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  • Qual é o fluido mais precioso de todos?
    Despertai! — 2006 | agosto
    • Qual é o fluido mais precioso de todos?

      “O sangue é tão importante para os cuidados de saúde quanto o petróleo é para os transportes.” — Arthur Caplan, diretor do centro de bioética da Universidade da Pensilvânia.

      PETRÓLEO. Será que esse é o fluido mais precioso que existe? Hoje em dia, com o constante e rápido aumento do preço dos combustíveis, muitos talvez pensem que sim. Mas, na verdade, cada um de nós tem dentro de si alguns litros de um fluido muito mais valioso. Pense no seguinte: ao passo que, todos os anos, bilhões de barris de petróleo são extraídos da terra para satisfazer a sede que a humanidade tem de combustível, cerca de 90 milhões de unidades de sangue são retiradas de humanos na esperança de ajudar os doentes.a Esse número impressionante representa o volume de sangue de cerca de 8 milhões de pessoas.

      Entretanto, assim como o petróleo, parece que o sangue está escasso. Comunidades médicas em todo o mundo alertam sobre a falta de sangue. (Veja o quadro “Medidas drásticas”.) O que faz o sangue ser tão valioso?

      Um órgão sem igual

      Por causa de sua espantosa complexidade, o sangue é muitas vezes comparado a um órgão do corpo. O Dr. Bruce Lenes disse a Despertai!: “O sangue é um dos vários órgãos do corpo humano — incrivelmente maravilhoso e sem igual.” E realmente é sem igual. Um livro descreve o sangue como “o único órgão do corpo que é um fluido”. A mesma obra chama o sangue de “um sistema de transporte vivo”. O que isso quer dizer?

      “O sistema circulatório é como os canais de Veneza”, diz o cientista N. Leigh Anderson. “Ele transporta tudo o que é bom”, mas acrescenta, “e também muitas coisas que não prestam”. Ao passo que percorre os cerca de 100 mil quilômetros de nosso sistema circulatório, o sangue entra em contato com praticamente todos os tecidos de nosso corpo, incluindo coração, rins, fígado e pulmões — órgãos vitais que processam o sangue e dependem dele.

      O sangue leva muito do “que é bom” — oxigênio, nutrientes e defesas — às células do corpo, mas também transporta “coisas que não prestam” como dióxido de carbono tóxico, conteúdo de células danificadas ou que estão morrendo e outros resíduos. O papel do sangue na remoção de resíduos ajuda a explicar por que pode ser perigoso entrar em contato com ele depois que sai do corpo. E é impossível garantir que todas as “coisas que não prestam” foram identificadas e removidas do sangue antes de esse ser dado a outra pessoa.

      Sem dúvida, o sangue exerce funções essenciais para a vida. É por isso que a comunidade médica fez da transfusão de sangue uma prática comum ao tratar pacientes que perderam sangue. Muitos médicos diriam que esse uso do sangue é o que o torna tão precioso. No entanto, as coisas estão mudando na área da medicina. Em certo sentido, há uma revolução silenciosa em andamento. Ao contrário do que acontecia antigamente, hoje em dia muitos médicos e cirurgiões pensam duas vezes antes de aplicar uma transfusão de sangue. Por quê?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Cada unidade contém 450 mililitros de sangue.

      [Quadro/Foto na página 4]

      Medidas drásticas

      Especialistas em medicina estimam que no mundo inteiro a cada ano são necessários 200 milhões de unidades a mais de sangue doado. Oitenta e dois por cento da população mundial vive em países em desenvolvimento, mas menos de 40% de todo o sangue doado procede de tais regiões. Nesses lugares, muitos hospitais têm de lidar com a falta de sangue. The Nation, um jornal do Quênia, relata que ‘todos os dias, quase metade dos procedimentos que requerem transfusões são cancelados ou adiados por falta de sangue’.

      A falta de sangue é também comum em países ricos. Com o envelhecimento da população e os avanços nas técnicas médicas, o número de cirurgias aumentou. Além disso, atualmente, cada vez mais pessoas que desejam doar sangue não são aceitas por fazerem parte de grupos de risco ou por terem viajado para lugares onde talvez tenham ficado expostas a doenças ou parasitas.

      Um clima de desespero parece ter se desenvolvido entre os responsáveis pelos bancos de sangue. Jovens, que geralmente têm estilos de vida menos arriscados, às vezes são procurados como fonte segura de sangue. Por exemplo, crianças em idade escolar agora fornecem 70% do sangue no Zimbábue. Os centros de coleta de sangue ficam abertos por mais tempo, e alguns países até mesmo permitem que eles ofereçam algum tipo de compensação para atrair doadores de sangue e incentivá-los a fazer doações regulares. Uma campanha na República Tcheca convidava seus cidadãos a matar a sede com litros de cerveja em troca de sangue doado! Recentemente, numa região da Índia, as autoridades foram de porta em porta procurar doadores que estivessem dispostos a ajudar a reabastecer o estoque de sangue que havia chegado ao fim.

  • Medicina transfusional — seu futuro está garantido?
    Despertai! — 2006 | agosto
    • Medicina transfusional — seu futuro está garantido?

      “A medicina transfusional continuará a ser, em certo sentido, como passear por uma floresta tropical onde os caminhos conhecidos estão bem visíveis, mas ainda assim é preciso cuidado ao andar neles, e onde existem outras ameaças ocultas, prontas para enlaçar os incautos.” — Ian M. Franklin, professor de medicina transfusional.

      DEPOIS que a epidemia mundial da Aids colocou o sangue no centro das atenções nos anos 80, os esforços para eliminar as “ameaças ocultas” relacionadas a ele se intensificaram. Mas ainda existem enormes obstáculos. Em junho de 2005, a Organização Mundial da Saúde reconheceu: “A probabilidade de alguém receber uma transfusão de sangue segura . . . varia muito de país para país.” Por quê?

      Em muitos lugares não há programas nacionais coordenados para garantir padrões seguros de coleta, exame e transporte de sangue e seus derivados. Às vezes, o sangue é até mesmo armazenado em condições arriscadas — como geladeiras domésticas em mau estado de conservação e caixas térmicas. Sem a aplicação de padrões de segurança, os pacientes podem ser prejudicados ao receber sangue doado por alguém que mora a centenas — ou até mesmo milhares — de quilômetros de distância.

      Sangue sem doenças — uma meta difícil de atingir

      Alguns países alegam que seu estoque de sangue nunca foi tão seguro como agora. No entanto, ainda há motivos para cautela. Um “Panfleto Informativo”, preparado em conjunto por três agências americanas relacionadas ao sangue, declara na primeira página: “ATENÇÃO: Visto que o sangue total e seus componentes são produzidos com sangue humano, há o risco de eles transmitirem agentes infecciosos como, por exemplo, vírus. . . . A seleção criteriosa de doadores e os exames laboratoriais disponíveis não eliminam o perigo.”

      É com boa razão que Peter Carolan, alto funcionário da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, diz: “É impossível garantir que o suprimento de sangue seja totalmente seguro.” Ele acrescenta: “Sempre existirão novas infecções para as quais não haverá, na época, exames que as detectem.”

      E se surgisse um novo agente infeccioso que, tal como o da Aids, ficasse no corpo da pessoa muito tempo sem ser detectado e fosse facilmente transmitido por meio do sangue? Ao falar numa conferência médica em Praga, na República Tcheca, em abril de 2005, o Dr. Harvey G. Klein dos Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA, disse que essa perspectiva é preocupante. Ele acrescentou: “Os que coletam componentes de sangue não estariam muito mais bem preparados para impedir uma epidemia transmitida por meio de transfusão de sangue do que estavam no princípio da Aids.”

      Erros e reações às transfusões

      Quais são as maiores ameaças relacionadas às transfusões em pacientes de países desenvolvidos? Erros e reações imunológicas. A respeito de um estudo realizado no Canadá em 2001, o jornal Globe and Mail relatou que milhares de transfusões de sangue quase foram fatais em razão de se “coletar amostras de sangue da pessoa errada, etiquetar amostras incorretamente e pedir sangue para o paciente errado”. Erros como esses causaram a morte de pelo menos 441 pessoas nos Estados Unidos entre 1995 e 2001.

      Quem recebe sangue de outra pessoa corre basicamente os mesmos riscos dos que recebem um transplante de órgão. O sistema imunológico tem a tendência de rejeitar tecidos alheios. Em alguns casos, as transfusões de sangue na realidade impedem que as reações imunológicas naturais sejam ativadas. Tal imunossupressão deixa o paciente vulnerável a infecções pós-operatórias e a vírus antes inativos. Não é de admirar que o professor Ian M. Franklin, citado no início deste artigo, dê o incentivo para que os médicos “pensem uma, duas e três vezes antes de aplicar uma transfusão num paciente”.

      Os especialistas falam abertamente

      Munidos com tal conhecimento, um crescente número de profissionais da área de saúde estão encarando a medicina transfusional de modo mais criterioso. A obra de referência Dailey’s Notes on Blood (Notas sobre o Sangue, de Dailey), declara: “Alguns médicos afirmam que o sangue alogênico [sangue de outro humano] é um medicamento perigoso, e que seu uso seria proibido se ele fosse avaliado pelos mesmos padrões aplicados a outros medicamentos.”

      No fim de 2004, o professor Bruce Spiess disse o seguinte sobre transfundir componentes primários do sangue em pacientes submetidos a cirurgias do coração: “Existem poucos artigos [médicos], se é que há algum, que apóiam a idéia de que a transfusão realmente produz um resultado melhor para o paciente.” Na verdade, ele escreve que muitas dessas transfusões “talvez prejudiquem mais do que ajudem em praticamente todos os casos, com exceção do trauma”, aumentando “o risco de pneumonia, infecções, ataques cardíacos e derrames”.

      Muitos se surpreendem ao saber que os padrões para administrar sangue não são tão uniformes como esperariam que fossem. Recentemente, o Dr. Gabriel Pedraza lembrou aos seus colegas no Chile que “a transfusão é uma prática pouco definida”, o que torna “difícil a . . . aplicação de diretrizes universalmente aceitas”. Não é de admirar que Brian McClelland, diretor do Serviço de Transfusão de Sangue de Edimburgo e da Escócia, peça aos médicos que “se lembrem de que a transfusão é um transplante e, por isso, não é uma decisão trivial”. Ele sugere que os médicos se perguntem: “Se fosse eu ou meu filho, será que eu permitiria uma transfusão?”

      De fato, não são poucos os profissionais da área de saúde que concordam com um hematologista que disse à Despertai!: “Nós, que somos especialistas em medicina transfusional, não gostamos de receber nem de administrar sangue.” Se esse é o sentimento entre algumas pessoas bem treinadas da comunidade médica, como os pacientes devem se sentir?

      Será que a medicina vai mudar?

      Você talvez pense: ‘Se a medicina transfusional é tão arriscada assim, por que o sangue é tão usado, especialmente quando há alternativas?’ Uma das razões é que muitos médicos simplesmente relutam em mudar os métodos de tratamento ou não estão a par de terapias hoje usadas como alternativa às transfusões. Segundo um artigo no periódico Transfusion, “as decisões que os médicos tomam em relação às transfusões baseiam-se naquilo que lhes foi ensinado, na sua formação cultural e na sua ‘opinião clínica’”.

      A perícia do cirurgião também faz diferença. A Dra. Beverley Hunt, de Londres, Inglaterra, escreveu que “a perda de sangue varia muito de cirurgião para cirurgião, e há um interesse cada vez maior em treinar cirurgiões em adequada hemostasia cirúrgica [métodos para estancar hemorragias]”. Outros alegam que os custos das alternativas às transfusões de sangue são muito elevados, embora haja relatórios recentes que mostram o contrário. Muitos médicos, porém, concordariam com o diretor médico Dr. Michael Rose, que diz: “Qualquer paciente operado sem sangue é, na verdade, um paciente que se beneficia de uma cirurgia da melhor qualidade possível.”a

      Cuidados médicos da melhor qualidade — não é isso que você desejaria? Nesse caso, você tem algo em comum com as pessoas que lhe trouxeram esta revista. Leia o próximo artigo e conheça a notável posição que elas têm tomado a respeito das transfusões de sangue.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o quadro “Alternativas à transfusão de sangue”, na página 8.

      [Destaque na página 6]

      “Pensem uma, duas e três vezes antes de aplicar uma transfusão num paciente.” — Professor Ian M. Franklin

      [Destaque na página 6]

      “Se fosse eu ou meu filho, será que eu permitiria uma transfusão?” — Brian McClelland

      [Quadro/Foto na página 7]

      Morte por Trali

      A lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (Trali), relatada pela primeira vez no início dos anos 90, é uma reação imunológica que ocorre após uma transfusão de sangue, pondo a vida em risco. Sabe-se atualmente que a Trali causa centenas de mortes a cada ano. No entanto, os especialistas suspeitam que o número seja muito maior, visto que vários profissionais da área de saúde não reconhecem os sintomas. Apesar de não se saber exatamente o que desencadeia essa reação, de acordo com a revista New Scientist, o sangue que provoca isso “parece vir principalmente de pessoas que foram expostas a vários grupos sanguíneos no passado, tais como . . . as que receberam várias transfusões de sangue”. Um relatório declara que a Trali é agora uma das principais causas de mortes relacionadas com transfusões nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, fazendo dela “um problema para os bancos de sangue, ainda pior que as doenças bem conhecidas, como a Aids”.

      [Quadro/Diagrama nas páginas 8, 9]

      Os componentes do sangue

      Os doadores de sangue geralmente doam o sangue total. Mas, em muitos casos, eles doam o plasma. Apesar de alguns países transfundirem sangue total, é mais comum que o sangue seja separado em seus componentes primários antes de ser testado e usado na medicina transfusional. Observe quais são os quatro componentes primários, suas funções e a porcentagem do volume do sangue total que cada um representa.

      PLASMA constitui entre 52% e 62% do sangue total. É um fluido de cor amarelo-claro em que os glóbulos sanguíneos, as proteínas e outras substâncias ficam suspensos e são transportados.

      O plasma tem 91,5% de água. As proteínas, de onde se originam as frações do plasma, representam 7% dele (incluindo albuminas, que compõem cerca de 4%; globulina, cerca de 3% e fibrinogênio, menos de 1%). O restante 1,5% do plasma é composto de outras substâncias, tais como nutrientes, hormônios, gases respiratórios, eletrólitos, vitaminas e resíduos nitrogenados.

      GLÓBULOS BRANCOS (leucócitos) constituem menos de 1% do sangue total. Eles atacam e destroem matéria estranha, potencialmente nociva.

      PLAQUETAS (trombócitos) constituem menos de 1% do sangue total. Essas participam no processo de coagulação, impedindo que o sangue saia pelos ferimentos.

      GLÓBULOS VERMELHOS (eritrócitos) constituem entre 38% e 48% do sangue total. Essas células mantêm vivos os tecidos por levar-lhes oxigênio e retirar o dióxido de carbono.

      Assim como o plasma sanguíneo pode ser uma fonte de várias frações de sangue, outros componentes primários podem ser processados com o objetivo de se isolar partes menores, ou frações. Por exemplo, a hemoglobina é uma fração do glóbulo vermelho.

      [Diagrama]

      PLASMA

      ÁGUA 91,5%

      PROTEÍNAS 7%

      ALBUMINAS

      GLOBULINAS

      FIBRINOGÊNIO

      OUTRAS SUBSTÂNCIAS 1,5%

      NUTRIENTES

      HORMÔNIOS

      GASES RESPIRATÓRIOS

      ELETRÓLITOS

      VITAMINAS

      RESÍDUOS NITROGENADOS

      [Crédito]

      Página 9: Componentes do sangue que aparecem nos círculos: Este projeto foi financiado inteiramente ou em parte por fundos federais provenientes do Instituto Nacional do Câncer, Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA, sob o contrato N01-CO-12400. O conteúdo desta publicação não reflete necessariamente as diretrizes ou os pontos de vista do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, dos EUA, tampouco a menção de nomes e produtos comerciais ou organizações implica em endossamento pelo governo dos Estados Unidos.

      [Quadro/Foto nas páginas 8, 9]

      Alternativas à transfusão de sangue

      Nos últimos seis anos, as Comissões de Ligação com Hospitais para as Testemunhas de Jeová em todo o mundo distribuíram à comunidade médica dezenas de milhares de cópias do programa em vídeo intitulado Estratégias Alternativas à Transfusão: Simples, Seguras, Eficazes, em cerca de 25 idiomas.b Esse programa mostra médicos de renome internacional analisando estratégias eficazes usadas atualmente para tratar pacientes sem transfusões de sangue. As pessoas estão levando a sério as informações apresentadas ali. Por exemplo, no fim de 2001, depois de assistir a esse programa, o Serviço Nacional de Sangue (NBS) no Reino Unido enviou uma carta com uma cópia desse vídeo a todos os diretores de bancos de sangue e consultores de hematologia espalhados pelo país. Eles foram incentivados a assistir ao programa por causa do “crescente reconhecimento de que uma das metas do bom tratamento médico é evitar a transfusão de sangue sempre que possível”. A carta dizia que “a mensagem geral passada [no vídeo] é digna de elogios e tem o forte apoio da NBS”.

      [Nota(s) de rodapé]

      b Contate uma Testemunha de Jeová para assistir ao DVD Alternativas à Transfusão — Série de documentários, produzido pelas Testemunhas de Jeová.

      [Quadro/Foto na página 9]

      Fracionamento — O uso de frações do sangue na medicina

      A ciência e a tecnologia tornam possível identificar e extrair substâncias do sangue por meio de um processo chamado fracionamento. Para ilustrar: A água do mar, que é constituída por 96,5% de água, pode ser dividida por processos de fracionamento a fim de se obter as outras substâncias que estão presentes nela, tais como magnésio, bromo e, é claro, o sal. Da mesma forma, o plasma sanguíneo, que compõe mais da metade do volume do sangue total, é constituído por mais de 90% de água, e pode ser processado para se obter frações incluindo proteínas, tais como albumina, fibrinogênio e várias globulinas.

      Como parte de um tratamento ou terapia, um médico talvez recomende quantidades concentradas de uma das frações do plasma. Um exemplo disso é o crioprecipitado, rico em proteínas, que é obtido por se congelar e descongelar o plasma. Essa fração insolúvel do plasma é rica em fatores coagulantes e geralmente é administrada em pacientes para estancar hemorragias. Outros tratamentos podem envolver o uso de um produto que contém frações do sangue, quer em quantidades bem pequenas, quer como componente principal.c Algumas proteínas do plasma são usadas em injeções comuns para ajudar a aumentar a imunidade de alguém que foi exposto a agentes infecciosos. Quase todas as frações de sangue usadas em aplicações médicas consistem de proteínas encontradas no plasma sanguíneo.

      De acordo com a Science News, “os cientistas identificaram apenas algumas centenas das milhares de proteínas, segundo se calcula, que normalmente estão na corrente sanguínea de uma pessoa”. À medida que, no futuro, se souber mais sobre o sangue, novos produtos derivados dessas proteínas poderão surgir.

      [Nota(s) de rodapé]

      c Frações de sangue animal também são usadas em alguns produtos.

      [Foto nas páginas 6, 7]

      Alguns profissionais da área de saúde são bem cautelosos no que diz respeito a ter contato com o sangue

  • O verdadeiro valor do sangue
    Despertai! — 2006 | agosto
    • O verdadeiro valor do sangue

      “A comunidade mundial possui uma fonte de vida em comum: o sangue. Ele é a força de vida em cada pessoa, não importa cor, raça ou religião.” — Presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas.

      SEM DÚVIDA alguma, essas palavras contêm certa medida de verdade. O sangue é essencial para a vida de todos os humanos. É um recurso valioso. No entanto, você tem certeza de que é seguro e sensato que humanos usem esse fluido para fins medicinais?

      Conforme já vimos, os padrões de segurança no mundo inteiro variam muito e os tratamentos com sangue são mais arriscados do que muitos pensam. Além disso, existem grandes diferenças no modo como os médicos usam o sangue, por causa de sua formação, perícia e ponto de vista. Apesar dessas diferenças, muitos são cada vez mais cautelosos em aplicar transfusões de sangue. Um número crescente e significativo de médicos está preferindo tratamentos que não envolvam o uso de sangue.

      Isso nos leva de volta à pergunta feita no início do primeiro artigo desta série. O que faz o sangue ser tão valioso? Visto que o uso do sangue na medicina é cada vez mais questionado, será que ele cumpre algum outro objetivo?

      O Criador e o sangue

      Nos dias de Noé, antepassado de toda a humanidade, Deus estabeleceu uma lei digna de nota. Embora tenha concedido aos humanos o direito de comer a carne de animais, ele proibiu o consumo do sangue. (Gênesis 9:4) Ele também explicou os seus motivos ao se referir ao sangue como sendo a alma, ou vida, do animal. Mais tarde, ele disse: “A alma [ou vida] . . . está no sangue.” Aos olhos do Criador, o sangue é sagrado. Representa o precioso dom da vida que cada alma vivente possui. Deus repetiu esse princípio vez após vez. — Levítico 3:17; 17:10, 11, 14; Deuteronômio 12:16, 23.

      Pouco depois de o cristianismo ter sido fundado, há cerca de 2 mil anos, os cristãos receberam a ordem divina de ‘abster-se de sangue’. Essa proibição não se baseava em questões de saúde, mas sim na santidade do sangue. (Atos 15:19, 20, 29) Alguns argumentam que essa restrição dada por Deus só se aplica a comer sangue, mas a expressão “abster-se” fala por si mesma. Se um médico dissesse para nos abstermos de bebidas alcoólicas, dificilmente tomaríamos a liberdade de injetá-las na veia.

      A Bíblia apresenta outros motivos pelos quais o sangue é tão sagrado. O sangue derramado de Jesus Cristo, que representa a vida humana que ele deu em prol da humanidade, é fundamental para a esperança dos cristãos. Seu sangue é a base para o perdão de pecados e para a esperança de vida eterna. Quando um cristão se abstém de sangue, ele está, na verdade, expressando sua fé em que apenas o sangue derramado de Jesus Cristo pode realmente redimi-lo e salvar a sua vida. — Efésios 1:7.

      As Testemunhas de Jeová são bem conhecidas por tomarem a peito essas ordens bíblicas. Elas rejeitam todas as transfusões de sangue total ou dos quatro componentes primários do sangue — glóbulos vermelhos, plasma, glóbulos brancos e plaquetas. Quanto às várias frações derivadas desses quatro componentes, e produtos que contenham tais frações, a Bíblia não faz nenhum comentário. Por isso, cada Testemunha de Jeová toma sua decisão pessoal sobre esses assuntos. Será que essa posição baseada na Bíblia significa que as Testemunhas de Jeová rejeitam tratamentos médicos ou que não se preocupam com sua saúde e com sua vida? De forma alguma! — Veja o quadro “As Testemunhas de Jeová e a saúde”.

      Nos últimos anos, muitos médicos têm reconhecido que, em questões de saúde, as Testemunhas de Jeová se beneficiam por aderir ao padrão bíblico. Por exemplo, um neurocirurgião recentemente declarou ser a favor da escolha de alternativas às transfusões. Ele disse: “Sem sombra de dúvida, é a coisa mais segura a fazer, não apenas para as Testemunhas de Jeová, mas para todos.”

      Decisões sérias sobre saúde podem ser muito estressantes e muitas vezes são difíceis de tomar. A respeito da prática comum de transfundir sangue, note o que o pneumologista e diretor médico Dr. Dave Williams disse: “É importante que respeitemos os desejos da pessoa, . . . e precisamos ser muito criteriosos no que diz respeito ao que permitimos entrar em nosso corpo.” E hoje, mais do que nunca, essas palavras soam verdadeiras.

      [Quadro/Fotos na página 11]

      O que são carreadores de oxigênio à base de hemoglobina?

      Em cada glóbulo vermelho existem uns 300 milhões de moléculas de hemoglobina. A hemoglobina representa cerca de um terço do volume de um glóbulo vermelho maduro. Cada molécula contém a proteína globina e um pigmento chamado heme — que inclui um átomo de ferro. Quando um glóbulo vermelho passa pelos pulmões, moléculas de oxigênio penetram na célula e se prendem a moléculas de hemoglobina. Segundos depois, o oxigênio é liberado nos tecidos do corpo, sustentando a vida das células.

      Alguns fabricantes hoje em dia processam a hemoglobina, extraindo-a de glóbulos vermelhos humanos ou bovinos. A hemoglobina obtida é então filtrada para se remover impurezas, modificada quimicamente e purificada, misturada com uma solução e embalada. O produto final — ainda não aprovado para uso na maioria dos países — é chamado de carreador de oxigênio à base de hemoglobina, ou COBH. Visto que o heme é responsável pela forte cor vermelha do sangue, uma unidade de COBH se parece exatamente com uma unidade de glóbulos vermelhos, o componente primário do qual é retirada.

      Ao contrário dos glóbulos vermelhos, que precisam ser refrigerados e descartados após algumas semanas, o COBH pode ser estocado à temperatura ambiente e usado meses depois. E visto que a membrana celular com seus antígenos característicos não existe mais, não há perigo de haver reações resultantes de incompatibilidade sanguínea. No entanto, comparado com outras frações do sangue, o COBH apresenta mais desafios para os cristãos conscienciosos, que procuram obedecer à lei de Deus sobre o sangue. Por quê? Por ser derivado do sangue, duas objeções podem ser levantadas. Uma é que o COBH exerce a função principal de um componente primário do sangue, os glóbulos vermelhos. A outra é que a hemoglobina, da qual o COBH é produzido, constitui uma quantidade significativa desse componente primário. De modo que, em relação a esse e a outros produtos similares, os cristãos se deparam com uma decisão muito séria. Eles devem meditar cuidadosamente e com oração nos princípios bíblicos relacionados com a santidade do sangue. Então, com o forte desejo de manter uma boa relação com Jeová, cada um deve ser guiado pela sua consciência treinada pela Bíblia. — Gálatas 6:5.

      [Foto]

      MOLÉCULA DE HEMOGLOBINA

      [Quadro/Foto na página 12]

      Uma opção que vale a pena considerar

      “Um número cada vez maior de hospitais está oferecendo uma alternativa: cirurgias ‘sem sangue’”, relatou The Wall Street Journal. O jornal afirma: “Originalmente desenvolvida para atender as Testemunhas de Jeová, a prática se tornou popular, com muitos hospitais oferecendo seus programas de cirurgia sem sangue ao público em geral.” Hospitais em todo o mundo estão descobrindo muitos benefícios, em especial para os pacientes, quando põem em prática estratégias que limitam o uso de transfusões de sangue. Atualmente, milhares de médicos estão tratando seus pacientes sem recorrer às transfusões.

      [Quadro/Foto na página 12]

      As Testemunhas de Jeová e a saúde

      As Testemunhas de Jeová, das quais algumas trabalham como médicos e enfermeiros, são conhecidas mundialmente por rejeitar transfusões de sangue total ou de seus componentes primários. Será que sua posição firme e unida contra essa prática se origina de uma doutrina inventada pelo homem? Será que se baseia na crença de que a fé da pessoa pode curar doenças? Isso está longe de ser verdade.

      Por prezarem a vida como sendo um presente de Deus, as Testemunhas de Jeová se esforçam em fazer o melhor que podem para viver de acordo com o livro que acreditam ser ‘inspirado por Deus’, a Bíblia. (2 Timóteo 3:16, 17; Revelação [Apocalipse] 4:11) Ela incentiva os adoradores de Deus a evitar práticas e hábitos que prejudicam a saúde ou que colocam a vida em risco, como comer e beber em excesso, fumar ou mascar tabaco e se drogar. — Provérbios 23:20; 2 Coríntios 7:1.

      Por mantermos nosso corpo e o ambiente à nossa volta limpos, e praticarmos atividades físicas para ter uma boa saúde, estamos agindo em harmonia com os princípios bíblicos. (Mateus 7:12; 1 Timóteo 4:8) Quando as Testemunhas de Jeová ficam doentes, elas mostram razoabilidade por procurar assistência médica e aceitar a grande maioria dos tratamentos disponíveis. (Filipenses 4:5) É verdade que obedecem à ordem bíblica de ‘persistir em abster-se de sangue’ e, por isso, insistem em receber tratamento médico sem sangue. (Atos 15:29) E essa opção, em geral, resulta num tratamento de melhor qualidade.

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