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Reino de DeusEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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O Messias veio quando Jesus se apresentou a João para o batismo, e foi então ungido pelo espírito santo de Deus. (Mt 3:13-17) Desta forma, ele se tornou o Rei-Designado, Aquele que era reconhecido pela Corte de Jeová como tendo o direito legal ao trono davídico, direito este que não havia sido exercido nos seis séculos precedentes. (Veja JESUS CRISTO [Seu Batismo].)
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Reino de DeusEstudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
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Em que sentido estava o Reino de Deus ‘no meio’ daqueles a quem Jesus pregava?
Jesus, confiando no poder de Jeová de protegê-lo e de lhe conceder êxito, empreendeu seu ministério público, anunciando ao povo pactuado de Jeová que “tem-se cumprido o tempo designado”, resultando na aproximação do Reino de Deus. (Mr 1:14, 15) Para se determinar em que sentido o Reino estava ‘próximo’, podem-se observar as palavras dele a certos fariseus, a saber, de que “o reino de Deus está no vosso meio”. (Lu 17:21) Comentando este texto, The Interpreter’s Dictionary of the Bible (O Dicionário Bíblico do Intérprete) observa: “Embora citada com frequência como exemplo do ‘misticismo’ ou da ‘introversão’ de Jesus, tal interpretação se respalda principalmente na velha tradução, ‘em vós’ [KJ, Dy] entendida no infeliz sentido moderno do pronome ‘you’ como singular [‘ti’]; o pronome ‘you’ ([hy·món; ‘vós’]) é plural (Jesus está se dirigindo aos fariseus — v 20), . . . A teoria de que o reino de Deus é uma condição interior da mente, ou de salvação pessoal, colide com o contexto deste versículo, e também com a inteira apresentação do NT sobre a ideia.” (Editado por G. A. Buttrick, 1962, Vol. 2, p. 883) Uma vez que “reino [ba·si·leí·a]” pode referir-se à “dignidade régia”, é evidente que Jesus queria dizer que ele, o representante real de Deus, o ungido por Deus para a realeza, estava no meio deles. Ele não só estava presente nesta qualidade, mas também dispunha de autoridade para realizar obras que manifestavam o poder régio de Deus, e para preparar candidatos a posições dentro daquele vindouro governo do Reino. Assim se explica a ‘aproximação’ do Reino; tratava-se duma época de extraordinárias oportunidades.
Governo com poder e autoridade. Os discípulos de Jesus entendiam o Reino como um genuíno governo da parte de Deus, embora não compreendessem o alcance de seu domínio. Natanael disse a Jesus: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel.” (Jo 1:49) Eles conheciam as coisas preditas a respeito dos “santos”, na profecia de Daniel. (Da 7:18, 27) Jesus prometera diretamente a seus seguidores apostólicos que eles ocupariam “tronos”. (Mt 19:28) Tiago e João buscaram certas posições privilegiadas no governo messiânico, e Jesus admitiu que haveria tais posições privilegiadas, mas declarou que a concessão delas dependia de seu Pai, o Governante Soberano. (Mt 20:20-23; Mr 10:35-40) Assim, ao passo que seus discípulos restringiam erroneamente o governo régio do Messias à Terra, e especificamente ao Israel carnal, fazendo isto até mesmo no dia da ascensão do ressuscitado Jesus (At 1:6), eles entendiam corretamente que se referia a um arranjo governamental. — Veja Mt 21:5; Mr 11:7-10.
O poder régio de Jeová para com sua criação terrestre foi visivelmente demonstrado de muitas maneiras por seu Representante régio. Por meio do espírito ou força ativa de Deus, seu Filho exerceu o controle sobre o vento e o mar, a vegetação, os peixes, e até sobre os elementos orgânicos contidos nos alimentos, fazendo com que o alimento se multiplicasse. Tais obras poderosas induziram os discípulos a criar profundo respeito pela autoridade que ele possuía. (Mt 14:23-33; Mr 4:36-41; 11:12-14, 20-23; Lu 5:4-11; Jo 6:5-15) Seu exercício do poder de Deus sobre corpos humanos, curando males que iam desde a cegueira até a lepra, e trazendo os mortos à vida, eram ainda mais impressionantes. (Mt 9:35; 20:30-34; Lu 5:12, 13; 7:11-17; Jo 11:39-47) Ele mandava que os leprosos curados se apresentassem ao sacerdócio divinamente autorizado, mas geralmente descrente, “em testemunho para eles”. (Lu 5:14; 17:14) Por fim, mostrou o poder de Deus sobre os espíritos sobre-humanos. Os demônios reconheciam a autoridade de que Jesus estava investido, e, em vez de arriscarem-se a uma prova decisiva do poder que apoiava Jesus, acatavam suas ordens de libertar pessoas possuídas por eles. (Mt 8:28-32; 9:32, 33; compare isso com Tg 2:19.) Visto que esta poderosa expulsão de demônios era feita pelo espírito de Deus, isto significava que o Reino de Deus realmente já havia “alcançado” seus ouvintes. — Mt 12:25-29; compare isso com Lu 9:42, 43.
Tudo isso constituía sólida prova de que Jesus possuía autoridade régia e que essa autoridade não provinha de nenhuma fonte terrena, humana ou política. (Veja Jo 18:36; Is 9:6, 7.) Os mensageiros do encarcerado João, o Batizador, quais testemunhas de tais obras poderosas, foram instruídos por Jesus a retornar a João e contar-lhe o que tinham visto e ouvido em confirmação de que Jesus realmente era “Aquele Que Vem”. (Mt 11:2-6; Lu 7:18-23; compare isso com Jo 5:36.) Os discípulos de Jesus estavam vendo e ouvindo a evidência da autoridade do Reino que os profetas haviam almejado testemunhar. (Mt 13:16, 17) Ademais, Jesus pôde delegar autoridade aos seus discípulos, de modo que eles puderam exercer poderes similares quais representantes designados seus, dando assim força e peso à proclamação deles: “O reino dos céus se tem aproximado.” — Mt 10:1, 7, 8; Lu 4:36; 10:8-12, 17.
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