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  • Moisés na berlinda
    Despertai! — 2004 | 8 de abril
    • Moisés na berlinda

      JUDEUS, cristãos e muçulmanos já discutiram sobre muitas coisas. Mas, apesar de suas diferenças, eles têm uma coisa em comum: profundo respeito pelo homem conhecido como Moisés. Os judeus o consideram “o maior instrutor judeu de todos os tempos” — o pai do judaísmo. Os cristãos o têm como precursor de Jesus Cristo e os muçulmanos o vêem entre os primeiros e maiores profetas.

      Moisés é, portanto, um dos homens mais influentes da História humana. Mesmo assim, por mais de cem anos, ele tem sido alvo de comentários e críticas por parte de eruditos e de clérigos. Contesta-se não só a questão de Moisés ter realizado milagres e de ter conduzido os israelitas para fora do Egito, mas duvida-se também de sua própria existência. Em seu livro Moses—A Life (A Vida de Moisés), Jonathan Kirsch conclui: “O que dá para dizer sobre Moisés como personagem histórico é que alguém semelhante ao homem descrito na Bíblia talvez tenha vivido numa época e num lugar desconhecidos, num passado muito distante. Seus atos heróicos podem ter tido uma ponta de verdade que serviu de base para o emaranhado de lendas e tradições construídas ao longo dos séculos, resultando no personagem complexo e polêmico encontrado nas páginas da Bíblia.”

      De início, talvez pareça que esse ceticismo tenha base. Os críticos, por exemplo, comentam a disponibilidade de provas arqueológicas que confirmam a existência de personagens bíblicos como Jeú, um dos reis de Israel. Por outro lado, não foi encontrado nada que comprovasse a existência de Moisés. Mas isso de forma alguma significa que ele é fictício. Céticos afirmavam que outros personagens bíblicos, como o rei babilônio Belsazar e o rei assírio Sargão, eram igualmente mitos — até que a arqueologia confirmou mais tarde a historicidade deles.

      O escritor Jonathan Kirsch nos traz à atenção: “Os vestígios arqueológicos de Israel nos tempos bíblicos são tão raros que a total ausência de menção sobre Moisés em qualquer fonte, exceto a Bíblia, não surpreende nem é determinante.” Segundo Kirsch, alguns argumentam que é improvável que Moisés tenha sido um mero produto da imaginação de alguém, visto que “não poderia ter sido inventada uma biografia tão complexa, tão rica em detalhes e diálogos”.

      Mesmo que você não seja religioso, provavelmente conhece alguns dos episódios mais importantes da vida de Moisés, como seu encontro com Deus perto do arbusto ardente, o Êxodo dos israelitas da escravidão no Egito e a abertura do mar Vermelho. Mas há motivos para acreditar que algum desses episódios tenha realmente acontecido? Ou Moisés não passa de um personagem fictício? O próximo artigo abordará essas perguntas intrigantes.

  • Moisés — homem ou mito?
    Despertai! — 2004 | 8 de abril
    • Moisés — homem ou mito?

      MOISÉS já nasceu sob ameaça de morte. Seu povo era um grupo de famílias nômades que se estabeleceram no Egito com o pai, Jacó, ou Israel, com o objetivo de escapar da fome severa. Eles viveram em paz com seus vizinhos egípcios por décadas, mas então ocorreu uma mudança trágica. Uma fonte histórica respeitada comenta: “Com o tempo se levantou um novo rei sobre o Egito  . . . E ele passou a dizer a seu povo: ‘Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. Vamos! Lidemos com eles astutamente, para que não se multipliquem.’” Qual era o plano? Controlar a população israelita, tornando-os “escravos sob tirania”, e depois ordenar às parteiras hebréias que matassem qualquer bebê do sexo masculino que nascesse em suas mãos. (Êxodo 1:8-10, 13, 14) A população de israelitas crescia cada vez mais, graças à coragem de suas parteiras que se recusaram a obedecer tal ordem. Portanto, o rei egípcio decretou: “Todo filho recém-nascido deveis lançar no rio Nilo.” — Êxodo 1:22.

      Anrão e Joquebede, um casal israelita, “não temiam a ordem do rei”. (Hebreus 11:23) Joquebede deu à luz um menino que mais tarde foi descrito como “divinamente belo”.a (Atos 7:20) Eles podem ter percebido de alguma forma que seu filho tinha o favor de Deus. Seja como for, não estavam dispostos a permitir que seu filho fosse executado. Arriscando suas próprias vidas, eles decidiram escondê-lo.

      Depois de três meses, os pais de Moisés não conseguiram mais escondê-lo. Já sem opções, eles tiveram de fazer algo. Joquebede colocou o bebê numa arca de papiro e deixou-a boiando no rio Nilo. Sem se dar conta disso, estava lançando-o na História. — Êxodo 2:3, 4.

      Acontecimentos verossímeis?

      Muitos eruditos rejeitam esses acontecimentos, encarando-os apenas como ficção. “O fato é que”, comenta a revista Christianity Today, “não foi encontrada nenhuma evidência arqueológica direta a respeito [dos anos] que os filhos de Israel passaram no Egito”. Embora não existam evidências físicas diretas, há consideráveis evidências indiretas de que o relato bíblico é verossímil. Em seu livro Israel in Egypt (Israel no Egito), o egiptólogo James K. Hoffmeier diz: “Dados arqueológicos demonstram claramente que os povos do Levante [países do Mediterrâneo oriental] freqüentavam o Egito, especialmente em resultado das condições climáticas que resultavam em seca  . . . Portanto, no período de aproximadamente 1800 a 1540 a.C., o Egito era um país visado pelos povos de idiomas semíticos da Ásia ocidental para migração.”

      Além disso, há muito se sabe que a descrição da Bíblia sobre a escravidão egípcia é exata. O livro Moses—A Life (A Vida de Moisés) relata: “O registro bíblico da opressão dos israelitas parece ser corroborado por uma pintura freqüentemente reproduzida em túmulos no Egito antigo, em que se retrata com riqueza de detalhes a fabricação de tijolos de barro por um grupo de escravos.”

      A descrição que a Bíblia faz da arca que Joquebede usou também soa verdadeira. A Bíblia diz que foi feita de papiro, que, segundo o livro Commentary (Comentário), de Cook, “era normalmente usado pelos egípcios na fabricação de barcos leves e rápidos”.

      Contudo, não é difícil de acreditar que o líder duma nação ordenaria a matança cruel de bebês? O erudito George Rawlinson nos lembra que “o infanticídio  . . . era muito comum em diferentes épocas e lugares e era encarado como um assunto corriqueiro”. De fato, não é preciso recorrer à História antiga; atualmente há exemplos de matanças de igual crueldade. O relato da Bíblia pode ser mesmo perturbador, mas é bem verdadeiro.

      O salvamento de Moisés do Nilo — uma lenda pagã?

      Críticos afirmam que o salvamento de Moisés do rio Nilo gera certas suspeitas porque se parece com a lenda antiga do Rei Sargão de Acade, uma história que se diz preceder à de Moisés. Trata-se da história de um bebê num cesto que também foi salvo dum rio.

      No entanto, a História está cheia de coincidências e colocar um bebê num rio não era tão incomum quanto possa parecer. A revista Biblical Archaelogy Review observa: “Não devemos nos esquecer de que tanto a Babilônia quanto o Egito tinham culturas ribeirinhas. Colocar um bebê num cesto à prova d’água pode ser considerado uma maneira um pouquinho mais satisfatória de livrar-se duma criança do que jogá-la num aterro sanitário, o que era mais comum. . .  . A história da criança rejeitada pelos pais, mas que depois alcança a fama, pode ser uma boa temática para o folclore, e na verdade o é porque isso é algo comum no cotidiano.”

      Em seu livro Exploring Exodus (Explorando o Êxodo), Nahum M. Sarna observa que, embora haja semelhanças, a história do nascimento de Moisés é diferente de “A Lenda de Sargão” em “diversos aspectos significativos”. Alegar que o relato bíblico originou-se duma lenda pagã carece de credibilidade.

      Adotado pela família do faraó

      A vida do filho de Joquebede não foi deixada ao acaso. Ela “pôs [a arca] entre os juncos à beira do rio Nilo”. Esse era provavelmente um lugar onde esperava que ele fosse descoberto. A filha de faraó banhava-se ali, talvez com certa freqüência.b — Êxodo 2:2-⁠4.

      A minúscula arca foi descoberta bem depressa. “Quando [a filha do faraó] a abriu, pôde ver o menino, e eis que o rapazinho chorava. Teve por isso compaixão dele, embora dissesse: ‘Este é um dos meninos dos hebreus.’” A princesa egípcia decidiu adotá-lo. Seja qual for o nome que seus pais lhe tenham dado, foi esquecido há muito tempo. Hoje, ele é conhecido no mundo todo pelo nome que sua mãe adotiva lhe deu: Moisés.c — Êxodo 2:5-10.

      Mas não é absurdo acreditar que uma princesa egípcia desse abrigo a essa criança? Não, porque a religião egípcia ensinava que atos de bondade eram um requisito para se entrar no céu. A respeito da adoção, a arqueóloga Joyce Tyldesley comenta: “As mulheres egípcias alcançaram a igualdade de sexos. Elas tinham os mesmos direitos jurídicos e econômicos, pelo menos na teoria, e  . . . as mulheres podiam fazer adoções.” O antigo Papiro de Adoção documenta a adoção efetiva de escravos por parte duma mulher egípcia. Quanto à contratação da mãe de Moisés como ama de leite, The Anchor Bible Dictionary (Dicionário Bíblico Anchor) diz: “O esquema feito para que a mãe natural de Moisés o amamentasse  . . . é bem semelhante ao sistema de contrato de adoção que se praticava na Mesopotâmia.”

      Agora que Moisés havia sido adotado, será que sua descendência judaica lhe ficaria oculta como se fosse um segredo infame? Alguns filmes hollywoodianos passaram essa idéia, mas a Bíblia não concorda com isso. Miriã, sua irmã, de maneira sábia conduziu os assuntos para que Joquebede, a própria mãe, o amamentasse. É claro que essa mulher piedosa não iria esconder do seu filho a verdade! E visto que nos tempos antigos era comum amamentar as crianças por vários anos, Joquebede teve muitas oportunidades de ensinar Moisés sobre “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”. (Êxodo 3:6) Esse alicerce espiritual foi muito útil para Moisés, porque depois de ter sido entregue à filha do faraó, “Moisés foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios”. A alegação do historiador Josefo de que Moisés teria alcançado o posto de general numa guerra contra a Etiópia não pode ser confirmada. No entanto, a Bíblia fala que Moisés “era poderoso nas suas palavras e ações”.d — Atos 7:22.

      À idade de 40 anos, Moisés provavelmente estava em condições de se tornar um líder egípcio de destaque. Poder e riquezas estavam ao seu alcance caso permanecesse na família do faraó. Então, aconteceu algo que mudou sua vida.

      Exílio em Midiã

      Uma vez, Moisés “avistou certo egípcio golpeando certo hebreu dos seus irmãos”. Durante anos ele provou o melhor que os estilos de vida judaico e egípcio podiam oferecer. Mas presenciar o espancamento dum conterrâneo — talvez a ponto de tirar-lhe a vida — fez com que Moisés tomasse uma decisão dramática. (Êxodo 2:11) Ele “negou-se a ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus”. — Hebreus 11:24, 25.

      Moisés agiu de maneira rápida e irreversível: “Golpeou então o egípcio e encobriu-o na areia.” (Êxodo 2:12) Esse não era o comportamento de alguém que agia “com acessos de ira”, como sugere certo crítico. Era provavelmente um ato de fé — se bem que mal direcionado — na promessa de Deus de que Israel seria liberto do Egito. (Gênesis 15:13, 14) Talvez Moisés ingenuamente acreditasse que suas ações estimulariam o povo à rebelião. (Atos 7:25) Para sua frustração, os israelitas não quiseram reconhecer sua liderança. Quando a notícia do assassinato chegou aos ouvidos do faraó, Moisés foi obrigado a fugir para o exílio, estabelecendo-se em Midiã e casando-se com Zípora, filha do chefe nômade chamado Jetro.

      Por 40 longos anos, Moisés viveu como um simples pastor e viu sua esperança de ser um libertador despedaçada. Certo dia, ele estava conduzindo os rebanhos de Jetro para um local perto do monte Horebe quando o anjo de Jeová lhe apareceu num arbusto ardente. Visualize a cena: “Faze que meu povo, os filhos de Israel, saia do Egito”, Deus ordena. Mas o Moisés que responde a Deus está indeciso, vacilante e inseguro. “Quem sou eu”, apela, “para ir a Faraó e para ter de fazer os filhos de Israel sair do Egito?” Ele até mesmo revela uma disfunção que os produtores cinematográficos não divulgam: com certeza ele tem um distúrbio da fala. Como Moisés é diferente dos heróis e mitos da antiguidade! Os 40 anos de pastoreio abrandaram esse homem e tornaram-no humilde. Embora Moisés esteja inseguro, Deus tem certeza de que ele está pronto para liderar seu povo! — Êxodo 3:1-4:20.

      Libertação do Egito

      Moisés parte de Midiã e se apresenta perante o faraó, exigindo que o povo de Deus seja liberto. Quando o monarca teimoso se recusa a fazer isso, dez pragas devastadoras assolam o Egito. A décima praga causa a morte dos primogênitos egípcios, e então o faraó esmagado finalmente liberta os israelitas. — Êxodo, capítulos 5-13.

      Esses acontecimentos são bem conhecidos para a maioria dos leitores. Mas será que fazem parte da História? Alguns alegam que esse relato deve ser ficção, visto que não se menciona o nome do faraó em questão.e No entanto, Hoffmeier, mencionado antes, observa que era costumeiro os escribas egípcios omitirem deliberadamente os nomes dos inimigos do faraó. Ele argumenta: “Os historiadores não rejeitam a historicidade da campanha de Tutmés III em Megido só porque os nomes dos reis de Cades e Megido não estão registrados.” Hoffmeier sugere que o nome do faraó não consta nos registros por “bons motivos teológicos”. Uma coisa é certa: por não revelar o nome, o relato chama a atenção para Deus, não para o faraó.

      Mesmo assim, os críticos questionam o êxodo em massa dos judeus do Egito. O erudito Homer W. Smith argumentou que uma movimentação tão grande de pessoas “com certeza seria alardeada nos anais egípcios e sírios . . . É bem provável que a lenda do Êxodo seja um registro deturpado e caprichoso da fuga do Egito para a Palestina de relativamente poucos membros”.

      É verdade que não foi encontrado nenhum registro egípcio desse acontecimento, mas os egípcios não se refreavam de adulterar registros em que a verdade era constrangedora ou ia contra seus interesses políticos. Quando assumiu o poder, Tutmés III tentou apagar todos os vestígios de seu predecessor, a rainha Hatshepsut. O egiptólogo John Ray relata: “Suas inscrições foram apagadas, os obeliscos, cercados por um muro e os monumentos, esquecidos. Seu nome não aparece nos registros posteriores.” Tentativas similares de adulterar ou ocultar fatos constrangedores também aconteceram nos tempos modernos.

      Quanto à falta de evidências arqueológicas para a peregrinação no deserto, precisamos nos lembrar de que os judeus eram nômades. Eles não construíam nem plantavam. Era de esperar que não deixassem nenhum vestígio, exceto suas pegadas. Ainda assim, há evidências convincentes na própria Bíblia de sua peregrinação no deserto. Existem diversas referências no livro sagrado sobre essa passagem. (1 Samuel 4:8; Salmos 78, 95 e 106; 1 Coríntios 10:1-5) Jesus, de maneira significativa, fez comentários sobre fatos que aconteceram no deserto. — João 3:14.

      Portanto, o relato da Bíblia sobre Moisés é indiscutivelmente plausível, confiável. Mesmo assim, ele viveu há muito tempo. De que maneira Moisés afeta a sua vida hoje?

      a Significa literalmente “belo para o Deus”. Segundo The Expositor’s Bible Commentary (Comentário Bíblico do Expositor), a expressão poderia se referir não apenas aos extraordinários atributos físicos da criança, mas também “às qualidades do coração”.

      b Banhar-se no Nilo “era uma prática comum no Egito antigo”, declara Commentary, de Cook. “O Nilo era adorado como a emanação  . . . de Osíris, e às suas águas eram atribuídos poderes peculiares de conceder vida e fertilidade.”

      c A etimologia desse nome é muito discutida pelos eruditos. Em hebraico, Moisés significa “Retirado; Salvo da Água”. O historiador Flávio Josefo argumentou que Moisés era um composto de duas palavras egípcias que significavam “água” e “salvo”. Atualmente, alguns eruditos também acreditam que o nome Moisés tenha origem egípcia, mas acham que é muito provável que signifique “Filho”. Esse argumento, contudo, está baseado no som parecido da palavra “Moisés” com nomes egípcios. Por outro lado, todas essas teorias são especulativas, visto que ninguém sabe como eram pronunciados os idiomas hebraico e egípcio da antiguidade.

      d O livro Israel in Egypt diz: “A própria idéia de Moisés ser criado na corte egípcia parece lenda. Mas se examinarmos mais a fundo a corte real do Novo Império, vamos nos deparar com outra coisa. Tutmés III . . . inaugurou a prática de trazer príncipes de reis subjugados da Ásia ocidental para serem treinados segundo os moldes egípcios . . . Portanto, era comum a presença de príncipes e princesas estrangeiros na corte egípcia.”

      e Alguns historiadores dizem que o faraó do Êxodo foi Tutmés III. Outros acham que foi Amenotep II, Ramsés II, e assim por diante. Devido à situação confusa da cronologia egípcia, não é possível precisar quem foi esse faraó.

      Quem escreveu o Pentateuco?

      Tradicionalmente, Moisés tem sido apontado como o autor dos primeiros cinco livros da Bíblia, ou Pentateuco. Moisés talvez tenha obtido algumas das informações por meio de antigas fontes históricas. Alguns críticos acreditam, no entanto, que Moisés nem sequer escreveu esses livros. “Fica claro, então, que o Pentateuco não foi escrito por Moisés”, afirmou o filósofo Spinoza, do século 17. Na segunda metade do século 19, o erudito alemão Julius Wellhausen popularizou a teoria “documental” — de que os livros de Moisés são um amálgama de documentos de vários autores ou equipes de autores.

      Moisés humildemente registrou sua falha em dar glória a Deus

      Wellhausen disse que um autor usou de maneira consistente o nome pessoal de Deus, Jeová, portanto o autor ficou conhecido como “J”. Outro, cognominado “E”, chamou Deus de “Elohim”. Ainda outro, “S”, escreveu o código sacerdotal em Levítico e mais um, chamado “D”, escreveu Deuteronômio. Embora alguns eruditos tenham aceitado essa teoria há décadas, o livro The Pentateuch (O Pentateuco), de Joseph Blenkinsopp, afirma que a teoria de Wellhausen está “em crise”.

      O livro Introduction to the Bible (Introdução à Bíblia), de John Laux, explica: “A Teoria Documental baseia-se em declarações que são arbitrárias ou absolutamente falsas.  . . . Se a derradeira Teoria Documental fosse verdade, os israelitas teriam sido vítimas duma fraude grosseira ao permitir que o fardo pesado da Lei lhes fosse imposto. Teria sido o maior embuste já praticado na História da humanidade.”

      Outra alegação é que as diferenças em estilo no Pentateuco são prova de que houve vários autores. No entanto, K. A. Kitchen declara em seu livro Ancient Orient and Old Testament (O Oriente Antigo e o Velho Testamento): “As diferenças de estilo são insignificantes e refletem as diferenças na detalhada matéria de estudo.” Variações semelhantes no estilo também podem ser encontradas “em textos antigos em que a unidade literária está acima de qualquer suspeita”.

      É especialmente fraco o argumento de que usar nomes e títulos diferentes para Deus evidencia a múltipla autoria. Em apenas um pequeno trecho do livro de Gênesis, Deus é chamado de “Deus Altíssimo”, “Produtor do céu e da terra”, “Soberano Senhor Jeová”, “Deus de vista”, “Deus Todo-poderoso”, “Deus”, “verdadeiro Deus” e “Juiz de toda a terra”. (Gênesis 14:18, 19; 15:2; 16:13; 17:1, 3, 18; 18:25) Será que escritores diferentes escreveram esses textos da Bíblia? E no caso de Gênesis 28:13, onde os termos “Elohim” (Deus) e “Jeová” aparecem juntos? Será que dois escritores colaboraram para escrever aquele versículo?

      A debilidade dessa linha de raciocínio torna-se evidente em especial quando aplicada a uma escrita contemporânea. Num livro recente sobre a Segunda Guerra Mundial, o chanceler da Alemanha recebe os nomes de “Führer”, “Adolf Hitler” e simplesmente Hitler no espaço de poucas páginas. Alguém ousaria dizer que isso é evidência de que foram três os autores do livro?

      Proliferam as variações da teoria de Wellhausen. Entre elas está uma teoria apresentada por dois eruditos a respeito do autor cognominado “J”. Eles não só negam que Moisés foi o autor, mas também afirmam que o tal “‘J’ era uma mulher”.

  • Como a vida de Moisés o afeta
    Despertai! — 2004 | 8 de abril
    • Como a vida de Moisés o afeta

      PARA muitos eruditos e críticos, Moisés não passa de um personagem da mitologia. Rejeitam o relato bíblico, utilizando critérios que, se fossem empregados para todos, também classificariam Platão e Sócrates como mitos.

      Conforme já vimos, não há motivos válidos para rejeitar o relato bíblico sobre Moisés. Ao contrário, para os que têm fé, há abundantes provas de que a Bíblia inteira é “a palavra de Deus”.a (1 Tessalonicenses 2:13; Hebreus 11:1) Para tais, estudar a vida de Moisés não representa apenas um simples exercício acadêmico. Antes, faz parte do processo de desenvolvimento da fé.

      O verdadeiro Moisés

      Os produtores de cinema quase sempre retratam o heroísmo e a coragem de Moisés — qualidades que prendem o espectador. Sim, Moisés tinha mesmo coragem. (Êxodo 2:16-19) Mas ele foi antes de mais nada um homem de fé. Deus era real para Moisés, tão real que mais tarde o apóstolo Paulo disse que Moisés “permanecia constante como que vendo Aquele que é invisível”. — Hebreus 11:24-28.

      Moisés, portanto, nos ensina a necessidade de cultivar um relacionamento com Deus. No nosso dia-a-dia, também podemos nos comportar como se estivéssemos vendo a Deus. Se agirmos assim, nunca faremos nada que o desaponte. Observe, também, que a fé lhe foi instilada desde que ele era apenas um bebê. Era bem profunda, a ponto de sobreviver a ‘toda sabedoria dos egípcios’. (Atos 7:22) Que incentivo para os pais começarem a ensinar os filhos sobre Deus desde a infância! — Provérbios 22:6; 2 Timóteo 3:15.

      Também foi notável a humildade de Moisés. Ele foi “o mais manso de todos os homens na superfície do solo”. (Números 12:3) Por isso se dispunha a admitir seus erros. Ele comenta ter negligenciado a circuncisão de seu filho. (Êxodo 4:24-26) Relata de maneira honesta como não deu glória a Deus em certa ocasião e qual foi a devastadora punição que Deus lhe imputou. (Números 20:2-12; Deuteronômio 1:37) Moisés também estava sempre aberto a sugestões. (Êxodo 18:13-24) Não é o caso de maridos, pais e outros homens em cargos de responsabilidade imitá-lo?

      É verdade que alguns críticos questionam se Moisés era realmente manso e, como apoio, citam as atitudes violentas que tomou. (Êxodo 32:26-28) Diz o escritor Jonathan Kirsch: “O Moisés da Bíblia raras vezes foi humilde e nunca mostrou mansidão, além de sua conduta não poder ser sempre encarada como justa. Em certas ocasiões assustadoras,  . . . Moisés se destaca por ser arrogante, sanguinário e cruel.” Essas críticas revelam uma incrível pobreza de espírito. Não levam em conta que a força motivadora de Moisés ao tomar essas atitudes não era a crueldade, mas sim o amor intenso pela justiça e a intolerância à perversidade. No mundo de hoje, em que é normal aceitar estilos de vida imorais, Moisés serve como aviso da necessidade de termos um padrão de moral intransigente. — Salmo 97:10.

      Jesus — um profeta como Moisés

      Estão alistadas abaixo algumas semelhanças entre Jesus e Moisés:

      • Moisés e Jesus escaparam do assassinato indiscriminado de bebês do sexo masculino, ordenado pelo governante de suas respectivas épocas. — Êxodo 1:22; 2:1-10; Mateus 2:13-18.

      • Moisés foi chamado para fora do Egito junto com o “primogênito” de Jeová, a nação de Israel. Jesus foi chamado do Egito como primogênito de Deus. — Êxodo 4:22, 23; Oséias 11:1; Mateus 2:15, 19-21.

      • Tanto Moisés quanto Jesus jejuaram por 40 dias em desertos. — Êxodo 34:28; Mateus 4:1, 2.

      • Ambos eram excepcionalmente mansos e humildes. — Números 12:3; Mateus 11:28-30.

      • Moisés e Jesus realizaram milagres. — Êxodo 14:21-31; Salmo 78:12-54; Mateus 11:5; Marcos 5:38-43; Lucas 7:11-15, 18-23.

      • Tanto Moisés quanto Jesus foram mediadores de pactos entre Deus e Seu povo. — Êxodo 24:3-8; 1 Timóteo 2:5, 6; Hebreus 8:10-13; 12:24.

      O legado dos escritos de Moisés

      Moisés deixou uma espantosa coletânea de escritos, que incluem poesia (Jó, Salmo 90), prosa literária com fundo histórico (Gênesis, Êxodo, Números), genealogias (Gênesis, capítulos 5, 11, 19, 22, 25) e um notável código de leis chamado de Lei de Moisés (Êxodo, capítulos 20-40; Levítico; Números; Deuteronômio). Esse Código divinamente inspirado abrange conceitos, leis e princípios de administração, que estavam séculos à frente de seu tempo.

      Em países em que o chefe do Estado é também o da Igreja, o resultado é quase sempre intolerância, opressão religiosa e abuso de poder. A Lei de Moisés continha o princípio da separação entre Igreja e Estado, pois não era permitido ao rei assumir deveres sacerdotais. — 2 Crônicas 26:16-18.

      A Lei de Moisés também abrangia conceitos de higiene e controle de doenças, como a quarentena e a eliminação do excremento humano, medidas que se harmonizam com o conhecimento científico atual. (Levítico 13:1-59; 14:38, 46; Deuteronômio 23:13) Esse fato é notável, considerando que a medicina egípcia dos dias de Moisés era, em grande parte, uma mistura perigosa de charlatanice e superstição. Hoje, nos países em desenvolvimento, milhões de pessoas poderiam ser poupadas de doenças e da morte se fossem aplicados os padrões de higiene ensinados por Moisés.

      Os cristãos não são obrigados a seguir a Lei mosaica. (Colossenses 2:13, 14) Mas estudá-la ainda é de grande valor. A Lei exortava Israel a dar a Deus devoção exclusiva e a abominar a idolatria. (Êxodo 20:4; Deuteronômio 5:9) Ordenava aos filhos que honrassem seus pais. (Êxodo 20:12) Ela também condenava o assassinato, o adultério, o roubo, a mentira e a cobiça. (Êxodo 20:13-17) Todos esses princípios são compartilhados pelos cristãos hoje em dia.

      Princípios de higiene ensinados na Lei mosaica ajudam a prevenir doenças

      Um profeta como Moisés

      Vivemos em tempos aflitivos. A humanidade com certeza precisa de um líder assim como Moisés — alguém que tenha não apenas poder e autoridade, mas também integridade, coragem, compaixão e amor sincero à justiça. Quando Moisés morreu, os israelitas talvez tenham se perguntado: “Será que o mundo verá outra vez alguém como ele?”. O próprio Moisés respondeu essa pergunta.

      Os escritos de Moisés explicam como surgiram a doença e a morte e por que Deus permitiu que a maldade continuasse a existir. (Gênesis 3:1-19; Jó, capítulos 1, 2) Está registrada em Gênesis 3:15 a primeira profecia divina — a promessa de que a maldade por fim desaparecerá de uma vez por todas! De que forma? A profecia indica que uma pessoa, então ainda por nascer, traria a salvação. Essa promessa foi a base da esperança de que um Messias surgiria para livrar a humanidade. Mas quem seria esse Messias? Moisés nos ajuda a identificá-lo sem equívocos.

      Perto do fim de sua vida, Moisés proferiu essas palavras significativas: “Um profeta do teu próprio meio, dos teus irmãos, semelhante a mim, é quem Jeová, teu Deus, te suscitará — a este é que deveis escutar.” (Deuteronômio 18:15) O apóstolo Pedro mais tarde aplicou essas palavras diretamente a Jesus. — Atos 3:20-26.

      A maioria dos comentaristas judeus nega veementemente qualquer comparação entre Moisés e Jesus. Argumentam que as palavras desse texto podem se aplicar a qualquer profeta verdadeiro vindo depois de Moisés. No entanto, segundo a tradução Almeida, revista e corrigida, de 1997, Deuteronômio 34:10 reza: “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face.”

      De fato, muitos profetas fiéis, como Isaías e Jeremias, vieram depois de Moisés, mas nenhum deles teve um relacionamento igual ao que Moisés teve com Deus — falando com ele “face a face”. A promessa de Moisés de haver um profeta ‘assim como ele’ deve-se aplicar, portanto, a apenas uma pessoa: o Messias! É interessante notar que, antes do advento do cristianismo — e da perseguição religiosa por parte dos falsos cristãos —, os eruditos judeus encaravam as coisas de maneira semelhante. Isso pode ser confirmado pelos escritos judaicos, tais como o Midrash Rabah (O Grande Midrash), que descreve Moisés como o precursor do “último Redentor”, ou Messias.

      Não se pode negar que Jesus foi como Moisés em diversos aspectos. (Veja o quadro “Jesus — um profeta como Moisés”.) Jesus tem poder e autoridade. (Mateus 28:19) É “de temperamento brando e humilde de coração”. (Mateus 11:29) Jesus odeia a ilegalidade e a injustiça. (Hebreus 1:9) Ele pode, então, nos dar a administração de que tanto precisamos. É ele quem acabará em breve com toda a maldade e fará que a Terra seja semelhante ao Paraíso que a Bíblia descreve.b

      a Veja o livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      b Se quiser aprender mais sobre a promessa da Bíblia de um paraíso terrestre sob o Reinado de Cristo, queira entrar em contato com uma Testemunha de Jeová. Ela ficará muito contente de estudar a Bíblia com você, sem custo algum.

      Moisés — fato ou ficção?

      Há vários filmes que perpetuaram uma série de mitos e inexatidões sobre a vida de Moisés. Veja apenas alguns:

      Mito: Moisés não sabia de sua ascendência judaica.

      Fato: Quem cuidou de Moisés, evidentemente nos primeiros anos, foi sua própria mãe judia. Atos 7:23-25 indica que Moisés considerava os escravos judeus como “seus irmãos”.

      Mito: Moisés competia pelo trono do Egito.

      Fato: A Bíblia não diz nada a esse respeito. Daily Bible Illustrations (Ilustrações Bíblicas Diárias), de John Kitto, diz que não há razão para crer que Moisés, “por meio de sua adoção, tornou-se herdeiro da coroa.  . . . Não parece que havia qualquer provável falta de herdeiros masculinos para a coroa”.

      Mito: Moisés voltou ao Egito para enfrentar seu inimigo.

      Fato: A Bíblia informa que todos os seus inimigos estavam mortos quando ele voltou. — Êxodo 4:19.

      Mito: Deus declarou os Dez Mandamentos só depois que Moisés subiu o monte Sinai.

      Fato: Os Dez Mandamentos foram declarados por Deus, por meio de seu anjo, à inteira nação de Israel. Depois disso, os israelitas apavorados solicitaram a Moisés que subisse e intercedesse por eles. — Êxodo 19:20-20:19; 24:12-14; Atos 7:53; Hebreus 12:18, 19.

      Mito: O faraó sobreviveu à destruição de seu exército no mar Vermelho.

      Fato: O ‘faraó e sua força militar’ morreram no mar Vermelho. — Êxodo 14:28; Salmo 136:15.

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