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O que lhe dizem as estrelas?Despertai! — 1994 | 8 de julho
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O que lhe dizem as estrelas?
DO CORRESPONDENTE DE DESPERTAI! NO BRASIL
“OUVIU falar que nas estrelas está escrito que em julho próximo haverá uma colisão com Marte?” Estas palavras de Cole Porter, na sua canção rimada, em inglês, expressam bem a crença comum e antiga de que o futuro do homem de algum modo se relaciona com as estrelas.a Mas existe alguma relação real entre os corpos celestes e a vida da humanidade na Terra? Em caso afirmativo, como isso afeta a humanidade? Em caso negativo, que finalidade têm as estrelas?
Não é de admirar que tantas pessoas se interessem no futuro quando consideramos alguns acontecimentos dramáticos recentes: a queda do Muro de Berlim e o rápido colapso da ex-União Soviética, a falta de confiança nos líderes políticos, o ódio étnico vindo à tona na África e na Europa, a inimizade religiosa na Índia e na Irlanda, a inflação galopante que atinge tantos países, e a rebelião dos jovens. Segundo um informe da Universidade de Hamburgo, 1992 foi o ano mais belicoso desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com 52 conflitos armados em diferentes países. É natural que os amantes da paz se perguntem: ‘A que podemos recorrer em busca de estabilidade, paz e segurança?’
A incerteza a respeito do futuro resultou numa explosão de interesse pela adivinhação em suas variadas formas. A astrologia é provavelmente a mais conhecida. Distinta da ciência da astronomia, a astrologia é “a adivinhação das supostas influências das estrelas e dos planetas sobre os assuntos humanos e sobre os eventos terrestres, através de suas posições e aspectos”. Hoje, milhões de pessoas não conseguem resistir à tentação de ler seu horóscopo em busca de dicas sobre o seu futuro.b
Outras áreas em que os astrólogos alegam prever o futuro incluem o desfecho de problemas conjugais e problemas de saúde, a ascensão e queda de líderes políticos, a melhor data para iniciar um novo negócio e que números jogar na loteria.
Segundo um informe da agência Reuters, Nancy Reagan, na época em que seu marido era presidente dos Estados Unidos, consultava regularmente a astróloga Joan Quigley, para saber qual era a melhor ocasião de ele proferir seus discursos e quando seu avião devia decolar ou aterrissar. A New Catholic Encyclopedia revelou que “a astrologia foi usada pelo Papa Júlio II [1503-13] para marcar o dia de sua coroação, e por Paulo III [1534-49] para determinar a ocasião adequada para cada Consistório”. Alfred Hug, diretor de uma firma suíça que usa a astrologia para aconselhar investidores da bolsa de valores, garante bons resultados. “Está escrito nas estrelas”, afirma.
Evidentemente, muitos acham que as estrelas deveras influenciam a vida dos seres humanos. Como começou a astrologia? Será que aquele antigo livro, a Bíblia, tem algo a dizer sobre astrologia e astrólogos?
[Nota(s) de rodapé]
a “Na antiga China, . . . achava-se que sinais no céu, bem como desastres naturais, espelhavam as ações e os desmandos do Imperador e de seu governo.” — The International Encyclopedia of Astronomy.
b O horóscopo é “um diagrama da posição relativa dos planetas e signos do zodíaco numa ocasião específica (como o nascimento da pessoa)”, e é usado por astrólogos para tentar predizer eventos na vida da pessoa.
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As estrelas e o homem: existe alguma relação?Despertai! — 1994 | 8 de julho
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As estrelas e o homem: existe alguma relação?
A PRÁTICA de observar as estrelas não é nova. Segundo a Enciclopédia Delta Universal, agricultores há milhares de anos “observaram as estrelas para saber quando iniciar o plantio. Os viajantes aprenderam a usar as estrelas para orientar-se”. Ainda hoje, nas viagens espaciais, as estrelas são usadas como guias. Os antigos também inventaram mitos sobre pessoas e animais que achavam estar representados em grupos de estrelas, ou constelações. Com o tempo, as pessoas passaram a achar que as estrelas podiam influenciar a sua vida.
Uma abundância de estrelas
A simples quantidade de estrelas e seu tamanho inspiram reverência. Estima-se que existam no Universo cerca de 100 bilhões de galáxias, ou enormes agrupamentos de estrelas. A The International Encyclopedia of Astronomy diz: “Este é o número de grãos de arroz que poderiam caber numa catedral típica.” A galáxia Via-Láctea, da qual o nosso sistema solar faz parte, tem calculadamente no mínimo essa mesma quantidade de estrelas. A estrela mais próxima da Terra (afora o Sol), do grupo Alfa Centauro, dista uns 4,3 anos-luz. Um ano-luz é a distância que a luz viaja num ano. Isto significa que quando olhamos para essa estrela, a luz que entra nos nossos olhos deixou a estrela 4,3 anos antes e, durante todo esse tempo, viajou através do espaço à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Não está ao alcance da nossa capacidade mental imaginar essa distância. No entanto, esta é apenas a estrela mais próxima. Algumas estrelas distam bilhões de anos-luz de nossa galáxia. Não é de admirar que o profeta de Deus declarasse: “Eis que as nações são como uma gota dum balde; e foram consideradas como a camada fina de pó na balança. Eis que ele levanta as próprias ilhas como se fossem apenas pó miúdo.” (Isaías 40:15) Quem se importa com uma partícula de pó?
O corpo celeste mais próximo da Terra é a Lua, que exerce uma decidida influência sobre a Terra, sendo que em alguns lugares a sua gravidade chega a causar uma diferença de mais de 15 metros entre a maré alta e a maré baixa. De acordo com três cientistas franceses, acredita-se hoje que é a gravidade da Lua que mantém o eixo da Terra numa inclinação de 23 graus, garantindo assim uma mudança regular de estações. (Nature, 18 de fevereiro de 1993) Visto que a Lua exerce tal influência física sobre o nosso planeta, é razoável perguntar: que dizer dos bilhões de estrelas? Primeiro, porém, o que nos dizem sobre as estrelas as fontes antigas, como a Bíblia?
O que dizem as Escrituras sobre as estrelas
A Bíblia fala muitas vezes em estrelas, tanto literal como figurativamente. Por exemplo, segundo um salmista, o Criador fez “a lua e as estrelas para reger a noite”, de modo que as estrelas ajudariam a fornecer luz para a Terra. (Salmo 136:9, Tanakh) Mais tarde, ao fazer um pacto com o fiel Abraão, Deus disse: “‘Olha para os céus, por favor, e conta as estrelas, se as puderes contar.’ E prosseguiu, dizendo-lhe: ‘Assim se tornará o teu descendente.’” (Gênesis 15:5) O apóstolo Paulo indicou que as estrelas têm diferenças, dizendo: “A glória do sol é de uma sorte e a glória da lua é de outra, e a glória das estrelas é de outra; de fato, estrela difere de estrela em glória.”a (1 Coríntios 15:41) Ao mesmo tempo, esse vasto número de estrelas e sua glória não fogem ao domínio ou ao controle do seu Criador: “Ele está contando o número das estrelas; a todas elas chama pelos seus nomes.” — Salmo 147:4.
Por outro lado, verificamos que as Escrituras muitas vezes usam estrelas para se referir a pessoas, governantes e anjos. José, filho de Jacó, teve um sonho em que seus pais são representados como ‘o sol e a lua’ e seus irmãos como “estrelas”. Anjos são chamados de “estrelas da manhã”. Fala-se de o rei de Babilônia almejar estar acima das “estrelas de Deus”, os governantes davídicos da nação de Israel. Homens instáveis na congregação cristã são assemelhados a “estrelas sem rumo fixo”, ao passo que corpos de anciãos congregacionais fiéis são mencionados como “estrelas” na mão direita de Cristo. — Gênesis 37:9, 10; Jó 38:7; Isaías 14:13; Judas 13; Revelação (Apocalipse) 1:16.
Certo relato bíblico diz que “as estrelas, desde as suas órbitas, lutaram contra Sísera”, o chefe de exército do Rei Jabim, de Canaã, que havia oprimido a nação de Israel por 20 anos. Jeová nomeou o Juiz Baraque, de Israel, para salvar Israel desse jugo e deu-lhe uma retumbante vitória sobre Sísera, embora este tivesse novecentos carros de guerra com foices de ferro nas rodas. No cântico de vitória, os israelitas cantaram: “Desde o céu lutaram as estrelas, desde as suas órbitas lutaram contra Sísera.” Não se fornece nenhuma explicação sobre como as estrelas lutaram. Em vez de presumir que as estrelas exerceram uma influência direta na batalha, é mais razoável crer que essa expressão indica alguma forma de intervenção divina a favor de Israel. — Juízes 5:20.
“A estrela” de Belém
Provavelmente uma das mais conhecidas estrelas mencionadas na Bíblia é a “estrela” de Belém que guiou os astrólogos das “regiões orientais” à casa para onde Jesus havia sido levado por seus pais depois de seu nascimento num estábulo. Que estrela era essa? Certamente não era uma estrela comum, pois era suficientemente baixa para os astrólogos a seguirem por cerca de 1.600 quilômetros. A “estrela” levou-os primeiro a Jerusalém. Ao saber disso, o Rei Herodes os interrogou e então decidiu matar o menino Jesus. Daí, a “estrela” conduziu os astrólogos para a casa em que Jesus vivia. Com certeza, nenhuma estrela normal poderia fazer isso. Será que esse objeto semelhante a uma estrela se originou de Deus? Visto que a visita dos astrólogos levou indiretamente à matança de “todos os meninos em Belém e em todos os seus distritos, de dois anos de idade para baixo”, não é razoável concluir que a “estrela” foi algo usado pelo Adversário de Deus, Satanás, numa tentativa de destruir o Filho de Deus? — Mateus 2:1-11, 16.
Deve-se lembrar também que os astrólogos vieram do Oriente, talvez de Babilônia, um antigo centro de magia, feitiçaria e astrologia. Muitos corpos celestes receberam nomes de deuses de Babilônia. Nos dias do Rei Nabucodonosor, a adivinhação foi usada para ajudá-lo a traçar a rota de sua campanha de batalha. — Ezequiel 21:20-22.
O profeta Isaías desafiou os conselheiros de Babilônia, dizendo: “Apesar de todos os conselheiros que tem, você [Babilônia] não poderá escapar. Que os seus astrólogos se apresentem e a ajudem! Eles estudam o céu e ficam olhando para as estrelas a fim de dizerem, todos os meses, o que vai acontecer com você. Pois eles são como palha; o fogo os destruirá, e eles não poderão se salvar . . . nenhum deles poderá salvar você.” Fiel à profecia de Isaías, a poderosa Babilônia foi derrubada por Ciro, o Grande, em 539 AEC. A orientação que tais astrólogos babilônios diziam vir das estrelas resultou em desastre para todos os envolvidos. — Isaías 47:13-15, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Significa isso que nada temos a aprender das estrelas?
[Nota(s) de rodapé]
a A astronomia moderna confirma as palavras de Paulo, visto que as estrelas diferem na cor, no tamanho, na quantidade de luz que produzem, na temperatura e na densidade relativa.
[Quadro na página 5]
O que alguns disseram
ASTROLOGIA: “complemento e aliado da astronomia.” — Johannes Kepler (1571-1630), astrônomo alemão.
“A astrologia é uma doença, não uma ciência. . . . É uma árvore sob cuja sombra vicejam toda sorte de superstições.” — Moses Maimônides (1135-1204), erudito judeu da Idade Média.
“Uma proto-ciência que afirma poder avaliar a personalidade e o comportamento individual e predizer tendências e eventos futuros à base do aspecto dos céus. . . . Provavelmente por volta do 6.º século AC — os caldeus no sul do Iraque alegadamente criaram o horóscopo pessoal. Isto dizia respeito às influências exercidas pelas estrelas fixas, por ocasião do nascimento, bem como pelo Sol, pela Lua e pelos cinco planetas. . . . Os procedimentos da astrologia e a interpretação de horóscopos dependem de conceitos que os astrônomos e a maioria dos outros cientistas consideram ser subjetivos e inaceitáveis.” — C. A. Ronan, coordenador de projeto, Curadoria da História da Ciência do Leste da Ásia, Cambridge, Inglaterra, e colaborador da The International Encyclopedia of Astronomy, de onde essa citação foi tirada.
Ilustrando essa subjetividade, Ronan explica que, enquanto que para a mentalidade ocidental o planeta vermelho, Marte, se relaciona com guerra e beligerância, para os chineses, vermelho é uma cor bela, e Marte é encarado como tendo uma influência benigna. Em contraste, a mitologia ocidental associa Vênus com brancura e beleza. Para os chineses, “o branco . . . é considerado a cor da morte, da decadência e da destruição; Vênus era, pois, mencionado como ‘o sombrio planeta da guerra’”.
Ronan prossegue: “Apesar de sua natureza proto-científica, a astrologia nos tempos primitivos desempenhou uma parte útil em promover a observação astronômica e em suprir fundos para realizá-la.”
Em 1975, 19 ganhadores de prêmios Nobel, junto com outros cientistas, lançaram um manifesto intitulado “Objeções à Astrologia — Declaração de 192 Destacados Cientistas”. Dizia:
“Nos tempos antigos, as pessoas . . . não tinham nenhum conceito das amplas distâncias entre a Terra e os planetas e estrelas. Agora que tais distâncias podem ser calculadas, e têm sido calculadas, podemos depreender quão infinitesimamente pequenos são os efeitos gravitacionais e outros, produzidos pelos planetas distantes, e pelas estrelas, ainda mais longínquas. É simplesmente um erro imaginar que as forças exercidas pelas estrelas e pelos planetas, no momento do nascimento, possam, de algum modo, moldar nosso futuro.”b
[Nota(s) de rodapé]
b Para mais informações sobre astrologia, veja Despertai! de 8 de maio de 1986, páginas 3-9.
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As estrelas realmente têm uma mensagem para você!Despertai! — 1994 | 8 de julho
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As estrelas realmente têm uma mensagem para você!
COMO vimos nos artigos precedentes, apesar da glória que as estrelas manifestam, o homem devia considerá-las apenas pelo que são: objetos inanimados colocados nos céus pelo Criador, para Seu objetivo. Não deviam ser adoradas. Como parte importante das maravilhosas criações de Jeová sujeitas às Suas leis, as estrelas haviam de ‘declarar a glória de Deus’ e, ao mesmo tempo, servir como fonte de luz para o homem no cumprimento do objetivo do Criador para ele. — Salmo 19:1; Deuteronômio 4:19.
Lemos na Bíblia: “Não se deve achar em ti alguém que . . . empregue adivinhação, algum praticante de magia ou quem procure presságios, ou um feiticeiro, ou alguém que prenda outros com encantamento, ou alguém que vá consultar um médium espírita, ou um prognosticador profissional de eventos, ou alguém que consulte os mortos. Pois, todo aquele que faz tais coisas é algo detestável para Jeová.” (Deuteronômio 18:10-12) Isaías disse: “Que se ponham de pé, pois, [os vossos conselheiros] e que te salvem, os adoradores dos céus, os contempladores das estrelas . . . Eis que se tornaram qual restolho.” — Isaías 47:13, 14.
O que se pode aprender das estrelas
Contudo, as estrelas inanimadas podem dizer-nos algo, se estivermos dispostos a escutar. Edwin Way Teale escreveu: “As estrelas falam da insignificância do homem na longa eternidade do tempo.” Sim, quando lembramos que a vasta maioria das estrelas que vemos a olho nu num céu límpido foram vistas por nossos ancestrais séculos atrás, não nos torna isso humildes? Não sentimos reverência para com o Majestoso que as criou “no princípio” e que, mais tarde, produziu a humanidade? O Rei Davi, de Israel, escreveu com reverência: “Quando vejo os teus céus, trabalhos dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal para que te lembres dele, e o filho do homem terreno para que tomes conta dele?” Os céus devem tornar-nos humildes e nos induzir a perguntar o que estamos fazendo com a nossa vida. — Gênesis 1:1; Salmo 8:3, 4.
Certa ocasião, Davi orou: “Ensina-me a fazer a tua vontade, porque tu és o meu Deus.” (Salmo 143:10) O registro da vida de Davi indica que sua oração foi atendida. Ele aprendeu a fazer a vontade de Deus, delineada na Sua Lei. Ele aprendeu também qual é o objetivo do Criador para a humanidade, e escreveu a respeito disso. “Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá . . . Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz. . . . Desvia-te do que é mau e faze o que é bom, e reside assim por tempo indefinido. . . . Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” Conhecer esse objetivo veio acompanhado de uma responsabilidade: ‘Desviar-se do que é mau e fazer o que é bom.’ — Salmo 37:10, 11, 27-29.
As estrelas têm a mesma mensagem para toda a humanidade. Sem adorá-las nem ‘consultá-las’, podemos ver refletidos nelas o amor, a sabedoria e o poder do Criador. O estudo da astronomia, em contraste com a astrologia, deve instilar reverência no nosso coração. Mais do que isso, não implanta em nós o desejo de aprender mais sobre Deus? Foi exatamente com esse objetivo que ele providenciou a sua Palavra, a Bíblia. Se você discerniu essa mensagem das estrelas, poderá aprender o que Jeová tem em reserva para os humanos e, o que é mais importante, como poderá participar das bênçãos que ele lhes preparou. Se tiver perguntas sobre Deus e o objetivo da vida, sinta-se à vontade para contatar as Testemunhas de Jeová na sua região, ou para escrever ao endereço mais próximo conforme indicado na página 5 desta revista.
[Foto na página 8]
As estrelas podem nos ensinar a humildade
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