi o cumprimento das palavras de Filipenses 4:13: ‘Para todas as coisas tenho força em virtude daquele que me confere poder.’”

      Muitas vezes, Jeová Deus fornece apoio por meio da congregação cristã. Gail, por exemplo, conta sobre a ajuda que recebeu de seus irmãos espirituais da congregação local das Testemunhas de Jeová. “O amor deles me ajudou a não ficar deprimida”, diz Gail. De modo similar, quando perguntaram a Keiko: “Consegue pensar em algo bom que aconteceu na sua vida?”, ela respondeu: “Sim, no grande amor e na empatia demonstrados por todos na congregação!”

      Nas congregações das Testemunhas de Jeová, os superintendentes tomam a dianteira em dar esse apoio. Setsuko diz: “Não dá para descrever como a pessoa que luta contra uma doença se sente quando os anciãos escutam e dão consolo.” Contudo, como nos lembra Daniel, que sofre de artrite, “nossos irmãos espirituais só vão poder nos ajudar se nós deixarmos”. Portanto, é importante que os doentes continuem em contato com os amigos cristãos, fazendo o possível para assistir às reuniões na congregação. (Hebreus 10:24, 25) Ali, podem receber o encorajamento espiritual de que precisam para perseverar.

      O fim do sofrimento

      As vítimas de artrite são gratas aos médicos pelos avanços já obtidos. Mas nem o melhor tratamento consegue fornecer cura real. No fim das contas, o melhor consolo para os doentes é apegar-se às promessas de Deus sobre o novo mundo.b (Isaías 33:24; Revelação [Apocalipse] 21:3, 4) Naquele mundo, ‘o coxo escalará como o veado’. (Isaías 35:6) A artrite e todas as outras doenças que afligem a humanidade desaparecerão para sempre! Peter, que tem artrite na coluna, diz: “Posso ver a luz no fim do túnel escuro que estou atravessando.” Uma cristã chamada Giuliana diz algo parecido: “Encaro cada dia que passa como uma batalha vencida, um dia a menos para perseverar antes de vir o fim!” De fato, aproxima-se o tempo em que a artrite e todas as outras causas de sofrimento desaparecerão.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Alguns nomes foram mudados.

      b Se quiser que alguém o visite para explicar as promessas bíblicas, entre em contato com a congregação local das Testemunhas de Jeová ou escreva aos editores desta revista.

      [Fotos na página 10]

      Há vários dispositivos que ajudam os doentes a levar uma vida produtiva

      [Foto na página 12]

      Nas reuniões cristãs, pode-se obter apoio amoroso

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