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    Anuário das Testemunhas de Jeová de 1997
    • Em 16 de abril de 1976, numa transmissão de rádio à nação, o ministro do interior criticou fortemente as Testemunhas de Jeová. Entre outras coisas, disse que as Testemunhas de Jeová negam-se a participar em cursos de ideologia e que se lhes ensina que não podem repetir lemas políticos. Em linguagem forte, ele declarou que, se as Testemunhas de Jeová não mudassem de atitude até o fim do mês, todos os seus representantes, que são ‘agentes licenciados da CIA [Agência Central de Informações, dos EUA]’ — uma difamação do papel dos missionários — seriam deportados do país!

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    Anuário das Testemunhas de Jeová de 1997
    • Os últimos momentos para os missionários ali

      Em 26 de abril de 1976, alguns irmãos acharam sábio dirigir-se ao chefe distrital em Akpakpa, para esclarecer o assunto. Se a filial tivesse sabido da sua intenção, essa ação teria sido desaconselhada. Embora alguns anciãos locais tentassem dissuadir os desta delegação bem-intencionada, estes insistiram em ir. O resultado foi desastroso. Depois de falar com eles por algum tempo, o chefe distrital gritou alguns lemas políticos, e quando eles não responderam, mandou prendê-los.

      Na ocasião, ainda havia no país 10 dos 13 missionários. A irmã Mahon esperava um bebê e o casal se tinha preparado para voltar à Inglaterra em algumas semanas. Em vista da situação ameaçadora, a filial os havia incentivado a partir o mais breve possível, em vez de esperar até o último momento. Eles tinham feito isso. Maryann Davies, do lar missionário de Porto-Novo, estava no Canadá, porque sua mãe estava doente.

      Na noitinha de 26 de abril, os missionários que restavam passaram a ficar “presos” no Lar de Betel — não podiam sair, nem podia alguém entrar. Não havia telefone. Os missionários começaram a fazer as malas, para o caso de serem deportados.

      27 de abril de 1976 — detenção do coordenador da Comissão de Filial

      Na manhã seguinte, um policial armado veio buscar o irmão Prosser. Mandou que entrasse na caminhoneta da Sociedade e a dirigisse; durante todo este tempo, o policial apontava a arma para ele. O irmão Prosser foi levado ao posto policial em Akpakpa para ser interrogado. Não o maltrataram fisicamente, mas tentaram intimidá-lo com maus-tratos verbais.

      “Dê-nos os nomes de toda a sua gente principal!” gritou o policial. O irmão Prosser respondeu: “Não lhe posso dar os nomes de meus irmãos. Se os quiser, poderá ir ao Salão do Reino e anotá-los.” Eles aceitaram isso. Mas o irmão sabia que não havia nenhum perigo, porque já por algum tempo não se realizavam reuniões no Salão do Reino. Essas eram então realizadas em lares particulares com grupos de Estudo de Livro de Congregação.

      “Que nos diz sobre Samuel Hans-Moévi? Conhece-o? Não é ele um dos seus?” Esta pergunta foi um choque para o irmão Prosser. Tinha sido na casa do irmão Hans-Moévi que haviam ocultado os registros da Sociedade em duas velhas malas surradas. Estes registros continham os nomes de muitos irmãos. Será que a polícia já havia encontrado esses registros? O irmão Prosser conseguiu manter uma aparência calma, enquanto bem no íntimo orava a Jeová pedindo orientação.

      Por fim, o interrogatório acabou. Não se revelaram nomes, e não se causou dano físico ao irmão Prosser. Deixaram-no então ir embora — sozinho! Alguns anos mais tarde, refletindo sobre esse momento, o irmão Prosser disse: “Meu primeiro pensamento foi: ‘O que posso fazer para ajudar os irmãos?’ Depois pensei: ‘Cuidado! pode ser uma armadilha. Talvez planejem seguir-me, na esperança de os levar aos irmãos.’”

      “Em vez de voltar diretamente para casa”, lembrou o irmão Prosser, “dirigi a caminhoneta pela ponte e à cidade, para ver se havia alguma correspondência no correio. Não queria fazer nada que dificultasse a situação para os irmãos. Mas estava desesperadamente querendo vê-los, para assegurar-lhes que todos estávamos bem e para dar-lhes algumas orientações para os dias à frente.

      “Comecei a voltar para casa, todo o tempo pensando em como contatar os irmãos. De repente, levantou-se um vento forte e começou a cair uma chuva torrencial. Sem qualquer aviso, passou velozmente por mim uma motocicleta com duas pessoas. Eu me perguntei quem seria, visto que era perigoso passar assim numa ponte estreita, especialmente numa chuva torrencial. Quando a moto estava na minha frente, o homem na garupa virou a cabeça e levantou seu capacete, de modo que pude reconhecê-lo. Para meu espanto, era um membro da Comissão de Filial! E o motoqueiro era outro membro! Eu não os havia visto por dias, por termos estado sob prisão domiciliar no lar missionário/Betel.

      “A chuva continuou a cair forte, e a maioria das pessoas correu em busca de abrigo. Eu dirigi a caminhoneta pela ponte, passei pela rua que levava à nossa casa e parei no acostamento . . . orando . . . aguardando . . . esperando ver meus irmãos, talvez pela última vez.

      “Pareceu passar muito tempo, mas finalmente encostou ao lado a moto com os dois irmãos. Foi uma ocasião ideal para falar, visto que ninguém estava por perto, por causa da chuva. Eu disse aos irmãos que era preciso levar os registros da Sociedade para outro lugar, por causa do que a polícia dissera no interrogatório. Consideramos também assuntos referentes aos pioneiros especiais, as providências para que os superintendentes de circuito visitassem rapidamente todas as congregações, informando-as sobre o que estava acontecendo, e planos para continuar as reuniões em grupos pequenos, em lares particulares. Parecia certo de que em breve viria a proscrição.”

      Busca feita no lar missionário/Betel

      Na tarde de terça-feira, 27 de abril, os militares cercaram o lar missionário/Betel. Portavam armas automáticas. Postaram um soldado na entrada, outro na porta dos fundos e outros no jardim. Mandaram todos os missionários descer ao refeitório e os mantiveram ali sob a mira de armas. Um por um, os missionários foram levados aos seus quartos, onde os soldados fizeram uma busca, pensando que podiam encontrar informações para provar que os missionários eram espiões americanos ou revolucionários estrangeiros. Os soldados entraram no quarto de Margarita Königer e começaram a busca. Ora! Tinham agora nas mãos alguns documentos incriminatórios — ou assim pensavam. Tinham pegado o testamento do pai da irmã Königer na língua alemã! Eles tinham certeza de que se tratava duma mensagem em código. No quarto de Peter Pompl encontraram o que achavam ser uma fórmula secreta, mas que na realidade era uma receita médica para pé-de-atleta.

      O quarto de Carlos e Mary Prosser foi o último em que fizeram a busca. Numa mala, os soldados encontraram uma grande soma de dinheiro. Tinha sido retirada da conta bancária da Sociedade dois dias antes, por se temer que a conta talvez fosse bloqueada. Visto que todos os missionários tinham estado por algum tempo sob prisão domiciliar, não haviam conseguido tirar o dinheiro da casa. Por algum motivo, quando os soldados o encontraram, eles quase que ficaram com medo de tocá-lo e colocaram-no rapidamente de volta na mala. A quantia inteira foi depois entregue intata à filial em Lagos, na Nigéria.

      A irmã Prosser descreve a cena: “Um dos soldados me disse: ‘A senhora já está aqui por muito tempo, de modo que certamente conhece os nomes de alguns dos encarregados da sua congregação.’ Respondi: ‘Ora, o senhor sabe como é aqui; ninguém é realmente chamado pelo seu nome inteiro. Conhecemo-los como Papai Emanuel ou Mamãe Eugênia, e assim por diante. Eu realmente não sei como todos escrevem seu nome.’ O soldado que fez a pergunta teve de rir, e disse: ‘A senhora realmente já está aqui por muito tempo!’”

      A irmã Prosser prossegue: “Notamos que um dos homens tinha parado de fazer a busca no nosso quarto e estava sentado. Seu oficial comandante notou isso e mandou que prosseguisse com o serviço. A resposta dele foi tocante, ao levantar os olhos e dizer: ‘Já conheço o senhor e a senhora Prosser por muitos anos, e eles muitas vezes consideravam a Bíblia comigo na minha casa. Como posso agora vir para cá e fazer uma busca no seu quarto?’”

      Os soldados terminaram a busca no quarto do casal Prosser e desceram. Não haviam encontrado nada incriminatório. A maioria dos missionários já havia passado boa parte da noite retirando os nomes das pastas do arquivo, que por acaso ainda estavam na filial. Esses nomes foram eliminados pela descarga do vaso sanitário ou então foram queimados. Durante a busca, um dos guardas notou um monte de cinzas no jardim e perguntou de que era. “Ora, é ali que queimamos nosso lixo”, respondeu o irmão Prosser. Ambos, o guarda e o irmão Prosser, sabiam que ali se tinham queimado documentos importantes.

      “Ora, vejam só”, gritou um dos soldados que fazia a busca na área da expedição. Os soldados haviam encontrado as fitas junto com o texto dum drama bíblico dum congresso de distrito. Tinham certeza de que os nomes dos personagens do drama tinham de ser os dos homens-chave da organização. Alegremente ajuntaram as fitas e o texto como evidência.

      À Sûreté Nationale

      Os soldados mandaram que os missionários pegassem seus passaportes, e os levaram à Sûreté Nationale (Segurança Nacional), um órgão do Ministério do Interior. Seus papéis de deportação foram lidos para eles — os missionários seriam levados de carro até à fronteira e expulsos na hora, sem mesmo deixá-los voltar para casa, para pegar seus pertences. Felizmente, já era então tarde, e a maioria dos policiais tinha ido para casa. Visto que não havia ninguém para escoltá-los até a fronteira, os missionários foram mandados de volta para casa e deviam estar prontos para partir às 7 da manhã.

      “Quando chegamos em casa”, conta o irmão Prosser, “já era bem mais de 20 horas. Sabíamos que seria uma noite difícil. Milhares de revolucionários haviam cercado nossa casa e entoavam lemas políticos, urinando contra a parede e chamando os missionários de nomes feios. Essa conduta durou a noite inteira. Ninguém dormiu muito, se é que dormiu, porque não sabíamos o que a turba irada lá fora podia fazer. Alguns se perguntavam no íntimo se seriam feridos naquela noite, ou se viveriam para ver o dia seguinte. As irmãs não fraquejavam nem choravam, mas se mantinham ocupadas em fazer as malas e em encorajar umas às outras. Graças a Jeová, os revolucionários não entraram na casa, e ninguém foi atacado fisicamente. No entanto, a tensão emocional e a hostilização psicológica foram uma prova que os missionários só conseguiram suportar com o apoio de Jeová, com oração e encorajamento mútuo.” Como era importante nos ajudar uns aos outros e confiar em Jeová nas próximas horas!

      O último dia em Benin

      Os primeiros raios do sol da manhã passavam pelas nuvens por volta das 6 horas da manhã, anunciando o começo dum novo dia. Era o dia 28 de abril — uma data que não seria prontamente esquecida. Como era seu costume, os missionários se reuniram para o desjejum às 7 horas, para considerar o texto do dia. Este certamente não era um dia para se negligenciar o estudo da Palavra de Deus! Todos os missionários sabiam que precisariam ter força especial para passar o dia.

      Theophilus Idowu, um nigeriano que anos antes aprendera a língua gun, servia de tradutor na filial, embora não morasse na propriedade. Ele estivera observando de perto toda essa situação, do lado de fora. Visto que ninguém podia entrar ou sair, não havia pão para o desjejum dos missionários. O irmão Idowu sabia disso, de modo que foi à padaria, comprou pão e apresentou-se ao soldado no portão de Betel como entregador de pão. Ele trajava roupa velha e esfarrapada, usando um chapéu puxado sobre o rosto, para que ninguém da gente ainda lá fora o reconhecesse. O guarda o deixou entrar. Como os missionários ficaram animados ao verem mais uma vez o rosto sorridente do querido irmão Idowu! Este simples gesto deu um novo sentido à oração: “Dá-nos hoje o nosso pão para este dia.” (Mat. 6:11) Deveras, os missionários viam a mão de Jeová no assunto e isso lhes dava força.

      “Bang! Bang! Bang!” Alguém estava batendo no portão principal. Ao começar a consideração do texto do dia, ouviu-se lá fora muita comoção. O chefe distrital e outros revolucionários tinham erguido um mastro de bandeira, em sinal de que esse prédio pertencia doravante “ao povo”. Mandaram que os missionários saíssem para participar na cerimônia do hasteamento da bandeira. Esses não tinham certeza se seriam levados à força, mas todos estavam decididos a não participar nisso. Um dos missionários, Paul Byron, declarou: “Terão de arrastar-me à força para fora.” Seu comentário serviu para fortalecer a determinação dos outros missionários. Por algum motivo — talvez pela intervenção de Jeová — os soldados não forçaram os missionários a sair. Isto lhes deu mais alguns minutos para terminarem a consideração do texto do dia.

      Após a cerimônia do hasteamento da bandeira, os oficiais militares mandaram que os missionários trouxessem seus pertences para baixo. Estes foram cabalmente vasculhados, permitindo-se-lhes levar apenas o que havia nas malas. Todos os outros bens tiveram de ser deixados. Os soldados levaram o irmão Prosser pelos quartos do Betel, para trancar as portas, e exigiram que lhes entregasse as chaves. A filial foi confiscada! Foi com coração pesaroso que uns poucos irmãos locais observaram toda esta cena de certa distância, fora dos muros de Betel, quando seus queridos missionários foram tirados do seu lar, escoltados como criminosos por uma guarda armada.

      Deportados!

      Os missionários foram de novo levados à Sûreté Nationale, e a cada um deles foi entregue o documento de deportação. Todos, com exceção de Margarita Königer e Gisela Hoffmann, foram embarcados na caminhoneta da Sociedade e levados para a fronteira da Nigéria. As irmãs Königer e Hoffmann foram mais tarde levadas para a fronteira de Togo.

      O guarda armado sentado no veículo junto com a maioria dos missionários estava muito tenso. Tinha certeza de que escoltava criminosos perigosos até a fronteira. No entanto, permitiu que o veículo parasse para ser abastecido de gasolina. O jovem frentista no posto, reconhecendo o veículo da Sociedade, perguntou o motivo de todo este rebuliço. “Somos missionários, sendo deportados por pregar sobre a Bíblia”, respondeu triste o missionário. “Não se preocupem, vocês vão voltar algum dia”, respondeu ele. As palavras do jovem mostraram-se verazes, mas não imediatamente.

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